terça-feira, janeiro 27, 2026

Coisas simples que melhoram a nossa vida

 

Quem por aqui me acompanha saberá que fujo a sete pés de livros ou vídeos ou influencers que vêm com conselhos da treta relativos a lifestyle, a coaching, mindfulness ou a cenas dessas que a mim me parecem tresandar a vacuidade. Não me levem a mal mas tudo isso me parece coisa de gente tonta que aconselha gente ainda mais tonta. Pode não ser mas, confesso, é o que me parece.

Tenho a minha própria sapiência. Já vivi o suficiente para formar algumas opiniões e para perceber o que me faz sentir bem e para saber dar valor aos bons momentos. Também já conheço o suficiente da vida para saber que se é importante termos conhecimentos e vivências não é menos relevante conseguirmos o distanciamento suficiente para deixarmos de lado o que nos incomoda, a espuma dos dias que consome o nosso tempo sem que nada fique em nós.

Vivi uma vida inteira ultra activa, ultra solicitada, em que fui levada a ser responsável por muita coisa quase vinte e quatro horas por dia, com poucas férias, ano após ano. Muita gente me dizia que eu não conseguiria ficar sem trabalhar depois de me reformar e eu sempre disse que estavam enganados, tudo o que eu desejava era interromper essa espiral que me envolvia permanentemente em reuniões, avaliações, definições de objectivos, planos, resolução de problemas de toda a espécie, trânsito e mais trânsito, stress e maçadas para dar e vender. Decidi que sairia antes de atingir a idade oficial da reforma. Ainda assim, por razões de amizade e de responsabilidade, acabei por aceder aos pedidos para ficar até que uma operação se concluísse, acabando por ficar por mais cerca de meio ano para além do que tinha resolvido mas, ainda assim, antes da idade oficial. Na altura diziam-me que, não ia conseguir largar a habituação de décadas e que não tardaria a procurar nova ocupação.

Calhou acontecer que isso coincidiu com o ano horribilis em que a minha mãe iniciou a sua trajectória para a noite escura sem que eu compreendesse o que estava a acontecer pois ela conseguiu baralhar médicos e enfermeiros e ocultar completamente o mal que rapidamente progredia, e que progredia ainda mais rapidamente porque não se tratou, e, sem o confessar mas certamente cheia de medo e dividida entre a fobia que tinha a medicamentos e o medo pelo efeito de não se tratar, não tomou os medicamentos que lhe eram indispensáveis. Portanto, o meu primeiro ano de 'desocupação' foram absorvidos pela ansiedade que o estado da minha mãe me causava, pelas idas ao hospital (pois, nesse período, e antes do prolongado internamento final, esteve duas vezes internada, tendo conseguir desviar a atenção dos médicos do pior dos males), pelas idas ao médico, pelos telefonemas, pelas visitas que eram sistematicamente ocupadas por queixas de saúde de toda a espécie, erráticas, descontextualizadas, mas sempre revestidas de drama, de choro, e sempre concluindo e tentando convencer-me que a causa do seu mal estar eram os medicamentos que tomava (quando eu sabia que tomava muito menos que devia). Foi um ano terrível para a minha mãe, angustiante, direi mesmo apavorante, nem quero pensar, e, para mim, que desconhecia a realidade, desgastante até ao limite. Portanto, nesse ano, não me sobrou tempo nem disposição para pensar em qualquer outra actividade.

Fez a semana passada já dois anos. O tempo passa mesmo a correr, é muito estranho. Tudo ainda tão recente, as imagens e a voz ainda tão presentes.

A seguir foi preciso resolver a questão das coisas lá de casa, coisas infinitas, infinitas, não acabavam. Foram meses, esgotantes meses. Os meus filhos poucas coisas quiseram. Eu já não tinha onde pôr tudo aquilo de que não queria desfazer-me. Período tão difícil também. Não tinha ânimo nem energia nem nada para mais nada. Só para escrever. Para tentar reequilibrar-me, escrevia compulsivamente.

Na verdade, apenas o ano passado aprendi a não fazer nada, a usar o meu tempo. 

E tem sido um tempo bom. Geralmente não tenho horários, não tenho compromissos. Posso fazer aquilo que quero. Posso ler salteado, pular de livro em livro, sentar-me a olhar as árvores, a ouvir os pássaros, posso andar a fotografar flores e frutos, posso andar a perseguir sombras, a encantar-me com o bailado das silhuetas nos muros. 

Coisas simples. 

Como o algoritmo do youtube conhece as minhas entranhas e sabe que ando zen, mostra-me que aquilo que eu procuro e em que me detenho são práticas que os japoneses seguem.

O vídeo de hoje (que pode ser legendado, com legendagem automática) repesca 8 hábitos que fazem melhorar a vida e nos quais me revejo, ou porque os pratico ou porque gostaria de praticar. Sobre alguns deles já aqui falei algumas vezes. Um prazer. Coisas simples, coisas de nada. O primeiro deles era prática muito comum na empresa: uma pequena melhoria de cada vez, uma após outra. Aconselho vivamente.

8 Tiny Japanese Habits That Will Transform Your Life

Se alguma vez se perguntou porque é que o Japão tem uma das maiores expectativas de vida, cidades mais limpas e algumas das pessoas mais calmas e focadas do planeta… não é genética nem sorte.

São pequenos hábitos diários — ações simples que parecem insignificantes, mas que se vão acumulando ao longo dos anos, gerando uma enorme transformação.

Neste vídeo, analisamos os 8 hábitos japoneses cientificamente ligados à longevidade, clareza mental, disciplina, produtividade, resiliência emocional e satisfação com a vida.

Você aprenderá:

🧠 Kaizen — o método de melhoria contínua de 1% utilizado pela Toyota para dominar o mundo

🎯 Ikigai — como encontrar o seu propósito e acordar motivado

🥗 Hara Hachi Bu — a prática alimentar de Okinawa que aumenta a longevidade

🌲 Shinrin-Yoku — banho de floresta e porque é que os médicos o recomendam

🌿 Wabi-Sabi — liberdade do perfeccionismo

💪 Gaman — resiliência mental sem queixas

🤝 Omiyari — disciplina empática que fortalece as comunidades

✨ Kintsugi — transformar a dor e o fracasso em força

Estes hábitos não são atalhos. São princípios para construir uma vida plena, uma pequena ação de cada vez. 


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Dias felizes

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