Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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domingo, setembro 24, 2017

Folhas de Outono


De manhã rente ao rio, a seguir ao almoço respirando o suave aroma do outono in heaven. Dia bom. As folhas douradas, o céu muito azul, o sossego tão bom.




Continuámos a desbastar pinheiros e o odor que se eleva dos ramos cortados é perfume que gostava que pousasse na minha pele e aí ficasse. Mergulho o rosto, aspiro, passo as mãos. Gosto de ver as árvores limpas, arejadas, gosto de andar pelo meio do mato. 


A tarde silenciosa. Os pássaros em delicado repouso, querendo apenas sentir a doçura desta tarde em que a luz se aquieta sobre os montes, sobre as árvores, sobre as folhas que estão alouradas ou acobreadas e que, não tarda, atapetarão o chão, folhas caídas que prenunciarão as chuvas que tardam e que tanta falta fazem à terra que está tão seca. O horizonte, ao fim da tarde, em tons quentes: chamas de emoção no coração de quem ama, saudades que embalam . 


Imprevidentemente estava de saínha justa e, portanto, não apenas a faculdade de levantar a perna para me defender ao passar sobre silvas ou tojos estava limitada como a pele à vista era, de facto, um convite ao arranhão. Agora, enquanto escrevo, reclinada no sofá, o computador sobre as pernas, olho-as. Lindas, não desfazendo: picadas, arranhadas. Incapazes de dar as caras em reuniões feitas para corpos cosmopolitas, preparados em ginásios e não na poda em pleno mato. Como isto das luvas. Gosto de sentir e as luvas retiram-me o sentimento. Não as uso. E não me importo de olhar as minhas pequenas mãos e vê-las com as marcas do prazer que os trabalhos no campo me proporcionam.


O meu marido aborrece-se por me ver andar assim no meio do mato, a podar pinheiros, a arrastar frondosas pernadas. Diz: 'E, para cúmulo do disparate, de máquina fotográfica ao pescoço'. Mas tem que ser. Não dá muito jeito mas, a cada instante, posso ter vontade de fotografar. E tem que ser naquele instante. A luz macia por entre as ramagens, embelezado a pinha, as uvas muito doces, os cachos meio comidos pelos pássaros, alguns bagos rebentados tanto o açúcar. A vinha virgem a incendiar-se rente à parede.


Depois, ao fim do dia, descanso. Deitada no sofá, a luz do entardecer inundando a sala. Leio Pedro Páramo. Uma escrita encantatória. Saudades metamorfoseadas de palavras. Nostalgias. Memórias, sonhos, fantasias. Gente que fala, murmúrios que se levantam das pedras, que se evolam das paredes. mortos que permanecem vivos, sombras que inquietam quem vem em buscas de reencontros. Mulheres que oferecem o corpo das amigas ao homem que amam, filhos que quase poderiam ter sido filhos de outras mulheres, homens com o sangue vadio a correr nas veias que, à noite, visitam mães e cometem outros desacatos.


Encanto-me mais com as palavras do que com a história. As palavras ganham um sentido guapo, os verbos são gestos de gente. Outras vezes enchem-se de música e juntam-se para formarem belas toadas. Poesia por vezes, agressão ou susto nas restantes.

Depois, o sono começa a descer sobre mim e os nomes começam a enovelar-se. Não faz mal.  Logo retomei. A história como uma sucessão de episódios elegantes, a estética dos sentidos, as frases perfeitas, as palavras e os nomes que atravessam os tempos, que furam a normalidade para trazerem aventura, receios, raramente as bem aventuranças que se queriam.


Apetece-me agora transcrever alguns excertos para mostrar a quem não conhece a obra mas é muito tarde, este já é o terceiro post desta noite e eu intuo que canso os meus Leitores com estas minhas tantas palavras que não se calam.

Fico-me, pois, por aqui mas permito-me sugerir que se deixem ir deslizando pelos posts que se seguem. As vossas visitas alegrar-me-ão sempre, seja para me lerem no campo ou à beira-rio

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Caminhos difíceis levam, por vezes, a belos destinos


Acontece por vezes eu estar a passar por situações complicadas. Ainda não há muito. Eu toda angústias, medos, ansiedades. No entanto, claro que tinha que continuar a viver. Um dia vinha do supermercado e pensei que, por fora, devia estar normal. Pelo menos, via-me normal. Cruzava-se com pessoas que também me pareciam normais e pensava que nunca sabemos o que vai no íntimo das pessoas. Nem elas sabiam o que ia dentro de mim nem eu delas. Pensei: 'usamos máscaras'. Depois pensei outra coisa: 'somos fortes'.

E agora que escrevo isto lembro-me de uma coisa que não tem nada a ver mas que me ocorreu. Quando tive a menopausa não tive sintomas e, ainda hoje, não os sinto. Não faço daqueles tratamentos hormonais de substituição. Penso que deve ter a ver com o meu funcionamento hormonal mas, se calhar, não tem nada a ver. Se soube já não me lembro. Também quando estive grávida nunca tive enjoos, desejos, inchaços, mal estar, dores nas costas. Nada. Do princípio ao fim, sem outro sintoma que não o da barriga que crescia desabaladamente. Mas, na altura, tinha uma colega que estava também a atravessar a menopausa e que sofria horrores. Afrontamentos de ficar doida, tamanha a onda de calor que subia por ela acima -- e desculpem-me o pleonasmo mas era assim que ela dizia, abanando-se: 'De morrer. Não se aguenta. Uma insolação que sobe por mim acima.' E abria a boca, quase à beira do colapso. Dizia que só lhe apetecia tirar a roupa toda, despejar garrafas de água pela cabeça abaixo. E dizia que pasmava (e, por dentro, enfurecia-se) por ver que, quando estava em reunião, as pessoas em volta dela pareciam não dar por isso. Pensava: 'Mas será que esta gente não percebe o estado em que estou...?!'. Em vez de se calarem e, em sinal de solidariedade, deixarem que a aflição lhe passasse, continuavam a falar como se nada fosse.

Se calhar de fora não se via o calor que ela sentia.

Bem.

Isto tudo para dizer que a todos nós, em certos momentos, a coisa não corre especialmente de função. Mas a vida continua e ainda bem que o mundo continua a girar normalmente e que há, aqui e ali, apontamentos de cor, de graça, de esperança.

Ao passear no Ginjal pensei que nada para melhorar a disposição do que andar por aqui, sentir a frescura do rio, deixar que a alma descanse perante a visão de uma paisagem tão magnífica e apreciar os sinais que outros vão deixando nas paredes, pintando-as, enfeitando-as, deixando testemunhos da diversidade que havida o tempo e o espaço. 









Minha alma canta apenas em sinfonia.


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Contrastes para todos os gostos


Manhã boa junto ao rio, a maresia intensa, o ar fresco, a paisagem limpa. E a disposição boa, boa. Pelo menos a minha. Não tanto a do meu compagnon de route que se queixa de não conseguir dois passos de seguida. Nada a fazer. Face à maravilha que, por todo o lado, espreita, não tenho como deixar passar e manter a passada. Claro que tenho que parar e fixar o momento.

Aqui abaixo, a passagem de mais um cruzeiro. Tantos. Tantos que cruzam o Tejo. 
O turismo a bombar. O PIB a aumentar. E o láparo, endemoninhado, a desfeitear (agora, o pobre, completamente doente, num estado de negação fatal, diz que está tranquilo, que quem tem razão para estar aflito é o António Costa; passou-se de vez, este láparo passado da cabeça). 
Este que aqui passava é um big, big, big. Por contraste, os veleirinhos. Por contraste com quem lá vai dentro, os pescadores do cais do Ginjal. 


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E um belo dia de domingo a todos quantos por aqui me acompanham.

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sábado, setembro 23, 2017

O cavaleiro da luz








Em 1895, quando abandonava a infância, Albert Einstein teve uma visão que lhe abriu portas desconhecidas: sonhou, ou imaginou que cavalgava pelos céus montado num raio de luz.

Alguns anos depois, estas portas conduziram-no à teoria da relatividade e a outras iluminações.




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O texto é de Eduardo Galeano em 'O caçador de histórias'

Béatrice, 1897 e The Birth of Venus, 1912 — Odilon Redon
The Cosmos -- Hee Choung Yi

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As praxes, os condutores de caloiros, o poder, a humilhação, a paródia acéfala e etc





Durante toda a santa semana, em vários locais de Lisboa, deparei-me com grupos de estudantes. Uns importantes, certamente sentindo-se superiores na sua capa e batina, alguns de kilt, conduzindo bandos de caloiros. Estes, uns de tshirt com números, outros todos sujos evidenciando que andaram a rebolar-se na terra, outros de penico na cabeça a fazerem exercícios ridículos.


Quando andei na faculdade não havia praxes. Mesmo que as houvesse, eu não me sujeitaria a elas. Quer como veterana, quer como caloira, números destes incomodam-me. Nem gosto de me armar em superior, ordenando sevícias ou bacoquices -- nem me sujeito a ser mandada como se fosse membro de um rebanho ou envergonhada por quem se inicia no gozo do exercício do poder.

A coisa mais parecida com isso a que me sujeitei, e foi porque achei graça, foi a um julgamento. Quando morei numa residência universitária, havia esta coisa. Numa noite, juntavam-se as veteranas, a direcção da residência e alguns convidados e, uma a uma, cada nova habitante era sujeita a um interrogatório, tendo que responder ou, em alternativa, recebia a pena e tinha que a cumprir, mas a pena era uma coisa divertida. Quando calhou a minha vez, todas em volta e o júri na mesa, o que me calhou foi explicar como se arranja um namorado em menos de 24 horas. Na altura eu tinha um namorado que agradava muito às minhas colegas de residência e a quem eu tratava com algum desprendimento e, ao mesmo tempo, tinha uns quantos pretendentes que, just for the fun of it, eu não me importava que gravitassem à minha volta. E, quando elas me chamavam açambarcadora, eu dizia que não, que eles é que não me largavam mas que, se assim não fosse, eu também não teria dificuldade em arranjar alguém que quisesse namorar comigo. Ora uma coisa é uma pessoa brincar entre amigas e outra é ver-se rodeada por dezena de pessoas, num ambiente de julgamento, e pôr-se a dar uma aula de sedução. Mas dei. No fim aplaudiram. E espero que tenham aprendido alguma coisa.

Foi engraçado. Não foi humilhante.


Agora ver adolescentes de bacio na cabeça, a fazerem palermices, a serem conduzidos pela rua como carneiros... é coisa que me incomoda. Fico a pensar nos adultos que serão. 

Ou isto das praxes não quer dizer nada? Vale tudo porque, de facto, não vale nada? Ou já nada quer dizer alguma coisa? Nada vale alguma coisa?

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A fotografia lá em cima, da autoria de Matthias Schrader e que vi no The Guardian, mostra pastores da Baviera conduzindo os seus rebanhos.

A música é de Ry Cooder, banda sonora de Paris, Texas, filme que vi long ago e que estou, neste momento, a rever, imitando um Leitor a quem agradeço a dica. 

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sexta-feira, setembro 22, 2017

Claro que tenho que amar de paixão este homem





Não posso dizer que é um amor exclusivo. Não é. Não sou dada a isso. A um é pelo sorriso, a outro pela voz, a outro pela graça, a outro pelo físico, a outro pelo temperamento e sensibilidade, a outro pela insolência, a outro pela inteligência, a outro pela jovialidade, a outro pela patine. Claro que um ou outro quase faz o pleno e esses são merecedores de lugar no pódio.
E há um que não está em competição e que não entra cá nessas coisas de pódios e nestas conversas e que, de resto, acabou de ser avisado que eu ia escrever isto (e teve a reacção do costume: 'maluquices'). 
Mas, enfim, isto para dizer que lá por eu isto e aquilo, isso não quer dizer que o meu coração esteja fechado para os apelos que me chegam a toda a hora.

Mas também que não se pense que sou volúvel. Não, isso não. Sou toda dada a fidelidadades. Cá à minha maneira, bem entendido. Talvez deva antes dizer amores duradouros. Se gosto mesmo, gosto forever. Desculpo o resto e foco-me naquilo de que gosto. Sou muito focada, quero eu dizer.
Essa é a verdadeira explicação para me manter casada há mil anos com a mesma pessoa. Ignoro aquilo que não me agrada e embeiço-me com aquilo de que gosto. E vivo feliz. 
E deste outro que aqui hoje me trouxe também gosto desde que o conheci. Acho que pela voz. Ou por parecer um pouco esquivo. Ou por parecer que tem uma alma cheia de subtilezas. Ou por tudo, porque quando a gente gosta arranja sempre mais motivos para gostar.

Mas já cá volto para aprofundar.


Agora um apontamento sobre outra temática. Casas. Sou muito sensível a casas. Invado os espaços que habito, diz o meu marido. Sei que sim. Como um bicho que atapeta a toca, assim eu. Fiz tapetes, escolho almofadas, pinto quadros, descubro peças, milhares de livros, molduras, santos, espelhos, cadeiras e cadeirinhas, candeeiros, mesas e mesinhas, relógios e ampulhetas. Por todo o lado se vê a minha marca. Sei disso. Se vou ou vejo uma casa escura, mal arranjada, tudo sorumbático e mal jeitoso, mal pouso os olhos já eu estou a pensar que dali tirava aquilo, naquele espaço punha aquilo. E penso de acordo com o que penso ser o orçamento adequado. Tanto imagino decorações de alto coturno como na base da barateza. Tanto faz. Uma divisão grande quase vazia, paredes vazias ou com uns quadrecos quase junto ao tecto, móveis escuros ao pé de sofás escuros, portas de madeira escura, tudo escuro -- isso para mim seria mortal. Se tenho que estar em tal tumba só penso que não vejo a hora de apanhar ar fresco. Mas o contrário também me atrofia. No outro dia estivemos em casa de um casal das nossas relações e viémos de lá quase doentes. Uma moradia térrea enorme com uma cave do tamanho do piso. Cada divisão, enorme, estava cheia como um ovo. Uma coisa aterradora. Móveis bons, mas muitos, demais, mesas, camilhas, cadeiras e cadeirões, sofás e chaises longues, aparadores, escrivaninhas, estantes, vitrinas, um excesso que quase tornava o ambiente irrespirável, Na cave a zona das pistas, a zona dos relógios, a zona dos vinhos, a zona dos móveis velhos, a zona das ferramentas, a zona já nem sei de quê. Víamos aquilo e já nem pronununciávamos palavra. Nunca tínhamos visto tanta coisa, tanta, tanta, tanta. Um exagero. Assim não gosto. Gosto é de harmonia, elegância, luz, cor, tranquilidade.


Mas, agora que já fiz o supra intróito ao tema decorativo, volto ao dos homens -- mas agora postos em contexto. Um homem na sua casa. 

Por exemplo. Vamos supor que achava graça a um homem, uma graça mesmo de verdade e que um dia o via em casa. Imagine-se que era uma casa pirosa, descuidada, com pormenores de puro desmazelo ou mau gosto. Acabava logo ali. Logo.


Mas, então, portanto, ia eu dizendo.

Já não sei quando e onde foi que o vi a primeira vez. Se calhar foi no Apolo 70. Ele era o tenente francês e Meryl Streep a sua amante. E o que eram no filme trespassava para a vida real -- salvo seja. E eu, vendo-o, apaixonei-me logo ali por ele.

Se calhar não foi no Apolo 70, tenho agora ideia que deve ter sido no S. Jorge. A voz dele a invadir a sala e a vir alojar-se no meu coração.
(Tenho muitos recantos no meu coração, como já perceberam. À minha mãe é que ouvi dizer: 'no coração de uma mulher cabe sempre mais um'. Penso que o original deve ser 'de uma mãe' e referir-se a filhos. Mas a minha mãe, e bem, generalizou)

Depois, de vez em quando, via-o. Sempre aquela voz profunda, o corpo esguio e vibrante, aqueles olhos mal dormidos, aquela vontade de amar.

Revisitar o passado em Brideshead. A saudade, a melancolia, o afecto. A estética. Charles e Sebastien. Veneza.


Em Damage. Relações Proibidas. O amante da namorada do filho. Ela, Juliette Binoche. Um filme que retrata o desejo extremo, interdito até ao limite. E sempre aquele corpo que é um mero suporte para uma alma e para uma voz que se movem nas profundezas que existem logo abaixo da textura da pele.


Apenas três exemplos. Lembro-me de vários outros mas não quero maçar-vos com os meus gostos que, nestas coisas, gostos não se discutem.

Pois bem. Deste homem de que tanto gosto soube agora mais uma coisa. A cereja que faltava em cima do bolo.

Conto: parece que Jeremy Irons andava a sentir uma crise de criatividade. Viu um castelo abandonado no meio da água e teve vontade de o restaurar e dele fazer a sua casa. Foi uma obra de uma vida. 

How Jeremy Irons Rescued and Restored a 15th-Century Irish Castle.

In the midst of a creative crisis, the British actor impulsively purchased Kilcoe Castle, a long-abandoned fortress near the water. David Kamp learns how a magical retreat came to be.


[From left, the castle before Irons began restoration, 1997; renovations in progress, 2001; a roof over his head, 1999.]

Pois, pois, é para quem pode -- dirão os cépticos. Pois, pois, direi eu, que há quem, com dinheiro, se enfie num apartamento forrado a ouro enquanto o Jeremy fez um milagre. E eu, que não aprecio os feitos das santas milagreiras, toda me derreto com as graças dos pecadores dads a milagres como este que aqui vos mostro.


Podem ler um artigo interessante sobre o tema na Vanity Fair mas, para os mais apressados, deixo aqui um excerto. 
Irons, I learned after two days at his side, is a man serenely comfortable in his own skin. He speaks without inhibition and does whatever he feels like doing, whether it’s sailing his yawl, the Willing Lass, heedlessly through the stiff gales of Roaringwater Bay, driving the local roads in his pony trap (his preferred, Anglo-Irish term for a horse-drawn carriage), or interrupting his houseguests’ sleep with theatrical wake-up announcements delivered through the intercom system that he rigged up to reach all the rooms in the castle. At the time of my visit, he had two friends staying over, both women. “Good morning, ladies!,” he intoned through the intercom, his plummy Jeremy Irons voice echoing throughout the ancient building. “It’s a lovely day. The sky is dry; the wind is low. Please come down to the smell of burning toast.”
After we had finished eating, Irons asked his guests to gather around in the conversation pit, where Gavin played a couple of songs and told a few groaners. Irons jumped in to tell a few of his own. Collins stood up, pre-emptively apologized for his singing voice, and delivered a heartfelt a cappella version of “The Banks of My Own Lovely Lee,” Cork’s de facto county anthem. Even the slight, shy Whooley performed a set piece, a from-memory recitation of “The Priest’s Leap,” a 74-line Irish-nationalist poem held dear in Cork, about a defiant cleric who, on horseback, miraculously evades a pursuing battalion of nefarious English soldiers. Irons, in his flowing robe, took it all in mirthfully, having evidently banished forever the cold, passionless Anglo-Saxon part of himself.
Outside, it was a stormy night, with lashing rain and flattening winds. But you wouldn’t have known this inside Kilcoe, where the fire crackled, the hum of conversation drowned out the gusts, and the towers didn’t even sway. “There’s something about the castle that generates the most extraordinary energy,” Irons said to me. “Everybody stays up ‘til three, four in the morning—talking, listening to music, drinking. You just want to go on, go on. It takes a bit of getting used to, this place. Because it does somehow produce an energy. Have you felt it?”

Leio o artigo e vejo as fotografias e penso que com este homem e a sua casa eu construiria um romance. E talvez do romance fizesse um filme. E nesse filme bastaria ele e a sua casa, e a sua voz, e o silêncio, o ladrar alegre do cão ou o rumor das águas.




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E uma sexta-feira feliz a todos quantos por aqui me acompanham.

E obrigada pela vossa presença aí desse lado.

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quinta-feira, setembro 21, 2017

Bruno de Carvalho vai ser pai e anunciou-o nos ecrãs do Estádio de Alvalade
-- depois de, obviamente, o ter divulgado no Facebook --


Já lá vai o tempo em que eu, na minha santa ingenuidade, pensava que quem ocupava lugares relevantes nas organizações -- nas empresas, nos clubes, nos partidos políticos... e mesmo à frente dos países -- era o que havia de melhor. Os melhores de entre os melhores.

Infelizmente, os tempos que correm provam que estava enganada. E ponham enganada nisso. Redondamente enganada.

Sendo eu ferverosa democrata, reconheço que alguns mecanismos regulatórios precisavam de ser afinados para não levarem onde isto nos está a levar. Tais como estão, dão no que se vê: num falhanço. Dá ideia que a democratização levou a uma razia nas elites, reduzindo tudo à mediania. E isto de forma decrescente. Primeiro arrasam-se os melhores, depois os medianos rejeitam os que, ainda assim, são melhorzinhos, depois a média já é a mediocridade e, sendo a mediocridade a camada dominante, há uma indução no sentido de se escolher o pior de entre os piores.

Vimos o que aconteceu em Portugal. Parece mentira mas durante quatro anos uma abécula impreparada e néscia (tendo como número dois um chico-esperto) governou o país, empobrecendo-o, vendendo as melhores empresas, tentando anular os direitos dos trabalhadores, tentando espatifar a coesão social e separando família -- ao fazer emigrar muita gente, em especial os jovens adolescentes. E vimos também quem presidiu a este pobre país durante um ror de anos: um ressabiado empertigado que só sabia ser simpático para com cagarras e vacas e que, no resto do tempo, se entregava à auto-promoção, escrevendo absurdos 'roteiros', à paranóia e às conspirações de meia tigela. Tivemos também à frente da Comissão Europeia uma alforreca peganhenta que destruiu a credibilidade duma instituição que deveria ser um bastião da democracia e liberdade e que, às suas mãos, mãos de concièrge da grande casa dos poderosos&velhavos, se viu arrastada para um humilhante papel subalterno, um barco à deriva que, por não ter comandante, acabou a entregue a burocratas acéfalos.  Um pouco por todo o lado, também um atraso de vida. Estamos agora a ver à frente dos EUA um narcisista estúpido, um perigoso palhaço, um inacreditável demente.

E à frente de grandes empresas...? Vimos os cagões burlescos que foram condecorados por bimbos e pacóvios... Zeinal Bava, por exemplo. E o que dizer do António Mexia...? Eu não digo nada mas há quem diga. Ou o Granadeiro ou o Berardo ou o Jardim Gonçalves ou... tantos, tantos.

E, portanto, se assim é, como posso eu admirar-me por, à frente do Sporting, estar um fulano que se não é um parvalhão encartado, parece.

Como é sabido, aqui em casa os ventos sopram a favor dos verdes.

Mas aqui em casa havia a ideia, quiçá um bocado lírica, que o Sporting era um clube onde a malta era discreta, direi mesmo a modos que distinta. Nada de rufias, capangas, pintarolas. Isso eram os outros (if you know what I mean)

Pois bem. Ilusões. Reconheço, reconheço.... Ilusões, puras ilusões.

O Sporting está entregue a uma maltosa que nem se percebe.


Aquele Bruno de Carvalho é uma coisa que não se explica. Misto de arruaceiro e de badameco. Misto de palhaço e de ordinarão. Nem sei. Sempre que o vejo ou ouço, há uma palavra que logo me ocorre: rasca


Pois bem.

Sendo como é, não espanta que se ache. E acha-se o maior. E, como todos os pequenos narcisos com pouca cabeça, acha que é tudo dele.


E vai daí, Bruno de Carvalho não apenas usa a gravidez da mulher para se auto-promover, para se colar ao Cristiano Ronaldo, para se armar em engraçadinho parodiando o Sócrates -- como, para cúmulo do dislate, resolve usar os recursos do Sporting para tratar todos os apoiantes do Sporting como seus amigos do Facebook.


E eu, ao ler tão insólita notícia, só me ocorre que estamos a bater no fundo. O mundo parece que está a andar ao contrário, parece que estamos a caminhar para o fim dos tempos. Isto não pode acabar bem.

Veja-se para se acreditar.


Bruno de Carvalho anuncia o seu terceiro filho, desta feita com Joana Ornelas, a sua actual mulher



Eu admitiria que, face a tão ridículo desconchavo, os sportinguistas dariam um murro na mesa e que alguém iria ter com a criatura, pegá-la-ia pelos colarinhos, dar-lhe-ia um pontapé no traseiro e diria simplesmente xô! para que tão desclassificado animal tão cedo não voltasse a aparecer-lhes à porta.
Não que eu ache que se deva usar violência física com animais. Não. Nem pensar. Poderia, pois, o pontapé ser metafórico, tão metafórico como aquele fumo que ele deitou para a cara do senhor do Arouca.
Mas não. Parece que a maioria das pessoas acha isto normal. Vê-se uma nescidade destas e a malta assobia para o lado. Quando o mundo estiver nas mãos de láparos, portas, trumps, brunos de carvalhos, durões barrosos, cavacos, relvas, cristas, burros, estúpidos, populistas, lambe-botas, psicopatas, palermas encartados, exibicionistas, galinhas carecas, trogloditas e outros animais que tais... sempre quero ver...

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É que não é por nada mas eu não gostaria de viver num país entregue a porcos


Mas, enfim, isto se calhar não passou de uma macacada que não tem nada a ver, capaz de ter sido só coisa de um tal Orwell que parece que embirrava com o Estaline e assim

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quarta-feira, setembro 20, 2017

Sobre coisas de nada





Passa da meia-noite e meia a acabo de chegar à sala. Dia longo, longo. Depois de um dia normal, atravessar a cidade à hora de ponta, sair de Lisboa entre um mar de carros.

Quando chegamos já é noitinha. Um lusco-fusco, quase noite. Entro em casa e logo saio. Ando quase às escuras. Entre o escuro e as silhuetas dos arbustos, procuro o banco do canto. Espreito para baixo. Não o vejo. Aproximo-me. Não. Não está lá. Ao entrar em casa, vinha o meu marido a procurar-me: 'Onde fostes?'. Confesso: 'Fui ver se o gatinho estava debaixo do banco. Não estava'. Comenta: 'És maluca'. 

Entretanto, chega o vizinho da ponta da rua. Combinamos com ele. Entregamos-lhe o molho de chaves da casa. A ver se amanhã lá vai o canalizador. Provavelmente temos mesmo que avançar para uma canalização nova. Quando ele se vai embora, arrumo umas coisas, esvazio os armários das casas de banho. Não sei se vão mexer lá, ainda não percebi o que é que tem que ser novo. Não sei se é mesmo tudo, se apenas os tubos principais mas, pelo sim, pelo não, tiro tudo de dentro dos armários. O meu marido não acha bem. Diz que, se calhar, não vai ser preciso, não quer estar a ter este trabalho e, por isso, acabo por ser eu a tirar quase tudo. Diz que está com fome, que vai às uvas. Eu abasteci-me antes, comi umas amêndoas mas, se ele trouxer umas uvinhas, também irão bem. Penso que sem uma lanterna não o conseguirá. Mas se calhar levou-a. Apareceu com um grande cacho de uvas negras. E diz: 'Então não o viste? Está em cima do banco'. Pois. De facto sou um bocado míope e quase não se vê nada, apesar do céu estar estrelado. Mas a questão é que olhei para baixo, onde ele costuma pôr-se. Toda contente, fui logo lá. E lá estava. Ele, num cantinho. E então vejo um vulto mexer-se no outro canto, junto à rama do pinheiro. Era a mamã gata. Levanta-se, fica de pé em cima do banco, a olhar. O gatinho também se levanta, fica expectante. Aproximo-me, digo baixinho: 'Gatinhos lindos, gatinhos lindos, bschhhh, bschhhh'. Os dois vultos brancos, um grande e um pequeno, sossegam, aninham-se, cada um em seu canto.

Depois volto para casa. Penso. Não poderia separá-los e trazer o gatinho para longe da mãe, privá-lo daquela liberdade boa.


Venho para casa e penso como são felizes eles, ali, tranquilos, livres. Não o quero igual a Luhu, o gato que dizem parecer o mais triste do mundo.

Pelo caminho, paramos num restaurante. Um restaurante de aldeia. Pouca gente, o dono muito atencioso. Comida boa, caseirinha, apuradinha, cheirosa. Como à vontade, sem me lembrar da dieta, feliz da vida. Depois, já cheia, cheia, ainda uma fatia de bolo de chocolate. Mal me distraio, esqueço-me de me portar bem. Uma maçada isto do bom comportamento ser em mim uma coisa pouco natural.

Agora, chegada de novo à cidade, fiz um chá de lúcia-lima. Sabe-me bem. Não é chá. É infusão. Não interessa. É bom. Nunca ponho açúcar. Nem nos chás ou infusões nem no café. O sabor puro. A ver se me acelera a digestão. E pode ser que consiga derreter as calorias a mais. Para perder o quilo a mais que ainda tenho a enfeitar-me a figura é um castigo. Em contrapartida, ganhar mais um ou dois é piece of cake. Não é justo.


Praticamente não tive férias e, no entanto, parece que sinto saudades delas. Gostaria de lá ter podido ficar. Lembro-me agora. Quando estava a aproximar-me do banco, da primeira vez, quando não vi os gatos, ao passar ao pé da azinheira, um pesado bater de asas. Um pássaro grande. Já não me assusto. Antes sim, cada susto... Agora sinto-me cada vez mais bicho. Na nossa ausência, devem estar na maior paz, lá entre eles, gatos, pássaros, usando todo o espaço. Ao ouvirem-nos durante a semana, chegando à noite sem aviso, devem sentir uma grande estranheza.

Depois, no carro, ouvimos do violento sismo no México. Nova tragédia. Depois as beligerantes palavras de Trump em resposta ao outro maluco, ao rocket man. Depois ameaças ao Irão. O Irão nuclear, outra ameaça. E eu penso que esta gente é tão desesperantemente doida. Não basta deus estar pelos cabelos, deixando que aconteçam tufões, vendavais, monções carregadas de água, seca extrema, tremores de terra, ameaças de tsunamis, também agora dois perigosos malucos com o dedo quente para carregarem no respectivo botão fatal. Tento dormir, não quero saber deste mundo desorbitado. Mas não consegui.

Sabendo que tinha a viagem, à hora de almoço fui numa fugida, coisa apressada, ver se arranjava leitura breve para ler no carro. Tinha-me esquecido que os dias estão pequenos. Tão pequenos. Não tarda muda a hora e, então, os dias, à hora do lanche, vão ficar ainda mais tímidos, toldando-se ainda antes de ser noite. Mas o livrinho parece tão bom, tão feito com carinho e cuidado: 'O caçador de histórias ' de Eduado Galeano. Gosto de saber que os escritores se deixam estar a preparar com desvelo a sua obra até que alguém os impeça que continuem ou até que morram. Sinto que tenho nas minhas mãos a preciosidade que alguém fez chegar até mim.

Só folheei. Não faz mal. Tenho tempo.




O pior é que não tenho tempo. E, além disso, hoje tenho uma dor de garganta, aqui num dos lados. Algum dos miúdos me deve ter pegado. Esta segunda-feira estive com eles todos ao fim do dia. Andei a distribuir uvas, cuecas e meias. E beijinhos. Na volta devo ter recebido um dos seus variados vírus.

E estou cansada e com sono. Já adormeci algumas vezes. Daqui a nada são duas da manhã e, que eu tenha dado por isso, ainda não escrevi nada. Pelo menos que se aproveite.

Daqui a nada é outro dia. Começo o dia com uma reunião. Não posso ir para lá dormir até porque fui eu que convoquei. Há que ter o sentido das responsabilidades

Se virem mais gralhas do que o usual, por favor, relevem. Ou avisem-me. Please.

E nada mais. Só isto. E vontade de estar bem, tranquila, a pensar em coisas boas, a recordar aqueles todos de quem gosto. Não consigo estar tão perto de todos quanto devia, ouço queixas, sei que falto muito a quem me quer bem. Mas não sei como. A minha vida é isto. Não dá para mais. Só mesmo para o que vai dando.

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As duas últimas fotos provêm do National Geographic
Os poemas de Fernando Pessoa (respectivamente Gato que brincas na rua e Não sei quantas almas tenho) são lidos por José-António Moreira


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Kristina Hammarström e Emanuela Galli com a Orchestra of Patras interpretam 
Caro! Bella! Più amabile beltà  de Handel


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Um dia muito feliz a todos quantos estão aí, desse lado, a ouvir como respiro.

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terça-feira, setembro 19, 2017

Casais improváveis
[Com um número extra em pós post: o casal maravilha cuja missão seria, nada mais, nada menos, que a procriação]


(diz-se ter fixação em ou fixação com? -- volta e meia tenho destas ocorrências, fico sem saber; e é que a gente a falar é mais ou menos na base do 'olha, já foi' e bola para a frente, a asneira fica para trás. Aqui não, aqui, se a gente diz um disparate, fica escrito saecula saeculorum, uma responsabilidade), 
lembrei-me, dizia eu, que, se tivesse um meio televisivo à minha disposição, inventava um programa daqueles em que se colocam pessoas em situações que induzem o romance. Podia ser daqueles em que fazem perguntinhas pessoais, e eles tête a tête, e às tantas a coisa já começa a ficar morninha, depois quentinha, e a gente a ver que a intimidade já se abeira e que, a bem dizer, já estão capazes de sair dali e ir fazer um cafuné um no outro, beijinho aqui, beijinho acolá e, pumba, truca-truca, coisinha mai boa.


E até aí tudo bem. Déjà-vu. A net cheia disso. O picante da coisa estaria nos parzinhos que eu ia arranjar. 

E é aí que entra a conversa do Valupi. 

Dois que eu poria numa de a ver se rola seriam o Sócrates e a Helena Matos. Haveriam de começar numa de arrogância para aqui, arrogância para acolá, chispas a tordo e a direito, desprezo, cada um mil vezes superior ao outro, cada um a cuspir para o chão, ódio e mais ódio. Mas depois, não sei cá porquê, a ver se não saíam de lá os dois com sorrisinhos cúmplices, tímidos e malandros e a gente a ver onde é que aquilo ia dar. Até um livro a meias haveriam de publicar. E a ver se ele não fazia um restyling naquele ar pingão dela. Haveria de ficar uma giraça, toda bué produzida, toda ela chameguinhos bons no Zé.



Outro casalinho: o Láparo e a Catarina Martins. Ele armado em superior, sensaborão, boca retorcida, a fazer perguntas parvas. Ela, ao princípio, sem ter jeito, furiosa, incapaz de se articular com aquele coiso. Depois, lembrando-se do objectivo do programa, artista, olhinho sorridente, boquinha marota, a dar-lhe a volta. Daqueles apanha-os ela à mão. No fim, quando ele estivesse a piar fininho e a vir , de facto, já comer-lhe à mão, aposto que ela desatava a rir pela ratoeira que lhe tinha armado. Querias, não querias, ó láparo...? Pois é, querias... Mas não vais ter. E a ver se desta não vais, no futuro, aparecer a gabares-te de que, se quisesses, tinhas feito e acontecido... Tinhas uma ova, ó láparo. Como diz a Constança Cunha e Sá, 'se cá nevasse, fazia-se cá ski'. Ahahahaha. Ganda asinino, este láparo. Haveria até de chamar as manas Mortágua para, as três, rebolarem a rir da partida que ela tinha pregado ao láparo.

Mais um: o Centeno e a Pinóquia Albuquerka. 

Ela a começar feita cagona e ele todo pacholas, com uma paciência danada, ela toda peixeira e ele professor, ela a dizer cavaladas e ele, didáctico, a explicar-lhe que não, nada disso, ora pense lá melhor. E, no fim, ela já toda derretida, já até esquecida do sarrafeiro que lá tem em casa. E o Centeno, apesar de tímido e com aquela carinha de anjolas, a lembrar-se da macaca que é ela -- e a mandá-la bugiar. Olhe, Drª, porque não vai antes dar banho ao cão do Schäuble?


Mais um casaleco: João Miguel Tavares e Fernanda Câncio. Bem. O que haveria de ser. Faíscas, raios e coriscos. Cá para mim, aqui não havia química possível, a coisa haveria de acabar ao estalo. Ela nele, claro. E ele, feito parvo, a tentar fazer trocadilhos. Trocadilhos pirosos, de mau gosto, a ver se se fazia engraçado. E ela, furibunda, a começar por lhe atirar água a cara para acabar a tentar agredi-lo, a produção do programa a agarrá-la, a chamá-la à razão. E o outro, todo totó, cheio de medo, a inventar desculpas, todo tantã, o tatibitate do costume.


E ainda mais um: o Mexia, Pedro Mexia, com a Cristina Ferreira. Ela a querer pô-lo a dançar, ele a querer falar de literatura, ela a rir escaganifada e ele, atrapalhado, sem saber se rir, se chorar, ela a fazer-lhe perguntas inconvenientes e ele sem saber como limpar tal nódoa do seu exemplar cv sem ser rude, e ela a piscar-lhe o olho, depois a descalçar-se e a enviar o pé pela perna das calças e ele, a fazer de conta que não estava a dar por nada, e a perguntar-lhe qual o autor preferido. No fim...? Pois, neste caso, não arrisco palpites.


E, para terminar, o casal que se impõe: Valter Hugo Mãe e Cátia Palhinha. Sabido é que o Valtinho tem um problema: não consegue ter um filho. Presumo que tenha tentado. Contudo, como penso que o seu clube de fãs seja constituído maioritariamente por senhoras menopáusicas, a coisa não lhe tem corrido de feição. Vai daí, mandaria vir uma fogosa mulher, e até a poria vestida de agente da Cruz Vermelha que o tema é de cariz quase social tantos os lancinantes apelos que o nosso bardo tem lançado. Diria mesmo que aconselharia a que a célebre Palhinha fizesse uso do seu golpe de magia que, como se sabe, se traduz em, do nada, mostrar uma passarinha. Penso também que é o tipo de mulher que deixaria o Valtinho inspirado em todos os sentidos, incluindo no bíblico. Cá para mim nem seriam precisas as trinta e tal perguntinhas da praxe nem os olhos nos olhos do costume. Capaz até da coisa pintar e rolar logo ali. Um pico de audiências nesse dia.



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Podia continuar. Bloggers. Também arranjava uns casalinhos improváveis. Estou aqui danadinha para lançar uns quantos à liça. Mas pronto, fico-me por aqui. Um dia que me reforme e que crie um canal de youtube logo ponho as minhas ideias em prática.


A imagem de abertura do programa -- que se chamaria Love is the air -- poderia ser, por exemplo, qualquer coisa romântica deste género:


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