Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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domingo, janeiro 13, 2019

Palavras de acalmia depois de um big vendaval





Pronto, já consegui instalar-me. Tive-os a todos cá e depois só os cinco porque os crescidos foram curtir a night e foi aquele festival de quando os cinco pimentinhas estão juntos em espaço confinado. Os quatro a fazerem wrestling, bebé incluído. No meio da confusão até deu uma dentada nas costas de um dos primos. Ela brincou aos escritórios, depois maquilhou-me, maquilhou-se. E eles depois a rebolarem em volta da big ball, bebé também incluído. Depois quiseram ir comer uvas e bolo, e isto para aí uma hora e picos depois de terem jantado.

Depois ela descobriu uma caixinha de trident e quis uma pastilha e depois todos queriam pastilhas e reivindicavam como se estivessem numa manif: pastilhas! pastilhas! pastilhas! e até o bebé gritava: pilha! pilha! pilha!

Quando os pais os vieram buscar, tarde e más horas, estavam todos espertos e prontos para continuerem a brincar.

Entretanto, as almofadas mudaram de sofá, as canetas e os lápis de cor estavam todos fora dos respectivos estojos, as cobertas dos sofás estavam meio tiradas, uma cadeira estava no chão e os brinquedos com que o bebé brincou estavam fora do cesto. Quando saem e nós vamos despedir-nos e depois reentramos em casa, é como se um furacão tivesse passado pela casa. O meu marido põe-se logo a apanhar coisas e desabafa: aqueles gajos... mas eu fico tão cansada que não consigo articular palavra.

Mas fui beber água e fiquei logo melhor.

Mas o pior não foi isso. O pior é que o touchpad de um dos computadores, um que está a dar as últimas, tinha deixado de funcionar e o do trabalho, que este fim de semana trouxe para casa, estava já sem carga e carregador viste-o. Passava da meia-noite, queria pôr-me aqui a descansar e os computadores fora de combate. Estiveram a mexer neles e fizeram este lindo serviço. O meu marido repreende-me: Deixas os putos fazerem o que querem. Fiquei furiosa: Deixo? Mas como consigo não deixar? Se ajudasses a tomar conta deles... Mas ele refila: Ai é? E quem é que punha a mesa? E quem é que levantava a mesa? E quem é que... E eu já nem o ouvi porque era verdade e não me apeteceu dar-lhe razão.

É que se ando atrás do bebé, que trepa e sobe e desce sozinho para cadeiras e tenta mexer em tomadas, ficam os outros quatro à solta. Se vou atrás de algum dos outros, não vejo o que estão os outros a fazer, em especial o bebé de quem não podemos tirar os olhos nem por um segundo.

Enquanto acabava o jantar, apareceram uns com o computador na cozinha para ficarem a fazer não sei o quê, jogos talvez. Entretanto, dei com ela, na sala, a brincar com a tia aos escritórios e depois aos médicos e a escrever no outro computador. E ouvi-a a dizer que ia guardar o carregador na mala do computador. Depois vieram dois dos rapazes a dizer que o touchpad tinha deixado de trabalhar. E dizia um: será que apanhou água...? e reparei que, de facto, havia alguma água no teclado. Percebi: não me digam que entornaram água no computador... E logo eles, com sorriso apanhado: não... E eu a ver que ali havia coisa. E o outro: só se caíu... E eu, já zangada: Olhem lá. Deixaram cair o computador? E logo o mais novo: Não, não caíu, juro que não fui eu... E os dois com sorrisinho apanhado. Fiquei mesmo arreliada: deixaram cair o computador e ainda lhe entornaram água. E agora? Fico com o computador estragado? E eles: desculpa Tá, desculpa. Não insisti. Não quis sabe quem foi, como foi. Foi; e de certeza que, o que foi, foi por acidente; portanto, ponto final. Não consigo zangar-me com eles.

Entretanto, agora pedi ao meu marido que lhe desse com o secador. E ele: Era mesmo só o que faltava, passa da meia noite e eu a dar com um secador num computador. Deu-lhe durante um ou dois minutos e foi dormir. 

Mas nada, nem pó, o rato do computador sem trabalhar e eu sem rato externo. Entretanto, como disse, o outro sem funcionar e eu sem descobrir o carregador. Dentro da mala não estava nem nos sofás nem debaixo deles nem na cozinha nem em lado nenhum. Liguei ao meu filho. Tinha acabado de deitar os miúdos e ainda estavam acordados. Disseram que estava na bolsinha exterior da mala do computador, bolsinha essa em cuja existência nunca tinha reparado.

Com o computador a carregar, pesquisei e li que fizesse fn F9 e milagrosamente o rato do computador voltou à vida. Portanto, às tantas nem o banho que apanhou nem o trambolhão que deve ter dado tiveram a ver com o touchpad ter ficado desactivado.

Passa bastante da uma da manhã e estou feliz da vida pois nada me traz mais felicidade do que estar com os meus; mas tenho que reconhecer que ficarmos os dois em campo fechado com estes cinco fazedores de vendavais é obra. Deixaram-me, pois, um bocado off. Ua vez mais não consigo responder a mails que tenho em atraso ou a comentários. Impossível. A energia daqueles cinco é uma coisa que só vista, parece que se potencia quando estão juntos.

Mas, como a seguir ao almoço já fui aos meus pais, este domingo estamos por nossa conta. Tenho vários afazeres mas face ao forrobodó e ao vendaval de hoje cá em casa vai ser piece of cake.

Lamento não ser capaz de escrever sobre o que quer que seja nem tenha fotografias das minhas para mostrar apesar de ter andado a passear numa cidade muito linda e bem arranjada e, penso, ter fotografias que o atestarão. Mas não consigo ir escolhê-las. E devo ter também muitas deles, dos meus queridos pimentinhas, certamente parte delas desfocadas pois não conseguem parar sossegados. Como será que eles, quando forem crescidos, recordarão estas estadias cá em casa, como recordarão as almoçaradas e jantaradas em volta da mesa grande, toda a gente a falar e a rir? Espero que sejam memórias que acarinhem para o resto da vida. Eu de certeza que o farei. Quando os meus filhos eram pequenos e andavam à bulha eu pedia-lhes sempre que fossem amigos, muito amigos, grandes amigos para sempre, toda a vida. E agora desejo isso também para todos os seus filhos -- que sejam grandes amigos entre si, amigos inseparáveis, irmãos e primos, tios e sobrinhos. Os meus amores e os meus amorzinhos.

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Os casais a dançar -- talvez um tango, talvez une valse à mille temps -- que Botero pintou talvez não tenham nada a ver com o texto. Nem a canção do Moustaki que, não sei bem dizer porquê, me causa um frémito e uma emoção que não sei bem definir, talvez como que de uma intrigante nostalgia. Mas estando eu tão KO como estou, é a minha forma de enviar um sorriso a um certo métèque que não sei se o merece ou não mas a quem, tendo eu a alma de uma verdadeira santa, me sinto com vontade de perdoar. E de dizer a todos os viajantes que por aqui gostam de passar que, apesar de perdida de sono, nunca perco a vontade de sorrir e de dançar, mesmo que apenas com as palavras.

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A todos desejo um bom dia de domingo.

9 comentários:

Anónimo disse...

Merci infiniment, Madame!

Anónimo disse...

Bom dia, Tá!

Sei bem que este métèque não foi aqui posto por minha causa, mas vou fingir que foi.
Pelo meu amor pela Grécia, pelo som da Bouzouki (comprei lá uma, afinada e tudo, mas nunca encontrei um trovador à altura do instrumento), por esta canção me fazer recordar alguém que me ensinou a amar les chansons françaises, pela voz e charme do Moustaki (if you know what I mean).
E reparou que ele canta lá pelo meio "je viendrai boire de tes vingt ans"?
Ah pois, não é de agora que os métèques preferem as franguinhas...
Quanto ao Botero (que adoro), talvez aqui volte a massacrá-la com mais um comentáriozinho-now duty calls.

Dia Feliz!
🌲L

Anónimo disse...

Hello again!

Há uns anos, com o Programa Polis, fizeram um Centro Cultural que deveria chamar-se Maria João Pires. Quando houve aquela "zanga" puseram-lhe o ridículo nome de CCCCB!
Imagine, há o CCB em Lisboa e o CCCCB em Castelo Branco.
Uma patetice pegada, como se não lhe devessem o facto de ela ter colocado a cidade na rota cultural mundial.
Ela já regressou e até fez 2 concertos em Dezembro. E vai dar mais 6 (Janeiro, Fevereiro e Março).
Aqui não ouvi falar em nada, mas eu também praticamente não saio, excepto para ir às compras.
Como não tenho facebook, não pude informar-me melhor, mas ela regressou mesmo, o que é muito bom.
Pode pesquisar na net.

Conheci o Botero precisamente aquando da inauguração do CCCCB, achei imensa piada aos gordos. Lembro-me de um quadro com uma família em que até o gato era gordíssimo.
Tinha muitas fotos de várias exposições no meu famigerado tablet.
Embora eu ainda!!! não esteja assim, sinto uma certa ternura por estes gordinhos, especialmente por estas ladies a dançar, felizes e de perninha levantada :).

Bons walks aí no seu heavenly park.
🌲L

CCF disse...

Nunca mais se esquecerão desses dias, tenho certeza:)
~CC~

Francisco de Sousa Rodrigues disse...

É tão bom ver e ouvir falar de crianças felizes.
E não tenho dúvida que os seus pimentinhas serão gente de boa memória.

Uma bela semana!

Um Jeito Manso disse...

Ora, ora. Temos então um métèque que, afinal, mais do que um loup des steppes, é un noble chevalier. Ça me plaît. E é que assim até perco a vontade aprender grego antigo. Já nem sei se me apetece dançar se espadeirar. Em que é que ficamos?

Um Jeito Manso disse...

Olá Ms Tree Lover,

Sim, já estive a ver que a nossa querida Maria João Pires está de volta à sua Belgais. Ainda bem. E que bom que o lugar volte a ganhar vida e alegria. Tomara que desta vez seja para todo o sempre e que fervilhe de arte e entusiasmo.

Quanto ao Botero: divirto-me imenso com as figurinhas anafadas e simplórias, inocentes e simples na expressão dos seus hábitos e gostos.

Quanto ao Moustaki, aquelas baladas melodiosas são encantadoras. Quando conjugadas com a figura dele, ainda mais especiais ficavam. Mas parece que caíu um bocado no esquecimento pois não tenho ideia de ouvir gente nova a recriar aquelas canções. É pena, não é?

Gostei de ler sobre as suas lembranças desses tempos, Ms Irène Jacob.

Dias felizes!

Um Jeito Manso disse...

Olá ~CC~

Tomara que sim, tomara que se lembrem de como brincavam e riam e de como gostavam das almoçaras e jantaradas na mesa enorme cheia de gente e risos e onde toda a gente fala num ambiente sempre alegre e de como têm respeito e não mexem nas peças que estão dentro dos móveis e a que o mais velho (10 anos) chama o museu da Tá.

Obrigada, -CC-

Dias felizes para si.

Um Jeito Manso disse...

Olá Francisco,

Quando nasci o meu parto foi tão complicado que quase eu e a minha mãe íamos desta para melhor. Talvez por isso a minha mãe não teve mais filhos. Mas talvez por ser professora, nunca me apaparicou como filha única. Convivi de muito perto com primos, vizinhos e amigos e nunca fui uma criança solitária. Mas sempre pensei que gostaria de ter muitos filhos. Contudo, por viver longe da família e não ter quaisquer ajudas por perto e porque a vida em Lisboa faz com que tudo seja mais complicado, depois de ter o segundo fiquei sem capacidade para ter mais. Mas adoro crianças. Tivesse eu uma vida mais facilitada e teria tido mais. O ter cinco netos é uma bênção. E ter uma família unida em que são todos muito amigos uns dos outros ainda melhor é. Por isso, é sempre com felicidade que falo deles.

Obrigada, Francisco, pelas suas palavras.

Dias felizes!