Não há muito, estava numa situação profissional daquelas que eram preparadas ao milímetro e que costumava, a seguir ao jantar, fechar com festança.
E, naquela vez, abriram-se uns grandes cortinados e, para espanto de todos, eis que aparece alguém completamente inesperado naquele contexto: José Cid. A exclamação foi colectiva.
E arrancou a música. E, para minha absoluta surpresa, ao fim de um bocado, desbloqueada a surpresa de todos, constatei que quase toda a gente conhecia as letras e cantava com ele a plenos pulmões. Foi uma noite de cantoria e de dança. Uma festa de boa disposição. Ele cantou, cantou, cantou. Canta bem. Tem musicalidade na voz, a voz progride sem esforço e alegria. Contagia.
Tem agora 84 anos e não dá para acreditar na vitalidade deste homem.
Nunca tive nenhum disco dele e, se me pedirem para elencar os meus cantores preferidos, tenho a certeza que me esqueço dele. E, no entanto, reconheço o seu valor e reconheço que há canções suas que toda a gente conhece.
E agora esta entrevista mostra o que ele é: um homem livre, bem disposto, com muita energia, um romântico (já vai em quatro casamentos). O tempo voa enquanto o ouvimos a conversar.
Quando vejo pessoas com esta idade e ainda tão joviais fico encantada. Era bom que toda a gente envelhecesse assim. E escrevo isto e forço-me a corrigir pois, olhando-o e ouvindo a sua conversa fluida, ágil, alegre, não consigo pensar que ele é um velho.
Não sei se posso dizer que é um homem do povo. Mas podia ser Visconde de Lagos e não quis, a sua praia não é essa.
Convido-vos a ver pois é uma graça. E Luís Osório conduz bem as entrevistas, a conversa prende. Espero que gostem.
"Vencidos" com José Cid | RTP Antena 1
É louco, excessivo e indomável. Compôs canções que tornou imortais, incompatibilizou-se com meio mundo, mas é um homem livre que, tendo 84 anos, parece jovem. José Cid conversa com Luís Osório e não ficará pedra sobre pedra.
Desejo-vos uma boa semana, a começar já por esta segunda-feira
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