domingo, julho 29, 2018

Em dia de casa cheia, já que vos falo em pilhas inesgotáveis, alguém que tenha vivido os tempos do sing, sing, sing, me diz se aqueles ali tomavam drunfos ou se aquilo era o seu estado normal?


Estou aqui a ver o Versailles sem atenção nenhuma -- primeiro porque estou com um bocado de sono e, segundo, porque estou com fome.

Não que não tenha comido o suficiente: comi. Acho que comi normalmente. Mas, como sempre acontece quando estou em clima de uma certa barafunda, parece que o meu cérebro não assimila que comi ou, então, tanto é o consumo calórico que tudo o que como se transforma instantaneamente em energia que se dissipa nos interstícios não sei de quê.

Tive casa cheia, de manhã à noite. Levantei-me cedinho e, antes que chegassem, já muito estava feito.  Se não é assim, está o caldo entornado. E, mesmo assim, já vários cá estavam e já os ouvia a cirandar por todo o lado e eu na cozinha.

Portanto foi almoço, lanche e jantar. Mais um aniversário. Desde há algum tempo que os festejos são semana sim, semana sim.

Uma alegria e, pelo meio, brincadeiras, de toda a espécie, cantorias, danças, coreografias, jogos. 

Desta vez, na rua, para brincadeira, pistolas de água. O bom e o bonito. Para além das mangueiradas, desta vez esta novidade das pistoladas. Com adultos à mistura, de tocaia. E kung-fu. E futeboladas, claro: remates e defesas a preceito. E dois deles, num banco de pedra, a lerem (ambos o Diário de um Banana -- deve ser literatura viciante porque nem queriam interromper). 

E, em todo o lado, o bebé no meio. Palra e corre e sobe e desce escadas e brinca e ri e anda atrás dos crescidos, sempre enturmado, sempre participativo -- mas, como é óbvio, requer acompanhamento permanente para não ser atropelado pelos outros ou para não se magoar.

A verdade é que com tudo isto, depois de almoço -- e depois da sala de jantar e da cozinha arrumadas e enquanto a criançada estava mais aquietada, o bebé ao colo da mãe no sofá da sala da televisão e os outros não me perguntem como ou a fazer o quê -- me deu uma tal pancada que me reclinei num sofá e, imagine-se, adormeci instantaneamente. Volta e meia com algum barulho maior, acordava e tentava manter-me desperta mas logo voltava a cair no sono. Devo ter dormido quase durante uma hora. Quando acordei, o bebé dormia ao colo da mãe na outra sala e o resto do pessoal estava todo lá fora. Fez-me bem dormir. Acordei revitalizada e preparada para o segundo round. 

O tempo esteve muito agradável, um solzinho ameno, um calorzinho suave. As meninas crescidas conversaram e apanharam sol, os meninos grandes estenderam-se ao sol ou jardinaram, os meninos pequenos, detentores de pilhas inesgotáveis, brincaram ininterruptamente.

Pouco depois já estavamos (quase) todos, de novo, à volta da mesa, a lanchar, e depois tudo lá para fora, de novo, e, à noitinha, banhos e jantar. O bebé, que ainda nem ano e meio tem, já come praticamente sozinho. É uma debulhadora de fruta. A seguir ao jantar, andava a querer qualquer coisa que estava em cima da bancada da cozinha e eu não conseguia acertar. Perguntei se era pão: não. Se era bolacha: não. Se era o telemóvel: não. Já estava desnorteado comigo. Afinal, queria outra banana. Dei-a para a mão e foi um ápice enquanto a despachou. Isto depois de já ter comigo pêssego. E o pêssego a segir a carne à bolonhesa. Come tudo o que lhe dão. Mas, quando não quer mais, pára e, se insistimos, desorienta-se logo.

Quanto aos manos e primos, como diria a minha avó, benza-os Deus. Os pais têm que se zangar é para não comerem tanto. 

A seguir ao jantar, mais jogos e brincadeiras. Os rapazes queriam ir jogar à bola lá para fora mas aí já não obtiveram autorização. Ficaram-se pela sala. 

E eu fui fotografando, quer com a máquina (cento e setenta fotografias), quer com o telemóvel para ir enviando algumas à minha mãe que adoraria estar aqui no meio da família mas que não consegue afastar-se de casa durante um dia inteiro, com pena de deixar o meu pai sem ela. Bem lhe dizemos que a senhora que lá vai pode ficar com ele que ela não se deixa convencer. Então, tento mantê-la integrada no espírito da coisa, enviando-lhe fotografias que mostram o pessoal em acção.

(E digo em acção porque nunca consigo que parem sossegados, direitinhos e lindos a olhar para o passarinho. Está quieto. Mas as fotografias ficam engraçadas pois mostram como eles são na realidade).

E, estando eu a falar de maltinha cheia de energia, eis que vou ao YouTube procurar uma música que aqui fique bem enquadrada e ele, o algoritmo com super QI, me mostra, logo à cabeça, o vídeo que aqui convosco partilho. Uma gente que parece possuída, credo. Parece que estão tomados por super-poderes. Saltam, quase fazem pinos, dão cambalhotas no ar, fazem piruetas para trás e para a frente, acrobacias umas a seguir às outras. Uma coisa do além. Não sei se isto foi apenas para o filme ou se acontecia na realidade e era gente normal. Se calhar, era. Mas parece-me que gente normal (ou em estado normal) não conseguiria tais proezas. 

Ver para crer


PS: Claro está que, pelo meio, tive que interromper e ir comer uma nectarina. Estava com uma fome que não vos digo nem vos conto. E claro que a nectarina não a matou. Mas, enfim, iludiu um pouco. Agora vou-me deitar que amanhã é outro dia.

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