Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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domingo, agosto 16, 2015

Uma Europa que apoia guerras, que ajuda a desestabilizar países e que, depois, não consegue acolher as vítimas. As imagens de gente como nós (mas mais corajosa que nós) são manchas de vergonha que alastram pela Europa. Lampedusa, Calais. Fronteiras da vergonha.




Parece que não há semana que não aconteça. Um dia destes deixa de ser notícia. 

Nem de propósito. Liguei a televisão e todos os destaques estavam no Pontal, como se mais nada de importante existisse à superfície da Terrra. 
Os omnipresentes PàFs em festa. Recuerdos para os cabecilhas e muito se riam. O que vi foi um misto de graçolas, sorrisos com um toque alarveirado, trejeitos amaneirados, tiques aleivosos, uma armada em boa, outra armada em coelhinha, tudo na maior festança e alegria como se não tivessem andado estes 4 anos a dar cabo do país, a vender as empresas ao desbarato, a separar famílias, a fazer regredir a natalidade, a atentar o juízo dos velhos. Não há paciência. Retirámo-los logo do nosso campo de visão. Impossível ver gente desta a festejar, a inventar frases sonantes, a fazer risinhos galhofeiros é coisa que já não se consegue suportar.
Mas adiante que não quero perder muito mais tempo com este grupelho de gente impudica. 

Este é um mundo cão, um mundo desgraçado onde os responsáveis por imperdoáveis infâmias ou guerras sem quartel ganham a vida, a seguir, a pregar sobre o que lhes der na bolha, como gurus ou gente de bem. Chamem-se Cherne Durão, Tony Blair, chamem-se Sarkozy, chamem-se o que o raio que os parta e mais todos os outros que os apoiam, defendem, aplaudem - é tudo uma seita desavergonhada que por aí anda sorridente quando todos eles deveriam era chorar de cada vez que se sabe de nova tragédia nos mares da morte e de toda a tragédia quotidiana dos campos de refugiados e dos acampamentos de onde tentam evadir-se os que sonham por uma vida melhor.

É permanente e acontece perante a cegueira de parte da comunicação social e perante a nossa indiferença: milhares de desgraçados fogem à guerra e à fome, imaginando que a Europa é um El Dorado que os saberá acolher. 

Coitados. Coitados, coitados. Quem lhes acudirá? 

E o que podemos nós, anónimos cidadão, fazer para ajudar esta pobre gente?




Cemitério Mediterrâneo. Mais 40 mortos na costa da Líbia


(...) Um helicóptero da Marinha avistou um barco em apuros cerca de 21 milhas ao largo da costa da Líbia, ao sul da ilha italiana de Lampedusa.

O barco, que transportava cerca de 300 imigrantes, estava "sobrecarregado e começou a afundar", disse o jornalista da RAINews.

O navio da Marinha, em seguida, aproximou-se e começou as operações de socorro, tendo descoberto numa segunda fase, que havia 40 corpos no porão.

De acordo com vários testemunhos de sobreviventes de travessias muito perigosas entre a Líbia e a Itália, os contrabandistas usam o espaço do porão para colocar os migrantes que pagam o mínimo pela viagem. ( ... )





Marinha italiana encontrou barco com 40 mortos no porão


(...) Presos nesse espaço confinado, os migrantes correm o risco de morrer asfixiados ou sufocados pelos vapores de combustível, ou ainda afogados se o barco se afundar porque não existe tempo para sair.

O comandante do navio Cigala Fulgosi disse ter encontrado uma "cena terrível, que afectou muito" a sua tripulação: dezenas de cadáveres no porão, mulheres que choravam os seus homens", contou. Não é ainda claro o número de vítimas, porque os corpos estão misturados uns com os outros, e ainda não foram todos recuperados. Não se percebia, quando a Marinha chegou, se havia alguém a controlar o barco.

Este ano, o número de migrantes e refugiados chegados à Europa ronda os 250 mil e supera já o total de 2014, segundo a Organização Internacional das Migrações. E 2300 pessoas morreram já tentando atravessar o Mediterrâneo, quando no ano passado o número total de mortes se ficou por 1779. ( ... )











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Calais migrants: Life in the Jungle


Publicado a 27/07/2015

Away from the chaotic scenes on Calais' motorways and ports, the migrant camp known as the new Jungle is growing fast and showing signs of becoming a permanent fixture.

The Guardian spent three weeks following the lives of a few of its 3,000 residents, rare in-depth access that reveals a growing human cost of the crisis, and the challenges facing refugees and migrants trying to reach Britain.




Calais migrants crisis: Inside 'The Jungle' migrant camp



Publicado a 31/07/2015

The BBC's Paul Adams spends two nights with some of the migrants trying to gain access to the rail track that run through the Channel Tunnel.



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Gente como nós. Mais corajosa do que nós.
Tão merecedores de respeito como nós. Tão merecedores como nós de uma vida normal, 

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Tinha em mente mostrar-vos fotografias das minhas andanças deste sábado ou dos meus menininhos aqui em casa, a brincarem no meio dos livros, ela a dizer-me 'Tá, vamos brincar às bibliotecas?' e eu, admirada, sem saber o que é brincar às bibliotecas mas que sim, e ela, já encarnando a personagem, dizendo-me tal e qual isto: 'Fui eu que construí esta biblioteca toda, sozinha.'  E eu: 'Ah, foste?' e ela sorrindo, como se com orgulho, 'Fui...' E depois: 'Quer escolher um livro para si?' e eu encantada, encantada com esta menininha linda, delicada, inteligente, a dizer-lhe: 'Pode ser, tem aí algum livro sobre florestas?' e ela a escolher pela capa 'Acho que este deve ser...'; ou o terrível maninho que pôs música para dançar e desatou a atirar-se para o chão e a rebolar-se, nem sei se seria uma coisa de tipo rap ou hip-hop, sei é que ria e rodopiava deitado no chão e fazia, em alta rotação, toda a espécie de piruetas. 

Mas não posso, pareceria insensibilidade minha misturar imagens de paz e tranquilidade com imagens como as que acima se viram, de quem arrisca a vida na esperança de uma vida melhor. Os meus menininhos dormem agora aqui em minha casa, sossegados, numa caminha boa. Têm sorte. Algures outros menininhos tão merecedores de paz e carinho quanto os meus têm fome, frio, medo, dores e nunca viram um livro.

Por isso, hoje fico-me por aqui.
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Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo dia de domingo.

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terça-feira, abril 21, 2015

Gente como nós



Clique, por favor, para ouvir

O que naufraga


[Sinais de Fernando Alves]


(...) o que é que vão fazer? Já sei que a resposta vai ser "lutar contra as máfias do tráfico de pessoas", que vivem à custa da exploração daquela pobre gente, com travessias de imenso risco. 

Até aí estamos todos de acordo. E depois? Está a Europa disponível para acolher no seu solo os muitos milhares de africanos que chegam às costas da Líbia (onde hoje não há Estado)? E quantos? E como os distribui? Ou será que se está apenas a aproveitar esta indignação para, através do pretexto da luta contra as máfias, tentar, afinal, evitar que os africanos entrem no continente europeu? Será que a Europa está disponível para dar uma solução de vida a essa gente? Ou será que apenas pretende um modelo como aquele que existe em Ceuta, com centenas de pessoas penduradas nas redes de metal que encerram a primeira praça da nossa expansão? Não será isso, lá no fundo, o "sonho" europeu?

A Europa tem de ter a coragem de dizer, alto e bom som, sem eufemismos, que não tem condições para receber milhares de cidadãos oriundos de Estados africanos (e outros) que se revelam incapazes de dar condições de vida decentes a essas pessoas. E tem de ter a frontalidade de dizer que, apesar dessa gente passar por lá fome, violência e imensas provações, não está disposta a abrir-lhes as suas portas. Mas tem de assumir isto, caramba! Andar com discursos piedosos a "fingir que faz" é de uma imensa hipocrisia política. 


O que a Europa podia fazer, e não faz, é promover políticas decentes e eficazes de cooperação para o desenvolvimento nos Estados emissores de emigrantes, que fossem estímulos para a fixação das populações. Basta consultar as conclusões das cimeiras entre a UE e os países africanos para se ter um completo e bem elaborado catálogo do que neles se proclamou, assinou e não se cumpriu.



[Excerto de 'Gente a sul da sorte' do blogue Duas ou Três Coisas do Embaixador Seixas da Costa]

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'Genocide' in the Mediterranean: ANOTHER migrant ship tragedy on Europe's shores as packed



 

'Genocide' in the Mediterranean: ANOTHER migrant ship tragedy on Europe's shores as packed boat washes up on Greek island - just hours after 900 died 'like rats in cages' off coast of Libya. Over 900 feared dead after boat overturned Libya in one of the worst maritime disasters since end of World War Two. At least three migrants killed when a vessel sailing from Turkey ran aground on the Greek holiday island of Rhodes Malta's. PM Joseph Muscat demands the EU tackle civil war in Libya that allows traffickers to operate with impunity. Compounded by rise of ISIS which has threatened to send 500,000 migrants to Europe as a 'psychological weapon' .'Genocide' charged as boat capsizes in Mediterranean (...)

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Another tragic day off the Italian coast: 400 migrants die, witnesses report


 

Tuesday (April 14, 2015) marked "another tragic day":http://www.euronews.com/2015/04/13/fr... off the coast of Italy. Migrants arriving in the port of Reggio Calabria, at Italy's southern tip, told the charity "Save the Children":https://www.savethechildren.net/ that some 400 people died when their boat capsized en route from Libya. Italy: Hundreds of migrants still missing off Lampedusa after latest boat tragedy


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Italy: Hundreds of migrants still missing off Lampedusa after latest boat tragedy




Dozens of bodies have been recovered from the Mediterranean Sea and brought ashore on Lampedusa after one of the worst tragedies involving African migrants trying to reach Europe. The mayor described the scenes on the quayside as "horrific, like a cemetery". Hundreds of people are missing after their boat sank about a kilometre from the Italian island. It is thought the boat capsized after migrants poured to one side of the vessel to escape a fire on board.

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Lampedusa: Way to Paradise or Hell for African migrants? 



As the turmoil of revolutions brought economic instability to many African countries, their citizens began to look across the sea, to Europe, for a chance to improve their lives. The Italian island of Lampedusa is often seen as “a gateway” to the EU paradise. Getting there, though, can be sheer hell. The journey is hard to arrange: it’s costly and travelers are at the mercy of boatmen, often unscrupulous traffickers. The waters are treacherous and have already claimed hundreds of lives. The authorities are determined to intercept would-be illegal immigrants before they can reach the EU border. Yet, in spite of all the hardship and danger, desperate African men and women continue to take their chances. Those who survive and reach the island for which they risked their lives, soon discover that, without papers or knowing the language, the future in a foreign country may be even more uncertain than in their own.

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Quem tem responsabilidades, directas ou indirectas, no estado insustentavelmente caótico a que chegaram os países de onde foge esta gente, gente como nós, que faça alguma coisa. E mesmo os que não têm qualquer responsabilidade que se unam para ajudar aqueles países de origem a ser um lugar bom para se viver, Não é humanamente suportável que se permita que tantos milhares de sonhos se afoguem no inferno da fronteira para o paraíso imaginado.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, um bom dia.

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