Nunca fui a um espectáculo de stand up nem sequer costumo ver na televisão. Não sei porquê. Aliás, talvez saiba. Talvez seja porque receie não achar graça e ficar constrangedor ficar séria quando seria suposto rir. Ou talvez porque tenha a imprressão que o humor que me agrada seja o que nasce espontaneamente e não o que é encenado, preparado, interpretado. Não sei. A verdade é que eu, que gosto tanto de rir, não consigo. Por exemplo, pelava-me pelas séries inglesas de humor. Nunca mais vi nenhuma, acho que a televisão já não as passa. Isso eu deliciava-me. Mas espectáculos ao vivo com uma pessoa a desfiar piadas ou histórias palermas de auto depreciação ou coisas do género, para esse peditório não dou.
Mas no outro dia apareceu-me no Instagram uma pândega a que achei um piadão. Chama-se Carisa Hendrix. O que me apareceu foi a sua personagem Lucy Darling e eu achei-a inteligente, rápida na argúcia, com um charme que envolve as piadas porventura mais incisivas. Do que vi, não leva nada preparado. É na interacção com o público que as piadas lhe surgem. Mas não são piadas no sentido de contar anedotas. Não, o que é engraçado é a forma como interage e se diverte com as pessoas. É um risco, o que ela corre, mas, do que tenho visto (e é pouco, claro), sai-se sempre bem.
Depois vi uma entrevista com ela e ainda achei mais piada pois não é nada como a sua personagem, nada, nada. Mas parece ser igualmente genuína, e parece também ser simpática, boa pessoa. Claro que impressões assim a partir de pouca coisa podem ser precipitadas mas, lá está, a intuição é um precioso auxiliar, um short cut da inteligência que devemos seguir.
Provavelmente quem costuma assistir aos infinitos espectáculos de humor que enchem salas, casinos e coliseus em Portugal olha para a Lucy Darling e diz que o mesmo que ela fazem esta, aquela e aqueloutra. Talvez. De resto, acho graça vendo assim à distância.
Na realidade, se ela viesse cá, não sei se teria coragem de ir a uma cena da Carisa. Acho que estaria numa pilha de nervos com receio que ela viesse meter-se comigo. Provavelmente depois riria de gosto, mas só o receio de que ela dissesse alguma coisa que me deixasse atrapalhada me tolheria de todo. Não, acho que não iria. É como ser hipnotisada ou embebedar-me ou drogar-me: não quero nem experimentar, não quero perder o controlo dos meus actos, da situação. Numa coisa assim, uma pessoa também perde o controlo da situação, fica à mercê das piadas que ela lhe apetecer fazer. Do que tenho visto não é cruel, maldoso, sequer mazinha. Mas não sei, nunca fiando...
Mas ao passo que não senti, até agora, curiosidade em procurar no youtube se há vídeos da Inês Aires Pereira, ou da Pipoca ou da Beatriz Gosta ou do Eduardo Madeira ou do Gel ou de todos os imensos humoristas que realizam espectáculos por todo o País, hoje senti vontade de partilhar convosco a graça desta bem torneada Lucy Darling. Neste vídeo, ela é também a prestidigitadora que, ao que percebo, também é, mas mantendo a interacção com as pessoas do público.
Lucy Darling realiza truque de magia no programa Masters of Illusion
Lucy Darling - Com o Público ao Vivo
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Desejo-vos uma boa semana a começar já por esta segunda-feira
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