quarta-feira, julho 20, 2011

Os meus Tapetes de Arraiolos ficam ainda mais felizes com crianças e brinquedos em cima

Estou em falta para com os vários visitantes diários que aqui procuram tapetes de Arraiolos. Ontem recebi uma pergunta sobre franjas e, no outro dia, outra sobre como se fazem tapetes de desenhos modernos.

Hoje vou tentar responder.

Os tapetes que tenho feito não encaixam no género a que geralmente se chama 'moderno' pois, historicamente, designam-se por 'modernos' os tapetes de desenhos esteriotipados, simplificados, com grande superfície lisa no fundo e desenhos simples, de grandes dimensões. Os tapetes feitos na China ou os que se encontram nas revistas são deste género, fáceis de fazer. Na minha opinião, são tapetes indiferenciados e não me atraem.

Os que faço, ou são tradicionais, réplicas de originais do século XVII (muito, muito trabalhosos porque têm inúmeros desenhos miúdos, curvas e contra-curvas, muitas cores e muitos sombreados - requerem uma atenção infinita) ou, então, são tapetes que talvez se possam chamar contemporâneos (a ter que classificá-los de alguma forma) e que faço sem desenho prévio, vou bordando como se pintasse. Tenho que ter lãs de todas as cores para poder usar, em cada momento, a que me parece adequada. E vou fazendo, sempre com vontade de acrescentar mais um bocado para ver como fica, e sempre com enorme prazer.

Liberta-me fazer coisas que não obedecem a qualquer guião. Enquanto o estou a fazer, se me perguntarem o que vai sair, direi que não sei - e não sei mesmo. Até para mim há o suspense de ver como vai ficar no fim, quando o der por concluido e pregar a franja, que é a etapa final.

Abaixo poderão ver parte de duas carpetes que tenho na sala em que, neste momento, estou. São muito coloridas o que, aliado ao tom tijolo dos sofás, e aos quadros nas paredes, transmite um tom quente e acolhedor ao ambiente. Já agora, esperem aí que vou tirar uma fotografia para vos mostrar uma coisa.

Mesa onde estou a escrever, neste momento

Esta mesinha era a máquina de costura de uma das minhas avós. Lembrei-me de a transformar em mesa. Os pés de ferro da máquina e o pedal, onde agora tenho os pés, foram pintados respeitando as cores originais. Para o tampo, mandei fazer um pequeno painel de azulejos (90 cm x 60 cm) a partir de uma das minhas 'pinturas'. Esse painel foi assente numa base de madeira e encaixado numa armação. Foi o meu pai que o fez. Antes ninguém suspeitava que teria jeito para este tipo de trabalhos mas, quando se reformou, tornou-se, aos poucos, um artista. Fazia cuidadosos projectos, com cálculos e desenhos, que depois executava com minúcia. Neste momento já não consegue fazer estes trabalhos mas devo-lhe um conjunto de 'obras' deste género e é como público agradecimento que agora me lembrei de aqui colocar esta fotografia.

Voltando às questões relativas a tapetes de Arraiolos: encomendo as franjas à senhora da loja onde compro as lãs. Escolho a cor da franja, tiro a medida e ela faz e vende ao metro. Nem todas as lojistas o farão mas, com certeza, todas saberão indicar uma solução.

E, então, aqui estão as duas carpetes de que vos falei.

Carpete de Arraiolos, desenho livre.
É o cenário ideal para a minha princesinha, queridíssima e linda bonequinha, brincar à vontade

Outra carpete de Arraiolos de desenho livre
Qualquer destes tapetes fica mais bonito com crianças e brinquedos em cima

terça-feira, julho 19, 2011

Sobre religião, sobre a igreja católica, sobre a fé - apontamentos e fotografias no Santuário de Fátima

Apetece-me falar de tantas coisas que, por saber que tenho que tentar ser sintética e, logo, deixar cair vários assuntos, fico sem saber de que falar. Como de costume, começo a escrever late in the night, passa da 1 da manhã, e, por isso, como de costume já tenho algum sono.

Não escrevo há alguns dias por absoluta impossibilidade, um reboliço grande, os meus meninos e menininhos a encherem o fim de semana de alegria, depois, nesta família, há uma concentração inusitada de caranguejos e, logo, de festejos (como poderei recuperar a linha perdida?), férias a começarem, e, por isso, até agora nem um minuto de descanso.

Mas, neste momento, estou aqui tranquila na minha sala de cores quentes, um candeeiro de pé iluminando a mesinha em que trabalho - sinto-me muito bem neste ambiente acolhedor e o ar fresco do exterior ainda apela mais a isto, ao recolhimento, ao aconchego.

Pois bem, não sendo agora momento para grande conversa, vou passar por cima da preocupação que a indecisão europeia me provoca, vou passar por cima das preocupações provocadas pela rarefacção de dinheiro, vou passar por cima dos cenários de catástrofe que gente tida, neste país, por bem informada, traçou no outro dia para uma plateia restrita de que eu fazia parte.

E, assim sendo, vou directa do tema do medo ao tema da fé.

Já um dia aqui referi os dias que, na minha memória, estão associados à Primeira Comunhão, com o perfume das rosinhas de maio, os vestidinhos de renda, os cântigos da Avé Maria.

Andei na catequese, fiz a primeira comunhão e a comunhão solene (nesta, com 9 anos, fui vestida de freira, imagine-se: um vestido simples, direito, de manga comprida, cor de pérola, com um cordão na cintura e um véu do mesmo tecido na cabeça - não faço ideia porquê esta indumentária, se calhar era normal, não sei).

Depois ainda continuei, por mais uns dois ou três anos, a ir à missa ao domingo. Os meus pais não iam e, por isso, eu e outras pré-adolescentes arranjávamos esse pretexto para, em grupo, irmos passear, passeio que englobava a ida à igreja.

Desde que me lembro, sempre achei todo aquele preceituário uma coisa desajustada à realidade. A catequese nada me dizia: pelo contrário, pareciam-me impossibilidades e incongruências. Tirando o lado histórico, tudo o resto era pouco ou nada credível (milagres, anjos que anunciam a gravidez a jovens, ressurreição, etc), parecia-me fantasia a mais e, por isso, ao não acreditar, nada do que se seguia fazia sentido.

Depois, aquilo de haver um menu de pecados parecia-me um disparate. Incomodava-me muito, sendo criança, ter que ir confessar os 'pecados' a um padre que se sentava do lado de lá, escondido, e ter que o fazer estando ali ajoelhada (que eu sentia que era quase uma auto humilhação) e, pior, o facto de achar sempre que não tinha pecado nenhum a confessar e, ainda assim, ir, obrigada, contar uma insignificância como se fosse algo de condenável - tudo aquilo era para mim uma coisa forçada, que fazia a contragosto, quase revoltada, por obrigação (já não me lembro de quem, mas talvez da catequista).

À medida que fui crescendo, o meu lado racional foi-se afirmando. O porquê das coisas é algo que persigo desde sempre e, claro, com este pendor lógico e determinístico, não me detenho em fantasias, em crenças.

Por outro lado, a prática da igreja católica é, de forma geral, conservadora e contrária a uma liberdade de princípios que defendo e não me revejo nas causas 'fracturantes' que defende.

Por isso, logicamente, não me casei pela igreja, nem batizei os meus filhos (não nasceram de pecado, pelo que não tinham pecados a limpar; nem era justo que optasse por eles, ligando-os a uma religião ou a uma igreja). Contudo, andaram num colégio diocesano e tiveram aulas de religião e moral e nunca os tentei influenciar sobre ideologias ou religiões. Que pensem e decidam por eles, sempre foi o que pensei.

No entanto, por contraditório que possa parecer, gosto de visitar igrejas ou santuários - mas como outsider.

Gosto do silêncio das igrejas, da luz e do cheiro das velas, das imagens religiosas, gosto de ver o recolhimento e devoção dos crentes, gosto dos cânticos religiosos (dos clássicos, não das baladas pimba que às vezes agora tocam nas missas).

E de tal forma sou contraditória nesta matéria que, in heaven, não descansei enquanto - para estupefação e incompreensão de toda a gente - não criei um espaço a que chamo capela e no qual gosto de estar sozinha.

E a que propósito vem tudo isto, perguntarão os meus queridos leitores?

Pois. Estive em Fátima e andei pelo Santuário. De noite. Decorria o Terço (explicaram-me - porque eu pensava que era missa, seguida de procissão). Pessoas a andar de joelhos, pessoas de mãos postas, pessoas a rezar em uníssono, pessoas a cantar com velas nas mãos.

Eu, por ali, às escuras, como sempre a fotografar. Mas aqueles cânticos, aquela devoção, a fé daquelas pessoas, tudo aquilo me toca. Não percebo porquê mas toca-me, envolve-me, comove-me.

Estava muito frio, um agreste vento frio, não tinha luz para fotografar e claro, o flash ali não servia de nada nem era adequado, mas por ali andei, fotografando, observando de longe, incapaz de me juntar ao terço, incapaz de me benzer, de rezar ou de cantar  - mas por ali andei.

E, emocionada, ia vendo as fotografias que, apesar da escuridão, me iam saindo. Estas são algumas.

Nossa Senhora, a piedosa imagem - de todas as imagens religiosas é a imagem da Mãe a que prefiro

Na zona mais iluminada, sobretudo pelas velas, religiosos, peregrinos ou apenas crentes, rezando na noite fria

Imagem de Jesus Cristo na cruz, fabulosa escultura junto à Igreja Nova, com 34 metros de altura da autoria de Robert Schad - a extraordinária força de um homem que morreu pelas suas convicções

Entrada da Igreja da Santíssima Trindade, da autora do arquitecto grego Alexandro Tombazis, um local quase mágico (pelo menos a minha câmara assim o captou)


Pórtico de entrada na nova Igreja da Santíssima Trindade, vendo-se ao fundo a Basílica de Nossa Senhora de Fátima

O que é ter fé? Acreditar sem compreender? Ter fé significa acreditar que há um Deus? Acreditar sem questionar?

sexta-feira, julho 15, 2011

Não ouvi o Ministro Gaspar, o dos punhos das camisas XXXXL, sobre o novo imposto: estou num retiro espiritual

Amanhã à noite, se chegar a casa a horas decentes, ou depois, logo coloco aqui ou no Street Photo & Co. umas fotografias para verem que não estou a metaforizar. É mesmo. Assunto sério: estratégia.

Por isso, não ouvi rádio, não vi televisão, não vi internet, nada, nadica. Planeamento, planeamento. Liguei agora isto para ver o correio e dei aqui uma espreitadela. Daqui a pouco, cedinho, recomeça-se pelo que tenho que me ir deitar e hoje não passo disto.

Espero que o mundo ainda esteja no sítio, espero que os republicanos nos EUA não ponham o mundo à beira de uma crise de consequências imprevisíveis, que Passos Coelho se mantenha caladinho para não dar mais argumentos às agências de notação (enquanto escrevo, vejo agora na televisão a página do Sol, dizendo que o PPC tem medo das escutas e comunica-se com os ministros por gmail e que a Assunção Cristas lançou o cool look, sem gravatas, para poupar no ar condicionado). Vou desligar a televisão e o computador que já estou com sono e não estou para ver que de repente parece que só há notícias estranhas, até crocodilos em Castelo de Bode.

quinta-feira, julho 14, 2011

100 Maneiras e Festival ao Largo - a arte na culinária e na música numa noite feliz em Lisboa

Não faz parte dos meus hábitos andar a dizer onde vou, o que faço – excepto se tiver que ver com museus, jardins ou, então, com alguma coisa especial.

Mas vou abrir uma excepção.

Não sou grande apreciadora de andar em restaurantes. Sou forçada a frequentá-los diariamente para almoçar pelo que, em jantares, festas, ocasiões especiais, aniversários, quase que pago para não me ir enfiar num.

Detesto barafundas, detesto estar à espera, detesto barulho, detesto pagar um dinheirão para não comer nada de especial. Se for em grupo ainda é pior porque geralmente há conversas cruzadas, confusão, muito tempo, uma maçada.

Mas, obviamente, há excepções.

Numa conferência do Tom Peters ouvi-o citar que há que saber perceber o que se quer vender. Dizia ele, citando um executivo da Harley-Davidson: "O que nós vendemos é a possibilidade de um executivo de 42 anos se vestir de couro preto, passear-se de mota pela cidade e sentir que impressiona as pessoas’.

Que orgulho, a minha rica motinha...! 

Ou seja, a Harley-Davidson, mais que um produto, uma mota, é um conceito. Quem anda numa Harley-Davidson paga para poder ser ‘o fulano que tem uma Harley-Davidson’. É carisma, é glamour no masculino, é toda uma experiência que passa por sentir que se desperta inveja, por sentir que se é o maior.

Um jantar num restaurante pode ser também mais que uma refeição, pode ser mais do que ‘ir jantar fora’.

Pode ser uma experiência, pode ser um prazer, pode ser descoberta.

Refiro-me, neste caso, em concreto ao O restaurante 100 Maneiras (o restaurante, não o bistrot) – e informo que não tenho participação nos lucros nem conheço ninguém que o tenha. É, pois, uma opinião desinteressada.

Elevador da Glória - une os Restauradores ao Bairro Alto

É no Bairro Alto, na Rua do Teixeira, onde foi o Olivier e, antes, o Porta Branca, muito perto do miradouro de S. Pedro de Alcântara, ali onde chega o belo elevador da Glória. O chefe é o bósnio Ljubomir Stanisic (que faz parte do júri do programa Master Chefe na RTP 1).

Não é barato, longe disso. Fica à volta de 50 euros por pessoa.

Apenas funciona para jantar e apenas com menu de degustação. O menu, segundo creio, varia mensalmente.
Deve ser feita marcação.

Tem uma decoração muito agradável, acolhedora, é pequeno, tem um ambiente óptimo, os funcionários são eficientes, competentes, simpáticos, muito bem dispostos.

Sentamo-nos e começam a trazer-nos, numa sequência perfeita, 10 diferentes ‘degustações’.

Fotografia ao estendal do bairro

Desde o estendal do bairro, com bacalhau desidratado, em pequenas folhas presas por molas da roupa, que se come com um molho óptimo, o amuse-bouche delicioso, a sardinha sobre tosta, o lombo de robalo com ovas de salmão sobre cama de risotto de camarão, o limpa palato de champanhe e gelado de lima, os rolinhos de borrego forrados a pistachio crocante sobre espuma de batata, tudo é uma delícia, mas uma delícia mesmo (e não estou a referir tudo, nem os acompanhamentos - que não tomei nota nem consigo lembrar-me).

A qualidade dos ingredientes, a arte na mistura de sabores, a confecção e o empratamento, as quantidades, tudo é perfeito. A arte na culinária.

Aqui vos deixo, para uma ocasião, esta ideia. Garanto-vos que vão gostar (pena que seja caro mas, para o que é, justifica-se plenamente).

A Casa Havaneza e a Brasileira do Chiado
(à esquerda, Fernando Pessoa, discreto, entre os clientes)

Sugiro depois um passeio a pé pela zona do Chiado, sempre tão agradável, e muito animada, agora no verão.

Ontem tive a sorte de apanhar o Mário Laginha e o Bernardo Sassetti no Largo do S. Carlos a ensaiarem para o concerto do dia seguinte no Festival ao Largo (os concertos são gratuitos).

Bernardo Sassetti, a plena fruição da arte
Mário Laginha, sensibilidade e bom gosto
A alegria destes dois, juntamente com Elizabeth Davis e Pedro Carneiro na percussão, o à vontade de um ensaio sem stress - que maravilha, que maravilha vê-los, muito bem dispostos e que arte, que arte. Que bom ouvir os pianos na noite. E ali, no aconchego do Largo de S. Carlos, que sonoridade, que felicidade.

Uma noite de artistas, a começar no Chef do 100 Maneiras e a acabar com o piano de Mário Laginha e Bernardo Sassetti. A noite em Lisboa pode ser agradável.

Vamos sair de casa de vez em quando, meus amigos, que as cidades são bonitas com vida, com gente feliz nas ruas - e Lisboa e, em particular, esta zona do Chiado são lindas!

terça-feira, julho 12, 2011

As bolsas no vermelho, a Itália e os EUA num sufoco, nós tidos como lixo e eu a pensar em tangos. Valha-me o Al Pacino.

Comecei por ver o Durão Barroso na RTP, na entrevista à Fátima Campos Ferreira (bem, melhor do que é costume, directa, sem estar agressiva ou destravada como às vezes lhe acontece). Nada de novo, a entrevista. Durão Barroso é o que é, cauteloso, uma cuidadosa gestão da imagem e um controlo apertado do que diz. Dali nunca se ouvirá uma ideia empolgante, um rumo que nasça de um golpe de asa.

Depois, passei para a TVI 24, onde decorria um dos inevitáveis debates sobre a dívida, sobre a crise financeira que alastra como uma mancha incontrolável, sobre o ataque das agências de notação, sobre o dólar e o euro, sobre a Itália e sobre os EUA [os maiores também a ajoelharem na arena financeira, onde ultimamente sucumbem os que têm alguma vulnerabilidade, vítimas indefesas dos vorazes apetites especuladores], sobre o Eurogrupo, sobre as bolsas à beira de um ataque de nervos, sobre as empresas desvalorizadas até à medula, e sobre essas coisas de que agora todos falam com ar sapiente e muito douto, como se soubessem que isto ia acontecer desde que nasceram.

E, como se o tema já não fosse suficientemente enervante, ainda me aparecem umas pessoas que têm um tom de voz e um arzinho arrogante que me maça de uma maneira...

Helena Matos, jornalista e tão irritante, senhores...

Por isso, se me permitem, (também tenho direito aos meus momentos de alienação), vou partir para outra. Música, dêem-me música, por favor. E, já agora, levem-me a dançar.

It´s two to tango e eu nunca tive quem me levasse assim nos braços, pista fora, deslizando, tombando, num jogo de sedução e conquista, avanços e recuos. Pés de chumbo. Mas, também como nunca aprendi, provavelmente se tivesse um par à altura experimentaria uma severa desilusão pois isto de se deixar ir talvez não seja bem assim, pelo menos comigo, não sou muito dada a isso, de me deixar levar em cantigas. Ou seja, pragmaticamente já me conformei. Há males piores - e antes pés de chumbo e coração de ouro do que o contrário.

Por isso, já me dou por feliz em ver dançar os outros. E se há tango que não me saia  da cabeça é este, do Al Pacino (talvez numa interpretação algo cabotina como coronel cego, mas quero lá eu saber disso).

Vejam bem este tango. Não dá mesmo vontade de estar no lugar daquela menina?

[Depois, fazem-me um favor? Sigam, please, please, para o post abaixo, que aí dança-se também o tango mas um tango mais canalha, aí entramos no Hernando's Hideaway, coisa menos bem comportada.]




(O filme é Scent of a Woman, Perfume de Mulher e o tango é o célebre 'Por una cabeza', música de Carlos Gardel.)

Conhecem Hernando's Hideaway? ('You will be free, to gaze at me, and talk of love')

Continuo com tangos e este é dos melhores, mais fantásticos, mais envolventes. De cada vez que ouço ou vejo, só me apetece voar, rodopiar, dançar, castanholas, subversão. Hoje não me venham falar de miudezas, banalidades, crises, eurobonds, ratings e outras maçadas.

Hoje quero estar bem disposta. Por isso, façam favor, entrem, 'Just knock three times and whisper low' -  é que aqui é  'a place where no one knows your face, all you see are silhouettes.'

Hernando's Hideaway, senhores. Enjoy! Olé.

segunda-feira, julho 11, 2011

Tapetes de Arraiolos in heaven, La Boca que veio parar às minhas pinturas imaginadas e recordação dos meus avós

Dia de grandes limpezas in heaven.

Ao colocar o arejar um dos quartos, com um tapete a apanhar ar, lembrei-me que há já algum tempo que aqui não coloco nenhum dos tapetes de Arraiolos que tenho feito e, vai daí, tirei uma fotografia.

Tapete à janela

Este aqui em cima foi dos primeiros que fiz, um tapete de quarto. Segundo me disseram, o desenho é do pai da Arquitecta Helena Roseta que, ao que penso, foi um estudioso do Tapete de Arraiolos. O desenho é muito simples e faz um tapete despretensioso mas bonito.

Aproveito para vos mostrar um canto da parede da salinha, junto a este quarto, que eu acho muito agradável, especialmente por ser tão luminosa.


Para que a sala tivesse sempre luz, lembrámo-nos de fazer um rasgo de luz ao alto, com mosaicos de vidro. E então, de dentro, é assim como vêem, a vegetação do lado de fora vê-se através destes mosaicos de vidro e parece uma pintura abstracta que muda ao longo do ano. Agora a vinha virgem está verde mas, daqui por algum tempo, estará em fogo, e depois cairão as folhas e ficarão apenas os troncos e a imagem que temos, do lado de dentro, é sempre bela, em contra-luz, indefinida.

À esquerda, pode ver-se uma parte de uma tela grande que pintei com a torrente de cores do costume. Pretendia que fizesse lembrar varandas, portas, janelas, sobrepostas, casas justapostas, coloridas.

La Boca

Apenas depois vi fotografias do bairro La Boca, em Buenos Aires e fiquei maravilhada. Tantos quadros que pintei assim, com casas às cores, janelas, encostadas a varandas de outras casas, gradeamentos com vasos, tudo colorido - como se estivesse a sair da minha cabeça. E, afinal, depois descubro que há um bairro assim. Fiquei mesmo surpreendida e contente.

Nesta sala tenho ainda uma carpete que fiz, mas esta de desenho clássico, século XVII.

Carpete de modelo clássico

Em primeiro plano está um cadeirão de madeira, muito antigo, dizem os meus pais que terá, seguramente, muitas dezenas de anos. Era neste cadeirão que o meu avô se sentava a ler, a ouvir rádio ou a ver televisão. Atrás, havia uma janela com um grande parapeito no qual a minha avó tinha um vaso com uma grande avenca. Esta zona da sala estava sempre 'à média luz', a minha avó dizia que a avenca não se dava bem com muita luz. Todos os dias à tarde ela borrifava as folhas da grande avenca, que tinha ali lugar de destaque e tratamento especial.

Avenca

O cadeirão, apesar de muito antigo, tem uma ergonomia perfeita. Quando eu era pequena, gostava de me sentar ali, não apenas era o lugar do meu avô de quem eu tanto gostava, como me sentia bem ali, muito confortável, aninhada, com a luz escoada que vinha da janela quase fechada. Era ali, sentada ao colo do meu avô, quando era mesmo pequena ou, mais crescidinha, sentada ao pé dele, no braço do cadeirão, que mais me recordo, quando penso nas tardes em casa deles.


Quando o meu avô morreu e me foi dada a possibilidade de escolher o que queria das suas coisas, pedi logo este cadeirão. Pedi também o pequeno móvel sobre o qual, quando eu era pequena, estava um grande rádio e, por isso, pedi também o rádio, muito bonito, de madeira.

Nesse móvel pequeno, muito bonito, com umas portinhas de vidro e, de lado, umas pequenas prateleiras arredondadas, guardo agora também os belos copos de vidro que a minha avó tinha no aparador e que tanto estimava, sempre com enorme receio que nós os partíssemos. São copos uns de pé de alto, com desenhos, graciosamente pintados à mão, outros biselados; e há também um jarro elegante, que faz conjunto com os copos que têm desenhos feitos a bisel. Por isso, agora, tenho-os guardados nesse móvel, como relíquias, nunca os uso, não vá algum partir-se e a minha avó ficar triste.

sábado, julho 09, 2011

Vida nova para Um Jeito Manso - já era tempo de mudar de look e que vivam os azulejos!

Estou quase a entrar de férias e já me apetece pensar em tardes tranquilas, à sombra, a ler.

Não sei se por isso se por outra coisa qualquer, apeteceu-me tirar a pele anterior, partir para outra.

Assim, fica para trás a pele caliente em tons laranja e lilás, que agora é substituida por outra em tons mais frescos, os tons da azulejaria portuguesa, que nos conduz a jardins, recantos à sombra, pequenos lagos, água a correr, um livro entre as mãos. Como de costume, tendo partido com a ideia de me ficar pelos azuis, à última hora não resisti e coloquei-os sobre um fundo rosa vivo (preciso mesmo de ter sempre um apontamento cromático mais vibrante) o que distorce um pouco a ideia inicial mas que é mais eu (passe o lugar comum da expressão).

A imagem abaixo do título é a fotografia de um painel de azulejos com imagem de Matisse que se encontra num pequeno muro, com bancos de pedra, in heaven, entre cedros e pinheiros.

E, deste modo, aqui me despeço do realismo de Gustave Courbet e da mulher que, descansadamente, lia à sombra.

A young woman reading - Gustave Courbet

Espero que se sintam bem por aqui, que eu gosto de vos ter por cá.

Carpe Diem. Tempus fugit. Vita brevis.

sexta-feira, julho 08, 2011

Boy meets a girl ou he think he does... (Wrong! 'Hey, what did you expect...?', esclarece-o Nicole Kidman no anúncio da Schweppes)

Thank's God it's Friday!

Enjoy.

Um Jeito Manso fez 1 ano do dia 3 de Julho e, imagine-se: esqueci-me de festejar...!

Sou uma lástima para datas. Lembro-me das datas de aniversário das pessoas do núcleo mais chegado e mesmo assim, pelo sim, pelo não, têm o cuidado de as ir recordando com alguma antecedência.

Sabia que tinha começado este blogue em Julho do ano passado e andava com a ideia de ir ver a data... e hoje, quando fui ver, já era.

Não faz mal, comemora-se hoje. Ou melhor, faço hoje um breve balanço.

Comecei uma noite in heaven por curiosidade, 'ora deixa lá ver o que é isto' e já passava da meia-noite, era só uma espreitadela. Lá para as 3 fui-me deitar, já estava feito e com o primeiro post escrito. Era para ver no que dava. Para além do meu marido, apenas falei aos meus filhos, que não ligaram muito, 'Um blogue? Para quê?'.

E, sem divulgar, lá o fui fazendo. Três, quatro visitas por dia, as deles. Depois sete ou oito e já não eram só eles. Quando passou as 20, fiquei admirada. E lá foi indo.

E assim, sem que eu quisesse divulgar junto da família, amigos, colegas, o Um Jeito Manso lá foi fazendo o seu caminho. Um dia vi os conselhos do Blogger sobre a forma de aumentar a audiência dos blogues. Não segui nenhum. Escrevo para que as palavras sigam o seu caminho, sozinhas, e para que, sem esforço, encontrem aqueles que as querem ler.

Agora, em média, tem cerca de 200 visitas por dia (hoje, nas últimas 23 horas, vai em 312 visitas). Em períodos mais tumultuados, já ultrapassou as 500, aos fins de semana desce, fica pelas cento e tal. Cerca de 20 a 25% dessas visitas são, consistentemente, do Brasil. O gráfico 'desde sempre' mostra, de mês para mês, uma linha ascendente. Não ligo muito a estes números mas surpreendo-me.

Um Jeito Manso vai caminhando e, ao caminhar, faz o seu caminho. Apenas o núcleo chegado sabe disto, continuo a fazer questão em não divulgar. As minhas posições são minhas, pessoais e, sem qualquer condicionalismo e sem qualquer destinatário concreto, quero continuar a divulgá-las de forma anónima no meio da multidão. Não o faço por cobardia mas porque tenho consciência da pequenez e irrelevância da minha opinião e não quero 'alavancá-la' com a minha posição profissional, social ou familiar.

A primeira pintura que ilustrou o blogue, de Balthus, uma das suas meninas safadas

Ao longo destes 12 meses mudei várias vezes o visual do Um Jeito Manso. Gosto de variar, mantendo, contudo, a identidade.

Siesta de Gauguin, outra das imagens do Um Jeito Manso

Assim, fui mudando as cores, fui mudando a imagem junto ao título. Além destas mudanças saison, mudei também radicalmente de cada vez que nasceram os queridos bebés da familia mais chegada. Nessas alturas o look virou quartinho de bebés e as pinturas representaram a maternidade. Como já aqui referi, em menos de 3 anos nasceram 3 crianças e, alargando ao círculo dos primos, o número passa para 6. Felicidade maior não há.

A penúltima imagem, a Odalisca de Matisse

Entretanto, ganhei-lhes o gosto e criei o Ginjal e Lisboa, a love affair no qual divulgo poesia e música em língua portuguesa e as fotografias que faço naquele local mágico, depois criei o Historinhas da Tá para colocar imagens, cantiguinhas ou filmes para os meus meninos - por enquanto ainda só para o mais crescidinho (quase com 3 anos), que os outros ainda são bebés - e, mais recente, o Street Photo & Co.   para divulgar as minhas fotografias de rua.

Tivesse eu mais tempo e criava aqui não um Grupo Editorial mas um Grupo Blogal, com mais uns quantos blogues temáticos... (Fica para quando me reformar, coisa que, por este andar, ocorrerá daqui por uns 30 ou 40 anos e isto se tiver sorte)


In heaven, junto à figueira, grande canteiro forrado a azulejos com poemas de Sophia de Mello Breyner Andresen


Um Jeito Manso é o sítio em que, também eu, declaro o meu grande amor pelas palavras demoradas porque são moradas habitadas e porque nelas mora, em memória e demora, o nosso breve encontro com a vida.

Espero, meus queridos leitores, que continuem a visitar-me. Gosto de vos ter por cá. Tal como vos contei no outro dia, é para vocês que escrevo, que escolho fotografias, filmes, músicas. Gosto de partilhar o (pouco) que sei, gosto de opinar, gosto de vos abrir as portas do meu pensamento e, às vezes, do meu coração. Gosto de partilhar convosco o meu amor pelas palavras. Gosto de vocês mesmo sem vos conhecer.

A vocês, tal como a mim própria, desejo-vos saúde, sorte e alegria para que aqui nos continuemos a encontrar. Be happy.

quinta-feira, julho 07, 2011

A última crónica de Maria José Nogueira Pinto no Diário de Notícias, 'Nada me faltará'

Volto de novo a Maria José Nogueira Pinto, por quem tinha muita admiração (aqui cheguei a escrever que a escolheria para ministra, se fosse eu a formar governo). E volto porque hoje fomos surpreendidos por uma nova e fortíssima demonstração da sua coragem. Umas horas antes de morrer, enviou para o DN a sua última crónica, que aqui me permito transcrever.

É um texto extraordinário, uma digníssima despedida e, perante a sua fé, não podemos ficar indiferentes. Que nada lhe falte, Zézinha, que o Senhor, seu pastor, a ampare onde quer que esteja.

Que nada lhe falte, Maria José. Estamos-lhes gratos pelo seu extraordinário exemplo.

"Acho que descobri a política - como amor da cidade e do seu bem - em casa. Nasci numa família com convicções políticas, com sentido do amor e do serviço de Deus e da Pátria. O meu Avô, Eduardo Pinto da Cunha, adolescente, foi combatente monárquico e depois emigrado, com a família, por causa disso. O meu Pai, Luís, era um patriota que adorava a África portuguesa e aí passava as férias a visitar os filiados do LAG. A minha Mãe, Maria José, lia-nos a mim e às minhas irmãs a Mensagem de Pessoa, quando eu tinha sete anos. A minha Tia e madrinha, a Tia Mimi, quando a guerra de África começou, ofereceu-se para acompanhar pelos sítios mais recônditos de Angola, em teco-tecos, os jornalistas estrangeiros. Aprendi, desde cedo, o dever de não ignorar o que via, ouvia e lia.

Aos dezassete anos, no primeiro ano da Faculdade, furei uma greve associativa. Fi-lo mais por rebeldia contra uma ordem imposta arbitrariamente (mesmo que alternativa) que por qualquer outra coisa. Foi por isso que conheci o Jaime e mudámos as nossas vidas, ficando sempre juntos. Fizemos desde então uma família, com os nossos filhos - o Eduardo, a Catarina, a Teresinha - e com os filhos deles. Há quase quarenta anos.

Procurei, procurámos, sempre viver de acordo com os princípios que tinham a ver com valores ditos tradicionais - Deus e a Pátria -, mas também com a justiça e com a solidariedade em que sempre acreditei e acredito. Tenho tentado deles dar testemunho na vida política e no serviço público. Sem transigências, sem abdicações, sem meter no bolso ideias e convicções.

Convicções que partem de uma fé profunda no amor de Cristo, que sempre nos diz - como repetiu João Paulo II - "não tenhais medo". Graças a Deus nunca tive medo. Nem das fugas, nem dos exílios, nem da perseguição, nem da incerteza. Nem da vida, nem na morte. Suportei as rodas baixas da fortuna, partilhei a humilhação da diáspora dos portugueses de África, conheci o exílio no Brasil e em Espanha. Aprendi a levar a pátria na sola dos sapatos.

Como no salmo, o Senhor foi sempre o meu pastor e por isso nada me faltou -mesmo quando faltava tudo.

Regressada a Portugal, concluí o meu curso e iniciei uma actividade profissional em que procurei sempre servir o Estado e a comunidade com lealdade e com coerência.

Gostei de trabalhar no serviço público, quer em funções de aconselhamento ou assessoria quer como responsável de grandes organizações. Procurei fazer o melhor pelas instituições e pelos que nelas trabalhavam, cuidando dos que por elas eram assistidos. Nunca critérios do sectarismo político moveram ou influenciaram os meus juízos na escolha de colaboradores ou na sua avaliação.

Combatendo ideias e políticas que considerei erradas ou nocivas para o bem comum, sempre respeitei, como pessoas, os seus defensores por convicção, os meus adversários.
A política activa, partidária, também foi importante para mim. Vivi--a com racionalidade, mas também com emoção e até com paixão. Tentei subordiná-la a valores e crenças superiores. E seguir regras éticas também nos meios. Fui deputada, líder parlamentar e vereadora por Lisboa pelo CDS-PP, e depois eleita por duas vezes deputada independente nas listas do PSD.

Também aqui servi o melhor que soube e pude. Bati- -me por causas cívicas, umas vitoriosas, outras derrotadas, desde a defesa da unidade do país contra regionalismos centrífugos, até à defesa da vida e dos mais fracos entre os fracos. Foi em nome deles e das causas em que acredito que, além do combate político directo na representação popular, intervim com regularidade na televisão, rádio, jornais, como aqui no DN.

Nas fraquezas e limites da condição humana, tentei travar esse bom combate de que fala o apóstolo Paulo. E guardei a Fé.

Tem sido bom viver estes tempos felizes e difíceis, porque uma vida boa não é uma boa vida. Estou agora num combate mais pessoal, contra um inimigo subtil, silencioso, traiçoeiro. Neste combate conto com a ciência dos homens e com a graça de Deus, Pai de nós todos, para não ter medo. E também com a família e com os amigos. Esperando o pior, mas confiando no melhor.

Seja qual for o desfecho, como o Senhor é meu pastor, nada me faltará.


Maria José Nogueira Pinto"



PS: Mais abaixo, poderão ver o poema de José Tolentino de Mendonça e a canção de Katie Melua, que ontem aqui coloquei como um modesto tributo e, um pouco mais abaixo, o pequeno texto que escrevi sobre a admiração que tinha por esta mulher íntegra e corajosa.

'I cried for you' e 'A tua mão' (Katie Melua e José Tolentino de Mendonça)

Reconheço a tua mão nesse abandono
visível não sei se pela escuridão
ou pela luz
quase sinto a natureza da tua vida
uma linha de fogo em enormes proporções
nesta mão
elegante, íntima, delicada
os dedos em inclinação muito leve
nem chega a ser um gesto

tanto se parece a uma despedida


('A tua mão’ de José Tolentino de Mendonça in A Noite abre meus Olhos)




(No dia da morte de Maria José Nogueira Pinto, de quem falo um pouco mais abaixo)

quarta-feira, julho 06, 2011

Morreu Maria José Nogueira Pinto, a Zezinha - uma Mulher com nobreza de carácter na Política

Não gosto de falar de morte. Muitas pessoas relevantes nos têm abandonado desde que aqui escrevo e nunca o referi porque quero que este blogue seja habitado, acima de tudo, por vida.


No entanto, hoje, quando soube da morte da Maria José Nogueira Pinto, tive tanta pena, fez-me tanta impressão, que não consigo arranjar inspiração para escrever mais nada enquanto aqui não testemunhar a tristeza que senti.

Apesar de muitas vezes não concordar com ela, admirava-a mesmo muito. Era uma mulher assertiva, combativa, frontal, muito franca, muito genuína.

Quando há umas duas semanas a vi na Sic Notícias, magríssima, os grandes olhos azuis quase fora do rosto descarnado, o cabelo muito fraco, fiquei com a noção da gravidade da situação. No entanto, ali estava a dar as suas opiniões, segura de si, a argumentar com convicção, a dar luta como sempre.

Trabalhou até quase ao fim, ainda conseguiu votar para eleger Assunção Esteves, coisa que lhe deve ter dado muita alegria. As imagens mostram-na na Assembleia da República a ir votar, já fraca mas autónoma,  pelo seu pé. Uma lutadora.

Era uma portuguesa cheia de bravura. E sempre muito feminina, muito elegante, aquele porte que lhe vinha da nobreza da alma.

Descanse em paz, Zezinha.

O paciente inglês

Hoje não estou com grande disposição e, talvez por isso, lembrei-me deste filme (que não é propriamente divertido) com tão fantásticos actores. Ralph Fiennes, Kristin Scott Thomas, Juliette Binoche, Colin Firth todos eles com desempenhos notáveis.

E Ralph Fiennes e Kristin Scott Thomas formam o casal romântico por excelência, uma emoção contagiante.

Fim de semana in heaven com os meus meninos - trabalho no campo e livros

No post abaixo estive a falar desta situação que está a ficar assustadora, asfixiante. Mas não quero ir-me embora com este tema pesado. Por isso, vou falar de coisas que me deixam a sorrir, com o coração aconchegado.

O meu rapazinho mais velho, quase a fazer 3 anos, cheio de energia, esteve este fim de semana in heaven, feliz da vida. Reconhece cada recanto onde esteve na última vez, exclamando ‘Eu ontem estive aqui!’, e ‘Também estive aqui ontem e começou a chover e tivemos que correr’.

O meu menininho por detrás da vegetação

Veio preparado para trabalhar, ‘Eu vou ajudar a Tá’.

Vamos à casinha onde está a ferramentaria e o instrumental agrícola. Ele, avaliador, percorre com o olhar as diversas peças e, sem hesitações, aponta o grande ancinho, ‘É aquele’. De facto, quando algumas semanas atrás andou na mesma lide, tinha sido aquele o ancinho que tinha usado.

Depois, líder mas delicado, diz-me ‘ Agora precisamos de uma pá e do contentor. A Tá vai buscar?’. Certo. ‘Vamos os dois, anda’.

A seguir, determinado, o meu pequeno homenzinho com um grande ancinho nas mãos, dirige-se para o sítio onde há mais folhas, folhas da azinheira, do loendro, flores secas, bolotas secas. Enérgico e habilidoso estende o braço e com o ancinho vai puxando todo esse lixo, fazendo montes e dando ordens ‘Vá Tá, já podes apanhar e pôr no contentor’. Assim faço e ele feliz. No fim, o grande contentor cinzento já cheio, atamos umas cordas a uma das pegas e puxamos, caminho fora, para despejar num canteiro que precisa de terra e matéria orgânica. As cordas ajudam a puxar e ele todo contente ‘Parece um guindaste, não é Tá?’ Pois, pelo menos torna-se mais fácil de transportar porque está francamente pesado.

Depois, de volta, diz-me, ‘Agora vamos para ali, para aquele lado’. E eu, ‘Mas aqui ainda há mais folhas…’. Ele não cede. ‘Ali há muita palha, tem que ser apanhada’. É a caruma do pinheiro. Obedeço, pois então.

O recanto (onde tanto eu gosto de estar) onde o grande pinheiro faz sombra e onde o chão está sempre cheio de caruma ('palha' segundo ele)

A caruma apanha-se bem com ancinho, num instante fazem-se grandes montes. E ele orgulhoso, ‘Tive uma boa ideia, não foi Tá? Tira-se esta palha toda e, com esta solução, já resolvi um problema da Tá, não é?’. Pois é, meu rico menino, o vocabulário aumenta incrivelmente a cada dia que passa.

Andamos que tempos nesta labuta e quando eu já estou um bocado cansada e sugiro que vamos para casa, responde-me, ‘Porquê? Já está quase a chover?’. Digo-lhe que não, que isso foi na outra vez, agora não está de chuva. Depois lá o convenço a parar com os trabalhos forçados e vou buscar a máquina para o fotografar. Diz-me que quer tirar uma fotografia dentro da casinha da chuva. Na vez anterior, quando caiu um grande aguaceiro, corremos para nos abrigarmos lá. É um pequeno abrigo (a que vozes insensíveis chamam paragem de autocarro) que pintei com uma parede de cada cor e onde, no fundo, desenhei uma janela aberta ao céu. Nas paredes escrevi poemas. Tem um banco ao fundo, encostado à parede, também pintado de outra cor. Fico feliz que ele goste destas minhas coisas. No outro dia, o meu filho, que ainda não tinha visto as minhas pinturas daquele pequeno abrigo, suspirou (condescendente), ‘É a loucura total…’. Mas o meu filho já é grande, já acha loucura aquilo a que as crianças pequenas aderem espontaneamente.

O abrigo da chuva (não se vêem as paredes laterais, cada uma de sua cor, cheias de poemas)

Depois, o meu pequeno líder, resoluto, vira-se para mim, ‘Senta, Tá, que agora vou eu tirar uma fotografia a ti’. Mas a máquina é grande e pesada para as suas mãozinhas pequeninas e ele vê-se um bocado atrapalhado para pegar, apontar, e ao mesmo tempo disparar e então eu ajudo-o. Fica todo feliz. Ajuda-me a apanhar as folhas secas, a palha, ajuda a transportar o contentor, tira fotografias, está um rapaz crescido.

Ao jantar, como fruta, tenho ananás e melancia. Nunca tinha comido melancia, nem sabe pronunciar bem. Come deliciado, ‘Hum, gosto muito…’, diz apreciador.

No fim, quando se levanta da mesa, lembra-se e, cavalheiro, vira-se, educado, ‘Obrigado, Tá, gostei muito, a me-hanxia estava muito boa’ e segue. Meu rico menino.


Antes de se vir embora, tempo ainda para uma história. Adora livros, desde bebé que a isso é incentivado por todos, e muito pela mãe que também começou cedo - aliás a mãe tem um livro da Alice Vieira com dedicatória, ainda ela não tinha nascido - e, por isso, para ele é dos melhores brinquedos (tal como a prima, a querida princesinha Plim-Plim dos belos olhos azuis, que ainda não tem 1 ano e que se senta, costas muito direitas, muito compenetrada, com as suas mãozinhas delicadas, gestos muito femininos, a folhear e a tocar os seus livros, especialmente agora os do Ruca que têm páginas espessas, fáceis de virar, um belo colorido e texturas – ontem ofereci-lhe o do Riscas, que tem animais de pelo, o coelhinho, o gatinho, o cãozinho, que ela sentirá com o seu dedinho esticado).


Então, leio a história ao meu querido pequeno ajudante e ele fica imóvel, olhos fixos no além a visualizar as cenas que eu vou descrevendo. Qualquer dia, o irmãozinho, agora com 3 meses, começará também a ouvir atentamente as historinhas de encantar que lhes contamos com tanto amor.

Assim se começa a ganhar o gosto da leitura. É que, logo de pequeninos, começam a perceber que os livros contêm histórias, levam-nos até outras realidades, despertam a imaginação, fazem pensar, ensinam, fazem companhia.


[PS: Se, apesar de tudo, quiser ler o que escrevi sobre o lixo da Moody's e sobre a espada de D. Afonso Henriques, deslize até ao piso inferior. Se quiser ver o que escrevi sobre o casamento da Princesa Charlene e sobre o casamento da Rainha Kate Moss, siga até ao piso mais abaixo]

A Moody's, o lixo, a Europa e a espada de D. Afonso Henriques

Moody's, um dos fantasmas que paira sobre o mundo moderno

Segundo a Moody's, isto é o que vale a dívida portuguesa
Isto é assustador. A situação não está boa  - mas não está boa em grande parte pelo garrote que os mercados e agentes financeiros têm vindo a aplicar à economia e às finanças. Na Grécia, em Portugal e onde lhes fareja que há carniça aí estão estas pardacentas entidades, urubus sem pátria.

Meus senhores: a palavra a Fernando Pessoa.


D. Afonso Henriques

Pai , foste cavaleiro.
Hoje a vigília é nossa.
Dá-nos o exemplo inteiro
e a tua inteira força!

Dá, contra a hora em que, errada.
novos infiéis vençam,
a benção como espada,
a espada como benção!

(D. Afonso Henriques de Fernando Pessoa in Mensagem)


[Fernando Pessoa pede a D. Afonso Henriques que, nos dias de hoje, sirva de exemplo aos portugueses e que a sua força inspire a uma acção que vença eventuais 'novos infiéis' - conforme referem Auxília Ramos e Zaida Braga na edição especial comentada da Mensagem]


Assim peço eu (mas peço a quem, senhores?): haja inspiração e energia para arranjar um caminho de saída para esta situação. Um país não se pode ver forçado a ajoelhar, exausto, esventrado, espoliado, à mão de agências de interesses dúbios (e agora já nem falo dos ingénuos e atarantados novos governantes que temos).

Será que não vai aparecer uma alma que consiga compreender a Europa, repensá-la, corrigir o que está mal?

Por este caminho, o que nos vai acontecer?


PS: Isto está uma tristeza, é um facto, mas tristeza não paga dívidas. Por isso, sugiro que deslize até ao piso abaixo, onde se fala de casamentos, coisa sempre agradável, especialmente quando uma das noivas é Miss Kate Moss.

A triste Princesa Charlene de Monaco num casamento sem chama e, em contrapartida, a alegre Rainha Kate Moss num casamento feliz e descontraído


Charlene Wittstock, agora Princesa Charlene de Monaco, bela mas tão triste (apesar das tentativas, não conseguiu fugir do casamento)


Um casamento convencional, conservador, sem chama, a noiva com um sorriso triste imobilizado no rosto durante toda a cerimónia, uma coisa de dar pena. O noivo, cinquentão (mas bem conservado) que não tem feito outra coisa senão andar de cama em cama a fazer filhos (inclusivamente enquanto namorava com a esbelta Charlene* - parece que agora apareceram mais dois).

[* Apesar de tão naturalmente bela e esbelta, Charlene já se compôs, com plásticas aos seios, ao nariz e enchimento de lábios. Dá para acreditar? Se ela precisou disto, de que é que eu não precisarei...?]

As irmãs de Alberto de Mónaco, depois de escândalos, aventuras e desventuras, sozinhas. Stéphanie envelhecida, desamparada. As casas reais espanhola e inglesa ausentes da cerimónia - nem reis, nem príncipes.

Um casamento triste, qualquer coisa de forçado, de decadente.

Em contrapartida, veja-se o casamento da rainha Kate Moss com Jamie Hince. Um belo vestido de Galliano, fluido, feminino, transparente. As damas de honor todas felizes, mal comportadas. Os noivos apaixonados. Uma festa. Vivam os noivos!

terça-feira, julho 05, 2011

Dsquared2 WOOD (love is simple as a song), uma excelente alternativa aos perfumes Chanel

Depois de vos andar a dizer que perfume, para mim, é Chanel (e que me desculpem todos pela irrazoabilidade da conversa já que são caríssimos e, nestas alturas, a conversa deve ser é de poupança - mas já sabem qual a minha opinião: perfumes só se forem bons! Cheiros vulgares é do pior que há...), eis que hoje vos ofereço o video de um outro, daquele que agora uso, talvez o de que  agora mais gosto (não, não ganho comissão nem sou accionista: isto é mesmo só boa vontade).

Fiquei especialmente agradada pelo filme, mesmo adequado aos meus gostos: natureza, livros, palavras.

A seguir, já devidamente perfumados e deliciados com a sensibilidade das imagens, podem então seguir para os posts abaixo, um sobre o Einstein-criança e outro sobre o maravilhoso período político que atravessamos. Enjoy! 

Em que idade devem as crianças começar a falar? Einstein responde.

Não me apetece acabar o dia em clima de crise e, por isso, para os pais e avós que andam inquietos porque os seus bebés tardam em falar, deixem-me que lhes transcreva uma história que li no livro de Eduardo Punset, 'Viagem ao Amor' de que aqui  e aqui já falei.


'Uma historieta , seguramente apócrifa, relativa à criança Albert Einstein que, aos 3 anos e meio, continuava sem falar. Um dia, de repente, ao pequeno-almoço, soltou sem vacilar a seguinte frase:

- O leite está a ferver.

-Mas tu não falavas! Porque é que ainda não tinhas dito nada até agora? – exclamaram os pais sem conseguirem sair do seu assombro.

- Porque antes tudo estava em ordem e controlado – foi a resposta do pequeno Einstein'

 
Nem mais.


(Mas se vos apetece ler sobre o que se anda a passar por aí, sigam, por favor, para o piso abaixo.)

segunda-feira, julho 04, 2011

O irmão Fernando Nobre diz que vai pregar para outra freguesia, ser deputado não lhe dá pica. Para assessoria política, o Governo contratou gente da blogosfera que chama alforreca a Passos Coelho, Torquemada a Miguel Relvas e por aí fora. O Álvaro, há tempos, sugeriu que se desse a independência à Madeira. E ainda a procissão vai no adro. Se continuam nisto, o Governo de Santana Lopes ainda vai ser recordado como um Governo a sério. E deixa-me mas é estar calada antes que o Miguel Relvas me queira contratar para lhe dar umas ideias.

A nova legislatura começa bem... disparates atrás de disparates.

Eu quero que eles se portem bem, que a vida lhes corra bem (porque este período é vital para Portugal), eu quero que eles tenham 700 dias de graça, eu juro que quero. Mas, senhores, eles não ajudam....

O Irmão Fernando Nobre que, ao que consta, a Maçonaria não conseguiu colocar na presidência da AR, descurtiu e vai pregar para a AMI

Fernando Nobre, a primeira má escolha de Passos Coelho, depois de uma humilhante dupla derrota na eleição para presidente da Assembleia da República e depois de uns dias de falta ao plenário, sai pela porta pequena da política. Tal como tinha referido, se não conseguisse a presidência da AR, apenas como um simples deputado não ficaria.

Meus senhores, para além de uma coluna cheia de curvaturas, parece que toda a ossatura do Dr. Fernando Nobre padece de avançado estado de osteoporose. De apoiante do Bloco de Esquerda, de candidato a Presidente da República contra os partidos, a candidato a presidente da AR pelo PSD, tudo num curto espaço de tempo e agora 'adeus, passem bem que eu por aqui me desbaldo'. Sim senhor, belo exemplo de cidadania. 

Mas, se me permitem a opinião, grave mesmo é o Dr. Passos Coelho não conseguir avaliar as competências e as motivações das pessoas e fazer escolhas destas. É que foi ele que colocou o Fernando Nobre como o número 1 por Lisboa e, pasme-se, convidou-o para presidente da AR, a 2ª figura de Estado. Mas pensaria Passos Coelho que qualquer um pode convidar quem quer para aquele cargo? Não sabia Passos Coelho que o presidente da AR é eleito pelos deputados? Que o seu convite não valia nada? Não sabia?

Isto perturba-me, a sério. E preocupa-me.

Passos Coelho vai fazer com que toda a gente daqui por pouco tempo implore, 'Volta Sócrates, estás perdoado' (ou, os que apreciam outro género: 'Volta Menino Guerreiro que não te daremos mais pontapés na incubadora')

Ou, mais uma vez, como se tem referido e como aqui já me interroguei houve, de facto, combinações feitas a compasso e esquadro, arranjinhos de avental, ou seja, a santa mãozinha da maçonaria? Foram os manos maçons capitaneados pelo grande irmão Relvas que congeminaram este flop? Se foi, serviu-lhes de muito.

Mas quero ainda falar de outra das barraquinhas que por ai anda a ser falada: a contratação ad hoc da maltinha mais assanhada dos blogues, mais dada a sound bites, que se destacaram no derrube  de Sócrates.

Face à vacuidade política da equipa ministerial, resolveram colmatar o défice deitando a rede à blogosfera - mas de forma relapsa. É que veio de tudo, desde os que chamaram alforreca ao Primeiro Ministro, Torquemada a Miguel Relvas, até aos que disseram que aumentar a carga fiscal através do subsídio de natal era confiscação pura e simples.

Pelo que se lê nos jornais e na blogosfera, João Gonçalves do Portugal dos Pequeninos e Miguel Morgado do Cachimbo de Magritte, são dois dos exemplos referidos.

Agora lê-se que também o Álvaro, o célebre Álvaro (o Ministro Álvaro Santos Pereira da Economia, Transportes, Comunicações, Trabalho e mais algumas coisas) terá dito que, se a Madeira quiser mais dinheiro e ameaçar tornar-se independente, então que acha que se lhes dê a independência.

O Álvaro, que chegou do Canadá para aterrar na FIA, assessorado por Cristina Caras Lindas (que, infelizmente, não aparece na fotografia) e para pedir aos media que não o tratem por Ministro, apenas por Álvaro

O Nuno Crato, da Educação, também já está a deixar-me de pé atrás: agora suspendou o fecho das escolas quase vazias. O Aguiar Branco, da Defesa, suspendeu a reestruturação dos Estaleiros de Viana do Castelo e ainda só vamos na primeira semana. Por isso, meus amigos, daqui por um mês não se admirem se o resto do subsídio de Natal for também à vida.

Isto está bem entregue, está...



Vamos lá a acender uma velinha, ok?