Dias complicados. Quando a veterinária começou a cortar o pêlo da cauda do nosso bichinho que estava sobre a marquesa, estava o meu marido a fazer um mata-leão nele, depois quase deitado em cima dele a ver se o imoblizava, e ele, com os olhos quase fora das órbitas, gania, rosnava, queria fugir, revoltava-se, revirava-se, tentava morder apesar de estar com o açaime posto. Eu, enervadíssima. Odeio ver sofrimento. À medida que o pêlo ia saindo, as feridas iam aparecendo. Feridas em toda a cauda. Quando ela lhe limpou os ferimentos a casa ia vindo abaixo. Apesar de o meu marido o estar a prender fortemente, quase ia pelos ares com os saltos que ele dava.
Mais uma vez, piedermite. Começa por lamber ou coçar e, num ápice, a coisa degenera. Com o pêlo todo, não se vê.
Agora anda agitado, aquilo incomoda-o, não sei se é comichão, ardor ou dor.
Está a antibiótico, outra vez. Diz a veterinária que pode ter feito alergia a qualquer coisa, erva, resina, ou simplesmente alguma coisa dar-lhe comichão. Coça, lambe, o pêlo fica molhado, a humidade favorece o desenvolvimento do que não deve, começa a desenvolver-se bicheza que, roçando ele a pele com as lambidelas ou coçadelas, vai gerar ferimento que infecta. Já é para aí a terceira ou quarta vez que tem disto.
Amanhã os ferimentos têm que ser desinfectados mas nós dois não conseguimos imobilizá-lo de forma a limpar as múltiplas feridas. Vamos levá-lo à escola onde as monitoras conseguem dominá-lo. Mas continuamos sem carro. Por isso, não é exactamente irmos levá-lo... vem cá uma das colaboradoras buscá-lo. E devia ser duas vezes por dia mas dadas as circunstâncias só pode ser uma. Mas isto só dura até ao fim de semana pois vão de férias. No fim de semana volta ao consultório. Vamos tentar um uber friendly pois se hoje a minha filha conseguiu vir, no fim de semana não vai dar e o meu filho e família têm um fim de semana fora. A veterinária, entretanto, face à batalha campal de hoje, receitou ansiolíticos. No sábado tomará um comprimido antes de ir. Se corer bem, irá calmo.
E, para a semana, não sei como vai ser.
Um stress horrível. Custa-me imenso ver o bichinho neste sofrimento e inquietação. Custa-me não conseguirmos, os dois, tratar deles, custa-me elas irem de férias, custa-me não termos o carro. Pedir um de substitução ou alugar um é uma hipótese mas na garagem não sabem quando despacham o nosso, a companhia de seguros quer informação mais concreta. E receamos que ele danifique o carro.
A veterinária diz: os Serra de Aires são cães selvagens. São feitos para andar nos montes, o dia todo a correr atrás das ovelhas, essa é a natureza deles. Não podendo viver de acordo com isso, stressam e, se stressam, ficam com o sistema imunitário mais frágil. Para além disso, não são fáceis quando se sentem atacados ou com dor.
Agora anda por aqui às voltas, não tem sossego. Normalmente a esta hora dorme a sono solto. Não está bem, coitadinho.
E, tirando isto, tudo anda complicado, surgem chatices várias, de diversos quadrantes. O que me anima é pensar que depois da tempestade vem a bonança. E que não há mal que sempre dure. Portanto, daqui por uns dias tudo se começará a recompor, espero.
Ando cansada. Acordei quase de madrugada e não voltei a adormecer. Como vou para a cama sempre tarde, pouco dormi. E este calor também não ajuda.
Vou ver se me deito porque amanhã o dia começa cedo, tenho cá meninos. Vai ser um dia bom. Com a animação deles, a alegria compensa um pouco a aflição de ver o bichinho tão incomodado.
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Desejo-vos um dia feliz
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