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quinta-feira, dezembro 06, 2018

Caravaggio alive


Gostos não se discutem, P., é certo. Mas não são exclusivos. Gosto de Paula Rego, tal como gosto de Graça Morais ou Júlio Pomar, tal como de Matisse, Gauguin, Van Gogh, Chagall e, sim, também de Caravaggio. 

Penso que já aqui o referi. Quando vi uma exposição de Caravaggio quase fiquei tolhida pela emoção. Aqueles seres ali retratados pareciam ter vida, pareciam ter aquele sarro, aquela sujidade nas unhas e restos de má vida que se imagina que, na realidade, aquelas pessoas tivessem. Gosto de pintura abstracta mas, se ela nos mostra figuras humanas, então as telas devem impressionar-nos. E as de Caravaggio impressionaram-me muito. Já as conhecia de as ver em livros ou em documentários, nem sei se alguma em algum museu. Mas uma exposição inteira com obras dele, estar perto daquela vida tão carnal, encheu-me de emoção. Há obras ou exposições que nos marcam de forma indelével.

Uma emoção assim, quase paralisante, também a senti perante uma pintura de Rothko. Ou perante um pano de boca de cena de Chagall. 

O Leitor P., a quem muuuuuiiito agradeço, enviou-me o vídeo que aqui partilho convosco e é impressionante.

Caravaggio living paintings by Ludovica Rambelli Theater 



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Para tirar teimas: 79 obras de Caravaggio



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3 comentários:

Anónimo disse...

Caríssima UJM,
Concordo consigo, ou seja, naquilo que diz. Embora tenhamos algumas divergencias artísticas, aqui e ali, convergimos muito em comum, nisto da Arte - basta gostarmos dela! Eu tenho quadros de pintura abstracta, aqui em casa, que são uma confusão - aparente - para os sentidos, todavia, há ali uma certa organização, o que, infelizmente, não consigo ver naqueles autores que lhe mencionei. Um dia perdi a cabeça em NY e comprei algo meio louco, de tão abstracto, mas com uma certa sequência, nada a ver com ... um Picasso, p.ex. E cá está. Caravaggio é sublime. E quando se conhece a história da sua vida, melhor se compreende a sua pintura. Aquilo de ele ter assistido à execução daquelas duas mulheres, mãe e filha, a quem lhes cortaram as cabeças (com a figura da filha a mexer as pernas já sem a cabeça, a acreditar naqueles relatos), quando ele era ainda um jovenzito, marcou-o bastante. Embora já fosse e viesse a ser meio louco ele próprio.
Tenha um boa noite!
PS: quanto aos livros e esse "dilema" que vem referindo nos seus Post, eu actuo desta forma, apesar de igualmente ter a casa e as estantes atulhadas de livros: compro à medida do que vou lendo. A esmagadora maioria dos livros que possuo já os li todos! Sou incapaz de comprar um livro se não sei se o vou ler um dia, mas ler significa lê-lo todo, de fio a pavio. Daí que compro um ou outro de cada vez e depois de o/s ler compro outros. Nem me passa na cabeça ter livros aos pontapés sem os ter lido e pior sem saber se os vou ler! Julgo que é tudo uma questão de organização. Compra-se, lê-se, compram-se outros e leem-se, etc.
Mas, enfim, cada um é como é.
Acho imensa piada à sua personalidade! A UJM é uma mulher é pêras!
E bom, vou dar uma volta pelos penhascos com os cães, durante uma meia-hora pelo menos!
Boa noite!
P.Rufino

Anónimo disse...

Um dos grandes. Na minha lista de três monstros até ao séc. XX de Picasso e Dalí. Caravaggio, Goya e El Greco. Não por essa ordem. Goya foi a primeira paixão, mas El Greco é o ídolo maior, sagrado. O segredo da vida - do lado de lá e do lado de cá da transcendência - corria no seu pincel. Já dizia o Sommerset Maugham, parafraseando livremente. As cores vivas, as cores sombrias, as lágrimas de S. Pedro, o sopro de uma criança, o realismo, o surrealismo, o impressionismo, o expressionismo, a fé, a razão - tudo vive em El Greco. Cada músculo humano-sobrenatural por ele desenhado é uma conquista da Humanidade. Outros pintores há que também me tocam e, sem dúvida, muitos serão os que merecem igual ou maior reconhecimento. Porém, não sendo eu especialista para ter de usar outra escala que não a do capricho pessoal, é mesmo deste que me sirvo.
Abraço,
JV

Anónimo disse...

Concordo inteiramente com a observação/comentário da Leitora JV sobre El Greco!
P.Rufino