segunda-feira, setembro 07, 2015

Coco dixit


Não há livros de auto-ajuda, ensinamentos à pressão, copianços do que outras fazem, instruções de intelecto-bloggers, artigos de revistas cheias de psique à mistura com publicidade ou o que se queira que faça por uma mulher aquilo que não está na natureza dela ser.

Se é do tipo embirrante, carrancuda, ensimesmada, ou, pelo contrário, flausina, pespenica, parvinha todos os dias, ou de qualquer outro género daqueles em que se topa à légua que, de certeza, não irá muito longe na forma como se relaciona (em especial, com o sexo oposto), então, por muito ensinamento, conselho ou dica que receba, nada de muito substancial haverá a fazer. Mas, enfim, sempre poderá tentar.

Eu, verdade se diga, não tenho de que me queixar no relacionamento com os outros mas longe de mim considerar-me habilitada a enunciar algum tipo de mandamentos. Contudo, há uma mulher que a sabia toda e que, pela forma assertiva como se pronunciava, deixou para a história algumas dicas preciosas. Refiro-me a Coco Chanel.

A Harper's Bazaar escolheu 14 citações mas eu, para isto não ficar muito extenso, salomonicamente passei-as a metade e os meus Caros que queiram ficar com a escola toda farão o favor de beber directamente da fonte.

Vamos lá, então, mas, já agora vamos com música do filme Coco Chanel



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14 COCO CHANEL QUOTES EVERY WOMAN SHOULD LIVE BY



Se quer ser insubstituível, seja sempre diferente


(Concordo porque não vale a pena lutar para agradar por ser bonita porque haverá alguém sempre mais bonita, nem por andar sempre muito bem vestida, porque haverá alguém sempre melhor aperaltada, nem por ser a mais divertida ou a mais galdéria, pois facilmente será ultrapassada: o segredo está mesmo em ter uma identidade única, especial)
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Uma mulher que não use perfume, não tem futuro
(Esta é questionável mas, porque não consigo sair de casa sem me perfumar, acho graça. O facto é que para mim o perfume é um vestuário invisível ou uma segunda pele. Eu não sou bem eu sem uma nuvem discreta de perfume à minha volta. Se isso tem a ver com futuro ou é generalizável não sei mas se a Coco o disse...)
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Não gaste tempo a bater numa parede, na esperança de a transformar numa porta
(Concordo. Quando vejo que uma causa está perdida, para mim perdida está. Esqueço, Sigo em frente, parto para outra. E se, por razões de - como dizer? - (talvez) noblesse oblige, não o posso fazer, então tenho que me esforçar para não demonstrar que não acredito nem um bocadinho no que continuo a fazer. A verdade é que desinvisto emocionalmente, desligo-me. Uma parede é uma parede. Se queremos que ela abra como uma porta, mais vale, de facto, procurarmos uma porta. Erros todos os cometem, mas continuar uma vida inteira a bater com a cabeça numa parede, é cobardia ou burrice.)
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Consegue-se ser fantástica aos trinta, charmosa aos quarenta e irresistível para o resto da vida
(Concordo, concordo, concordo. Posso estar a falar em defesa de causa mas, pensando em muitas mulheres que conheço, tenho que dizer que as mulheres que tenho visto mais interessantes são aquelas de quem a gente até se esquece da idade pois há nelas qualquer coisa de cativante que vem de dentro e que é intemporal, indestrutivelmente atraente)
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Desde que saiba que os homens são como crianças, então sabe tudo!
(Os meus Leitores-homens que me perdoem mas há mesmo qualquer coisa de verdade nisto. Há uma necessidade nos homens de se sentirem apreciados que os torna facilmente objecto de adulação. Elogiar, mostrar admiração, preocupação, etc, - e os homens facilmente ficam pelo beicinho. Não bastará isso para se ficar de pedra e cal no coração de um homem mas dificilmente sem isto lá se conseguirá enfiar sequer um pé)
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Usar adornos, que ciência!
Beleza, que arma!
Modéstia, que elegância!



(Pareceu-me, numa primeira vista, polémico mas, depois, concordei. Os adornos acrescentam graça, a beleza (mesmo que não a convencional) é sempre um mistério que seduz, mas nada mais desagradável do que uma mulher (ou um homem) convencido. Pelo contrário, se alguém sabe que há gente mais engraçada, mais bela, mais tudo, e, portanto, relativiza a sua própria importância e evidencia alguma modéstia, então, torna-se disponível para aceitar críticas e para admirar os outros. E isso, sim, torna uma mulher elegante elegante, distinta)
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Uma mulher que corta o cabelo está prestes a mudar de vida
(Hesitei em traduzir como o fiz, literalmente, ou em escrever que uma mulher, ao cortar o cabelo, mostra que quer mudar de vida. Talvez os homens não o percebam já que isto é difícil de explicar racionalmente. A mim sucede-me sempre isto. Se me farto de qualquer coisa e quero fazer um twist, chego a casa, ponho-me ao espelho de tesoura na mão e lá vai disto. No fim, com o cabelo mais curto, mais escadeado, com um corte diferente, sou outra - e, portanto, pronta para mudar qualquer coisa na minha vida. Vá lá a gente explicar estas nuances femininas. Da mesma forma, se vejo uma mulher que precisa de dar uma reviravolta na vida, a primeira coisa que me apetece recomendar-lhe é que corte o cabelo.)
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O curso completo pode ser visto aqui.

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domingo, setembro 06, 2015

O importante não é ser perfeito, o importante é ser inteiro


Desintoxiquei-me do meu vício do Expresso mas este sábado tive uma recaída. Quis ler o artigo sobre a situação na Ucrânia, que a agenda mediática já deixou cair e que, por motivos vários, é tema que me interessa.

E foi com uma certa saudade, tenho que confessar, que antes de me debruçar sobre esse artigo, me atirei aos cronistas que, antes, faziam com que eu, semanalmente, não prescindisse o Expresso. Destes, foi como que a medo que logo procurei José Tolentino Mendonça: ia com receio que, desta vez, não tivesse saído nada de marcante e fosse uma oportunidade desperdiçada já que nem tão cedo conto voltar a compre o jornal. Mas, thanks God, não me desiludiu - muito pelo contrário.






E se o tema da crónica me é particularmente querido, a mim que luto contra o determinismo absoluto que parece alastrar por todo o lado, como se a vida tivesse que ser uma sucessão de factos (ie, de feitos) para atingir objectivos previamente determinados...!
Como me custa que pareça encarar-se o imprevisto como um corpo maligno que deva ser extirpado ou como se o ideal fosse previamente ocupar todo o tempo e todo o espaço para que não haja lugar a acomodar situações inesperadas. 
Ou como me parece fútil que algumas pessoas se apresentem permanentemente como vítimas, como se fossem predestinadas à desventura apenas porque lhes sucedem alguns infortúnios. 
Ou como me custa ver como outras quase desprezam os que valorizam os pequenos nadas como se estes fossem mentalmente desvalidos por não se deixarem abater perante as desgraças do dia a dia.
Ou como há intolerância perante pequenas fraquezas, quase querendo condenar à fogueira do opróbrio público quem não foi capaz de se eximir a insignificantes pecadilhos, como se apenas fossem dignos de respeito os que, de tão perfeitos, se apresentem como anódinos e amorfos seres. 
Tolerância, generosidade, inclusão, disponibilidade para a surpresa dos instantes, maravilhamento: tudo isso para mim são vectores que tento que norteiem a minha vida. Talvez nem sempre o consiga mas tento-o. Humildemente, tento-o.

Durante anos e anos sentia-me estranhamente abençoada: sem doenças, oriunda de uma família saudável, de gente que vivia até tarde, eu era, até não há muito tempo uma pessoa que tinha ainda vivos não apenas os pais mas também os avós (excepto o que morreu de acidente quando eu era pequena), e todos os tios - tudo gente a respirar saúde. Depois, um a um, os avós foram indo e, surpreendentemente, até uns tios saudáveis foram desta para melhor em três tempos. Depois o cerco apertou-se e vi o meu núcleo mais estreito também ferozmente atacado. Do lado do meu marido também tem sido um vê se te avias.

No outro dia, por causa de uma outra situação triste, fui ver as fotografias do casamento da minha filha e reparei como, de lá para cá, já desapareceu tanta gente de um lado e de outro.

Fez-me impressão, por pouco não me punha a contar os que, naquele dia, riam felizes e que, agora, poucos anos decorridos, já não pertencem ao nosso mundo. Mas não contei porque pensei que, nisto, não faz sentido fazer contabilidades até porque, para ser correcta, deveria também fazer a contabilidade dos que nasceram de lá para cá.

É que, ao mesmo tempo, tanta gente que, então, não existia, hoje por aí anda saltando e rindo. Ainda há cerca de um mês nasceu mais um, desta vez mais um filho de um primo meu que já tinha idade para ter juízo - se a memória me não atraiçoa já tem uns 54 anos.

Assim é a vida.

Imprevistos, insucessos, tropeços, sustos, desgostos, ausências que nos esquartejam, mas, pelo meio, alegrias, orgulhos, ternuras, surpresas, momentos de amor e felicidade.

De cada vez que passamos por agonias, mais valor damos aos bons momentos, de cada vez que passamos por sofrimentos e que constatamos quanto é efémera a vida, mais nos apegamos à brevidade imaculada dos instantes.

E eu, de cada vez que levo um abanão, mais sinto necessidade de me encontrar disponível para me maravilhar com as pequenas coisas pois sei que pode vir o dia em que as queira ver e não consiga, em que queira andar e não possa, em que queira abraçar a vida e a sinta fugir-me entre os dedos.

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E, agora que já divaguei, transcrevo, então, uns excertos da crónica de José Tolentino Mendonça na revista E do Expresso deste sábado - e espero que tenham tanto prazer em lê-los quanto eu.




A vida sem mais


Vivemos numa sociedade dominada pelo mito do controlo. E o seu postulado dogmático é este: a receita para uma vida realizada é a capacidade que tivermos de controlá-la a 360º. Ora, não percebemos até que ponto uma mentalidade assim representa a negação do princípio de realidade.

De repente, uma ideia de vida substitui-se à própria vida. A nossa viagem passa para as mãos de um piloto, que só tem de aplicar, do modo mais maquinal que for capaz, as regras previamente estabelecidas. Os nossos sentidos adormecem. Deixa de haver lugar para a surpresa. As nossas expectativas desenham uma determinada arrumação, construímos previsões e esquemas. Mesmo insconscientemente vamos perseguindo essa espécie de guião. Uma coisa, porém tenho aprendido: é importante não condicionar o fluxo espantoso da vida e a capacidade que ela tem de nos surpreender. A nossa vida é um instante em aberto. Somos chamados a cultivá-la, sim, com a paciente humildade que um jardineiro reserva ao seu jardim. Ele trabalha de sol a sol, com todo o afinco, mas sabe que a rosa floresce sem saber como. Felizes aqueles que, em relação à vida, se alimentam do espanto interminável: esses, e só esses, sentirão a sinfonia inacabada do tempo como uma promessa. (...)


Teremos, em algum momento do caminho, de recuperar a sensibilidade à vida, à sua desconcertante simplicidade, ao seu canto frágil, às suas travessias. Por vezes, gostaríamos que a vida fosse mais redonda, mais linear, não tivesse aquele solavanco, aquela ferida, não tivesse passado por aquele estremecimento, não incluísse este contraste. Mas em nós coexiste o próprio contraste e a atitude não é mudar aquilo que não podemos mudar, mas sim compreender que isso também é um dom que somos chamados a acolher. Como ensina Jung, 'o importante não é ser perfeito, o importante é ser inteiro'.

Os pequenos triunfos dão-nos fortaleza para olhar as grandes humilhações, e as dificuldades vividas dão-nos humildade para viver os triunfos. As experiências de liberdade dão-nos a capacidade e a esperança para suportar os momentos de penumbra; e os momentos em que nos sentimos aprisionados dão-nos a resistência, a força e até o sentido de humor para vivermos os tempos de liberdade. (...)

Recorda Rainer Maria Rilke em 'Cartas a Um Jovem Poeta': 'O tempo não é uma medida, um ano não conta, dez anos não representam nada, ser pessoa não significa contar, não se trata de contar o tempo, é crescer como a árvore que não apressa a sua seiva e resiste serena aos grandes ventos da primavera sem temer que o verão possa não vir. O verão há-de vir, mas só vem para aqueles que sabem esperar tão sossegados como se tivessem diante de si a eternidade.'



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E, a propósito da simplicidade que permite amar a vida como as árvores ou os pássaros a amam, deixem que aqui coloque um vídeo muito bonito.

Manoel de Barros :: Auto-retrato falado




Vídeo do CINE POVERO

  • Manoel de Barros (1916-2014) - “Autorretrato falado” in «O Livro das Ignorãças», 1993
Voz de Manoel de Barros em «Manoel de Barros», Audio-Livro, Ed. Cidade da Luz (Coleção Poesia Falada), São Paulo, 2001
  • Música: Ryuichi Sakamoto, “António” in Rodrigo Leão, «Cinema»
  • Mistura de clips filmados pelo Cine Povero no Parque Nacional Plitvice Jezera (Croácia) com outros retirados da internet.
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A música lá em cima é Elegie in C minor, Op. 24 é de Fauré, interpretada por Jacqueline du Pré no violoncelo e por Gerald Moore no, piano

As imagens que escolhi e que mostram o mar, foram pintadas por Ivan Konstantinovich Aivazovsky (1817 – 1900) que pintou mais de 6.000 quadros, metade dos quais relativos ao mar ou a navios.
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Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo dia de domingo.

E viva a vida.
(Sem mais)

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sábado, setembro 05, 2015

Sócrates e o agradável perfume da liberdade


Vou contar: tanto quilómetro de caminhadas tenho feito que, sem me cansar ou doer o que quer que seja, me achava uma atleta. Mas a verdade é que não sou.

Sem perceber porquê, estando já sossegada junto ao computador, começou a dar-me uma dor no alto da uma das coxas que, cada vez mais forte, me começou quase a impedir de andar.

Identifico-a como uma contractura muscular. Como dava mostras de não passar, vi de entre os medicamentos que tinha, qual me parecia mais indicado. Unisedil, um valium dos mais fraquinhos, receitado uma vez para um torcicolo ou lá para o que foi, por ser um relaxante muscular.

Tomei e agora estou aqui num estado de relaxamento total, muscular e mental, que nem vos digo nada. Sono, sono, sono. Penso que estou melhor da perna mas, a bem dizer, nem me lembro já sequer de ter pernas tal o estado de sonolência total em que me encontro.

Queria falar de Sócrates, da alegria que se lhe vi no rosto, mas não consigo. 



Ao fim de quase 300 dias, Sócrates está fora da prisão e sem pulseira electrónica



Também queria perguntar se alguém me sabe explicar como é que as televisões estavam à porta de um prédio na Rua Abade Faria, sabendo a hora a que ele ia chegar, que ia para lá, sabendo inclusivamente a quem pertence a casa e por quanto a dona (a ex, Sofia Fava) o tinha comprado, e tudo isso -- mas já não consigo mostrar espanto ou ter força para fazer pontos de interrogação.


E queria saber também como é que tanta gente neste país está sempre disponível para saltar de imediato para as televisões para, em cima do acontecimento, conseguir opinar ininterruptamente ao longo de horas sobre uma coisa qualquer que aconteça no país. As televisões cheias de comentadores de toda a espécie e feitio, ora isto, ora aquilo, Sócrates e a Justiça, e a falta de provas, e o uso abusivo da prisão preventiva, e as sistemáticas fugas ao segredo de justiça -- horas, horas a fio nisto.

De resto, acho que ainda bem que soltaram o homem -- inquisição, sim (que há muitos juízos que parece que apreciam o género e, coitadinhos, pois que seja a feita a vontade deles), mas de forma tão ostensiva já parecia um bocadinho de mais, que isto de terem uma pessoa privada de liberdade durante uns 9 ou 10 meses sem que tenha, sequer, culpa formada, me parece coisa imprópria de um regime democrático normal. 

E, portanto, gostei de o ver, igual ao que sempre foi, sorridente, descontraído e só espero que agora não passe mais uma eternidade neste limbo infecto, com notícias a saírem a conta-gotas nos pasquins, antes que, alguma informação oficial e concreta, justifique aquilo por que passou e e está a passar (já que saíu da cela da prisão de Évora mas continua em prisão domiciliária).


Estou mesmo pedrada de sono, tenho a noção de que o texto está a sair desorganizado mas não consigo ter mão em mim e acordar-me o suficiente para não misturar temas.

E digo isto porque agora salto de novo para a rua em que foi feita uma espera à chegada de Sócrates à porta da casa. João Araújo, truculento e incomodado, respondeu com maus modos aos jornalistas que ali estavam a maçá-lo até mais não. Em contrapartida, o outro advogado, Pedro Delille aguentou em silêncio, estoicamente, uma jornalista que mais parecia possuída, grudada nele, perseguindo-o como um cão peganhento, daqueles que não descola, um cão ou talvez uma melga, passeio acima, colada ao homem, massacrando-o com perguntas. Talvez fosse do Correio da Manhã.


E mais não digo porque tenho receio que isto esteja pejado de gralhas e não consigo rever, tenho que ir dormir, e a ver se amanhã já me passou esta dor na perna para poder ir andar para a praia.

E daqui formulo, uma vez mais, os meus votos de que Sócrates seja inocente e para que, se isso vier a provar-se, evidenciando o estado depauperado a que toda a máquina da Justiça se encontra, algum milagre aconteça e ela (Justiça) sofra uma revolução -- porque estou farta da prepotência sem escrutínio desta Justiça que, pelo que se tem visto, faz e desfaz a seu bel-prazer.

E por aqui me fico.


Ah, antes de me ir: ouço a papagaiada toda na televisão a dizer que Sócrates fora da prisão vai prejudicar o PS nas eleições. Não percebo. Aliás, mesmo que tente perceber, não alcanço. Prejudicar? Porquê? Acho que muito pelo contrário. Mais depressa vejo que beneficie do que prejudique. Assim os socialistas não se armem em copinhos de leite, virgenzinhas atarantadas. 



Bom sábado, meus Caros Leitores, e sejam felizes, ok?

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Puxo aqui para o post o comentário do Leitor ECD por me parecer especialmente oportuno:


Este dois "pormenores", passadas as emoções, não podem passar despercebidos:

1- "No comunicado, assinado pela presidente do Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa, Amélia Almeida, fica ainda claro que Rosário Teixeira não apresentou “factos novos”, face à reapreciação [da medida de coacção a que estava sujeito Sócrates] efectuada em 9 de Junho de 2015, pelo que foi julgado desnecessário ouvir o arguido”. A Procuradoria-Geral da República salientou, porém, numa nota à comunicação social que “neste período foram ouvidas cerca de dez pessoas e realizadas mais de 30 diligências de buscas”. Aliás, acrescentou ainda que “o Ministério Público promoveu a alteração da medida de coacção por considerar que, face à prova reunida desde a última reapreciação, se mostra reforçada a consolidação dos indícios”.

http://www.publico.pt/sociedade/noticia/socrates-libertado-1706903?page=-1


2- "Os procuradores e o juiz Carlos Alexandre não querem que se conheça o acórdão de Rui Rangel. Iremos ver esse acórdão? Se sim, estou pronta a retirar o que disse."

http://aspirinab.com/penelope/primeira-explicacao-para-a-libertacao-de-socrates-hoje-dia-4/


PS: Já agora continuo a rever-me, no essencial, no "enquadramento" que fiz em Novembro da prisão de Sócrates. Com o apoio dos inevitáveis patetas úteis (internos e externos) a direita e a extrema direita controlam, no mínimo, as "agendas" das policias e da justiça. Paulo Rangel tem razões para congratular-se: as policias e a justiça estão de novo na "nossa" (deles) onda.


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Lugares a não perder em Lisboa segundo a Vogue francesa


Uma vez mais o site de um magazine de culto, a Vogue, divulga, em primeira página, as maravilhas de Lisboa. Não vou aqui mostrar tudo pois remeterei para o próprio site mas escolho uns quantos lugares de eleição.

As moradas de Lisboa a não perder 


1.


Albergue de juventude em versão luxo: The Independente


Tem aos comandos três irmãos globe-trotters, O The Independente funciona segundo os princípios de um albergue de juventude mas com o conforto de um hotel de luxo. Ultra colorido, decorado com móveis Art Déco tem camaratas para 6 a 12 pessoas mas também suites privadas que dão para o jardim São Pedro Alcântara. E mais? O restaurante eco-amigável e um bar de cocktails. É o CG da fauna festiva lisboeta.

R. São Pedro de Alcântara 81.

2.


Um novo hotel: Hotel Valverde em Lisboa


Desenhado pela dupla de decoradores José Pedro Vieira e Digo Rosa Lã, o Hotel Valverde situa-se em plena Avenida da Liberdade. Passadas as portas, os visitantes entram num imóvel do século XIX dotado de um pátio verdejante, com uma piscina turquesa rodeada de fetos gigantes. Em volta desta parte central tropical desenvolvem-se os quartos que têm uma decoração sofisticada, qualquer coisa entre uma casa colonial ortuguesa e um hotel particular dos anos sessenta. Foi o costureiro Filipe Oliveira Baptista que desenhou o vestuário do pessoal. É sem dúvida uma morada de charme que congrega o melhor da arte de viver portuguesa. 

Já antes, no desconhecimento, aqui tinha falado neste hotel e depois voltei a falar, babada, quando o meu filho me disse que tinha mão dele, a nível de projecto na vertente técnica, de processo reconstrutivo.

Avenida da Liberdade, 164

3.


Um hotel mítico: Palácio Belmonte


O Palácio Belmonte apenas é palácio de nome. Antiga propriedade do Conde Belmonte, o edifício tem cerca de 500 anos situa-se na parte idade da cidade, permitindo estender o olhar ao longo do Tejo: Não tem televisão nem outros gadjets electrónicos mas tem uma piscina de mármore negro e objectos preciosos chineses recolhidos nos quatro cantos do mundo. É ainda uma maravilha para os amantes de azulejos já que as suas paredes estão cobertas de azulejaria.

Fica no Pátio de Dom Fradique 14, 1

4.


Uma tasca para almoçar : O Prego da Peixaria


Por detrás d' O Prego da Peixaria esconde-se um conceito bastante banal. Se do exterior este pequeno restaurante da periferia do Bairro Alto, parece-se com os clássicos com o seu grande bar de madeira e mesas cobertas de azulejos, já no interior, nos pratos, pratica-se outra dança. Conduzido pelo antigo chef da Embaixada do Japão. as especialidades da casa são sandwiches inventivas, misturando diferentes influências culinárias entre o oriente e o ocidente. Confeccionadas a partir de pães coloridos (aromatizados com tomate com curry  ( tinta com choco, etc) estes neo-burgueres são guarnecidos com fatias de carnes (de vaca, carne picada) ou com peixes (camarão marinado, sardinhas, bacalhau). A experimentar.

Rua da Escola Politécnica, 40.
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Para poderem ver os outros locais de ouro em Lisboa, cliquem por favor, aqui. Noto que, a nível de praias, é uma das praias da Costa que é recomendada, a Riviera.

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sexta-feira, setembro 04, 2015

"Choro, logo sou bom"...? Não, Maçães, tu nunca és bom. Não percas tempo com isto, ó Maçães. Mantém-te entretido no twitter com coisas mais à medida da tua fraca cabeça. E desaparece-me da vista, se faz favor, vai brincar para outro lado, onde não envergonhes os portugueses. Ou, então, olha para o que aqui compilei para tu veres, ó Maçães, Senhor Secretário de Estado dos Assuntos Europeus.


E agora já vêem o que se está a passar?



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Maçães partilha artigo que desvaloriza emoção com foto de criança morta



O secretário de Estado Bruno Maçães, dos Assuntos Europeus, partilhou hoje no Twitter um texto da revista britânica Spectator que trata como "pornografia moral" a difusão viral da foto de uma criança síria que surgiu morta numa praia turca.


Com o título "Choro, logo sou bom", Maçães partilha no seu Twitter um tweet com o link de um artigo de Brendan O'Neill intitulado "Partilhar uma foto de uma criança síria morta não é compaixão, é narcisismo".

No artigo, O'Neill desvaloriza a autenticidade de quem mostrou emoção com o caso partilhando de forma viral a fotografia - que hoje fez cobriu as capas dos jornais pelo mundo inteiro.

(Daqui)
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"Os meus filhos escorregaram-me das mãos", diz o pai de Aylan e Galip. 



Família síria tinha feito pedido de asilo ao Canadá, que fora rejeitado. Mas saiu da Turquia numa tentativa desesperada de chegar ao outro lado do Atlântico.


A Europa era só um ponto de passagem, mas Aylan e Galip Kurdi, de três e cinco anos, nunca vão chegar ao destino. Os dois meninos curdos morreram ontem, quarta-feira, com a mãe, num naufrágio no mar Egeu, quanto tentavam chegar à Grécia. A imagem do corpo de Aylan na areia de uma praia da Turquia tornou-se o símbolo mais recente da crise dos refugiados da Europa. Mas o destino era o Canadá, do outro lado do Atlântico, onde os esperava uma tia.

O pedido de asilo tinha sido rejeitado, mas a família saiu da Turquia numa tentativa desesperada de chegar ao outro lado do Atlântico. Só o pai, Abdullah, sobreviveu. E tudo o que quer agora é voltar a casa, em Kobane, para enterrar a família.

O pai de Aylan e Galip à saída da casa mortuária
onde estão os corpos dos filhos
"Os meus filhos escorregaram-me das mãos", disse Abdullah à agência noticiosa turca Dogan. "Tínhamos coletes salva-vidas, mas o barco virou-se subitamente, porque as pessoas se levantaram. Segurei a mão da minha mulher, mas os meus filhos escorregaram-me das mãos", explicou o pai de Aylan e Galip. Segundo o The Guardian, o comandante do barco entrou em pânico devido à força das ondas e saltou da embarcação para o mar, deixando Abdullah no comando. 

Depois de o barco virar, o sírio ainda conseguiu segurar nos braços a mulher e os filhos, que já estavam mortos.


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"Não queremos ir para a Europa. Só queremos que parem a guerra na Síria"



Refugiado sírio de 13 anos tem uma mensagem para os europeus.


Kinan Masalmeh tem 13 anos e é refugiado. Chegou à Europa com a sua irmã e, quando foi interpelado pela Al Jazeera sobre a mensagem que tinha para os europeus, não hesitou. "A minha mensagem é: ajudem a Síria. Os sírios precisam de ajuda agora", disse. "Nós não queremos vir para a Europa. Só queremos que parem a guerra na Síria".

(Daqui)
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Licença para matar


Ainda a leveza da consciência europeia


Em 2011, a Alemanha exportou 5,4 milhões de euros em armamento, dos quais 2,3 mil milhões para países do chamado terceiro-mundo (Infografia: Der Spiegel)


«Duas opções restam à indústria de armas alemã, com os seus 80.000 empregos: ou se reduz, com a diminuição da procura, ou desenvolve novos mercados. Mas acontece que esses mercados são em regiões do mundo onde os ditadores estão em guerra uns com os outros, regimes religiosos financiam terroristas ou autocratas usam a violência para suprimir os seus próprios povos. Os mercados em maior crescimento estão no Médio Oriente e nas economias emergentes do Sudoeste Asiático ou da América do Sul.»

[Fonte: Der Spiegel, 3 de dezembro de 2012]

O resultado de tal estratégia de desenvolvimento de novos mercados é o que está à vista.


(Daqui. E, se me permitem, vejam também aqui - pois nos factos aqui referidos está, em parte, o fundo da questão)

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NB

E quem diz Maçães diz qualquer um dos outros que têm contribuído para que a Europa seja o bordel que é hoje, contribuindo para espalhar o mal por esse mundo fora.
(Maçães é apenas uma caricatura maior, uma coisa ao nível do absurdo, e ilustra bem o que são as criaturas ineptas que opinam, decidem, empatam, atrapalham e dão cabo da Europa e da vida de muita gente por esse mundo fora)
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A imagem que encabeça este post tal como a que o fecha fazem parte de uma série na qual artistas de todo o mundo reagem à dolorosa imagem de Aylan Kurdin, o menino morto na praia que não me sai da cabeça, um menino que saíu de casa todo arranjadinho para ir em busca de um futuro melhor. 

Estas imagens podem ser vistas no Bored Panda.




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quinta-feira, setembro 03, 2015

Emoções fortes e poucas palavras


Tenho que dizer que hoje sinto-me sem palavras. Pode ser que, daqui a nada, já tenha conseguido superar este bloqueio que agora sinto. 

O dia começou-me feliz, uma grande notícia: as TACs já tinham revelado que os órgãos circundantes não estavam metastizados mas depois ficámos a saber que a coisa podia não ser assim tão simples. Só a análise aos gânglios que estão em volta da metade do órgão que foi extraída poderia revelar se estavam ou não afectados, o que indicaria o grau de desenvolvimento do carcinoma. Ora a análise veio negativa. Felizmente (mil vezes felizmente!) o mal estava mesmo confinado e tudo veio cá para fora. Nem quimioterapia vai ser precisa, mesmo na forma minimalista que estaria vagamente em hipótese (comprimidos tomados em casa). A alegria com a notícia foi mais que muita e quem há cerca de 15 dias estava numa cirurgia complexa hoje de tarde riu e bailou de alegria (e isto de bailar não é eufemismo - é mesmo verdade). Eu ainda disse: a ver se as partes que foram coladas não se descolam para aí... Mas que não, que também não estava aos saltos... Sendo assim, vá de bailar, pois então. Uma alegria e um alívio sem tamanho.

Por isso, susto para trás das costas.

Só que depois, de tarde, vi uma fotografia que me deixou de rastos. De rastos.

Há pouco recebi por mail fotografias de dois dos meus pimentinhas, felizes, de passeio pelo Minho, a tomarem banho de rio, a andarem de pónei, às cavalitas do pai. Riem, despreocupados, inocentes. E assim deve ser. E assim deve ser para todas as crianças do mundo.


Por isso, estou sem palavras, triste, triste, esmagada pela infelicidade maior para a humanidade que é termos o mundo a gerar situações destas. Um mundo assim é um mundo que não está a saber cuidar de si nem dos seus. Somos todos culpados de uma desgraça destas. 

Por isso, a menos que daqui a nada consiga afastar de mim esta angústia que me esmaga as palavras, agora fico-me por algumas fotografias feitas hoje. 


Num mundo normal, imagens destas, de um cão de água, radiante, a banhar-se na praia, não teria nada de mais.
O mundo fez-se para acolher todos, pessoas, animais.


Pena que este não seja um mundo normal e que, ao mesmo tempo que um cão brinca na praia, noutros lugares, crianças estejam a dar à costa.




Este ano temos visto vários árabes ou russos, nacionalidades que não eram comuns por estas bandas.
Por cá, a paisagem é tranquila, bonita, acolhedora.

Presumo que estes novos turistas estejam a fugir das cidades do sul que antes eram de veraneio e que agora são de imigrantes esfomeados pelas ruas e pessoas mortas nos areais.

Os veleiros sempre me atraíram. 
No entanto, nunca entrei em nenhum e duvido que alguma vez entre. 
Penso que deve ser uma canseira e provavelmente, volta e meia, quase morreria de medo, com medo de cair à água e levar com o barco em cima.
Mas, vistos de fora, os seus movimentos parecem-me um bailado feliz.

Por aqui os vejo a cruzarem o horizonte ou a deslizarem pelos seus limites, vogando entre azuis.

E penso nos outros, nos pobres, pobres, infelizes, que se metem em barcos sem condições e, no mar, perdem a vida ou vêem morrer os que lhes são queridos.


Ontem desejei felicidades à noiva e que tivesse muitos gaivotinhos. 
Acho que os meus votos já produziram efeito. Hoje lá andavam 3 gaivotinhos pelo areal. 
Estava vento ao fim da tarde e eles viraram costas ao mar, tentavam abrigar-se. 
Um pouco mais longe a mãe observava-os.

Até as gaivotas, por aqui, conseguem proteger os seus filhos.
Coitadas das infelizes pessoas que, tentando proteger os seus filhos da guerra e da miséria os entregam ao sepulcro do mar.
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[De Arvo Pärt: Berliner Messe VII Agnus Dei - Elora Festival Orchestra & Singers]

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Volto aqui uma hora depois de ter escrito o que acabaram de ler para dizer que hoje me fico mesmo por aqui. 

Tinha alguma vontade de falar na carta de Francisco, o Papa, ao querer o perdão para todos os pecados. 


Eu, que sou tão avessa a isto da culpa e do pecado e que sou tão dada a perdoar, a esquecer, fiquei contente com mais esta imprevisibilidade deste homem tão generoso, tão tolerante, tão inclusivo. Mas eu sou dada a perdoar tudo excepto aquilo que é feito por uns poucos contra muitos, por governantes a soldo contra um país inteiro, por exemplo. 
Mas nem é que queira mal às pessoas, quero é que sejam afastadas de lugares ou cargos onde possam prejudicar os outros. Por isso, não sou defensora de qualquer tipo de violência contra políticos estúpidos, gananciosos, relapsos ou simplesmente ignorantes ou incompetentes: sou defensora, sim, é que levem uma banhada nas eleições, que sejam varridos da história.

Mas penso em quem criou ou fomentou situações como as que assolam países como a Síria, a Líbia ou outros de onde fogem estas gentes todas, penso nos assassinos que, com o caminho livre, se arvoram em estadistas e destroem pessoas, monumentos, história, penso em todos os políticos de meia tigela, burocratas insensíveis e bem pagos, bruxelistas da treta, gentinha desqualificada que por aí anda emproada enquanto se assiste a estas centenas ou milhares de pessoas que morrem afogadas, asfixiadas, cansadas na beira da estrada, penso no menino morto na praia e nos outros meninos e em todos, em todos, e fico angustiada -- perdoar-lhes, Papa? 

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela quinta-feira. 
Tentem ser felizes, apesar de tudo, está bem?

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quarta-feira, setembro 02, 2015

如果谁在权力的新自由主义者是怪胎的出现,不仅给大按钮和法国谁不能:告诉导致所有的阻力和价格平衡中国。新银行为复星?该Mijona葡萄价格是多少?怎样的惊喜?我甚至出售前BES到中国谁拥有商店旁边给我(他们卖法蒂玛我们的女士们用霓虹灯和小曲儿pimba)并不让我感到吃惊。


Este é o terceiro post de hoje e é mesmo só porque não pode deixar de ser já que, depois de um casamento no areal e de 3 vídeos sedutores, falar disto não era, de certeza, o que mais me apetecia. Mas, enfim, tem que ser - e já se sabe que o que tem que ser tem muita força.


Para quem ainda não saiba chinês - o que me parece lamentável uma vez que, a esta hora, já toda a gente deveria ter interiorizado que o chinês está prestes a ser a língua oficial portuguesa - eu vou ao google translator e traduzo o título deste post
Se os neoliberais que estão no poder anormal aparece, não só para grandes botões e França, que não pode: diga porque toda a resistência e equilíbrio de preços China. O novo banco é Fosun? O preço de uva Mijona? Que tipo de surpresa? Eu mesmo vendido para a China antes do BES que possui a loja perto de mim (que vendem Fátima nossas senhoras com luzes de néon e um pouco de música pimba) não me surpreende.

Parece um bocado macarrónico mas acho que a Pinókia Marilú, o Láparo e o seu ajudante Carlos Costa percebem. Para já, nenhum deles me parece especialmente dotado em matéria linguístico-gramatical - mais pontapé no português, menos pontapé, para eles é tudo igual ao litro. Isso e dizer uma coisa e o seu contrário - especializaram-se em gozar com os portugueses, quanto mais gozam mais têm vontade de gozar e, por isso, todos os dias gozam um bocadinho mais. 

Para eles, decoro, ética, respeito pelos portugueses, sentido de Estado, respeito pela soberania, etc e tal, é tudo conversa mole (e, na turminha do láparo, já sabemos, é tudo gente musculada). Princípios morais ou éticos, raciocínios elaborados que metam estratégia a médio e longo prazo ou coisas dessas que metam cálculos aritméticos ou respeito pelos portugueses é matéria que lhes é estranha, é muita areia para a pequena camioneta deles. Querem é despachar o país, passar tudo a patacos, depressa. Tem sido com tudo, com a electricidade, com os correios, com seguradoras, com aeroportos, com transportes públicos, com tudo o que mexe. 


Infelizmente para eles, nem tudo corre bem.

No caso do BES - para o qual o governo e o Carlos Costa do Banco de Portugal arranjaram a solução mais obnóxia que se poderia imaginar - agora estão de aflitos, de calças na mão, a verem que, se não o vendem rapidamente, o défice vai para valores escandalosos. E isso é que não, ó caraças, que lhes dava cabo da estratégia eleitoral, toda a gente ficava a ver clarinho como água que andaram a fazer porcaria para nada, que a austeridade só serviu para aumentar a dívida e que reduzir o défice é o reduzes. E que andaram a dizer que a solução estapafúrdia do banco mau e do banco bom não sobrecarregava os contribuintes e que, afinal, ainda pode ir mesmo sobrecarregar. Ou seja, vá de arranjar maneira de varrer tudo a correr para debaixo do tapete.





E, portanto, vai daí, puseram-se a apregoar que o Novo Banco é para despachar em três tempos, que vendem por qualquer preço. Poder-se-ia dizer que são pouco inteligentes, que vender assim é a pior forma de vender -- mas já todos ultrapassámos a fase de os achar pouco inteligentes: são, de facto, pouco inteligentes, sim, mas são espertos, do tipo 'chicos-espertos', e são descarados, amorais, gente da pior espécie. Perigosos. Fazem o que fazem e não sentem remorsos, farão pior no dia seguinte, assim o possam.



Os da Fosun compram as coisas com o pêlo do cão, investem com o dinheiro dos clientes, as contas apresentam rácios perigosos, mandaria a prudência que não se lhes vendesse mais nada na área financeira...? Pois. Tudo verdade. 


Mas o Governo do Láparo não está nem aí. Pruridos não é com eles. Só lhes falta vender a Igreja mas isso é porque ainda não se lembraram de tal coisa. Um dia destes, deitam-lhe o dente, Igreja Má para um lado, Igreja Boa para outro e uns chineses, brasileiros ou ciganos que por aí passem numa carrinha que comprem tudo o que quiserem, Cristo-Rei, Fátima com Capelinha das Aparições incluida, Sés de todo o País, Conventos, tudo, e com bispos e padres lá dentro e tudo. "Anda cá que és meu" - é o lema da turma do láparo que não descansam enquanto não venderem ao desbarato tudo o que era português. O vice-irrevogável bem o diz: vende tudo, como o Oliveira da Figueira.

Uma pouca vergonha. E uma desgraça termos um presidente como o tal das cagarras que assiste a toda a espécie de desmandos do governo sem um pio, 

Só espero que, na hora de votar, os portugueses pensem bem em tudo isto porque errar todos erram mas errar duas vezes de seguida, depois das consequências estarem bem à vista, acho eu que só os distraídos e destituídos o fazem.



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Notas 

1. Ilustrei este post com imagens dos lesados do BES para que não nos esqueçamos que a manobra engendrada por um bando de experimentalistas irracionais e levada a cabo num fim-de-semana, com legislação aprovada às três pancadas, causou danos colaterais que o sistema bancário não tem querido encarar de frente: um banco auditado, inspeccionado e louvado como exemplar (inclusivamente pelo tal Costa do Bdp, pela ministra Marilú, pelo seu chefe Láparo e pelo presidente das cagarras) estava afinal doente e a cura passou por despojar das suas poupanças os que tinham ido ao engano -- e agora, segundo estes mesmos, azarinho para eles.


2. Caso tenham achado estranho o texto em português que resulta da tradução do título da mensagem, informo que o que eu comecei por escrever antes de traduzir para chinês e depois retroverter o obtido para português, foi o seguinte:

Quando os neoliberais que estão no poder são do mais totó que há, só não se abotoa à grande e à francesa quem não puder: que o digam os chineses que levam tudo de arrasto e a preço de saldo. O Novo Banco para a Fosun? A preço de uva mijona? Qual o espanto? Eu mesmo que vendessem o ex-BES aos chineses que têm uma loja ao pé de mim (onde vendem Nossas Senhoras de Fátima com luz néon e uma musiquinha pimba) não me admirava.
O Google Translator continua a ser aquela máquina... São quase tão trapalhões como os PàFs. Mas, atenção!, o google não vai a votos e os PàFs vão.

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Permitam que relembre: abaixo há mais dois posts e são bem mais levezinhos.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela quarta-feira. 

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Casamento no areal


Depois de, no post abaixo, ter mostrado três vídeos com imagens muito agradáveis, imagens de sedução e leveza, aqui permito-me continuar num registo de rêverie ainda estival. Já estamos em Setembro, o verão já se vai disfarçando de outono, apresenta-se ameno e hesitante, mas eu estou de férias a sul e os dedos, ao escreverem, pedem-me remanso.
Enquanto escrevo, estou a ouvir a televisão e tantos assuntos chamam por mim. Mas eu faço-me rogada, não quero sujar as mãos quando as tenho tão lavadas da água do mar.

Por isso, deixem que vos conte. Um casamento na praia.

Sobre um tapete líquido e brilhante, chega um barco elegante. Traz os convidados.






No areal desenhou-se uma via láctea feita de conchinhas, pedrinhas, pontinhos brancos. A cidade ao fundo, do outro lado do mar, quase parece um cenário insignificante. O relevante agora será que convidados e noivos percorram os caminhos de luz que o mar formou no areal. 




Os convidados espalharam, então, pelo areal presentes valiosos, peças de madre-pérola, conchas de cores requintadas e brilhos igualmente sofisticados. Depois da cerimónia, os noivos recolhê-los-ão e os que sobrarem serão recolhidos pelo mar.




Perto do altar já se encontra o bouquet esperando que a noiva o tome e com ele se apresente junto do noivo. É bonito o bouquet, tem as cores claras que as flores de noivar sempre devem ter e tem sombras descendentes como folhas caídas, o que lhe dá uma beleza quase mágica.




Mais perto do altar o chão está coberto de conchas que simulam pétalas brancas, talvez sejam de flor de laranjeira, virginais confettis que acolherão a passagem da noiva. Certamente foram as damas de honor que decoraram o caminho que a noiva vai percorrer.




E então ela chega. Orgulhosa, de branco, tímida na forma de olhar, elegante na passada. E eu quero que ela seja muito feliz e que tenha muitos gaivotinhos. 



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Nathalie Valev de Barès da Vaganova Ballet Academy dança Les Sylphides de Chopin

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E desçam, por favor, para verem brincadeiras e joguinhos de sedução para este outono de 2015.

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'Apanha-me, se puderes', diz Emilie Fouilloux, a mulher de vermelho. Nem pó, responde Johnny Depp, o 'Sauvage'. Que nunca foi tímida, confessa a Dior Addicted Jennifer Lawrence.


Pode ser uma mulher a correr em Paris, pode ser a sedução em vermelho, pode ser o anúncio da marca Tara Jarmon ou ser a moda outono/inverno 2015, pode ser o que quiserem. Eu gosto. Tivesse eu a idade, a altura e corpinho da Emilie e a ver se não me haviam de ver por aí a correr como ela pelas ruas de Paris ou de Lisboa.




E ele é aquele bad guy por quem as mulheres não conseguem deixar de ter um fraquinho. E o perfume é bem bom. Pelo menos o Eau Sauvage que eu conheço é-o. Aposto que qualquer homem perfumado com Sauvage fica tão sedutor como o Johnny Depp.

(Contudo, o perfume de homem que eu considero mesmo, mesmo, irresistível é o que o meu marido usa desde há anos, o Acqua di Giò; mas tenho ideia que já usou o Eau Sauvage. Ele diz que não se lembra mas eu acho que sim)




Contudo, para que os sedutores não tenham a vida muito facilitada, nada como uma mulher se apresentar devidamente armada. Por exemplo, um baton parece-me uma boa opção: é sabido que o ataque é a melhor defesa.

Jennifer Lawrence explica como é. 



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Disclaimer: Infelizmente não tenho participação em nenhuma das empresas referidas neste post.

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terça-feira, setembro 01, 2015

O mar e as memórias, a sul






Por uns dias, rumámos a sul. No meio de consultas médicas, afazeres e algumas canseiras, o apelo do sul é forte. Cá estamos. Aqui voltamos sempre. O mar a sul nestes dias dourados tem um azul intenso, absolutamente atraente. A aragem amena tem o tempo todo em suspenso, as gaivotas esperam o cair do sol para iniciar os seus largos voos e eu, na varanda, olhos cheios de mar, espero que elas cheguem, cruzando o espaço luminoso, afável. Leio um livro mas, de facto, não leio, apenas quero que um livro me acompanhe pois parece que me sinto mais eu, assim, sentindo o vagar com um livro nas mãos. O livro é 'O mar' de John Banville mas ainda mal passei das primeiras páginas.

Há turistas a rodos, gente e mais gente, o comércio local agradece e a economia, certamente, leva um pequeno pontapé para cima -- mas para quem, como eu, prefere, nestas situações, o sossego e o silêncio, é gente a mais. Mas queiramos nós afastar-nos um pouco ou escolher as horas de maior acalmia, e conseguimos ter o prazer sereno do amor a sul só para nós.




Desde pequena que venho para o Algarve, pelo menos no verão.

Íamos para Faro, e visitávamos as primas de Faro, primas do lado da minha mãe, e lembro-me de umas casas grandes numa rua central, lembro as casas como iguais, com um grande corredor a meio e janelas altas, com portadas de madeira, que davam para a rua principal e os tectos eram altos, trabalhados. E deviam ter as portadas quase fechadas ou os cortinados corridos porque me lembro da penumbra que sempre havia. E eu chegava e aquilo era cerimonioso (a minha mãe dizia que as primas eram umas vaidosas; aliás tenho ideia que ela e os meus tios diziam isso dos algarvios, em geral) mas, logo, passado um pouco -- especialmente quando ia também o meu tio, irmão da minha mãe, que era muito alto, muito alegre, tinha um vozeirão bem disposto, e a mulher dele, a minha tia querida que era uma divertida, amiga da farra -- o ambiente animava-se e, por fim, já era uma alegria. E, na despedida, elas combinavam retribuir a visita mas tenho ideia que nunca saíam dali, não me lembro de que alguma vez tenham ido visitar-nos.

E havia família dos lados de Monchique, também dos lados da minha avó materna, e de Alte, do lado do meu avô materno que tinha morrido tinha eu uns dois ou três anos. Mas acho que já não devia morar lá família porque só lá íamos passear, ver a casa, a rua, onde antes moravam.

Tinha havido em Portimão a família do primo presidente mas, se ainda por lá havia parentes, já não seriam chegados, não me lembro de fazermos visitas por essas bandas.

E havia também, para os lados de Loulé, em vários lugares por ali, primas e tias aos montes, estes do lado do meu pai. Famílias grandes, muita gente dispersa que se juntava no verão, e as terras lembro-as secas, e figueiras, alfarrobeiras, amendoeiras a perder de vista. As casas tinham em cima um terraço onde secavam as amêndoas e as alfarrobas. E lembro-me de um compartimento interior, fresco, não sei se era perto da cozinha, onde secavam os figos. E havia as mulas para transportar os carregos e havia um ribeiro lá em baixo, no meio de árvores e terra fértil. Muitas vezes as férias eram passadas nestas casas grandes, brancas, caiadas.




Como o meu pai e o irmão, no verão, usavam o tempo para irem à praia ou visitar a família e estar com primos que vinham de França e do Canadá, a minha avó, mãe deles, assertiva e independente (mandona, diziam eles), concluíu que eles não ligavam patavina às terras, não queriam saber do azeite, de negociar as alfarrobas e as amêndoas, nem de nada dessas coisas e, então, sem passar cavaco a ninguém -- provavelmente nem ao marido, meu avô (que pouco voto tinha na matéria, face ao voluntarismo da mulher) -- vendeu as propriedades todas a uma sobrinha. Os filhos, quando souberam, ficaram para morrer, furiosos com a mãe, diziam que a prima era uma espertalhona, que tinha feito um excelente negócio, aproveitando-se da parvoíce da minha avó mas ela não quis saber, achou que tinha feito o acertado; e, de resto, já não havia nada a fazer. 

Do lado do pai do meu pai, o meu bisavô, senhor morgado, dono de muitas casas, de muitas terras e animais perdeu tudo com mulheres e com o jogo. Quando deram por ele, tinha fugido para a Venezuela ou para a Argentina, nem sei. Sobrou a casa onde morava a mulher com os filhos pequenos e uns quantos terrenos, um dos quais um que agora ninguém da família está para se dar ao trabalho de registar em seu nome. Era ali para os lados de Vale do Lobo, acho eu. Primeiro era preciso esperar que o meu bisavô tivesse nascido há mais de não sei quantos anos, para não haver dúvidas quanto ao óbito, depois era preciso fazer habilitação de herdeiros e mais não sei o quê. Ninguém fez nada, nem o meu avô, nem o meu pai nem o meu tio e, agora, nem eu nem a minha prima. De vez em quando ela diz-me, olha lá, o terreno lá do Algarve, e bom que ele é, devíamos fazer alguma coisa. E eu respondo, pois é, qualquer dia já nem sabemos onde aquilo é. E ficamos assim, Nenhuma de nós mexe uma palha, acho que nem sabemos o que fazer ou, então, é porque não temos vida para nos metermos em mais trabalhos. Mas, de facto, o que acho é que somos todos é gente desinteressada. Cá para mim já lá alguém fez uma casa e já perdemos direito àquilo. Não faço ideia - e só me estou a lembrar disto porque estou a escrever isto. Amanhã já nem me lembro outra vez de tal coisa.

Agora já não visito família nenhuma aqui no Algarve, perdi o rasto a essa gente toda. Os meus pais e tios é que davam conta de todos esses laços mas essas primas e primos e tias e tios que visitávamos já devem ter morrido e os filhos deles nem faço ideia quem sejam.

Uma vez, há unas anos, apareceu-nos uma francesa parisiense de gema, linda, elegante, talvez se chamasse Nicole, já nem me lembro bem. Sei que era mais nova que eu. Era filha de um primo do meu pai que, tendo enviuvado em novo, foi para Paris e lá casou com uma francesa e teve filhos. Essa minha prima em segundo grau disse que tinha uma irmã mais nova e mostrou-nos fotografias e era ainda mais bonita que ela. Mas, para mim, era uma estranha, simpática, mas estranha. Dantes, o meu pai dizia que eu, quando fosse a Paris, deveria ir visitar o primo João, que tenho ideia que era director numa grande empresa (a minha avó falava desse seu sobrinho com orgulho), que ele gostaria muito que conhecêssemos a sua família. Mas nunca me lembrei de tal coisa.

Para mim agora o Algarve já não é a terra dos meus avós que, novos, daqui saíram, deixando a família para trás, muito menos de primas ou tias. Para mim, e desde há muitos anos o Algarve é Lagos, Sagres, o mar azul, o calor branco, o ar limpo, o tempo vagaroso, o horizonte à vista -- uma terra pelo qual sinto um afecto especial, como se as minhas raízes se tivessem diluído neste mar.



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Convido-vos, ainda, a seguirem de viagem até ao meu Ginjal onde hoje descanso enlevada pelas palavras de Florbela Espanca ao som de Pedro Abrunhosa.
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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela terça-feira.

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