quarta-feira, novembro 03, 2021

Tem dúvidas sobre o que pensar ou fazer?
Ask Delphi
Tem respostas para tudo. É a Inteligência Artificial a chegar às questões éticas, morais, políticas ou sexuais.
Veja aqui as respostas às minhas perguntas e experimente com perguntas suas.

 

Questões morais, éticas, políticas ou, simplesmente, estúpidas? A Delfina tem resposta para tudo. Pode parecer uma brincadeira mas, read my lips, não é. É, até, um caso muito sério e um passo perigoso no caminho para um desconhecido que se adivinha cheio de riscos porventura irreversíveis, talvez fatais. E, uma vez, na maior desregulação. 

(...) But what if AI could take away the brain work and answer ethical quandaries for us? Ask Delphi is a bot that’s been fed more than 1.7m examples of people’s ethical judgments on everyday questions and scenarios. If you pose an ethical quandary, it will tell you whether something is right, wrong, or indefensible.(...)

The point of the bot is to help AI to work better with humans, and to weed out some of the many biases we already know it has. “We have to teach AI ethical values because ai interacts with humans. And to do that, it needs to be aware what values human have,” Choi says.(...)

Fui perceber de que se trata. Depois de confirmar que sei que isto é experimental e que há-de ser mais desenvolvido e que aquilo não pretende ser o que não é, passei à acção, colocando questões. Abaixo podem ver as minhas perguntas e as resposta da Delfina. Tentei colocar questões de diferente natureza para ver a reacção. Chamem-lhe burra.... De vez em quando a resposta sai um bocado ao lado mas, enfim, em muito menos casos do que eu esperaria.

Muito sinceramente não sei se algumas respostas são 'ao calhas' ou se a aplicação tem acesso a informação suficiente para arriscar uma resposta. Estava à espera que, ao colocar questões relacionadas com a política portuguesa actual, a resposta fosse qualquer coisa como: 'esse tipo de perguntas não está abrangido'. Mas não, a Delfina avançou sem medo. E eu acho isto espantoso.

Pelo sim, pelo não, dirigi-me à gaja em inglês. Ainda experimentei falar-lhe em português mas a resposta veio em inglês. Por isso, para ver se a margem de erro seria menor, avancei em língua inglesa. E perdoem se não está especialmente escorreito (embora, num ou noutro caso esteja deliberadamente weird). 

E aqui estão as minhas perguntas e as respectivas respostas:






































De notar que o fim desta aplicação não é óbvio nem linear nem é a graça de dar respostas a tudo. A este tema voltarei. 

Mas experimentem e ajuízem por vocês.  Carreguem aqui: ASK DELPHI

terça-feira, novembro 02, 2021

No rescaldo do Dia das Bruxas, pinto a cara de verde, visto-me de rendas, depois dispo-as e monto-me na vassoura, e termino a ver quem faz diferente





Esta semana, o domingo desdobrou-se. Esta segunda-feira não foi segunda-feira, esta segunda-feira foi substituída por um domingo que nasceu como um bónus. 

Deu para lavar e estender roupa, cozinhar, arrumar, varrer, apanhar caruma, preguiçar. 

Quando andava de ancinho a raspar a relva, vi uma bola gorda a sair da terra. Pensei que era uma romã caída e meio submersa em caruma. Joguei-lhe a mão. Uma bola grande, macia, castanha. Enchia-me a mão. Puxei. Cedeu. Fiquei com a coisa redonda e gorda na mão. Mais à frente, outra que tal. Apanhei umas seis. Umas não. Uns. Cogumelos esféricos, grandes, pesados. Nunca vi coisa assim. Fui logo deitar fora, numa urgência. Não sei como saber se são inócuos ou perigosos. Passado um pouco, um minúsculo, branco quase transparente, um pé alto e fino, uma campânula mínima, fina como seda. Arranquei com pena de, em vez de sacrificar, não estar é a fotografar. Mas a segurança do bichinho peludo que come tudo está em primeiro lugar. Depois fui logo, à pressa, lavar bem as mãos. Sei lá. Não sei nem me apetece ir saber como funciona isso dos cogumelos adversos. Portanto, pelo sim pelo não, lavo e relavo as mãos que os arrancaram e pegaram.

O dia deu para tudo. Deu também para uma caminhada alargada. Gosto muito de caminhar. Vamos sempre conversando. De vez em quando, calo-me e, aí, a conversa abranda. Geralmente sou eu que puxo a conversa mas preciso de atenção e contra-fala para a conversa ter alimento e se manter viva. Não sou de monólogo. Caminhar, ver os pássaros, as árvores, os jardins e ir falando devagar, na maior paz. É bom. Mais ainda num dia que caiu de oferta, sem horários ou obrigações a cumprir. 

Desta vez há motivos adicionais de interesse. Várias casas têm decorações alusivas ao dia das bruxas. Nos muros, nos jardins ou nas portas há teias de aranha, tarântulas, caldeirões, esqueletos, feiticeiras, abóboras com luzes dentro, objectos assustadores pendurados nas árvores.


São hábitos que se importam. Mas resisto: digo dia das bruxas e não halloween. 

Exorcizam-se medos, travestindo-os de carnaval. 
Quando eu era pequena, ouvi uma vez uma rapariga contar histórias de facas que atravessavam paredes, deixando-as em sangue, murmúrios que desciam pelas portas. Fiquei com medo de estar sozinha em casa durante algum tempo. Acho que nunca o confessei aos meus pais pois, no fundo, sabia que a história era lorota. Mas não deixava de ter medo, na mesma. Depois, quando li as histórias do Allan Poe fiquei igual, com medos nascidos das mais lúgubres ilusões. Agora não, agora penduram-se bruxas nas árvores e enfeitam-se sebes com facas sujas de sangue e transformam-se os medos em brincadeiras. Melhor assim. 
O almoço foi cozido à portuguesa e gostei de estar a lavar os legumes, a preparar as carnes e os enchidos. Apuradinho e cheiroso. Como sempre, saiu comida a mais. Mas não faz mal. Menos vezes terei que cozinhar. Como cozido ou aproveitando para fazer um arroz de carnes e legumes, nada se perde, tudo se aproveita. 

Também andei a regar os vasos que estão a coberto, sem possibilidade de beneficiarem da chuva. 

E pensei que bem podia pôr-me a ler ou a escrever. Mas, em dias assim, caídos do céu, o meu corpo pede descanso. A seguir ao almoço e a seguir ao jantar dormitei. Coisa breve. Mas não foi tanto o tempo de ausência, foi mais o tempo em volta. Sono, preguiça, necessidade de descanso. Tento não me sentir digna de condenação por fazer tão pouco e tento aprender a não sentir necessidade de estar sempre a fazer alguma coisa: não fazer nada é um direito e, sabendo-o usar com inteligência, acredito que há-de saber muito bem.


Ouvi há pouco Michio Kaku sobre o futuro. Falava ele naquilo que é mais que certo, que a terra um dia será atingida por uma coisa qualquer. Como já não há dinossauros para irem à vida, iremos nós. Ou eu mesma ou uns descendentes meus lá bem mais para a frente -- e espero que sejam uns bons milhares ou milhões de anos lá para a frente. Mas a gente sabe lá.

Tanto plano que se faz e desfaz, tanta coisa de que abdica contando que se desfrutará lá mais no futuro. Como se a vida fosse eterna, como se o próprio planeta fosse eterno. E não apenas estamos nós a destrui-lo como sabemos lá o que as grandes forças dinâmicas do universo nos reservam. 

Não tenho acompanhado as notícias da Cop26. Se apanho uns fiapos pela rama, apercebo-me que fixam metas para quando metade do mundo estiver debaixo de água e o que resistir acima dela estiver a arder. Por isso, abstenho-me de me desiludir e apenas me consinto apanhar umas e outras pela rama.

... & ...

A prosa vai esparsa e eu não tenho por hábito dar rumo às palavras que se juntam de forma aleatória. Mas tenho o bom senso suficiente (pelo menos, gosto de pensar que o tenho) para saber que devo parar.

Permitam apenas que, antes de me ir, termine com uns vídeos que me agradam muito, trabalho de Sadeck Waff, um coreógrafo que sabe fazer diferente. No primeiro, dança e brinca com a filha, no segundo com Oxandre Peckeu e com mais de cem performers. Muito bonito, muito bom.



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A primeira e a terceira fotografia vêm de Tout ce qu’il faut savoir sur le mythe de la sorcière. A segunda descobri-a por aí. 
E vêm na companhia de Gonçalo do Carmo com LAMA feat. Carolina Morais Fonseca.

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Desejo-vos uma bela terça-feira
Tudo a correr bem. Calma. Respirar fundo. Acreditar que vai tudo correr bem. Esperança. Força aí. 
E boa sorte.

segunda-feira, novembro 01, 2021

Um pequeno urso in heaven e, no dia seguinte, a perseguir umas criaturinhas halloweenescas

 


Não encontrei cogumelos. Ou, para ser mais precisa, apenas dois, grandes, mas ambos já em processo de definhamento. Talvez por isso, não havia pegadas ou terra lavrada por javalis. Tudo muito verde, tudo molhado, tudo muito bonito. 

O pequeno urso estava estupefacto com tudo. Não andou a pé, em duas patas, agarrado às nossas pernas, não mordiscou pés, não brincou com o que encontrou. Andava ao nosso lado, a observar e cheirar tudo. O alecrim deixou-o doido. Nem queria andar, só cheirar. Quando passámos na zona do grande eucalipto, onde o perfume é intenso, também ficou muito admirado.

Foi extraordinário como se portou  de forma comedida, calmo, a andar ao nosso lado. Estávamos receosos não fosse aparecer algum cão ou não fosse ele querer comer alguma porcaria. Como ainda apenas tem uma dose das vacinas, não pode correr o risco de ser contagiado. Eu tinha sugerido que lhe puséssemos coleira para o termos pela trela. Mas o meu marido diz que isso não é assim, que o uso da coleira e da trela não são imediatos, requerem treino. 

Mas felizmente não apareceu nenhum cão e felizmente ele portou-se como gente grande.

Tinha comido qualquer coisa, pouco, em casa, de manhã. Só voltou a comer, e pouco, à noite, quando regressámos. Durante o dia, quer no campo quer, ao fim do dia, em casa da minha mãe, não comeu. Estava desconcentrado.

Dentro de casa, lá, in heaven, também andou a explorar tudo, quase intrigado. Cheirava tudo, por vezes dava ao rabinho. Se calhar, as coisas, embora desconhecidas, cheiravam-lhe a nós.

Outras vezes, sentava-se a observar. Não sei como é que os cães pensam mas se calhar percebia que era uma casa desconhecida mas que, estranhamente, sentia como sua.

A chuva ainda lhe faz alguma espécie. Quando estava dentro de casa e, lá fora, chovia copiosamente, deixou-se ficar a olhar pela janela.

À ida, de manhã, no carro, quis ir de pé, encostado a mim, a ver a janela. À vinda de lá, quando íamos para casa da minha mãe, já veio deitado no banco. No entanto, sempre atento. Se o carro abrandava ou curvava ou se a chuva estava mais intensa, levantava a cabeça para perceber o que se passava.

Vinha eu, no carro, a dizer que estava espantada com a forma tranquila e bem comportada como se tinha portado no campo quando, ao chegarmos a casa da minha mãe, desencabrestou. Louco, aos saltos, agarrado à minha mãe, a correr pela casa, eufórico, a puxar a mantinha do sofá, a querer estraçalhar o saco das lãs, a empoleirar-se nela, a mordiscá-la. A minha mãe quase estarrecida, mas divertida, com o potencial de estrago que ali estava: ''Seu maluco! Quieto! Ai!'

Ainda fui às compras com a minha mãe. Não queria, que já era tarde, que já era praticamente de noite, que estava mau tempo. Mas o meu marido fez o favor de ir connosco -- ficando no carro com o ursinho de peluche que ficou aconchegado ao seu colo -- pelo que nos deixou perto do nosso local de passeio.

Quando fomos, depois, deixar a minha mãe a casa, a fera quis lá ficar. Não queria vir connosco. Virava-se, punha-se a caminho da cozinha. Teve que vir à força, ao colo. A minha mãe fica contente por ver como a pequena criatura gosta de lá estar.

No regresso, veio a dormir, deitado no banco. Chegou a casa, espapaçado. O dia todo sem dormir (nem comer) deixou-o de pantanas. Consegui que comesse umas bolinhas de ração mas pouco. Depois veio pôr-se a querer vir para o meu colo. Aqui ficou, aninhado e quentinho, muito macio e fofo. Contudo, ao fim de pouco tempo já estava a mordiscar-me os dedos e os braços. Deveria haver chuchas para cães bebés.

Finalmente, começou a apreciar os ossinhos de couro de roer. Enquanto os rói está sossegado e nem deixa que nos aproximemos. Mas não podemos andar-lhe a dar desses ossinhos a toda a hora.

Este domingo esteve feérico, parecia que lhe tinham dado corda mas com rotações a mais. 

Corre, salta, rói tudo e mais alguma coisa, rouba sapatos, tira almofadas de cima dos sofás, puxa tapetes para o meio da casa -- desenfreado, alegre, feliz da vida.

De tarde, aprendeu a subir para as cadeiras espreguiçadeiras. E fica todo orgulhoso. O pior é que logo de seguida começa a roer a cadeira. Por mais que me zangue, finge que está a dormir mas está a ver se a come. 

Fez também uma que me deixou passada. Na sala da lareira temos um cadeirão que tem, ao pé, um pequeno banco que funciona também como descansa-pés. Pois o little baby bear pôs as patas da frente no banquinho e, dali, saltou para o cadeirão. Então, meio molhado -- pois tinha vindo do jardim -- lá estava ele no cadeirão. Nem queria acreditar quando lá o vi. Não tarda tenho os sofás todos sujos. 

De notar que isto tudo começou com o alerta de que um cachorro tão bebé não regula ainda bem a temperatura do corpo. Portanto, em vez de ficar na casota que tínhamos posto no pátio junto à cozinha, entre muros e sob um telheiro, passou a dormir numa caminha na cozinha. Estando dentro de casa, daí até cirandar por toda a casa foi um ápice. E, num instante, toda a casa passou a ser um imenso parque de diversões ao seu dispor.

Hoje a trupe do meu filho esteve cá. 

A pequena fera perseguiu a bom perseguir, a correr e a latir, a minha menininha mais linda que estava halloweenescamente maquilhada e que ainda não ganhou à vontade para lhe pegar ou mexer, perseguiu o mais novo que estava de vampiro e que voou de sofá em sofá para lhe escapar e apenas poupou o mano do meio porque tinha vindo de uma festa de anos e estava mais cansado, mais sossegado e passou despercebido. 

E brincou com o meu filho e com a minha nora. Mas, curiosamente, parece que não tenta mordiscar ou encavalitar-se no meu filho. Parece que há ali um certo respeito.

Entretanto, enquanto eles estavam a ver se programavam a caldeira, enfiou-se por lá e, enquanto o tentava tirar, pelo sim, pelo não, fez cocó. Depois, quando eu, zangada, zangada a sério, fui limpar, rosnou e não queria que eu me aproximasse. Tive que lhe dar uma palmada.

E, já depois de eles se irem embora, fugiu com um chinelo e o pior é que me apanhou uma caixinha pequenina de veludo que eu, sem querer, deixei cair e fugiu pela casa toda com ela na boca. Estava a ver que ma estragava e isso é que nem pensar, é muito bonita e de estimação.

Obviamente a esta hora já dorme o sono dos justos.

É impressionante como um serzinho pequeno e peludo consegue a proeza de preencher tanto as nossas vidas.

Eu que, em condições normais, escreveria um post inteiro a falar das maravilhas do outono in heaven, dos líquenes, dos cheiros, das cores, da caruma molhada, dos musgos, do silêncio, da paz... agora não faço outra coisa senão falar dele.


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Desejo-vos um bom feriado
Saúde. Tranquilidade. Boa disposição.