terça-feira, abril 21, 2026

Parece confirmar-se que o Seguro continua a ser o Tó Zé
-- A palavra ao meu marido --

 

Como já escrevi, votei no Seguro por opção -- mas sem convicção. 

Nas primeiras intervenções, após ser eleito, parecia que tínhamos um actor político diferente do que tinha sido quando foi líder do PS e que seria com presidente mais assertivo, com mais coragem política e com disponibilidade para, quando fosse caso disso, cortar a direito. Foi sol de pouca dura. 

Embora há muito pouco tempo no cargo, e por isso ainda poderá existir algum benefício da dúvida, as primeiras intervenções do novo presidente estão muito próximas do que foi o Tó Zé no tempo em que esteve activo na política. O que resultou da visita às regiões afectadas pelas tempestades foi uma reunião com especialistas e o alerta para a falta de um relatório. No meio, safou-se, com o alerta para a quantidade de combustível existente nos terrenos e o enorme perigo que é para a época de incêndios. Foi pouco, muito pouco, para o desacerto que tem desnorteado a actuação do governo no apoio às populações e na reconstrução do que foi destruído. 

Pior do que tudo, revelando o que é o verdadeiro Tó Zé, é a novela do apelo às negociações sobre o pacote laboral. Atravessou-se na campanha com o chumbo da lei se não houvesse acordo, e agora panicou porque pode ter que tomar uma decisão sobre uma lei que não foi aprovada na concertação social. E não vale a pena dizer que não faz pressão ou que fica feliz quando as partes se voltam a sentar à mesa para lhe fazerem um frete. Na verdade, está a pressionar a UGT sobre uma lei que tem a chancela da direita mais retrógrada, não defende os trabalhadores, não toca nos aspetos fundamentais das novas relações laborais quando a IA começa massivamente a entrar nas empresas nem se preocupa com a vida familiar de quem trabalha. Está a pressionar a UGT para dar o acordo a uma lei que inclina estupidamente as relações laborais para o lado do patronato. E pasme-se nem o patronato menos extremista está interessado nesta lei. Ainda aqui há dias, o presidente da confederação das microempresas, teoricamente as que têm menos força, vinha dizer que não precisava para nada desta reforma à legislação, e não é caso único. Portanto, Tó Zé, faço votos para que tenha evoluído e não faça já uma parte dos seus eleitores começarem a ficar arrependidos de terem votado em si. Não existe em Portugal nenhum problema que ponha em causa o desenvolvimento da economia causado pela atual legislação laboral. Esta opção do governo é apenas política e não tem nada a ver com os verdadeiros problemas do País. Era isso que o Seguro devia dizer ao governo, pressionando o Luís para ir dar uma volta ao bilhar grande juntamente com a ministra do trabalho e o representante da CIP e, durante a voltinha, atirarem a lei para o lixo. Assim, cumpriria as expectativas que depositaram em si quando o elegeram. 

Veremos, e espero que não se aplique o ditado popular: Tó Zé uma vez, Tó Zé para sempre.

3 comentários:

Anónimo disse...

A leitura que fiz das declarações do PR relativamente às negociações do “pacote laboral” também foram nesse sentido, o de estar a pressionar a UGT para se chegar à frente, e assinar o acordo que o Governo e as associações patronais lhe apresentam.
É óbvia a pressão do PR sobre a UGT uma vez que é esta Central que está a opor-se à formalização do acordo. O mais certo é que o PR não queira contrariar o Governo nesta matéria, para tanto bastaria a assinatura da UGT e o “pacote” passaria em Belém, sem reparos de maior e em conformidade com o declarado na campanha eleitoral (é a política do chico-espertismo)
Acresce, em meu entender, que o PR, se nesta matéria tivesse uma postura aberta e isenta, deveria acautelar que a negociação envolvesse todos os parceiros, independentemente do que estes pensam sobre o “pacote laboral”, e não deixar nenhum de fora, como é o caso, o que constitui um atropelo à própria democracia.
J. Carvalho

Anónimo disse...

Já que estamos aqui: o que é a CIP? O título diz Confederação da Indústria Portuguesa. Indo ao site deles vejo muita associação, bancos, o El Corte Ingles, por aí. É indústria?
Lembro-me de um comentário de há anos de um jornal europeu conhecido. A desgraça de Portugal era semelhante à da Grécia. Só tem bancos e supermercados. A maior empresa industrial por cá, diziam, é uma sucursal da Volkswagen. Na Grécia a maior empresa cotada em bolsa era a sucursal grega da Coca Cola.

E a propósito do grande industrial Armindo Monteiro: que empresas tem e em que sectores industriais?

Esteve lá um que julgo tinha uma coisa pequenina que fabricava torneiras. Nada que fosse Gröhe, isso é coisa de alemães.

Ao que leio os nossos governos passam o tempo a defender as PMEs. Provavelmente fazem mal. Melhor mesmo seria a falência de muitas para que fossem menos, de maior dimensão, com capacidade de investigação e inovação. Já tivemos. O grupo CUF, mas acabámos com ele em nome da luta contra o capital monopolista. António Champalimaud dizia-se com orgulho industrial. Agora lidem com os Monteiros.

ccastanho disse...

Arrependimento?! Antes de votar em Seguro, já estava eu arrependido. Seguro é um bluff politico. A direita pode estar sossegada que tem no PR um aliado. A quem precisa de dinheiro como pão para a boca para as suas necessidades nas zonas devastadas, Seguro, dá-lhes uma reunião com entendidos na matéria para analisar a situação. Dar caldo de galinha , a quem precisa de " Filé mignon ", é enganar as pessoas.