Estive a banhos no campo, longe da civilização, só chuva e um matagal verdejante de dar medo. Agora chego a casa, vejo a televisão e parece que aterrei num outro tempo.
Estava na TVI e, para o que era, não valia a pena mudar. A Judite, vestida com uma blusa multicolorida e com a cara pintada a sério, como se quisesse condizer com a blusa mas em dose dupla, anunciava que uma jovem em Towson, Maryland, ao estacionar no 4º andar de um silo de estacionamento, acelerou, aparentemente de marcha-atrás, e lá vai disto: parede abaixo e aí vem ela, em voo planado até pousar no passeio, felizmente um bocado em cima de um canteiro pelo que não se espatifou completamente. Talvez pela época que se atravessa, os santinhos puseram todos os transeuntes longe da pista de aterragem e, portanto, apenas a pouco habilidosa Lindsay se magoou, mas parece que apenas um bocadinho.
Não me posso rir. Acho que já o contei. Com o carrinho impecável e nas minhas mãos há pouco tempo, num parque de estacionamento quase vazio, consegui encostar-me demais a um pilar e, quando o quis tirar de lá, baralhei-me e, em vez de me afastar, aproximei-me, e mais baralhada ainda, em vez de sair de marcha atrás, não sei que cálculo mental é que fiz que saí de rompante, de frente, raspando completamente um dos lados da porcaria do carro. Quando vi o estrago, só me apetecia culpar alguém: o carro propriamente dito ou o pilar mas, já que nenhum deles me daria troco, tive que me resignar e culpar-me a mim mesma. Ainda hoje estou para perceber como fui capaz de fazer tamanha burrice.
Veja-se o vídeo do voo do 4º andar
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Vi também a Judite, ternurenta, contando que o seu Professor Marcelo tinha manifestado a intenção de se parecer com o Obama mas, para o Passos Coelho da Banca ou o Montenegro do Orçamento não virem arreganhar o dente e, em surdina, chamarem-lhe catavento, disse que não era preciso que fosse um cão d'água. Então os aviadores ofereceram-lhe um pastor alemão. E li agora, a má língua logo a funcionar, que a ausência de uma Primeira-Dama é, assim, compensada pelo Asinha.
Claro que a Judite não disse a notícia por estas exactas palavras mas apenas assimilei as gordas, ou seja, a mensagem subliminar.
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| Marcelo e o Asinha |
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A televisão talvez tenha mudado de canal, entretanto. Não sei. O que sei é que estava eu aqui a fazer esta reportagem quando olho para a televisão e vejo um que mais me parece o Fayçal Cheffou ou o Aboubakar A. ou um primo deles. Não dei conta de quem era mas cá para mim é um infiltrado na comunicação social já que se apresentava de microfone na mão.
No entanto, talvez seja apenas um jornalista com aspecto suspeito*.
Ao escrever isto, lembrei-me que uma vez fomos a Paris numa altura de ameaça de atentados e toda a gente recomendava que o meu marido, que no verão fica mais moreno que um marroquino de gema, rapasse a barba, para evitar chatices. Ele não o fez pelo que toda a gente o olhava de lado. Acho que nem andámos de metro para evitar uma fuga de passageiros aterrorizados. De resto, tenho cá para mim que foi a minha presença, o meu ar angelical, que fez com que não o prendessem.Mas vejam lá se não tenho razão.
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| Alguém sabe quem é? |
* Claro que estou a brincar, até pode ser que seja um jornalista pacifista, eu é que não prestei atenção à notícia.
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Já cá volto.
A ver se não me aparecem mais notícias malucas para eu poder entregar-me a assuntos mais relevantes ao futuro da nação.
E, entretanto, quem ainda não viu o 'Par de Sapatos' queira, por favor, descer até ao post seguinte.
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