Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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sexta-feira, fevereiro 08, 2019

Adivinhas:
1. Porque é que colocaram uma cama elástica no Polo Norte?
2. Porque é que o panado se divorciou?
3. Porque é que a água foi presa?
4. Como é que as freiras secam a roupa?
5. Como se chama a um utensílio que se perdeu?


Recebi da minha filha, por sms, as adivinhas que aqui partilho convosco. Quando vinha no carro liguei-lhe e atendeu o menino mais crescido. Tinha uma adivinha para me contar. Fartei-me de rir. E, para que vejam o estado em que está a minha memória recente, já me esqueci. Só me lembro que era sobre uma Maria que caíu do balouço, e porquê? Porque não tinha braços. Só que isso era o intróito para o resto da piada e é disso que não me lembro. A sorte é que as da minha filha estão por escrito senão também já eram.

O meu marido quando assiste aos meus constantes despistanços com coisas deste género -- parece que incapaz de fixar ou entender-me com estas pequenas coisas do dia-a-dia -- diz que se calhar só tenho cabeça para coisas complicadas ou altos problemas do trabalho. Já o meu sogro uma vez em que eu não atinava com uma qualquer banalidade do carro e incapaz de perceber as explicações técnicas que me davam, disse: tão inteligente para as coisas difíceis e com esta dificuldade para as coisas simples.

E é capaz de ser verdade: ver-me por minha conta, sem alguém que me guie por entre sítios banais, a ter que tomar decisões de nada sobre temas da treta, é qualquer coisa que me enche de insegurança. Por exemplo: ir sozinha apanhar um avião. Detesto. Tenho medo de não dar com a porta de embarque, tenho medo de apanhar o avião errado. Tudo coisas improváveis ou impossíveis mas, na hora, confesso, pinta esse medo. Pior: sozinha a fazer escala num aeroporto dos grandes, Bruxelas, por exemplo. Vontade de ir fazer compras, receio de me distrair e não dar pelas horas, depois de não dar com a porta, depois, já no destino, medo de não aparecer a mala e de não saber, ali, o que fazer para tratar do seu resgate. 

Está certo que isto pode não ser do mais banal que há mas foi o exemplo que me ocorreu. Mas aconteceu-me uma coisa também terrível quando fui sozinha ao ikea. Não havia lugar no parque de estacionamento do costume, fui pô-lo no parque em frente. No regresso, já tinha anoitecido, não dava com o carro. Corri tudo e não o encontrava. Fiquei desnorteada, incapaz de saber o que fazer. Ali, naquele fim de mundo, apeada, sem perceber como poderiam ter-me roubado o carro dum lugar daqueles. Então fiz o de sempre: liguei ao meu marido, assarapantada. Já corri tudo, ando aqui às voltas e nem sombra do carro. Faço o quê? E o meu marido: E tens a certeza que foi aí que o deixaste? Quando ia afirmar, peremptória, que sim, vacilei: 'Acho que sim... Acho que só há este sítio...' E ele: 'Não, isso tem andares. Pensa lá bem. Vê lá por onde é que entraste.'. Vacilei de novo. Olhei para a entrada e percebi que não estava no mesmo piso por onde tinha entrado. Procurei as escadas. Fui para o outro piso. Procurei. Lá estava ele. Como sempre, senti-me a mais esparvoada das criaturas.

Mas pronto, isto para dizer que tinha mais uma adivinha mas que me esqueci. Mas as que tenho já são em bom número e são boas.


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Já vos contei daquela vez que fomos ver o Baryshnikov ao CCB e tenho ideia que estavamos num camarote, eu, a minha filha, uma amiga, provavelmente também a filha dela. Não me lembro se também a cunhada dela e, se calhar, também a minha. Não me recordo bem de toda a gente que tinha ido nesse dia, não me lembro senão dos barulhos que, de repente, a barriga dessa minha amiga começou a fazer. Ela, em surdina, atrapalhada, só dizia: 'Mas já viram isto...?' e eu só me lembro de ter uma vontade danada de rir. Lá em baixo, Mikhail voava, elegante, gracioso, pássaro alado -- e nós perdidas de riso, com a barriga dela às voltas. Acontece.


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As pinturas são de Alois Wachsman

Quanto às adivinhas não sou eu que vou dedurar. Quem quiser que adivinhe que eu estou que não posso. Só adormeço enquanto escrevo e, ao contrário do que tinha pensado, vou ter que madrugar porque os afazeres prévios são tantos que, se não me levanto quando o galo canta, já se me ensarilha toda a jornada. 

3 comentários:

Anónimo disse...

Olá UJM,

Tanta adivinha! Também nunca tive jeito para me lembrar de anedotas ou adivinhas - a minha graça é muito "do momento", muito espirituosidade inusitada... :P Ainda acertar numa ou outra adivinha, vá que não vá, agora lembrar-me delas para as contar aos outros... nada, nadinha.

Sei uma anedota do princípio ao fim. Uma anedota tão má e sem graça, cuja própria existência não sei como aconteceu. Aprendi-a na escola primária. Reza assim: Um homem deu €1000 a cada uma de três mulheres para elas fazerem o que quisessem com o dinheiro. No final, escolheria uma das mulheres para si. A primeira mulher comprou joias, perfunmes, aperaltou-se toda para o homem. A segunda mulher, mais sensata, pôs o dinheiro no banco, poupando para os dois. A terceira mulher colocou mamas maiores. O homem apreciou as joias e o perfume da primeira mulher, mas não a escolheu. Congratulou a segunda pela prudência e poupança, mas também não a escolheu. Quem ele escolheu foi a terceira, que pôs mamas maiores.

Pronto, é isto. É que nada tenho contra a escolha do dito homem, mas como piada, como anedota, não vejo a graça. Onde está o "twist"? Aquela gracinha inesperada? O trocadilho? Nada. Lembro-me que os meus colegas riram muito quando a "anedota" foi contada e também eu ri muito - talvez por dizermos a palavra "mamas" ser ainda algo de muito maroto.

Quanto às adivinhas da sua filha: a da água é porque matou a sede (essa já a tinha ouvido ó tempo). A do utensílio que se perdeu, só me ocorre "perdido", mas suponho que esteja mal. As freiras secam a roupa como deve ser, de forma eco-friendly, isto é, convento. O resto não faço ideia.

Abraço
JV

Francisco de Sousa Rodrigues disse...

UJM, essa de perder o carro faz-me lembrar uma vez que fui passear para a Nazaré com a minha catequista do 4.o e do 5.o ano e outra amiga dela e naquele emaranhado de quarteirões também perdemos o Norte ao carro. Eu tinha 11 anos (lembro-me que foi pelos 10 anos do fogo do Chiado e da morte do Carlos Paião), mas como sempre tive algum jeito para caminhos e fixar coisas, ao fim de 2 horas (das 18h30 até quase às 21) lá identifiquei alguns pontos de referência, et voilá, lá encontramos o desejado.

Adivinhas:
1-Para o Urso Polar (pular).
2-Porque a mulher não prestava p'a nada.
3-Porque matou a sede.
4-Com vento.

Bom fim-de-semana.

bea disse...

Ora ainda bem que cheguei e já as adivinhas estavam resolvidas. Porque não sabia nem uma solução. Mas era capaz de inventar umas parvidades se estivesse para aí virada.

A UJM é sempre uma surpresa. E tem dificuldade em resolver coisas fáceis, como eu e provavelmente mais gente. O pior é que, no meu caso, também não sei resolver as difíceis. Não sou grande coisa em resoluções. Farto-me de pensar, mas ainda não compreendi que hipotéticos indicadores as fazem acreditar que sim.
Tenha uma boa noite de sono que eu vou de imediato ligar o turbo.