O chamado mato está já praticamente todo cortado e, felizmente, desfeito. Num terreno contíguo, andaram a cortar e o que eram arbustos e ervas verdes são agora montes de folhagem seca, verdadeiro combustível. Há muita pedagogia a fazer pois o que se faz para cumprir a lei é aumentar o risco de incêndios. Também nós já recebemos um aviso e uma coima porque não cortámos alecrim e rosmaninho, verdes, porque a GNR, de longe, vendo a partir da estrada, não viu a terra nua mas sim campo verde e entendeu que não tínhamos cortado o mato. É um problema. Mais do que imposições absurdas deveria haver campanhas informativas, vídeos exemplificativos.
E temos visto que, nesta preocupação de cortar o mato, muita gente faz avançar tractores ou roçadoras e ficam os campos cheios de mato seco, muito pior do que se estivesse fresco, na terra.
Mas, enfim, cortámos tojo e silvas e, claro, compreendo que não lhes é fácil andar a distinguir pé a pé de flor, e, portanto, em grandes zonas, cortaram tudo o que estava sob as árvores. Mas as máquinas são fantásticas pois, no fim, a terra está fofa, atapetada, tudo desfeito, não fica qualquer vestígio do que foi cortado.
O que ainda não conseguimos resolver, mas temos esperança de que o será durante este mês é a remoção da lenha, mas isso pensamos que cá virá um homem que vende lenha. E o pior são as pilhas de ramagens, sobretudo de cedros, mas também de pinheiros e de aroeiras, que estão um pouco por todo o terreno. Queremos arrastá-las para o espaço a que chamamos campo de futebol para que, quando o tempo estiver de feição e o site das queimas e queimadas o aprovar, possamos queimar. E essa componente está mais complicada pois não é trabalho para os que têm máquinas, é trabalho, segundo eles dizem, para 'ajudantes'. E não os há. Por aqui ainda não há imigrantes. E não se encontram pessoas da terra disponíveis: ou estão velhos ou, se estão novos, têm outros trabalhos. Tentámos nós os dois transportar uma parte, e conseguimos. Uma pequeníssima parte. O que há requer muita mão de obra, muita força, pois é muito; e muitos ramos são enormes e muito pesados.
E ainda há canteiros e muros que se partiram e cuja remoção apenas será possível com bobcat -- e vamos lá ver se é mesmo possível -- mas um senhor que o tem só está disponível daqui por algum tempo. Há muitas limitações. O Governo prolongou até ao fim do mês mas vamos ver o que se consegue. Sem gente, é complicado.
Portanto, ainda há muito trabalhinho pela frente. Mas muito está feito, e o que falta, de uma maneira ou de outra, haverá de se encaminhar.
Tirando isso, estive a coser uns jeans do meu marido. Não sei como, se calhar é das jardinagens, dá cabo dos jeans. Abriram nos joelhos. Ficaram só para trabalhos no campo, mas, ainda assim, aquilo incomoda-o. Com jeitinho, lá consegui cerzir, disfarçar, os rasgões.
No outro dia fomos, uma vez mais, comprar outros. Como sempre, mal põe o pé no centro do comercial já fica farto e a dizer que é para despachar. Hélas. Onde entrámos ou os modelos eram baggy ou slim. Ora ele queria regular. Básicos. Já com vontade de desandar, viu uns que diziam 'vintage'. Disse: 'Vintage, é isto mesmo'. Além do mais também eram 'regular'. Escolheu o número, pegou neles, 'vamos, vou pagar'. Sem provar, sem nada.
Passados uns dias, quando foi vesti-los, teve uma surpresa: estavam cheios de rasgões. Por isso lhes chamaram 'vintage'. Mais rasgões do que os usados.
Mas, a propósito do meu trabalho de costura, houve um facto a relevar. No outro dia, no Lidl, vi uma caixa de costura muito composta que resolvi comprar: linhas de todas as cores, uma fita métrica, uma tesoura, um conjunto de agulhas e, junto às agulhas, uma pecinha metálica cuja função desconhecia. Admiti que tivesse a ver com as agulhas mas não estava a ver em que medida. Fotografei, coloquei no chatgpt e foi uma descoberta e tanto.
A dita pecinha, na ponta, tem um filamento, em forma quase de losando que a minha falta de vista não me tinha permitido distinguir. Enfia-se aquele filamento no buraco da agulha, e é muito fácil, e depois a linha nesse dito losango, depois puxa-se e já está. Aquela luta para enfiar a linha no buraco da agulha está ultrapassada.
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Tirando isso quero aqui deixar uma anotação: tenho andado a adiar falar da pulhice que fizeram ao Juiz Ivo Rosa pois tenho que encontrar o registo certo. É um tema que me traz tão revoltada, tão agoniada, tão enojada que só me apetece dizer que gostava de estar na frente de alguns dos pulhas responsáveis por isso para lhes atirar com um copo de água à cara. Mas não faz sentido eu escrever aqui isso. Também me incomoda que o Seguro não fale sobre o assunto, mas fale em público, que peça responsabilidades, que obrigue uns quantos a saírem com um pontapé no rabo, que exija que se criem condições para que canalhices destas não voltem a acontecer. Mas, como disse, tenho que conseguir esfriar a cabeça para conseguir falar do assunto com a gravitas que ele merece.
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Desejo-vos uma boa semana a começar já por esta segunda-feira

2 comentários:
Querida Um Jeito Manso,
Mais uma vez obrigada pela companhia.
Passei a manhã numa consulta hospitalar e o livro que ando a reler, Sombra do Vento C. R. Zafon, é um pouco pesado, agora tudo me pesa o dobro, pelo que em deslocações opto ler no telemovel.
Ao ler a aventura das compras do seu marido e o restante post, quando dei por mim estava com um sorriso aberto. Quase me senti mal ao lado de quem insistia em contar, até à exaustão, o ultimo internamento.
O meu marido detesta compras e de roupa muito mais por isso quando necessita de alguma coisa compra para dois ou tres anos. Da ultima vez comprou tres pares de calções, quando foi usá-los veriificou que o terceiro tinha um tamanho muito abaixo dos outros . Quando lhe disse é no que dão as pressas ficou furioso. Nao deu para trocar e acabei por oferece-lo a um sobrinho.
Tambem achei graça à descoberta do enfiador de agulhas. Sei que sou mais velha, mas não me passaria pela cabeça que desconhecesse tal invenção.
Parece que o chatgpt vai ajudar muita gente. E ainda bem.
Um abraço e até sempre.
Olá querida Pôr-do-Sol,
Quando não estou confortavelmente instalada também opto por não andar carregada... A gente vai aprendendo a poupar-se.
Pois, não conhecia mesmo o enfiador. E imagine que nem tinha visto que aquilo tinha aquele filamento na ponta. Isto de andar sem óculos dá nisto... Parecia-me uma espécie de uma medalhinha, imagine.
Quanto a estar com pessoas que gostam de falar de doenças e que contam tudo ao pormenor... percebo-a. A mim cansam-me, parece que a conversa não vai sair do ambiente hospitalar.
E já me ri com os calções do seu marido. É da mesma 'raça' que o meu.
E aquela das calças 'vintage' do meu marido foi boa, não foi? Tinha que comprar umas porque as que tinha estavam com rasgões. No fim, veio com um par de calças novas com mais rasgões que as usadas... Não quer desdobrar para ver, não quer provar, não tem paciência. Antes, tinha sido com um cinto. Tinha falta de um. Então, estávamos numa loja com os miúdos. Viu um cinto, pegou nele e foi pagar. Perguntei-lhe se era da medida certa. Respondeu: 'Tem buracos, algum há-de dar'. Quando chegámos, quando tirei o cinto do saco, pareceu-me enorme. E era, dá para dois dele. Disse-lhe: 'Temos que ir trocar, é de um tamanho gigante'. Disse que não, que fazia um buraco. No outro dia, ouvi um chinfrim no quarto. Estava com o berbequim a fazer o buraco no cinto. Não se dá por apanhado...
Espero que a sua consulta tenha corrido bem.
Saúde e alegria, Sol Nascente.
Um abraço com muita estima.
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