quarta-feira, setembro 04, 2013

Ernesto Sampaio e Fernanda Alves - até que a morte os separou. Uma extraordinária e verídica história de amor entre o escritor, jornalista (e outras coisas) e a actriz e encenadora - que terminou numa tristeza tão insuportável que levou Ernesto a morrer de amor. Mourir d'aimer em português.


Abaixo poderão encontrar dois posts muito diferentes do que agora, aqui, vão ler. Lá mais abaixo falo do mediático lançamento do livro de Judite de Sousa sobre o Cunhal que foi invadido pelo PSD em peso, nomeadamente pelo Relvas agora em versão raçuda. E falo também da Constança Cunha e Sá, bronzeada e uma autêntica fera, uma pantera implacável agarrada à jugular de Passos Coelho.

Mas isso poderão ler nos posts a seguir a este, não aqui.

/\   /\   /\   /\

Agora, aqui, a conversa é outra. Vou escrever sobre um tema que me é estranho. No outro dia a minha filha dizia-me que, quando eu aqui falo de relacionamentos amorosos, só falo de amores felizes. Como assim?, perguntei-lhe. Ela explicou: É que há amores impossíveis. Pedi para me exemplificar porque, voluntarista como sou, acho sempre que a gente, querendo, tudo consegue e, se não consegue, parte para outra. Ficar a remoer agarrado a uma ficção ou a uma ilusão é coisa que acho que não faz sentido.


Ela exemplificou. Um amigo dela que eu conheço muito bem, quando estava no fim do curso, foi estagiar para o outro lado do mundo, uma experiência engraçada. Como tantas vezes acontece, por lá foi ficando. Arranjou namorada. Teve uma filha. Agora o amor acabou mas há a filha. Entretanto reacendeu uma estima anterior, virou amor a sério. Mas esse amor está cá em Portugal. Por cá essa rapariga teve um filho. Se ele largar o emprego óptimo que lá tem (o que não faz sentido), afasta-se da filha, coisa que não quer. Se a namorada portuguesa for ter com ele, não pode levar o filho porque o ex-marido não o permite, e afastar-se do filho também não quer. Ou seja, cá está: segundo ela, um amor impossível.

Respondi-lhe: têm que esperar que as crianças cresçam. E não disse mas pensei que, até lá, muita coisa pode acontecer. É que nem esse eu acho que seja um amor impossível. Será complicado, será um amor que aconteceu no tempo e no sítio errado, ou tarde demais, ou cedo demais, não sei, mas impossível não é. A história desse amor pode estar ainda no início. Ou pode estar a ser empolada pela inviabilidade e a distância e o tempo podem vir a demonstrar que afinal não é tão forte como agora pensam. Ainda não o sabemos.

Mas há amores impossíveis. De facto, há.

Aquele de que aqui vou falar era, no fim, mesmo impossível. E tão devastadoramente impossível que devorou a vida de quem assim amava alguém que se tinha ausentado. 

Hesitei em falar aqui nisto. Não é tema de que se fale de qualquer maneira. Teria que falar quase em silêncio, com muito respeito, quase uma oração. Não sei se sei falar assim.

Mas vou tentar. Ou melhor: vou dar a palavra ao próprio e a outros que sobre eles falaram.


Mourir d'aimer, Charles Aznavour


|||||||||||||||



Último livro de Ernesto Sampaio: Fernanda


(sobre Fernanda Alves, a mulher que ele muito amou e a cuja ausência não conseguiu resistir)

Um dos livros mais tocantes que alguma vez li


(Fotografei-o de forma a que se visse a capa e uma página interior,
uma que contém justamente a fotografia de Fernanda Alves)


A Fernanda veio passar comigo a entrada no ano 2000. Vi-a viva pela última vez na noite de 3 de Janeiro. Um beijo morno de despedida: «Não te esqueças de cortar as unhas à cadela e de dar o 'program' aos gatos. Ah, e também não te esqueças de me ir esperar a Santa Apolónia no domingo, à hora do costume...» E lá seguiu para o Porto no carro do João Grosso. Retrospectivamente, a recordação mais impressiva que conservo da cena é a do olhar de tristeza da Rosa, a nossa galga, vendo a dona afastar-se. Havia entre as duas uma relação fortíssima. Aliás, sempre me surpreendeu o poder da Fernanda sobre os animais: a um olhar, a um gesto, sem levantar a voz, tranquilizavam-se, obedeciam-lhe cordatos. Eu, se mandar a Rosa ir numa direcção, é garantido que vai na direcção contrária...

Falei da relação fortíssima entre uma mulher e uma cadela, e bem sei que é abusivo atribuir a um animal algo de parecido com sentimentos humanos. Pois é... Mas cada vez que levo a cadela ao cemitério, e ela aproveita para se rebolar sobre as campas (a Fernanda está debaixo de um magnífico relvado, à inglesa, de campas rasas), sempre que chega ao sítio onde a dona está enterrada, pára e assim fica de focinho entre as patas, a escavar lentamente a terra.

Agora, dormimos todos na mesma cama: eu, a cadela, o gato (Artur) e as duas gatas (a Fina e a Nina). Numa destas noites, os quatro animais ergueram-se súbita e simultaneamente e ficaram sentados, hirtos, a seguir fixamente com o olhar um ponto, para mim invisível, que se deslocava no espaço, enquanto eu sentia o rosto batido por um sopro gelado.

Disse que vi a Fernanda viva pela última vez na noite de 3 de Janeiro. Dois dias depois vieram anunciar-me que tinha morrido. No avião para o Porto não me saía da cabeça que se tratava de um engano, e estava ansioso por chegar, vê-la, desfazer o equívoco. Depois... a morgue, as burocracias, a entrada naquele quarto de hotel, a cigarreira e o livro abertos na mesa de cabeceira, o colar em cima da cama...


(Ernesto Sampaio, pág.32 e 33, em 'Fernanda')

|||

(páginas 88 e 89, as últimas do livro)

"O amor não admite a menor restrição: tudo ou nada, sendo o tudo a vida e o nada a morte"

|||



Fernanda Alves - fotografias que constam do livro Fernanda

O tempo, finalmente, apanhou-me, e da pior das maneiras: sob a forma do remorso que nos torna prisioneiros do que fizemos e não fizemos, ou pior, do que através de nós foi feito por e na pessoa que foi a paixão da nossa vida

(Ernesto Sampaio na pag. 24 do livro 'Fernanda')


|||

Fernanda. Nome de uma actriz talentosa. Fundadora do teatro A Barraca, residente do D. Maria II, assídua no Teatro Experimental do Porto e no São João, onde se preparava para estrear uma peça quando a morte, súbita, a apanhou num quarto de hotel, em 1999. Um rosto intenso, de olhos grandes, negros, e boca larga, talhada para grandes sorrisos.


Fernanda era também – ou acima de tudo? – o amor de Ernesto Sampaio, jornalista, ensaísta e poeta, um teórico do surrealismo que se sentava à mesa do Café Gelo com Herberto Helder e Mário Cesariny.


Mais discreto e comedido do que os seus pares, parece ter guardado a inflamação para esse amor que viveu com Fernanda Alves.

Cesariny ilustrou assim a grandeza do homem e do sentimento que o matou, num texto para o jornal Público:  “Ernesto Sampaio tinha a grande rebeldia e a grande inteligência. Dentro do grupo surrealista, era dos mais lúcidos, dos que mais sabiam (…). Um sentido de humor formidável, uma agudeza de espírito extraordinária, amabilíssimo. Uma figura muito rara, de saber e dedicação (…) Desde a morte de Fernanda Alves, já não sabia viver. É a única pessoa que conheço que morreu de amor”.

Fernanda é o último livro de Ernesto Sampaio. Escreveu-o e a seguir morreu, um ano depois do seu amor sair sem se despedir – e sem querer.

Apesar da solidão e da mágoa de algumas passagens, é um remédio contra a descrença. Porque os que não têm a certeza de Deus, e não conhecem o melhor do amor, precisam das suas orações.  

“Apresentei Fernanda ao João Rodrigues (um suicida) e ele disse-me: ‘Sempre tiveste muita sorte’. O Tunhas (outro suicida) disparou-me um dia: ‘Ela é a sua mãe’. Sorte grande, mãe, companheira, a Fernanda foi a salvação da minha vida. O meu mar. O mar sempre mais forte com a sua voz de amante e a sua voz maternal traz-me palavras muito puras que dizíamos outrora”.

“Numa carta comovente, diz-me a Isabel de Castro que eu e a Fernanda éramos um. Penso que ainda somos. Mas a raiz, a alma e o corpo desse ‘um’ era ela. Eu podia entregar-me às minhas manias, não querer saber de nada nem de ninguém, afastar-me, isolar-me; tinha-a a ela, que era tudo, e agora não tenho nada. A Fernanda era a minha embaixatriz do mundo”.

“Quando a Fernanda estava viva, quase tudo era magia. O resto é utilitário e dá-me vontade de chorar. A magia é interior. A Fernanda era-me interior e exterior. Agora só me é interior. Não chega. Que fazer? Onde ir? Não posso deixar de amá-la. A recordação do seu rosto, da expressão do seu sorriso, ainda me enchem o coração de êxtase, de amor e de desespero. Desespero por não lho ter dito e por já não poder dizer-lho. Não posso imaginar-me sem ela. Sem ela não teria sido nada”. 

Encontrar alguém com quem se deseja partilhar a vida é um milagre. Partilhá-la, de facto, durante 40 anos é uma bênção. Numa história assim, só a morte podia pôr o ponto final. Apesar de tudo, é a menor de todas as injustiças.


Dulce Garcia (que também inclui no seu texto excertos do livro 'Fernanda')



Fernanda Alves, actriz - a mulher que Ernesto Sampaio tanto amou


... Sós, ambos, na estrada, nos confins mais remotos, tu já dentro da noite e eu à beira dela

Tinhas os olhos fechados e o mesmo sorriso - um pouco triste - de sempre. estavas bela, muito bela. Morta? adormecida? nunca tão bela...

O verdadeiro brasão de cada um é o rosto.

No rosto lê-se todo o corpo.


(Ernesto Sampaio na pag. 60 do livro 'Fernanda')


||||


"(...) Em Lisboa, sua terra natal. Sombria e solitária. Ernesto Sampaio, poeta, tradutor, pensador, bibliotecário, jornalista, morreu esta semana, junto dos seus livros e das suas memórias. Em sua casa. A casa que, para este poeta, passou a ser "lá longe onde nascem os lobos". (...)

A morte arrancou-o subitamente, assim como o fizera, no ano passado, à actriz Fernanda Alves, sua mulher. O seu último livro, "Fernanda" (Fenda, 2000) , a que ele chamava "o seu coração empalhado", é o testemunho dessa morte e de um amor decisivo que foi, do lado dos grandes afectos, o sustentáculo de uma vida: "Estar vivo é acordar todas as manhãs no inferno (...) A recordação de um só dia contigo torna inúteis o labor e o prazer de todos os dias que me restam viver". A morte dela não pode deixar de estar associada a este final de vida de Ernesto. (...)


Ernesto Sampaio foi um dos grandes teóricos do surrealismo, embora a sua obra seja curta e o seu temperamento tenha sido discreto. Disse ele, numa entrevista ao PÚBLICO (12-10-93): "Dá-me um certo prazer ser esquecido, assistir às coisas como se não existisse, como se não tivesse uma presença real, estar e não estar".

(...) O que disse Ernesto, de Fernanda, pode ser dito agora dele, pela suas próprias palavras: "É uma planta que continua a florescer depois de ter sido arrancada". [ Ernesto Sampaio: A morte solitária de um poeta - Texto de Rui Ferreira e Sousa,  in Público 07/12/2001]


IN  MEMORIAM Ernesto Sampaio (10/12/35 - 5/12/01)



Desliguei-me do resto do mundo para me ligar a um único ser que de repente me falta.
Já não tenho mais nada, não me resta nada.


(Ernesto Sampaio na pag. 69 do livro 'Fernanda')


////\\\\


Como na vida, o amor continua a evoluir na morte. Jurei fidelidade à Fernanda sem jamais lho ter dito. Todas as noites estendo os braços para o seu lado do travesseiro e é como se a respirasse, como se ela estivesse presente, difusa nas claridades longínquas e nas trevas cada vez mais cerradas que me vão envolvendo.


(Ernesto Sampaio, pág.82, em 'Fernanda', editora Fenda)

||||

Arvo Pärt, Cantus in memoriam Benjamin Britten



|||||

Há amores impossíveis, sim: os amores imensos, eternos, tornados impossíveis pela morte.


*************

E por aqui me fico. Recomendo vivamente a leitura dos livros de Ernesto Sampaio, nomeadamente este, Fernanda. 


Há livros que ficcionam as ausências. Este não é ficção, é um registo autêntico, muito sofrido. E, apesar do documento pungente que é, não é sentimentalista, não banaliza a fragilidade do autor. Há neste amor desmedido uma pureza e uma simplicidade magníficas. Uma grandeza incomum. 


**************


Isto saíu-me imenso. Peço desculpa pelos meus excessos. 

Recordo que abaixo há mais dois posts e, caso precisem de 'desopilar', não deixem de os espreitar.


De resto, nada mais. Tenham, meus Caros Leitores, uma quarta feira muito feliz. 
E não se esqueçam de aproveitar bem a vida, está bem?


terça-feira, setembro 03, 2013

Está aberta a rentrée! Constança Cunha e Sá, a verdadeira face da oposição a Passos Coelho, bronzeada e feroz, arrasou o Primeiro Ministro na TVI 24. Não houve nada que não lhe tivesse chamado. Em grande forma, ela. Gostei.


No post abaixo falo do lançamento do livro de Judite de Sousa sobre o 'Cunhal, o homem atrás do político', evento que contou com a presença de meio mundo (grande parte deles não-comunistas mas nem pouco mais ou menos, e de onde se destacava o omnipresente, descaradão e grande vulto da koltura nassional que dá pelo nome de Relvas - lá estava ele mai-la sua malandreca barba de três dias).


Mas isso é a seguir. Aqui a conversa é outra. Aqui a conversa é sobre a verdadeira oposição ao pseudo-governo do pseudo-governante Passos Coelho, o ex-doce e futuro farofiano (e quiçá também futuro empregado de algum consórcio angolano ou chinês ou por aí) - e, atenção!, por verdadeira oposição não estou a referir-me ao grupinho Marcelo+Marques Mendes+Relvas. Alto lá.

/\

Podia também, antes de ir ao que interessa, falar do vice-primeiro-ministro e da sua amiga - mas não. Nomeadamente, sobre as imagens da mais pura social-palermice que vi há pouco nas notícias, o Portas a falar aos jornalistas e a sua amiguinha pinókia albukerka a espreitar por trás dele com um sorrisinho pateta para aparecer na televisão, recuso-me a falar. Mexe com o meu sistema nervoso e, portanto, vou poupar-me.

\/

Aqui vou falar apenas na Constança Cunha e Sá, essa brava felina que se atira à jugular do Passos Coelho e não larga. Têm que acabar o programa para ela o largar.


O António José Seguro, que ontem foi entrevistado na mesma TVI por um Paulo Magalhães que parece que veio embirrante das férias, deveria ter todos os dias uma sessão de coaching com a Constança. Ela poderia ensiná-lo a ter algum punch e a não começar todas as frases com aquele excessivamente bem comportado 'peço desculpa mas'.


Enquanto ele ali está todo apertadinho, muito direitinho, a fazer biquinho (apesar de ter estado mais afirmativo do que é costume), ela deixa que as palavras jorrem torrencialmente, não as mede, até treme quando fala do incompetente, insconsciente sujeito que tem linguagem de 4ª classe, que é tonto, que isto, aquilo e o outro. O que ela diz, naquela velocidade estonteante que a caracteriza, faz com que o Tozé pareça um esquilinho simpático ao pé dela, que é uma autêntica fera.



Constança Cunha e Sá bronzeada e vestida de branco: muito bem.
Nada faz sobressair melhor o bronzeado do que vestir branco.

Mas, embora vestida de branco, não tem nada de angelical
- e ainda bem, alguém que se atire com todas as letras e dente afiado àquele sujeito que chefia o governo.


Não sei se ela já retomou os seus comentários diários há vários dias mas, porque só hoje é que conseguimos jantar por volta das 9 da noite, não a vi antes, apenas hoje. E estava, pois, em grande forma e em grande estilo. Até nos jornalistas ela bateu - e muito bem.

Agora sim, o Passos Coelho vai voltar a sentir alguma oposição a sério. A silly season está, pois, a acabar.

///\\\

Para lerem sobre o Cunhal na versão Juditiana pós-divórcio é, por favor, descerem um pouco mais.

E agora vou escrever o post seguinte que é uma coisa num outro comprimento de onda. 
Tenho que ir buscar as luvas e as pinças que a coisa não se me afigura nada simples. 
A ver vamos.

Judite de Sousa lançou o seu "Álvaro, Eugénia e Ana" e tudo o que é bicho careta foi ao lançamento. Até o Relvas com o seu look à Clooney e barba de três dias lá estava...! Se o Álvaro Cunhal fosse vivo e tivesse uma página no facebook era só likes...! Ele era o Marques Mendes, o Marcelo Rebelo de Sousa, o Miguel Relvas tudo no maior enlevo pelo papá Cunhal...! Isto há com cada uma.


Olhem-me bem esta Judite de Sousa aqui na TV Guia. Não sei o que é que deu nela. Agora está em tudo o que é revistinha... e vejam-me bem estas maneiras. Se isto é maneira de aparecer, de cai-cai, bracinhos para cima, a brincar com o cabelo, toda menina marota, quase com o Álvaro Cunhal ao colo.


O Álvaro Cunhal em versão revista do coração, entre fofocas e confidências - anos de reserva, de cuidado em preservar a sua vida privada, anos de luta, para afinal agora virar motivo de interesse da TV Guia e do Relvas.

E o Jerónimo de Sousa, supostamente o guardião dos ideiais comunistas do Cunhal ali a ter que distribuir cumprimentos e sorrisos aos illuminati do PSD (illuminati de iluminados e não, ora essa, de algum grupo conspirativo que - no PSD não há cá disso).



Judite de Sousa na TV Guia - falando do que o pai achou da capa do seu livro


(aparentemente o tema mais relevante de tudo isto).


E, com este lance editorial, a Judite, sem dificuldade, de uma penada, passa a perna ao Pacheco Pereira. Anda o Pacheco anos a fio investigar e a estudar documentação do Cunhal e do PCP e, afinal, eis que, sem dificuldade, no intervalinho do trabalho na TVI, a Judite lança um furo destes. Grande Judite. E Grande Relvas que a ele também ninguém lhe passa a perna. 


Álvaro, Eugénia e Ana
Álvaro Cunhal - o homem por trás do político


(A capa do livro da Judite de Sousa)


*

(ainda cá volto)

Licencinha. Vou dar a voz a linhas trocadas, a vidas desencontradas. Jornalistas, políticos, duas escravas negras muito limpas e quatro amantes, pargos capatões, cornudos e putanas: falo-vos, pois, da inanidade da vida. [Falo e dou a voz a Ernesto Sampaio e a Adélia Prado]


A seguir a isto podem ler a minha resposta a uma questão de ordem prática que alguém hoje colocou num motor de busca tendo sido encaminhada até aqui: as camisas dos homens devem ter vinco nas mangas?

Mas isso é mais abaixo, a seguir a isto. Aqui, agora, a conversa é outra. É outra e muito diferente.

[][][]

Licencinha.

Hoje vou dizer umas coisas. Não levem a mal. Tenho um testemunho para dar. 

É certo que os meus amigos esperam, talvez, que eu diga coisas de outra natureza. Adivinho-vos. Esperam que eu me mostre indignada. Há casos para isso. Eu podia dizer que o nosso primeiro não sabe o que é a democracia, que não tem moral, que não tem amor à pátria. Podia e, se calhar, devia. 

Digo então umas palavrinhas simples. E breves, que a seguir quero passar a palavra.

Se ele, o nosso primeiro, pudesse, suspendia mesmo a democracia, seis meses chegavam-lhe - como a manelinha uma vez disse, mas ela, afinal, ao pé dele, não era má pessoa. Se ele pudesse não mudava a constituição: acabava com ela. Ele não gosta de leis, se não lhe servem diz que as muda, e diz isso porque ainda lhe resta um resto de decoro e intui que lhe ficava mal dizer que acabava com elas. Mas, de facto, onde ele se sentiria bem seria numa terra sem leis. Ele é o verdadeiro fora-de-lei. 

Agora que já todos lhe vimos os dentes, a forma raivosa como os range, sabemos que seis meses lhe chegavam para escaqueirar de vez o país, e, a seguir, vender os cacos a qualquer um. Os eleitores foram na conversa de barítono, na carinha sonsa com sorrisinho de pechisbeque. E ei-lo agora onde está. E de lá não sai. O pior é mesmo a rafeiragem, têm muitas defesas, resultam de muitos cruzamentos. Misture-se o ângelo com o miguel (o correia e o relvas, quero eu dizer), misture-se a mistura anterior com o zé luís e o dias (arnault e loureiro), e misture-se a pomada assim obtida com o marco e a rute (o antónio e a marlene), e a misturada anterior com a cristina e a maya (a ferreira e a do tarot), e, no fim, tudo com o tony e o jorge (o carreira e o jesus) e vai chegar-se a um híbrido que tem genes deles todos.  É isto que foi escolhido para primeiro. Dali só se pode esperar o pior. E, como todos os rafeiros, tem uma resistência que só vista. Resiliência, é capaz ele de dizer. 

Mas o País é o que é, basta a gente ver os cartazes destas eleições. Parece coisa do azerbeijão de há 50 anos. Gente que parece uma caricatura. Vestem-se como não dá para acreditar. Fazem poses para a fotografia como nem a fingir. Escolhem slogans que são de gargalhada. Fazem conferências de imprensa hilariantes. Em grande número não passam de anedotas. Supostamente isto será o que de melhor há em cada terriola, escolhidos para serem os representantes do povo.

É deste tipo de gente que nascem os nossos representantes. Nomeadamente, é gente assim que, de vez em quando, se junta para escolher o secretário geral dos partidos. E nós depois votamos nesses secretários gerais ou presidentes. O que é se poderá esperar? Porcaria. Só sai porcaria.

É este o povo que temos? Ou o povo é melhor e aqueles que aparecem nos cartazes são personagens de filmes cómicos?

Uma desgraça, de qualquer maneira.

Por isso, meus amigos, para não me estar sempre a repetir e a mostrar o desgostada que ando com tanta rafeirice, e enquanto não acontece por aí uma chuva ácida que derreta a porcaria que parece ter ungido os políticos deste país, passo a palavra a outros.

Um homem e uma mulher. Eles que digam qualquer coisa que não tenha nada a ver com isto. Um testemunho sobre coisa nenhuma.

.........

Licencinha, pois.

E desculpem qualquer bocadinho de prosa mais licenciosa. Não ando com paciência para me censurar a mim própria, quanto mais aos outros.

.........         .........        .........         .........        ..........        .........         .........        .........         .........
  

O vasto mundo oferecia-lhe uma infinidade de destinos possíveis, mas ele sentia-se bem na sua pele de batoteiro, de tecelão de fumos. Com o presente negado e o futuro deserto, voltou a fechar os olhos e a recapitular a vida, todo entregue a um desses balanços que, segundo os psicólogos, precedem as metamorfoses ou os esticanços de pernil.

A prisão? Já conhecia. A guerra? Ia conhecê-la. O exílio? Também por lá tinha passado. Era, portanto, um homem. admirou-se largamente de si próprio e agradeceu, no seu foro íntimo, a ovação delirante de um público invisível.

Assaltou-o uma melancolia desconhecida, talvez fome, e pensou que - se a tivesse - não se importaria de trocar a pomba do Espírito Santo por uma galinha. Abandonada a pose de anjo, levantou-se e partiu.




Eu quero é o seio de Deus, quero encontrar Abraão e me insinuar junto dele, até ele perder o juízo e me fazer um filho que terá muitas terras e ovelhas.
Emancipada eu não quero ser, quero ser é amada, feminina, de lindas mãos e boca de fruta, quero um vestido longo, um vestido branco de rendas e um cabelo macio, quero um colchão de penas, duas escravas negras muito limpas e quatro amantes: um músico, um padre, um lavrador e um marido.







Pensavam que tinham um pequeno poder - os jornalistas -, e interpretando como sinais de deferência os restos de temor ainda inspirados pela sua função, a maioria deles não viam que já ninguém os respeitava. 

Pior: tratavam-nos como animais de circo - maus e agressivos na medida do necessário, mas sempre à espera de festas no fim. As dentadas, os golpes das suas garras, eram efeitos para a galeria: visavam apenas a conservação do antigo prestígio. Gritos e risadas acolhiam por vezes essas facécias, mas no fundo os espectadores não se deixavam iludir: sabiam bem que havia domadores e que os rugidos das feras apenas denotavam uma domesticação extremamente conseguida. No público, só pouquíssima gente ainda não tinha dado pelo enredo: a missão dos jornalistas era fazer valer o pessoal político; os políticos, em troca, faziam viver os jornalistas, não sem os chamar à ordem de tempos a tempos, exigindo-lhes o mais elementar dos reconhecimentos...



Quero comer o mundo e ficar grávida, virar giganta com o nome de Frederica, pra se cutucar na minha barriga eu fredericar coisas e filhos cor amarela e roxa, fredericar frutas, água fresca, as pernas abertas, parindo. Por dentro faço mel como colmeias, põe tua língua no meu favo hexágono.




Contudo, o 'métier' do Palha d'Aço proporcionava-lhe de vez em quando algumas pequenas satisfações, já que as grandes nada tinham a ver com as ruas e as suas intrigas, mas com o sol na pele, o correr dos rios, o murmúrio do vento nas árvores, quando o mundo toma de súbito uma dimensão inesperada.


Não tens voto nem vintém e ris de um certo modo repetido, até hoje, menos que poucas vezes. Tocas violão como ninguém toca mal como você, mas fremes. As asas de teu nariz ficam vibrando quando você faz música. Por aí começo quando quero entender minha paixão. As bordas do teu nariz, pulsando como um radar. Teu paletó de veludo cobre teu braço peludo. Me abaixo para pôr no ouvido o teu relógio de pulso, o que bate é teu coração. Me abraça, José, me abraso. Ai, com você me caso.


No que ele pensava, enquanto mais um dia sem outro objectivo que o seu próprio suor, era em como realidade e plenitude são uma e a mesma coisa; o resto é sombras e esquizofrenia, a horrível inanidade da vida. 

Naquela época, ainda não suspeitava que as coisas más haveriam de ser um dia coisas boas, nem que as matrizes chocas e os tomates podres da mocidade que via fornicar pelos cantos andavam a gerar uma raça de garotelhos desgraçados, de ridículos bonecos das Caldas mais feios e informes do que caracóis, de cornudos e putanas a quem um queijo da serra embasbacava! Atravessando o Rossio a caminho da Boa-Hora, não sonhava sequer que ainda teria de falar com lampreias ou que as enguias e os pargos capatões se tornariam pretensiosos ao ponto de o quererem abolir.




///////\\\\\\     ///////\\\\\\

A fala do homem, a itálico, sempre ao lado de fotografias (de modelos masculinos) de Mario Testino, é extraída de 'Feriados nacionais' de Ernesto Sampaio.




Sobre o escritor transcrevo da wikipedia: Ernesto Sampaio (Lisboa, 10 de Dezembro de 1935 – Lisboa, 5 de Dezembro de 2001), poeta, tradutor, bibliotecário, jornalista, actor e professor do ensino secundário, foi um dos grandes teóricos e exegetas do surrealismo.
Apesar de pouco conhecido dos leitores, é um nome indispensável para o conhecimento das margens da literatura portuguesa contemporânea, ao lado de Mário Cesariny, Herberto Helder ou António Maria Lisboa. Como jornalista trabalhou nas redacções do «Diário de Notícias» e, de 1980 até à sua extinção, no vespertino «Diário de Lisboa». Por altura da sua morte, colaborava no suplemento «Mil Folhas», do «Público», onde exercia a função de crítico teatral. Foi tradutor de Artaud, Éluard, Breton, Péret, Arrabal, Ionesco, Thomas Bernhard, Arthur Adamov, Walter Benjamin, Oscar Wilde, Eliot, etc.
Era marido da actriz Fernanda Alves, a quem sobreviveu apenas um ano e cuja morte lhe inspirou o seu último livro Fernanda.

A fala da mulher, sempre ao lado de fotografias (de modelos femininos) de Guy Bourdin, é extraída de 'Solte os cachorros' de Adélia Prado.



Sobre a escritora transcrevo um excerto da wikipedia: Adélia Luzia Prado Freitas (Divinópolis, 13 de dezembro de 19351 ) é uma escritora brasileira. Seus textos retratam o cotidiano com perplexidade e encanto, norteados pela fé cristã e permeados pelo aspecto lúdico, uma das características de seu estilo único.
Professora por formação, exerceu o magistério durante 24 anos, até que a carreira de escritora tornou-se a atividade central.
Em termos de literatura brasileira, o surgimento da escritora representou a revalorização do feminino nas letras e da mulher como ser pensante, tendo-se em conta que Adélia incorpora os papéis de intelectual e de mãe, esposa e dona-de-casa.

::::::::::::::::::::::::::::::::::::



Alguns dos meus livros em curso de leitura ou a caminho disso

[entre eles os dois acima referidos]

///////\\\\\\     ///////\\\\\\


E, por hoje, por aqui me fico.

Desejo-vos, meus caros Leitores, uma terça feira muito boa.

segunda-feira, setembro 02, 2013

As camisas dos homens devem ter vincos nas mangas? (E já agora: e as calças?)


Apenas de vez em quando vou ver as estatísticas relativas aos acessos ao Um Jeito Manso

Devo dizer que não olho para os IP's, nem quero saber quanto tempo é que as pessoas cá estão, nada disso. Não quero saber quase nada sobre quem cá vem ou de onde são, ou o que vêm cá ver. Nada. Acho que a beleza disto, dos blogues, da internet, é ser uma troca desinteressada de informações, uma incógnita partilha de opiniões ou de conhecimentos ou de preferências ou de simples trocas de palavras. Reconheço que, por vezes, acaba por se trocar também sentimentos, afectos. Mas isso já é um efeito secundário. Rio-me, entristeço-me, enfureço-me vendo o que por aqui me é dado conhecer mas mais nada que isso - não venho para aqui à procura disso. Quando para aqui venho, seja para escrever, seja para ler, venho sem ideias preconcebidas, disponível para o que for encontrar ou para o que me ocorrer. Liberdade absoluta. Anónima. Sou eu como podia ser qualquer outro eu, qualquer outra pessoa. Tal como me chegam visitas seja de onde for, seja para ver o que for. Por vezes espanto-me mas nada mais.

Não tenho qualquer curiosidade por saber quem é o autor disto ou daquilo, quem é que me visita mais vezes, o que procuram visitantes longínquos. Zero. Se sei, tudo bem, se não sei, tudo bem na mesma.

Mas, quando vou ver, há um aspecto das estatísticas a que dou alguma atenção. São as palavras que as pessoas (sejam elas quem forem) escrevem nos motores de busca e através das quais chegam até aqui. Preocupa-me pensar que aqui cheguem e se sintam defraudadas por não encontrarem nada do que procuram.

O que escrevem mais vezes, coisa da ordem dos milhares, é 'Um jeito manso' ou 'blog um jeito manso' ou variantes do mesmo (mais abreviado, mais por extenso) ou, ainda, 'quem é a autora do blog Um Jeito Manso?'. A esta dúvida já tentei uma vez responder


Mas depois há muitas outras, questões diversas, imprevistas, por vezes intrigantes, por vezes engraçadas.

Muitas vezes escrevem 'o passos coelho é um malandro' ou 'paulo portas não tem vergonha nenhuma' ou 'o ministro xxxx é gay?', coisas assim.

Mas também há as questões de ordem prática como 'como é que se fazem tapetes de arraiolos?' ou 'sopa de tomate' ou a que está no título desta mensagem. 

As camisas dos homens devem ter vincos nas mangas?


Não sei porque é que o google mandou essa pessoa até aqui e receio bem que não tivesse encontrado resposta. 

Por isso, para o caso, de a resposta não existir em nenhuma outra página deste blogue ou não ser clara e de alguém voltar a formular a mesma dúvida, respondo agora.

Não. Uma camisa de homem bem passada a ferro não deve ter vincos nas mangas 


Aliás, se há coisa em que eu costumo reparar é nisso. São raros os homens que apresentam uma camisa engomada como deve ser. Penso que a maior parte das pessoas que passa as camisas de homem a ferro pensa que as mangas devem estar vincadas como as calças. Errado. 


[Vestuário Giovanni Galli]


No entanto, não é fácil. É bem mais fácil passar uma manga deixando um vinco. Eu própria, sabendo do preceito, a maior parte das vezes que passo a ferro as camisas, deixo o vinco (até porque sei que é um 'erro' que praticamente ninguém vai identificar como erro). Apenas quando estou especialmente apurada tenho o cuidado de deixar a manga sem vinco.


[Vestuário Giovanni Galli]

Já agora - já aqui falei nisto mas volto ao mesmo - falo do vinco nas calças. Umas calças formais devem ter vinco, um único vinco, (calças de fato, calças cinzentas escuras para vestir com blaser, etc). Mas calças de sarja de algodão ou jeans ou calças de bombazina, etc, não devem ter vinco. Nas de bombazina ainda se tolera mas nas restantes nem pensar.

*
Espero ter respondido à dúvida.

Ainda cá volto.

Vai uma escapadela em Lisboa, a Bela, distinguida pelos World Travel Awards, os Óscares do Turismo, como a melhor cidade da Europa para um city break...? Hoje proponho umas compras na Avenida da Liberdade seguidas de um jantar no Restaurante Avenue - isto para os meus Leitores cheios de papel, nomeadamente para os meus Leitores angolanos. Mas, para o caso de algum dos que me lêem não nadar em dinheiro, então proponho que faça como eu: um jantarito no Avenue e depois... ir ver em que param as modas, vendo as montras (Gucci, Armani, Prada, Loewe, Louis Vuitton, etc). Bora lá. Let's go for a escapadela.


O prometido é devido. No outro dia disse que vos ia falar de mais uma incursão nocturna na bela Lisboa, desta vez para vos mostrar em que param as modas – e cá estou.

Para começar, não estou aqui sozinha. Trouxe comigo a minha companheira de tantas histórias no Um Jeito Manso, a bela e misteriosa Melody Gardot. Desta vez, que nem de propósito, ela interpreta Lisboa. Ouçamo-la, pois, enquanto passeamos.






Gosto muito de Lisboa, quem me lê sabe bem disso, e gosto de andar por ela como se fosse turista. Uma amiga minha disse-me que é muito fácil distinguir os turistas dos autóctones porque os primeiros andam de nariz no ar, a olhar para cima, para os lados, a ver tudo, enquanto os habitantes usuais andam apressadamente de cabeça baixa.

Pois eu, quando faço programas de tipo escapadela (escapadela ou escapadinha? Ou estou a fazer confusão com rapidinha?), desce em mim o espírito de uma turista e ando como se fosse a primeira vez que lá passo.

Vejo coisas que nunca tinha visto, e sinto-me solta como se estivesse de férias, longe de casa. (Podem duvidar do que digo mas é verdade. Mas não me admiro que duvidem pois o meu marido, quando me vê andar feita turista, a olhar para todo o lado, toda encantada, a única coisa que faz é dizer-me 'És maluca. Vamos embora. Já chega, estás farta de ter visto isto, já passaste aqui mil vezes.' Mas ele, que é nado e criado em Lisboa, se não fosse eu, não conhecia um décimo do que conhece, porque anda sempre à pressa, não sente curiosidade em descobrir os pormenores).

Adiante, então. Venham comigo.


Depois do trabalho, fomos como habitualmente fazer mais uma caminhada pela beira do Tejo, na zona da Torre de Belém, Padrão das Descobertas, Fundação Chamapalimaud. 


Estava, como sempre, repleta de turistas e de gente correndo, andando de bicicleta, passeando. O próprio rio estava, também ele, muito bem frequentado, com as embarcações cumprimentando-se com animados apitos de cada vez que se cruzavam.



O Tejo, os passeios para turistas no rio, a Ponte, o Cristo Rei


Na Fundação Champalimaud, surpreendemos uma curiosa sessão fotográfica, um número de alto risco, que passado um bocado foi interrompida por um segurança.



A jovem trepou com a ajuda do jovem, pôs-se aos ombros dele, e conseguiu colocar-se naquele grande olho que caracteriza a arquitectura da Fundação Champalimaud. Depois posou, com arte e entusiasmo, enquanto ele a fotografava (e eu fotografava os dois). Pouco depois chegou o segurança e interrompeu a festa



Depois de termos feito os nossos habituais cerca de 5 km, fomos então jantar.

Todas as grandes cidades têm uma grande avenida central geralmente na qual abunda o comércio e a animação. Em Madrid há várias que poderiam corresponder a esta descrição genérica (a Castellana, a Gran Via, a Alcalá ou a Goya, e outras), em Barcelona as Ramblas, em Paris os Champs Elysées. Noutras cidades as grandes avenidas centrais nascem na estação central de caminhos de ferro.

Em Lisboa essa avenida poderia ser a Av. da Liberdade. De resto também nasce de perto da estação de Caminhos de Ferro dos Rossio. Contudo, por razões várias, não tem sido particularmente conhecida pela movida. Aliás, durante bastante tempo foi até conhecida pela má vida. Mal caía a noite, travestis e bichas escandalosas faziam daquelas esquinas o seu lugar de ataque. Andar por ali a pé à noite não era, pois, algo que se recomendasse. Pois bem, desde há algum tempo para cá as coisas modificaram-se muito.


Não sei como é de madrugada. Até pode ser que se mantenham os velhos hábitos. Quando lá passo as horas ainda são horas decentes e não vejo nada disso.

A avenida é sim, agora, o lugar onde se têm vindo a instalar as marcas de moda. E há belos hotéis e belos restaurantes e escritórios de advogados e os edifícios estão restaurados, e o clássico mistura-se com o moderno e tudo se conjuga muito bem. O facto de ser uma avenida com largos passeios e várias fiadas de árvores ajuda a manter a identidade mesmo quando os prédios se modificam um pouco, pois o traçado e o arvoredo ajudam a manter a identidade do lugar.


Jantámos num restaurante que tem cerca de 1 ano e uma vez mais vou dizer qual foi pois acho que a sua qualidade, a nível de conforto, ambiente, localização e qualidade gastronómica o merece. Já quanto às contas, recomendo que a verifiquem pois tenho ideia que ainda não atinaram bem e, ainda esta quarta feira, lá calhou uma parcela errada. 

O restaurante é o Avenue (coloco o link mas a ementa que está no site está muito desactualizada). É num amplo primeiro andar, tem uma música ambiente calma, é bem decorado, cosmopolita, agradável. Quem não o conheça ou não vá atento, nem dará por ele pois, ao nível do passeio, apenas tem a entrada. 


Optámos pelos petiscos, ou seja, não fomos para os pratos de peixe ou de carne.

Depois do couvert (bom, incluindo uns feijões verdes em tempura sobre maionese de coentros, ou seja, uma adaptação dos peixinhos da horta), trouxeram, como amuse bouche, oferta da chef, um consommé. Nessa altura eu estava na conversa pelo que não ouvi a descrição. Quem a ouviu também não a soube reproduzir. Mas eu diria que é uma açorda alentejana fria, açorda de bacalhau talvez, passada pela varinha mágica, um caldo leve, cremoso. Nesse caldo nadavam lascas de bacalhau, cubinhos de pão torrado e rebentos de poejo. Muito agradável.

Depois, passei então aos petiscos e vou referir os que eu comi (não liguem muito aos nomes pois se calhar o nome que está na ementa - na real, não na que está no site onde isto nem consta - é diferente; não os fixei e, por isso, digo aquilo de que me lembro):
  • choquinhos estufados com tinta, 
  • ovo escalfado com lasquinhas de farinheira frita por cima, 


  • bacalhau em tempura sobre puré de não sei o quê com saladinha de qualquer coisa de que não me lembro (é a imagem acima)
  • filetes de cavala com cebolinha roxa alimada e puré de abóbora, 
  • e hambúrguer de pato em pequenos pães de caco (imagem à direita) com batata doce frita em finíssimas rodelas

.

Tudo muito bom mesmo. Talvez o ovo escalfado com a farinheira fosse aquele de que menos gostei. De cada coisa vem uma travessinha com 3 ou 4 peças e, portanto, dá para partilhar entre vários comensais. O preço de cada travessinha varia entre os 5 e os 10 euros (salvo erro). Com algum jeito conseguirá fazer-se uma refeição económica. A questão é que a gulodice é muita e, às tantas, vem isto, aquilo e o outro para se provar e, quando chega a conta, ui, ui. A lista de vinhos é variada mas, no nosso caso, como estávamos numa de petiscaria, as bebidas foram água e cerveja (servida em flute, bem gelada, bem boa).

Para sobremesa comi um leite creme queimado com merengue estaladiço por cima e morangos laminados. Muito bom mesmo. Dá à vontade para 2 pessoas.

(Aqui na fotografia aparece um bocado desmantelado porque me distraí e quando o fotografei, já ele tinha sido alvo de ataque. Ainda tentei recompor um pouco mas não ficou fantástico.)

À noite não gosto de comer muito mas na quarta feira acabei por comer demais.


O couvert é generoso e também não contava com a sopa e depois, com petiscos tão apelativos na mesa, não ia deixar de os provar.

De qualquer forma, para quem não coma muito e queira comer na base dos petiscos da gastronomia portuguesa reinterpretada e (relativamente) em conta, pode ficar-se pelo couvert e, para dois, pedir uns 3 ou 4 petiscos e rematar com 1 sobremesa. Se a chef também oferecer um amuse bouche como fez connosco então a coisa chega mais do que bem. Mas, enfim, cada um adequará conforme o gosto e os que quiser gastar.

A seguir, para ajudar a digestão, fomos passear avenida acima, avenida abaixo.

Alguns restaurantes com esplanada estavam bastante compostos e num deles, num dos separadores, havia música e bailarico. Uma animação. Ainda desafiei o meu marido para um pé de dança. Mas qual quê? A resposta foi a do costume: 'Estás maluca?'. É um pé de chumbo, nada a fazer.




Mas centremo-nos, então, no que interessa: as marcas. Claro que não tem nada a ver com o que se encontra no Faubourg Saint-Honoré ou numa George V (só para referir Paris), essas ruas em que as lojas são seguidinhas e em que há sempre um bulício em volta delas. Aqui são mais espaçadas, e talvez por isso mesmo, não se sente aquele ambiente de curiosidade junto às montras. É claro que era de noite, as lojas estavam fechadas, mas ainda assim, nada a ver. Mas é o que é - e ainda assim é curioso de se olhar.

Seja como for, para os meus Leitores que não são de Lisboa nem terão possibilidade de vir tão cedo, aqui deixo a imagem de algumas montras. Naturalmente a minha atenção prende-se mais nas lojas de mulher (vestuário, calçado, carteiras) mas, pensando nos meus leitores homens que gostam de se vestir de forma abichanada ou a tender para o intelectual-alternativo, deixo também uma imagem. Sempre que me lembrei, fotografei também o cartão com os preços para que possam fazer o vosso orçamento e resolverem se compram uma carteirita por 2.000 euros ou se têm melhor destino para arejar a nota.

[Para as fotografias dos preços ficarem junto à fotografia da montra respectiva, tive que as pôr em ponto pequeno. Temo que não vejam bem os números mas, enfim, também pode ser que, assim em ponto pequeno, pareçam mais em conta. De qualquer maneira, se quiserem mesmo apanhar um susto, podem clicar em cima da fotografia que verão os preços em ponto grande.

Uma vez mais a formatação disto não está grande coisa mas ainda não aprendi bem a lidar com o editor do blogger: quero arrumar as imagens de uma forma mais artística e umas vezes consigo, outras nem pouco mais ou menos.]



Carteiras Loewe - não fotografei os preços



Armani - também não fotografei os preços

(Mas eu aqui tenho que confessar que gosto muito das peças Aramani.
Tenho um fato completo de calças e blaser e tem um corte, um tecido com um toque que o tornam intemporal,
mas não fui eu que o comprei que eu sou forreta, foi um presente do meu marido)

























Esta não sei se é Gucci, acabei por não fotografar bem, nem fotografei os preços. Fiquei assustada. Isto é capaz de já ser trauma meu mas os malditos coelhos parece que me perseguem, senhores.
Já viram isto, coelhos por todo o lado?
Fugi a sete pés...! 



Antes de me despedir mostro ainda alguns painéis de azulejos que se podem ver na Avenida da Liberdade. Sou amante da azulejaria portuguesa. Se um dia me sair o Euromilhões tenho muita coisa para fazer e uma delas é tentar dinamizar a azulejaria (artes e ofícios de mãos dadas e, além do mais, um grande potencial de exportação).




Esqueci-me de registar a autoria. Imperdoável.



Belo painel de Teresa Cortez, 1985, da Fábrica Viúva Lamego



E porque de escapadelas estamos a falar, não quero sair daqui sem referir os belos hotéis da Avenida da Liberdade. Digo-vos que merecem ser apreciados mas isto já vai para além de longo. Para não vos maçar mais, mostro apenas uma bela entrada de um belo edifício antigo que penso ser a entrada de um hotel.




Provavelmente nunca vou ficar num destes hotéis (uma pessoa não vai para um hotel perto de casa, acho eu, a menos que seja, lá está, para a dita rapidinha - rapidinha ou escapadinha? ou é escapadela? que confusão... mais vale dizer em inglês: para um city break) mas, a quem tenha oportunidade, penso que ficar aqui, pelos hotéis em si e pelo lugar que é a Avenida da Liberdade e toda a Baixa de Lisboa, deve valer bem a pena.

/\

E depois disto só me resta aconselhar-vos a - seja em férias, seja ao fim de semana, seja ao fim do dia, seja numa escapadela durante o dia, seja no que for - visitarem e a ver com olhos de ver a bela cidade de Lisboa, uma das mais belas cidades do mundo. Eu nunca me canso, há mil recantos a visitar, mil pormenores a descobrir.



Não foi à toa que Lisboa foi, uma vez mais, distinguida pelos World Travel Awards, os chamados Óscares do Turismo, como o melhor destino europeu para um city break (Europe's Leading City Break Destination 2013), a dita escapada ou escapadela de que os órgãos de comunicação social têm feito eco. Entre a beleza natural, o património histórico e arquitectónico, o comércio, a actividade cultural, os jardins, o ambiente, etc, tudo convida a conhecer melhor a cidade.


E tenham, meus Caros Leitores, uma bela semana a começar já por esta segunda feira!


domingo, setembro 01, 2013

Proibir os piropos? Legislar sobre os piropos...?! E só sobre os piropos de homens a mulheres ou também há que definir quais os piropos que uma mulher pode dizer e que não ofendem a sensibilidade masculina? ---- Ou seja, mais uma brilhante iniciativa do Bloco de Esquerda (que depois de se ter unido ao PSD, ao CDS e ao PCP para derrubar Sócrates, sabendo que a seguir viria o nefasto Passos Coelho, de vez em quando volta a sair-se com parvoíces destas que até parecem de propósito para distrair a atenção do pagode das sacanices que o dito Passos Coelho não pára de aprontar). Pois eu, pela parte que me toca, antes que sejam proibidos, distribuo munições. Podem encontrar aqui vários, desde os piropos tradicionais, aos imaginativos, até a alguns da minha colecção pessoal. //// ----> Texto acrescentado com ALGUNS PIROPOS DIRIGIDOS À MINHA MÃE E À MINHA FILHA


Caso sejam como eu e gostem de ver fotografias de casamentos, então aconselho-vos a não deixarem de deslizar até mais abaixo, até ao meu post seguinte, onde vos mostro as primeiras fotografias disponíveis do casamento do filho de Carolina de Mónaco, o belo Andrea Casiraghi, com a sua namorada de longa data e mãe do seu filho Sacha, Tatiana Santo Domingo.

*

Entrámos em Setembro, um mês suave, que abre caminho para as subtilezas do Outono, em que o tempo já não é de calores tórridos mas ainda não é de frios atrofiantes. Conservo-me, pois, ainda despida mas saio da água e recolho-me à penumbra, lá onde a sombra e a luz traçam caminhos na minha pele. As cores prenunciam os encarnados da vinha virgem quando as folhas se começam a incendiar porque é no fogo do carmim que eu me movo melhor. A fotografia é de um dos fotógrafos de eleição do Um Jeito Manso, o norueguês Solve Sundsbo.

*

Introdução feita, passo, então, ao tema deste post. 

Quero dizer-vos o que acho da inusitada iniciativa do Bloco de Esquerda que resolveu embirrar com os piropos e que, ao que parece, quer até abrir um debate parlamentar. 






Vi há bocado na televisão uma daquelas mulheres com aspecto intelecto-alternativo, vestido preto escorrido, cabelo igualmente escorrido até à altura do queixo e franja pelo meio da testa, a dizer que não são admissíveis observações sobre o aspecto físico das pessoas. Não admite, por exemplo, que alguém, por um qualquer acaso, lhe diga que é bonita pois não pediu opinião sobre isso. Claro está que eu, se fosse homem e me cruzasse com ela na rua, depois de a ouvir dizer isto com aquela cara de caso, talvez não me conseguisse conter (não sei é se lhe dizia que ela é bonita).

Pois eu, sobre isso, só tenho a dizer que os bloquistas ou são doidos ou estão a alucinar ou não estão no seu estado normal ou qualquer coisa nessa base. E isto porque:

  • Numa altura destas, em que há tantas coisas graves a ocorrer ou em vias disso (desemprego, supressão de direitos e garantias, etc, e tudo condimentado através de uma manipulação descarada da opinião pública - perante a passividade absoluta dos jornalistas que papagueiam acefalamente tudo o que os spin doctors do governo vão debitando para as redacções), parece-me que só gente que ande a planar numa outra dimensão ou que esteja conluiado com o (des) governo de Passos Coelho é que pode vir lançar tamanho disparate para a discussão pública.

  • E também acho que só por mentes a tender para o totalitário é que pode passar a ideia de censurar a expressão de reacções espontâneas (geralmente até de agrado).


Felizmente não tenho a experiência de ouvir bocas desagradáveis, depreciativas ou excessivamente ordinárias. Mas tenho, sim, a experiência de ouvir observações engraçadas, algumas mais brejeiras, outras mais sofisticadas.




Penso que os homens têm cada vez menos o hábito de dizer piropos a quem passa na rua mas considero normal que olhem, que se virem, e que, quando estão em grupo, mais protegidos e mais desinibidos, deixem sair um ou outro piropo. Acho identicamente normal que as mulheres façam o mesmo (embora não tenham muito esse hábito - e estou a referir-me a 'mandarem umas bocas', não a olharem ou virarem-se que isso é uma coisa que pode acontecer quase involuntariamente quando passa alguém que tenha um toque de je ne sais quoi).

Mas se isso é na rua, já em pequeno grupo, em roda de amigos, tanto homens como mulheres podem e devem ser simpáticos. Chama-se a isso confraternizar. Claro que é difícil traçar a fronteira entre uma observação simpática e um piropo mas também não vejo necessidade de traçar essa fronteira.

Vou repetir-me, creio, mas conto-vos na mesma. Tenho um grande amigo, um brincalhão, que se eu lhe disser, quando o encontro: 'estás óptimo', ele, quase invariavelmente, me responderá: 'dizes isso porque não te tens deitado comigo'. E eu farto-me sempre de rir. E ele também se ri por me ver rir.

E a coisa é ainda mais divertida quando a coisa se passa com um amigo (homem, portanto) que lhe faça o mesmo cumprimento pois leva, quase se certeza, com a mesma resposta.

E tem algum mal isto? Qual de nós disse um piropo? E algum de nós disse o que não devia?

Ora...

Poderia pôr-me a puxar pela cabeça para exemplificar piropos ou 'bocas' que ouvi ao longo da minha vida mas não tenho grande paciência para elaborar pensamentos ou repescar coisas da memória. Mas, assim de repente, lembro-me, por exemplo, de uma vez, grávida até mais não poder, passar ali na Castilho e estar um grupo de homens perto do Castil a olharam para mim, sorridentes, e um deles me dizer 'puseste-te a brincar com o zezinho... olha no que deu'. Achei piada. Segui como se não tivesse ouvido mas certamente a esforçar-me para não me rir.




E lembro-me também de uma vez (talvez também já o tenha contado e, se assim for, as minhas desculpas pela repetição) eu estar adoentada e, ao assomar ao gabinete de um colega, lá estar também o presidente da empresa. Quando me viu, este perguntou-me como é que eu estava. Respondi: 'Engripada'. Ele virou-se, com ar surpreendido para o meu colega: 'O que é que ela disse? Engraçada...?!'. Corrigi-o: 'Engripada'. Ele então desatou-se a rir: 'Ah... Percebi que você tinha dito engraçada. Estranhei. Não é que não esteja, ou que não seja, mas não costuma dizê-lo'.

Uns dias depois, estava já eu completamente recuperada, entrei na sala de reuniões ligeiramente atrasada, já estavam todos sentados à volta da enorme mesa ovalada, o presidente na cabeceira. Sentei-me. E então o presidente, sorridente, ar malicioso, olhou para mim e depois virou-se para o tal meu colega em cujo gabinete tinha decorrido o equívoca acima relatado, e disse-lhe: 'Ela hoje está mais do que engripada. Diria mesmo que está com uma grande pneumonia. Que é que você acha...?'. O meu colega desatou-se a rir e eu também. Claro que os restantes ficaram a olhar uns para os outros sem perceber nada. 

Foi um piropo? Ah pois foi. So what? Deveria eu ter ficado arreliada? Ora...

¨¨

[Volto a este texto para acrescentar mais alguns piropos, alguns envolvendo a minha mãe.



  • Conta ela que uma vez ia a passar, louríssima, um cabelo naturalmente louro, quase platinado, quando ouviu uma voz apreciadora: 'Está ruça mas ainda está boa...'. Quando conta isso, ela ainda se ri.


  • Recebeu também uma vez um piropo em forma de poema da parte do Sebastião da Gama, professor numa altura em que ela era aluna, que lhe entregou um papelinho que dizia:

O cabelo é de ouro
para que vejam bem
que o coração
é de ouro também

  • E lembro-de uma vez, estando eu a entrar na adolescência e ainda não acostumada a estas coisas, e indo eu e a minha mãe a passear na Baixa, uns sujeitos passarem por nós e olharem com ar interessado, e um deles dizer: 'Abençoada mãe que tal filha deitou a o mundo'. Lembro-me da minha surpresa e do ar de certa forma orgulhoso da minha mãe, e de como nós duas nos rimos.


  • Voltei a ouvir esse piropo várias outras vezes, nas suas diversas variantes mas, voltei, sobretudo a sentir o agrado inicial quando, indo eu com a minha filha, ouvi o piropo mas agora dirigido a ela.]


¨¨¨¨

Que mal fazem os piropos? Nenhum. Quando são simpáticos até fazem bem ao ego. 

Mas se, em vez de serem assim, forem ordinarices, que também já as ouvi (fazia-te, acontecia-te e sei lá que mais)? Pois, aí pode ser desconfortável, reconheço. 




Mas, se houvesse uma lei que proibisse as bocas foleiras, o que se deveria fazer? Desatar a correr até encontrar um polícia e convencê-lo a ir prender o infractor? Que parvoíce, senhores.

Eu o que recomendo é o seguinte e parece-me suficiente:
  • ou se faz o mais comum: ignorar, seguir como se não se tivesse ouvido,
  • ou, avaliando-se que não há riscos -, nomeadamente se se for acompanhada e se se perceber que do outro lado está um gargantas e pouco mais - também se pode parar, olhar o valentão de frente e dizer-lhe: 'Tem a certeza? Duvido. Ora veja-se ao espelho'. E depois seguir em frente. Garanto que o valentão vai ter vontade de se enfiar pelo chão abaixo.


Por estas e por outras é que o Passos Coelho, por mais porcaria que faça, ainda lá está - e ainda há quem não tenha percebido a criatura funesta que ele é. Com uma esquerda onde há partidos destes, que em vez de se concentrarem no que interessa, se entretêm a inventar baboseiras e manobras de distracção, de que é que se está à espera?

Não digo que o BE seja sempre o partido dos disparates pois o Miguel Portas era um humanista, aberto, culto, civilizado, sensato, e Francisco Louça era um brilhante parlamentar que fez grandes intervenções, Ana Drago também progrediu a olhos vistos (e agora que estava madura, sai - o que é uma pena), João Semedo é um homem sensato que se ouve com interesse. Mas, de uma forma geral, ainda andam a patinar sem perceberem qual o seu espaço de actuação e quais os objectivos da sua intervenção e, talvez por via dessa indefinição, há espaço para o surgimento de aberrações como esta de aqui falo. 

Embirrar com os piropos? ... A que propósito isto agora? Ora esta.




^^^^^

Permitam que vos relembre: se são cuscos como eu e gostam de ver fotografias de casamentos, no post abaixo podem ver as primeiras do casamento do filho mais velho de Carolina de Mónaco, Andrea. Mostro também uma fotografia da despedida de solteira da mulher dele, Tatiana Santo Domingo.

^^^^^

E nada mais por hoje. 

Resta-me desejar-vos que entrem em Setembro com o pé direito, que este domingo seja muito bom.

E espero que se virem alguém giro não deixem de demonstrar o que acham. 
Um piropo à maneira, uma flor, um sorriso, um poema cantado ou decantado, um piscar de olho, um assobio (you know how to whistle, don't you?, volto a perguntar): tudo coisas que se recomendam.