domingo, novembro 14, 2021

Alô, alô Catarina Martins! Alô, alô Mana Mortágua!
O que é que ainda não perceberam?
Continuem assim, populistas, cínicas, convencidas, a achar que os portugueses são burros e ainda acabam com menos votos que o CDS...

 

Estou a ver o noticiário e pasmo com a hipocrisia, com a sucessão de mentiras e com a permanente manipulação da informação por parte das desagradáveis dirigentes bloquistas. Tão arrogantes são que não percebem que os portugueses já as toparam faz tempo.

Não são uma maneira nova de estar na política como, de início, tentaram parecer. Pior ainda que isso: não querem o bem dos portugueses. 

Por duas vezes, em momentos críticos, juntamente com os comunistas, deram o braço à direita para deitar abaixo um governo socialista. 

Da primeira vez, abriram a porta ao pior período da era democrática, o período em que o Láparo, de braço dado com Portas, quis ir mais longe do que a troika (o Alberto João chamou ao período passista um período de genocídio social e de um aventureirismo que consistiu em dar cabo da economia supostamente para pôr bem as finanças e, em que, obviamente não melhoraram as finanças e estraçalharam a economia). E quem abriu a porta para que Passos Coelho e Paulo Portas quase aniquilassem o País foi o PCP, o Bloco de Esquerda, de braço dado com o CDS e o PSD. Não nos esqueçamos nunca disto.

Desta vez espero que lhes saia o tiro pela culatra e não consigam o que pretendem (embora, mentirosamente, digam que não): colocar a direita no poder. 

As do Bloco de Esquerda praticam uma política rasteira, falsa. São demagógicas. São populistas. E são capazes das maiores deslealdades e traições. Já aqui o disse e volto a dizer. Em Portugal seguimos a velha máxima romana de que não pagamos a traidores. Portugal não lhes perdoará (tal como não perdoará aos comunistas).

As sondagens apontam para um resultado desastroso nas próximas eleições para o Bloco de Esquerda (tal como para os comunistas que, desde há muito, se encontram numa trajectória suicidária e agora, dando o braço à direita para derrubar os socialistas, ainda mais) e, a continuarem a portar-se como sempre se portam, terão ainda menos. 

Até que desaparecerão. Renascerão, mais tarde, noutra qualquer agremiação de ex-trostkistas, ex-maoistas, ex-marxistas-leninistas, sempre com ar blasé, armados em doutores da mula russa, com uma suposta grande paciência para explicar coisas ao povo. Só que o povo já os topa à légua, já não lhes liga peva.

As pessoas que votavam no Bloco e que eram decentes irão votar no PS e os que votavam nelas apenas porque lhes apreciavam a veia populista e demagógica, vão votar no Chega.

Se fossem inteligentes, percebiam isto e faziam um esforço para perder a cagança e para assimilarem o que o povo pensa. Mas como não são inteligentes e como se estão a cagar para o povo, iremos continuar a vê-las a andar por aí, uma a representar, toda sorrisos, feita Marine le Pen a falar para as massas, outra, feita doutora-urubu, a falar de alto, a dar lições não se sabe bem a quem.

Enquanto isto, o Chega vai alegremente recebendo os dissidentes do Bloco, do PCP, do CDS e do PSD. As sondagens já os dão com 10%, já a terceira força política do país. Uma vergonha. Sobretudo uma vergonha para o Bloco e para o PCP.

(Nem falo do PSD e do CDS que esses, autofágicos e destrambelhados como andam, se encarregarão de se devorar a si próprios)

É o que é.

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Durante o dia de domingo, talvez ao princípio da tarde, publicarei outro post, bastante diferente deste. 

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Mas, enquanto não publico, aqui ficam já os meus votos para um feliz dia de domingo

sábado, novembro 13, 2021

Truques de magia fáceis e bem explicados.
Bons para fazer com amigos ou com crianças

 

Hoje não há cá política ou avençados nem marretas nem social-marretas. Hoje a coisa é ainda mais light do que as lightadas dos outros dias. 

Contudo, aqui fica já o meu compromisso: vou esforçar-me para a conversa não me sair abrasileirada para que Madame Pureza não me apareça aqui saltando-me em cima a pés juntos -- que pareço pouco instruída, que escrevo coisas que soam desagradáveis. 

Ora, nem pensar. Sou muito lavadinha, gosto de textos limpinhos, bem educadinhos, sem o estigma de brasileiro de fraca escolaridade (e ponham aspas onde quiserem, por quem sois). Contudo, Madame, se ainda assim a prosa lhe soar de fraca toada ou de escassa erudição, não hesite: venha cá e deixe um bilhetinho. Aqui recebem-se, com agrado, todas as reclamações. E sorrisos também, caso queira.

Mas conto.

Acordei cedo demais e, convencida que tinha uma reunião à primeira da manhã, pensei que já não tinha tempo para dormir e, estupidamente, não dormi mesmo. 

Levantei-me, lesta, abri a porta ao urso cabeludo e, apanhando-o distraído, regressei a casa para as abluções matinais e para a primeira refeição do dia. Arranjei-me e apresentei-me ao serviço. Aperaltada, claro.

Afinal, de véspera, a pedido do meu interlocutor, tinha adiado a reunião para umas horas depois -- e, pdi oblige, tinha-me esquecido. 

Aproveitei o espaço em branco na agenda para reler um (big) trabalho que me tinham enviado e, a cada página, ia pensando: vou mas é passar a informar que, doravante, só recebo documentos que tenham, no máximos 20 páginas e terão que vir a letra de tamanho 14, no mínimo, e espaçamento a linha e meia ou, mesmo, a duas. O sacrifício que faço para ler um documento com mais de quarenta páginas, escrito a letra miudinha, páginas compactas, ninguém imagina. Há pessoas que gostam de transformar cada ideia, por mais cagativa que seja, num tratado académico. Não há paciência.

Mas, enfim, é o que é. O dia todo a trabalhar e, por ter começado cedo demais, a esta tardia hora já estou a transbordar.

Quando digo isto -- e digo todos os dias -- volta e meia aparece algum comentário ou mail a perguntar porque não vou dormir em vez de escrever que tenho sono?

Explico: porque sim. Porque gosto de ter este bocado da noite só para mim e para fazer o que me apetece. Senão tiver este bocado de tempo para fazer o que me der na bolha, fico com a sensação que o dia fica em aberto.

Mas isto para dizer o que já disse logo no início: não tenho nada para dizer. Gostava de ter mas não tenho. Gostava de ter anedotas ou adivinhas para contar mas também não tenho. A aridez em forma de gente, é o que hoje estou.

Não sou de contar anedotas. Sobretudo, esqueço-me delas instantaneamente. Se me pedirem para contar uma anedota, não me lembro de uma única. Tive um colega que quase todos os dias me entrava no gabinete a contar uma anedota. Não sei onde é que eles as desencantava. Muitas vezes, acreditei que as inventava. Mas fartava-me sempre de rir. Eu não sei nenhuma e acho que também não teria jeito para contar. 

O mais que consigo é contar episódios divertidos que vivi ou presenciei. Muitas vezes conto-os, mentalmente, a mim própria e farto-me de rir sozinha.

Também não gosto de jogar ao que quer que seja. Não gosto, não tenho paciência, acho uma perda de tempo. Nem cartas. Não fixo as regras, não me interessa. 

E também não sei fazer um único truque. Zero. 

Mesmo adivinhas acho que só sei aquelas básicas e infantis: branco é galinha o põe, qual é a coisa qual é ela que entra em casa e se põe à janela, qual a coisa qual é ela que cai no chão e fica amarela. E pouco mais que isto. Uma indigência.

Dir-se-ia que tenho memória de galinha. E tenho. Mas é para isto. Para outras coisas tenho uma memória que até a mim me espanta. Mas, para coisas como anedotas, adivinhas, canções infantis, truques (ou nomes de livros ou de filmes) e tudo o que seja normal é uma vergonhosa desgraça.

Por isso, como me acontece com tudo, dou o maior valor a quem tem dotes que não existem em mim. E, também por isso, foi com o maior interesse que vi os vídeos abaixo que me foram sugeridos pelo Youtube. Ao vê-los imaginei logo os meus queridos pimentinhas a vê-los e a experimentarem todos os truques.

Confiram. Têm piada e acho que não vou resistir a testar. A ver se convenço também o meu marido. Vai ter graça.






Divirtam-se, está bem?

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NB: As imagens escolhidas referem-se, segundo o google, a mulheres que fazem magia. Ou então fui eu que traduzi mal e o google entendeu que eu pretendia mulheres que espalham magia... Faz alguma diferença.
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Desejo-vos um belo sábado.
Saúde. Paz. Coragem e confiança. Alegria.

sexta-feira, novembro 12, 2021

Tiro ao Cravinho
É nisto que a Comunicação Social e os Cocós, Ranhetas e Facadas do PCP&BE&PSD&CDS reunidos andam entretidos
Tudo doido.
E isto já para não falar do boquirroto e seus cãezinhos amestrados que dão um espectaculozinho deprimente até dizer Chega....

 

Eu hoje estou que estou. Já corri demais. Agora estou aqui sem pachorrinha para coisíssima nenhuma. Ligo a tv e só vejo truanice. Mas truanice da grossa. Inferno. Parece que as pessoas andam todas desfocadas. A mosca passa à esquerda e dão com o mata-mosca à direita. O rato passeia no muro em cima e eles põem a ratoeira no muro em baixo. O sapato direito vai para o pé esquerdo, a meia vai por cima do sapato. Tudo assim. Tudo ao lado. 

O Rangel, esse conhecido boquirroto, diz que não vai dizer mal do seu partenaire mas, todo boquinhas e olhinhos a pretenderem dar jeito de inteligente engraçado, só faz é troçar e desprezar o Rio. E o Rio, que diz que só vai dizer mal do Costa, mal abre a boca é para dizer a rir que o boquirroto não está minimamente preparado para o que diz que quer ser. 

E o Alberto João, correligionário da parelha, tonitrua dizendo que os maçons e os laparistas andam atrás e a empurrar o instável boquirroto que -- diz ele -- mais não faz do que mostrar o quanto gosta de brincar aos partidos. 

E logo saltam os rangelistas amestrados, ex-laparistas amestrados, para baboseirar em uníssono. E a comunicação social -- em vez de se entreter com esta stand-up que tem muito para dar, pândega da melhor --, não senhor, faz é espera ao Marcelo, ao Costa e ao Cravinho para saber quem é que disse o quê a quem. Estes jornalistas, quando estão ranhosos, em vez de limparem o nariz devem limpar é o rabo. Todos trocados. E sempre à procura é de porcaria. 

Perante a escandaleira a coberto das missões das FA que foi denunciada e investigada sem uma só fuga de informação, os nossos media não querem saber quem roubou, quem traficou, quem foram os influencers, se traziam as pedras e os metais no bolso e a droga na dobra das calças, nem quem fechou os olhos a quê, nem como é que as tropas todas juntas, sempre tão reivindicativas dos seus poderes, autonomias e status, não perceberam que andavam a ser correio de traficância de alto gabarito. Não senhor. Nem querem sequer perceber qual o meandro raciocinal do presidente para dizer que isto tudo só dá é prestígio à tropa. Não. Não senhor. Trocadésimos comme toujours, tudo quer é saber se há crise entre o Costa e o Marcelo ou se o Cravinho é que devia ir para a rua. Não interessa que o Cravinho queira pôr ordem na mesa ou que seja gente decente, competente e séria à prova de bala. Ná, na, ni, na, nó. Não, senhor. Na lógica destes avençados, se é decente ainda mais depressa deve ser abatido.

A comunicação social e os seus comentadores amestrados só correm para onde alguém atira o osso. E geralmente a coisa dá-se num lado e o osso é atirado na direcção oposta. E nem cuidam de saber da credibilidade de quem atira o osso: se é um vesgo ou um marreta, se é um boquirroto ou  um chicão, se é um relvas ou joker, se um aldrabão avençado ou um merdoso qualquer (pardon my french). Não. Não há tempo ou inteligência para isso. O osso vai para ali e é para ali que a comunicação social e os comentadores amestrados vão a correr, de dente arreganhado.

Não sei se pelas redações, à força de tanto cão a ladrar a toda a hora e à força de tão instruídos para causarem baderna a ver se aumentam o share, já está tudo maluco ou se maluca estou eu ainda a perder tempo com tanta palhaçada. Caracitas e gaitolas para isto tudo, é o que tenho a dizer.


Loucos by Porta dos Fundos


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E queiram descer não propriamente para bingo mas até onde se fala do candidato que fala pelos cotovelos mas que, imagine-se!, não distingue um carapau de uma sardinha

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E, tirando isso, aboborinha.

E uma happy friday com tudo em cima, tudo a bombar.

(E vamos lá mas é voltar a ter muita atenção a uma máscara bem posta. Valeu? Não queremos cá nenhuma 5º vaga, façam lá o favor)


É admissível termos um Primeiro-Ministro que não sabe distinguir um carapau de uma sardinha? - pergunto

 

A meu ver não é.


É que acho que nem é preciso invocar que não está preparado para sê-lo, que não tem quaisquer maneiras (o vídeo já não está disponível no youtube), que é histérico, trauliteiro, insuportável, picareta-papagueante, que não inspira confiança nem para gerir uma papelaria de bairro nem uma banca de tirinhos na feira, que anda a desenterrar toda a tralha passista responsável por um período de verdadeiro genocídio social (Alberto João dixit), etc, etc, etc... 


Basta isto: não sabe distinguir uma sardinha de um carapau. A sério: não sabe. Pelo menos, não há muito tempo não sabia.

Como é que é possível? Qual é o indígena que, em Portugal, não sabe identificar uma sardinha? Qual o bom patriota que nunca se banqueteou com uma bela sardinhada?

Caraças. Só mesmo um alienígena. Ora pode um alienígena, sem maneiras, impreparado, mal acompanhado, etc, etc, ser Primeiro-Ministro de Portugal?

Obviamente não pode.

Ora, se não pode, o que se passa com os laranjecas que o apoiam? Andam com os copos? What...?

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Como é bom de ver a imagem do Rangel na companhia do Passos Coelho e do Aguiar-Branco é da autoria do saudoso We have kaos in the garden

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E até já

quinta-feira, novembro 11, 2021

Um dia complicado

 

O dia foi daqueles muito atípicos. Um exame médico que me manteve no hospital durante mais de seis horas, parte das quais em jejum. E refiro isto do jejum só por referir pois, na verdade, foi o menor dos males. E não foi apenas a complexidade do exame e os tempos de espera entre cada fase como, sobretudo, o efeito de um fármaco cujo objectivo era mesmo o de avaliar como o corpo reagia a algo que o deixava nos limites.

  • Durante breves minutos senti-me deveras mal. Enquanto isso, o meu corpo estava a ser monitorizado e um médico avaliava a evolução da minha condição. Durante aqueles breves instantes pensei que algo de mau se estava a passar e que não ia aguentar. O médico disse que estava quase a passar. E, de facto, pouco depois estava bem.

Interroguei-me depois em coincidência com o que me tinha interrogado antes e com o que a minha mãe se interrogou enquanto falávamos disto: será que faz sentido? será que é mesmo necessário? não será que, às tantas, uma pessoa não morre da doença para morrer da cura?

Mas não morri. Estou aqui. Só que estou um pouco off. Não sei se é por não ter bebido café, se por ter estado até ao meio da tarde praticamente em jejum, se é pela violência daquela parte do exame -- mas estou sem grande energia. 

É que, no fim, ainda houve o trânsito. É que tal foi a dimensão da brincadeira daquele exame que acabei por vir para casa em plena hora de ponta. 

Lisboa cheia, cheia, cheia de carros. A cada semáforo, uma fila. Parece que está igual, senão pior, aos tempos pré-pandemia. 
Não dá muito para perceber: a malta desatou toda a andar de carro, esquecendo a possibilidade dos transportes públicos? E isto é a consequência do fim de grande parte do teletrabalho? Acho que algumas campainhas deveriam tocar face ao que está a acontecer.

A cidade já está toda engalanada. O Natal já chegou à cidade. Mas entre telefonemas e fome e sono nem prestei grande atenção.

Para mais, estava preocupada. A nossa pequena fera tinha ficado sozinha, cá fora, durante mais de sete horas. A caminha, alguns brinquedos e a tigela da água e a da ração também cá fora. Quando, de manhã, estava a sair, partiu-se-me o coração ver como estava sentado, ar preocupado, virado para dentro de casa. Não devia perceber a que se devia tão injusto abandono. 

Durante o exame, numa das mensagens, falei nisso ao meu marido. Recordou-me que se trata de um cão pastor, um cão que vive nos montes a guardar rebanhos. Mas não é verdade: pode ter isso nos genes mas não é essa a sua experiência. 

Quando chegámos, ficou eufórico, doido de alegria, não conseguia parar, louco, louco de entusiasmo por ver que tínhamos regressado. 

Ainda nem há dois meses está connosco e já há este forte e mútuo vínculo emocional.

E adormeceu mais cedo. Se calhar não dormiu durante o dia ou, então, o stress por se ver sozinho durante tantas horas foi grande demais.

E eu estou na mesma: incapaz de prosseguir, tanta a necessidade de ir descansar. Quando vinha no carro, vim também com chamadas profissionais e, quando cheguei, tive que ir fazer uma chamada longa e complicada que não tinha podido fazer lá. 

Só depois fui tomar banho e fazer o jantar. Ainda pensámos ir comprar a refeição a algum lado mas ambos concordámos que a prioridade era vir directamente para casa para não deixarmos o pequeno urso mais tempo sozinho.

E, por absurdo que possa parecer (e é), depois de jantar, estive a trabalhar. Portanto, o dia foi mais do que longo e mais do que puxado e eu, com vossa licença, vou exercer o meu direito a ir mais cedo para a cama.

NB: Não digo qual foi o exame para não criar receios em quem, um dia, também tenha que o fazer. O médico explicou-me que a reacção àquela parte complicada do exame é muito variável. Portanto, não vale a pena eu criar receios que, para algumas pessoas, serão infundados. E, para a maior parte das pessoas, nem haverá qualquer necessidade de o fazer. Portanto, adiante que para a frente é que é caminho.

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Pinturas de M. F. Husain ao som de Plot Twist por Toby Johnson

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Desejo-vos um dia feliz

Tudo de bom.

quarta-feira, novembro 10, 2021

Como curar a insónia, como saber o seu grau de empatia, como conseguir que gostem logo de si, como sentir-se feliz só por sorrir, como saber se é analítico ou criativo


Devo dizer que, em dias como estes últimos, chego a esta hora e falta-me um bocado a vontade de comentar os sucedidos. 

Os dias têm estado muito preenchidos. Várias reuniões por dia, por vezes necessidade de as preparar lendo documentação que me enviam antes, geralmente telefonemas antes e depois. E mails e sei lá que mais. O tempo corre desde que me levanto quase até me deitar. Ainda agora mesmo recebi um mail (de trabalho) que tinha mesmo que ser respondido hoje. Cansada.

Quando consegui intervalar e ir ao jardim confraternizar com o pequeno urso felpudo já o dia tinha esfriado e o sol estava no ir. Sentei-me no chão e ele veio ter comigo, trazendo-me um pau. E ali ficámos os dois, curtindo o momento.

Antes de chegar o mail que requeria resposta imediata, tinha passado os olhos pelo Guardian e pelo DN mas nada do que vi me fez ter vontade de escrever. Ou melhor: ver até vi. Mas acredito que daqui a nada me estará a dar o sono e sei que não conseguirei escrever nada de muito escorreito. Por isso, vou poupar-me.

Além disso, para ser absolutamente sincera, estou, ao mesmo tempo, a ver um dos meus programas preferidos: o MasterChef Australia. Os pratos que cozinham em tão pouco tempo, as ideias que instantaneamente lhes surgem, a utilização imprevista que fazem de alguns alimentos, a forma como empratam -- tudo, tudo me prende. São tão artistas, tão perfeitos, tão inovadores e, ao mesmo tempo, tão humildes. Uma coisa maravilhosa. E os três apresentadores são exemplares: elegantes, bem dispostos, simpáticos, compreensivos, empáticos. Nada de brutamontes, pirosos, convencidos ou parvalhões. Aqui tudo é decente, civilizado... e apurado, superlativo.

Por isso, com um olho no burro e outro no cigano e, ainda por cima, com os dois a quererem descansar, não quero aventurar-me a falar de temas mais complexos ou mais pindéricos. Por exemplo:

  • Dizer alguma coisa do R&R, Rio&Rangel, essa dupla cómica que por aí anda? Ná, não hoje. 
  • Dizer alguma coisa da cínica e populista Catarina Martins? Ná, qualquer palavra gasta com ela é puro desperdício.
  • Dizer alguma coisa da cada vez mais suicidária lógica comunista? Ná, dá-me pena.
  • Falar da GNR e PSP alegadamente à molhada com as Forças Armadas a traficar diamantes, ouro e droga? Ná, muita miséria moral.
  • Lamentar a cega visão sobre a questão climática de que padece grande parte do mundo? Ná, não leva a nada.
  • Lamentar a morte de alguns dos casos mais tristes e dramáticos de que fomos tendo notícia? Ná, a dor das pessoas não cabe em palavras, muito menos em despidas palavras de quem assiste de longe.

Por isso, perdoem-me a falta de maneiras... mas vou apresentar-me de muletas. Ou melhor, vou pedir a ajuda de Richard Wiseman que tem uns vídeos que aqui me aparecem e que, sei lá, se non è vero, è ben trovato

Conselhos que talvez sejam úteis ou dicas que talvez façam sentido. 

É ver para crer.


Como curar a insónia --|>



Verifique se é uma pessoa empática --|>


O segredo para gostarem logo de si --|>



Sorrir faz ficar feliz? Experimente. --|>


É criativo ou analítico? --|>


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Um dia feliz. 
Tudo a correr bem. Saúde, sorte e boa disposição.

terça-feira, novembro 09, 2021

Uma miríade de buscas e detenções das Forças Armadas.
Se calhar tinham combinado não entrarem em pânico.
Mas...

 

Havia aquilo das messes. As coisas na realidade só custavam custavam X mas eles compravam por X+g. As Forças Armadas pagavam X+g aos fornecedores. E o g, g de gorjeta, era transferido pelos fornecedores para aqueles que assim negociavam. Ou seja, as Forças Armadas, ou seja, todos os pagam impostos, estavam a pagar para alguns receberem umas gorjetas. Consta que chorudas gorjetas. Ouvi falar em milhões. E quem lhe chama gorjeta, chama gratificação. Ou comissão. Ou fee. Não sei se isso já foi apurado ou se ainda anda enleado nas malhas da Justiça.

Houve também aquilo das armas. Falava-se em roubo e comercialização de armas. A barraca maior aconteceu em Tancos. Não terá sido a única barraca mas foi a mais cabeluda. Mais do que barraca, foi uma barraquinha. Uma historieta marada. Coisa de gatunagem miúda à mistura com alguma mais graúda e tudo condimentado com guerra de bairros, alfama contra mouraria, judite-tropa ou judite-civil. Ou whatever. Uma cambada de malucos e de marados que nunca deixou que se percebesse bem quem era quem na máfia das armas. Claro que ainda anda tudo enleado nas malhas da Justiça.

A nossa Justiça é daquelas badalhocas que já perderam a vergonha na cara, que falam demais, que têm uma língua comprida e venenosa difamando meio mundo e que, dentro de portas, guardam sacos cheios de restos de linhas e de lãs, tudo emaranhado, onde mesmo que se encontre uma ponta e se puxe, não se consegue tirar tão presa estás nos outros fios.

Pois bem. Desta vez parece que a coisa fia mais fino. Coisa digna da Place Vendôme: ouro e diamantes. Não sei se, pelo meio, havia umas e outras para cheirar ou se era sobretudo ouro e diamantes. E eu disse parece pois nestas molhadas em que é tudo ao molho e fé em deus com o Super-Judge Alex à mistura a gente nunca sabe se é mais um dos mega delírios que ele gosta de apadrinhar ou se, pela primeira vez, dali vai sair algum rato. Centenas de agentes, vários suspeitos, vários detidos. Diz o nosso impagável Marcelo que esta investigação só os prestigia. Coisas lá dele. Eu, por acaso, preferia umas Forças Armadas impolutas mas, lá está, inocências cá minhas. 

Seja como for, nada de dramas: tal como uma passarinha não faz a primavera também uma fiada de diamantes não ensanguenta todos os Comandos. Para além disso, claro que todos são inocentes até prova em contrário. 

Mas, a ser verdade que há fumo porque houve fogo e a ser verdade que agiam conluiados, com o espírito de fraternidade que costuma uni-los, cá para mim devem ter combinado uma estratégia das valentes: caso cheire a cocó no beco, nada de pânico.

Mas, com tantas centenas de agentes à solta nas ruas e a farejarem casa a casa... sempre gostava de ter visto como reagiram os ditos militares e ex-militares.

Não é por nada mas só espero que tenham reagido melhor que estes aqui abaixo. A menos que tiritar de pânico também seja coisa que prestigie a tropa. 


E até já

segunda-feira, novembro 08, 2021

A Beatriz Gosta de noiva

 

Não sei se existe o grupo das fãs dela mas, se houvesse, eu também não era de me inscrever. Mas, no silêncio da coisa, ali estaria eu a aplaudir, a dar uma força. É o que faço aqui. Sei que ela está no Feice aka Meta e no Insta mas, como eu não, tenho que me contentar com o que me aparece no Youtube. Mas, sempre que me é dado conhecer um novo vídeo, não me canso de aqui louvar o seu talento. 

Já aqui o disse muitas vezes mas digo-o de novo: acho que a gaija é mesmo do melhor. Parece que houve por aí um figurão que desfez dela mas eu não quero saber disso e era bom que ela também não. Ela é inteira, muito genuína, uma lutadora e o seu humor tem o traço de uma guerreira.

Deveriam ser-lhe dadas mais oportunidades de aparecer pois a sua espontaneidade e o seu sentido de humor são uma lufada de ar fresco. É desempoeirada, destemperada, uma intrépida quebra-tabus.

Neste vídeo, que deve ter aparecido no 5 para a Meia Noite, Beatriz Gosta faz uma reportagem na Exponoivos e, como sempre, parte a louça. E, para acabar em beleza, veste-se de noiva e sai de cena ao colo do entrevistado. 

Pode ser que um dia ainda se case assim, de branco, véu e grinalda, com a sua Luizinha como menina das alianças. E eu desejo que, se isso acontecer, faça a devida reportagem pois deveria ser um misto de humor e amor, de ternura e loucura.

Longa vida à Beatriz Gosta. E à Marta Bateira também.

👌😜👌

domingo, novembro 07, 2021

Crónica de um sábado tranquilo

 



Fui conhecer a peixaria em que, supostamente, o peixe vem do mar, comprado na lota. Contudo, hesitei bastante pois o que lá vi daria para grelhar ou para uma caldeirada e eu estava com ideia era num belo peixinho cozido. Quando estava a vir-me embora, a peixeira falou-me nuns chocos muito frescos. Abriu o frigorífico e mostrou-mos. Vi-os e deixei-me tentar pois pareceram-me mesmo a escorrer frescura. 

Fi-los cozidos com tinta. À parte, cozi batata normal, batata doce, feijão verde e uma cebola. Cozi os chocos sem colocar sal. Cozeram rapidamente. Depois de cozidos, retirei o pequeno saco da tinta, os olhos e os dentes. De resto, aproveitei tudo. Cortei-os, temperei com cebola crua, salsa e azeite. Estavam óptimos. Mérito deles pois sabiam a mar. Uma pessoa depois fica com a língua preta... mas paciência. Depois vai ao sítio.

Fiz duas máquinas de roupa e algumas arrumações. O meu marido esteve outdoor: limpou a caruma e as folhas secas.

A caminhada foi ampla. Tínhamos tempo. A temperatura estava baixa mas, como havia sol, o frio ficava disfarçado de agradável.

Encontrámos várias pessoas. Tenho ideia que, desta vez, de bicicleta apenas um casal. Os outros todos a caminhar.

A pessoa mais curiosa foi um rapaz muito alto e magro que vinha ao telefone, falando numa língua que não reconheci. Creio que seria nórdico. Trazia ao colo, numa daquelas cadeirinhas, um bebé que ia virado para ele, quase espalmado. Só se viam as perninhas e o gorro com dois pompons. O meu marido achou que devia ser um boneco, por ser tão pequeno e ir tão espalmado. Mas não faria sentido um homem daquele tamanho andar a passear um boneco. Quando passou por nós sorriu e disse bom dia. Em português mas com um sotaque curioso que fez soar o bom dia quase imperceptível e divertido. 

É muito frequente cruzarmo-nos com pessoas que estão a caminhar ou a cuidar dos seus jardins e que percebemos que são estrangeiras e que, agradavelmente, nos cumprimentam na nossa língua. 

Contei ao meu marido que ontem, quando vinha a chegar a casa me tinha cruzado na rotunda lá mais ao fundo com aquela mulher jovem que costuma caminhar apressadamente, de calções e top de alças e com um bebé no carrinho. Com o frio que estava ela ia, na mesma, de calções curtinhos. Não com o top de alças (por vezes praticamente apenas um soutien), mas uma tshirt de manga curta. Não sei como aguenta o frio assim vestida. O meu marido diz que se calhar no país dela as temperaturas são muito mais baixas.

Numa casa muito bonita, espectacular mesmo, uma obra de arquitectura de se lhe tirar o chapéu, onde antes já vi um homem a apanhar sol na sua espreguiçadeira mas nunca uma mulher, hoje vi-o a ele com uma mulher. Estavam curvados a plantar flores junto a um dos lados. Estavam encostados, numa cumplicidade partilhada, ambos dispondo pequenos pés de flor.

Numa outra rua, passaram por nós duas mulheres a caminhar a muito bom ritmo. Não eram especialmente jovens mas estavam vestidas de uma maneira jovem e tinham o cabelo apanhado de uma forma displicente e também juvenil. Conversavam de forma muito viva, como se falassem de alguma coisa que as indignava. Falavam em francês. Tão focadas iam no tema que nem nos viram. 

Cheirava a lareira junto a uma das casas e gostei imenso de sentir esse cheiro. Fiquei mesmo com vontade de acender a nossa.

Quase todas as casas têm pelo menos um cão. Há cães de todas as raças. Hoje vi um belíssimo, com um porte imponente. Não percebo nada de raças. O meu marido disse que lhe parecia um pastor belga. 

Passou por nós, uma rapariga com um grande pastor alemão. A rapariga quase voava, tal a força com que ele a puxava. Quando regressávamos a casa, voltámos a cruzar-nos com ela. Ia na mesma, sem conseguir impor a sua vontade, simplesmente a voar atrás dele.

O nosso ursinho ficou no jardim. Quando puder sair, virá connosco. 

Há bocado fez uma coisa que só vista. Aliás, ao fim do dia voltou a ficar com as pilhas todas e as rotações a mil. Fez trinta por uma linha. 

Antes de o pormos para dormir, o meu marido leva-o à rua. Por vezes, vai e vem com sono. Mas ultimamente esperta e volta a ser o fim da picada para conseguirmos que fique sossegado e calado. Vira e revira a sua caminha, tira a mantinha, tira o peluche que a minha filha trouxe. Aparece tudo virado do avesso no meio da cozinha. Ouvimos aquele estrafego à mistura com os seus latidos. Hoje estava de mais, ouvia-o raspar e raspar.

Acho que já o contei: da cozinha para o corredor há uma porta mas para a sala não. Então fizemos uma barreira com uma mesa de cabeceira virada com as costas para a cozinha e um aquecedor (porque a mesa de cabeceira é mais estreita que a passagem) e, para ele não ter força para empurrar o aquecedor, atrás põe-se o saco de 15 kg de ração. Quando o saco estiver menos cheio temos que encomendar outro, senão não resulta. 

Foi o que aconteceu hoje. O meu marido foi-se deitar e eu vim para a sala. E ouvia-o a fazer aquela barulheira toda. Mas o truque é não irmos lá nem dizermos nada porque ele acaba por se cansar e adormecer. E estava eu aqui a começar a escrever isto quando deixei de o ouvir. Pensei: finalmente cansou-se. Eis senão quando senti uns passinhos e... me aparece ele aqui, todo animado, a dar ao rabinho. Até me assustei. O saco da ração não devia estar a fazer suficiente pressão no aquecedor que ele tanto o empurrou que conseguiu abrir uma pequena abertura entre o aquecedor e a mesa de cabeceira. Não me perguntem como é que ele conseguiu caber por tão estreita abertura porque não consigo perceber, dir-se-ia impossível. 

E mais outra: agora tenho que chamar o meu marido para me ajudar a raspar-me da cozinha pois a irrequieta criatura, mal me vê a dirigir-me para a porta, até salta para se empoleirar em mim e, mal abro a porta, esgueira-se para o corredor. E o pior é que depois não se dá apanhado... O meu marido diz que não posso deixar que ele faça o que quer. Mas a verdade é que não consigo impedi-lo. O meu marido dá-lhe com o pé e ele quase voa. Não é um pontapé, é um empurrão com o pé. Mas claro que não consigo fazer isso, Recearia magoá-lo. Não há explicação para as coisas que ele faz, um pequeno terrorista. Mas uma graça, uma inteligência. Só que teimoso, teimoso, teimoso. 

Tomara que tenha as vacinas todas para ver se se cansa com as caminhadas. O que vale é que depois dorme até de manhã. 

Enfim. Nada mais tenho a dizer sobre este sábado tranquilo. E desculpem ter tomado o vosso tempo com coisas tão de nada.


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Flores de Salvador Dali ao som de Motherland por Natalie Merchant

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Desejo-vos um bom dia de domingo

sábado, novembro 06, 2021

O amor num campo de flores, um solitário entre lobos, um comboio nocturno, uma amiguinha alien, uma Mary Poppins com um saco cheio de alegrias

 



Já não moro no centro da cidade. Mudei-me para os bairros da periferia onde o apelo ao consumo não existe. Por isso, não sei se, nos centros urbanos, já começaram as instalações de Natal. Sempre que as via a despontar sentia um misto de contrariedade e de quase angústia. O acelerar do tempo, o consumo e o fútil a dominar as nossas existências. Agora que já não vivo dentro delas parece que sinto uma espécie de nostalgia. É uma ficção e um apelo ao consumo mas é também o pretexto para iluminar e embelezar as ruas e isso é uma coisa boa.

No outro dia, quando fui às compras com a minha mãe, reparámos que algumas lojas já estavam convertidas ao espírito natalício. Mas ainda não desceu em mim o apelo da época. Não prestei atenção.

Pela parte que me toca, resisto sempre e, se cedo, é sobretudo pelas crianças que enfeito a casa. O ano passado até bolas pendurámos nas árvores e nos arbustos do jardim. Gosto de uma pequena árvore dourada com luzinhas nas pontas que, quando acesa, dá um aspecto muito confortável à sala. Gosto tanto dela que está na pedra da lareira ao longo de todo o ano.

Mas se a euforia consumista não me seduz, em contrapartida aprecio a publicidade de qualidade que, nesta altura, mostra como a criatividade faz toda a diferença na divulgação de um produto. 

Por vezes, os criativos embalam, o anúncio ganha vida própria e dificilmente se percebe o que tem a ver com o produto ou serviço que pretende promover. Pode até haver um excesso que faça pender a balança para o quase kitch. Não interessa. Se está bem feita, gosto de ver. 

Tenho ideia que a melhor publicidade é a dos perfumes franceses. Excedem-se.

O anúncio da nova fragância do Miss Dior com Natalie Portman é uma maravilha. Dá vontade de ir a correr colocar uns esguinchinhos nos pulsos, no pescoço e, ao de leve, na linha dos seios. Dá vontade de ir correr para o meio de campos de flores ou de tirar a roupa e apanhar sol sob o olhar interessado daquele que o nosso coração ama. Quando estamos apaixonados e felizes, o que não fazemos por amor?
A publicidade é isto: em vez de apregoar o produto, induz-se o sonho, a ilusão de que, se usarmos o produto, poderemos habitar o mais belo romance.

Mas há outros anúncios: uns que pretendem enternecer-nos com imagens de crianças ou com a recordação do ET ou da Mary Poppins. E há outros que têm a ver com a moda outono/inverno, não especialmente dirigidos ao natal mas que não podem ser dissociados do facto de a saison coincidir com a época dos píncaros consumistas.

Tudo isto pode parecer frívolo (e até é) mas, não nos esqueçamos, é também o motor de toda uma série de máquinas produtivas que estão por trás, o motor de várias indústrias, o motor de uma economia que, se equilibrada, não poluente e sustentável* é vital ao bom desenvolvimento dos países. E, quando comparadas com outras máquinas -- como a dos vídeos ou jogos em que a violência e a banalização do mal são omnipresentes --, são até o menor dos males.

Portanto, para nossa momentânea paz de espírito, esqueçamo-nos um pouco do lado negativo destas coisas e deixemo-nos encantar com a graça ou a beleza que que sempre é possível encontrar nestas coisas.


 











* Sobre isto da sustentabilidade, conceito meritório e, na verdade, indispensável devo dizer que se banalizou a abandalhou de tal maneira que, de cada vez que o ouço, só me apetece fazer dahhhh. Mas lá está, não é por um rio ter sido poluído, que deixa de ser um rio que existe enquanto rio e que, uma vez despoluído, voltará a ser uma fonte de vida e beleza.

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Um sábado bom
E ho-ho-ho...!

sexta-feira, novembro 05, 2021

Marcelo -- ou a arte de dissolver a Assembleia e, en passant, também dar uma ajudinha na dissolução dos partidos à esquerda e à direita do PS

 


A data deixa-me indiferente. A ter que dizer alguma coisa, direi que é razoável. Mas o tema não é a data. O tema é o absurdo disto tudo. 

Dois partidos de esquerda, desfasados da realidade e atados ao que pensam ser o fio de ariadne que os prende ao que resta do seu exíguo eleitorado, entenderam que deveriam impor ao PS medidas com que o PS, que tem a responsabilidade de assegurar as boas contas e que já tinha feito inúmeras e generosas concessões, entendeu não dever comprometer-se. O Orçamento era equilibrado e francamente à esquerda, beneficiando amplamente o eleitorado natural do PC e do Bloco. 

Marcelo, que gosta de ser ele a estar no centro da agenda mediática, em vez de ser sensato e esperar que o PCP e o BE caíssem neles e constatassem que nunca tinham tido orçamento tão favorável, não senhor, resolveu chamar o protagonismo a si e, precipitadamente, informou que, se o Orçamento fosse chumbado, liquefaria a Assembleia e convocaria eleições.

Ninguém o levou a sério: parecia ser mais uma das suas sound bites para conseguir saltar para as primeiras páginas.

Com os nervos à flor da pele -- e com medo de desagradar aos membros mais fundamentalistas dos respectivos partidos -- e marimbando-se para o 'povo', o orçamento chumbou mesmo. 

Para espanto e incompreensão de toda a gente, o Bloco e o PCP apareceram de braço dado com o PSD, o CDS, a IL e... quem poderia imaginar?... até com o Chega. A esquerda e a direita do PS unidas para fazerem o País perder tempo e andar para trás numa altura crítica em que o sentido de Estado aconselharia a unir esforços num sentido construtivo e não destrutivo. Uma vergonha de que os portugueses não se esquecerão.

O retratista do reino deveria ter mandado que se sentassem todos do mesmo lado da mesa para lhes tirarem um retrato para a posteridade.

Aí chegados, o Marcelo, enfiado na saia justa que ele mesmo costurou, não teve outro remédio senão passar das palavras aos actos.

Confrontados com a consequência dos seus actos, o Bloco e o PCP, na maior imbecilidade, vieram, então, dizer que não queriam que isto acontecesse, queriam esticar a corda mas nunca, jamais, em tempo algum, provocar a liquefacção do parlamento. Tarde demais. Pela segunda vez, a espúria aliança já tinha sido consumada. Uma vez mais, o Bloco e o PCP trairam os seus eleitores. Logicamente, o mais normal é que, nas eleições, sejam dissolvidos de vez.

E, perante este cenário, para animar a festa, o PSD e o CDS resolveram começar a devorar-se uns aos outros. Agridem-se à bruta e, não contentes com isso, deram também em fornicar-se mutuamente, a toda a hora, à frente de toda a gente. Uma orgia de tal forma alargada e assanhada que chega a ser indecente. De cada vez que um deles fala, demonstra aos eleitores que neles é que ninguém se pode fiar. Nem internamente conseguem ser civilizados e responsáveis, faria se se apanhassem aos comandos do país. 


Não é só o espectáculo de lavarem a roupa suja em público. É mesmo a falta de decoro. É agressão, fornicanço e canibalismo praticado a toda a hora, à frente de toda a gente. A maior pouca vergonha.

No meio disto, Marcelo apareceu hoje ao País com ar esvaído, quase a fazer beicinho, aspecto de quem se sente acossado (quando foi ele próprio que se meteu nesta ratoeira), esforçando-se por justificar o que aconteceu. No fim da alocução, saiu de fininho, curvado, enfiado, rabo entre as pernas. Longe vão os áureos tempos em que corria para observar o acidente do eléctrico na Baixa, para acudir na queda da avioneta ou para andar a distribuir beijinhos e selfies pelas feiras, pelas ruas, de casa em casa, e em que, arrebatadamente, não resistia a ligar em directo para o programa da Cristina Ferreira. Longe, muito longe, vão esses tempos.

E a gente percebe que ele percebe que corre sérios riscos de ficar para a história como o presidente que dissolveu não apenas a Assembleia da República mas também os partidos à esquerda e à direita do PS. Dissolvidos, feitos em água, reduzidos a pó. E a ver se, no processo, não se dissolve a ele próprio.

Está bonito isto, está, está.


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E, já agora, a propósito de se sentarem do mesmo lado da mesa para ficarem todos no retrato, aqui fica a Última Ceia by Mel Brooks

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Inté

quinta-feira, novembro 04, 2021

O que basta para mudarmos o rumo das nossas vidas

 


Anoitece muito cedo e, ainda por cima, à noite estava muito frio. Depois de virmos da clínica veterinária, já de noite, cheguei a casa e despi-me para me pôr à vontade. Pouco depois, o ursinho mais fofo jantou e, para evitar surpresas, abri a porta para ele ir ao jardim. A seguir, fui eu para o chamar para dentro. Sem agasalho, desprevenida, gelei. Noite cerrada e fria. Estamos no início de Novembro e o tempo parece pender já para o inverno. 

O dia esteve ocupado. Ao longo do dia os problemas vão-me chegando. Não há tréguas. Apenas à hora de almoço e à noite consigo desligar-me. Não sei se é o que é ou se me viciei em não impedir que seja diferente.

De vez em quando alguém recomenda um livro ou sei de algum lançamento. Noutros tempos, tocariam campainhas dentro de mim e iria à livraria conferir. Agora é apenas ao de leve que presto atenção mas de uma forma despojada, sem vontade de ter. Parece que cada vez mais me acontece isto com quase tudo: deixar de ter vontade de ter.

Continuo a receber mails que me anunciam private sales ou collection items. Nem abro. 

Não foi assim há tanto tempo que não apenas eu abria todos esses mails como visitava os locais onde podia tocar o tecido, apreciar o corte ou experimentar o modelo. Agora é coisa que acontece num outro planeta.

E há outra coisa em que também não estou igual. Se ouvia falar em fábricas de startups ou de unicórnios, eu sentia uma brotoeja a subir por mim acima e uma azia a consumir-me de alto a baixo. Agora não. Agora estou mais tolerante, agora apenas sinto desprezo. Agora limito-me a ignorar. 

De unicórnios apenas reconheço um: o que desestabiliza a dama, pela mão de Maria Teresa Horta. 

De resto, é tudo treta, ficção da pior, da mais rasteira. E os que enchem a boca para os apregoar ou louvar uns tolos. E já não consigo desperdiçar o meu tempo com eles. Gente sem substância, sem miolo.

Já estamos em mais uma quinta-feira e eu, antes, aqui chegada, pensava que estava quase na sexta. E já antecipava o prazer.

Ansiava pelas sextas-feiras para, à hora de almoço, ir à Gulbenkian passear pelos jardins, almoçar por lá ou por perto, para ir espreitar alguma temporária e... para ir à Almedina . Nunca vinha de lá de mãos a abanar. Uma livraria pequenina mas que me agradava, uma livreira simpática, uma boa onda. E à livraria da Gulbenkian, lugar de silêncios, de paz, de livros bons... e de objectos bonitos.

Desde Março do ano passado que lá não vou, nem às livrarias, nem às exposições, nem à esplanada ou aos restaurantes lá perto nem, sequer, aos jardins. Penso nesses momentos com alguma saudade. Creio que a esse hábito terei que voltar. 

Se pensar nisto fico um pouco intrigada. A pandemia introduziu uma fractura nos meus hábitos. E agora que poderia retomá-los, parece que deixei de sentir a falta de quase todos. A minha vida mudou muito. Os meus hábitos mudaram radicalmente. Aboli idas a lojas, a livrarias, aboli grande parte do trânsito, aboli restaurantes. Contudo, por razões que ainda desconheço, não me sobra tempo para mim. Estou ocupada de manhã à noite. Sinto que há para aqui um estranho paradoxo que ainda não consegui perceber mas que só pode ter por base o facto de que, a par de tudo o que aboli, esteja também parte da minha inteligência.

E disse que a minha vida mudou muito mas a verdade é que poderia ainda mudar mais. Tenho presente em mim uma permanente vontade de mudança. Aventurar-me, percorrer caminhos desconhecidos. Anseio por eles. 

E sei que o que custa é dar o primeiro passo. 

Mas dá-lo-ei.

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O vídeo abaixo fala disso: dos dois minutos que bastam para darmos o passo que nos levará noutra direcção. 

The 2 Minute Rule Will Quickly Change Your Life – James Clear


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E quando os dias são mais pesados ou as noites descem mais cedo e mais geladas, a mim só me apetece espantar pesos e negrumes com risos e desacertos.

Best Comedy scene "History of the World" by Mel Brooks 


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As imagens são fotografias manipuladas pela mão de Martijn Schrijver na companhia do Bonobo em 'Tides (feat. Jamila Woods)

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Desejo-vos um dia feliz
Saúde. Harmonia. Coragem.