segunda-feira, março 30, 2026

Como lidar com gente estúpida...?

 

Começo por sacudir a responsabilidade pelo que é dito no vídeo que abaixo partilho. Não fui eu que o fiz e, além do mais, não tenho conhecimentos para avaliar se há rigor científico no que se diz ou se as referências filosóficas respeitam o espírito da letra de quem as proferiu.

Não tendo aqui nenhum filósofo à mão de semear, e querendo pelo menos o conforto de que o aqui apresento não seja um total barrete, submeti-o à apreciação do chatgpt. Disse-me que sim, que as referências não são inventadas nem despropositadas, ou seja, que não se pode dizer que seja uma banhada, mas que, enfim, é uma coisa na base do mais ou menos, ou seja, de facto existiram mesmo as afirmações, não são falsas as referências, mas, segundo o chatgpt, estão um pouco enroupadas à luz das tendências actuais, mormente o léxico e as preocupações, que é daqueles vídeos self não sei quê, cheios de ensinamentos e coiso e tal. Compreendido.

Seja como for, gostei. Direi mesmo: bacteriologicamente correcto ou não, a mim faz-me muito sentido. Digo mais: é daquelas que já deveria ter aprendido há anos e anos pois, se eu tivesse percebido e interiorizado isso, muitas maçadas me teriam sido poupadas.

Sei que não sou a última coca-cola do deserto, muito longe disso, mas também sei que não serei a mais burra da turma, seja qual for a turma. E toda a minha vida, toda, toda, t-o-d-a, foi passada a tentar explicar o que me parece ser correcto, a defender as ideias que acho certas, a tentar desmontar argumentos falaciosos. Um desgaste. Percebo agora a burra que tenho sido. Aliás, implicitamente já o sabia, mas agora, vendo-o assim explicitado, ainda mais claro fica.

Muitas vezes, para meu desgosto, chegava à conclusão que, em determinados meios, o que é mais apreciado é o que é mais básico, menos valioso, mais irrelevante. Já o referi anteriormente. Na minha vida profissional, várias vezes fiquei chocada ao ver que alguns projectos inovadores, revolucionários, fracturantes, verdadeiramente relevantes, eram incompreendidos e pouco valorizados enquanto alguns, que nem à categoria de projectos deveriam ascender de tão básicos que eram, acabam por ser louvados, enaltecidos e até premiados. E sempre cheguei à mesma conclusão: se quem apreciava os assuntos era gente de pouca cabeça, só percebiam os temas que eram elementares, que não requeriam nem grandes conhecimentos nem grandes discernimentos para serem entendidos. Tudo o que fosse mais complexo já era chinês para eles e, para não darem parte de fracos, preferiam mostrar pouco interesse.

Também já contei que, algumas vezes, ao ver projectos que eram apresentados como extraordinários, que envolviam investimentos de milhões, que eram divulgados em jornais de referência e que eram visitados pelo governo ou, até, pelo presidente da república, eu dizia de caras: um bluff, um fiasco, um saco cheio de nada, nunca na vida vai dar em alguma coisa, a ideia inteligente é abortar já. E, ao sustentar esta posição, era olhada de lado como uma céptica, uma pessoa do contra, alguém desalinhado, olhada até com algum temor não fosse eu falar alto de mais ou onde não devia. Desfazia-me a tentar demonstrar o que para mim era óbvio, cristalino, a tentar evitar o desperdício de milhões ou estar-se a contratar carradas de pessoas altamente especializadas para uma coisa que jamais teria pernas para andar. Nunca consegui. Custava-me aquilo, parecia-me um embuste disfarçado de ideia grandiosa, sabia que ia trazer prejuízos avultados, geral imparidades de se lhes tirar o chapéu. Fui derrotada, era a única a tentar ir contra a corrente. Quando, anos depois de milhões e milhões jogados para o lixo e de tentar arranjar novas funções para os que, para aquilo para que foram contratados, já não teriam trabalho, eu me lamentava: 'Se alguém me tivesse dado ouvidos...', um colega e amigo dizia-me: 'Sabe, tão grave como não ter razão é ter razão antes de tempo.'. Não têm conta as lutas que travei para tentar demonstrar erros, linhas estratégicas erradas, decisões sem nexo. E para quê? Para nada.

Há pessoas que não querem ouvir a verdade. Ou não a compreendem. Há que saber aceitar isso: não vale a pena tentar avisar quem não quer ser avisado. Ou tentar explicar a quem é incapaz de compreender.

Uma das que me marcou, e aqui uso o verbo marcar no sentido de chatear, mas chatear profundamente de tão estúpida que foi, aconteceu numa sessão de avaliação, ao ser avaliada por um que estava na empresa há poucos meses e que mal me conhecia, no item 'trabalho de equipa' -- área em que sempre tive pontuação máxima pois gosto de trabalhar em equipa, nunca fui individualista, acredito piamente na convergência de esforços --, numa escala de 1 a 5, me atribuiu um 3. E justificou assim: 'É muito inteligente e as pessoas têm medo de si'. Fiquei a olhar para ele certamente com espanto mas, acredito, sem conseguir disfarçar que achava que só um tipo muito burro poderia avaliar-me com um 3 apresentando tal justificação. Tive vontade de lhe perguntar se era o caso dele, se tinha medo de mim. Com o passar do tempo, percebi que tinha. Não percebia nada do que eu dizia e ficava deveras aflito, tentava desviar-se, tentava evitar-me. Quando o confrontava, eu percebia que, a ele, só lhe apetecia fugir. Como não podia, desviava o assunto, contava histórias, elogiava-se, contava-me façanhas que, para mim, eram ridículas mas que ele descrevia como se fosse o maior, tudo para não ter que se debruçar sobre o tema profissional que eu queria discutir.

Em contrapartida, sempre que trabalhei com pessoas inteligentes ou em empresas ou em momentos em que as administrações eram globalmente inteligentes, que motivante foi, que desafiante, que entusiasmante. Ou conduzir equipas de pessoas inteligentes, que bom, que bom que é.

Politicamente é a mesma coisa: quantas vezes tive discussões escusadas pois estive a tentar demonstrar a vacuidade ou a inconsequência de propostas junto de pessoas que se recusaram a ouvir os meus argumentos e que persistiam em defender posições erradas à luz da lógica e da razão.

Devia ter visto este vídeo antes. Querer demonstrar um raciocínio lógico junto de quem não é capaz de o acompanhar é como querer instalar a última versão de um sistema operativo numa máquina de escrever. Não vale a pena. 

Mas vejam o vídeo e ajuízem se vos parece ou não interessante. Claro que os ignorantes, que não sabem que o são, pensarão que encaixam na categoria dos inteligentes. 

É como o Trump: acha-se o maior e vá lá alguém tentar convencê-lo que as suas ideias são fantasiosas, estúpidas, ridículas. Aliás, é difícil ver e ouvir este vídeo sem pensar em como realmente se aplica a tantas situações reais da nossa vida e, em particular, da realidade política actual.

Mas, enfim, é o que é. O mundo é assim mesmo e a gente tem é que aprender a posicionar-se.

E se os filósofos a sério que por aqui passem acharem que tudo isto é uma pepineira, pois muito bem, cá estou, receptiva para aprender com quem sabe. É dizerem de vossa justiça.

Como as pessoas inteligentes lidam com as pessoas estúpidas — Schopenhauer

Arthur Schopenhauer compreendeu aquilo que a maioria das pessoas se recusa a aceitar: a lógica é impotente contra a ignorância deliberada. Neste vídeo, exploramos a filosofia implacável de Schopenhauer sobre como as mentes inteligentes se podem proteger dos efeitos psicologicamente desgastantes de lidar com pessoas irracionais, tolas e deliberadamente ignorantes. (...)

Aqui poderá aprender:

— Porque é que discutir com um tolo é suicídio intelectual

— Como utilizar o absurdo como arma, utilizando a redução ao absurdo (reductio ad absurdum)

— O método da quarentena psicológica para proteger a sua mente

— O Dilema do Porco-Espinho de Schopenhauer e o distanciamento estratégico

— A Estratégia da Submissão: Como Sima Yi derrotou um poderoso tolo

— Porque é que a sua empatia está a alimentar a ilusão deles

— Como fazer a transição da inteligência para o verdadeiro poder

Não se trata de arrogância. Trata-se de estratégia. A sua energia mental é finita. Deixe de a desperdiçar com pessoas comprometidas com a sua própria ignorância.

Referências e Pesquisa:

📚 "A Arte de Ter Razão" — Arthur Schopenhauer

📚 "Rápido e Devagar: Duas Formas de Pensar" — Daniel Kahneman

📚 "A Armadilha da Inteligência: Porque é que as Pessoas Inteligentes Cometem Erros Burros" — David Robson

Relembro que poderão optar por legendas (automáticas) em português. 

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Nota: as duas imagens que juntei ao texto foram geradas através de Inteligência Artificial

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Desejo-vos uma boa semana

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