segunda-feira, março 09, 2026

Embora hoje já não seja Dia da Mulher, aqui fica uma análise muito inteligente feito por uma mulher inteligente a propósito de duas mulheres, uma inteligente e outra que talvez também seja

 

Não dou uma casca de caracol furada pelo chamado Dia da Mulher. Não faz sentido haver um dia da mulher. Dizer vacuidades ou verdades requentadas ou repisar no que já toda a gente sabe não acrescenta um pelinho ao assunto. E em vez de pelinho ficava bem era outra palavra menos mimosa mas, como este é um lugar que se quer bem frequentado, vou manter o vocabulário devidamente decantado.

Por exemplo, ao ver como Teresa Morais tentou pôr os arruaceiros do Chega na ordem, pensei que fez mais sobre os direitos e a força das mulheres do que muitos discursos ou manifestações apregoando palavras regurgitadas e mil vezes remastigadas. Mostrou, na prática, quão mais destemidas e frontais e capazes são muitas mulheres do que muitos cacafónicos homens. 

Tinha pensado o mesmo quando, o ano passado ouvi o discurso do 10 de junho da Lídia Jorge. 

Uma mulher de fibra é sempre um monumento. Há vários exemplos disso. Por exemplo, nos Estados Unidos várias mulheres se têm levantado, corajosamente, para defender as suas ideias, a sua interpretação do que é a democracia e a lei e a ordem contra a ignorância e a malvadez dos esbirros de Trump. Liz Oyer é uma delas. 

Mas hoje trago aqui um vídeo em que Joanna Coles, a cujas conversas gosto sempre de assistir, fala de duas mulheres: Melania Trump e Hillary Clinton. Uma análise interessante, um vocabulário inteligente, sobre duas mulheres muito diferentes mas que, na realidade, partilham qualquer coisa de desconfortável. 

A coisa devastadora que Hillary Clinton e Melania Trump têm em comum | Vídeo de Opinião

Numa semana surreal de teatro político, Melania Trump subiu ao palco das Nações Unidas para proferir um discurso sobre paz, crianças e a promessa da inteligência artificial, apenas alguns dias depois de Donald Trump ter ordenado um ataque contra o Irão. Entretanto, Hillary Clinton compareceu perante a Comissão de Supervisão da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, negando com firmeza qualquer ligação a Jeffrey Epstein, mesmo enquanto a longa sombra das ligações de Bill Clinton a Epstein continua a pairar. O resultado pareceu um erro de guião: Clinton, defensora ao longo da vida dos direitos das mulheres, a responder a perguntas sobre Epstein, enquanto Melania, que circulava no mesmo mundo social de elite que Epstein cultivava, dava lições de paz a líderes mundiais. Por baixo do espetáculo encontra-se uma verdade familiar da vida política: ambas as mulheres, de formas muito diferentes, continuam a encontrar-se em palco a encobrir os seus maridos


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