Há pouco tempo fomos desafiados para irmos, em grupo, numa viagem muito bonita, a uma cidade gigante que não conheço e gostava de conhecer. Ficámos balançados. Um bocado longe, uma viagem longa. O meu marido não adora andar de avião mas, dado o lugar que era e que a companhia não podia ser melhor, estava tentado a aderir. Por essas alturas andava o Trump com a conversa das negociações com o Irão e com ameaças pouco veladas. Como sempre, eram os seus pontas de lança para a facturação em terras estrangeiras, o genro, o sinistro Jared Kushner, e o pato bravo Steve Witkoff, que lá andavam a fazer de conta. Por um lado, à luz da lógica e do direito internacional, os Estados Unidos não cairiam na tentação de se meterem numa aventura suicida. Mas, por outro lado, com um doido varrido sentado na Casa Branca nunca se sabia. Ao conversar com a minha filha, lembro-me de comentar: 'vamos lá ver se o maluco do Trump não se mete numa grande confusão e não dá cabo da viagem'.
Com a hesitação, não demos o passo em frente. E, nos dias seguintes, foi o que se sabe, a deriva, o desvario de Trump. Arrastado por Netanyahu e sem avaliar o que ia fazer ao mundo, o maluco avançou de peito feito, julgando que era a mesma coisa que tirar o Maduro da cama.
Ao contrário de quem nos desafiou, que compraram as viagens todas, para cá e para lá e para os percursos intermédios, não chegámos a avançar e, por isso, não ficámos com os bilhetes na mão. Os aeroportos em causa não estão fechados pelo que não há lugar ao reembolso mas, estando toda a região e redondezas sob uma instabilidade total e perigosa, não é seguro ir para aquelas bandas.
Durante os últimos anos, desde que o meu pai teve o AVC, ou seja, talvez há uns 17 ou 18 anos, deixámos de fazer passeios grandes. Creio que o último foi a Amesterdão e a Paris, em que estando o meu pai já doente, nos pareceu que eram destinos relativamente perto e que, numa emergência, facilmente arranjaríamos voos de volta. Tirando isso, que me lembre, só por Espanha e isso fomos várias vezes, sobretudo adoro San Sebastian, ou, a França, só quase de raspão. Começámos a gostar de descobrir Portugal. Ah, não. Ainda fomos até ao sul de França e até Itália, já nem me lembrava. Mas o facto é que não me sentia bem, indo para longe. Nesse período também os pais do meu marido estiveram mal, internados, em tratamentos complicados, a ter que ir a consultas. E o meu pai tinha o seu estado a deteriorar-se inexoravelmente. Depois foi a minha mãe que foi operada ao cólon, também com um cancro. Tudo me tolhia. De vez em quando, algum ia para as urgências, ficava na corda bamba, e custava-me pensar que não conseguiria andar descansada a passear longe do país, quando a todo o momento a coisa poderia descambar. Quando todos se foram e ficou só a minha mãe, que eu julgava que era saudável, pensei que finalmente poderíamos sentir-nos livres para fazermos o que quiséssemos. Mas aí foi ela que derrapou, todos os dias tinha qualquer coisa, sempre como se estivesse muito mal mas sem dar pistas que dessem para perceber o que tinha. De médico em médico mas, segundo ela, nenhum acertava. E era sempre uma urgência, uma crise grave. Nessa altura obviamente não era possível irmos para longe. Aliás, até irmos para o campo era uma crise. Chegava a não lhe dizer nada pois parecia-me que já era psicológico, se sabia que eu ia, mostrava-se ainda mais ansiosa, temia que eu não chegasse a tempo para a levar para as Urgências. Uma vez tivemos que regressar à pressa, eu num sufoco, pois ela achava que estava muito mal, tinha que ir para o hospital, e, naquelas suas decisões, recusou-se a chamar uma ambulância, quis que eu fosse buscá-la a casa e eu a pensar que poderia não chegar a tempo.
Agora que já não há ninguém que nos prenda, há outra coisa: mudámos. Já não somos os mesmos. E há o cão. O pobre coitado sofre imenso quando está longe de nós. Custa-nos deixá-lo durante muito tempo. Mas nem é o cão. Somos nós. Talvez nos tivéssemos tornado comodistas. Talvez nos custe afastar-nos muito de casa. E depois também parece que já não há aquele interesse em ir ver o que nunca se viu. Dantes, quando fazíamos uma viagem, tínhamos os guias Michelin, tínhamos os livros de viagens, planeávamos o que iríamos ver recorrendo a isso. Íamos de facto descobrir o que não conhecíamos, Agora é diferente. Se tenho curiosidade em saber como é alguma coisa, pesquiso, está tudo disponível.
É como quando eu ia a Madrid: adorava. As exposições, as ruas, os parques, as lojas. Tudo me parecia novidade, diferente. Agora já tudo me parece déjà vu. Mesmo aquele estímulo que eu tinha, de andar produzida, de descobrir lojas boas com modelos que não encontrava cá, agora já não tenho. Não só não preciso de mais roupa como já há cá praticamente todas as lojas que há lá.
Contudo, admito que seja uma fase. Talvez esteja a curtir o momento, aquela fase boa em que posso estar em casa, em que posso não ter horários, em que posso existir ouvindo os pássaros, olhando o jardim, lendo um livro, indo passear até à beira-mar, olha as ondas. Talvez que dentro de algum tempo pense: 'pronto, agora também já chega, bora lá passear.'. Pode ser. A vida é feita de mudança.
Mas, até lá, aqui estão quarenta lugares considerados belos de mais para não serem conhecidos.
40 Patrimónios Mundiais da UNESCO que tem de visitar antes de morrer - Vídeo de Viagem em 4K
Descubra as maravilhas mais deslumbrantes do mundo no nosso vídeo: “40 Patrimónios Mundiais da UNESCO que Precisa de Visitar Antes de Morrer”. Estes marcos icónicos e tesouros escondidos representam a cultura, a história e a natureza na sua melhor forma. De cidades antigas a paisagens naturais de cortar a respiração, esta lista vai inspirar a sua próxima aventura!
Quer seja um viajante, um amante de história ou alguém que procura riscar itens da sua lista de desejos, estes destinos são imperdíveis.
00:00 – Introdução
01:09 – Calçada dos Gigantes, Irlanda do Norte
02:10 – Alhambra, Espanha
03:27 – Baía de Ha Long, Vietname
04:37 – Capadócia, Turquia
05:48 – Mont-Saint-Michel, França
06:54 – Chichen Itza, México
08:02 – Parque Nacional do Serengeti, Tanzânia
09:13 – Machu Picchu, Peru
10:23 – Grande Muralha da China, China
11:29 – Petra, Jordânia
12:34 – Parque Nacional de Yellowstone, EUA
13:38 – Taj Mahal, Índia
14:40 – Templos de Quioto, Japão
15:48 – Cataratas do Iguaçu, Argentina/Brasil
16:54 – Angkor Wat, Cambodja
18:00 – Terraços de Arroz de Banaue, Filipinas
19:07 – Costa Amalfitana, Itália
20:36 – Ilhas Galápagos, Equador
22:01 – Grande Barreira de Coral, Austrália
23:13 – Veneza, Itália
24:14 – Meteora, Grécia
25:49 – Bagan, Myanmar
27:04 – Lagos de Plitvice, Croácia
28:35 – Ilha da Páscoa, Chile
29:38 – Santorini, Grécia
31:01 – Parque Nacional de Banff, Canadá
32:07 – Cidade Velha de Dubrovnik, Croácia
33:30 – Parque Nacional de Yosemite, EUA
35:02 – Pirâmides de Gizé, Egito
36:03 – Stonehenge, Inglaterra
37:07 – Great Smoky Mountains, EUA
38:14 – Mesquita Azul, Turquia
40:01 – Cataratas Vitória, Zâmbia/Zimbabwe
41:02 – Bora Bora, Polinésia Francesa
44:18 – Louvre e Paris Histórica, França
45:55 – Floresta Amazónica, África do Sul América
47:39 – Alpes Suíços, Suíça
53:34 – Antártida
55:40 – Aurora Boreal (Luzes do Norte)
57:13 – Pamukkale, Turquia
01:00:07 Considerações Finais
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