Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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sábado, junho 30, 2018

Um post em forma de assim



Se falo de futebol, recebo mails a dizer que me deixe disso, que já não se aguenta tanto futebol. Quando falava do Bruno, recebia mails a desaconselhar-me tão imprópria companhia (ainda que apenas mental). Se escrevo sobre boas maneiras, logo se queixam que ando mundana e me enviam poemas a ver se me estimulam a veia poética.

E eu, cheia de canseira e calor e com a cabeça, à hora a que escrevo, já a mover-se a pedal, concordo. Mas concordo devagarinho, em ponto morto. Penso que deveria subir uns degraus na craveira intelectual das minhas ideias. Penso. Mas penso ao de leve, penso entre a névoa lenta da moleza mental que, a esta hora, me tolhe a ideologia. Gostava de conseguir trazer aqui coisa da boa, bife do lombo, filete de peixe branco e filosófico, sem espinha, sem pele, a saber ler em grego antigo. Mas não dá. Nem step rasinho eu consigo fazer, fará trepar pela intelectualidade acima. Não dá. Não consigo trazer temáticas fantásticas nem, tão pouco, simples banalidades políticas mesmo que com o sarro dos partidos agarrados às virilhas (às virilhas das politiquices, atenção, não às minhas que eu cá não tenho sarro nenhum, caraças -- posso ser arruivada e ladininha mas cotão e rolinhos de pêlo nas entrelinhas eu não tenho e a raposinho eu também não cheiro, não).


Portanto, aqui chegada, apenas tenho a dizer que nada da actualidade me faz ficar com os dedos a fervilhar de coceirinha boa, daquela que só passa quando as letrinhas desatam a correr da ponta dos dedos para fora, aos saltitinhos sobre as teclas, inventando palalavrinhas que se enfiam umas nas outras, brincalhôtas, maganôtas, sem saberem umas das outras, cada uma, safadinha, a desafiar a do lado.

Trago, pois, aqui, nada. Nadica de nadica.

Às vezes, depois desta confissão de inutilidade, adormeço e, quando acordo, sinto que uma nuvem doce pousou em mim e que os chacras das ideias se alinharam,  pedindo para ser escritas, todas elas feita prosa, madames senhoras de si, nariz empinado, vontade própria, madamas. 

Não sei como vai ser hoje. Gostariam os meus Leitores que eu, ao acordar, confessasse coisas de mim? Ou que inventasse amores secretos? Ou que sonhasse sonhos bons, impúdicos, loucos?

O que queriam que eu aqui dispusesse? Poemas, epístolas, flores, canteiros de flores? Canteiros de morangos? 

Ou que falasse da última fantasia do Santana Lopes?

Digam que eu falo. Eu, generala refundida depois daquele ex-cândalo das armas de Tamancos, falo e refalo.


Pronto. Pois não sei que mais vos diga. Não vos ouço. Estão aí caladinhos, feitos sonsos. Eu aqui sem conversa e vocês todos renhonhós, de bico calado, sem me darem uma mão. Ora bolas.

Na volta, ainda vou buscar uns excertos de um mail que recebi para aqui enunciar mais umas quantas coisas da gente fina. E não me falem de mundanidades, ok? Sou bicho do mato, camponesa que gosta de uma boa poda, mas também gosto de me apresentar à mesa de mãos lavadas e bem comportada, ora essa. Acho que essas matérias são tão ou mais importantes do que saber declinar em latim, declamar em grego ou andar à roda feita sufi tresmalhada. Tudo uma questão de perspectiva.

Mas está bem. Eu sei. Para estar nisto mais vale estar calalada, certo? Ok. Vou calalar-me.


Já agora: 


Até já

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Os aristocratas das imagens acima são da autoria de Markus Pilgrim

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