quinta-feira, maio 11, 2023

Sobre o Marcelo que temos, a palavra ao Falcão Vigilante e ao Valupi

 

Da caixa de comentários a um post mais abaixo, transcrevo este do Leitor Falcão Vigilante.

Em consonância com os órgãos de informação total e tragicamente controlados pela direita em Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa assume-se nos dias que correm como o rosto mais visível de um processo de contínua desestabilização institucional como nunca antes se viu por estes lados.

Ele não começou nos últimos dias. Nem nos últimos meses. Terá principiado, há cerca de 6 anos, com a miserável liquidação pública da ministra Constança Urbano de Sousa, após os incêndios no centro do país, quando ninguém, absolutamente ninguém, poderia ter feito mais ou melhor do que ela na altura fez.

Face à subserviência então revelada pelo poder governamental, a acção marcelista foi prosseguindo, em patente e inadmissível ultrapassagem dos poderes constitucionais que lhe assistem.

Não só se intromete no que não lhe compete (querendo impor acções governativas ou criticando publicamente as que o Executivo assume), como tem vindo a praticar uma espécie de "tiro ao ministro" que já nos custou a perda de figuras obviamente competentes e que muita falta fazem à governação (casos, por exemplo, de Azeredo Lopes ou de Marta Temido).

António Costa, um excelente Primeiro-Ministro, percebeu, finalmente, que não poderia continuar a tolerar as desenfreadas violações de uma Constituição cada vez mais em frangalhos. Sob pena de se deixar reduzir à absoluta irrelevância política, mandou parar o baile, quando o "mandador" até já se dava ao desplante de exigir no jornal "Expresso" (por interposta e habitual mensageira e em provocante antecipação) a cabeça do ministro Galamba...

O que Marcelo depois fez pela TV, em relação ao governante em causa, é inqualificável, mas revelador da personagem. Resta-nos todavia uma consolação: como antigo chefe do PSD, a personagem poderia ter chegado a Primeiro-Ministro de Portugal. Comparado com essa apavorante eventualidade, o filme de contínuo sobressalto institucional que estamos a viver não passa de uma espécie de reedição da Branca de Neve e dos anõezinhos...

Leiam ou releiam as memórias de Francisco Pinto Balsemão, dono do "Expresso", e o que lá ficou escrito, preto no branco, acerca do grau de confiabilidade que ele achava atribuível ao seu (então) empregado Marcelo.

Permite entender, sem grandes explicações adicionais, quase tudo do que se tem passado. E muito do que vai passar-se daqui em diante, nos próximos capítulos de uma história que até poderia ser divertida se não fosse tão indecorosa e tão contrária aos interesses dos portugueses...

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Do Valupi que escreve no Aspirina B,  in "Fantasiemos um outro Marcelo"

(...)

Que levou Marcelo para esse abuso? Nada que tenha alguma relação com estratégia, sequer com inteligência. Foi antes o corolário dos abusos imediatamente anteriores: a nota acerca da recusa de Costa em cima das suas declarações e a chantagem via Expresso. E foi igualmente a consequência dos abusos ocorridos em crescendo a partir de Outubro de 2022. A martelagem no espectro da dissolução da Assembleia, chegando a causar incómodo público e apelos à sua cessação por figuras relevantes na direita, foi um abuso dos poderes que lhe foram confiados para ser um guardião da funcionalidade do Estado e da saúde da democracia. Em vez disso, introduziu incerteza, confusão e irracionalidade no ambiente político. Acabando por criar uma crise política muito grave e potencialmente catastrófica.

As causas para este comportamento indigno da posição que ocupa na hierarquia da República serão mais que muitas. Não ambiciono conhecer sequer a milionésima parte. Mas uma delas, incontornavelmente, está na sua obsessão com o editorialismo e com o comentariado. A retórica usada na declaração de 4 de Maio é paleio de advogado, não de estadista. Tudo consiste num argumento que coloca a “responsabilidade” como conceito bicéfalo, moral&político, cuja semântica plástica se estica a bel-prazer para incluir João Galamba, e depois se continua a esticar para incluir António Costa. Porém, porque estamos no domínio do sofisma e da farsa, o conceito deixa de ser esticado quando todos esperavam, na economia do texto, que chegasse ao próprio autor. Isto é, e logicamente, o Presidente da República é o responsável último pelo primeiro-ministro, o qual é o responsável último pelo ministro, o qual é o responsável último pelo adjunto, o tal fulano na origem da cegada. Se o escândalo é realmente como o pintou, estava no seu poder agir à altura da necessidade política. Donde, Marcelo tinha de se responsabilizar pela situação caso a coerência fosse uma cena que lhe assiste. Não é, tal como não assiste aos comentadores e editorialistas, só atrapalharia a sua prodigalidade. Foi para gáudio desta classe de artistas que Marcelo deu voz a um exercício de enxovalho, literalmente entregando-se à prática da “afronta” que os seus colegas comentadeiros agitaram como pecado mortal de Costa ao recusar a ingerência presidencial no Governo. O interesse nacional e o bem comum não foram servidos pela intervenção presidencial, exactamente ao contrário.

Fantasiemos um outro Marcelo, muito parecido com o que nos saiu na rifa mas com a diferença de ter recebido uma injecção de inteligência e estratégia algures nas 48 horas após a manifestação de autoridade constitucional e política de Costa. A sua reactiva declaração passaria a ser uma variante deste esboço:

"Muito boa noite,

Portugueses,

Duas palavras. Uma sobre o passado. Outra sobre o futuro.

Uma sobre o passado. Como sabem, ocorreram acontecimentos inadmissíveis na equipa do Ministro das Infraestruturas. A gravidade dos factos conhecidos, mais a dos que ainda falta apurar e esclarecer, levaram-me a enviar ao primeiro-ministro a minha preocupação com a credibilidade, confiabilidade e autoridade do Ministro, do Governo e do Estado.

Posteriormente, o Ministro entendeu pedir a demissão e o Sr. Primeiro-ministro entendeu recusá-la. Isto já é passado.

E uma palavra sobre o futuro.

Não compete ao Presidente da República escolher Ministros, demitir Ministros, interferir indevidamente na acção do Governo. A Constituição é muito clara a esse respeito. Mas compete ao Presidente da República ser um aliado institucional do Governo, coisa distinta de ser um aliado político. Como representante de todos os portugueses, a minha aliança política é com a República Portuguesa. Com essa jurada missão, tudo farei, sempre, para garantir o regular funcionamento das instituições democráticas.

Nesse sentido, apoio a decisão do Sr. Primeiro-ministro ao manter João Galamba como Ministro das Infraestruturas. E desejo a ambos, estendendo o voto a todo o Governo, que tenham sucesso na realização dos urgentes, complexos e cruciais processos e projectos executivos em curso e em planeamento. É dever de todos os responsáveis políticos contribuírem para que o Governo tenha as melhores condições para executar o seu programa.

A experiência, a prudência e a sabedoria do Povo Português serão testemunhas, e juízes, das vossas escolhas.

Muito boa noite.»

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As imagens provêm respectivamente daqui  e daqui

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quarta-feira, maio 10, 2023

Rita Lee, finally sedated

 




Muito alegre, cheia de vida. Muito louca. Muito boa gente. A música no pé, o corpo na maior leveza, os braços abertos, a boca cheia de palavrão e muito riso. Cheia de amor pelos muitos amores, toda carinho para com os de casa, toda cheia de loucura boa, toda capaz de reincidir e de voltar atrás e de seguir em frente, uma e outra vez.

Dela já aqui falei algumas vezes. Já recordei as muitas vezes em que cantávamos e dançávamos na maior alegria, na companhia dela, a música em altos berros, todos em altos berros, saltando e cantando, felizes na nossa juventude cheia de futuro dentro.

Dizia ela: Não devo levar a vida tão a sério porque ninguém sai dela vivo

Foi-se. Ninguém cá fica. Tudo não passa de uma incompreensível e breve passagem. Mas quando se vai alguém tão cheio de alegria e de vida fica uma grande pena.

Da sua autobiografia de que aqui já falei:









terça-feira, maio 09, 2023

Marcelo, os Chornalecas e a dupla Ventarina (ou Catatura).
E, para desopilar, 5 momentos divertidos da Coroação

 

Por cá isto está a ficar estúpido. Agora é o Bloco e o Chega -- que coincidentes que eles estão --, os dois ainda numa de caça ao Galamba. Não há pachorra. Nunca achei graça a gente que gosta de mastigar comida já mais que mastigada. E os chornalecas (nome que doravante darei a todos quantos andam por aí a querer fazer-nos crer que são jornalistas) lá continuam atrás da dupla Catarina e Ventura como se dali alguma vez pudesse vir solução para algum problema. Pelo contrário, inventam problemas para não haver tempo para alguém prestar atenção às soluções.

Temos depois o fake new Marcelo. E é fake new porque é novo coisa nenhuma. Toda a vida assim foi. Moderava-se para parecer que estava acima da carne seca, mas agora não aguentou mais. Aquela de o Costa ter mostrado que os tem no sítio e que não é um badameco com medo das bocas do comentador-mor desestabilizou-o. Furibundo e descontrolado, não apenas deixou que o verniz se lhe estalasse em público, mostrando que é pouco leal, dado a apedrejamentos públicos sobre quem parece que está caído na rua, dado a sacrificar o sentido de Estado em prol dos seus pessoalíssimos estados de alma, com uma educação que se tem mostrado algo duvidosa, agora resolveu que está bem é ao lado dos chornalecas do Correio da Manhã e de braço dado com a dupla Ventura & Catarina, dupla -- que, parafraseando o grande Markl --, se pode designar por Ventarina ou, caso prefiram, Catatura.

Promulga um diploma e aproveita para incendiar os sindicatos e, en passant, dizer mal do Governo. Anda por aí com os chornalecas atrás e, como quem não quer a coisa, diz mal do Governo, lança farpas e cascas de banana a este e aquele. Menino mais ressabiado, mais irreflectido, este puto Marcelo. A continuar assim, teremos todos que disfarçar a vergonha alheia que começaremos a sentir.

E, de que me dê conta, nada de esperto por cá acontece.

Portanto, como isto por cá está meio triste, meio sem jeito, vou antes deslocar-me para palácios onde os seus habitantes têm melhores maneiras.

Vou, então, rescaldar a coroação 

1.

Gente prevenida. Para um just in case, levaram duas Camillas sobressalentes 

💪

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2.
Não apenas espetaram com o Harry na 3ª fila como puseram, à frente dele, a fofa e cavalona ti-tia, a cuja transportava farfalhuda pena no barrete, quase de propósito para o ofuscar. 
👌

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3.
74 anos à espera deste dia e, afinal, quando chegou o grande dia ainda, Sua Majestade ainda não tinha decorado a meia dúzia de palavras que tinha que dizer  
😕

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4.
E, vá lá saber-se porquê, houve gente que compareceu sob disfarce. Houve quem dissesse que este aqui abaixo, à direita, era a Meghan. Mas também houve quem suspeitasse que era malta que a seguir ia tentar fanar as jóias da Coroa
😎

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5.

Um cavalo com vontade própria, coisa mailinda. 

👀


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Um dia bom
Saúde. Bom humor. Paz.

segunda-feira, maio 08, 2023

Meryl

 

Penso que a primeira vez que vi Meryl Streep deve ter sido em Kramer contra Kramer. O filme era muito bom e a Meryl e o Dustin Hoffman tinham um desempenho também muito bom, tocante.

Tenho ideia que o vi numa salinha pequena que creio que havia na estação dos Restauradores, lá em cima. 

Tudo tão longínquo que chego a duvidar da minha memória. 

Pode acontecer que já a tivesse visto antes em Deer Hunter (que não me lembro se vi no S.Jorge ou noutro cinema, ou em Manhattan (que creio que vi no Estúdio, que penso que funcionava no Império -- creio que o Satélite era no Monumental). Que vi estes filmes vi mas não sei estabelecer a sequência.

Mas a cronologia aqui é irrelevante. O que me interessa é que fiquei logo rendida ao talento dela.

Por essa altura, mais coisa menos coisa, também fiquei maravilhada com A Amante do Tenente Francês, ela e Jeremy Irons.

Mas depois veio A Escolha de Sofia. Já tinha lido o livro e tinha ficado impressionadíssima. Por isso receei ver o filme. Mas fui ver. E não vim decepcionada. De tal forma que agora, se ouvir falar n'A escolha de Sofia, é em Meryl Streep que imediatamente penso.

A quantidade de filmes em que a vi e em que sempre a achei extraordinária não sei dizer.

Um em que imediatamente penso quando quero pensar num filme inesquecível é o Out of Africa e, aqui, também, o filme é indissociável dela. Magnífica.

Como pessoa, do que tenho visto, sempre conseguiu manter-se normal, sempre conseguiu manter-se afastada do 'estrelato', nunca a vi deslumbrada. 

É extraordinário como ela consegue absorver de tal modo a personagem que tudo flui tão naturalmente que parece que ela, Meryl, se dilui. E isso acontece em qualquer registo. As mulheres que ela representa em As Pontes de Madison County ou em O diabo veste Prada não poderiam ser mais diametralmente opostas. E, no entanto, parece que são pessoas que existem de verdade e cuja existência se justifica de per se, encarnações verídicas de Meryl.

Depois de um domingo maravilhoso, em família, um domingo ameno, com um sol afável, as buganvílias a cobrirem-nos de cor, os pássaros a voarem e a cantarem no meio das flores, apetecer-me-ia pôr-me para aqui a falar de cada uma das pessoas que aqui hoje estiveram, de como me sinto feliz por elas. Feliz, abençoada, agradecida. Mas temo repetir-me e, por isso, hoje vou à boleia da sugestão do Youtube que me mostrou os vídeos que partilho mais abaixo, com excertos de uma entrevista já com alguns anos mas que é bastante actual pois tal como Meryl Streep é intemporal, também as suas palavras o são.

Mas, antes, apetece-me rever os trailers de alguns dos seus filmes maiores.

A fotografia lá em cima é da autoria de Annie Leibvovitz.








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Desejo-vos uma boa semana a começar já nesta segunda-feira
Saúde. Boa sorte. Paz.

domingo, maio 07, 2023

Um casal todo real-caturra, uns convidados à maneira, uma boa música e toilettes para todos os gostos

 



Não tenho nada contra a festa da coroação. Parece-me uma coisa de outros tempos: juras e rezas, paramentos, cerimoniais, coches puxados a cavalos, arcebispos e cantares. Coisa de filme. Coisa de histórias infantis. Tem um lado ficcional. Devaneios que envolvem reis e rainhas, príncipes e princesas, mantos, pajens, aias, damas de companhia, coroas, ceptros, tiaras. 

É quase como se um filme extraordinário fosse realizado em directo, um filme com protagonistas que conhecemos, com um guarda-roupa cuidado, com adereços valiosos, com uma boa banda sonora, rodado em palácios, catedrais e com cenas de rua.

Sou republicana de cabo a raso, da cabeça aos pés. Mas nada me move contra as monarquias dos outros países. 

A do Reino Unido já se viu que não tem qualquer intervenção política. Podem, no terreno, desentender-se completamente uns e outros, andar desgovernados, resolver sair da União Europeia sem perceberem o que era o brexit, não saberem bem a quantas andam, pouco faltar para andarem à batatada. A Rainha não mexeu uma palha. Assistia, fazia uns discursos simpáticos mas mais nada. Era a Rainha de Inglaterra a ser a Rainha de Inglaterra e toda a gente compreendia que era isso que se esperava dela.

E agora, com o septuagenário novo rei vai, certamente, ser a mesma coisa. Ele e a sua rainha, amor de longa data, coroados quando se julgaria que com aquela idade bem podiam retirar-se de cena, majestades improváveis, alguma vez vão dirimir conflitos entre partidos ou fazer discursos à nação para desancar num ministro? Nem pouco mais ou menos. Continuarão com as suas fundações (algumas, segundo ouvi, até bastante meritórias), com as suas visitas e pouco mais. E se é assim que é e se a maioria lá deles gosta, quem sou eu para opinar em contrário?

Gastam fortunas nestes festejos, é certo. São milionaríssimos, é certo. Mas dão também muito a ganhar pois são, no conjunto, uma fantástica máquina promocional, uma imparável máquina de marketing, o turismo muito lhes deve e o comércio de toda a espécie de bugigangada também, e, no balanço final, acredito que haja  benefício para os cofres de Estado.

Acresce que, entre eles, os Royals, há sempre festa e fanfarra, cegada e coboiada da boa. Amores clandestinos e adultérios, zangas, boas e más companhias, tristezas agudas, fugas de informação, conluio com os tablóides, há de tudo. E já nem falo no caso extremo da Princesa do Povo que alimentou escândalos, amores e desamores durante anos acabando tragicamente como acabou ou agora o outro, caído em desgraça pelas suas mal afamadas incursões epsteinianas. 

Uma espécie de Netflix e HBO em directo e em permanência, folhetins quase diários.

E depois há estes happenings: casórios, baptizados e enterros reais, e, agora, cereja em cima do bolo, uma coroação. 

Nós temos o desfile das marchas na Avenida ou o alho porro no Porto ou todas as outras festas pelo País, temos umas efemérides celebradas com enfado. Os russos, os chineses e os coreanos têm aquele disparate de armamento a desfilar e o culto do grande líder. Os ingleses têm isto e, convenhamos, divertem-se muito mais que todos os outros. E, convenhamos também, em direitos televisivos, devem ganhar fortunas pois o mundo inteiro é cusco e gosta de ver estas cenas.



As mulheres, em particular, gostam de ver as toilettes, vestidos, sapatos, penteados e, sobretudo, chapéus, e a elegância, o a propósito, a compostura, as gracinhas das crianças, as extravagâncias, os olhares que trocam entre eles. 









Enfim, essas irrelevâncias com as quais às vezes gostamos de nos entreter. E quem nunca...?

Não sei o que se seguirá mas eles já devem estar a preparar o próximo acontecimento pois a máquina tem que se manter em movimento.

Finalmente tenho que referir que do Marcelo nem sinal. Que eu saiba não o filmaram nem à entrada, nem durante nem à saída. Se calhar, o seu tão importante comunicado ao país não despertou o interesse dos media britânicos, coisa que não se percebe.

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sábado, maio 06, 2023

Estarão todos de fralda?

 

Horas de cerimónia, horas de desfile. O público, cá fora, horas e horas sem arredar pé. Será que ninguém precisa de ir à casa de banho?

A minha mãe diz que acha que estão todos de fralda. Na volta, é isso mesmo.


Charles e Camilla, os reis da pândega

 

Em dia de galáctica coroação, o que estava a ver jeito de nunca coroar a sua sempre amada Camilla finalmente sobe ao trono. Se fosse em França já estaria reformado faz anos. Assim, é aos 74 anos que vai ser empossado como rei e vai lá, vai. E Camilla, aquela que passou de pérfida amante a malvada madrasta e agora a vovó mais fofa, é aos 75 anos, quando muito boa gente acha que está na altura de calçar as pantufas e pôr-se a ver o programa da manhã, que vai subir ao trono -- não como consorte mas como queen -- e quem não goste que coma só as batatas fritas.

Eu gosto.

Gosto de amores assim que desafiam a lógica, a corte e quem mais vier atrás. Gosto também de gente que desata a rir sem conseguir parar e que não perde ocasião para se divertir.

Quanto àquilo ser uma monarquia é lá com eles. Para aqui é coisa que nem me passaria pela cabeça mas, por lá, não quero saber e até acho uma certa graça.




E que tenham muitos meninos.

Entrevista ao ex-Ministro Vieira da Silva na CNN e uma nova entrevista de Magalhães e Silva na SIC N -- ambas a não perder

 

Hoje eu, em privado, tinha comentado que alguns pesos pesados da nossa política deveriam ir à televisão despejar água fria em cima dos jornalistas-comentadores e políticos-de-avário que por aí andam, descabelados e com fogo no rabo, a ulular a propósito da actuação do nosso Presidente e, ao mesmo tempo, aproveitar para dar uma ensaboadela em Marcelo, auto-proclamado líder da oposição.

Pois bem, sorte a minha, depois de, no outro dia, Manuel Magalhães e Silva ter dado uma valente lição ao Marcelo, hoje, na CNN, Vieira da Silva está a conceder uma brilhante entrevista. 

E na SIC Notícias, uma vez mais, Magalhães e Silva. 

Ambas a ver -- rigorosamente. 

sexta-feira, maio 05, 2023

Marcelo descurtiu o Costa e ficou com um grande pó ao Galamba mas, resumindo e concluindo, a montanha pariu um very little ratinho.
E ainda bem.

 



Tenho uma dúvida prévia: já não há jornalistas em Portugal? 

Sempre tive para mim que um jornalista é alguém que informa e noticia com isenção. O jornalista deve retratar o que observa sem tomar partido. Um jornalista deve merecer a confiança daqueles a quem se dirige por nunca se desviar da sua rota de isenção e objectividade.

Ora aqui, no nosso rectângulo, quase todos jornalistas caguaram (com u para não me acusarem de falta de educação) para a isenção e saltaram todos para o palco a opinar, a sentenciar, a julgar. Tomam partido, ajustam contas, pedem cabeças, juram vingança. De jornalistas já não têm nada.

Em quem é que podemos confiar para recebermos notícias credíveis, que não venham deturpadas ou conspurcadas pelas suas opiniões? 

Depois de ver as televisões pejadas de jornalistas travestidos de comentadores, fico cansada. Quem é esta gente para sentenciar sobre assuntos complexos? Em vez de noticiarem, é vê-los a rasgar as vestes, a opinarem sobre temas que requerem experiência profissional e conhecimentos na matéria e sobre os quais revelam uma total ignorância -- mas com aquela ignorância dos ignorantes que ignoram a sua própria ignorância -- e se um diz mata o outro diz esfola. E, com receio de perderem a avença, vá de elevar o nível da maledicência. E com receio de ficarem atrás dos outros é vê-los a papaguearem e a macaquearem o que os outros dizem. Uma praga.

O que os jornalistas em Portugal andam a fazer ao jornalismo é contribuir, e de que maneira, não apenas para o fim do Jornalismo como, também, para o clima de pântano que tende a instalar-se. 

À noite (que é quando se liga a televisão cá em casa), de canal em canal, o que se vê é a tropa fandanga dos jornalistas-comentadores e de comentadores-avençados a lançar lama sobre tudo o que mexe.

Sobre a comunicação ao país de Marcelo

Já no outro dia achei desagradável aquela Nota da Presidência, saída durante a intervenção de António Costa. Achei deselegante, uma coisa quase, até, mal educada. Mas a gente depois tenta perceber, em concreto, o que é aquilo e, bem vistas as coisas, não é nada. Ou melhor, tal como referi, pareceu-me uma reacção idêntica à do outro que, furibundo, alegadamente terá atirado a bicicleta contra os vidros

Hoje voltei a achar que a intervenção de Marcelo foi no mesmo sentido. Pôs-se a dizer mal do Galamba e de António Costa de uma forma pouco institucional, pouco elegante, fez insólitos e escusados ataques ad hominem, fez a sua leitura das coisas, uma leitura extremada,  direi mesmo enviesada, pintou a manta... e, depois, nada.

E acho bem que não tenha feito nada. Tudo o que fizesse seria mau para o País (e mau para ele).

E também acho bem porque o País não é o bairro da Mariquinhas habitado por youtubers ordinários, políticos de meia tigela, gente de partidos especializados em banha da cobra e foguetório, pseudo-jornalistas, comentadeiros a metro, avençados a copo e bugalhos à discrição. O País é um país real que tem que ser governado com cabeça, com os pés na terra e com pulso e que se está a caguar para estas tricas laricas ou, para ser mais exacta, para estas merdas paridas pelos media e por alguma gentinha que por aí anda à babugem

Sobre o País real

Por muito que a comunicação social faça e diga, a verdade é que há um país real em que as pessoas trabalham, em que os jovens estudem (quando os profs resolvem dar aulas), em que há segurança nas ruas, em que os restaurantes e as esplanadas estão à pinha, em que todos os concertos, por mais caros que sejam, esgotam, um país em que as praias estão cheias e as pessoas descontraídas, em que as pessoas gostam de viver. 

E o que se vê é que Portugal foi o país da UE com maior crescimento económico, um dos países em que  a dívida pública mais decresceu, um dos países em que a qualidade da democracia é das melhores, um país em que os pensionistas são respeitados, em que tem havido apoios aos mais desfavorecidos, em que o desemprego não tem significado (pelo contrário, há escassez de recursos em muitas profissões), em que, em suma, quase tudo funciona razoavelmente.

Portanto, quem é que, em seu são juízo, iria ferir de morte a estabilidade actual e os bons resultados da governação?

Alguém acredita que o Montenegro, com o artista da Iniciativa Liberal que não dá uma para a caixa (e que levaram aquele youtuber ordinário para dentro do Parlamento) e, quiçá, com o Ventura a tiracolo, governaria melhor o País?

Mais. Tenho para mim que a maioria das pessoas está cansada dos filmes negros inventados por uma comunicação social alimentada por jornalistas travestidos de justiceiros que fazem de tudo para pintar o país de cores tenebrosas ou por uns deputados com alma de pides e outros que devem padecer do défice de concentração, indo atrás de qualquer mosca que atravesse as salas, que fazem de tudo para atormentar a vida a quem lhes caia no goto e para poluir a democracia.

Não quero com isto dizer que toda a gente no país viva à larga. Não. Nem aqui nem em lado nenhum, o mundo é um mar de rosas para todos. Há um caminho a percorrer para esbater desigualdades, para fazer crescer a riqueza geral. Claro que com a inflação (internacional) e com a subida das taxas de juro (idem) há muita gente a suar as estopinhas e o período não é o melhor para quem vive com menores rendimentos. Mas mesmo nisso o Governo tem posto no terreno programas de apoio.

O Governo tem muito trabalho ainda pela frente? Claro que tem. Por exemplo, na Justiça, há muuuiiito a fazer. Não é possível os processos arrastarem-se durante anos.

E têm que fazer um esforço para se articularem melhor entre si. E o Costa tem que dar ordem aos Ministros para se livrarem de todos os assessores, adjuntos e demais canalhada miúda que por lá ande a receber pipas de massa sem que tenham um mínimo de estofo para aquelas funções. 


Voltando ao Marcelo 

Para não sair deste episódio com o rabo ainda mais entre as pernas, Marcelo ameaçou que agora vai fazer a vida negra ao governo. Faz mal. Até porque isso é o que tem andado a fazer nos últimos tempos. Já ninguém tem paciência para isso. Ninguém... excepto a tropa fandanga dos media. 

Os jornalistas, as vizinhas intriguistas e comentadeiras podem gostar muito disso pois é o pasto de que precisam de se alimentar. Mas o País gosta de estabilidade, gosta de pessoas que saibam honrar aquilo para que foram eleitas, que olhem para os objectivos a atingir e não para o seu próprio ego.

Em vez de andar com as televisões atrás, numa de dar permanentes ferroadas ao Governo, a mostrar o preço das batatas, a entrar em bairros de lata a mostrar que ainda há quem viva assim ou a visitar centros de saúde para ouvir as queixas de quem para lá vai às oito da manhã, melhor seria se andasse pelas universidades (por exemplo pelas engenharias, pelas biomédicas, pelas farmacêuticas, pelos politécnicos, etc, a ver em que projectos inovadores estão envolvidos), andasse pelas empresas, nomeadamente, pelas áreas de desenvolvimento e de transformação digital, pelos hospitais a ver as unidades integradas e polivalentes (da dor, da insuficiência cardíaca, do avc, de oncologia, etc) ou a evolução para os domínios dos internamentos domiciliários e do acompanhamento remoto a doentes, ou que andasse pelos municípios a ver a oferta a nível de equipamentos desportivos que cobrem todos os níveis etários, os jardins e parques municipais, que andasse a ver o que há de ofertas dignas e em condições acessíveis a nível de creches e ATL, residências assistidas para idosos, que fosse visitar o que se está a fazer a nível de energias alternativas e de prevenção ou mitigação das alterações climáticas. Etc.

O País tem que ser puxado para cima, tem que se dar a conhecer os bons casos, têm que ser emulados os bons exemplos, temos que saber enaltecer os nossos pontos fortes (que são muitos) em vez de andarmos a dizer mal de tudo, os pés atolados na lama que uns quantos teimam em atirar para o espaço público.

Se Marcelo conseguir a proeza de se reinventar e passar a ser realmente útil ao País, agradecer-lhe-emos.

Se se limitar a andar com as televisões atrás, a lançar atoardas e ameaças veladas, ou a fazer o papel do Chega que faz da maledicência e da acusação o seu móbil de vida, então, dispensamos.


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Pinturas de Joan Miró a ver se dão alguma cor e leveza ao cinzentismo do tema

A música, lá em cima, vem no mesmo comprimento de onda:  El cant dels ocells de Pablo Casals num arranjo para guitarra de LV Johnson
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Um dia bom
Saúde. Serenidade. Objectividade. Paz.

quinta-feira, maio 04, 2023

Grande Entrevista com Manuel Magalhães e Silva na RTP 3

 

Aconselho toda a gente a ver e, aos que não apanharem a tempo e consigam pôr para trás, a rever.

Uma lição extraordinária, em especial para Marcelo Rebelo de Sousa. 

Sem papas na língua, com uma frontalidade objectiva e explícita, com um saber de experiência feito, com os devidos enquadramentos histórico, jurídico e circunstancial, uma grande, grande entrevista.

Posso não concordar pontualmente em relação a alguns aspectos (marginais), mas, ainda assim, gostei muito de ouvir. 

O País inteiro devia ver e ouvir com atenção. 

Mas, de entre todos, Marcelo Rebelo de Sousa deveria ver, rever, rever, rever, rever. E reflectir muito seriamente pois a sua rota deve ser rapidamente corrigida. Marcelo Rebelo de Sousa, a prosseguir na linha mediático-populista que tem vindo a seguir, vai degradar cada vez mais a sua cada vez mais débil imagem e vai prestar um péssimo serviço à democracia e ao País. 

quarta-feira, maio 03, 2023

Os testículos de António Costa, a bicicleta de Marcelo, o SIS, a não demissão de Galamba e a cabeça de Holofernes como compensação aos que tanto salivavam pela cabeça do homem do brinco

 

Há coisas que não percebo, que me parecem altamente questionáveis. Uma delas é uma pessoa com o CV do Frederico Pinheiro ter sido Adjunto de um Ministro. Não vejo no seu percurso nada que o qualifique para tal. Pelo contrário, imagino o sacrifício que gestores experientes e capazes tinham que fazer para lidar com gente com esta inexperiência e desconhecimento do mundo real. É que, do mundo real pelo qual ele passou, o que vejo é que foi empregado de mesa e vagamente jornalista do SOL ou do Record, coisa que, convenhamos, pode ser respeitável mas não é, certamente, um extraordinário cartão de visita para um Adjunto de um Ministro das Infraestruturas. Tirando isso, o que vejo é o percurso da malta que anda de curso em curso, começando na comunicação, passando pela política, investigando coisas de duvidoso interesse, e que assim anda, mestrando-se e doutorando-se e, en passant, assessorando estes e aqueles.

Isto, sim, parece-me muito questionável. Ele e todos os outros e outras que, sendo amigos do BE ou do PS ou do que for, e frequentando os corredores das intrigas partidárias, acabam compensados com lugares bem remunerados como adjuntos e assessores. 

E falo no BE pois é público que  quem deu a mão a Frederico Pinheiro para ele se introduzir nestes meios foi Ana Drago. Transcrevo:

(...) de janeiro de 2013 a março de 2014, tornou-se assessor de Política Económica e Financeira da Assembleia da República, sob o aval de Ana Drago. A deputada assinou uma carta de recomendação onde dizia ter convidado pessoalmente Frederico Pinheiro para trabalhar como colaborador do Bloco de Esquerda. 

Estamos falados.

Além disso, do que vejo, Frederico Pinheiro estava há uns anos naquelas funções de Adjunto de Ministro. Ou seja, trabalharia com Pedro Nuno Santos e terá sido herdado pelo Galamba.

Se agora, por quebra de confiança, Galamba o demitiu, nada a dizer. Terá feito bem. Não se pode ter um Adjunto em que não se confia. E, tal como já o disse, fosse eu ministra, alguma vez quereria ter um Adjunto com um CV como o deste Fred...? É que nem pouco mais ou menos. 

E nem quero saber do folhetim das notas, tretas que são milho para pardais. Falo apenas do CV do amigo 'pessoal' de Ana Drago (sic).

Mais. Ficou agora a saber-se, pela reação do dito Frederico, que emocionalmente não será muito maduro e que, quanto a sentido de Estado, tem sido a tristeza que se tem visto: despeja mensagens e mails para a comunicação social, levou (sem autorização) um computador do ministério com informação classificada, teve reacções violentas, etc. Portanto, face a isto, ainda mais razão há que dar a Galamba. Se o exonerou, se calhar o que há a censurar é que só tenha sido agora.

Volto a dizer que o que me preocupa nisto é, sobretudo, pensar que há gente deste calibre nos ministérios.

De resto, não percebo bem que 'culpas' se atribuem a Galamba. Não pode ser o brinco. Se ele tivesse um piercing num neurónio eu poderia ficar preocupada, talvez lhe afectasse o raciocínio. Agora um piercing na orelha não vejo que isso prejudique o seu trabalho.

Pelo contrário, não tenho ouvido dizer mal a quem tem lidado profissionalmente com ele, em especial quando estava na Energia.

No meio desta catadupa de suspeições e acusações, parece que agora se pede a cabeça dele por supostamente o Ministério ter contactado o SIS. Só que penso que as pessoas pensam que o SIS foi contactado para recuperar um computador roubado quando isso era caso para a PSP.

Ora tenho a dizer que eu, no lugar do Galamba, teria pensado e feito o mesmo que ele. Se um computador com informação classificada e sensível para o Estado está nas mãos de alguém ressabiado que foi demitido, então deve ser dado o alerta ao SIS. 

Se calhar as pessoas pensam que o SIS só deve ser alertado em caso de terrorismo ou coisa do género. Errado. Tanto quanto julgo saber, o SIS deve ser alertado sempre que esteja em causa zelar pelos interesses do País, nomeadamente quando se pensa que informação sensível pode ir parar a mãos que a usarão contra os interesses do país, seja em temas com contornos económicos, estratégicos ou outros.

Já participei em operações de venda de empresas. É sempre um tema sigiloso em que a informação tem que ser restrita e acessível apenas a quem é inequivocamente capaz de guardar segredo seja em que condições forem. Qualquer fuga indesejada de informação prejudica sempre quem vende.

Por exemplo, tendo o Frederico Pinheiro no computador o plano de reestruturação da TAP é certo e sabido que, se alguma informação transpira para os potenciais compradores, logo o que lá consta será sinónimo de um desconto. Se, por exemplo, lá consta que, para modernizar a empresa, se terá que investir 200 milhões de euros, logo qualquer comprador dirá que vai abater essa verba ao valor que ia oferecer. Branco é, galinha o põe.

Escusado será dizer que quaisquer empresas compradoras se 'pelam' por obter informações (e são conhecidas algumas práticas pouco recomendáveis para aliciar interessados em passar essas informações). 

É obrigação do SIS zelar por que os interesses do País sejam acautelados. Não nos esqueçamos que se o negócio correr mal (e não me refiro apenas ao preço de venda) é Portugal que ficará prejudicado. 

Portanto, quem anda por aí na maior histeria por o SIS ter sido alertado só pode ignorar isto.

De resto, gostei da intervenção de António Costa. O meu marido comentou: Tem tomates. Mas eu, que aqui escrevo, porque acho que, sendo ele Primeiro Ministro, devo ter algum tento na língua, digo apenas que acho que ele os tem no sítio, referindo-me naturalmente aos seus respeitáveis testículos.

Não se pode governar em função dos bugalhos desta vida nem dos jornalistas que, esquecidos que a sua missão é informar com isenção, resolveram todos saltar para a ribalta para tomar partido e para defender acerrimamente quem lhes dá na bolha, sem um pigo de racionalidade ou isenção. Não se pode governar indo atrás de bocas ou de humores. Há que ter os pés na terra e agir com objectividade. 

Gostei bastante do ouvir o Costa. Acho que tem coluna vertebral, que tem cabeça, que tem os pés na terra, que não vai em cantigas.

[Que eu gostaria que o Costa conseguisse arregimentar para o seu Governo gente de alto calibre como, no seu tempo, foram Álvaro Barreto ou Nobre da Costa, claro que sim. Mas duvido que, nos tempos de hoje, com a chusma de besouros venenosos e melgas palradoras que enxameiam a comunicação social, pessoas experientes e competentes largassem os seus empregos para se irem sujeitar à vida política de hoje em que meio mundo se acha no direito de enlamear quem ousa afirmar a sua vontade.

Curiosamente, há pouco, ao falar com o meu filho, pessoa competente, experiente e com um trabalho que o motiva, disse-lhe isto e perguntei-lhe se ele, por exemplo, aceitaria ir para ministro, ele disse-me que sim, Fiquei muito admirada. Percebi que gostava de servir o País. Contudo, acrescentou que, não estando ligado a nenhum partido e, portanto, sem ligação a qualquer aparelho, não seria recomendado e, portanto, não seria convidado. E que, portanto, a questão nem se põe.

Não sei se será assim mas, na volta, é mesmo. Não sei como funciona a selecção de nomes ministeriáveis mas, do que se tem visto, de facto António Costa não tem conseguido sair da bolha política do partido.

Mas isto é um tema geral, que transcende o Costa, que transcende o PS, que transcende o PSD. É uma questão de regime. E é um tema sério, basilar. Por isso, tenho falado que este assunto, sim, seria um tema que Marcelo deveria agarrar: como conseguir atrair para a política -- e para a governação, em particular --, gente séria,  experiente e competente?]

Mas, no tema em concreto do Galamba, nas actuais circunstâncias, percebo que António Costa tenha tomado a atitude corajosa que tomou, dando o peito às balas para seguir a sua consciência. Revela sentido de Estado, revela princípios, revela cabeça fria, revela coragem, revela liderança. É o que se espera de um Primeiro-Ministro.

Já o que não percebo é a reacção de Marcelo ao emitir uma Nota em que mostra publicamente o desacordo perante a posição de António Costa. Não percebo mesmo. E não gostei. Fiquei, até, incomodada. Todos os comentadores se agarrarão agora a isto, explorarão este publicitado desacordo ad nauseam. E isso não é saudável para a democracia. Parece-me uma reacção semelhante à do 'puto' Fred que, fulo por ter sido demitido, invadiu o ministério, roubou o computador e, segundo li nas notícias, atirou a bicicleta contra as portas de vidros. 

Falta a Marcelo o que Costa revelou na sua intervenção. Marcelo -- que já se tinha esticado ao deixar que anunciassem publicamente o seu pedido de demissão do Galamba e que tem andado a atear a fogueira da dissolução para gáudio das mediáticas marabuntas --, escusava de ter-se exposto ainda mais com esta Nota. Diminuiu-se publicamente.

Espero que reconsidere e se reposicione pois, em minha opinião, com esta Nota, qual bicicleta atirada contra os vidros de São Bento, prestou um mau serviço ao País (e desgastou, ainda mais, a sua imagem).

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Para os que se sentiram defraudados por Costa não nos ter servido a cabeça do Galamba, para ver se se acalmam, junto várias pinturas que mostram Judite com a cabeça de Holofernes na mão. 

Menina mais castigadora que só visto...! Estava mesmo bem como comentadeira, esta Judite. Era ela e a Moura Guedes. Olha que duas.

(NB: O Holofernes é barbudo e não tem brinco, lamento, mas é o que se arranja).

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Um bom dia

Saúde. Tino. Paz.

terça-feira, maio 02, 2023

O susto de a gente se sentir perdido dos outros

 

Nunca passei por nada que se pareça com o que o Roberto, aqui abaixo, nos conta. Deve ter sido um susto e tanto. Ele disfarça, leva para a brincadeira mas está bem, está. 

O mais parecido, e que me deixou deveras ansiosa, foi o que se passou há uns anos em Bruxelas, no aeroporto. 

Vínhamos de Amesterdão e eu e mais dois seguiríamos para Lisboa e um para o Porto. Isto tinha sido um improviso de última hora pois era para virmos, mais tarde, directamente de Amesterdão para os nossos destinos. Mas um deles é uma pessoa acelerada e, achando que era um desperdício de tempo ficarmos a bater perna na Holanda, tinha pedido mudança de voos. E, assim, todos os planos tinham sido precipitados, passando a incluir uma escala em Bruxelas e tudo à tangente. 

Chegados ao aeroporto, um aeroporto super movimentado (como quem o conheça poderá confirmar), uns procuravam a porta para Lisboa e o outro a do Porto. Mas, entretanto, eu queria trazer qualquer coisa para os meus filhos que, à data, ainda viviam connosco. Portanto, rapidamente entrei na free shop para trazer nem que fosse uns chocolates. Eles também entraram. Combinámos encontrar-nos à porta para embarcarmos juntos. Devo dizer que detesto cenas assim, correrias, stresses em locais de grande confusão (ainda por cima, tudo para chegar a casa apenas uma ou duas horas antes). 

Acontece que eu tinha o número de telemóvel do que ia para o Porto, não dos que vinham comigo para Lisboa com quem, na altura, ainda não tinha grande confiança.

Mas aquilo era um mundo de gente e, quando estava na caixa e olhei à volta, não vi os de Lisboa, apenas o que ia para o Porto. Perguntei-lhe pelos outros dois. Não sabia, tinha deixado de os ver e abalou à pressa, para a porta dele. 

Olhei, uns enervados 360º, e nada, nem rasto dos meus dois companheiros.

Era hora de embarcar e eu não sabia deles. Nem eles tinham o meu número. 

Fiquei sem saber se eles tinham deixado de me ver e estariam à minha procura ou se, dado o aperto da hora, tinham avançado para o avião. Pensei: se fico à espera de os encontrar, ainda perco o avião. Em contrapartida, se embarco e eles andam cá fora à minha procura e perdem eles o avião, se calhar ainda é pior papel.

Não disse ainda que um deles era o administrador da holding a quem eu reportava há muito pouco tempo e o outro era o próprio presidente. Nada de mais mas, parecendo que não, uma pessoa parece que fica um bocado mais atrapalhada, tanto mais que o nosso convívio ainda era coisa recente. Uma barracada que meta perda de avião é sempre chata mas sendo os envolvidos aqueles dois parecia-me ainda mais chato. Fiquei naquele sufoco. Faço o quê? 

Ouvi a última chamada para o embarque.

Então resolvi que avançava e que se lixasse. Entretanto, tive uma ideia luminosa: lembrei-me que tinha o número da secretária do presidente. Liguei-lhe para ela me dar o número dele ou lhe ligar ela a dizer que eu ia entrar. Mas deu-me interrompido. Caraças. Quando dá para o torto, é para a desgraça. Toda acelerada e enervada, escrevi-lhe uma mensagem.

E avancei.

Quando entrei no avião, lá estavam eles os dois. E já o presidente estava a receber a mensagem da secretária. 

Tinha-lhes acontecido o mesmo que a mim. Tinham deixado de me ver, andaram às voltas e, à última hora, resolveram entrar.

Tudo acabou em bem. Mas o stressezinho por que passei ficou-me tatuado nas meninges.

Certamente, tal como aconteceu com o bom do Roberto.

Roberto foi esquecido e ficou trancado na clínica médica 

| Que História É Essa, Porchat?

Todo mundo já sonhou passar a noite em um shopping, mas e em uma clínica médica? Roberto passou por isso! Ele foi fazer uma ressonância magnética e acabou sendo esquecido dentro na clínica. Pra piorar, na época ele não tinha celular e a mulher dele não acreditou muito nessa história... Vem ouvir!


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Desejo-vos um dia bom
Saúde. Boa disposição. Paz.

segunda-feira, maio 01, 2023

Um domingo feliz

 

Dia em família, tranquilo, os meninos a jogar horas de ping-pong, uma boa tarde de sol, uma temperatura no ponto, as buganvílias numa explosão de cor. 

O terraço que arranjámos junto à porta da sala tem-se revelado um lugar aprazível, abrigado, confortável. É aqui que geralmente nos concentramos.

As rosas também estão a aparecer, rubras, belíssimas. As nêsperas estão doces de dar gosto. A natureza é generosa.

O urso peludo está cada vez mais educado. Obedece, brinca, fica ainda mais feliz quando está em família. 

Contudo, de vez em quando, cansado de tanta brincadeira e tanta emoção, aproveita para descansar.


Enquanto os que estão a banhos no Algarve nos enviavam fotografias dos meninos a tomar um belo banho de espuma, fofos, fofos, e, depois, de roupão, cabelos molhados e felizes da vida, a lancharem, ao fim da tarde os que cá estão foram jogar padel, tinham reservado campo. Os mais novos têm pilhas que não se gastam e que, aparentemente, nem precisam de recarregar. Jogam todos muito bem padel, os mais novos e os menos novos, com uma energia e uma força que dá gosto. O meu marido também jogou e surpreendeu-me pois (que eu saiba...) nunca tinha jogado. Houve quem dissesse que deu baile aos demais e eu, que sou leiga, estava de facto impressionada. Agora que se foi deitar, ia a dizer que lhe parecia que um dos pés lhe estava a dar sinal. Mas, depois da exibição a que eu assisti, isso não é nada.

Eu não joguei, tenho medo que o joelho se ressinta. Dentro de água pontapeio, pedalo, dobro, estico, levanto, salto e o diabo a sete mas, cá fora, parece que agora ganhei um bocado de medo. Fiquei a ver e a fotografá-los que também é bom. E, se alguma bola vinha parar cá fora, eu ia apanhá-la. Já não é mau.

Quando estávamos a regressar a casa, vimos um pica-pau muito bonito.

A natureza é uma coisa extraordinária na sua diversidade, na sua beleza. Mas temo que um dia deixe de ser assim.

Assusta-me muito a seca e, em geral, as alterações climáticas. 

Temos que, muito urgentemente, encarar de frente a situação da falta de água. Seja criando barreiras que ajudem a criar condensação e que favoreçam a formação de nuvens, seja dessalinizando a água do mar, criando muito mais bacias de irrigação e pipelines de distribuição, seja florestando e criando mecanismos de fixação de humidade, não sei -- creio é que é crítico que se estudem urgentemente alternativas e se comece enquanto é tempo.

Nem quero pensar que o mundo em que os meus netos vão ser adultos pode ser inóspito, até cruel, e que nós, os da geração que contribuiu para isto, nada fizemos para garantir a qualidade de vida dos que nos sucederão.

Espero que António Costa, com o apoio de Marcelo, saibam mobilizar o País nesse sentido.

Mas, enfim, é fim de semana prolongado e em dias assim não é a melhor altura para se falar de temas destes. Certo?

Portanto, adiante.

Não tenho pegado no meu book, o que está em recuperação e que, depois, ainda tem que ser lido e relido e editado. Os dias correm sem parar e eu não consigo agarrar o tempo.

No outro dia, um senhor disse-me que não tinha sensibilidade ao calor em dois dedos. Não percebi bem o que ele me estava a dizer. Concretizou: tinha tido um AVC e tinha ficado com essa sequela. Fiquei admirada. Terá uns cinquenta e tal, magro, sem factores de risco à vista. Explicou que acreditava que tinha sido o tabaco, que fumava muito. Depois disse-me: 'Temos que viver bem todos os dias porque um dia pode acontecer uma coisa que não esperávamos e deixamos de ser iguais ao que éramos antes'. Encolheu os ombros com uma certa tristeza. Compreendi-o muito bem.

E concordo com ele. Não sabendo se amanhã vai ser um dia bom (ou pior do que o de hoje), que saibamos aproveitar cada momento.

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Ao ritmo da natureza


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Uma boa semana a começar já esta segunda-feira

E viva o trabalho.

Saúde. Alegria. Paz.