Ouvi ontem um dirigente da CNA dizer que o ministro da agricultura tinha afirmado que as candidaturas a subsídios para ajuda na reparação dos prejuízos devido às catástrofes já estavam abertas, e afinal não estavam. Os agricultores, quando iam ao site, apenas podiam preencher uma folha de declaração de prejuízos que dizia expressamente que não era considerada candidatura a ajudas. Disse também que o ministro tinha falado em 40 milhões para ajudas e, na verdade, só estavam disponíveis 4 milhões. Desde que aconteceram as catástrofes, ouvimos o Luís dizer que as empresas se podiam candidatar ao layoff pago a 100% e a ministra do trabalho desdizer o que o Luís tinha afirmado. Também ouvimos o Luís dizer que bastava um papelito para toda a gente receber 10 mil euros para reconstruir a casa, e depois ouvimos, por exemplo, o ministro das finanças dizer que não é bem sim, que existem regras e que nem toda a gente é elegível, existem regras que têm que ser cumpridas para receberem os subsídios. O Luís também referiu montantes para apoios sociais que, aparentemente, diferem dos que vão ser entregues. Como é costume, e como sempre tenho escrito, o Luís faz a pantomina do costume, e o rigor que se lixe. O que interessa é atirar coisas bem sonantes aos jornalistas, verdadeiras ou não. Se, posteriormente, vier a perceber-se que são aproximações à verdade, a coisa já criou impacto e a malta já aplaudiu o governo. É o reinado das empresas de comunicação e do governo criativo.
Daquilo que tenho ouvido do Seguro, fico com a ideia de que o novo PR é certinho (não fosse aquela de ter virado um banco do jardim aos sete anos* e poderia escrever muito certinho), não gosta de pantominas, tem um certo amor pela ética republicana e só gosta de afirmar coisas pensadas e concretizáveis. Em resumo, o Seguro parece estar nos antípodas do Luís que não pensa e não cumpre o que anuncia seguindo apenas as orientações da comunicação e com objetivo supremo de ganhar votos.
Como é que estes dois personagens vão conviver, é para mim uma incógnita. Será que o Seguro vai por acima de tudo a tristemente célebre estabilidade ou privilegiará a verdade, o rigor e os interesses da maioria da população? Não sei, mas as intervenções que tem feito não me desiludiram, antes pelo contrário, parece que encontrámos alguém com um perfil adequado para o cargo. Parece ser sensato, empático com as pessoas (sem fazer aquelas figuras ridículas que o Marcelo faz), rigoroso e preocupado genuinamente com os problemas dos portugueses (até com as possíveis constipações dos jornalistas). As minhas expectativas eram baixas, mas, até agora o Seguro ultrapassou a fasquia. Vamos ver como enfrenta o Luís. Espero que continue neste caminho e que ponha o Luís na ordem, que bem precisa.
3 comentários:
Nem sei o nome do ministro da agricultura. Pelo que diz é homem e, usando linguagem "woke", cis também. Existe, ponto final.
Mais espantado e desiludido fiquei eu ontem com a valsa triste no Ministério do Ambiente. Ali é uma mulher, cis, e que tenho ou tinha por estar acima da média. E o que é que eu li? Que alguém nomeou um enfermeiro para as coisas da energia. Que esse alguém é ele próprio licenciado em direito e assessor parlamentar em 2010 do PSD. Que o DG Energia, escandalizado com o escândalo, é ele próprio de nomeação política, voando do ninho de cucos da IL para o ninho de cucos do PSD. E como se não chegasse ainda houve tempo para nomear um rapaz de vinte e poucos anos também para as coisas da energia sendo, por acaso, este rapaz mano do homem de mão do PM.
Isto já cheira a fim, sem que se perceba o que está à frente pois o PS está de cuecas e cuecas bem rotas.
Por analogia com o post infra a este onde respondo, o zé parvito, farta-se de bater com o toutiço e os costados no chão, e continua a atirar-se ao ar, acreditando que é desta vez que vai ser amparado, sem sequer reparar que a falha de quem o devia amparar, não é falta de força, nem jeito, nem azar, é mesmo intencional.
HÁ QUEM VIVA SEM DAR POR NADA
HÁ QUEM MORRA SEM TAL SABER José Afonso
DETESTO AS VÍTIMAS QUANDO ELAS RESPEITAM OS SEUS CARRASCOS Jean Paul Sartre
Montenegro ao contrário de Costa, desta vez, não vai passar pelos pingos da chuva. Os prejuízos são de tal modo relevantes, com uma agravante, este desastre corresponde ao tecido industrial e com mais pessoas particulares envolvidas diferente dos prejuízos agrícolas virados para um tecido social diferente, mas, tão digno como os de agora.
Este governo com este primeiro-ministro, é de uma fragilidade assustadora. Montenegro está gravemente ferido de asa com a construção da habitação pessoal -com ou sem razão, não sei-, e a questão da empresa familiar. Ainda não percebi a intenção de Seguro, -se é que tem alguma?!- em manter Montenegro para o queimar, ou se, a medo, o mantem por questão empática com a direita estando-se nas tintas para a esquerda por questões de revanche por ser o mal amado. Pessoalmente votei Seguro na 2ª, mas não voltarei a votar numa próxima.
O'Neill
https://www.youtube.com/watch?v=uQ3sIr5fEKQ&list=RDuQ3sIr5fEKQ&start_radio=1
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