No exterior somos muito apologistas de iluminação solar mas andávamos com dificuldade em acertar: ou não davam a luz suficiente ou estragavam-se à primeira oportunidade. Até que vimos uns projectores na Amazon que nos pareceram promissores. E comprovou-se: até ver, acendem mesmo quando o dia está miseravelmente sombrio, detectam sempre o movimento e iluminam a longa distância.
Por isso, resolvemos adquirir mais. Isto apesar de, por dentro, sentir sempre uma ferroada: estupor do Bezos. E depois há isto, o meu lado de auto-desculpabilização: penso que não é por eu ceder uma vez, de vez em quando, que estou a contribuir para a felicidade do estupor. Por isso, perdida por cem, perdida por mil, encomendámos também um candeeiro para dentro de casa. O meu marido andava a protestar com a luz fraca na zona em que habitualmente fazemos as refeições. No tecto, mantivemos o plafond dos anteriores proprietários. É um candeeiro de cristal que já era dos pais da senhora. Ela não quis desmontá-lo pois temeu que se desmanchasse todo. Como o acho bonito e reconheço o seu valor, deixei-o ficar. Mas não ilumina muito. Para compensar, temos um candeeiro de pé alto que dá uma luz quente, acolhedora. Mas, reconheço, não ajuda extraordinariamente, em termos de intensidade luminosa. Então, pôs-se ele a tentar descobrir um que lhe parecesse adequado. E descobriu. Este que encomendámos hoje. A ver se não desilude. Depois logo digo. Ou mostro.
Para o almoço não sabíamos o que haveria de ser. Como íamos jantar fora, estávamos com preguiça em puxar pela cabeça. Então, lembrei-me de fazer uma coisa adequada à preguiça que sentia. Cozi uma batata doce daquelas cor de laranja, uma batata normal, duas cenouras pequenas, um punhado de feijões verdes e dois ovos. E, numa frigideira, caramelizei duas cebolas roxas (às rodelas finas, claro). Depois juntei-as ao conduto. Comemo-lo com sardinhas de lata. E podem crer que nos soube bem, e olhem que não estou aqui para enganar ninguém.
Saímos de casa relativamente cedo pois o meu filho, que marcou o restaurante, disse que, se não fossemos cedo, aquilo ficaria muito cheio. Mas às sete e picos já estava cheio. E, quando saímos, por volta das nove, ainda mais cheio estava. Quando chegámos já lá estavam eles e já tinham uma sugestão de pedido. Tudo para partilhar. Quando ouvi a lista pareceu-me comida para um exército. O meu marido nestas coisas acha sempre que não é demais, pensa sempre que aquele pessoal, em especial o pessoal miúdo, é de muito alimento. De resto, o pessoal miúdo também já não é tão miúdo assim. E tinha razão pois, afinal, foi tudo, não sobrou nada. As travessas chegam e quase instantaneamente ficam vazias. E eu própria comi demais. A comida era gulosa e com estas coisas de picar, petiscar, provar e tal e coisa uma pessoa parece que perde um bocado a noção dos limites. Ainda por cima tenho sempre bom apetite. Mas parece que já estou um bocado desabituada de comer muito ao jantar. Agora estou a beber um chá a ver se a digestão se faz mais facilmente pois sinto que comi demais. Quem me manda a mim ser tão lambona, caraças? Amanhã ponho-me a pão e água a ver se compenso o exagero de hoje, que não quero retroceder na forma. Hoje vesti um casaco cintado, de veludo bordeaux, de que gostava muito, mas que já tinha ficado arrumado, a modos que arquivado, no roupeiro das boas memórias. Sem grandes esperanças, antes de sair, lembrei-me de o experimentar -- e até quase me comovi quando constatei que já cabia outra vez nele e que até conseguia abotoá-lo todo, todinho. Portanto, com muita disciplina e muito sentido de abnegação, haverei de manter-me bem comportadinha, afastada dos quilinhos a mais, retomando as minhas roupinhas pré menopausa (que eu, cá para mim, o aumento de dimensões aconteceu nessa altura).
E é isto. Nada mais de declarar.
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Desejo-vos uma boa semana
Saúde, harmonia, paz e alegria
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