domingo, dezembro 26, 2021

Um dia de Natal bom que termina com um mágico que alguns dirão ser algo controverso

 




Estou a escrever com uns dedos em cujas extremidades há umas nails num tom quase very peri. Gosto de me ver assim. No pulso tenho uma coisa totalmente preta que é uma espécie de relógio fininho, e que me poderá dar informações sobre passos, sobre saúde, sobre mensagens e sobre mais não sei o quê. Por enquanto apenas sei ver as horas e o número de passos e já vou com sorte. Nos pés tenho umas sapatinhas pretas muito confortáveis e bonitas. E tenho vestido um macio e chic bomber jacket. E ao jantar, tendo afirmado com total assertividade que nem pensar em comer, só chá e era para fazer companhia ao meu marido, acabei a comer tostas com requeijão e doce de maçã com canela, rematando com uns deliciosos bombons trufados. Nos lábios tenho um bálsamo que os deixa macios e a saberem-me bem. Tudo presentes. Mal os recebo, começo logo a dar-lhes uso. Recebi mais e todos bons. 

Desde que deixei de dizer o que queria, dizendo é que não quero nada, só recebo presentes que me agradam e surpreendem. Nada como a gente ter zero expectativas para ficar contente com tudo o que recebe, pois deixamos espaço para a criatividade e bom gosto dos outros que, frequentemente, são melhores que os nossos.

A noite da véspera para o dia não foi extraordinária: uma ventania que fazia um rugido cavo que nos entrava pela janela. Durmo com o vidro aberto, acho que durmo melhor se sentir o ar frio a vir de fora e eu quentinha entre lençóis. Mas a chuva e o rugido do vento eram fortes demais. Poderia ter-me levantado e fechado a janela? Sim, poderia. Mas não me apeteceu.

Talvez também pelo vento mas, certamente, também pela excitação de termos novos habitantes cá em casa, o urso peludo também dormiu mal. Mas, enquanto eu, quando não durmo fico quieta e calada no meu canto, a fera cabeluda não senhor, tenta acordar toda a gente. É ele e o dono. Para mal dos meus pecados, fazem sempre de tudo para eu perceber que estão acordados e a quererem companhia. Maçadores.

O dia foi muito bom. Não começou exactamente muito bem pois de manhã houve uma falha de energia que fez perigar o programa de festas. Ter um monte de janelas e serem todas eléctricas é daquelas que não se recomenda: estores corridos e sem electricidade é do mais frustrante que há. O meu filho já punha a ideia de irmos fazer o Natal em casa dele. Mas sou pessoa de fé. Por isso, depois de termos tomado o pequeno almoço quase às escuras, fui preparando os comes à luz das velas enquanto a minha filha foi buscar a avó e ajudá-la a fazer o teste. 

E, entretanto, veio a electricidade e tudo se compôs. Ganhei novo ânimo, palavra. E começaram a chegar os restantes convivas.

A casa cheia, toda a gente bem disposta, a casa quentinha, a lareira a dar aquele ambiente bom, os meninos todos numa alegria e nós também. E o cão eufórico no meio de tanto saco, tanto papel, tanto alarido.

Para entrada, tínhamos tostas com queijo fresco e salmão, tábua de queijos, tábua de carnes frias.

A minha mãe trouxe mini quiches: umas de frango e espinafres, outras de frango e cogumelos. E quiches normais, das grandes.

Eu fiz timbales, uns de bacalhau e outros de salmão. Uns com puré de batata, puré de abóbora e cenoura, grão, ovo cozido, e outros com puré de batata, espinafres crocantes, pouco grão, ovo cozido e todos com pão tostado grosseiramente picado por cima.

O meu filho fez uma deliciosíssima e maciíssima porchetta que esteve seis horas no forno e ficou suculenta, e que acompanhou com um saboroso molho de tomate com ricotta. 

Para sobremesa a minha mãe trouxe dois bolos, tínhamos o fudge de chocolate com iogurte grego que a minha filha fez em dose dupla e que depois de frio ficou ainda melhor, vindos da mãe da minha nora tivemos também azevias e coscorões, eu tinha também umas broinhas de doce ovos. E bombons.

Portanto, gordices que me sabem pela vida mas que me devem acrescentar cinquenta quilos aos duzentos que devo estar quase a alcançar. 

E jogámos ao joker, equipas mistas, os meninos a fazerem um chinfrim que quase fazia saltar a tampa da moleirinha à minha mãe. 

E o cão correu atrás dos meninos e os meninos atrás do cão e os rapazes jogaram futebol na play station e a minha menininha mais fofa e mais linda encantou-se com o presente hand made por uma amiga da tia, presente delicado e amoroso feito especialmente para ela.

A árvore de Natal tinha as luzinhas a piscar e a lareira crepitava e o ambiente estava caloroso e feliz. 

À noite, depois da jornada festiva, dividiu-se a comida por todos e ainda me sobrou o suficiente para ter esperança de quase não precisar de fazer nada nos próximos dias. Sou uma mulher de fé, já o confessei.

Saíram todos carregados com os presentes recebidos e com a marmita.

Depois fomos levar a minha mãe a casa. Ia toda contente. Imagino que durma uma data de horas de seguida pois vai daqui feliz mas com a cabeça um bocado esvaída.

O urso felpudo também foi. Quando regressámos, mal entrou em casa atirou-se para o chão, logo ali mesmo, em pleno hall. Estava KO, completamente KO. Não apenas dormiu muito menos de noite do que é costume como não pregou olho durante o dia, ao contrário do que lhe é costume. Espero que esta noite durma a noite inteira, se seguida, de preferência até às dez e tal da manhã a ver se eu faço o mesmo.

E é isto. O Natal de 2021 já se foi. O que vale é que agora tenho o dia seguinte para rebater. Se tivesse que ir trabalhar é que era pior. Assim, sendo domingo, está perfeito.

E para o ano há mais. Tomara que se possa estar à vontade, marimbando-nos para a covid:  um convívio mais alargado, todos à volta da mesma mesa, todos perto uns dos outros. Assim, em mesas separadas por agregados familiares, fica estranho. É certo que as mesas estão na mesma sala e nos vemos e ouvimos uns aos outros e conversamos de mesa para mesa e levantamo-nos e vamos ao pé uns dos outros. Mas não é a mesma coisa. 

Seja como for, estamos bem de saúde, bem dispostos e isso é que interessa.

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E agora, para terminar os festejos do dia, os muito crentes que me perdoem mas irreverência é fundamental.

Por isso, recebam com um sorriso e o vosso melhor aplauso... o Mágico do dia


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Desejo-vos um belo dia de domingo
Saúde e sorrisos para alegrar os vossos dias

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