quarta-feira, março 04, 2026

O novo eixo do mal é um belicista aventureiro? Ou não passa de um grande e gordo motor de impulso laranja?

 

 Tinha identificado uns quantos candidatos a serem sucessores de Ali Khamenei mas o ataque foi tão bem sucedido que morreram todos. 

Isto foi dito por Trump. 

Não é de loucos? Eu ouço isto e não consigo conter uma gargalhada. Não parece uma anedota? Mata um para pôr uns que ele lá sabe e, afinal, mata-os a todos? Se não fosse trágico, não era de ir às lágrimas?

É como aquela outra maluquice. Perante as crescentes vozes de que não havia quaisquer evidências de que nos próximos anos o Irão representasse qualquer risco, o fofo Marco Rubio, sempre com aquela sua boquinha de folhos e ar meio perdido, veio dizer que a coisa tinha sido assim: os americanos tinham sabido que Israel -- que se está nas tintas para as negociações que os dois artolas, o genro e o outro totó também do imobiliário, andavam a ter com o Irão -- tinha descoberto uma cena que era uma janela de oportunidade e que iam avançar à bomba sobre o dito Irão. E que pensaram que, se isso ia acontecer, os iranianos, furiosos, iriam retaliar e ainda iam fazer mal aos americanos. Portanto, antes que isso acontecesse, apanharam a boleia de Israel e lá foram dar cabo deles.

Perante a candura desta confissão, a casa veio abaixo: uns a rebolar a rir, outros de boca aberta. Então foi essa a grande razão para avançarem para uma guerra destas que está a desestabilizar o mundo? Então é mesmo verdade que o Bibi é que manda nos Estados Unidos?

Face a esta revelação que pôs o mundo a dar cambalhotas para trás e para a frente, meio mundo perplexo e desconcertado e o outro meio sem sabe se rir ou chorar, Trump, para remediar a barracada, veio contradizer o Marquito: não, não nada disso, não foi bem assim, ele é que forçou a mão de Israel. Só que ninguém acredita numa palavra que ele diz.

Enquanto estou a escrever, estou a ver televisão. E de novo aqui está ele. Confirma que mataram todos os que pensaram que poderiam suceder a Khamenei mas que vão lançar uma onda de ataques ainda mais ofensiva e que, provavelmente, vão matar outros que talvez também pudessem servir. E como, se calhar, a seguir haverá outra onda de ataques ainda mais destrutiva, se calhar depois já lá não conhecem ninguém. 

Ouço isto e penso: mas isto não será para os Apanhados? Isto não será uma comédia? É que é tudo uma maluquice tão grande que é impossível encontrar aqui algum racional.

Também o ouvi a dizer que vai proibir todo o comércio contra Espanha e que, se quiser, usa as bases que (o corajoso e, aparentemente, dos poucos adultos na sala) Pedro Sánchez diz que ele não pode usar. Que não precisa mas, se precisar, os aviões vão para lá e sempre quer ver quem é que o vai proibir. 

Ouço isto e penso que é preciso respirar fundo. Um palhaço destes armado em ditador, em imperador de meia tigela... 


Mais um dilema para Trump
(da autoria de Ben Jennings para o The Guardian)


E não sei se este voluntarismo é bazófia, se é loucura, se é um destemperamento provocador e inconsequente, se é ganância, ou se é demência pura e dura. Sobretudo penso que um estupor destes está é a precisar de uma lição.

E, o que mais me tira do sério, é que, ao lado dele está Merz... a apoiá-lo... Porquê? Como se ouve uma coisa destas e se fica a apoiar? Como!? Não deveria interrompê-lo, não deveria dizer que cada país é soberano e que ninguém se pode sobrepor a isso e, mostrando que não está para alimentar a sede imperialista do bufão laranja, não deveria levantar-se e sair da sala?

Enfim... Um mundo pantanoso em que uns quantos espantalhos se levantam para roubar, vilipendiar e matar os indefesos que esbracejam, tentando salvar-se.

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No vídeo abaixo fala-se numa coisa que me parece muito verdade: se pensarmos em líderes que desencadeiam guerras ilegais, cruéis criminosos de guerra que causam muitas mortes absurdas, então, ao lado de Putin, haverá que colocar Donald Trump e Benjamin Netanyahu.

Claro que, ao falar-se em líderes, David Rothkopf torce-se todo e questiona-se sobre se Trump é mesmo um líder ou, até mais do que um belicista aventureiro, não é senão um grande e gordo motor de impulso laranja. 

E, com isto, já estão a perceber que, uma vez mais, escolho quem quero ouvir sobre o que se passa. Fonte sempre muito bem informada, David Rothkopf, aqui no vídeo ainda não tinha ouvido a confissão de Rubio e as parvoíces de Trump que se lhes seguiram já que a conversa com Joanna Coles foi gravada na 2ª feira de manhã. Mas é sempre uma voz que se ouve de gosto (relembro que nas definições do vídeo podem seleccionar legendar e, aí, seleccionar a auto-tradução para português)

Como a guerra de Trump desencadeou um novo eixo do mal | Podcast do The Daily Beast

David Rothkopf junta-se a Joanna Coles para defender que a guerra de Donald Trump contra o Irão revela um presidente que acredita governar como um rei, e não como um comandante-chefe constitucional. Rothkopf, colunista imperdível do The Daily Beast e fundador da DSR Network, apresenta os argumentos de que se trata de uma guerra ilegal, iniciada sem a aprovação do Congresso, com apenas 21% de apoio público, sem um processo coerente do Conselho de Segurança Nacional e com baixas iniciais que já agravam o caos. Relaciona o ataque impulsivo de Trump aos incentivos políticos de Benjamin Netanyahu, ao risco de escalada regional, aos choques petrolíferos em vésperas de eleições intercalares e à perigosa fantasia de que a mudança de regime resultará de alguma forma em democracia em Teerão.


Desejo-vos um diz tão feliz quanto possível 

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