quinta-feira, abril 14, 2011

Durão Barroso, irritado: por qué no te callas?! (pedindo mais responsabilidade aos políticos portugueses - acho que a dirigir-se ao perturbado Pedro Passos Coelho)


Durão Barroso hoje passou um raspanete à desgraçada classe política portuguesa que não atina, que só arranja problemas, que anda a fazer uma figurinha triste por todo o lado: loud and clear explicou que pode não haver dinheiro para acudir à desgraça e que, portanto, façam o favor de se portar como gente grande.

E tem razão o José Barroso porque, de facto, o DJ PPC hoje continuou a fazer das dele. Parece mentira mas, ó céus!, é mesmo verdade. 

O elemento masculino deste casal muito chique, de Massamá, anda a irritar toda a gente, especialmente os correlegionários do PSD e as autoridades de Bruxelas

Hoje o caldinho que arranjou teve gatos e esqueletos como ingredientes principais.

Do que se percebeu, Pedro Passos Coelho vai abrir os armários de casa para ver se os esqueletos de lá saem


Quanto aos rabos de gato, não percebi bem mas acho que também os quer ver de perto



E, como se não fossem já parvoíces a mais, resolveu ainda armar-se em menino na idade dos porquês, e, alinhado com o parceiro Louçã, entregou a  Sócrates uma lista com não sei quantas perguntas. Pelos vistos não percebeu que está cá uma comissão técnica chefiada pelo FMI para auditar e avaliar o que se passa com as contas. Num ataque de palermice aguda agora quer substituir-se a essa comissão.  

Não, isto não é para rir: a coisa é dramática.

Mas pior: no outro dia ouvi-o a dizer que Sócrates 'não passa cartão' não sei a quem. 'Não passa cartão'? Mas que linguajar é este dito num local público, sob os holofotes?

E ontem, na rádio, ouvi-o a dizer: "Os factos é que (...)" e já nem consegui o resto porque, para mim, um pontapé na gramática é como uma faca espetada no peito.

E este senhor, o que anda a fazer? Vê a imagem de Portugal a degradar-se até ao nível da humilhação e não faz nada? Ou está a ver o que há de escrever no facebook sobre as novidades relativas às acções do SLN?


Não estará nas atribuições da Presidência da República intervir em casos de força maior? Não se justificará aplicar este tratamento ao DJ PPC?

Eu acho que sim, é preciso que alguém cale aquele homem.

Ok, talvez baste a fita-cola na boca, talvez não seja preciso o Sr. Presidente pôr-lhe as cruzinhas nos mamilos...

G. Armani? Será mesmo ele, o estilista Giorgio Armani?

Na minha estante, um bebé em porcelana da autoria de G. Armani ao pé de menina brincalhona

Há algum tempo atrás, numa ocasião especial, uma pessoa de família de alguma idade que oferecia sempre presentes especiais, ofereceu-me a peça da direita, deixando-me perceber que se tratava de uma peça de facto especial, um bebé sobre almofada, peça de fina porcelana assente numa base de madeira. Sei que essa peça foi adquirida há quase 30 anos.

Na altura, considerei que a peça em si e a sua adequabilidade à situação eram, na verdade, especiais e, por alguma inexplicável razão, durante bastante tempo não me ocorreu prestar atenção ao nome gravado na placa metálica cravada na madeira. Quando reparei já não tive ocasião de esclarecer a dúvida.

Está escrito G. Armani e, na base, por baixo, 'Made in Italy'. Fiquei muito admirada. Pode ser coincidência. Mas poderá ser uma peça desenhada pelo Giorgio Armani estilista?

Fica a dúvida. Entretanto, depois, noutra ocasião, tentei arranjar outra peça do género e a que me pareceu mais adequada é a da menina sobre caixinha de biscuit que poderão ver à esquerda.  É também de uma perfeição e graciosidade fantásticas. Agora terei que arranjar uma terceira peça.

Estão a bom recato (protegendo-se do pó...) na minha bonita estante ondulante que tem portas de vidro e que está tão arrumadinha e com os livros tão à larga que já não há o risco de as prateleiras desabarem como antes.

quarta-feira, abril 13, 2011

José Luís Ferreira d'Os Verdes e Joaquin Phoenix, gémeos separados à nascença?

José Luís Ferreira, o gémeo verde e angustiado do igualmente angustiado Joaqui Phoenix 

Joaquin Phoenix, o gémeo vitelino do verde José Luís Ferreira: andam ambos sempre enervados, sempre em tensão, que impressão que faz vê-los assim.

Nota: Hoje ambos têm uns anos a mais do que tinham nestas fotografias mas as feições, as expressões, mantêm-se inalteráveis.

Espanhóis, franceses, holandeses, japoneses, marroquinos, israelitas, noruegueses, belgas, alemães .... como é trabalhar e negociar com eles (pelo menos, de acordo com a minha experiência)

Ao longo da minha vida profissional tenho trabalhado com pessoas de vários países. Ao fim de algum tempo foi-me possível estabelecer um padrão nos respectivos comportamentos.

Numa altura em que se vêem tantas comparações entre Portugal e outros países apetece-me acrescentar aqui a minha opinião pessoal sobre os traços mais comuns nas pessoas de várias nacionalidades.

Espanha

Já aqui referi por mais do que uma vez a má experiência que tive com as várias equipas de espanhóis com quem tive oportunidade de me relacionar profissionalmente. Como há diferenças significativas entre regiões, refiro que os meus contactos foram essencialmente com pessoas de Madrid e de Barcelona. Tirando o caso uma pessoa que era da zona de Santander e com quem não houve nunca qualquer problema, e tirando o caso de pessoas que estavam integradas em multinacionais e alinhadas com as práticas dessas organizações, os restantes eram pouco evoluídos a nível de gestão e mesmo tecnológico, desorganizados, trabalhavam sem planeamento e, sobretudo, eram pouco reliable.

Combina-se uma coisa, inclusivamente por escrito e, passado algum tempo, se lhes convém, dão o dito por não dito, fazem o contrário, protelam, sonegam, subvertem o que foi combinado. E, se lhes parecer oportuno, dramatizam, fazem grandes cenas, depois pedem desculpa: um desatino.

São aquilo a que pejorativamente costumamos designar por ciganos.

No entanto têm ‘olho para o negócio’, há neles um certo pragmatismo, é aquilo que costumamos designar por não olhar a meios para atingir os fins, sacrificam a moral e a ética se lhes parecer que tirarão proveito disso.

Em qualquer negócio em que entremos com eles, sairemos provavelmente a perder pois somos mais certinhos, temos mais escrúpulos.


França

Que me recorde, franceses, lidei sobretudo com o director comercial de um Grupo e com o vice-presidente de uma grande trading multinacional. Este último, para além de um enorme charme tinha grande capacidade de liderança e uma maneira de se apresentar incomum nestas funções, coisa que a sua alta estatura e elegância no porte permitia (calças de bombazine, gola alta, blasers de tweed, cabelo relativamente comprido). Mas, se a amostra de duas pessoas pode ser considerada significativa, direi que são simpáticos, afáveis, relativamente ligeiros, relativamente informais.

Devo, no entanto, referir uma situação. É costume ouvir dizer-se que os franceses não se lavam. Pois bem, isso não sei mas que o director comercial com quem tive numerosas reuniões cheirava sempre a transpiração é um facto. Nunca consegui perceber. Mesmo quando as reuniões eram de manhã, já ele me cheirava desagradavelmente. Talvez fosse um problema de saúde e não de higiene.


Bélgica

Uns senhores, um certo comportamento de fidalguia. Nem muito aguerridos, nem muito persistentes mas um certo ascendente pela palavra, um posicionamento tradicional, e uma amabilidade cortês embora reservada ou mesmo um pouco distante.


Holanda

Talvez os mais parecidos connosco. Simpáticos, descontraídos, apreciadores do convívio, do turismo, da boa vida, uma afabilidade coloquial. Mas minuciosos nas contas, não se incomodando de discutir aquilo a que os portugueses chamam negligentemente de trocos. Com a mesma naturalidade com que falam de grandes negócios, decompõem o grande em pequeno e vão a cada pormenor. Não dão nada de barato e nisso fazem a diferença.


Japão

Talvez dos mais diferentes de nós. Procuram produtos especiais e pagam de acordo com isso, ou seja, pagam preços elevados e dispõem-se a suportar os elevados preços de transporte. São de uma minúcia às vezes exasperante pois querem ter a certeza de que lhes dizemos tudo e que percebem tudo, perguntam e tornam a perguntar, uma prolongada troca de correspondência, querendo compreender detalhes por vezes difíceis de explicar.

Gostam de sentir que se está a fazer uma coisa especial para eles, gostam de sentir que temos um cuidado especial naquilo que fazemos para eles. De vez em quando deslocam-se em bando para reuniões para conhecer as pessoas com quem se correspondem, para ver como se fazem os produtos, querendo ver tudo com um pormenor desconcertante.

Como se sabe, dão prolongados apertos de mão, sorrindo, acenando com a cabeça e riem-se muito.

Aconteceram-me com eles algumas situações que tenderíamos a classificar de desagradáveis mas que me apercebi que são basicamente particularidades culturais.

É frequente, a meio das negociações, desatarem a falar em japonês entre eles deixando-nos a nós a olhar uns para os outros sem perceber patavina do que dizem. Por mais do que uma vez me apeteceu chamar-lhes a atenção para isso mas aguentei-me e acho que foi o melhor que fiz.

Fazem também uma coisa curiosa: trazem presentes e, nas reuniões, apenas dão presente à pessoa mais importante. Poderá ser ao presidente da empresa, a quem oferecem por exemplo uma requintada gravata de seda ou um objecto de valor, deixando a quem recebe incomodado por ser o único a receber um presente numa mesa em que sentam várias pessoas. Mas como gostam de sentir apreço, oferecem o presente e riem-se muito, felizes por sentir que agradaram. Já me vi nas duas situações, a de não receber nada e a de ser a única a receber, quando estava acompanhada de mais uma meia dúzia de colegas. Desconfortável. (Conservo em uso um grande lenço de seda lindíssimo, de uma macieza ao toque incomparável, com um design a um tempo moderno e tradicional, de facto intemporal, em tons predominantes cor de laranja sobre fundo branco mas com partes em diferentes tons de cinzento e em bege).

E queriam dar o meu nome a um produto e queriam tirar fotografias connosco e gostavam de ir jantar a sítios que sentissem que eram muito bons e nós sentíamos que estavam à espera que lhes proporcionássemos um acolhimento especial, em ambiente de grande hospitalidade. E riam-se sempre muito e agradeciam muito e estavam séculos a apertar-nos a mão.

Mas era com o Japão que se faziam os negócios de maior margem, de longe. Questionam por vezes alguns detalhes mas predispõem-se facilmente a pagar valores extraordinariamente altos.


Marrocos

Parceiros consistentes mas uma canseira. De cada pequena vez que se proporcionava, lá estavam eles a ver se conseguiam negociar qualquer coisinha extra e, sobretudo, com pompa e circunstância, a cada semestre, lá tínhamos grandes negociações que eram por escrito, por telefone (longos, longos, exaustivos telefonemas) e, finalmente, em pessoa. Tardes e tardes de negociação em que era mais o gosto obsessivo pela negociação do que outra coisa, e sempre tudo muito teatralizado mas com ar sofredor de quem estava a perder muito dinheiro, e que tinham que falar para o presidente e para o primo do rei e para o irmão do rei, ‘mais madame, mais madame, ce n’est pas possible, mais madame, ne demandez pas cela’, longas tardes, até à exaustão.

E depois tudo se concluía em bem, conforme à partida já se sabia.

E muito simpáticos, muito delicados, muito charmosos, todos com cursos superiores tirados na Europa, preferencialmente em Paris, claro.


Israel

Este mundo é um mundo de homens. Por norma, as reuniões são inteiramente masculinas (quando estou eu, sou geralmente a única mulher). O país em que me apareceram interlocutoras foi Israel. Em todos os casos mulheres bonitas, interessantes, muito femininas, muito bem arranjadas.

De todos os interlocutores, os israelitas foram talvez os mais temíveis.

Mesmo estas mulheres graciosas e elegantes eram, na verdade, duríssimas quando o tema era negócios.

Jogam forte e sustêm o jogo, fazem ultimatos e cumprem-nos à mínima hesitação da nossa parte. Reuniões com eles eram sempre reuniões que poderiam revestir-se de alguma tensão. Uma vez, com um deles, estivemos mesmo quase para suspender a reunião e convidá-lo a sair pois já estava a descambar para a agressividade descortês.

Por vezes, tendem a esquecer-se da regra de ouro dos negócios: um bom negócio é um negócio que é bom para ambas as partes. Se não jogarmos tão duro quanto eles, tendem a impor negócios leoninamente vantajosos para eles. E, mesmo depois de se chegar a acordo, acompanham a sua execução sempre com grande controlo e alguma desconfiança.


Noruega

Muito parecidos com os alemães. Impecáveis.

Alemanha

Em minha opinião os mais profissionais.

Trabalhei com pessoas de várias empresas, de várias regiões e a opinião que formei foi idêntica para todos eles. De uma objectividade, pragmatismo e rigor ímpares. Os relacionamentos profissionais mais sustentáveis, mais continuados, mais profícuos foram com alemães.

De uma forma muito natural, as coisas flúem com planeamento, com monitorização, com feed back. Tudo parece ocorrer sem esforço e tudo muito eficiente, sem um cálculo, uma palavra a mais do que é necessário. Mas cobrindo tudo o que é necessário para um entendimento perfeito da situação.

Nunca os ouvi queixarem-se de muito trabalho, nunca os vi cansados. Quando vinham cá, chegavam frescos ao meu gabinete, conversávamos, trabalhávamos, conversávamos e decorridas poucas horas tudo estava tratado em ambiente de total descontracção e dever cumprido. E falava-se de filhos, de cinema, do ambiente que se vivia em cada país e de hábitos e tudo muito friendly. E sempre tudo altamente eficaz, eficiente, sem burocracia, com simplicidade.

Todos os dias às 5 da tarde saíam, á 6ª feira à tarde não trabalhavam. E nunca senti qualquer sinal de arrogância, de prepotência. Muito pelo contrário: muito simpáticos, muito compreensivos, tentando perceber as dificuldades do outro lado, muito leais. Além disso, numa altura complexa, tive da parte de alemães as maiores demonstrações de verdadeira amizade.


(PS: Sobre a Argélia não me pronuncio, pode ser que a minha experiência não seja significativa. Mas foi desconcertante, constrangedor)

Poul Thomsen, welcome Mr. Governador de Portugal

He's got blue eyes
Os portugueses pedem-lhe encarecidamente, Mr. Poul Thomsen: esteja à vontade, feel free, feel at home, arrume-nos a casa, ponha-nos as contas em ordem. E mesmo que fique enjoado com o amadorismo e a incompetência da classe política que lhe aparecer pela frente, mantenha-se firme, pense no clima agradável, na comida saborosa, não se vá embora. O povo agradece.

Um país de gente mentirosa, intriguista, ignorante, relapsa, doida: deve ser assim que lá fora vêem Portugal


Saem dos Conselhos de Estado e desmentem-se, insultam-se como vizinhas do beco das sardinheiras, provocam crises com base em desculpas que depois se vem a descobrir que são mentiras (mas nem as mentiras conseguem sustentar ou defender), depois vem o outro e diz que recebeu convites do partido, vem o ministro que jantou com ele e diz que não o convidou, enfim, uma longa sucessão de pequenas e parvas aldrabices: e a gente assiste a isto e só consegue pensar que são uns troca-tintas, uns trapalhões, uma gente sem nível. Isto é o ground zero da política portuguesa.

Neste momento estou a ouvir o Santana Lopes e o Fernando Rosas com a Constança Cunha e Sá na TVI 24 e dou por mim a achar que o PSL é um sujeito sensato, com algum sentido de estado. Ao que isto chegou.


Não se consegue aguentar isto.

Perante a preocupação que é o estado das finanças públicas, com os bancos a ficarem sem força nas pernas, com os alemães renitentes no apoio a Portugal, com a economia a definhar, as empresas a tremerem, com mil problemas sérios, anda esta gentinha desqualificada aqui a maçar-nos e a passar para o exterior a ideia de que isto é uma piolheira ingovernável.

Que a governação dos últimos tempos do PS foi pouco recomendável é um facto inquestionável. Mas as alternativas são inexistentes. O que se passa no PSD com este sujeito, PPC, é uma coisa do além. Isto de dizer que vai propor o Fernando Nobre para presidente da Assembleia da República revela uma ignorância, uma estupidez, uma saloice, um desrespeito pelas instituições, como não há memória: uma coisa perfeitamente inaceitável.

No meio desta barafunda que o PSD anda a armar, com caldinhos todos os dias, em que ninguém respeitável quer ingressar as listas, o Portas anda caladinho.


Enquanto isso lá por fora, gestores alemães da Ferrostaal são condenados por corrupção em Portugal (e Grécia) no processo dos submarinos.


Corromperam quem em Portugal...?

Que situação esta em que estamos. Nem consigo dizer mais nada. Isto enerva-me.

Que interlocutores capazes é que esta comissão - que está cá para ver se nos salvar - vai ter? Estamos bem entregues, estamos.

terça-feira, abril 12, 2011

Os meus lírios in heaven e a pintura de Georgia O'Keeffe e as esculturas de Cutileiro e Rodin


Não consigo falar de política, economia. O FMI chegou. Talvez agora alguém seja capaz de gerir este País.

Hoje prefiro ocupar os meus pensamentos com assuntos do que gosto. Há pouco estive com os meus três menininhos pequeninos e com os meus meninos grandes e não há no mundo coisa que se compare a estes sagrados momentos. E agora estou com música, pintura, escultura, dança, fotografia.

Espero que gostem.


Os meus lírios do campo, in heaven

Purple petunias de Georgia O'Keeffe

Mulher adormecida de João Cutileiro

O beijo de Rodin

Mikhail Baryshnikov, the flying man, in Don Quixote

A grande arte: no bailado, Baryshnikov, o homem cheio de graça, de graciosidade, o atleta que ignora os limites do corpo humano, voando, voando no bailado Don Quixote, a grande música aqui ao serviço da dança.

Apenas o vi ao vivo uma única vez mas nunca mais o esquecerei. Mikhail era ele próprio a música e voava sobre o espaço. Quando acabou eu não queria que ele acabasse porque, enquanto o vi, voei com ele. É esta a força dos verdadeiros artistas: levam-nos com eles.

Espero que gostem.

June Tabor interpreta Lili Marleen (ou Lili Marlene)

June Tabor é uma das minhas grandes preferências. A sua voz vem do interior da terra, é intensa, genuína, envolvente, perdura em nós.

Aqui interpreta uma das canções de que mais gosto, uma canção de sempre, Lili Marleen (ou Marlene, consoante o idioma).

Já aqui no Um Jeito Manso dediquei um post a esta canção, com um excerto do filme Lili Marleen de Fassbinder na tocante interpretação de Hanna Shygulla. Hoje volto a fazê-lo pois June Tabor, começando por contar a história desta canção, reinterpreta-a de seguida com a sua extraordinária voz, com a sua habitual intensidade.

Espero que gostem.

segunda-feira, abril 11, 2011

M Butterfly de David Cronenberg - uma assombrosa história de amor

Jeremy Irons, a grande música, as grandes interpretações, uma história verdadeira. M Butterfly.

Espero que gostem.

Adele interpreta 'Make You Feel My Love'

Adele, a voz poderosa e quente de que se fala. Vale bem a pena ouvi-la.

Fernando Nobre cabeça de lista do PSD por Lisboa - a sentença fatal para Pedro Passos Coelho

Eu hoje estava mesmo numa de flores. Os testes de personalidade do tipo Jungs and Briggs Myers colocam-me sempre como Doer (muito mais do que thinker ou judger - não, eu sou mesmo do tipo de fazer coisas) e, talvez por isso, porque me maravilho com flores, tal como referi no post abaixo, gostaria de fazer um Museu da Flor e era isso que me apetecia planear.

In heaven, a glicínia está numa euforia que só visto

Ou seja, não me estava nada a apetecer escrever aqui sobre a situação política portuguesa. O nível vai baixando até níveis insuportáveis e não me apetecia debruçar-me sobre tal baixeza.

Mas, quando se pensa que já se bateu no fundo, vem a realidade provar que é sempre possível descer ainda mais. E custa deixar passar em claro.

Ontem tinha escrito sobre as afirmações descabidas, desajustadas, despropositadas de Cavaco Silva dizendo que, em Bruxelas, as autoridades financeiras deveriam ter alguma imaginação no apoio interino a Portugal (what????); também tinha escrito sobre o incómodo que me causou assistir ao exagero emocional, à alienação e ao estilo apoteótico em que decorreu o congresso do PS em Matosinhos.

Mas eis que à tarde ouço que o PSD convidou para encabeçar a lista de Lisboa o Dr. Fernando Nobre. What???? Esta é demais.

Perplexa e angustiada ouço dizer que se candidata para ser o Presidente da Assembleia da República.

Mas a que propósito? Nunca foi deputado! Candidatou-se a PR pregando contra os partidos, contra a política partidária. E agora pode acontecer que o venhamos a ter como 2ª figura de Estado?

Mas o PSD ensandeceu? E esqueceram-se que ele foi candidato contra Cavaco Silva? E que, se for Presidente da Assembleia da República, terá como atribuições substituir Cavaco Silva?

Mas o que é que se passa com o DJ PPC? Não, ele não é apenas uma maria vai com as outras: é mesmo um doido e dos perigosos.

Quanto a Fernando Nobre nem consigo pronunciar-me com ponderação. Esta pessoa causa-me incómodo. Já foi membro da comissão política da candidatura de Mário Soares, já foi mandatário nacional do Bloco de Esquerda, era a favor da política independente de partidos e, na campanha para a presidência da república, revelou-se impreparado, demagogo, inconsistente, espuma e nada mais.

Parece não ter palavra, nem seguir uma linha de rumo. Dá ideia que se fartou de filantropia e que agora anda a ver no que dá.

O que dirá a Margarida Pinto Correia que, na noite das eleições, o olhava embevecida? Que dirão os puros que o apoiaram convencidos de que ele era o representante de uma nova espécie, os imaculados, os que não se deixam infectar pela tinha partidária, pela gosma do poder?

Estará o inteligente Pedro Passos Coelho convencido de que essa legião de ingénuos irá cegamente correndo atrás do adorador de galinhas? Olhe que não, olhe que não.

Galinhas em fuga - a imagem que nos ficou de Fernando Nobre

Mas quem é que, no PSD, anda a aconselhar o Doce Jota? Será o fantástico Miguel Relvas que, aliás, tem mesmo cara de guru (e anda quase sempre com gravata às bolas - talvez porque gravata às bolas é para os estarolas)? Ou será o Cabo Angel? Ou o Frasquilho da pulseirinha fatal? Quem, alguém me diz?

O que dirá Pacheco Pereira a um disparate deste calibre?!

Nem sei que mais diga sobre uma coisa destas. Talvez apenas - e desculpem a vulgaridade da analogia mas é a que me ocorre - que, tanta porcaria fazem, que dá ideia que no pipe line que vem ali  do pseudo think tank do PSD, em vez de ideias, só corre água de esgoto.

Ou seja, para abreviar razões: vão levar uma tareia nas eleições que vai dar dó. E nem será por mérito do PS, será apenas por uma estupidez política como já não havia memória, a da actual direcção do PSD.


Qual dos dois é pior? Não sei... venha o diabo e escolha


Tenho pena mas, com esta de hoje, les jeux sont faits: cá para mim o PSD vai perder estas eleições e o DJ PPC vai à vida logo a seguir.

Isso em si não é preocupante. O que é preocupante é que Portugal tem que ser gerido e tem que haver quem articule as imposições do FMI com a realidade portuguesa e isso não é compaginável com um parlamento desagregado, com uma oposição sem liderança, com multidões na rua.

Olhem, meus caros, não me parece que haja alternativa: por isso, de novo, Watson ao poder, já!

domingo, abril 10, 2011

Here in heaven imagino-me a ajudar a fazer um Museu da Flor

Já aqui referi muitas vezes que gosto muito de museus. Museus, em geral. Claro que há uns que me dizem mais que outros mas, seja como for, o facto de serem repositórios organizados de algo a quem alguém um dia deu valor, ou de coisas que hoje alguém avalia como valioso, ou de coisas que alguém ajuíza como digno de divulgação, já os tornam, a meus olhos, lugares especiais.

Além disso há o espaço em si, os claro-escuros, o silêncio (em Portugal), ou a alegria e devoção (nos muito frequentados museus fora de Portugal).

Um museu que eu gostaria que houvesse e, não havendo (e não tenho conhecimento que haja), que gostaria de ajudar a conceber é o Museu da Flor.

Imagino-o amplo, com salas com pinturas de flores, outras com fotografias de flores, outras com esculturas de flores, outras com cerâmica com motivos florais, outras com mobiliário arte nova, outras com peças de joalharia com motivos florais, outras com bordados e tecidos estampados - e, em cada caso, com peças representativas das várias épocas, desde a reprodução realista até à abstração; e jardins e estufas à volta do edifício do museu, e com uma loja (que venderia perfumes, joalharia, cerâmica, bordados, rendas, peças modernas, flores, etc) e com um restaurante e bar e esplanada.

Eu adoraria visitar um tal museu. E ainda mais adoraria envolver-me na sua execução.

Será tal possível? Como é que se faz um museu assim?

Entretanto, entretenho-me a fotografar flores e não há sítio melhor que aqui, in heaven, especialmente agora, na primavera.

Rosmaninho, salvia, tomilho, e outras pequenas flores campestres

Dois jarros

Jarros e lírios campestres

Cavaco Silva diz que as instituições europeias deverão ter alguma imaginação para nos conseguirem aturar. De lá respondem que estão fartos da verborreia incontinente e da inconsciência dos responsáveis políticos porugueses e que, em vez de imaginação, é preciso é responsabilidade. Se não acredita, confira no video abaixo. Uma vergonha.

Oh Senhor Presidente...o que é isso de programa interino?... não sei, quererá dizer programa uterino? Pois... também não fazia sentido.

E então agora os outros, em Bruxelas, que já têm que nos ajudar, ainda têm que ter imaginação, Senhor Presidente Cavaco?

Só se for para aturar tanta saloice! Ou para o ouvirem a falar com esse ar de marioneta empertigada, com esse sotaque inglês do além, boca escancarada, a dizer coisas que soam como puro nonsense.

Deprimente.

Não é possível isto. Mas as desgraças não ficam por aqui.

O Congresso do PS, mesas e mesas de gente, o Ferro Rodrigues repescado depois da travessia no deserto, todos emocionados e em delírio - depois do que se passou neste País - faz-me lembrar aqueles eventos da IURD de outros tempos, só falta mesmo vermos a Ana Gomes a espernear no chão, convertida ao socratismo, 'I saw the light, I saw the light!'.

(Até não antipatizo com a gémea vitelina da Júlia Pinheiro mas fala muito alto, fala muito, não se cala, não se cansa).

Claro que a seguir à intervenção surreal e descabida de Cavaco Silva e depois dos recados em inglês do Doce Jota PPC (até parece o nome artístico de um disk jockey: DJ PPC) e outros artistas do género, aparecem os senhores das finanças europeias, que levam as coisas mais a sério, a passarem secos, ríspidos, agastados raspanetes a esta tropa fandanga que por aqui anda a fazer palhaçadas.

Jyrki Katainen, ministro das Finanças da Finlândia, tal como vários outros - com ar arreliado de quem já nem sabe como lidar com tanta incompetência - já fizeram saber que os rapazolas do PSD, CDS, PCP e BE agora vão ter que engolir o PEC 4 e medidas ainda mais restritivas. A ver se aprendem.

A maçada disto é que quem vai sofrer com esta desconchavada actuação não são eles: somos todos nós.

Por isso, uma vez mais: !Watson ao poder, já (confira aqui) devidamente assessorado por macaquinhos (veja porquê)!!!! (mas recomendo que não sejam bonobos (outro dia explico porquê) pois senão também não vamos lá...)


Imagination? Shame on you, Mr. President.

António Guerreiro desfere violento ataque a Eduardo Pitta no Expresso (a propósito dos actuais festivais de literatura dedicados aos 'saltibancos' da escrita)

Li en passant as descrições do Festival Literário da Madeira. Ao ler sobre gossips & drinks, cocktails, piadas, debates, ao ver que, a seguir, iam para o computador descrever o que se tinha passado nos blogues, provavelmente no twitter, talvez nos facebooks, pensei que era um bocado aquelas reportagens feitas sobre a viagem dos 'famosos' à eurodisney ou a estâncias de neve ou a praias no nordeste brasileiro: alguém paga a viagem, os agraciados famositos riem-se para a reportagem, sai na revista, todos contentes, ganham uns, ganham outros. Aqui não são os artistecos das novelas: são os escritores e, portanto, a matéria tem outra elevação.

Eduardo Pitta
O Eduardo Pitta descreveu pormenorizadamente o FLM e o José Mário Silva não apenas descreveu, ele-mesmo, como agraciou o amigo Pitta pelas suas descrições e, mais que certo, todos se agraciaram uns aos outros (um círculo fechadote....) e, do que me é dado perceber, há um pequeno círculo que se encontra regularmente nos encontros literários, feiras e outras ocasiões e já sabem que a Inês Pedrosa chega sempre atrasada, que outros são engraçados, outros bons contadores de histórias, e todos se veneram (e talvez de desprezem) e todos se treslêem. Nada de especial.

No entanto, pergunto-me - na minha ignorância - como encontram recolhimento para se dedicarem a tempo inteiro à actividade da escrita. Imagino sempre que, para escrever, será necessário tempo, disponibilidade mental e emocional, tempo de setup, palavras escritas e palavras apagadas, ambiente propício, luz adequada, uma boa mesa, uma cadeira confortável - nada que seja compaginável com gossips, conversetas fáceis e avulsas, átrios de hotel, jantares e bailaricos até às tantas.

Um belo pé de dança, ao que parece

Mas o que ainda mais espantada me deixou foi o violento ataque desferido este sábado, no Expresso, pelo António Guerreiro, no Ao pé da letra,  ao Eduardo Pitta. Desde rei da irrisão involuntária, clown, bouffon, a misto de Pierrot e Arlequim, de tudo António Guerreiro o designa (e só não uso o verbo insultar porque António Guerreiro, que domina com inteligência o mister da palavra, consegue empregar apenas expressões usadas por Eduardo Pitta nas suas descrições).

Porquê?

O que leva um colega de profissão a, publicamente, desferir tão cruel ataque? São isto as tricas, invejinhas e ciúmes entre jornalistas e críticos literários de que se ouve falar?

Não gostei de ler. Acho que o decoro aconselha a que, havendo ajustes de contas a fazer, se escolha o recato, entre paredes, não assim, em público.

António Guerreiro
A vida é curta demais para ser desperdiçada com arruaças que apenas servem para magoar os outros.

Didn't like, Mr. Guerreiro, I didn't like it at all

sábado, abril 09, 2011

Watson ao poder, já! A melhor alternativa a Sócrates e Passos Coelho (e de Portas, Jerónimo e Louçã nem falo)

Sócrates é uma força da natureza, o verdadeiro animal feroz, tem 7 vidas, os adversários são muito, muito, muito piores mas, lamento, nas actuais circunstâncias é necessário alguém sem uma tão grande pegada de acinte, de desgaste, de desconfianças. Portugal precisa de um líder com carácter, mobilizador, congregador de vontades, com rasgo, com visão, com competência (e, reconheçamos: Sócrates tem uma ou outra fragilidadezita...)

Mas, pelo que vejo no congresso, Sócrates está de pedra e cal no PS e, perante um tão grande fôlego, as possíveis alternativas recolhem-se. Não há o mínimo clima dentro do PS para que António Costa ou Francisco Assis se cheguem à frente.

Os socialistas reconhecem a energia, a resistência, a resiliência deste homem que ninguém consegue abater e, perante o seu discurso electrizante, mobilizador, a sala vem abaixo numa ovação estridente, entusiasmada.

Portanto: Sócrates pelo PS.

No PSD, ou se verifica alguma inesperada hecatombe ou vamos mesmo ter a barata tonta do Jota Doce. Cospe para o ar e, sistematicamente, o cuspo cai-lhe em cima. Não sabe o que diz, é uma maria vai com as outras. Portanto, no PSD: Pedro Passos Coelho.

De resto, teremos no CDS o único que por lá se mexe, a ex-Moderna Paulinho dos Submarinos, eterno putativo estadista.

E, na esclarecida e desempoeirada esquerda que temos: o par de jarras, o novo casal maravilha, Jerónimo e Louçã. Depois de se terem deitado com o PSD, esta esquerda fácil, deitar-se-á com quem calhar desde que isso lhes traga votos fáceis e forrobodó nas ruas.

Por isso, meus amigos, com este panorama só vejo mesmo uma alternativa: Watson, o super-computador da IBM.

Vejam-no abaixo. Bate todos os adversários, é quem acerta à maioria das perguntas. Não é melhor do que os nossos líderes partidários? 


                            IBM's Watson supercomputer destroys all humans in Jeopardy

Com a actual classe política só há uma opção: se for para trabalhar (quiçá como ministros ou secretários de estado), então, para ajudar o Watson, sugiro macaquinhos treinados como os que ajudam no hospital Mount Sinai

Helping hands needed? Ok, no big deal, I've got the solution.

E, se os enfermeiros voltarem a fazer greves porque querem ser equiparados a médicos ou querem uma carreira ou coisa do género, Senhor Ministro do próximo governo já sabe: macaquinhos.

Não sei se darão também para deputados ou se, para isso, é melhor irmãozinhos do Watson. Isso não sei.

quinta-feira, abril 07, 2011

Retiro-me para o meu recanto: in heaven não entra Pedro Passos Coelho, nem José Sócrates, nem Miguel Relvas, nem Ana Drago, muito menos Paulo Portas ou Francisco Louça, o Jerónimo de Sousa só se for para uma tarde dançante, nem a Ana Avoila ou Bettencourt Picanço, nem Cavaco Silva e Senhora, a senhora Cristas que grita que se farta nem pensar nem outros senhores e senhoras que por ai andam


Depois de ter escrito sobre tantas coisas que me desagradam, tenho que lavar a alma antes de me deitar.





(O meu Vale de Lobos)

Entre a manhã e a noite fazemos todos grandes maldades - Paula Rego e Machado de Assis (e Pedro Passos Coelho e José Sócrates e o FMI e essas coisas tristes)


Paula Rego - Witches at their Incantations after Salvator Rosa (1991)
De manhã, antes do mingau,e de noite, antes da cama, pedia a Deus que me perdoasse, assim
como eu perdoava aos meus devedores;
mas entre a manhã e a noite fazia uma grande maldade...

(Machado de Assis, As Memórias de Brás Cubas - texto que abre uma série de gravuras do livro Paula Rego, Obra gráfica completa, de T. G. Rosenthal da Cavalo de Ferro)


Comecei o dia a ouvir na TSF a notícia de um estudo realizado entre universidades em que se conclui que uma percentagem expressiva de portugueses deseja uma federação entre Espanha e Portugal.

Quando o lobo mau se aproxima, quando a perspectiva de dias sombrios se adensa, eis o instinto mais primário de sobrevivênca a sobrepôr-se a séculos de história. Uns desejarão que surja um novo Salazar, outros recuarão ao tempo dos Filipes: qualquer coisa servirá desde que se consiga 'pôr a casa em ordem'. São um perigo estes períodos de incerteza e medo.

Ontem escrevi aqui que era indispensável e urgente pedir apoio porque sozinhos já não iríamos lá. Aí está e ainda bem. O que acontecer a partir daqui será melhor do que a situação em que estamos agora, que é de total estrangulamento. Só que a questão não se resolverá de per se com a injecção de dinheiro pois o problema está na incapacidade em gerar riqueza que existe em Portugal. Dinheiro que agora se deite em Portugal será como manteiga em focinho de cão: desaparecerá na mesma hora. É indispensável que se repense o país. Tem que haver produção de riqueza, não poderemos continuar a importar tudo o que consumimos.

Não sei se isso é compaginável com as directrizes e regulamentações de Bruxelas mas tem que haver uma solução para isto. Programas de set aside para os terrenos, obrigando os agricultores a deixarem de cultivar as terras, programas de redução de frota pesqueira, mais as fábricas a fecharem, empresários a vender as empresas a outros países - tudo isso tem que ser repensado.

Mas quem o fará? Aquele boneco de feira que dá pelo nome de Pedro Passos Coelho que papagueia cada dia sua coisa?

Passos Coelho, como se sabe, é o alourado

Sócrates, já desgastado, pouco credível, de candeias às avessas da a oposição?

Parece-me que os partidos deveriam fazer uma introspecção e varrer a tralha que tem andado a dar cabo do País. Claro que o que digo é uma contradição dos termos mas, de qualquer forma, seria bom que os verdadeiros e legítimos políticos que existem em cada partido (e não os newcomers, os aparelhistas que por lá pululam) se chegassem à frente.

Nas próximas eleições sinto-me incapaz de votar no Pedro Passos Coelho, infelizmente também não no Sócrates pelo que acima referi, muito menos no Portas e claro que também não no Jerónimo ou Louçã.  Sobra algum?

Haverá tempo de, até ao dia de eleições, a nossa classe política se renovar?

Se não o fizer, quem é que vai gerir o País? O FMI que interlocutor terá?

quarta-feira, abril 06, 2011

Uma casa escavacada, um incómodo partir de louça - ao som de Adele com Rolling In The Deep

Neste dia em que Sócrates não teve como não capitular, pedindo apoio financeiro para Portugal, este post  não tem nada que ver com o estado do nosso País, nem das nossas finanças, nem com o desvario de toda a gente a acusar-se mutuamente: nada disso, é apenas a voz quente e poderosa de Adele.

O que acontece quando o ciclo vicioso acelera e entra num processo destrutivo.

Não gostaria esta semana, enquanto o décor do blogue for de berçário, falar de dramas, crises graves, riscos indesmentíveis. No entanto, face à gravidade do momento que atravessamos, é quase impossível alienar-me o suficiente para poder falar de temas ligeiros.

Vou tentar evitar falar de culpados, de incompetentes, de estúpidos. Vou antes falar de dois conceitos ou melhor, de um, no seu verso e reverso: ciclo vicioso e ciclo virtuoso (por vezes também se designam por 'círculos' e não ciclos porque, graficamente, se representam em círculo).

Transcrevo da wikipedia: O chamado círculo vicioso é uma sucessão, geralmente ininterrupta e infinita, de acontecimentos e consequências que sempre resulta numa situação que parece sem saída e sempre desfavorável, principalmente para quem se vê capturado por esse tipo de relação.



É o contrário do Ciclo virtuoso em que, num clima de confiança, há investimento, há um clima favorável que traz retorno aos investimentos, há reinvestimento, há riqueza, e havendo riqueza há consumo, e assim sucessivamente: um ciclo de bem-estar.

Temos que ser realistas: entrámos há algum tempo atrás - talvez quando Sócrates formou um governo sem maioria, talvez quando aceitámos destruir o nosso tecido produtivo a troco de subsídios - num ciclo vicioso.

José Sócrates tem tentado, à exaustão, quebrar o ciclo, retomar a confiança mas, até aqui, não o conseguiu,  não lhe foi possível - e o tempo extinguiu-se.

Por um conjunto de erros sucessivos, com todos os agentes a soprarem para que o ciclo se acelere (Sócrates a cometer um erro crasso na recta final, levando a Bruxelas um PEC 4 que Portugal desconhecia, as oposições unidas para derrubar o governo, não havendo alternativas, as agências de rating a agir como bruxas malévolas, a crise económica e financeira a agudizar-se em vários países da europa, etc), o ciclo vicioso entrou na sua pior configuração: o da espiral que, em sofreguidão, nos puxa para o nada, para o vazio.

Os ciclos virtuosos de anos atrás (que hoje percebemos que eram, afinal, miragens) são hoje pálidas recordações e temos que perceber que não nos podemos agarrar, neste momento, a esperanças falsas, a saudosismos inúteis. Não se passa de um ciclo vicioso para um ciclo virtuoso sem intervenção de agentes externos.

Ou seja, no ponto de aceleração que a espiral atingiu, parece-me indispensável que uma intervenção muito séria aconteça para retirar a vorticidade no sentido da destruição absoluta.


Se é um governo de salvação nacional (e esta é a designação que me parece adequada), se é um governo de gestão com uma ampla base de apoio gerida pelo Presidente da República (se tiver visão e competência para isso, o que duvido), se é um delegado de Angela Merkel, isso não sei mas alguém tem que, urgentemente, arranjar forma de injectar dinheiro na economia antes que fiquemos, de repente, a nadar numa praia sem água, como peixes na areia, sem capacidade para respirar.


 É que já não é apenas a questão do brio, tão pouco da vergonha nacional: não, é pior que isso, é uma questão de sobrevivência.

E depois, logo a seguir, há que, urgentemente também, descobrir a forma de, com honradez, nos reinventarmos, voltando a produzir produtos (alimentação, maquinaria, etc) para que não estejamos como estamos: improdutivos, consumistas, dependentes de ajuda alheia.

Há algum tempo atrás eu achava que seria possível, por nós próprios, invertermos o rumo descendente em que nos encontravamos. Contudo, face à aceleração em que a espiral entrou nas últimas semanas (as taxas de juro já na casa dos 10%, os bancos sem capacidade para financiar o estado, alguns bancos declarados lixo), não nos restam hoje alternativas.

Alguém tem que tomar conta de nós: perdemos o pé.

E tem que ser já antes que fiquemos em oxigénio.

Se é o Fundo de Estabilidade Financeira, se é o próprio FMI, não sei, quanto é, também não sei. Mas este deveria ser o tempo em que os rapazolas e as mulherzinhas deveriam sair de cena para que os homens e mulheres sérios e competentes tivessem espaço para se poderem entregar à séria missão de refundar Portugal.

É pena. E pior: é muito preocupante.

terça-feira, abril 05, 2011

Tocante cena de Lágrimas e Suspiros de Ingmar Bergman

Creio que Lágrimas e Suspiros foi o primeiro filme de Bergman que vi. Vi-o uma única vez e muitas das suas cenas ficaram-me gravadas, impressionou-me muito.

Na altura via todos os filmes de Bergman. Hoje não sinto em mim a disponibilidade emocional para o tornar a ver.

Bergman foi o cineasta das grandes emoções, dos sentimentos profundos, dos silêncios, das angústias longamente acumuladas, dos tormentos relacionais, dos ciúmes inconfessáveis, dos ódios indeclaráveis, da dissimulação, da carência suprema, dos limites insuportáveis e do amor ingerível, das paixões doentias.

Vários anos decorridos desde o último Bergman que vi, sei hoje, por conhecimento adquirido, que a vida não é forçosamente assim. Pode ser uma coisa boa e não um fardo que carregamos sobre nós.

Coloco hoje, no entanto, aqui este pequeno trecho do filme porque, se de vez em quando, na vida de qualquer um, há momentos assim, de raiva acondicionada sob uma espessa camada de sociabilização, é minha opinião que alimentar estes estados de alma é corrosivo, não é benéfico para ninguém, é desperdiçar o nosso mais precioso recurso (o tempo), sem qualquer compensação, é ir morrendo em vida.


Liv Ullmann aqui, bela, expressiva, intensa.

Nem Sócrates na entrevista à RTP1, nem Cavaco Silva e a sua lição sobre o FMI, nem o insuportável Miguel Relvas: nada disso. Hoje o tema é 'Porque não vão os portugueses a museus mesmo quando a entrada é gratuita?

Lamento desiludir os vários visitantes que hoje entraram aqui no Um Jeito Manso à procura de comentários à entrevista do Primeiro Ministro ou à procura de tricas entre Cavaco Silva e Sócrates ou à procura de exemplos de insourcing em Portugal ou outras questões importantes desse género.

Não, hoje não há nada disso.

Depois do trabalho fui visitar o baby que hoje já faz 4 dias e o seu mano velho (que nem 3 anos tem) mais os ensonados progenitores e, quando cheguei a casa, já a entrevista estava a terminar.

Vi agora na televisão aquela garota impertinente, a Ana Drago, a quem os media insistem em dar tempo de antena, vi também um rapazola do CDS sobre quem já uma vez aqui escrevi mas de quem agora não me lembro o nome, mais não sei quem, a dizerem parvoíces, pretensos sound bites (mas mordem alguém? para além do ruído, que conteúdo tem o que eles dizem?), e pareceu-me que estavam a criticar o homem de agora já não ser optimista, depois vi o Miguel Relvas (como eu embirro com aquele homem....) com uma gravata berrante e um ar sonso, a armar-se em gente que sabe de alguma coisa e a dizer que Sócrates só quer ser 1º ministro (mas oh senhores, e não é? e não foi eleito para o ser?).

De resto, não sei de mais nada, só sei o pouco que ouvi no carro, que o Obama se vai recanditar e com um grande slogan que apela à responsabilização de todos, ao envolvimento, 'it begins with us'; ouvi também que a água radioactiva de arrefecimento da central nuclear de Fukushima foi deitada ao oceano e que dizem que daí não vem mal ao mundo... e eu fico apreensiva.

Tirando isso, nada, estou out, zen. Nem me apetece falar desta maltosa desqualificada. Esta semana, aqui no meio de bonequinhos e ambiente de bebés, não quero conspurcar o espaço.

*

Enviaram-me hoje um mail com uma entrevista de Sobrinho Simões e gostei muito (amanhã, se me lembrar, vou ver se descubro o link para o divulgar aqui).

De resto quero aqui falar de outra coisa.

No outro dia, em trabalho, estive o dia quase todo no CCB. Como me fatigam os almoços de trabalho e como adoro museus, resolvi despachar o almoço em três tempos e esgueirar-me até à exposição Mappa Mundi; de manhã, tinha bebido um café à pressa e, enquanto os demais falavam de assuntos sérios e inadiáveis, eu fui numa fugida ver o BES Photo 2011; à tarde vi a exposição do Mário Botas.

Mário Botas no Centro Cultural de Belém

Pois não havia vivalma: andei sempre sozinha.

Nas salas do Museu Coleçcão Berardo nem uma única pessoa, só eu e os funcionários. Como o chão é de soalho e eu uso sapatos altos, o meu andar ressoava nas salas e os vigilantes, que, sem visitantes, se entretinham conversando uns com os outros, ao ouvirem os passos, separavam-se e vinham colocar-se à entrada das salas. E eu ali ia, cumprimentando-os, com vontade de andar em bicos de pés para não perturbar o silêncio.

Mappa Mundi no Berardo no Centro Cultural de Belém

Apenas vi, à hora de almoço, umas 2 ou 3 turmas à entrada, presumi que iriam ver a colecção permanente.

No fim de semana fomos passear aos jardins da Gulbenkian e almoçar ao restaurante do CAM (sempre óptimo e igual, anos, após anos). Aproveitámos para ver a exposição 'Não confiem nos arquitectos', mostra do arquitecto Didier Faustino. A mesma coisa: tirando nós, ninguém.

Didier Faustino no Centro de Arte Moderna na Gulbenkian

Todas estas exposições são óptimas, a entrada é gratuita. Não entendo o que leva as pessoas a este divórcio. Em qualquer outro país, os museus fervilham de gente, de jovens, de miúdos. Aqui ninguém.

Há tempos alguém me comentou que as pessoas andam preocupadas com necessidades mais básicas, que arte é sublimação. Não sei se concordo.

A arte, o inesperado, a perspectiva diferente, tudo isso nos ajuda a procurar o outro lado da vida - e quem sabe se não é justamente no outro lado da vida que está a vida que nos espera?

domingo, abril 03, 2011

De novo as boas vindas a este mundo

Estive uns dias sem escrever porque outros voos mais altos se levantaram.

Ainda nem 8 meses passaram desde que aqui e também aqui dei as boas vindas a uma menininha muito querida, muito linda, muito doce (e rabina, às vezes...) que nos ilumina com o seu maravilhoso e sedutor sorriso, com o seu inigualável  olhar azul.

Hoje, de novo, dou as boas vindas a um menininho que nasceu na 5ª feira passada, trazendo-nos uma imensa felicidade, um bebé muito querido.

No espaço de pouco mais de dois anos e meio é a terceira criança que entra no nosso inner-inner circle (ou a 6ª se alargarmos o círculo aos primos em 2ºgrau).

Ainda não tinha o Um Jeito Manso quando, há menos de 3 anos, nasceu o meu querido NJ, de quem já várias vezes aqui falei, meu amiguinho do coração, inteligentíssimo, divertido, que nos encanta com os seus rápidos raciocínios e encantadores sorrisos.

Tudo passa para secundaríssimo plano quando temos a benção de assistir ao milagre da vida, à vida que se desdobra, se replica, se prolonga, e não há realização maior na vida do que sentirmos a realização dos que nos são mais queridos.

A este querido meninininho, que fez há minutos 3 dias, e que agora se nos veio juntar, eu desejo, de novo, que o mundo melhore para o receber, para que ele possa viver num mundo mais transparente, mais feliz, mais genuíno, mais amigo, e desejo que ele contribua para isso, e que, durante toda a sua vida, que desejo que seja longa e feliz, sinta sempre a motivação e energia para lutar de forma justa e solidária para que o mundo se desenvolva para todos.

Aos pais do querido meninininho (e, muito em particular, à mãe, a quem grande parte da minha felicidade de agora é devida e dedicada) desejo que, ao longo da sua vida, usufruam, com prazer, a felicidade de assistir ao seu crescimento, ao seu desenvolvimento, à sua realização e que possam e saibam, em cada momento, apoiá-lo da melhor forma, desejo que já aqui também tinha formulado relativamente aos pais da minha princesinha linda, quando nasceu no verão passado.


A vida é uma coisa fantástica, um verdadeiro milagre.