Uma das teses que anda por aí é que, como parece que entre os 11,4 milhões de portugueses (vamos ver se o INE não me vem corrigir) o Luís Neves é o único que sabe combater fogos, tenha ele pisado a linha ou ficado em cima dela, não se deve demitir nem ser demitido porque é competente naquilo que faz. É uma tese muitíssimo perigosa. Vou só dar um exemplo e por absurdo demonstrar onde nos podem levar as teses de quem se marimba para a ética republicana e acha que os resultados estão acima de tudo. Vejamos o nosso influencer da área da comunicação e da restauração, de sua graça Isaltino Morais. Se tivesse sido apenas julgado pelos resultados à frente da câmara de Oeiras certamente não teria sido condenado e preso, porque teve e tem excelentes resultados como autarca. Tinha pisado o risco, mas que se lixe, o que interessa são os resultados.
E, assim, se vai dando força ao populismo.
Ainda sobre o caso do Luís (neste caso Neves): ouvi hoje o Henrique Machado na CNN fazer uma defesa acérrima do senhor. Ouvindo-o parece que não deve haver qualquer preocupação com os bidons de amoníaco. São perigososos, podem explodir ou evaporar e originar sérios problemas de saúde pública -- mas, para ele, o que é que interessa? O antigo diretor nacional da PJ é um tipo desenrascado, manda aquilo para um descampado e não há-de ser nada. Mas o Henrique acrescenta que, ainda por cima, a PJ não tinha verba para destruir corretamente o amoníaco. Com certeza, pedir à Ministra a verba necessária, nem pensar! Guardar o amoníaco numa empresa de produtos químicos com condições para o armazenamento seguro do produto, que heresia! O Machado bloqueou, já não consegue pensar. Habitualmente tão castigador para com criminosos, pseudo criminosos e potenciais criminosos, tornou-se, nesta caso, um cordeirinho. Será que deve alguma coisa à PJ ou ao seu ex-diretor? Nem o advogado de defesa do Luís Neves faria uma defesa mais empoderada do seu constituinte. E já agora, aquela história de ter sido o diretor financeiro a assumir a saída do camião, para mim, é um clássico. Quando quem manda quer fazer uma coisa que não quer assumir que fez, arranja um tipo próximo e pede-lhe (isto é, manda-o) fazer o frete. Deve ter sido o que aconteceu com a entrega da galera ao construtor. Até apostava!
1 comentário:
A falta de dinheiro da PJ parece ser a linha de defesa. Fizeram concurso, era caro, não tinham dinheiro, livraram-se do material.
Se é assim, presumo que nos vão mostrar a documentação:
- Da abertura de concurso para a destruição de material;
- Das propostas apresentadas pelas empresas contactadas;
- Da informação de serviço a relatar que não havia pilim e da oferta generosa feita;
- Do despacho de concordância.
Se tiver sido assim muita coisa fica explicada. Mal, mas fica.
No entretanto, e lendo um dos artigos publicados, ficamos a saber que o camião está estacionado num sítio qualquer, ao lado do material do elevador em Lisboa que matou 20 pessoas. Quer isto dizer que também este material está bem conservado. Nunca ouvi dizer que os ratos comessem cabos de aço.
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