Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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sábado, dezembro 01, 2018

Palavras sobre coisas de nada.
E frutas exóticas e espaços do outro mundo.




Tem-se juntado a confusão no trânsito -- que me faz perder tempos infinitos -- com um hábito de uns e outros que me agonia: o de, para cumprirem objectivos (e receberem um bom prémio), desatarem a querer despachar tretas que deveriam ter sido feitas ao longo do ano. Ou seja, não apenas tenho tido trabalho a perder de vista, intercalado com reuniões pelos mais díspares motivos, como, a somar a isso, têm sido sucessivos engarrafamentos e acidentes e não apenas chego tarde ao trabalho como tarde a casa.

Hoje uma colaboradora sentou-se na mesa de reuniões do meu gabinete e, com ar estafado, disse-me que andava com tanto que fazer, a saltar de uns assuntos para outros e a ter que aturar toda a espécie de problemas, que chegava ao fim do dia com a sensação que não tinha feito um décimo do que devia. E eu percebi-a muito bem e disse: fará eu que, para além disso, ando de empresa em empresa. 

Vou de umas para outras, saio de uma reunião para entrar noutra sem tempo para me preparar, sem tempo para deixar assentar a poeira. Se num destes intervalos -- em que penso que vou ter tempo de perceber qual o assunto que aí vem ou para ir à casa de banho ou ir à copa beber um chá -- alguém me liga, sinto que a impaciência transborda da minha voz.


Hoje de tarde tive uma reunião com dois que andavam há séculos a querer reunir comigo e eu empurrando com a barriga. Até que não tive como não fazer a reunião. O assunto era interessante mas o momento péssimo. E não se calavam. Eu já estava que não podia. Tentei atalhar mas parece que vinham com o script empinado e determinados a não se deixarem empurrar porta fora. Uma dor. Juro. Para o fim já tive que fazer um esforço por me manter educada. Credo. Uma canseira que não se aguenta.

Não há dia em que, quando à noite me sento aqui no meu abençoado sofá, não me dê logo um sono que me deixa pedrada. Se consigo pegar no tapete ainda esperto. Mas hoje nem isso ainda consegui fazer.

O meu marido diz que devíamos tratar dos presentes do natal e eu respondo que, parecendo que não, estamos em entrar em dezembro e o natal é só lá mais para o fim do mês. Ele, como gosta de fazer tudo com tempo, diz que não é bem assim. Mas eu que tenho um mês de sufoco pela frente com vários almoços e jantares de natal que começam já nesta semana que aí vem, um dos quais a centenas de quilómetros, só me apetece que passe o natal para poder ficar livre do encargo de andar nestes festejos em série e de, ainda por cima, me meter em barafundas em lojas cheias de gente vagarosa. O ideal seria poder fazer as compras do natal no princípio do ano: lojas tranquilas e as coisas a metade do preço.


Esta semana ainda não consegui pegar num livro. Tenho ali um sobre mulheres na arte e só penso em sentar-me, acordada e fresca, a lê-lo. Mas nem energia tenho para ir ali buscá-lo. Passa da meia noite e eu tenho vontade de ver pinturas ou belas fotografias, ouvir música, gostava de ser capaz de escrever palavras límpidas, gostava de conseguir trazer aqui temas interessantes. Mas não consigo.

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As fotografias acima provêm do The Guardian. Não têm a ver com o texto mas são tão bonitas, não são?

E junto dois vídeos bem bons de ver: um que mostra um mercado de frutas, onde se podem conhecer frutos nunca antes vistos. E outro com bibliotecas de assombro.




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