terça-feira, setembro 01, 2026

Slow living in heaven
-- E uma casa muito bonita em Melides --

 

Acordei tarde. Aqui é a regra. Não sei porquê mas aqui durmo muito mais, um sono dos ferrados, dos bons. Sempre assim foi. Não sei se há ainda mais oxigénio do que na outra casa. Mas não deve ser isso, porque ar puro também não falta lá. Mas há qualquer coisa aqui que me traz um sono maravilhoso. Se calhar é porque o meu marido anda pelo campo e, ao não estar em casa, não faz barulho, não me acorda.

Fomos almoçar àquela tasca de uma aldeia a alguns quilómetros daqui. Em boa hora a descobrimos. Come-se francamente bem, é tudo bem servido e os preços bastante razoáveis. Nada a ver com o disparate que se pratica lá pelas minhas outras bandas: preços, no mínimo, o dobro, quantidade se calhar metade. Aqui comemos lindamente e ainda sobrou pelo que trouxémos o resto em caixinhas. O pior é o barulho no início, quando a sala está repleta. A acústica é péssima, um barulho que me incomoda. Há sempre grupos, gente palradora, parece que falam todos ao mesmo tempo. Depois, quando começam a sair, fica bom. Por isso, geralmente vamos mais para tarde porque assim mais de metade do almoço já decorre em ambiente mais tranquilo.

Hoje, por cá, foi dia de rega das valentes. O meu marido queixa-se sempre da água que gasto, diz que choveu, que nem valia a pena regar, e que não era caso para uma rega tão prolongada, que é um desperdício. Mas água dada à terra nunca é água mal gasta. Levo muito tempo, sim, sou cuidadosa, imagino a água a descer, quero que a terra fica molhada até bem fundo. E há muitos pontos para regar aqui do lado da frente e de um dos lados da casa. Não rego atrás nem do outro lado e muito menos rego longe da casa. Mas o curioso é que parece que tudo já se habituou à míngua de água. Algumas plantas, como por exemplo os aloés, ficam com as pontas mais castanhas mas, ainda assim, aguentam-se como uns valentes. 

O meu marido, como sempre, anda de serra, serrote e podão e corta tudo o que pode. Mais uma vez o rapaz que queremos que cá venha dar uma ajuda não pôde vir. Tem outro trabalho e não sai cedo. E os dias estão mais pequenos. Não sabemos de mais ninguém. Há, claro, o senhor da aldeia lá de baixo que cá veio algumas vezes. Dizem dele, os outros: 'Tem um problema, bebe muito, mas quando ele vê que não está capaz, não trabalha. É sério.'. A verdade é que não vinha muitas vezes e, como fazia tudo manualmente, o rendimento era pouco, quase nenhum. Não valia a pena. Ele mesmo dizia: 'Não rende, fica tudo na mesma.' Sério, lá está. 

De qualquer forma, gostamos de nos ocupar. No entanto, fico sempre com a sensação que nunca nada está tão bem quanto poderia estar. Mas a genica já não é tão efervescente como era dantes, e já gosto de me pôr na espreguiçadeira a olhar o céu e as árvores, na mais pura indolência. Dantes não sabia o que isso era, agora sabe-me tão bem...

Estive também a dar xylophene numa cadeira que está na cozinha, de apoio (ou seja, não faz parte das cadeiras em volta da mesa). O meu marido disse que estava a tomar o pequeno almoço e a ouvir um barulho. Apurou o ouvido e percebeu que vinha da cadeira. Espreitou e viu que um dos pés já tem dois buraquinhos. Levou a cadeira para a rua. E estive a dar-lhe umas boas camadas daquilo e ver se os bichos morrem.

Muitas vezes pensamos que havemos de ir aqui ou acolá. Mas depois, não sei se por preguiça ou se até bastante racionalmente, abstemo-nos. Estamos aqui tão bem, gostamos tanto de aqui estar, quando trabalhávamos desejavamos tanto ter tempo para poder desfrutar calmamente deste lugar, que acabamos sempre por achar que não vale a pena andar a fazer quilómetros para trás e para a frente para estarmos em sítios onde não nos sentiremos tão bem como aqui. 

Ao fim do dia, vinha de fechar as janelas na parte antiga da casa, encantada com as florzinhas da buganvília que agora adornam o exterior da janela do quarto que era da minha filha e cheguei ao corredor que estava iluminado pelas cores douradas do pôr do sol e parei: tão acolhedor, tão doce. A luz é um elemento fundamental na vida desta casa. Pela sua configuração, pela forma como se oferece ao sol, a casa vai-se iluminando diferentemente ao longo do dia. Fui buscar o telemóvel e fiz várias fotografias. 

Esta aqui abaixo, certamente por nabice minha, não fixou os dourados brilhantes da luz do sol, parece que ficou tudo rosado. Mas não era assim, era amarelinho, dourado pelo sol. A ver se amanhã tento de novo.

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Agora, ao ligar o computador à noite, o youtube tinha uma casa para me presentear. Teria graça que o youtube sorteasse casas e me tivesse calhado esta que aqui vos mostro. Mas não, limita-se a mostrar, a fazer fosquices. 

É em Melides. 

Ao ver a casa pensei que é muito do género da casa de um amigo nosso: uma casa térrea, ampla, cheia de portas, com amplos terraços, com um belo jardim. Esta casa aqui abaixo dá para os campos de arroz. A dele dá para um campo de golf. Tudo verdinho à frente, quase a perder de vista. A casa dele também é muito especial, obra dele, e tem diversas esculturas e pinturas de grandes dimensões. Também tem peças de artesanato, mas não é uma casa tão 'bonitinha', organizada e arrumada como a que verão abaixo. Ele é apaixonado pela casa e percebo-o. A dona desta casa em Melides também parece bem encantada com a sua casa. Um oásis. Só tenho dúvidas é em relação aos mosquitos. A Comporta, do que conheço, pelo menos até há algum tempo, tinha um bocado esse problema, em especial, que me lembre, mais para o fim da tarde. Estas aqui em Melides, com os campos de arroz, não terão também esse problema? Se calhar não, senão não havia tanta gente a dar fortunas por um terreno ou por uma casa lá, não é?

Por dentro de uma encantadora casa de campo portuguesa, inspirada no estilo Cape Dutch

Combinando o estilo colonial holandês da sua infância com a arquitetura tradicional portuguesa local, a autêntica casa recém-construída de Penny Morrison em Melides é um refúgio relaxante e acolhedor, repleto de peças adquiridas nas suas viagens.

"Vim passar o fim de semana e fiquei completamente apaixonada por Melides", diz Penny ao recordar como mergulhou no projeto de construção na costa portuguesa após uma recomendação de Carolina Irving.


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Desejo-vos uma feliz terça-feira

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