domingo, abril 19, 2026

Um dia muito preenchido que até incluiu uma cãoversão

 

São quase duas da manhã e tenho estado a ver se me mantenho acordada para, pelo menos, espreitar as notícias. Mas, de cada vez que começo a ler, desato a dormir. Não muito tempo, escassos minutos, mas o suficiente para, se entrar noutro jornal, as notícias anteriores já estarem desfasadas. Não sei se os acontecimentos desataram a romper os limites da física, furando as equações que regulam o espaço e o tempo, ou se anda tudo de tal forma confuso que já ninguém atina com nada, nem os jornalistas nem os próprios agentes da notícia. Desisto, pois. Se é para ficar baralhada mais vale que o fique de dia não vá a confusão desencadear algum daqueles meus sonhos mais surreais que uma cena a la Dali. 

O dia hoje foi bem preenchido, cheio de imprevisibilidades. Deitei-me ontem a pensar que o sábado ia ser uma coisa, provavelmente tudo mais para o calmo, e, afinal, foi bem o seu oposto, ou melhor, completamente o oposto. Para melhor. 

Mas que ginásticas tive que fazer... Felizmente, sou mulher prevenida e, portanto, quem foi chegando encontrou sempre acolhimento como se a sua vinda tivesse sido planeada, incluindo tendo o que comer. E, bem vistas as coisas, não sei como... mas ainda sobrou. 

Razão tenho eu em não ligar quando me perguntam se não é comida a mais ou se não acho que estou a exagerar. Sempre achei que mais vale sobrar do que faltar.

Ao longo do dia, grandes mudanças de cenários, incluindo ao almoço, que estava a decorrer muito normalmente --  a mesa cheia, conversa animada, sempre várias vozes que se cruzam -- até que, tendo-se recebido a notícia, não sei como, de que um dos meninos que jogava hoje, por sinal, a não muitos quilómetros dali (mas, que portanto, não estava ali connosco), seria titular, de repente, toda a gente, to-da (toda, menos o meu marido que não alinha muito em coisas assim de última hora, ainda para mais a correr), resolveu que era giro lá irmos todos vê-lo e, portanto, que era indispensável acabar o almoço com urgência. Então, foi um ver se te avias, tudo a despachar o resto do almoço à pressão, tudo a meter-se no carro, depois lá tudo a correr para chegar ao campo (literalmente a correr, pois o jogo já tinha começado há um bocado). Claro que ninguém me obrigou, também poderia não ter ido, mas não consigo recusar-me a uma coisas dessas, em especial quando é para ver, mesmo que de longe, um dos meninos. 

E eu gostava que, depois do jogo, ele se nos juntasse mas não pôde, foi na camioneta do clube com o resto da equipa. Protocolo é protocolo.

E se tivesse sido essa a única peripécia não teria sido mau. Mas não, hoje o dia foi todo ele uma coisa assim. E incluiu também uma conversão: o cão feroz, perante quem não conhece, arma sempre um chinfrim dos diabos, ladra, salta e parece que só não trinca se não o deixarem. Mas hoje, em vez de ser isolado para não incomodar o pessoal ou para não dar azo a alguma calamidade, foi levado para terreno neutro, foi travar conhecimento fora de território que considere seu. Não sei se por isso ou se, sobretudo, por não terem mostrado medo, a verdade é que, passado um bocado, talvez uma meia hora, não sei bem, decorridas cautelosas interacções, a fera estava convertida e pode andar a conviver, nos maiores amores, com quem, antes, não conhecia. E assim se manteve até à noite, tranquilo, amistoso.

Claro que, quando chegou a casa vindo do passeio nocturno, desta vez mais tarde do que o habitual, se atirou para o chão e ferrou. Dia agitado, muitas emoções.

E eu agora também vou dormir. Não escrevi nada de jeito, mas tal a lentidão com que estou, se é que não fechei os olhos pelo meio, já são quase duas e meia.

Este domingo de manhã logo tiro a limpo se o Estreito de Ormuz (ou de Vermute, como um dos malucos da Casa Branca no outro disse lhe chamou) afinal está aberto ou fechado. 

Sem comentários: