sábado, abril 18, 2026

Velharias? Ou antiguidades?

 

Por vezes sinto saudades de quando não me preocupava com encher a casa de tralha inútil. 

Sempre gostei muito de decoração, de ter a casa à minha feição, de me rodear de objectos que me parecem especiais.

Aquela lojinha de velharias que havia não muito longe do meu emprego era uma tentação. Comprei lá vários objectos que me encantavam. Um leque antiquíssimo, uma caixinha para guardar cartas. Até uma cadeira que foi arranjada pelos meus pais, até um espelho grande que está agora no meu quarto, até um candeeiro. Ou o galo pintado numa madeira que descobri num antiquário em Amesterdão. Ou objectos que descobria em lojinhas que vendiam peças artesanais. Ou uns copinhos de vidro que desencantei em Les Halles, em Paris, e que levaram o meu marido ao desespero pois não apenas achava que não faziam qualquer falta (e tinha razão, nunca foram usados, continuam o que sempre foram, lindos e apenas decorativos), como não queria andar com peças que se partissem e que obrigassem a muitos cuidados no avião. 

Via peças que me agradavam muito, achava que ia ser mais feliz se me rodeasse delas. E era verdade. Mas depois veio um tempo em que percebi que não podiam estar todas expostas senão a simples operação de limpar o pó tornava-se um inferno. Passei a ter móveis com portas de vidro. 

Quando nos mudámos para esta casa, foi feita uma grande limpeza. Alguns móveis ficaram na cave e, com eles, muitas peças. A minha filha, que é muito mais minimalista que eu, deitou mãos à obra e simplificou o quanto pôde. 

Nunca mais comprei nada. Aliás, só uma muito bonita talvez há mais de um ano. De cada vez que me deixo tentar, penso: 'Vou pôr onde?". E como não quero ter nada ao monte, desisto.

Contento-me em ver vídeos como este que abaixo partilho. Em lugares assim, eu ficaria mil vezes tentada, coisas tão bonitas. Não são velharias, são peças com alma, com uma beleza intemporal.

O que um designer profissional compra nos melhores mercados de antiguidades de Londres | Architectural Digest

Hoje, a AD acompanha o designer de interiores Ross Cassidy pelo Mercado de Portobello Road e pelo Mercado de Antiguidades Alfies, em Londres, enquanto partilha dicas de especialistas sobre como encontrar joias escondidas e tesouros vintage como um profissional experiente. Descubra como comprar antiguidades, decoração vintage e peças únicas para a casa que cabem na sua mala e aprenda dicas de estilo de especialistas usando prata, bronze, arte e iluminação para elevar qualquer divisão.


Desejo-vos um bom sábado

4 comentários:

Anónimo disse...

É simples e vale para qualquer item de decoração interior: chegado a casa tem 10% do valor com que foi comprado. Compensação? O prazer de os ver.

Mas nada de ilusões quanto a investimentos, do género vale...não vale. É uma zurrapa em segunda mão. Era o que eu devia ter comprado. Como não queria...paguei. Paguei mal.

Ccastanho disse...

Deixei de ir a mercados velharias. Acabei com esse vício do só mais este "prato", só mais estes "copos" , só mais este "candeeiro," só mais este não sei quê...e se eu gosto de antiguidades.

Daniel Marques disse...

Vera, compreendo bem esse fascínio. Quem, como nós, vive atento às formas e aos pequenos sinais do mundo, reconhece esse apelo imediato pelas coisas — um apelo tantas vezes confundido com materialismo. Mas não o é. É o mesmo impulso que nos faz deter diante de uma árvore, de um arbusto que se inclina, de uma flor que se abre sem pedir testemunhas.

Tenho-me detido nas suculentas da minha secretária. Cresceram em direções inesperadas, procurando a janela, a claridade, o rumor do exterior. À primeira vista, pareceria que querem fugir lá para fora; mas quando reparo na curva que desenham, há nelas qualquer coisa que ainda regressa ao meu olhar, como se guardassem memória da presença.

Talvez o segredo não esteja em possuir o objeto, mas na luz que ele projeta sobre a nossa rotina. Hoje, prefiro a leveza de quem circula sem carregar nada, guardando o encanto dessas “peças com alma” apenas no olhar — ou no texto. Afinal, essa beleza intemporal de que fala não ocupa espaço na estante; ocupa-o na memória, onde o pó não chega e onde nada se parte na viagem de regresso.

Isabel disse...

Como eu a compreendo!
Também gosto muito de velharias e antiguidades e gosto de lojas e feiras , mas agora já resisto a ir ver, porque se vou, sempre compro alguma coisa. Mas gosto muito das minhas coisas: as que comprei e as que eram da família.
O pó é que me deixa deprimida🤔.
Enfim...
Bom fim-de-semana😊