sexta-feira, setembro 08, 2017

Yupido rima com Estupido
-- e é só o que eu sei dizer sobre a empresa dos novos caga-milhões -- [Isso e o que me enviaram por mail e que não sei se é verdade]



Podia dizer que, mal comecei a ler a notícia, esta misteriosa empresa me cheirou a tanga. Tanga mas uma tanga meio chunga. Uma coisa na base dos chunga-tugas. Daquelas que se apanham à mão. Do seu objecto consta tudo e mais um par de botas. É daquelas empresas que mais parece dedicar-se à promoção e venda de banha da cobra. Até o nome.
What's in a name...? Muita coisa. Eu, por exemplo, estou toda dentro do meu nome. Agora imagine-se dentro da Yupido. Yuppy? No, stupid, Yupido.

Mas como, de facto, nada sei desta tão transcendente empresa -- que vale uma loucura sem nunca ter vendido um tusto, sem pessoal que trabalhe, sem coisa alguma -- limito-me a transcrever do Jornal Económico:

Empresa portuguesa causa espanto nas redes sociais por ter capital social nove vezes superior ao da EDP


Passou despercebida até hoje. Esta empresa tem capital social no valor de 28 mil milhões de euros, o que corresponde a 15% do PIB português.
A Yupido SA é uma empresa portuguesa que se diz “não tradicional” e que tem como característica ter um capital social que é nove vezes superior ao da maior empresa portuguesa, ultrapassando 28 mil milhões de euros, facto que, depois de conhecido, tornou a empresa um dos tópicos quentes do dia nas redes sociais.

Esta empresa foi constituída em julho de 2015, já com um capital social superior a 243 milhões de euros. O conselho de administração era – e é – constituído por duas pessoas: Torcato Caridade da Silva, presidente, e Cláudia Alves, vice-presidente.


O objeto social da empresa, amplo, indica, em primeiro lugar, que a sociedade se dedica à “prestação de serviços de consultoria para os negócios e gestão”, mas também tecnológica, de design ou de marketing.

Mas não só: inclui atividades como “desenvolvimento de serviços de informação, bem como gestão e tratamento de informação”, “processamento de dados”, ”domiciliação de páginas” ou “domiciliação de aplicações”, “computação em nuvem”, “programação informática”, “venda de software”, “serviços de contabilidade e auditoria”, “consultoria fiscal”, “design”, “relações públicas e comunicação, publicidade”, “serviços administrativos”, “recrutamento e seleção de pessoal, formação profissional”, etc.

A Yupido era, mesmo assim, desconhecida, até hoje, quando se percebeu que tinha um site de apresentação, onde se anuncia que a empresa tem um 28.768.199.972 euros em capital social, subscrito e realizado.

Como termo de comparação, diga-se que a o capital social da EDP é de 3,66 mil milhões de euros; que o capital social da Yupido é 62 vezes maior do que a capitalização bolsista do Banco Comercial Português (BCP) e equivale a 15% do Produto Interno Bruto (PIB) de Portugal; (...)

Uma coisa fantástica!
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Entretanto, por mail, chegou-me informação complementar. Não sei se o que aqui se diz é ou não verdade, mas não deve ser dificil comprovar.


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Entretanto fixemos os nomes dos novos caga-milhões: Cláudia Alves, Torcato Jorge e Filipe Besugo



E, já agora, os nomes dos jovens turcos que gerem tamanha carga de dinheiro e que constituem o Executive Committee da Yupido


Hugo Martins (CEO), Cláudia Alves (COO), Torcato Jorge (CMO), Filipe Besugo (CCO), Pedro Malafaia (CTO), Pedro Antunes (CSO), João Silva (CFO), Manuel Andrade (CLO), Constança Garcia (CHRO), João Vaz (CRO). 

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Não sei se por aqui há lavagem de alguma coisa, se apenas um infantil chico-espertismo ou se, na realidade, uma capacidade para inventar plataformas que valem por muitas das que descobrem petróleo, isto é, uma invulgar capacidade de fazer dinheiro que transcende a dos vulgares mortais. 

Seja como for, o que me permito sugerir é que, para uma lavagem a sério, ou melhor, para uma desinfecção parasitária (just in case),  desçam até ao post seguinte onde me dedico a ser clair de lune.

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Clair de lune



Au calme clair de lune triste et beau,
Qui fait rêver les oiseaux dans les arbres
Et sangloter d’extase les jets d’eau,
Les grands jets d’eau sveltes parmi les marbres.


[Verlaine]


Je suis Clair de Lune. O efémero luar. O que ninguém pode possuir. O que não é senão um reflexo, uma ilusão. Um nome que não é nome. Tão nossa e, afinal, tão imaterial. Distante. Tão presente e tão de todos. E de ninguém. 

Nesta noite tranquila olho a lua por entre longilíneas árvores. Está dourada. Olho-a melhor. Tem pontos de luz. Quase cintila. Ilusão. Pura ilusão. 

Longínqua, sempre em mutação, indefinível. No outro dia em crescente, hoje já plena, esplendorosa. Olho-a. No luar que dela parece emanar encontro outros olhares, votos que se cruzam com os meus. Sonhos, devaneios. 

Logo, logo vai começar a desaparecer. Esconde-se. Depois ficará oculta. No entanto, sabemo-la ali presente, no escuro. 

Mas hoje está luminosa e encerra mil promessas. Um dia. Um dia. Ah um dia. Sim, um dia.

Estive na varanda. Está uma temperatura amena. Estivemos sentados na varanda, a beber um Porto e eu comi um bombom de chocolate. Às escuras, apenas a luz do luar. Silêncio. A lua é silenciosa e cheia de segredos. Secreta como a sua luz que não é luz mas que envolve em seda e ternura os amorosos olhos que a olham.

Clair de Lune. Je suis Clair de Lune.
(Faz de conta, claro)



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Fiz as fotografias da lua há pouco. À última puxei pelo contraste, pela luz e transformei-a numa abstração.

Quem interpreta Clair de Lune de Debussy (que foi inspirado pelo poema de Verlaine) é Kathia Buniatishvili.

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quinta-feira, setembro 07, 2017

Simon Sinek conversa sobre o que é lidar com os benditos Millennials no local de trabalho.
E a Alice Alfazema escreve um grande texto sobre o que é motivação a sério





O vídeo que eu tinha para partilhar é o que aqui tenho mais abaixo. Simon Sinek é um destes novos 'gurus' cuja profissão é ser orador motivacional, consultor de marketing e autor de livros sobre os temas de que fala. Há cada vez mais pessoas que têm este tipo de ocupações. Falam bem, sabem captar o ar do tempo, criam empatia com quem os ouve -- e são muito bem pagos.

Estive a ver o vídeo e claro que Simon Sinek tem razão. E sabe expor as suas ideias: é claro, tem graça, fala de temas nos quais toda a gente se revê. Por isso o contratam, por isso o aplaudem.

Aquilo de que ele fala é um facto com o qual sou confrontada diariamente. Eu e, certamente, toda a gente. Meio mundo agarrado ao Face a ao Insta, numa dependência absurda, toda a gente a ver as chachadas que toda a gente publica, replica, papagueia. Uma cultura que se funda no imediatismo, na estupidificação, na ausência de pesquisa, de reflexão. Uma palerma qualquer diz uma parvoíce, o Face pega nisso e pespega-a no mural dos 'amigos', alguém acha graça e dá ênfase e, num ápice, a parvoíce propaga-se como fogo em pasto seco. E depois é ver as andorinhas descerebradas desta vida a papaguear a parvoíce como se fosse ciência da boa, debates, jornais, toda a gente a cavalinho na palhaçada que um tonto qualquer se lembrou de postar.


Neste caldo de pseudo-informação e galopante ignorância em que se vive ansiando pelos likes, vai crescendo a juventude.

Chegam ao mundo do trabalho cheios de convencimento, querendo tudo sem acrescentarem nada. E sempre agarrados ao smartphone. 

Há excepções, claro que as há. Mal de nós todos se as não houvesse. Mas nunca como agora tenho constatado a chegada ao mundo de trabalho de adultos que não passam de adolescentes retardados, que aparecem com lemas de vida que são de uma futilidade aberrante e em quem não se detecta paixão, saber: apenas vacuidades tranvestidas de fúteis lemas de vida.

E faço notar que esta tendência me parece galopante, ou seja, a cada nova leva, mais isto se nota.  E assim é vê-los, com trinta e tal anos e ainda conversa de adolescentes. Trabalham horas a fio (se for caso disso), entregam-se mesmo que seja a projectos que, espremidos, não valem um caracol, vão de férias para o estrangeiro, ao fim de semana frequentam os restaurantes da moda -- e raramente pegam num livro e, se pegam, é num livro badalado nas redes sociais e que invariavelmente é pura treta ou num livro para, infantilmente, se porem a pintar e do qual depois falam como se fosse uma sofisticada terapêutica. Não sentem necessidade de se reproduzir. Os filhos, quando chegam, chegam cada vez mais tarde porque antes disso querem eles curtir, passear, ter experiências, 'ser felizes'.


E é neste contexto que aparecem, depois, os oradores inspiracionais ou os autores de livros motivacionaisda que, no fundo, parasitam o status quo.

E a mim, que vivo num outro mundo, que, na volta, sou mesmo uma rústica ou, até, um bicho do mato, cansa-me esta sociedade que vive cada vez mais sem raízes, sem asas, sem pernas para andar, sem braços para fazer coisa que se veja -- apenas planando por cima das redes sociais.
Ainda por cima, tenho isto de saber quão perversas podem ser as redes sociais. Ainda por cima, tenho isto de achar que as pessoas estão a tender para uns objectos animados a quem desregulados impérios manipulam alegremente. 
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E, andando eu -- cansada, pouco motivada -- a cirandar pelos blogs da minha galeria lateral, dou com um texto dos valentes, daqueles que, de uma penada, nos dão uma lição a sério.

Alice Alfazema escreveu Conversas da escola - Como se lava uma sanita? e eu penso que todo o post tem que ser lido.

Mas, antes, deixem que vos conte.

Quando eu andava no liceu, havia lá uma Contínua (como, na altura, eram chamadas) a quem chamávamos Menina Alice. Era forte, usava uma bata cinzenta justa com um cinto estreito na cintura e estava sentada numa secretária no corredor -- e eu gostava imenso dela. Para mim era como se fosse uma tia, uma amiga. O que ela me aconselhava e repreendia... Dizia: 'És uma quebra-corações'. Outras vezes dizia: 'Com tanto pretendentes, foste escolher o pior de todos. Tem juízo.'. Eu achava graça, gostava de conhecer a opinião dela. E ela queria saber as notas que eu tinha e eu achava graça ela interessar-se como se fosse pessoa da família. E era uma fera quando o pessoal se portava mal, quando havia rebaldaria nos corredores ou fusuê nas salas antes de chegar o professor. Impunha um respeito que ninguém questionava. Tinha-se a sensação que, se fosse preciso, ela pegaria os relapsos pelas orelhas ou pelas golas, aplicando-lhes um justo correctivo.

Também quando os meus filhos andavam na escola, era sempre às auxiliares que eu me dirigia em primeiro lugar: gente abnegada, atenta, dedicada.

Mas, pedindo que sigam o link para lerem o texto da Alice Alfazema na íntegra, transcrevo um excerto:
(...) Não me lembro da primeira vez que tive de lavar as sanitas, algumas até desentupi-las, varrer, lavar, esfregar, carregar baldes de lixo...e voltar ao mesmo, quem tem crianças em casa sabe como é, agora multipliquem isso por mais de oito centenas. Enquanto lavava as sanitas era ainda capaz de ter de retirar as luvas, atender o telefone, ir dar um recado, ou ver outra situação qualquer e depois voltar a calçar as luvas e lavar o resto das sanitas, entretanto as pessoas iam entrando e saindo da casa de banho como se nada fosse.
Num outro momento da minha estadia na escola pedi opinião a uma professora sobre o facto de eu querer entrar na faculdade, ao qual obtive a seguinte resposta: inscreva-se, inscreva-se, que eles agora estão a aceitar toda a gente. E não havia mais nada a dizer. Calei-me. Agora que já terminei a licenciatura estou no bar a abrir carcaças e a por manteiga no pão, não tenho nada a acrescentar pois tenho uma faca com uma serrilha muito boa e a manteiga é dos Açores. (...)

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Mas voltemos, então, a uma outra face da medalha, uma medalha cujo valor facial está longe de estar protegido.
É que há motivações e motivações.

Simon Sinek on Millennials in the Workplace 


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Lá em cima era Grace Davies, uma jovem tocada pela graça de saber compor e cantar.

As fotografias foram obtidas no National Geographic.

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E queiram aceitar o meu convite e descer até onde se fala de mulheres que se preparam para o Outono.

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Mulheres preparadas para o Outono


Continuo arredada do mundo mas, num ou noutro rápido vislumbre aquando da descida à vida na cidade, apercebo-me que as lojas estão já com a roupa de Outono. Camisolas, casacos, agasalhos. Eu que ainda, na prática, não tive férias de verdade e que, apesar dos calores que tenho penado sem poder mergulhar para me refrescar a sério, ainda alimento a esperança de me banhar no oceano, não consigo sintonizar as minhas aspirações com estas montras, cabides e expositores com cores e texturas que já esqueceram a época estival.

Modelo de Karl Lagerfeld para a última colecção Chanel

Gosto do Outono. Traz aconchego e, para mim, é no Outono que começa a saison que traz as verdadeiras novidades. Tal como, em menina, ansiava pelo primeiro dia de aulas para conhecer colegas novos, professores novos, matérias novas, agora a sensação é a mesma. Tenho vontade de mudar de página. Continuo igual ao que sempre fui: sobretudo interessada pelo que não conheço, pelo indefinido que aí vem. E, ao contrário de muitas pessoas que conheço e que, no momento de se atirarem para a piscina, vacilam e acabam por não ousar novas situações, eu é à maluca. Primeiro atiro-me e, só depois, avalio os riscos do lugar para onde me atirei e como hei-de de lá sair.

Já estou a receber convocatórias para reuniões que antecipam fracturas, já me telefonam a saber se já há novidades para se avançar para a fase do 'go' e eu, aqui a querer manter-me afastada de projectos e grandes deliberações, a sentir que o mês de Setembro parece querer afastar o tempo de férias e levar-me para dentro da realidade. Mas ainda não, ainda não...

Entretanto, deleito-me a ver a moda alta-costura para o Outono/2017.


The Best Fall 2017 Haute Couture Looks | Harper's BAZAAR x Paris


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Não era este o vídeo de que ontem falei e que tenho para mostrar. Mas estou levemente fora de órbita. Tenho mails em atraso, posts em atraso, aprovações e outras cenas em atraso e uma certa falta de energia para me atirar a tudo isso. Portanto, vou andando por aqui na flanação.

Mas me aguardem.

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quarta-feira, setembro 06, 2017

Ah agora é a Microsoft que leva as pessoas a passear...? A Seattle...? Não... não acredito...
[Deixem-me, antes, ficar com a Sarah Ikumu]


Já aqui perguntei, quando foi da Oracle ou da NOS ou da GALP e tenho ideia de também outra, se seriam só essas empresas a levar a malta a passear. 


Pergunta retórica já que, na altura, dizia eu que todas as grandes empresas (tecnológicas ou não-tecnológicas) têm por hábito obsequiar os clientes, fazendo-os sentirem-se importantes, proporcionando-lhe experiências agradáveis (idas ao estrangeiro, bons hotéis, bons programas, por exemplo). E, na altura, disse que os exemplos são às mãos cheias. Não há cão nem gato que não conheça meio mundo à borla. Caímos numa mesa redonda aí numa cena qualquer e, quando chega o momento da conversinha auto-promocional, toda a gente gosta de se mostrar viajado. É ver todo o mundo a falar, com alguma displicência para disfarçar a cagança, de quando foi aqui e acolá -- e eu a perceber: foi levado pela empresa A, depois pela empresa B, etc. 

Read my lips: digo-o com conhecimento de causa apesar de eu nunca ter aceitado nenhum dos diversos convites que, ao longo da minha vida profissional, tenho recebido.

Ouvi dizer que agora as atenções estão centradas na Microsoft. Ui. Se forem ler as listas de convidados desta ou de outras empresas do género vão ter muitas primeiras-páginas. 


E mais não digo. Até porque não há muito a dizer. Havendo quem queira agradar (ou olear os circuitos de decisão) e havendo quem goste de receber agrados, o que não faltam são circunstâncias em que as vontades se encontram de forma virtuosa. Ou deveria, antes, dizer viciosa...?

É o que vos digo: a ida à bola do Secretário de Estado Rocha Andrade é um insignificante amendoim no meio deste arreigado hábito.

E digo-vos ainda outra vez o que já disse antes: não é pior se for um elemento da Administração Pública a ir passear (ou almoçar ou a ir à Luz ou a Alvalade ou ao Dragão ou ao NOS Alive ou whatever) à borla. Se vamos por aí, a coisa é a mesma seja o aproveitador alguém que trabalha para o Estado ou para empresas privadas. 


Mas, enfim, não tenho pachorra para falar mais disto até porque fico com a sensação que a maior parte das pessoas vive num mundo ilusório, desconhecendo o que se passa no mundo real onde tudo se compra e se vende e fazendo grande filmes quando descobrem banalidades, confundindo a árvore com a floresta, e só contribuindo para a poluição intelectual que entorpece o pensamento global.

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Em dia ainda mais atípico que muitos outros que me tem sido dado experienciar, não tenho disposição para relatar as múltiplas parcelas que o compuseram.

Assim, depois do desabafo acima, nada mais me apetece aqui trazer senão os vídeos que aqui partilho.

Num, Sarah Ikumu, uma menina de 15 anos revela ter uma espantosa potência vocal.
Vejam, por favor, pois é notável.


E continua...


Ouviremos falar dela

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Quanto ao outro vídeo que aqui tinha, nada a ver com música ou concursos, acabei de me arrepender. Vou, antes, fazer um post autónomo sobre ele.

Ou ainda hoje -- se acordar -- ou amanhã. Se amanhã, gostava de conseguir até à hora de almoço mas não sei se consigo. Logo se vê.


Linha de moda para grávidas de 12 anos


O mundo em que vivo é quase perfeito. Ao que não me agrada eu fecho os olhos, do que não tem a ver comigo eu guardo distância, do que me assusta eu fujo, do que me fere eu protejo-me.

Contudo, há situações em que a realidade -- imperfeita, irracional, maldosa, vulgar -- vem ter connosco. Nessas alturas eu encolho-me, tento fazer-me de invisível, tento resguardar-me. Mas nem sempre é possível e, de uma maneira ou de outra, alguns salpicos chegam até mim. Animo-me, tento acreditar que logo, logo, eu vou poder regressar ao meu mundo e aí ficar sossegada, sem fazer mal a ninguém, resguardada, livre de desconfortos ou sustos. Mas não sou nem mais nem menos do que toda a gente e pena, pena, é que o mundo não tenha cuidado de anular as maneiras de ser mais virulentas por forma a que a vida fosse melhor para todos.

Leio algumas notícias e fico aflita. Aquela notícia de Maëlys de Araújo, a menina de 9 anos que estava numa festa de casamento em França e que, desde essa altura, ficou desaparecida, incomoda-me. Leio que desconfiam de um homem que já teve episódios de violência sexual com menores e que já confessou que teve a menuina no carro. O que me custa ler este tipo de notícias nem consigo dizer-vos. Quanta loucura e maldade para alguém molestar uma menina de 9 anos... Leio que o tal suspeito, entretanto, terá lavado e vendido esse carro. Assusto-me quase como se se tratasse de uma menina minha conhecida. Mas qualquer criança que sofra me faz sofrer. O que uma criança pode sofrer às mãos de um tarado é coisa que me apavora.

Há bocado, durante pouco tempo, vi um programa na RTP 1. Falava da Casa das Mães e ouvi uma jovem, já com um filho, falar que, quando engravidou, a mãe quis que ela abortasse porque o pai da criança era negro. E, a seguir, pobrezinha, foi expulsa de casa pelo padastro, diz que ficou na escada, sem ter para onde ir. Foi a escola que sinalizou a situação e a encaminhou. Pior: conta que não quer voltar para o ex-namorado porque ele lhe batia e que, quando soube que ela estava grávida, a esmurrou na barriga. E, do que percebi, a jovem não quer sair da Casa que a abriga, tem medos indefinidos. Mas como não os ter? Coitada, mil vezes coitada. Em que casa desestruturada vivia ela antes para ser expulsa de casa, grávida, e para aceitar namorar um rapaz que a agredia? Que violência é esta que se inflige a outros e que esses outros aceitam...? Que vidas tão tristes são estas...?

Não sei o que podemos nós fazer, os felizes desta vida, os que cultivamos vidas perfeitas como quem cultiva rosas raras, para ajudar a impedir situações destas. Tenho a sensação que será como estar á beira mar, com as mãos abertas, a querer impedir o movimento das marés. Mas, ainda assim, talvez valha a pena, de vez em quando, abrir uma janela e espreitar o mundo imperfeito que existe lá fora. Nem que seja para que mais pessoas, como eu, pensem um pouco nisto e vejam se, de algua maneira, podem ajudar.

Não é só em África ou em lugares recônditos que as meninas são tratadas como escravas, como objectos, como pequenos-nadas. E que fosse. Não é só o que se passa junto a nós que deve assustar-nos. Embora, dada a nossa vida curta e o curto alcance das nossas vontades, seja compreensível que o nosso raio de atenção seja também curto.

A campanha que abaixo se mostra mostra uma menina de 12 anos grávida, uma situação real. A linha de moda é ficcional mas a situação para a qual se pretende chamar a atenção é bem verdadeira.



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E queiram continuar a descer, caso vos apeteça, voltar já, já, para um mundo feliz, sem mácula.
  The One em duo.

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terça-feira, setembro 05, 2017

The one
[Pr'a menina e pr'o menino]


Não sei se é bom. Tenho ideia de que já o tive mas não sei se ainda é a mesma fragância (a qual não recordo) ou se há variantes ou, até, se estou a fazer confusão. O que sei é que a publicidade Dolce & Gabanna é outro caso de coerência: há um estilo, uma alegria, as pessoas sempre em festa, uma joie de vivre sempre patente (e, aqui, eu devia usar uma expressão em italiano mas não sei nenhuma e não quero inventar) que se mantêm ao longo das campanhas, transversalizando o conceito D&G ao longo dos diversos produtos da marca.

Mais: ver estes produtos publicitários é sempre uma forma rápida de ir buscar alegria. E é inevitável a vontade de partilhar esta disposição. Quiçá, quem assim se pefume, consiga trazer consigo a chave mágica para abrir mil sorrisos à sua passagem

Inteligentemente, os produtores da campanha foram buscar dois intérpretes da Guerra dos Tronos. Como desconheço tal coisa, desconhecia-os também a eles. Também não faço ideia se é verdade ou fofoca aquilo da Menina Emilia andar de chamego com o Menino Kit. Mas acredito que o facto de eles serem reconhecíveis por meio mundo consiga, de imediato, uma elevada taxa de identificação o que, como é sabido, é meio caminho andado para uma marcar se impor.


The One com Emilia Clarke




The One com Kit Harington



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segunda-feira, setembro 04, 2017

O desassossego de Fernando, o homem que queria e não queria ser múltiplas pessoas



No liceu, por aquelas alturas, eu era Julieta e Fernando Pessoa não me dizia nada até o meu Romeu, um excelente jogador de futebol que tinha a marca distintiva de ser um sarrafeiro de primeira, surpreendendo toda a sala, incluindo a professora,  ler, com voz sentida, O Mostrengo. Apaixonada já eu estava. Presenciando aquela leitura, fiquei arrepiada, irreversivelmente seduzida. A sala ficou em silêncio. Não sei se todos rendidos a Fernando Pessoa, se estupefactos com aquele dom de que ninguém suspeitava no aluno mais mal comportado da sala.


[Aqui dito por Guilherme Gomes]


E durante mais uns quantos anos, Fernando Pessoa ficou para mim apenas como aquele que tinha proporcionado tão extraordinária revelação. Ricardo Reis ou Álvaro de Campos ou Alberto Caeiro eram para mim uma ficção que não entendia bem e cujos frutos não me atraíam. Como poesia, aquilo não me convencia. Portanto, fui entrando na idade adulta sem grande apego a Fernando Pessoa. Apego, disse eu? Qual apego? Interesse. Praticamente nulo.


Mais tarde, nem sei quando, comprei uma colectânea. Devo tê-la para aí. Montes de poemas. Pensava: 'este fazia poemas a metro' ou 'isto é um granel'. Coisas de jeito misturadas com banalidades -- pensava eu enquanto ia sentindo uma curiosidade crescente; mas, ainda assim, sem ficar cativada.

Depois, sendo eu habitante afastada do mundo académico-literário, ia sabendo com alguma incompreensão do fenómeno de estarem sempre a aparecer mais poemas, mais textos, mais edições. Pensava que aquela arca teria que não ter fundo para assim irem surgindo mais pseudónimos, mais escritos. Parecia-me uma história rocambolesca. Às vezes, no meu íntimo, pensava: 'isto é uma história mal contada'. E, sobretudo, tenho que confessar a verdade: aquela poesia, fosse qual fosse o pseudónimo a escrevê-las, continuava a prender-me por aí além.

Até que um dia adquiri o Livro do Desassossego. Era um livrinho pequeno. Achei-o extraordinário. Fui lendo, relendo. Algumas passagens não me pareciam nada de mais mas depois havia outras que eram surpreendentes. Anos depois vi-o à venda noutra edição. Tinha crescido: era agora um livro gigante. Mas outro livro. Pura incompreensão para mim, isto.

Contudo, o mesmo choque: se alguns textos se debruçavam sobre banalidades, a forma como essas banalidades inconsequentes -- mas, na realidade, determinantes -- era apresentada continha, a meu ver, uma interrogaçõa profunda sobre o acaso, sobre a pequenez de tudo mas, ao mesmo tempo, sobre a imensidão que, na verdade, é feita de uma miríade de pequenas coisas.

E se tudo podia parecer vogar sobre o manto de leveza ou pasmo que sobrevoa a vida, o que se percebia era a indeterminação, a quase desmotivação, a incessante demanda e a certeza de que jamais se alcançará a resposta. Coisas assim, que me deixavam estupefacta. Pensava com estranheza como era possível ter chegado até aquela idade sem ter sabido que havia, em língua portuguesa, um livro fabuloso como aquele. Fabuloso não parece uma boa palavra, especialmente agora que está tão vulgarizada. Indefinível é melhor. 

Pois bem. Se para mim, que sou leiga e ignorante, difícil é pronunciar-me de forma douta e esclarecedora, atraente é tentar apreender o que outros, mais entendidos dizem.

Para começar, a palavra a quem sabe do que fala:

Teresa Rita-Lopes fala do(s) Livro(s) do Desassossego - o livro da vida de Fernando Pessoa

Teresa Rita Lopes é uma das mais respeitadas especialistas na vida e obra de Fernando Pessoa. É dela a organização da mais nova edição do clássico Livro do Desassossego, que recebeu um "s" no título da Global Editora: pois são três livros, escritos por três semi-heterônimos diferentes do autor - Vicente Guedes, Barão de Teive e Bernardo Soares. A escritora e estudiosa explica que respeitou a organização pensada pelo próprio Fernando Pessoa, ao longo de sua vida.
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Vem isto a propósito do sucedido.

Num outro dia atípico e pouco recomendável,  tentei ocupar o tempo rodopiando entre jornais de outras paragens e foi aí, mais concretamente no The New Yorker,  que fui dar com o artigo cuja leitura recomendo e que aqui menciono:

Fernando Pessoa’s Disappearing Act


The mysterious masterpiece of Portugal’s great modernist.


By Adam Kirsch


Transcrevo o início do artigo: 
If ever there was a writer in flight from his name, it was Fernando Pessoa. Pessoa is the Portuguese word for “person,” and there is nothing he less wanted to be. Again and again, in both poetry and prose, Pessoa denied that he existed as any kind of distinctive individual. “I’m beginning to know myself. I don’t exist,” he writes in one poem. “I’m the gap between what I’d like to be and what others have made of me. . . . That’s me. Period.” 
In his magnum opus, “The Book of Disquiet”—a collage of aphorisms and reflections couched in the form of a fictional diary, which he worked on for years but never finished, much less published—Pessoa returns to the same theme: “Through these deliberately unconnected impressions I am the indifferent narrator of my autobiography without events, of my history without a life. These are my Confessions and if I say nothing in them it’s because I have nothing to say.” 
This might sound like an unpromising basis for a body of creative work that is now
considered one of the greatest of the twentieth century. If a writer is nothing, does nothing, and has nothing to say, what can he write about? But, like the big bang, which took next to nothing and turned it into a cosmos, the expansive power of Pessoa’s imagination turned out to need very little raw material to work with. Indeed, he belongs to a distinguished line of European writers, from Giacomo Leopardi, in the early nineteenth century, to Samuel Beckett, in the twentieth, for whom nullity was a muse. (...)
 E a sua conclusão:
In its alternations between self-loathing and self-exaltation, “The Book of Disquiet” can seem like a quintessentially manic-depressive epic. Pessoa’s achievement, deliberate or inadvertent, is to show how the roots of a certain kind of misery lie in solipsism—the belief that nothing outside the self really matters, so that the mind can never be truly affected by what it experiences. “Freedom is the possibility of isolation,” he writes in the final entry. “If you cannot live alone, then you were born a slave.” But even Pessoa, finally, could not live alone; he kept himself company by inventing his heteronyms, which, unlike actual people, would always remain under his control. Only death could free them—and him—from his imagination’s all too powerful grip. ♦

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E eu que, em diversos palcos da grande imprensa internacional, vou encontrando referências às maravilhosas praias de Portugal, aos melhores locais para fazer compras em Lisboa, aos lugares de charme onde ficar no nosso país... e por aí fora, dou por mim a pensar: mas querem lá ver que Fernando Pessoa ainda vai tornar-se um astro na literatura internacional? a literatura portuguesa vai ficar na moda? Eu, se fosse agente ou editora, sintonizava as antenas.

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Entretanto, para abrir o apetite aos distraídos.

"Educação Sentimental" --  Livro do Desassossego, Bernardo Soares

 

| Catarina Wallenstein



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Fernandinho e o seu bombonzinho e inconsumado amor: Ofélia
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Como se cada beijo
    Fora de despedida,
Minha Cloé, beijemo-nos, amando.
    Talvez que já nos toque
    No ombro a mão, que chama
À barca que não vem senão vazia;
    E que no mesmo feixe
    Ata o que mútuos fomos
E a alheia soma universal da vida.

[Poema de Ricardo Reis referido no artigo acima menionado]

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domingo, setembro 03, 2017

Cenas da vida doméstica




E não esperem, por favor, que vos fale da actualidade pois não faço ideia de actualidade nenhuma. Todo o dia fora da actualidade. Nem notícias, nem fofocas, nem temas que incendeiem as redes sociais, nem coisa nenhuma.

Estes meus dias andam peculiares. Mas à tarde emergi num outro mundo e ainda é nele que estou.

Conto.

Já era noite, fui à casa de banho buscar um creme, tinham-me pedido uma massagem, e, num relance, vi-me ao espelho. É instintivo: sempre que passo perto de um espelho, olho-me. E fiquei admirada: vi-me bonita. Lábios em cor-de-rosa brilhante, sombra em cor de musgo sedoso nos olhos, cabelo penteado, apanhado dos lados. Nem parecia eu. Há duas semanas que não me arranjo desta maneira, a imagem no espelho parecia-me uma outra eu. Voltei à sala e disse: 'Olha, gostei de me ver, estou bem'. O meu marido olhou-me e confirmou: 'Estás mesmo'. A menina sorriu orgulhosa. Como sempre que cá dorme, pede para me maquilhar. Vai buscar o grande estojo que a tia me ofereceu e que faz as suas delícias. Antes pintalgava-me toda. Agora não. Está crescida, fez sete anos, já tem mão, já tem o gosto apurado.

Antes estive eu a penteá-la. Apanhei um pouco de cabelo de cada lado, fiz duas trancinhas e prendi-as em cima com umas molinhas em tartaruga. Com o seu cabelo castanho claro assim apanhado, os seus belos olhos em azul-acinzentado claro e os seus lábios cheios e rosados, estava linda.


Entretanto, o irmão, já com sono, estendido no sofá, disse: 'Eu, para mim, é uma massagem. Trinta minutos, se faz favor'. Lá fui, então, buscar creme, lá lhe fiz uma massagem talvez de uns cinco minutos. Antes tinha estado a portar-se mal, a tirar o pente à irmã, antes a tirar-lhe o copo de lavar os dentes, a empurrá-la, sempre a fazer das dele. Zanguei-me. Quando estava a dar-lhe uma lição de moral, disse, com ar enfastiado: 'Já percebi, porra'. Zanguei-me outra vez. 'Isso diz-se? Ai, ai!'. Fez cinco anos e embora fisicamente não se pareça com o pai, na maneira de ser é tal e qual. Reguila, provocador, naturalmente irreverente, a tender para o disparate. O pai, quando era pequeno, não apenas dava conta do juízo à irmã, sempre a provocar-lhe ira, como dizia palavrões que até fervia. Acho que já o contei. Eu zangava-me, dizia que, se continuasse a dizer asneiras, lhe punha pimenta na língua. Não ligava patavina. Também com quatro ou cinco anos era um abusador. À mínima, lá saía palavrão. Um dia, furiosa, peguei nele e pus-lhe mesmo pimenta na língua. Nunca imaginei o efeito daquilo. O miúdo quase dava pulos até ao tecto, aflito. Fiquei aflita, talvez mais que ele. Peguei nele ao colo, fui a correr para a casa de banho, lavei-lhe a língua, lavei, lavei. Arrependida, arrependida, ainda hoje arrependida. Dava-me conta do juízo. Tinha tanto de inteligente, divertido e generoso como de traquinas e mal comportado. A minha filha, quase três anos mais velha que ele, penou um bocado. Assim é este agora. 


Ela é uma doçura. Opiniosa e decidida, é, no entanto, uma ternura. Agora ganhou o gosto a mandar mensagens. Nesta semana, um dia estava eu a dormir, às oito e picos da manhã, recebo uma mensagem da minha nora: 'Olá. Já estás acordada'. Pensei que se tinha enganado, que seria para a mãe dela pois a mim não me trata por tu. Estremunhada, respondi: 'A mensagem é para mim?' E, na volta: 'Sim, é'. Perguntei: 'Porque perguntas isso?'. Com familiares hospitalizados, pensei que havia coisa, e logo o meu coração começou a disparar. Resposta: 'Porque queria saber se estavas acordada.' Só depois reparei que a seguir às palavras vinha um bonequinho, acho que um unicórnio. Percebi, então. Perguntei se era ela, a bonequinha mais linda. Confirmou que sim. Respondi que ela me tinha acordado e que ia voltar a dormir. Respondeu: 'Bons sonhos'. Aqui presumo que já industriada por algum dos progenitores. Mas também pode ter sido coisa dela.

Hoje já se fartou de enviar mensagens aos pais. Eles enviam-me mensagens a mim a perguntar se eles se estão a portar bem ou se já jantaram ou o que estão a fazer e é ela que responde, e com uma velocidade e um à vontade fantásticos. Desliza o dedo sobre a letra para escolher o acento correcto, aceita as palavras sugeridas, escolhe bonecos que lhe parecem alusivos à conversa. Ele também pede para mandar uma mensagem mas só quer mandar bandeiras. De tarde, transcreveu palavras que tinha manuscrito e que eu lhe tinha ditado: Gato lava vulcão. Depois escreveu o nome dele. Seguiu assim a mensagem. O meu filho respondeu: Lava e vulcão fazem sentido. Só não sei o que está o gato aqui a fazer.


Agora de noite, os pais andam com os amigos e com o bebé no Avante. De tarde fiquei também com o bebé. Eu sozinha com os três. O meu marido tinha ido fazer uma visita daquelas que têm ocupado os nossos dias. Mas correu bem. Portaram-se bem. O pior foi quando o bebé acordou cheio de fome. Ficar calado na cadeira da papa está quieto. Eu e a maninha a preparamos a papa e ele aos gritos. Depois lá comecei a dar-lhe a pratada: acalmou-se instantaneamente. Se, pelo meio, tinha que interromper nem que por uns segundos, por exemplo, para abrir um iogurte líquido para o mano, que custava a desenroscar, logo ele desatinava, numa berraria. Come que se farta e tem que ser de penalti. Depois, mal acaba de comer, quer cirandar. Eu a querer lavar a louça e ele aos berros. Como, entretanto, o avô chegou e foi jogar à bola com o outro para a relva do jardim (enquanto a mana, com a minha máquina, fazia a reportagem fotográfica), levei-o lá para baixo e, dando-lhe balanço, pu-lo a dar pontabés na bola. Adorou. Uma festa. 

Entretanto, já estive a trocar mensagens com a minha filha. Na segunda-feira fico com os dela. Mais crescidos, dois reguilaços, vivaços, super bem dispostos. temos que arranjar programa à maneira.

Agora estes dois já estão, obviamente, a dormir. Como habitualmente, pediram que contasse uma história da princesa Margaret. Ela disse: 'A Princesa Margaret pinta um quadro'. Lá contei. Depois pediram mais uma: 'O primeiro dia de escola da princesa Margaret'. A parte pela qual sempre aguardam com expectativa é aquela em que o cão Kikas se porta mal e causa embaraços a toda a família. Um dia ainda vou ver se relembro as dezenas e dezenas de histórias da princesa Margaret que já inventei e publico uma colecção. 

E é isto. Agora vou eu dormir que a alvorada é cedo.

A vida é um verdadeiro carrocel, altos e baixos, sustos e alegrias, momentos de agitação, momentos de paz. Saibamos sempre agarrar e fazer perdurar os bons instantes e deixemos esquecer o que de menos bom vai atravessando o nosso caminho -- é o que eu penso. Não sei se penso bem, se mal, mas, pensar assim, a mim ajuda-me muito.

E que as crianças guardem boas recordações da sua infância e saibam transportar por toda a sua vida as doces memórias de quando ainda acreditavam que o mundo era um lugar seguro e tranquilo para que lutem para que assim ele seja.


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Fotografias de aves no The Guardian

Connie Talbot interpreta Three Little Birds 


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sábado, setembro 02, 2017

Lisboa, sexta-feira à tarde





Ao chegar a Lisboa, atravessando a cidade por volta das cinco e picos da tarde, parecia estar a chegar a um outro mundo. Muitos turistas mas também a população normal, mulheres e homens saindo dos seus escritórios, aquela gente ginasticada e bem vestida das grandes consultoras e dos grandes escritórios de advogados do Marquês ou das suas imediações, a usual movimentação junto ao Corte Inglês. 

Bastaram alguns dias de isolamento no campo (em que as idas e vindas ao hospital não chegaram a perturbar a primazia rural) para me parecer não pertencer já a este mundo elegante, urbano.


No campo tudo anda ao seu ritmo próprio. O vizinho quando nos diz que já lá passa na nossa casa, pode aparecer apenas seis ou sete horas depois, o canalizador que ia logo lá apareceu três dias depois. E sem justificações, como se fosse normal. No supermercado, as senhoras das caixas metem conversa com os clientes, olham para as outras caixas, distraem-se. Habituados a operações feitas a alta velocidade, muitas vezes em máquinas de auto-pagamento, impacientamo-nos com estes vagares. Mas agora, vendo esta gente apressada nos passeios e as ruas pejadas de carros, sinto que terei dificuldade em voltar a encaixar nisto. O sossego da vida longe das grandes cidades é mais apaziguador.
Na vila abriu um mini-mercado. Fomos lá. É pequeno, tem pouca variedade mas tem o que é preciso. Quando íamos pagar, o meu marido perguntou se tinha multibanco. O senhor sorriu de orgulho. Tenho, sim senhor. Já há aqui muita gente que gosta de pagar com cartão. E eu oriento-me bem com a máquina. Nós estupefactos com a reacção dele. Depois, com a atrapalhação, enganou-se, teve que repetir, desculpou-se: Estas máquinas ainda falham muito. Connosco é o contrário, raramente usamos dinheiro para pagar. Senti até ternura pelo senhor, como se viesse directamente de outros tempos.
Mas não tarda vou mesmo que me reintegrar no mundo apressado, de gente eficiente e sem tempo a perder. O pior é apanhar com colegas ainda jovens, vindos das consultoras, todos cheios de anglicanismos, todos muito auto-centrados, ambiciosos, uns verdadeiros burocratas da gestão, impondo processos eficientes para se fazer coisas inúteis. Tenho vontade de lhes dizer aquilo que o meu amigo contava que a mãe, senhora condessa e grã-finesse de Cascais, dizia quando alguma coisa não lhe agradava: 'não tenho nem idade nem posição social para aturar isto'.


Outra coisa para cujo peditório já me custa muito dar é o das reuniões longas, que são preparadas ao milímetro, que são, de facto, uma feira de vaidades, um desfile de egos. Numa das últimas, tudo na base dos power points sofisticados, vídeos, intervenções cuidadosamente preparadas, apeteceu-me marimbar-me para tudo isso e avancei sem nada, a falar de improviso. Toda a gente admirada. Mas foi assim mesmo. 

Bem. Voltando. Hoje, de regresso à cidade. Desfasada da agitação. Mesmo a nível de aspecto físico. Era para ter ficado no Corte Inglês. Leitor amigo disse-me que poderia encontrar lá um perfume que deixei de encontrar nas perfumarias normais. Quando ia a sair do carro, vi-me no meu simplório outfit, saia justa branca, túnica transparente e colorida, sapatos rasos, o cabelo despenteado de vir com ele a secar ao vento no carro -- e achei que não podia ir assim para lá. Toda aquela gente que entrava e saía parecia ter uma sofisticação que me faria sentir uma rústica, completamente ousider naquele templo de consumo Não fui. Vou numa altura em que me sinta mais urbana, mais enquadrada.

Agora aqui em casa, esstive a ler mails. Gosto de ler mails. Mails bem escritos, afáveis. Leio-os e fico agradada.


Durante o dia tive que ler e escrever vários mails de trabalho. Não têm graça. Alguns são até fonte de stress. Por vezes apanha-se gente mesquinha e mal formada pela frente. Se, durante o ano, já convivo bem com eles, agora, em férias, no campo, tudo isso me parece um disparate. No outro dia, à noite, tendo recebido um mail completamente descabido e ainda por cima com um batalhão de gente em conhecimento, notoriamente numa tentativa para me colocar numa posição desconfortável, não fui de modas. Sentei-me, tranquila, a verve em efervescência, e lá vai disto. Mail para ele, com todos os outros em conhecimento. No fim, li em voz alta para o meu marido ouvir. Perguntei-lhe se seria demasiado incómodo. Ele perguntou se não era esse o objectivo porque, se não fosse, não devia tê-lo escrito. Seguiu assim mesmo. Não tenho dúvida de que foi um murro no estômago para quem o recebeu, ainda por cima com os outros todos a testemunharem. Paciência. Não tenho que aguentar aquilo que não me agrada, ainda por cima vindo de alguém que não se dá ao respeito.

Pelo contrário, tomara eu tempo para poder passear pelo campo, pela beira dos rios, fotografar as árvores, as águas, a quietude, para poder ler tranquilamente, para ter tempo para varrer as folhas e a caruma na rua, a casa, para podar árvores, para poder estar rodeada de afecto, para poder escrever aqui, assim, com vagar.


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As fotografias foram feitas esta semana num dos bonitos passeios com que tentamos fazer de conta que estamos mais ou menos de férias. Constância. Portugal é um país encantador.

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E queiram descer até ao post que se segue caso queiram ver um céu metafísico e uma lua aluada.

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Repete as sílabas onde a luz é feliz e se demora.



Posso mudar a cor do céu, incendiar a linha do horizonte, posso inventar cenários impossíveis,  posso pintar as árvores debruando-as a encarnado, posso incandescer o que vejo enquanto aspiro a serenidade dourada do entardecer, enquanto sinto o nostálgico recolher dos pássaros.


Posso tingir o céu com padrão de damasco, pintar a cor das folhas que, ao anoitecer nele se recortam, posso fazer brilhar ainda mais a lua, posso acender um halo purpúreo em volta dela, posso sentar-me no chão, ouvir o silêncio, deixar que de mim nasçam as cores que alumiam a escuridão que quer envolver-me.


Posso deixar que os meus olhos vejam um azul cobalto quando o azul já se tingiu de ultramarino, posso fazer a lua dançar derramando luz como uma insubmissa serpentina branca, posso salpicar de incarnadine o que sobra da silhueta das folhas, posso ouvir ao longe, muito ao longe, uma música e sonhar que é para mim que os acordes soam.

Posso. Mas acho que não consigo mudar o sentido do vento que lentamente começa a soprar em volta das folhagens, fazendo-as dançar, arrefecendo a minha pele que ainda há pouco se aquecia ao sol.

Tenho então que entrar em casa, fechar as janelas, acender a luz que é suave, guardar os sonhos, refugiar-me entre as palavras, sílaba a sílaba desenhar a luz, idealizar a sombra quando se demora nos muros, escrever-vos sobre os ténues fios que o tempo vai tecendo em volta de mim, à vossa vista.


Faz uma chave, mesmo pequena,
entra na casa.
Consente na doçura, tem dó
da matéria dos sonhos e das aves.

Invoca o fogo, a claridade, a música
dos flancos.
Não digas pedra, diz janela.
Não sejas como a sombra.

Diz homem, diz criança, diz estrela.
Repete as sílabas
onde a luz é feliz e se demora.

Volta a dizer: homem, mulher, criança.
Onde a beleza é mais nova.


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Pudera eu comandar o vento, o rodar dos dias, encurtar distâncias, dilatar a doçura da luz 

Mas não. Não sou como ela que aqui diz:

I, too can command the wind, sir!




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As fotografias foram feitas in heaven
O vídeo é do Cine Povero: 'Faz uma chave', poema de Eugénio de Andrade que também o diz.
Excerto de Elizabeth: The Golden Age com Cate Blanchett

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sexta-feira, setembro 01, 2017

Notícias do paraíso


Afinal a mamã gata branca não tem apenas o bebé gatinho branco. Já antes tinha visto dois gatinhos cinzentos mas deixei de ver, pensei que não tivessem resistido. Só via o branquinho que anda perto de nós, mia baixinho a chamar-nos. 




Nunca tive um gato. Não sei interagir. Não sei se é suposto chegar-me mesmo ao pé, pegar-lhe ao colo, enchê-lo de beijinhos como fazia com a minha cãzinha. Com o bebé gatinho falo, vou perto, fotografo, mas não sinto intimidade para lhe chegar a mão. Apesar de bebé, tenho medo que se assanhe ou que apareça a mamã gata e me salte para cima. Quando o meu filho namorava, volta e meia estava sentado na sala com a namorada e saltava-lhe o gato dela em cima, um gato endemoninhado que parecia querer dar cabo dele. Só de imaginar isso, ficava aterrada, nem queria que ele me contasse.

Agora sempre que sobra peixe ou batatas ou coisa assim vou pôr lá numa curva do caminho. Os meus filhos acham isso uma coisa infra-urbana, a bem dizer, uma porcaria. Não quero saber. O meu filho diz que tenha eu cuidado não vá tornar-me como uma velha lá da rua dele que anda a dar de comer aos gatos. E eu lembro-me daquela castiça que anda pelo Ginjal a atafulhá-los de esparguete e comida enlatada, quase se zangando com os pobres bichos quando não acorrem à chamada dela. Não quero esse futuro para mim mas a verdade é que fico a pensar no que terão aqueles pobres bichinhos para comer nestes dias de calor e secura. Se comessem figos secos estavam garantidos, que, por baixo das figueiras, está tudo cheio de figos secos. Mas duvido que os gatos comam figos. E não faço ideia de onde arranjam água. No outro dia, quando cá estiveram todos, comprei duas embalagens de ovos de codorniz para servir cozidos, temperados, e agora uso as embalagens para pôr água mas com o vento aquilo nunca se aguenta direito. Não quero pôr um recipiente mais alto não vá o gatinho desequilibrar-se e ainda dar um mergulho. Tenho que ver se arranjo outra coisa. A ver se descubro para aí o prato de um vaso.


Mas, então, dizia eu que afinal há outro bebé. É branco com manchas pretas, parece uma vaquinha. Só o vi uma vez e pareceu-me mais forte que o branquinho. Não tinha a máquina, não pude fotografá-lo. Não sei onde se mete para nunca o ver. Nem a ele nem à mãe gata. O meu marido diz que hoje, muito cedo, viu a gata com o gatinho branco. 

Mas o que se passa aqui na quinta é um mistério. E digo isto porque o vizinho lá da ponta da rua, aquele que tem cavalos, agora tem também um burro adulto e um burro bebé. E lá para baixo tem o que ele chama a fazenda, onde tem vacas e um rebanho. E ele contou ao meu marido que a burra (afinal é uma burra, não um burro) lhe é muito útil a ajudar a guardar as ovelhas pois afasta os outros bichos, que, por exemplo, não deixa as raposas chegar perto. E eu pasmei. Raposas? Mas há raposas por aqui? Nunca tal me passaria pela cabeça.

Só surpresas. Na volta, um dia vou a fazer a minha caminhada e salta-me um javali ao caminho. 

A verdade é que a maior parte do tempo não vejo nem a gata nem os gatinhos; dir-se-ia que, por aqui, não há gatos. Portanto, se há gatos e coelhos e eu quase não os vejo, porque não raposas, javalis, homens-aranhas, fadas do bosque...?

Mais prosaicamente. Tenho sempre a ideia de ter aqui cabrinhas. Gosto das cabrinhas selvagens. Se calhar davam-nos conta do mato. Mas o meu marido diz que se calhar comiam o mato e tudo o resto. E tenho medo que adoeçam ou que fiquem idosas. Que faríamos nós com cabrinhas débeis ou infelizes? Mas de cabrinhas eu gostava. Mas também não sei se deixariam que eu lhes fizesse festinhas. Mas, claro, mesmo que não pudesse fazer-lhes festinhas talvez pudesse falar com elas. Acho as cabras bichos inteligentes, com verdadeira filosofia de vida.


Outra coisa. Não sei se já contei que há aqui uma gruta pequena e que acho que é aí que vivem os gatos. Há uma outra que acho que é a casa principal dos coelhos. Mas há também uma gruta grande. Mesmo grande. Não sei quão grande. Nunca a explorámos. Nunca deixei que os meus filhos lá se enfiassem. E felizmente cresceu-lhe vegetação à frente pelo que os pimentinhas nem dão por ela. E já lhes meti medo, digo que aquilo ali é uma coisa escura e cheia de bichos. Que nunca lhes passe sequer pela cabeça espreitar. tenho medo de derrocadas. Ou de monstros. Sei lá. Não faço ideia onde irá dar. Em tempos um senhor da terra disse que era comprida, que passava por baixo da estrada. Uma vez contei a um colega que tinha uma gruta. Ele disse-me que me deixasse ficar mas é calada não fosse ainda alguém descobrir para lá algumas gravuras rupestres ou tesouros e ficarmos tramados, expropriarem-nos isto, uma coisa na base da expulsão do paraíso. Portanto, estou caladinha com a gruta. Não sei se aquilo está vazio, se cheio de bicharada, se vai dar ao lado de lá do mundo, se quê. Na volta ainda por lá vivem dinossauros. Ou imagine-se que, toda afoita, me aventuro e, no meio da escuridão, aponto a lanterna e dou com um coelho com cara de pedro passos. Horror...

Tirando isso, o que tenho a reportar é que o algoritmo do youtube continua a surpreender-me. Hoje trazia-me vários vídeos de coming out. Raparigas, rapazes, gémeos. De tudo. Alguns são verdadeiros tutoriais. Na volta o Youtube acha que está na hora de eu sair do armário. Já viram isto? Ou, então, quer que eu divulgue esses vídeos pois podem ser úteis a alguém. Mas não vou divulgar. Não é por nada mas é que acho que são chatos. Quem quiser que pesquise. Basta escrever 'coming out'.

Depois uns quantos da série primeiro beijo. A estes acho sempre graça. Parece uma coisa despropositada esta de uma pessoa se pôr em frente a um desconhecido com a incumbência de o beijar. Mas a verdade é que, do que se vê, parece que corre sempre bem. Mas eu sou niquenta. Se me aparecesse uma mulher não dava. Só se fosse mesmo na base do selinho. Beijo de língua nem pensar. Mas se me aparecesse um sujeito com ar de vampiro...? Ui. Medo. Ou um mal cheiroso. Ou um sujeito com ar de picuinhas, esquisitinho, apertadinho. Ná... Mas isto não é só coisa de um, para beijar, tal como no tango, tem que haver dois. Eu também não dava grande coisa por este aqui abaixo e afinal parece que até leva um certo jeito. São napolitanos, é certo, e isso é relevante. Mas a verdade, por isto ou por aquilo, é que não se armaram em esquisitos e dar uma hipótese, muitas vezes, é meio caminho andado.. 


Também me aparecem vídeos que não acaba de Arvo Pärt. Entrevistas, músicas, ele a tocar. Maravilhoso. Mas não vou pôr agora aqui. Este post está muito ruidoso e Arvo Pärt requer silêncio.

E Tom Waits mas, para isso, não é preciso grande inteligência. Gosto confessamente dele. Gosto sempre. Está lá em cima a acompanhar-me com a sua voz de bad boy.

E bailado. Muitos vídeos de ópera ou bailado. Hoje trazia-me várias Carmens. Um vídeo tinha um best of para poder comparar diversas interpretações.

Mas, no meio, apareceu-me um que me pareceu uma bizarria. Céline Dion. Pensei. Pleeease... completamente ao lado... daahhhh.... Mas, por via das dúvidas, espreitei para perceber qual era a do algoritmo para, no meio daqueles vídeos operáticos ou de bailado, me pespegar ali a Céline Dion. Pensei: no melhor pano cai a nódoa. Uma gaffe. Paciência. Mas deixa cá ver. 

E, depois de ver, percebi: é inesperado. Esta não é a Céline Dion que eu tinha em mente. Tem graça, sim senhor. Por isso, aqui está.


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E ao anoitecer tirei umas fotografias malucas à lua (que já está para além de meia-lua). Mas agora estou com preguiça de as ir buscar e, por isso, despeço-me com a lua de há dois dias.


Um dia muito bom a si que aí está a aturar a minha pancada.

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