sexta-feira, julho 26, 2013

Rumor Civil. O Leitor no Umbral. [O ornitorrinco. O cavaco. E outras coisas]. E a mestria, o humor, a inteligência (e também outras coisas) de Nuno Brederode Santos.


Cansam-me, que é como quem diz fatigam-me, que é também como quem diz chateiam-me, algumas das crónicas habituais do Expresso. 

Como durante a semana não tenho tempo para ler jornais diários, desforro-me, ao sábado, com o Expresso. Não sei dizer se é uma necessidade se é um hábito. A questão é que posso pôr-lhe defeitos, posso achar que alguns dos cronistas são pouco dotados, pouco perspicazes, seguidistas, ou fúteis, ou que não acrescentam coisa nenhuma que, nem por isso, deixo de o ler. 

Claro que também reconheço alguns cronistas de qualidade e já aqui os tenho referido (por exemplo, o mais recente, o Padre Tolentino de Mendonça, tem sido uma agradável surpresa) - senão seria masoquista, coisa para que não tenho qualquer vocação.

Mas, de cada vez que me esforço por ler o que dizem pessoas como o Ricardo Costa (que já mal consigo ler tal a vacuidade), o Henrique Monteiro, ou outros, recordo com alguma saudade aqueles que, antes, lia sempre com expectativa elevada e nunca defraudada. Um deles era o Nuno Brederode Santos.





Hoje dediquei-me a ler o Rumor Civil da Relógio d'Água, edição já com algum tempo que reúne crónicas desses tempos. 


Uma delícia. Mas uma delícia, senhores. Há lá coisa melhor que a gente ler gente inteligente? 

(Bem, é capaz de haver mais uma ou duas mas que não são para aqui chamadas).

Vou transcrever algumas passagens para que vejam se não é verdade o que digo.

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Antes de começar, Nuno Brederode Santos deixa logo uma Advertência. 

Do autor ao Editor

"Outrora, os livros eram escritos por homens de letras e lidos pelo público. Hoje em dia, os livros são escritos pelo público e não são lidos por ninguém". 

Oscar Wilde

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Seguidamente, à laia de introdução, as devidas explicações das quais transcrevo pequenos excertos.

O Leitor no Umbral


Eu não sou um analista isento, pela boa e dupla razão de não ser nem analista nem isento. Exibo-o até, às vezes, provocatoriamente; escancaro essa verdade no que escrevo; grito-o com todo o pulmão de que disponho. Não cavo esconderijos nem trincheiras. Disparo de pé, à vista de quem olhar. E duvido que haja leitor a quem tal escape.

Julgo encontrar nesta postura a minha fundamental honestidade.

É mais seguro tê-la assim - cronicando a eito, do caprichoso ao fútil e até ao mais óbvio empenhamento - do que se me armasse em analista.Podia sê-lo? Teria para isso os necessários instrumentos, como a formação, a experiência e a capacidade de violentar as minhas afectividades? Não sei. Mas claro que o podia ser aqui, neste simpático baldio que nós tão ternamente descuramos. 

Por cá é analista quem quer ou como tal se proclama, mesmo não dispondo de nenhum dos instrumentos que citei e que são a caixinha de primeiros socorros de qualquer profissional de tão santo ofício. E, se olharmos em volta, verificamos que, com um punhado de excepções, os analistas políticos não dispõem da caixinha e apenas ocultam que, tal como eu, servem solidariedades. É batota. E é essa a sua fundamental desonestidade.

(...)

(Sobre as suas crónicas) São tiros de espingarda de rolha com guita para puxar. Não fazem estrondo. Não vão além de um rumor civil.

()


E, a seguir, vêm então uma série de crónicas, praticamente todas publicadas no Expresso.

Vou limitar-me a transcrever frases soltas. Há tanta matéria interessante, actual, genial, bem humorada, bem escrita que seria impossível reproduzir aqui tudo. Tem que ser assim, em doses curtes, como se fossem uns amuse-bouche, talvez para vos dar vontade de tentarem ainda descobrir a preciosidade que é este livro.


(Sobre o extinto PRD) Não vale a pena fazer partidos para gente boa porque é atrás da gente boa que sempre anda a gente má.

(Sobre o CDS) Traz nas vísceras a ténia paciente que é o PSD (uma ténia que corrói e debilita com lenta persistência, mas que, em caso de morte, se converte num necrófago voraz e fulminante).

(Sobre nada em especial) Se Aristóteles está acima da camada de ozono, pode colocar-se a questão, desde que se ultrapasse um dilema essencial e se vença um labirinto político. Paradoxalmente, o pior labirinto é o mais simples, que é precisamente o dilema.




(Sobre um dos governos de Cavaco Silva) A manter-se tudo isto, não vai lá. Porque o eleitorado é caprichoso, mas de parvo não tem nada. O golpe de rins necessário ao PSD é o de se capacitar que não se fazem governos com técnicos, nem lacaios. (...) Que a demagogia supõe estar a gozar o povo, mas ao fim de pouco tempo é motivo de gozo para o povo. Que, moral à parte, a verdade é uma arma política excelente.

Poderá Cavaco Silva mudar tanto e tão depressa? (...) Porque ele é rápido a aprender, mas na condição de gastarem muito tempo a ensiná-lo.

(...)




Foi fácil tirar o homem de boliqueime, mas agora não conseguem tirar boliqueime do homem.

(...) 

Encaixa com rigor milimétrico num imorredouro retrato traçado por Oscar Wilde: sabe tudo sobre preços e nada sobre valores.

Há políticos europeus que, nos intervalos da governação mal sucedida, são pescadores de álibis.  Mas não conheço nenhum que esgote a governação na pesca de álibis. Cavaco é único: até pode governar sem ministros, mas nunca sem álibis  Ele nunca pode fazer o que quer, nem cumprir o que promete - porque a oposição não deixa, porque a Assembleia não deixa. A organização democrática do Estado é um sabbat demoníaco concebido expressamente para lhe deitar mau olhado e o impedir de governar.

(...)

Cá por mim, o pouco que escrevo sobre Cavaco tem, à míngua de talento, o mérito subjectivo de uma intenção pedagógica.

Só? Não. Há coisas na vida sem preço. Não me venham pedir que banalize em flácidas cortesias civis uma tão estimulante animosidade política.

(...)



(Sobre o ornitorrinco) Tratou a glória por tu. Triunfou mais do que Pompeu. Interpôs-se entre Deus e a Natureza.

Hoje é o último. Resiste ao tempo. E está uma ruína, um destroço, um cavaco.

(...)



Por tosca que seja a sua aparência e pese embora ao mito do berço humilde, o cavaco é oriundo de muito boas famílias. Ele é um Scyllarides Latus (Latreille). (...) O cavaco será tosco ou menos grácil e brioso. Custar-nos-á que não tenha nenhum sentido épico do destino, contentando-se com a duvidosa tentativa de autopertpetuação pela desova grossista. Mas é uma criatura de Deus, um animal do nosso mundo e está em vias de extinção. Os senhores deputados, que já salvaram o lince da Malcata e o lobo ibérico, não poderão fazer nada para salvar o cavaco?

((()))

E por aqui me fico. Custa-me parar porque acho delicioso tudo o que leio. Mas os blogues não são sítios para grandes textos, não é?

((()))

Caso queiram ler sobre um outro espécime de uma raça que parece que agora está a dar, a raça da gente cuja palavra vale menos que zero, é descerem até ao post abaixo. Maria Luís Albuquerque é desmascarada em directo por Clara de Sousa - e fica imperturbável, como se não fosse nada com ela.

A ver se ainda cá volto hoje para vos mostrar o que fiz hoje de tarde.

quinta-feira, julho 25, 2013

Maria Luís Albuquerque na SIC entrevistada por Clara de Sousa sobre os SWAPs: a capacidade de se manter inalterável e aparentemente tranquila mesmo quando confrontada na televisão, em directo, perante a evidência da mentira até assusta. Parece uma sonsinha mas, pelo que nos vai sendo dado a conhecer, podemos estar perante uma grande descarada.




A Ministra Maria Luís Albuquerque na SIC, sendo entrevistada por Clara de Sousa
(ministra de quem Passos Coelho garantiu a Cavaco Silva
que sobre ela não impendiam assuntos desagradáveis sobre os SWAPs)


Clara de Sousa, implacável, no Jornal da Noite, confrontou a Ministra com os mails trocados em Junho de 2011 sobre os SWAPs nos quais fica patente e factualmente comprovado que não tem feito outra coisa senão mentir.


Perante tudo o que Clara de Sousa disse, arremessou, contestou, provando e recomprovando que Maria Luís Albuquerque recebeu informação sob a forma de relatórios, folhas de cálculo ou mails, esta continuou sorridente, impávida e serena, continuando a dizer que não mentiu.




Clara de Sousa não facilitou nem nas palavras nem na expressão. Mostrou os mails trocados, confrontou Maria Luís Albuquerque com as contradições e com a falta de verdade.

Maria Luís Albuquerque não se torceu nem se amolgou: impávida e serena como se não fosse nada com ela.
Parece que nasceu para mentir. Pessoas assim até metem medo.


E mesmo quando Clara de Sousa lhe disse que ela estava a jogar com palavras mas que as provas demonstravam aos jornalistas, deputados e público em geral que ela possuía desde o início toda a informação que lhe permitiria agir atempadamente e que, ao dizer que não conhecia nada e não tinha recebido informação, estava a faltar à verdade, nem mesmo nessa altura, Maria Luís Albuquerque vacilou.


Estamos bem entregues. Com gente desta, que revela uma assustadora ausência de moral, de ética, de vergonha na cara, o que vai ser de nós?

Como podemos acreditar no que dizem, como podemos esperar deles lealdade, verdade, sentido de dever? 

^

(Mais informação sobre esta fétida matéria no Expresso, aqui, e no Jornal de Negócios, aqui.)

O novo governo de Passos Coelho tomou posse, todos sorrisos. Eu disse 'novo governo'...? Opppsss, enganei-me... É o mesmo. É o desGoverno de Passos Coelho e mais uns quantos, apadrinhado por Cavaco Silva. São os mesmos só que agora estão todos mais desconfiados e ressabiados uns com os outros, todos de faca na liga. Mas todos a fingir que são outros. Senhores e Senhoras preparem-se: chegou o tempo das matrafonas!





Pouco se me ocorre dizer a propósito desde governo recauchutado. 


Se digo mal, ainda acham que sou má língua ou que estou a deitar mau olhado. Nestas alturas as bentinhas e os beatinhos - aqueles que comem tudo o que lhes dão a comer e que acham que é boa educação tudo engolir - acham, como sempre, que se deve dar um voto de confiança e tal e coisa e desejar boa sorte e tudo isso.

Eu também, sinceramente, desejo que tenham boa sorte pois, se a tiverem, quem ficará a ganhar será o País. Mas acontece que não sou bentinha nem beatinha.

Vamos por partes.




1. Esvaziar um bocado os mega-ministérios, essa ideia estúpida de Passos Coelho (mais uma das suas muitas ideias do mesmo calibre), poderia parecer boa ideia. Mas vai implicar novas remodelações, novas leis orgânicas, toda uma burocracia (que não é isenta de custos) que vai atrasar o funcionamento efectivo.


Mas, enfim, no meio de tanta desgraça, esse talvez até seja o menor dos males. Tanto nos habituámos a tudo aceitar, que já damos de barato o que é menos nefasto, como se fosse normal termos a governar o País gente que se pode dar ao luxo de experimentalismos ignorantes e irresponsáveis.




2. Sobre Pires de Lima, substituido o totózito Álvaro, só posso achar que estará muito melhor preparado para exercer as suas funções. Conhece a economia real, conhece o mundo das empresas, é directo, tem espírito de liderança. 





3. Sobre o rapaz Jorge Moreira da Silva, mais um jota, que - read my lips: depois de, recentemente, ter andado a rodar a bolsinha pelos grandes escritórios de advogados  a anunciar gelados e outras quimeras desligadas da realidade, escritórios esses que, para assistir, convidaram, por sua vez, os seus principais clientes - agora chega a ministro, também não me vou pronunciar. 





4. Mas já me faz espécie que Rui Machete aceite entrar num governo desconforme, chefiado por um sujeito desqualificado. 


E é aos 72 anos que vai ter genica para aguentar viagens sucessivas, diferentes fusos horários? Acusado pelos americanos de gestão ruinosa, faustosa, quando à frente da FLAD, e ligado à SLN e ao BPP, seria esta a pessoa com um curriculum mais adequado para ir para MNE? Não sei, tenho algumas dúvidas. 


De resto não guardo ideia de quando ele andou nos governos. Lembro-me muito bem, isso sim, de um colega meu, católico do mais praticante que há, daqueles dos Grupos de Nossa Senhora, que fazem formação a casais e organizam grupos de reflexão, me contar que quem lá estava sempre caído era o Rui Machete. Não quererá dizer nada mas sempre me fez muita confusão que católicos, tão católicos, depois, quando se apanham com a mão na massa, façam coisas como esta: «continuar a gastar 46% do seu orçamento de funcionamento nos seus gabinetes luxuosos decorados com peças de arte, pessoal supérfluo, uma frota de BMW com motorista e custos administrativos e de pessoal que incluem por vezes despesas de representação em roupas, empréstimos a baixos juros para os trabalhadores e honorários para o pessoal que participa nos próprios programas da FLAD». 

Segundo Francisco, o Papa, cristãos que exerçam actividade política (que, segundo ele, é um dever) devem fazê-lo com espírito evangélico. Deus meu, que distante estão os que conhecemos disso...



[Num àparte, para que aqui fique registo das referidas palavras de Francisco]




5. Mas depois há a desconformidade maior de que já aqui falei (desculpem, pois, a repetição): que sentido faz que o líder de um partido minoritário fique com as pastas mais relevantes do governo, a Economia, a Reforma de Estado e as negociações com a Troika? 





Eu diria que não faz sentido nenhum. Mas isso também eu daria de barato. A política com este governo desceu a um tal nível de disparate que já dou quase tudo de barato.

O pior é que não vai funcionar.

É certo que parece que vivemos o tempo dos homens sem palavra. Dos homens sem coluna vertebral. Mas esses mesmos são também, têm-no demonstrado à saciedade, homens mesquinhos, egoístas, maus.




Por isso, não é de crer que Passos Coelho deixe o nº 2 mandar mais do que ele, muito menos ficar com louros. Não vai deixar. Já se percebeu que Paulo Portas também não tem dificuldade em rastejar e aceita ser pisado a troco não se sabe bem de quê. Mas, se Paulo Portas é um homem sem palavra e da raça dos rastejantes, já não me parece que Pires de Lima o seja. E não o vejo a vender pastéis de nata ou a inventar fantasias como o Álvaro. No dia em que Pires de Lima se atire para fora de pé, contando com o suporte do seu amigo Portas, será que vai aceitar, a seguir, ser rasteirado por Passos Coelho?

Tenho muitas dúvidas.




6. Tudo isto para chegar ao ponto final. E digo bem: ponto final. É que tudo vai ter sempre ao ponto que é ao mesmo tempo o ponto de partida e o ponto de chegada: Passos Coelho. 


Este desGoverno teve, desde o início, muitos males. Teve um inqualificável Relvas, teve um sociopata Gaspar, teve um desleal Portas, teve um ingénuo e apatetado Álvaro, teve mais uns quantos. Mas teve, sobretudo, um ignorante, incompetente, insensível, inculto, frio, com mau perder, vingativo Passos Coelho.


E ainda tem.




Por isso, o Governo pode parecer outro mas, de facto, é o mesmo.

Travestiu-se para ver se passa despercebido, para ver se aguenta mais dois anos. Mas, vendo por detrás das aparências, as matrafonas são afinal as mesmas criaturas que há dois anos andam a destruir Portugal. 

Por isso, nada a fazer. Temos pena.


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As fotografias foram obtidas na net através da pesquisa 'matrafonas no carnaval de Torres Vedras'.



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Para quem queira começar a formar ideias sobre os e-books, permito-me sugerir a leitura do post abaixo onde, a propósito de um elucidativo comentário do JCM que fala com conhecimento de causa, mostro que começo a ficar tentada (embora ainda com muitas dúvidas).

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Resta-me desejar-vos, meus Caros Leitores, uma bela quinta feira.
  Enjoy.


Acho que o comentário do JCM me ajudou a desbloquear o dilema em que eu estava (e-books: sim ou não?). Claro que agora terei que perceber as diferenças entre isso dos Kindles, Kobos, mobi e epub e outros mistérios. Mas nada como percorrer novos caminhos, não é?


Hoje estava no carro quando li o comentário do JCM relativamente ao que eu tinha escrito sobre os livros electrónicos.

Gostei de ler o que ele escreveu [embora confesse que ainda não distingo conceitos ou marcas associadas aos e-books e e-readers: kindles, kobos, ficheiros mobi ou epub].




De facto, ao ver nas praias, na beira da piscina, nas esplanadas, tanta gente a ler usando aqueles pequenos aparelhos, gente nova, gente de todas as idades - gente que se vê que não é gente pretensiosa a armar-se ao pingarelho - tenho percebido que já aí está no terreno uma nova moda. Ou melhor: que talvez não seja uma moda mas, sim, uma nova era.

Tal como os telemóveis hoje parecem normais - e há uns anos (muitos!) em Paris, antes de existirem por cá, ao ver uma pessoa num carro a falar ao telefone, me pareceu uma excentricidade do outro mundo - também os e-readers me começam a parecer normais.




Práticos, leves, as pessoas a folhearem como se fosse um livro, e afinal estão ali carradas de livros que não pesam coisa nenhuma - já isso me estava a deixar a pensar.

No entanto, como disse no outro dia, faz-me impressão não ter o livro em papel e eu sou muito apegada a esses bichinhos, gosto de lhes sentir a textura (estes do Jorge Luis Borges, na Quetzal, por exemplo, têm uma capa com um toque que quase parece seda virgem), e gosto de os ter insurrectos à minha volta, ao lado do sofá, na mesa, no chão ao lado da cama, e gosto de fazer uma dobrazinha no canto da página quando leio alguma coisa que me agrada. 

Mas agora vem o JCM e diz que se pode sublinhar na mesma e diz que se lê muito bem e que há livros gratuitos e que se podem organizar textos num formato de livro e que é coisa que veio para ficar e que os miúdos deviam ter para usar na escola e eu fico a pensar. Aliás, ao pensar em voz alta, dizendo o que agora estou a escrever, e a imaginar-me já a usar um, o meu marido disse logo, 'pronto, já aí está mais uma...', pois sabe que, quando uma ideia se começa a formar com tanto entusiasmo, já não largo. Confirmei: 'Se calhar, está já encontrado o meu presente de natal'.




Claro que ainda estou cheia de dúvidas: todos os livros que saem em papel, saem também em formato e-book? Portugueses? Se em língua estrangeira, saem em tradução portuguesa? Pode usar-se o cartão FNAC ou isso deixa de fazer sentido? Aliás, deixa de fazer sentido ir às livrarias? E se os aparelhinhos se estragam: ficamos sem os livros? Não deve ser. Mas não sei como é. E, antes de se transportarem, deixam-se a carregar, certo? É que parece que têm uma grande autonomia pois vejo que estão a ler durante muito tempo.

E será necessário ter dois aparelhinhos, um para ficheiros de um formato e outro para outros? Não são compatíveis? Será como aquilo dos vídeos quando apareceram, os BETA e os VHS, que nunca percebi bem qual a diferença mas que me lembro de ouvir acaloradas discussões contra e a favor?




Não sei nada disso. Estou num nível de ignorância ainda muito básico. Vou ter que me informar e vou ter que perceber o que mudará na minha vida quando me render a isso.

Mas acho que é uma ideia que, sem dúvida, está a fazer o seu caminho dentro de mim.


quarta-feira, julho 24, 2013

Sobre alguns dos meus vizinhos de hotel. Três casais: um francês, um português e um inglês. Todos iguais mas alguns mais iguais que outros. Se é que me entendem.


No post abaixo falo da generosa crítica, no caderno Actual do Expresso do último sábado, de Pedro Mexia sobre um livro de Rogério Casanova. Seres de escrita muito díspar, seres igualmente díspares na conduta (um expõe-se até mais não poder mas é contido na escrita, enquanto outro se esconde atrás de pseudónimos apesar de ser exibicionista no que escreve), verifico que Casanova desperta em Mexia uma simpatia que lhe retira clarividência. Mas isso é a seguir.

*

Aqui, agora, cumpro uma promessa. Há dias que vinha dizendo que vos queria falar de algumas das minhas vizinhas de hotel.

É hoje.

Não tenho fotografias das pessoas de que vou falar. Por muita vontade que tenha tido de as fotografar, contive-me. Mas como o tema se refere a casais, e para isto não ficar excessivamente maçador de tão longo que é, mostro-vos fotografias que fiz na praia a outros casais. Não têm nada a ver com o texto, não se deixem influenciar por elas, estão aqui mesmo só para vos trazer um ar de praia e um ambiente de acasalamento, que é como quem diz.

Vou restringir-me a três casais e deixo o filet mignon para o fim. 

Mas, primeiro, deixem-me referir um aspecto para se perceber melhor o que vou referir a seguir. O hotel é no meio da cidade. Optámos por este hotel porque resolvemos reduzir a utilização do carro ao mínimo (apenas o usamos quando vamos ao Castelejo). De resto, não temos paciência para andar metidos no trânsito, à procura de lugar para estacionar. Já nos basta o ano inteiro desse calvário em Lisboa. Este hotel tem um grande parque arborizado, onde o carro pode estar à sombra, e, imagine-se, é um parque gratuito. E tem outra graça: tem um autocarro que a toda a hora vai e vem para a praia, que fica a uns 10 minutos, e onde há uma zona de chapéus de sol e espreguiçadeiras, com apoio de bar e acesso a piscina e duche, exclusiva para os hóspedes do hotel. Há muito tempo que não andávamos de autocarro e não nos queixamos da experiência: é do mais prático que há.

Então, agora, prestada esta explicação, adiante.




1. O primeiro casal é francês, tipicamente francês. Ela de cabelo bem curto, elegantemente vestida. Ele vagamente ennuyé, sempre com um livro.

Terão uns 50 e tal. Contudo ela é uma fumadora tão compulsiva que a sua capacidade respiratória já está francamente afectada. Já arqueia os ombros numa atitude defensiva pois sabe que se tentar encher o peito de ar vai desatar a tossir; aliás, isso acontece mal fala um pouco mais. Faz impressão. A todo o momento ela levanta-se e vai para o local dos fumadores. Outras vezes ela fala em tom aborrecido, parece recriminá-lo ou, então, falar com desagrado de algo que a incomoda. Ele mantém-se impassível, é como se fosse assim desde sempre, é como se nem a ouvisse, geralmente continua a ler. Ela fala, tosse, levanta-se, vai fumar, regressa e ele imperturbável, lendo, tranquilo. Depois levantam-se, franceses, ele ar intelectual, ela ar angustiado mas o mesmo passo, alinhados, unidos. 




2. O segundo casal é português, um dos poucos casais portugueses. Identicamente à volta dos 50. O marido também sempre calado, também sempre com um livro, ela o oposto. Encontramo-los geralmente no autocarro e na praia pois fazem um horário quase coincidente com o nosso na parte da tarde. 

Ela tem mudado de bikini todos os dias. Não consigo perceber que colecção de bikinis é aquela que parece não ter fim. Se o refiro, o meu marido responde-me, tens é inveja. Por isso já não digo nada. Se lê, lê revistas, Caras, Lux, Vip, por aí. Ele não, ele lê livros de grande porte. Mal chegam, ele despe o pólo, deita-se, começa a ler. Ela besunta-se criteriosamente, põe óculos, tira óculos, põe o chapéu, ajeita o chapéu, ajeita-se toda ela e depois põe-se ao telefone. Fala de tal maneira que, apesar de não estarmos ao lado deles, não podemos deixar de a ouvir. Aliás, no autocarro, vai também ao telemóvel. Fala com amigas ou colegas. As palavras estão sempre no diminutivo. Deixou os dossierzinhos lá na estantezinha, alguns no cantinho, outros num montinho, tirou umas copiazinhas, e então, já saíu a reestruturação?, vamos lá a ver se a equipazinha fica boa, há-de ficar, e o Dr. Fernando o que tem dito?, ah sim, o Dr. Fernando agora também vai entrar de férias, e o Dr. Fernando para aqui, e o Dr. Fernando para ali e as feriazinhas estão a ser boas, o hotelzinho é muito bom, e a água está boazinha e o pior é o fresquinho à noite. O tempo todo nisto, e o Dr. Fernando sempre no meio da conversa. Ao lado, o marido nem pia, lê tranquilamente. Nunca ouvi a voz dele. Quando entramos no autocarro, já lá estão. O meu marido diz-me em voz baixa: o Dr. Fernando e a tua amiga chegam sempre cedo.




3. O terceiro casal é o meu preferido. São ingleses. A idade talvez também seja a dos outros, 50, talvez 40 e picos, não sei bem. Encontramo-los ao pequeno-almoço e já os vimos no autocarro e na praia. 

O elemento masculino do casal tem ar de ser um possante camionista TIR. É enorme, forte, ombros largos, braços grossos. Usa uns calções pretos de tipo lycra pelo meio da coxa que também é grossa, e uma tshirt fechada, sem decote, e sem mangas. Não de alças, mas com ombros. Os grandes braços, bem à vista, são obra. As tshirts geralmente dizem England em letras garrafais ou têm a bandeira ou motivos assim. Usa o cabelo muito curto, de tão curto quase se espeta, mas vê-se que lhe põe gel para o baixar ou então é ainda o cabelo molhado do banho, não sei.

O elemento feminino é o oposto. Muito mais baixa, loura, cabelo solto pelo ombro, brincos de argola, blusinhas coloridas, muito decotadas, de alças. Mas gordinha, gordinha. Como se fosse uma sucessão de pneus, os pneus começam logo abaixo do pescoço e vão até aos pés. Contudo, despreocupada em relação a isso. Usa umas saias tão curtas, tão curtas, que ao princípio me pareciam shorts. Mas não: são umas sainhas curtas, mal tapam as cuecas, com as blusinhas por fora da saia, perninha gorda, gorda, bracinhos gordos, toda ela gordinha, louríssima, sorridente e muito feminina (e agora, com estes diminutivos todos, já pareço a minha amiguinha).

Um casal apaixonado, este casal inglês. Ao pequeno almoço ele vai buscar-lhe chá, se ela quer sumo ele vai buscar, se ela quer mais bolo ele vai buscar-lhe mais bolo. E deve dizer-lhe piadas maliciosas pois vejo o ar malandro, o sorriso maroto, e vejo como a loura se desata a rir, cúmplice, derretida, e vejo como ele fica contente por a sua malícia surtir tão evidente efeito. Dá ideia que ele está sempre a recordar-lhe peripécias da noite passada ou a sugerir-lhe malandrices para a próxima noite e que ela alinha na sem-vergonhice. Dá gosto olhar para eles.

Quando eu saio do autocarro, ou a amiga do dr. Fernando, ou qualquer outra, os maridos ou namorados deixam-nos sair à frente. Ele não. Sai ele à frente e fica do lado de fora à espera que a louríssima desça e, então, gentleman, estende-lhe o braço para ela, ao descer, se apoiar. Ela derretida, no último degrau, joga a mãozinha gorda ao possante braço e desce do estribo como uma gentil e frágil lady. E sorriem, apaixonadíssimos, e lá vão, conversando, rindo.

Digo ao meu marido que ele devia pôr os olhos naquele fantástico cavalheiro, todo ele cortesias e gentilezas. Até que o meu marido, um dia, ar malicioso, me responde: Tens a certeza...? Depois, como eu não percebo aquele sorrisinho, aponta com o queixo. Vejo então, perplexa, que o camionista tem o atilho do bikini a sair-lhe da tshirt. Não quero acreditar. Não perco de vista o casal. Chegam à praia e confirma-se: o camionista, afinal, é uma mulher. Os seios são pequenos e quase se esbatem naquele corpanzil imenso mas não há dúvida. Tem corpo de homem mas está de bikini. Nos dias seguintes volto a confirmar, incrédula: é mesmo uma mulher. A voz é grave mas é uma voz de mulher. Um casal apaixonado, a loura sempre derretida, a grandona sempre igualmente derretida. Mas tão máscula é a grandona que a loura quase nem deve sentir que é lésbica.

Mas não é por este pequeno pormenor que mudo a minha opinião: um casal apaixonado que dá gosto ver.


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E fico-me por aqui que já são 3 da manhã. Sou uma indisciplinada, credo. Relembro que se quiserem saber a minha leiga e destemperada opinião sobre o Rogério Casanova e sobre a crítica literária do Pedro Mexia sobre o último livro que colige os trabalhos do primeiro durante quatro anos, é descerem até ao post seguinte.


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Desejo-vos, meus caros leitores, uma quarta feira muito feliz.

Pedro Mexia escreve no Expresso sobre Rogério Casanova, ou melhor, sobre 'Trabalhos de Casa - 2008-2012': diz que o considera um expoente e mais não sei o quê. Com isto, em minha opinião, Mexia revela que é generoso e que nem sempre o que escreve é para ser levado a sério.


Há pouco tempo, a propósito de entrevistas de Pedro Mexia e Rogério Casanova ao mesmo escritor, Geoff Dyer, escrevi aqui sobre as assinaláveis diferenças de estilo entre ambos. 

Claro que ser eu a aventurar-me por estes terrenos é ousadia, aquela ousadia que caracteriza os ignorantes. Mas sinto-me à vontade para o fazer porque escrevo não na qualidade de entendida na matéria, que o não sou, mas na qualidade de consumidora. É para mim e para outros pagantes como eu que ambos escrevem. De certa forma, eu sou cliente deles. E, como cliente, posso dizer o que acho do que eles (indirectamente) me vendem.

Sou apreciadora da escrita de Pedro Mexia - já aqui o disse várias vezes. 


Crítica de Pedro Mexia sobre o último livro de Rogério Casanova


Escreve bem, escreve sobre temas interessantes e, quando faz crítica literária, se calha escrever sobre livros que já li, reconheço-me nas suas opiniões e, se ainda não li, fico com vontade de ler. Escreve de forma acessível, apelativa, embora não ceda às facilidades da escrita literato-populista (se assim me posso expressar). Também gosto de o ouvir no Governo Sombra: é sensato, equilibrado, objectivo, fala como um homem feito, e, apesar do ambiente o poder proporcionar, não cede ao apelo do humor fácil e rasteiro.

Já era leitora assídua do que escrevia quer no Estado Civil, quer no A Lei Seca, numa altura em que nem estava muito consciente de que, ao fazê-lo, estava a tomar contacto com a blogosfera, realidade que me era, então, estranha. Aí, Pedro Mexia escrevia num registo mais pessoal, frequentemente intimista, embora tão escancaradamente nos expusesse as suas entranhas que nós, leitores, guardávamos aquele silêncio cheio de pudor com que geralmente contemplamos a exposição da vulnerabilidade dos outros.

Se antes não o acompanhava no Público, porque não leio jornais diários, agora que está no Expresso, passei a acompanhar semanalmente a sua crónica de abertura do Caderno Actual e as suas críticas literárias.

E é sobre a crítica desta semana que quero falar. Pedro Mexia fala do livro de Rogério Casanova, 'Trabalhos de Casa - 2008-2012', dá-lhe 5 estrelas e, de forma laudatória, é assim que intitula o texto: 'Um expoente'. 


Não sei como é que eu lá tinha chegado mas houve uma altura em que lia o blogue A Pastoral Portuguesa, de Casanova. Achava-lhe uma certa piada, escrevia bem. Mas depois desatava a falar de futebol, textos extensos sobre jogadas ou jogadores ou, mais obsessivamente, sobre o Sporting e comecei a maçar-me. Pus de lado.


Crítica no Expresso de Pedro Mexia sobre livro de Rogério Casanova



Se ele escrevia no Expresso, como Mexia refere, não me lembro. Dou por ele, sim, na revista Ler. 

E o que tenho a dizer é que, aí, os seus extensos artigos são por vezes difíceis de ler até ao fim. Por vezes é favor: quase sempre. Falo por mim, claro. Há-de haver quem os ache na dose certa. Eu não acho. Casanova gosta de desfiar referências, acha-se piada e é viciado em name dropping (embora, do alto da sua auto-indulgência ele certamente ache que não, que até se refreia face à sua enciclopédica erudição bibliográfica).

Peguei agora na última Ler para confirmar, uma vez mais, a minha opinião. Escreve bem, não nego. Mas o problema é que se entusiasma com a sua própria escrita e com as suas próprias opiniões e o texto começa a enlear-se nele próprio. Acaba por ser um texto longo, maçador e em que quase se perde o fio à meada. Acaba por quase nem se perceber o propósito do que está a escrever. São textos em que o leitor não tem espaço para a sua própria respiração, em que nem conseguimos empatizar nem com o autor da crítica, nem com o autor criticado, por ali vamos, arrastados naquela torrente de referências, de palavras.

Dirão os entendidos que o meu mal é justamente não ser entendida, uma mulherzinha básica. Seja. Não tenho pretensões a ser o que não sou. Mas, repito: é a pessoas como eu que os jornais e as revistas se destinam. Nem todos os destinatários serão gente ilustre e ilustrada, gente paciente, condescendente. Muitos serão como eu. Lêem um bocado e, se a coisa interessa, vão até ao fim; se a coisa parece um exercício onanista ou narcísico ou exibicionista, a leitura fica por aí.

Por isso, que Pedro Mexia o ache um expoente e o louve da forma como o faz no Expresso desta semana, acho um pouco extraordinário: interpreto-o como um acto de generosidade. 


Refere Pedro Mexia, entre outros tributos devidos, o de James Wood. Ele lá saberá porque assim o considera. No entanto, eu não o consigo perceber. Ler, por exemplo, A mecânica da Ficção de James Wood não pode ser uma experiência mais distinta do que ler Casanova. Onde James Wood é contido, seco, directo, objectivo, Casanova faz um espalhafato, mostra que sabe nadar, esbraceja aparatosamente, atira-se para fora de pé, faz de tudo para chamar a atenção sobre si próprio, quase nos levando a esquecer o tema que o levou a escrever.




Curioso é que sendo assim, histriónico e narcísico, se apresente depois com pseudónimo e infotografável. Às tantas ainda é algum outro, alguém que bem conhecemos e que nem imaginamos que seja o dito Casanova. Mas tanto faz. Que seja quem é.


Resumindo: desta vez não me revi no que Pedro Mexia escreveu e se, por um lado, interpreto que o fez por simpatia, uma simpatia entre colegas de profissão, já por outro me deixa de pé atrás. Tinha-o por um crítico isento, exigente e vejo que nem sempre o será já que, nomeadamente, tenho muitas dúvidas que, desta vez, o tenha sido ou, então, que tenha sido sincero.

Claro que isto sou eu a falar - e eu digo o que penso.

*

(A ver se ainda cá volto hoje)


segunda-feira, julho 22, 2013

Nasceu o bebé real inglês. Hoje de tarde Kate Middleton e o Príncipe William, Duques de Cambridge, foram pais de um menino. Se fosse viva, Diana de Gales, teria sido avó e sorriria, mostrando ao mundo um dos seus belos e sedutores sorrisos.


Depois de terem feito uma longa espera à porta de St. Mary's Hospital, os jornalistas viram finalmente fumo branco. O nascimento de uma criança é sempre um momento feliz e esta criança, em particular, desperta no mundo uma atenção especial.

O menino que hoje nasceu a meio da tarde, filho de Kate Middleton e de do Príncipe William, com um pouco mais de 3,8 kg, talvez venha a ser rei do Reino Unido. A Coroa Britânica acolheu hoje um novo herdeiro, o terceiro na linha de sucessão ao trono.


Talvez suceda a seu pai, um jovem simpático que o mundo conhece bem. Desde que nasceu habituámo-nos a vê-lo nas capas das revistas: William ao colo de uma mulher muito bonita; depois, mais crescidinho, a divertir-se com o irmão e com a mãe numa feira popular, numa montanha russa com água, depois, ainda um menino, a caminhar, porte digno, ao lado do irmão, atrás da urna que continha o corpo da mãe.

Ao longo da sua adolescência soube manter a simplicidade que a mãe tanto quis para ele, soube manter a simpatia, e fomo-lo vendo a esquiar, a divertir-se com o irmão, o Dirty Harry, fomo-lo vendo com amigas - mas sempre sabendo manter uma distância higiénica das revistas e tablóides, sempre sem se tornar vítima da pressão mediátíca à qual a sua mãe sucumbiu. 

Acompanhámos depois o namoro com a sua colega de faculdade, Kate Middleton. Vimo-lo, mais recentemente, adulto, sorriso parecido com o da mãe, desposando Kate. Um casamento de sonho, mais um casamento de sonho numa família onde os sonhos têm ruído, um após outro.

E hoje William, actual Duque de Cambridge, foi pai. Será certamente um pai atencioso, querido. Pelo que nos é dado ver, ele e Kate parecem formar um casal normal e saberão certamente preservar um ambiente saudável para criar os filhos.


Se Diana não tem visto frustrado o seu sonho de ter um casamento feliz ao lado do marido que amava mas que amava outra mulher, talvez hoje ainda estivesse cá, radiosa, para receber o filho do seu filho.




Não sabemos. Mas, maternal como era, estaria certamente muito feliz. Não há felicidade maior que ver a felicidade dos nossos filhos ao serem pais. Hoje a bela Diana de Gales, Princesa do Povo, teria 51 anos, seria seguramente ainda uma incorrigível sedutora e ter-se-ia tornado avó.


Estou certa que William hoje, ao pegar o filho recém nascido nos seus braços, lembrou-se de Diana, sua mãe, sempre tão protectora e carinhosa.

Mas a vida é o que é.

Pode parecer ridículo mas podem acreditar que fico contente por saber que o parto correu bem, que a mãe e o bebé estão bem, e tenho vontade de felicitar estes dois jovens por terem sido pais (e, confesso, sinto pena por Diana não estar cá para abraçar o filho e enternecer-se com o neto). Coisas cá minhas, difíceis de explicar, eu sei.




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As duas fotografias são de Mario Testino, o fotógrafo que Diana de Gales preferia.


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Nota: Este é o meu segundo post de hoje. Abaixo, poderão ler uma descrição do percurso para se chegar à parte mais bonita e mais deserta da Praia do Castelejo, uma das mais belas praias do Algarve.

A ver se amanhã, finalmente, escrevo sobre o que ando a prometer: sobre os meus vizinhos de hotel, em especial sobre um casal cujo elemento masculino faz roer de inveja muita gente. Um cavalheiro devotado e amantíssimo, nem imaginam. Mas amanhã conto-vos. Parece que ando a protelar mas não: venho com essa intenção mas vão-se metendo outros assuntos. Desculpem.

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E por hoje nada mais. Vou ler um bocadinho antes de adormecer. Amanhã talvez vos fale do livro que estou a ler, Aventuras de um Crâneo e outros textos, Mário Botas.

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E tenham, meus Caros Leitores, uma terça feira muito feliz!

Guia para não se ficar decepcionado com a Praia do Castelejo ----- [e, a despropósito, um dilema: adoptar ou não os kindles para ler livros sem ter que andar carregada com eles...?]


Chega-se lá vindo de Vila do Bispo por uma estrada pelo meio dos campos. A dada altura, num alto, a estrada bifurca para a direita, para a Praia da Cordoama que também é bem bonita.

Mas não se vá por aí. Desça-se pela esquerda, por uma estrada estreita que desce para o mar.

Há sítio para estacionar lá mais para baixo, bem perto do acesso ao areal. Contudo, por ser mais fácil a manobra, costumamos deixar o carro numa zona de parque cá mais em cima, à direita de quem desce. Depois são uns escassos metros a pé. À direita, num ponto com excelente vista, há um restaurante de praia com esplanada.

Chegamos, então, à praia. O areal distribui-se em concha, aconchegada entre as falésias rochosas. À direita, logo à entrada, juntam-se os surfistas. Depois, à esquerda e à direita distribuem-se os veraneantes, geralmente estrangeiros. Contudo não é essa a parte da praia de que mais gostamos nem é aqui que ficamos. Para nós, aqui não é o nosso Castelejo.

Ao Castelejo deve ir-se com a maré vazia e explico porquê. 

Andando para a direita (com o mar em frente) há uma rocha muito alta e umas quantas mais baixas. 




Quando a maré está alta, a praia acaba aí. Contudo, quando está maré baixa, passando para lá dessa rocha alta e dessas rochas mais baixas, entra-se então numa outra praia.




Mesmo que na parte principal e mais conhecida esteja vento (e isso é frequente), na parte de que falo, geralmente não há. Aí é o deslumbramento. Espaço, largueza, um imenso areal polvilhado de rochas - e quase ninguém.

Andando até ao fim dessa praia chegar-se-á ao ponto em que se passa para a Cordoama, mas apenas vamos até lá ao fazermos as nossas caminhadas. 

Não me perguntem porque é que as pessoas gostam de se amontoar na praia onde o acesso desagua e não andam mais uns metros para entrarem nesta praia paradisíaca da direita (sendo que, para mim, praia paradisíaca não é a praia de areal liso, mar chão e palmeiras à beira de água mas sim, como tenho dito, uma praia de mar batido, rochas onde o mar se enrola, limos, algas, cheiro a maresia, areal com conchas, pedrinhas).




De facto, se a maré está cheia não há outro remédio senão ficar pela praia da entrada. Por isso, só vamos com maré vazia para podermos passar para o lado de lá. 

Também nunca vamos carregados para podermos andar um pouco mais sem nos cansarmos e para podermos lá ficar até a maré estar quase cheia. 

Muitas vezes, ficamos lá até ao limite da maré e atravessarmos o estreito de que falei com água já pelas pernas, senão mesmo quase pelo peito .




Temos uma toalha grande daquelas muito fininhas da Decathlon (não sei se serão de camurcina; mas sei que não são de turco), que não ocupam espaço quando dobradas nem pesam. Temos uma pequena mochila térmica da Sportzone. Aí cabe tudo: essa toalha grande que dá para dois, uma garrafa de água, fruta, iogurte líquido, protector solar, os documentos, os telemóveis, a máquina fotográfica, um livrito*, e cabe a roupa que despimos e que também é leve e facilmente dobrável. Se calha ser de tarde ou não estar muito sol, não levamos mais nada. Se calhasse ser hora de sol, levávamos um pequeno chapéu de sol, muito leve. Mas agora há uma solução bem melhor, uma espécie de mini tenda que se atira para o chão e fica instantaneamente montada, leve como uma pluma, misto de chapéu de sol e abrigo do vento. Fechada, fica um círculo espalmado que se transporta ao ombro (há também na Decathlon, a baixo preço). 

Quando caminhamos e somos só os dois, toda a bagagem vai na mochila. De qualquer forma, se o Leitor ou a Leitora gosta de ir de chapéu de sol grande e tradicional, cadeiras, geleiras, grandes toalhas turcas, raquetes, barbatanas, etc, mesmo assim lhe digo que a distância a percorrer não é grande e que não chegará cansado à zona da praia de que falo.




Esta praia tem um senão: porque o mar é batido e há muitas rochas, nunca me aventuro em grandes natações. Mergulho, dou umas braçadas e pouco mais. Claro que para intrépidos aventureiros ou surfistas impenitentes isto é um desafio. E, para os mais timoratos, há sempre as pequenas piscinas naturais que se formam junto às rochas e que dão para se estar de molho (...estar de molho, é como quem diz, que a água nunca é especialmente quente...).

De qualquer forma, não é como, por exemplo, a Meia-Praia que, essa sim, é óptima para nadar.

Mas é uma praia de uma beleza natural extraordinária. Se ainda nunca foi ao Castelejo, sugiro que não deixe de a conhecer.


/\


* Asterisquei lá em cima a palavra livrito para vos falar de uma coisa que, até ao ano passado, era uma excepção e que este ano foi recorrente.

É frequente nestas praias frequentadas por muitos estrangeiros (como é o caso de todas as da zona de Sagres e Lagos) que quase toda a gente esteja na praia a ler. E se, até aqui, quase todos liam livros de bolso (paperback), este ano fui surpreendida com a invasão de kindles. 




Nas praias ou na piscina do hotel ou nas esplanadas vi kindles por todo o lado. Folheando como se se tratasse de um livro, ali estava meio mundo a ler os e-books. 





Não há dúvida que é prático, leve. Eu que vou sempre carregada de livros e que acabo por apenas ler metade dos que levo, escusava de levar aquele carrego e de ouvir o meu marido sempre a protestar pela minha falta de sentido prático. 

Fiquei a pensar que, quando se viaja, é de facto muito prático. Claro que, pensando nisso e pensando na possibilidade de me vir a render a esta tendência (que, pelo que vejo, já é mais do que uma tendência: já é uma realidade), sinto uma angústia: e depois deixava de ter livros em papel? Deixava de ter a mesa cheia de livros? Deixava de ter aqueles problemas - tão gostosos - de tê-los desarrumados e precisar de mais estantes?

Não sei, não.

^^

Ainda cá volto.

Sobre alguns restaurantes do Algarve: um longo caminho a percorrer. Há ainda muito amadorismo e muito espírito pacóvio em parte da restauração algarvia. Mas as praias... que maravilha! Mostro-vos a maravilhosa praia do Castelejo onde os meus pimentinhas brincam que dá gosto.


Nos dois posts abaixo falo da valentona decisão do presidente de todas as cagarras ao manter em funções a vaca fria, ou melhor, a vaca requentada. 

Mas isso é a seguir. Aqui, agora, a conversa é outra.

Tenho tanta coisa para dizer que tenho que me refrear e cingir a pouca coisa para ver se não apago a luz, outra vez, tarde e más horas. Tenho pendente contar-vos das minhas vizinhas do hotel e tentarei também falar amanhã da crítica de Pedro Mexia, no Expresso, a um livro de Rogério Casanova (pois parece-me mais um exercício de generosidade do que outra coisa). 

*

Mas isso talvez seja amanhã. Hoje quero explicar-me.

Na noite de sábado não consegui aqui escrever nada e quero dizer-vos porquê. Não sei se algum de vós tem tido recentemente a experiência de jantar num restaurante no Algarve. Conto-vos a minha experiência de sexta à noite e de sábado.

Na sexta feira, estando em Lagos, resolvemos escolher um restaurante que tivesse comida minimamente portuguesa. Primeira dificuldade. Tirando as sardinhas e os choquinhos fritos (sempre esgotados), pouco há de genuíno. O peixe grelhado é de aviário e, depois, o resto é chapa 4, igual em todo o lado, incaracterístico.

Até que vimos a ementa de um restaurante numa das ruas principias: A Petisqueira. Menos mal: vimos polvo assado com batata doce e lombinhos de porco com roquefort e achámos que talvez fosse uma opção razoável. Estava frio, as noites por aqui têm estado frias. Entrámos e vimos umas duas mesas vazias. O dono perguntou se tínhamos reserva. Dissemos que não. Então disse que não tinha mesas, que estava cheio, tudo reservado. E preparava-se para ir à sua vida quando lhe perguntei se não podia ser lá fora. O meu marido não gostou do tom dele e não lhe agradava a ideia de jantar cá fora, ao frio. Mas eu estava com fome e já a salivar perante a perspectiva de jantar o polvo ou os lombinhos. Lá fora havia duas mesas, uma a meio, mais abrigada e uma mesmo no passeio, encostada à placa onde estava a ementa, desabrigada. O dono apontou para essa e disse que só se fosse naquela. Incrédula perguntei se não podíamos ficar na do meio. O homem, meio enfastiado, hesitou e disse que sim, com uma desculpa qualquer.

Como em quase todos os restaurantes nesta altura, o tempo de espera desde que se escolhe até que chega a comida é grande. Nesse meio tempo, reparámos que sempre que alguns estrangeiros viam a ementa e resolviam entrar, arranjavam mesa lá dentro (o restaurante tem um piso superior e, entretanto, alguns dos que já tinham jantado, iam saindo).

Claro que o meu marido estava contrariado comigo porque, por vontade dele, tinha-se ido logo embora.

Finalmente veio a nossa comida. No final, quando o dono passou por nós, fiz questão de lhe dizer que a comida estava boa mas que era escandalosamente pouca. Não concordou, achava que era a suficiente. O meu marido reforçou: boa confecção mas é quase ridículo ser tão pouca. E disse que, sobretudo, não tinha gostado de ter sido discriminado por ser português. E explicou aquilo que tínhamos constatado e deixou bem claro que a atitude de tratar mal os turistas portugueses é muito pouco inteligente. Nos meses de menos afluência de estrangeiros, não será o turismo português que os aguenta?

Na mesa ao nosso lado estava um casal português (o resto era tudo franceses e alemães) e a senhora disse que concordava connosco, que era revoltante, e que com eles tinha acontecido rigorosamente o mesmo, que também achavam que deveriam era ter-se ido embora.

Uma tristeza. Nunca me tinha acontecido. Já tinha ouvido falar mas agora passou-se comigo.

No sábado à hora de almoço, fixada que estava em comer choquinhos fritos à algarvia, também em Lagos, tentámos a Adega da Marina, restaurante enorme junto à Marina, que tem choquinhos fritos desde sempre.

Pois. Debalde. Optei por sardinhas assadas, óptimas, o meu marido por bife de espadarte, igualmente bom. Mas, para os comermos, tivemos que penar, ó se tivemos. Tempo, tempo, tempo. Um horror. 

Na mesa ao nosso lado estava um casal alemão. Quando chegámos, estavam eles a comer camarões fritos. Depois de acabarem, foram ao balcão do peixe e escolheram: ele uma posta de cherne, ela um choco. E esperaram. E esperaram. E esperaram. E esperaram. E esperaram. Intrigados, diziam-nos que não sabiam o que se passava. O meu marido encolhia os ombros e dizia 'It's not easy...' e o alemão encolhia também os ombros e dizia que estava de férias, que não se queria aborrecer, que esperava.

Ao fim de nem sei quanto tempo lá chegou a nossa comida e, quando estávamos a sair, chegou finalmente a deles. Uma vergonha. 

E isto num dos restaurantes maiores e mais conhecidos de Lagos.

No sábado à noite a cena foi em Vila de Bispo. Outra vergonha.

Chegámos às 8 e picos. Fizemos o pedido. Pedimos uma sopa para as crianças. Ao fim de uma meia hora veio a sopa - a ferver, literalmente a ferver. Impossível de comer. Lá se misturou água gelada mas perde-se o ritmo, já se sabe como é com as crianças, já não querem, que está quente, que não, não.

Tínhamos pedido pratos do dia (robalos grelhados, lulas recheadas, polvo na caçarola, bife de espadarte de cebolada). Repito: tudo pratos do dia.

Esperámos. Esperámos. Esperámos. Esperámos. Esperámos. Esperámos. Esperámos. Esperámos. Esperámos. Esperámos. Esperámos. Esperámos. 

Uma família junto a nós, depois de ter comido ameijoas de entrada, exasperou-se e pediu a conta sem esperar pelos pratos principais. Quando chegámos, estavam eles a acabar as ameijoas. Ao fim de mais de 1 hora ainda não tinha vindo o resto.

O tempo ia passando. O bebé adormeceu, a irmã já pousava a cabeça sobre os braços dobrados sobre a mesa, já dizia que queria colo, que queria ir dormir.

Ao fim de nem sei quanto tempo lá chegou a comida. Estava boa, vá lá. Mas já eram quase 11 da noite quando nos despachámos. Quando veio a conta, tinha vários erros, manteigas que não tínhamos comido, queijos que não tínhamos comido. O meu marido, farto, irritado, já dizia: deixa estar! Mas a mim estes erros irritam-me. Lá foram corrigir. Quando fomos pagar, não trabalhavam com multibanco. Felizmente o meu marido tinha dinheiro que chegasse, mas foi à conta. À porta estava um grupo nas mesmas condições, a fazerem uma colecta entre todos para pagarem, uns procuravam nos bolsos, outros contavam o que tinham na carteira. Um disparate.

Horas. Horas. Por isso, quando à noite cheguei ao meu poiso, estava já tão cheia de sono, tão maçada, que não consegui energia para vir aqui escrever.

Resumindo: nisto se vê o longo caminho a percorrer para se ter uma actividade turística como deve ser. Há uma falta de qualidade no serviço, uma falta de profissionalismo, uma coisa que incomoda.

Claro que há excepções, claro que há sítios decentes, bons. Mas os preços...

Aquilo a que me refiro é o que se vê noutros países em que o turismo é levado a sério: uma oferta geral, média, de qualidade, com serviço eficiente, preços acessíveis, simpatia - e que deixa vontade de voltar.

*

E é uma pena porque as praias são maravilhosas. Maravilhosas. Imensas. Ainda quase virgens, ainda quase desertas.



Uma sereiazinha linda que, perante o aviso de que tivesse cuidado porque a poça onde queria brincar era funda, decidiu, resoluta, ir buscar as braçadeiras



Neste sábado estivemos, pois, numa das praias que acho uma dos melhores do País, senão do mundo. 



Gosto de andar pelo meio das rochas, por cima delas, gosto de fotografar o mar, gosto de fotografar a luz no mar, gosto de fotografar a luz que mergulha no mar



Gosto de praias rochosas, com mar batido, cheiro a limos, com algas, com intenso cheiro a maresia, a iodo, onde o mar faz piscinas naturais com peixinhos, em que as rochas estão cobertas de mexilhões, medusas, em cujos recantos e escondem polvos, caranguejos. Praias quase desertas.

Nunca fui de frequentar praias daquelas onde vai toda a gente, onde se encontram os amigos e conhecidos. Grande parte dos meus colegas frequenta o mesmo sítio. Uns têm casa, outros alugam-na. E encontram-se. Pois eu acho isso uma coisa insuportável. Já me basta ter que os aturar quando trabalho. Era o que me faltava vir socializar com eles e com as mulheres deles quando estou de férias.

Por isso, sempre fomos mais de frequentar praias de outro género. De Lagos para ocidente, acima de Vila do Bispo.

A praia do Castelejo é uma delas. Vou para lá desde sempre. Tenho fotografias lá com os meus filhos ainda pequenos.



Entre a rocha (basáltica?) da falésia e o mar há rochas cobertas de limos macios, de mexilhões negros, reluzentes.
E quase não há ninguém.



O tempo passa mas a beleza do lugar permanece. Uma beleza absoluta. Forte, limpa, cheirosa. Os meninos adoram-na e os pais, que se lembram da praia da sua infância, gostam de a mostrar, repetindo gestos que os pais faziam com eles.



Não tardará que o bebé jogue aqui à bola com o pai, tal como o pai jogava com o seu pai. 



Há aqui a sensação de liberdade, de pureza, de vigor. Há aqui uma beleza original. Aqui sinto-me feliz.

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Bom. E por aqui me fico que já é outra vez tarde demais. Relembro que, sobre a actualidade política, é mais abaixo, é descer até aos dois post a seguir.

Desejo-vos, meus Caros leitores, uma bela semana, a começar já por esta segunda feita!