terça-feira, fevereiro 24, 2026

A nomeação do Luís Neves traz água no bico?
-- Pergunta o meu marido --

 

Embora tenha havido algumas vozes menos entusiasmadas, ouviram-se loas à nomeação do diretor da PJ para MAI. Louvou-se o personagem e elogiou-se o outro Luís que, após dois tiros completamente ao lado, teria agora acertado no alvo. Uma coisa é certa, lembrando um slogan célebre de eleições no Brasil, "pior não fica". 

O Luís Neves terá tido sucesso no combate ao crime organizado (claro que neste domínio não se publicitam os insucessos) mas também fica para os anais a "invasão" da Madeira a bordo de duas aeronaves da FA para conseguirem, do que se sabe até à data, uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma, e aquele frete que fez ao Fernando Gomes sobre a investigação do edifício da FPF. 

O novo MAI esteve sempre ligado à investigação, não é político, não se lhe conhecem valências na área da proteção civil, não é fluente e não terá experiência com as outras polícias. Dará um bom ministro? Não sei, o tempo o dirá.

Mas existem dois aspetos que devem ser objeto de reflexão e que, na minha opinião, não abonam em favor desta nomeação. Como todos sabemos continua a investigação ao Montenegro sobre a construção da casa em Espinho. O Luís Neves terá que ter conhecimento do estado da investigação. Por alguma razão sentiu necessidade de dizer ontem que o diretor da PJ não investiga. Curiosamente, o PGR também não averigua e, semanas antes de serem formalizadas as conclusões sobre a averiguação ao Montenegro, já  o PGR tinha anunciado, de forma mais ou menos clara, que a averiguação seria arquivada. 

Será credível que, havendo uma investigação ao PM, o diretor da PJ não saiba nada do processo...?

Não nos queiram fazer crer que na PJ, como na Procuradoria, cada um faz o que quer e não diz nada à hierarquia. Parece muito pouco provável. O Luís Neves, como ministro, tendo o dever de lealdade ao PM. Será que, em determinadas situações, um dos dois não terá a tentação de pedir ou passar informação "interessante"? Também é preciso estar muito atento à nomeação do novo diretor da PJ. Vamos ver se não será alguém de confiança do Luís para dar uma "ajudinha" quando for preciso. Honi soit qui mal y pense. Vamos esperar para ver o desempenho do novo ministro e ver se mais uma vez não estamos perante uma chico espertice do Montenegro para se ver livre do processo em curso. 

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