Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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segunda-feira, julho 30, 2018

Coisas complicadas como a vida da gente.
Coisas simples como limpar a casa em poucos minutos.




Eu gostava de ser capaz de escrever aforismos que me ensinassem as coisas importantes da vida. Em vez disso, escrevo lençóis que não me ensinam nada.

Devia saber destilar as frases, encontrar a essência das palavras. Mas não sei. Em vez disso entreteço longas meadas de coisa nenhuma.


Também gostava de perceber o que os outros tramam sobre a minha vida mas, em vez disso, não presto atenção e estou sempre a ser surpreendida. Eu a pensar que nada e depois chego à conclusão que pensaram e repensaram e chegaram à conclusão que tinha que ser eu. E eu sempre tramada. 


E gostava de saber cavalgar as ondas, esforçando-me menos e aparentando mais. Em vez disso, luto contra a onda, atravesso a onda, enrolo-me na onda. E vejo os outros, frescs, sem mexerem uma palha, a aparecerem todos ladinos, a cavalo nelas. Espertalhões. E eu, burra, toda esfalfada, toda ensopada. Meto água.


Vivo rodeada de gente pouco inteligente que gere a sua vida de forma mais inteligente que eu. E ainda não descobri como se resolve essa curiosa equação. 


Penso às vezes: chegará o dia em que este mundo deixará de ser o meu. Terei que hibernar, deixar-me estar entre livros, entre árvores, entre bichos. No outro dia, um dos meninos disse que queria ser futebolista e ganhar muito dinheiro. A mãe disse que poderia não conseguir ser muito bom e que, assim, não ganharia muito. Ele pensou e disse: Imagina que eu ia para o Arsenal... O irmão, que ouvia a conversa, disse: Podia ser Youtuber. E eu não fui capaz de dizer nada. Não percebi aquela observação do Arsenal e quase me arrepiei com a sugestão do irmão. Coisas estranhas as que se passam à minha volta. Sinal de que os tempos são outros e que talvez eu não esteja a ser capaz de os acompanhar.


Chego a esta hora e não consigo tentar que a conversa pareça ter algum sentido. Sai como sai.

Acabei de ver a repetição do Marques Mendes na televisão. Não consegui prestar atenção. Nada do que ele diz me parece relevante. Fala de gente irrelevante e relata factos irrelevantes. A televisão está cheia de gente irrelevante. Espreito as notícias e é o mesmo. A comunicação social desligou-se do mundo real.


Mas se calhar o meu mundo é que já não é real. No outro dia, uma pessoa que conheço, já de uma certa idade, contou-me que nesse dia, à tarde, ia a um sítio. Que tinha visto no facebook e que, no dia seguinte, para surpresa dele, lhe tinham ligado a convidá-lo. Que ele não sabia o que era mas que ia ver. E estava todo animado. E eu, por dentro, só pensava: Olha que burro. Mas não disse nada porque pensei que se calhar a burra sou eu.


Mas tudo isto são coisas complicadas. Dilemas metafisicos, filosofias de pé descalço, areia a mais. E, na verdade, não chego lá. Só me apetece pensar em coisas simples. Mezinhas caseiras, truques simples e úteis, conversinhas brejeiras ou infantis. Talvez para trazerem alguma coisa fácil para a minha vida que anda tão cheia de reviravoltas e complexidades. Penso: vou transformá-las em coisas boas. Mas não sei como.

Então, entretenho-me a ver vídeos como o do post abaixo (regras de vestuário para homens e mulheres) e como este, já aqui, e aprendo imensas coisas úteis.

20 maneiras de limpar a casa em poucos minutos



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Os animais vieram até mim pela mão de Yago Partal e ao som do Lamento di Ninfa, coisa de Monteverdi [que, quando perceber onde veio parar, deve espernear a valer (lá onde estiver)]

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