Criei o blog há um bom par de anos, sem plano nem propósito -- sobretudo, queria descobrir como se fazia. Mas, assim que o percebi, o lado estético e lúdico entusiasmou-me bastante e logo resolvi que o seu look haveria de ser mutante. Quase todos os meses lhe mudava a imagem de abertura e as cores. Privilegiava pinturas do meu agrado mas também fotografias alheias que considerava também arte, frequentemente com um certo toque provocatório. E divertia-me imenso a escolher cores, em volta ou por detrás, no tom da imagem ou, pelo contrário, altamente contrastantes.
Mas, quando a Rússia criminosamente invadiu a Ucrânia e começou a matar e a destruir, imediatamente abdiquei desse meu prazer e resolvi arranjar uma imagem que simbolizasse a esperança e o futuro, assentes nas cores ucranianas. A coragem e a capacidade de resistência daquela gente, o heroísmo de todos, a começar por Zelensky, alguém por quem nutro enorme admiração, sempre me comoveu muito e, desde sempre, na humildade da minha irrelevância, coloquei-me do seu lado. E decidi que assim ficaria até que a Ucrânia pudesse voltar a viver em paz, em liberdade, em felicidade.
Achei, e cada vez mais o acho, que estar ao lado de quem defende a sua terra, as suas fronteiras, a sua identidade, o seu querer, o seu futuro, era o mínimo. Sem adversativas, sempre me coloquei do lado da Ucrânia e do seu direito a defender-se e a fazer valer a sua vontade, e sempre me mostrei inequivocamente contra quem demonstra não respeitar o direito internacional, não respeita as fronteiras dos outros países, não respeita a vontade dos povos desses países, não mostra compaixão nem mostra arrependimento nem empatia nem coisa boa alguma.
Confesso que nunca pensei que tivesse que manter a criança com as cores da bandeira pintadas no rosto nem o fundo amarelo e azul por muito tempo. Uma guerra desta natureza, absurda como todas as guerras e tanto mais quanto assenta em vontades imperialistas que eu julgava mortas e enterradas, uma guerra tão aberrante, tão assassina, tão estúpida, julgava eu que não poderia durar muito. Imaginei que alguma solução os civilizados deste mundo haveriam de arranjar e que, se não isso, então, internamente, os próprios russos haveriam de impor a retirada das tropas russas do território ucraniano e imporiam a neutralização do regime putinista para que a própria Rússia pudesse aspirar a um futuro tranquilo, livre e democrático.
Enganei-me. Já lá vão 4 anos. Putin continua a usar os seus como carne para canhão, e ouve-se falar em cerca de 600.000 mortos, impondo também pesadas perdas para a Ucrânia, fala-se em cerca de 300.000. Uma brutalidade. Vidas interrompidas para as quais não pode haver perdão. Um dia Putin será julgado como o grande criminoso que é.
Não sei qual será ou quando será o desfecho desta guerra mas sei que um dia acabará e acabará bem para a Ucrânia. Espero que seja em breve.
--------------------------------------------------------------------------------------
NB: Fiz as imagens que ilustram este texto com recurso a Inteligência Artificial



Sem comentários:
Enviar um comentário