sábado, setembro 12, 2026

Dois casos gritantes de fraudes humanas

 

Anda meio mundo perplexo com um filme, documentário, apresentado num festival, sobre uma pessoa que tem tanto de repulsivo como de intrigante, talvez até fascinante.

Elizabeth Holmes é daquelas mulheres que parecia normal até se descobrir que não era. Enganou meio mundo, incluindo pessoas inteligentes e supostamente perspicazes. Foi capa de revistas que costumam dar palco a gente de relevo, deu inúmeras entrevistas, apresentou-se em conferências, nunca fugiu à exposição pública. Pelo contrário, procurava-a. Os investidores acreditaram cegamente nela, milhões fluiram para a sua empresa que, segundo ela, iria revolucionar a medicina, a forma de fazer análises. Ninguém duvidou de nada. Era convincente, o projecto era sólido.

E, no entanto, era tudo uma fraude. Tudo. 

Ela era uma fraude. Sem nunca o assumir, como se falasse sempre verdade. Geria uma empresa, tinha trabalhadores, conseguia forjar uma realidade que não existia a não ser na sua delirante cabeça. Nunca mostrando arrependimento, nunca baixando os olhos, nunca mostrando vergonha por ter enganado tanta gente e por estar a ser exposta como uma falsidade sem ponta por onde se lhe pegasse.

Este documentário deixa as pessoas que o viram aterradas. Elizabeth Holmes permitiu que uma equipa de filmagem estivesse em sua casa, com o seu marido e os seus filhos, nos dias que precederam o julgamento e a prisão. Mostrou a sua intimidade, mostrou as conversas mais pessoais, supostamente mais reservadas, deixou que filmassem tudo. Como se não tivesse nada a esconder.

Não sei como funciona a cabeça de uma pessoa assim. Uma fraude humana em que nada do que diz é verdadeiro e que, no entanto, se comporta como a mais verdadeira e transparente das pessoas. Não sei como conseguem conviver com ela sabendo a fraude que é, sabendo que parece não ter escrúpulos, sentimentos. Os pais, o marido, como conseguem viver relacionamentos familiares que supostamente assentam na confiança, na verdade, com uma pessoa desprovida da mais elementar confiabilidade? Será que ela os manipula a ponto de os cegar?

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Hoje fiquei também a saber de uma outra fraude, igualmente intrigante. Para me facilitar a vida, pedi ao Gemini que descrevesse o caso. Transcrevo:

A história de Tania Head é considerada uma das maiores e mais estarrecedoras fraudes da história recente norte-americana.

O seu nome verdadeiro é Alicia Esteve Head, nascida a 31 de julho de 1973, em Barcelona, Espanha. Oriunda de uma família catalã abastada, Alicia estudou na Universidade de Barcelona.

A farsa começou por volta de 2003 e 2004, quando Alicia apareceu em fóruns online de vítimas dos atentados. Sob a falsa identidade de "Tania Head", ela criou uma narrativa dramática e repleta de detalhes chocantes:

  • A história inventada: Alegava que no dia 11 de setembro de 2001 estava no 78.º andar da Torre Sul (WTC 2) a trabalhar para a empresa Merrill Lynch quando o avião colidiu. Dizia ser uma das pouquíssimas pessoas a sobreviver acima da zona do impacto e afirmava ter sido salva por Welles Crowther (o herói do "lenço vermelho").

  • A perda do noivo: Contava que o seu suposto noivo/marido, um homem chamado Dave, tinha morrido na Torre Norte.

  • Ascensão à liderança: Entrou para a World Trade Center Survivors' Network (Rede de Sobreviventes do WTC). Rapidamente ganhou notoriedade e empatia e acabou por se tornar presidente da associação.

  • Figura pública: Tania participou ativamente no apoio emocional a sobreviventes, organizou visitas guiadas ao Ground Zero para figuras públicas — incluindo o ex-presidente da câmara Rudy Giuliani e o governador George Pataki — e deu palestras em universidades.

O facto mais bizarro de toda a farsa é que, no dia 11 de setembro de 2001, Alicia Esteve nem sequer estava nos Estados Unidos; estava em Barcelona a frequentar as aulas de um mestrado na escola de negócios ESADE.

Em setembro de 2007, jornalistas do The New York Times (David W. Dunlap e Serge F. Kovaleski) realizavam uma reportagem sobre os sobreviventes do 11 de Setembro e começaram a notar várias inconsistências no relato de Tania:

  1. A Merrill Lynch confirmou que nunca tinha tido qualquer funcionária com o nome Tania Head.

  2. A família e os amigos do homem ("Dave") que ela alegava ser o seu noivo falecido afirmaram nunca ter ouvido falar de nenhuma Tania.

  3. Ela recusou-se repetidamente a conceder entrevistas formais aos jornalistas do New York Times, esquivando-se aos pormenores verificáveis.

Quando o jornal confrontou a rede de sobreviventes e publicou a investigação a desmascarar a fraude em setembro de 2007, o escândalo rebentou mundialmente.

Após a publicação das suspeitas e o desmantelamento do seu disfarce, Alicia contratou advogados, mas nunca deu explicações públicas ou pediu desculpas. Ela simplesmente abandonou Nova Iorque e desapareceu da vida pública.

Chegaram a circular rumores e e-mails num fórum de sobreviventes alegando que ela se tinha suicidado, mas isso revelou-se também falso.

Curiosamente, nunca foi processada nem presa nos EUA, uma vez que o trabalho que realizou no grupo de apoio aos sobreviventes foi estritamente voluntário e não chegou a obter ganhos financeiros diretos ou compensações do fundo de vítimas.

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Pasmo com isto. O que leva estas pessoas a viverem uma vida de faz de conta, em que forjam uma identidade, em que se apresentam ao mundo como algo que não são? E como convencem tanta gente? O que as move? Têm consciência do que fazem? 

Mostro dois vídeos, um sobre o documentário de Elizabeth Holmes e outro sobre Tania Head / Alicia Head. Talvez ajudem a perceber alguma coisa -- embora me pareça que não, não dá mesmo para perceber. 

Documentário chocante acompanha Elizabeth Holmes enquanto se prepara para ir para a prisão

"You Can See Everything", realizado por Nathan Fielder e Lance Oppenheim, tornou-se um dos filmes mais aguardados da noite para o dia, após a sua estreia em Telluride e o lançamento de um pequeno teaser trailer.

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Tania Head descreve o encontro com o seu noivo nas Torres Gémeas do World Trade Center.

Alicia Esteve Head, ou Tania Head, é uma espanhola que afirmou ser sobrevivente dos ataques ao World Trade Center, a 11 de setembro de 2001, usando o nome de Tania Head. Juntou-se ao grupo de apoio World Trade Center Survivors' Network, do qual se tornou presidente mais tarde. O jornal The New York Times noticiou a farsa em 2007, pouco antes do sexto aniversário do 11 de Setembro.

A mulher do 11 de Setembro que não estava lá



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Nota sobre a lista de blogs que sigo 

Desde há us dias, está a funcionar mal. Não mexi em nada e a actualização é supostamente automática e permanente. Contudo, verifico que congelam e não vão buscar os mais recentes posts e outros blogs parece que desapareceram. Contudo, se eu for ver ao layout, eles estão lá. Talvez seja um problema do blogger e que eles venham a corrigir. Da minha parte nada posso fazer.

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Desejo-vos um sábado feliz

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