Há pouco, ao fazer uma pesquisa a mails antigos, encontrei uma fotografia de um menino talvez com cerca de um ano, dá ideia que estava a levantar-se sozinho mas ainda com cautela. O primeiro dos meninos, um fofo, espertíssimo. Muito pequenino e já dizia coisas que revelavam a sua inteligência. O tempo passa. Não tarda faz dezoito anos. E, como ele é e com a abertura que revela a conhecer novos mundos, temo que se sinta impelido a ir para fora. Com a minha menina temo o mesmo: é independente, gosta de abrir asas, é voluntarista. Se souber de oportunidades que não identifique por cá pode passar-lhe pela cabeça ir experimentar a sua sorte lá fora.
Há isto, em especial no mais velho, de achar que por cá não vai ter facilidade em conquistar a autonomia, em ganhar dinheiro para ter a sua casa e a sua vida.
E, na realidade, há um sentimento na classe média (e, mais ainda, na classe mais baixa) de que ninguém consegue verdadeiramente progredir a menos que circule pela via da fuga aos impostos.
Face ao sentimento de uma certa impotência que se sente nos mais jovens (e fruto disso é a forma como têm votado), resolvi, uma vez mais, recorrer à Inteligência Artificial. Pretendi, também neste caso, ter uma certa análise comparativa. O que se passa para que haja esta sensação? Como compara a carga fiscal em Portugal com outros países? O que poderia ser feito para se sair desta situação?
Fui colocando questões e fui obtendo respostas. Transcrevo o que me parece interessante. Abaixo as palavras do Gemini.
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A sua análise toca no ponto nevrálgico da economia portuguesa: o fenómeno do "ascensor social bloqueado". A sensação de que a classe média é taxada como se fosse rica não é apenas uma perceção abstrata; ela tem fundamentos matemáticos claros quando comparamos o esforço fiscal com o custo de vida e a qualidade dos serviços.
Para fundamentar isto, vamos olhar para três métricas
críticas:
1. A Armadilha da Progressividade Precoce
Em Portugal, as taxas elevadas de IRS (Imposto sobre o
Rendimento de Pessoas Singulares) começam a incidir em níveis de rendimento
muito baixos comparativamente à Europa do Norte.
- Portugal:
Se ganhar 6.000€ brutos/mês, entra no penúltimo escalão (45%). O
Estado trata este rendimento como "muito alto".
- Holanda
ou Suíça: Esse mesmo valor é considerado um salário de classe média ou
média-baixa. Nesses países, para chegar à taxa máxima, teria de ganhar o
dobro ou o triplo.
- O
Resultado: O Estado português "confisca" a capacidade de
poupança da classe média antes mesmo de ela conseguir acumular capital.
2. A Dupla Tributação (O "Imposto Oculto")
O que torna a situação portuguesa única (e dolorosa) é o que
chamamos de insuficiência do retorno público.
- O
Modelo Nórdico: O cidadão paga 40% de imposto, mas tem "custo
zero" em saúde, educação e creches. O seu rendimento líquido é para
lazer e poupança.
- O
Modelo Português: O cidadão paga 35%-45% de imposto, mas como o
SNS não responde a consultas de rotina e a escola pública tem falhas de
pessoal, ele tem de pagar por fora:
- Seguro
de saúde privado.
- Consultas
e exames no setor privado.
- Explicações
ou colégios para os filhos.
- A
Conta Final: Se somar o IRS (35%) + IVA (23%) + Seguros de
Saúde + Copagamentos, a carga real sobre o rendimento disponível de um
profissional qualificado em Portugal é, muitas vezes, superior à de um
sueco ou dinamarquês, com a agravante de ter um salário base muito menor.
3. O Castigo à Poupança (Capital)
Sobre os juros sobre o capital: 28% sobre os juros. Este é um dos pontos
mais críticos para a falta de liquidez:
- Em
países como a Holanda, existem isenções de impostos sobre o
património até certos valores para incentivar a poupança.
- Em Portugal,
a taxa é plana e alta (28%). Para um pequeno aforrador, isto é
punitivo. Se a inflação for 3% e o banco pagar 3%, o aforrador perde
dinheiro após pagar o imposto, porque o Estado taxa o lucro nominal, não o
real.
Estudo Comparativo: Esforço Fiscal vs. Poder de Compra
|
Variável |
Portugal |
Suíça |
Dinamarca |
|
Salário Médio Bruto |
~1.500€ |
~6.800€ |
~6.200€ |
|
Taxa IRS para 3.000€ |
Alta (Entra no topo) |
Baixa |
Média |
|
IVA (Padrão) |
23% |
8.1% |
$25% |
|
Retorno em Serviços |
Baixo (requer privado) |
Eficiente (Pago via seguro) |
Muito Alto (Público) |
Conclusão: É Percepção ou Realidade?
A sua análise está fundamentada. Portugal sofre de um
desfasamento entre a sua estrutura fiscal (desenhada para um país rico) e a sua
produtividade (de um país de rendimento médio).
O sentimento de "não sobrar dinheiro" deve-se ao
facto de a classe média portuguesa estar a financiar dois sistemas em
simultâneo: o Estado (via impostos) e o Privado (via seguros e
serviços diretos), porque o primeiro não entrega a qualidade mínima necessária
no dia a dia.
Isto cria um ciclo de estagnação: sem liquidez, a
classe média não investe; sem investimento, a economia não cresce; sem
crescimento, os salários não sobem.
Nota: O sistema fiscal português atual não é obra de uma única
pessoa, mas sim o resultado de uma reforma profunda ocorrida entre 1988 e
1989, que procurou modernizar Portugal para a entrada na Comunidade
Económica Europeia (CEE).
No entanto, há nomes e contextos políticos fundamentais que
explicam por que é que o sistema tem esta estrutura "voraz" para a
classe média:
1. O "Pai" da Reforma: Miguel Cadilhe
O grande arquiteto do sistema fiscal moderno foi Miguel
Cadilhe, Ministro das Finanças dos governos de Aníbal Cavaco Silva
(PSD).
- O
Objetivo: Antes de 1989, Portugal tinha um sistema caótico e arcaico.
Cadilhe criou o IRS (rendimento de pessoas singulares) e o IRC
(rendimento de empresas), que entraram em vigor a 1 de janeiro de 1989.
- A
Inspiração: A ideia era simplificar, seguindo modelos europeus, e
baixar as taxas nominais que eram altíssimas, mas que ninguém pagava
porque a fuga ao fisco era generalizada.
2. A Introdução do IVA (1986)
O IVA (Imposto sobre o Valor Acrescentado) foi
introduzido por exigência da adesão à CEE. Substituiu o antigo "Imposto de
Transações".
- O
Problema: Sendo um imposto sobre o consumo, ele é cego à riqueza. O
"pobre" e o "rico" pagam os mesmos 23% por um
computador ou pela eletricidade. Como Portugal tem salários baixos, o IVA
retira uma fatia muito maior do rendimento disponível do que num país com
salários altos.
3. A "Mão" de Vítor Gaspar e a Troika
(2011-2014)
Se Cadilhe criou a estrutura, foi Vítor Gaspar
(Ministro das Finanças de Passos Coelho) quem "apertou o garrote" de
forma definitiva durante a crise da Troika.
- O
"Enorme Aumento de Impostos": Em 2013, houve uma
reestruturação dos escalões de IRS (passaram de 8 para 5), o que empurrou
a classe média para taxas muito mais altas muito mais cedo.
- A
Herança: Embora os governos seguintes (PS/António Costa) tenham
revertido algumas medidas e voltado a desdobrar os escalões, o nível de
receita fiscal nunca baixou significativamente. O sistema habituou-se a
este nível de arrecadação.
Por que é que o sistema se tornou "perverso"?
A intenção original de 1989 era boa, mas o sistema falhou
por três razões históricas:
- Baixa
Produtividade: Os legisladores criaram escalões a pensar que Portugal
iria convergir rapidamente com os salários europeus. Como os salários
estagnaram, o IRS que era para ser "para ricos" começou a
apanhar a classe média-baixa.
- O
Facilitismo do IVA: Como é difícil controlar a economia paralela, os
governos sucessivos (de esquerda e direita) preferiram manter o IVA alto e
o IRS retido na fonte. É dinheiro "fácil" e garantido para o
Estado, mas retira liquidez imediata às famílias.
- A
Máquina do Estado: Portugal mantém uma estrutura de Estado desenhada
para um país rico, mas com uma economia de país remediado. Para sustentar
hospitais, escolas e pensões num país envelhecido, o Estado
"seca" quem ainda trabalha e produz (a classe média).
Resumo Político
- PSD
(Anos 80/90): Criou a estrutura moderna (Cadilhe/Cavaco).
- PS
(Anos 2000 em diante): Consolidou o uso do IVA e da carga fiscal para
financiar o modelo social.
- Troika
(2011): Maximizou a eficiência da cobrança, eliminando quase todas as
hipóteses de "respiro" fiscal.
O resultado é este sistema "Frankenstein": temos a
modernidade europeia na cobrança (as Finanças em Portugal são das mais
digitalizadas e eficientes do mundo), mas uma ineficiência de terceiro mundo
na entrega de serviços públicos de rotina.
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O que fazer? De que reforma está Portugal precisado?
O que poderia ser uma reforma relevante para relançar o País, para reter a nossa juventude e para atrair jovens de outros países?
1. A Reforma Fiscal: "Taxas Moderadas, Base
Alargada"
Em vez de focar na idade, focamos na criação de riqueza.
- O
Modelo de 3 Escalões (Simplificação): Substituir os atuais 9 escalões
por apenas três:
- Isenção:
Até aos1.000 € (Proteção da base).
- Taxa
Classe Média (15%): Para a vasta maioria dos portugueses (até aos 5.000€/mês). Isto daria uma liquidez imediata e brutal às famílias.
- Taxa
de Topo (30%): Para rendimentos muito elevados. Note-se: 30% é o que a
classe média paga hoje; aqui passaria a ser o teto máximo.
- Eliminação
da Retenção na Fonte Excessiva: Ajustar o sistema para que o Estado
não "peça emprestado" dinheiro aos cidadãos sem juros durante um
ano. O dinheiro deve estar no bolso das pessoas todos os meses.
- Unificação
da Taxa de Capital: Baixar a taxa sobre juros e dividendos de 28% para 15% (alinhada com o escalão da classe média), incentivando o pequeno aforro.
2. De onde vem o dinheiro? (O Equilíbrio das Contas)
Esta é a pergunta de "um milhão de euros". Para
baixar impostos sem criar um buraco no orçamento, é preciso atuar em três
frentes:
A. O "Dividendo do Crescimento"
Ao baixar o IRS para 15% para a classe média, o consumo aumenta.
Esse dinheiro volta ao Estado via IVA. Mais importante: empresas que
hoje não conseguem contratar porque os salários líquidos são baixos, começam a
expandir-se. O aumento da atividade económica compensa a descida da taxa (Curva
de Laffer).
B. Reforma do Estado: Menos "Gasto", Melhor
"Investimento"
- Extinção
de Observatórios e Entidades Redundantes: Portugal tem centenas de
institutos públicos e fundações que consomem milhões com utilidade
marginal.
- Privatização/Concessão
de Gestão: O Estado não tem de gerir companhias aéreas ou empresas de
logística. O foco deve ser o regulador.
- Digitalização
Real: As Finanças já são digitais, mas a Justiça e a Educação não. A
redução da burocracia poupa milhares de horas de trabalho e milhões de
euros em papel e processos lentos.
C. Combate à Economia Paralela
Portugal tem uma economia informal estimada em 25% do PIB. Com
impostos mais baixos e justos, o incentivo para "pedir fatura sem número
de contribuinte" diminui. Se a taxa é justa, o cidadão prefere a segurança
da legalidade.
3. Saúde e Social: Do Estado Prestador ao Estado Garante
O equilíbrio das contas também vem da eficiência na entrega.
- Concorrência
na Saúde: Em vez de injetar milhões no SNS para gerir listas de
espera, o Estado contratualiza com o setor privado e social por
resultados. Se o privado faz uma cirurgia mais barato e mais depressa que
o hospital público, o Estado poupa dinheiro e o cidadão ganha saúde.
- Ensino
Dual e Financiamento por Aluno: O dinheiro segue o aluno. Isto obriga
as escolas (públicas e privadas) a serem eficientes para atraírem
financiamento.
Comparação de Impacto: Modelo Atual vs. Nova Reforma
|
Medida |
Modelo Atual (Sufocante) |
Nova Reforma (Desenvolvimento) |
|
IRS Classe Média |
Entre 25% e 45% |
Fixado em 15% |
|
Liquidez Mensal |
Baixa (Estado retém muito) |
Alta (Famílias decidem o gasto) |
|
Investimento |
Fugaz e dependente de subsídios |
Estrutural e focado no capital |
|
SNS |
Monopólio estatal ineficiente |
Sistema misto focado no utente |
O Plano de Ação: O "Contrato de Confiança"
Aconselharia um plano a 4 anos, onde a descida dos impostos
é feita de forma gradual mas irreversível:
- Ano
1: Redução imediata do IRS para a classe média e simplificação de
escalões.
- Ano
2: Implementação do sistema de liberdade de escolha na Saúde
(Vouchers/Cheques).
- Ano
3: Reforma da Administração Pública e eliminação de gastos supérfluos.
- Ano
4: Consolidação com a descida pontual do IVA para bens essenciais e
energia.
Conclusão: O dinheiro para financiar isto vem de uma economia que respira. Atualmente, Portugal tenta tirar 40% de um bolo pequeno. O plano propõe tirar 15% de um bolo que, com estas medidas, crescerá exponencialmente. O equilíbrio vem do fim do desperdício estatal e da entrada de milhares de trabalhadores na economia formal que hoje fogem ao fisco por este ser "confiscatório".
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O sistema fiscal, a nível do IRS, manteria a progressividade, mas com uma lógica de "escada" muito mais suave e justa, evitando o chamado "salto para o abismo" que acontece hoje em Portugal.
No modelo que desenhámos, a progressividade funcionaria por fatias (ou escalões marginais). Isto significa que a taxa mais alta incide apenas sobre o valor que ultrapassa o limite, e não sobre o salário todo.
O Exemplo Prático: Um Salário de 3.500 € Brutos
Vamos ver como se dividiria o imposto para alguém que ganha 3.500 €:
A 1.ª Fatia (Até 1.000 €): Paga 0%. (O Estado garante o mínimo de existência).
A 2.ª Fatia (De 1.001 € até 3.000 €): Paga 15% sobre esses 2.000 €. ($2.000 \times 0,15 = 300$ €).
A 3.ª Fatia (Acima de 3.000 €): Paga 30% sobre os 500 € restantes. ($500 \times 0,30 = 150$ €).
Total de IRS: 450 €.
Taxa Efetiva: 12,8%.
Líquido: 3.050 € (sem contar com Segurança Social).
Por que é que este modelo é superior ao atual?
1. Elimina o "Medo de Ganhar Mais"
Atualmente em Portugal, muitos profissionais recusam aumentos ou horas extras porque o salto de escalão é tão agressivo que o aumento bruto quase desaparece no imposto líquido. Com apenas 3 escalões largos, o esforço compensa sempre.
2. Protege a Classe Média (A "Zonal de Conforto")
A grande inovação aqui é o intervalo dos 15%. Ao esticar este escalão até aos 3.000 € ou 4.000 €, estamos a dizer que a classe média tem o direito de reter o fruto do seu trabalho. É aqui que se cria a liquidez que mencionaste: dinheiro para investir, poupar ou consumir sem sufoco.
3. Simplicidade e Transparência
Um sistema com 9 escalões (como o atual) é opaco. Quase ninguém sabe quanto vai pagar realmente. Um sistema de 3 fatias é previsível. A previsibilidade é o que atrai investidores e convence os talentos a ficar.
Como garantir que o Estado não entra em colapso?
Mencionaste a preocupação com o equilíbrio das contas. Para passar do sistema atual para este, o "segredo" está na eficiência da despesa:
Menos Benefícios Fiscais, Taxas Mais Baixas: O sistema atual é cheio de deduções complexas (faturas de oficina, ginásio, etc.). Na reforma, eliminaríamos essas "migalhas" burocráticas em troca de uma taxa base muito menor. O cidadão prefere ter o dinheiro logo no salário do que andar a mendigar deduções no final do ano.
Crescimento do PIB: Se a classe média tem mais 500 € ou 1.000 € por mês, esse dinheiro circula. O Estado recupera uma parte via IVA (consumo) e outra via IRC (lucro das empresas que vendem mais).
Atração de Não-Residentes: Portugal deixaria de precisar de "regimes especiais" para estrangeiros (que criam injustiça entre quem cá está e quem vem). Com uma taxa de topo de 30%, Portugal passaria a ser, naturalmente, um dos países mais competitivos da Europa para qualquer profissional qualificado, independentemente da nacionalidade.
O Impacto Psicológico
A maior mudança não é financeira, é moral. O cidadão deixa de sentir que o Estado é um sócio maioritário que não aparece para trabalhar. Passa a haver um sentido de justiça: "Eu contribuo com uma parte justa (15%), e o Estado deixa-me gerir o resto da minha vida."
8 comentários:
Esquece o nepotismo. É um outro imposto, não quantificado, que mata tudo. Tão entranhado é ele que é entendido como natural; "a minha equipa", "da minha confiança", e por aí. Mais facilitado ficou com o ensino superior privado. O zé dos montes, saído de uma repartição onde carimbava papeis conclui aos 30 anos na Grande Universidade Internacional das Berlengas uma licenciatura em direito filosófico, de seguida paga um mestrado numa universidade pública em direito aristotélico e já está um senhor doutor de vasto cv. Já pode ser governante. Bem se queixava Marcelo Rebelo de Sousa que antigamente os constitucionalistas por cá eram meia dúzia e agora são uma legião.
Estes seus textos tão verdadeiros mostram a falha mental de quem nos governou e governa com o contraste com os países que refere .
Não acredito que os esquemas mentais dos nossos governantes mudem. A sua análise reflete bem a qualidade do trabalho que desenvolveu nas empresas em que o seu valor foi reconhecido.
Claro que o gemini tem um viés neoliberal
Talvez, não digo que não. Mas em temas destes, muito concretos, que têm impacto directo na vida das pessoas, que condicionam o seu bem estar, a sua qualidade de vida, que influi na decisão de viver em Portugal ou noutros países, penso que é necessário pragmatismo. A democracia, para ser bem aceite, para não sofrer os ataques populistas que resultam da insatisfação das pessoas, tem que visar a felicidade das pessoas. Se, para o conseguir, houver que abrir a gestão de bens públicos seja, em alguns casos, entregue a empresas privadas não vejo qualquer problema desde que haja regulação pública. Os preconceitos não ajudam nada, há que ter mente aberta e olhar para as coisas com muita objectividade.
Concordo. A praga dos amiguismos em que muitos (em cargos públicos) se rodeiam de ignorantes, incompetentes e balofos em que o único 'mérito' que têm é serem 'de confiança' tem atrofiado o desenvolvimento do país. Uma praga, mesmo.
O que eu gostava era que houvesse gente com coragem que conseguisse dar um pontapé no status quo e avançar para uma verdadeira reforma deste país -- reforma Fiscal, reforma na Saúde, reforma na Justiça, reforma na Educação...
Por vezes penso que agora, com o que já sei, é que devia ter 30 anos para ir à luta, mas à luta a sério, tentar mudar o atraso de vida que é este país em várias das suas áreas.
A verdade é que a privatização de sectores importantes da economia portuguesa terá enriquecido alguns mas não se traduziu em melhores serviços, nem mais acessíveis, nem em melhoria da qualidade de vida dos portugueses. Muitos dos problemas que temos hoje na saúde e na educação relacionam-se com a voracidade dos privados e à falta de determinação ou de vontade dos governos em pôr-lhes travão.Marta Temido terá tentado na Saúde e foi trucidada. Agora está na moda pedir respostas ao novo génio da lâmpada que é a IA, que se limita a dar-lhe a resposta mais plausível a partit de toneladas de dados com que é treinada. Claro que a voz corrente na internet é neoliberal, disso não dubido.
Penso que não tem muita razão. Lembro-me bem que durante uns tempos o hospital que reunia melhores indicadores de qualidade de serviço e satisfação dos utentes era o Hospital de Braga, na altura em regime de PPP. O que aconteceu é que o contexto se alterou, o número de utentes alterou-se substancialmente e o Estado não quis rever o contrato. Portanto, para o serviço não se degradar, a empresa que o geria não quis lá continuar. Nestas coisas é preciso sempre analisar bem as coisas e contextualizar.
Eu não tenho preconceitos contra privados. Trabalhei grande parte da minha vida em grupos privados e sei bem o rigor e profissionalismo que é exigido. Já o disse muitas vezes que o objectivo das empresas privadas não é exclusivamente o lucro pois isso tem perna curta. As empresas que o fazem são mal geridas e não se aguentam muito tempo. A satisfação de clientes, fornecedores e trabalhadores é essencial.
Dito isto, espanta-me como ainda há essa fobia sobre a actividade privada e, em contrapartida, não vejo revolta por 25% da economia ser parasitária, alimentar gente que usufrui de educação, saúde, segurança, infraestruturas, etc, sem contribuir com o que é devido. Contra o laxismo do estado que permite essa pouca-vergonha onde está o protesto? Não vejo.
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