Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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sexta-feira, novembro 24, 2017

Dos lobos





Tenho esta coisa com lobos. Acho que devem ser bichos inteligentes, cheios de energia e subtileza, escondendo mistérios e silêncios. Bichos cuja natureza há-de ser estranhamente próxima da minha.
Provavelmente estou a navegar. Sou menina sonhadora, da cidade, nunca sofri as durezas da ruralidade ou da fome, não conheci a verdade de umas mãos gretadas, não sei, de facto, o que é o medo paralisante. O que sei é do que leio, do que ouço, do que imagino. 
Desde pequena que ouço que os lobos são maus. E na serra vi as armadilhas. Deviam ser maus para terem que ser traiçoeiramente caçados em buracos. Comem ovelhas inocentes, atacam aldeias. 
Mas eu sempre me senti tentada a perdoar-lhes. A necessidade, o instinto. Não a vulgar maldade.

Acho que, se visse um lobo, ficava a olhar para ele e ele para mim. E acho que ele viria ter comigo. Devagar, devagar. Haveria de querer que eu lhe fizesse uma festa. E eu far-lhe-ia. Lobo, lobo, lobo mau... E ele ficaria imóvel, deixando que eu tentasse conhecê-lo. Lobo, lobo, lobinho. Eu a adivinhar os seus pensamentos, ele a adivinhar os meus, querendo descobrir afinidades, temendo não as descobrir. Pronto a atacar. Pronta a defender-me, pronta a destruí-lo. Pronto a destruir-me. Animais tentando reconhecer-se. Temendo a adversidade, pressentindo o perigo.

É como com os cães grandes. Dantes tinha tanto medo e depois perdi-o. Qualquer cão grande que se aproxime eu tenho vontade que eles se cheguem para eu lhes fazer uma festa.
O meu marido repreende, que não me afoite -- diz que não os conheço, que não sei como vão reagir. Mas é instintivo, eles aproximam-se, eu aproximo-me.
Por acaso, uma vez, fui com a minha filha e os miúdos visitar um quartel de bombeiros. Os miúdos adoram ver os carros, os tinonis, aqueles mecanismos, escadas, mangueiras, motores, luvas, capacetes. E, às tantas, vejo lá um caozão gigantão. Estava deitado a dormir e, quando nos viu a andar por lá, levantou-se e veio ter connosco. E eu, como sempre, estiquei o braço para lhe fazer uma festa. Ele, que já devia estar mal disposto com a nossa invasão em território à sua guarda, abre-me a sua bocarra, solta um rugido e mostra-me um ar feroz. Apanhei um susto, claro, não fosse ele ainda se atirar a nós, em especial aos miúdos. Recuei, sobressaltada, sem palavras.
A minha filha volta e meia fala disso para ilustrar a minha falta de medo ou de prudência.  

Mas, dizia eu, os lobos.

Os lobos são, pelo menos assim os imagino, bichos silenciosos, orgulhosos, delicados. Imagino-os a cruzarem a noite, passos cautelosos, respirando com a delicadeza dos seres superiores. Imagino-os a verem através do escuro, todos eles intuição, adivinhando os vultos, antecipando os perigos, resguardando-se para o desfrute solitário do prazer de existir. Assim os imagino. Hábeis, sábios, clarividentes, elegantes.

Já li livros com lobos. Salvam a vida de quem se deixa amar por eles.

Têm, ou assim os imagino, um pelo forte, à superfície áspero, macio como seda junto à pele, e exalarão um cheiro animal, selvagem, secreto. Terão uma respiração dócil. Outras vezes, bravia, pura sobrevivência, puro prazer de existir.


Se eu estivesse a caminhar à noite numa serra azul, tingida de magia -- as árvores como sombras esguias, talvez uma ténue lua em crescente, o frio cortando-me a pele, e eu cheia de medos, tremendo ao som dos ruídos indefinidos, piares de pássaros longínquos, murmúrios de folhagem rodopiando ao vento -- talvez sentisse, de repente, um arrepio cru na pele, talvez o coração se me acelerasse sentindo uma alteração no fôlego de um ser caminhando na minha direcção, o vapor quase invisível da sua respiração, os seus passos pisando as folhas húmidas, os musgos, as gotas pingando das árvores, eu na direcção dele, ele na minha direcção. Eu cheia de medo. Ele cheio de medo. Desconfiada eu dele. Ele de mim.


Receando-nos, farejando-nos, o coração descompassado, a respiração trémula, a pele sensível, passo após passo, o bafo cada vez mais perto, o dele, o meu, o secreto calor do nosso corpo -- e o silêncio cada vez mais cúmplice.

Depois ele veria o meu olhar húmido, a neblina envolvendo o meu corpo, sentir-me-ia desarmada, pronta para atravessar todos os medos, pronta a atravessar os perigosos labirintos, a cair no mais tentador dos abismos. E eu senti-lo-ia nervoso, fremente, envolto em bruma e solidão, corajoso como um deus do fogo, altivo como um pássaro distante. Caminharíamos ao encontro um do outro.

E não mais nos separaríamos. Um afecto feito de inexplicações, transportando memórias de tempos muito antigos e emoções vindas de uma profundidade onde não existem palavras, apenas lágrimas silenciosas, sangue latejante, olhares enfeitiçados. Para sempre. Para sempre.

Lobo, lobo, lobinho... 


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Histórias com lobos






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E o lobo que não esqueço


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Um dia muito bom a todos quantos aqui estão comigo.

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quinta-feira, novembro 23, 2017

Ó Adalberto...
diz-me que não és pouco esperto...


De vez em quando, a vida ocupa-me os interstícios temporais onde, quando os tenho livres, tomo conhecimento das nabices que preferiria ignorar.

Por isso, quando dei por ela, já meio mundo falava e eu sem perceber o que tinha acontecido. Num instante era a Agência do Medicamento que não tinha ido parar ao colo do Egocêntrico Moreira do Porto e, no instante seguinte, já era o Infarmed, qual Agência dos Pequenitos, aka little Ema, que para lá ia.


Não percebi qual o racional, qual a liaison entre os temas nem que raio de compensação atabalhoada era aquela. Nem percebi se tinha sido um foguete mental que rebentou antes de tempo, se foi um surto de meiguice por parte do ministro para com o macho alfa do Porto, se quê.

Admito que foi por ter ocorrido durante o lapso em que estive distraída, que, tivesse eu estado atenta, teria captado os fundamentos da coisa. Mas tão extraordinária é a medida e tão bombasticamente surgiu que não sei não.

Tudo o que aparece assim, aparentemente por apetência demagógica, decisão mal pensada, vontade de agradar a egocêntricos ou palhaçadas de outro tipo me incomoda.

Contudo, quero crer que o Adalberto --- que já me tinha arreliado quando foi ao Parlamento pedir desculpa pela legionela, feito caniche emocionalmente amestrado pelo Presidente Papa-Afectos Marcelo --- não é tão dado ao dispautério quanto me está a começar a parecer. 


Por isso, não me alongo na prosa. Vou dar o benefício da dúvida. Mas vou estar à coca, ah vou, vou.

E também vou estar à coca do que o menino Costa faz. Ceder a facilitismos com medo das reacções da CGTP em casos em que o que está em causa são os privilégios de classe (carreiras...? progressão na carreira com base na antiguidade...?) oh meus amigos, se voltámos a essa conversa bafienta, então, vou ali e já volto. Podem contar com o meu apoio quando acho que estão a defender os interesses do País e dos Portugueses no seu todo. Deixam de contar com ele quando enveredam por caminhos estreitos e que, inevitavelmente, levam a becos sem saída. E vergonha deveria ter a CGTP em estar a fazer exigências sem sentido e a avançar para greves absurdas quando esteve tão caladinha durante os sinistros anos em que o Láparo, o Portas, a Albuquerque, a Cristas e todos os demais ajudantes de campo andaram a dar cabo do País e da vida dos Portugueses. 


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Tomara.
(Embora, pensando melhor...)




Já aqui falei algumas vezes da grande impressão que me faz essa maldita doença. Também já contei da mãe de um colega meu e do que ele passou com ela. E já falei do desgosto que o senhor que fazia pequenas obras in heaven tinha por assistir, impotente, à degradação crescente da mulher, que deixou de conhecer os filhos, que andava atrás dele como uma criança carente, que se foi alheando de tudo, que deixou de se alimentar, que ficou reduzida a um inútil vegetal. E já falei do terrível desconforto que sentia quando, ao ir visitar a minha mãe à residência onde estava a recuperar de uma cirurgia, via pessoas aparentemente normais a fazerem as mais desconcertantes coisas. Alzheimer.


Sabe-se que a erosão começa bem antes de se manifestar e isso ainda assusta mais. Pensa uma pessoa que isso é com os outros e, sem o saber, já a alma se está a esfumar. O cérebro vai-se escondendo, a matéria negra suga-o. E a impressão que tenho é que, mesmo que se queira, mesmo que apareça a cura, já não será possível reconstruir um cérebro que esteja em tal processo de obscurecimento. 

No outro dia, quando a minha mãe, toda chorosa, se lastimava com o declínio físico do meu pai, como se fosse o pior que pode acontecer a uma pessoa -- e dizia, 'coitado... tão orgulhoso que era e agora tão dependente...se ele tivesse plena consciência do estado em que está...' -- eu disse-lhe que nem vale a pena estarmos com este tipo de conversa porque, para quem está a assistir, qual a forma mais aceitável de morte para aqueles que amamos? Não há. Portanto, é uma conversa que nem vale a pena. A minha mãe concordou.

Eu sei como é que eu gostava de morrer. Provavelmente é a mesma que toda a gente queria: sem aviso prévio, sem sofrimento, sem se dar por ela, sem dar trabalho a quem quer que seja. Mas, de facto, não é coisa que se programe ou que se escolha.
E se todas as doenças sem cura são assustadoras, esta é diabólica. A pessoa começa por assistir à sua despessoalização e acaba como um peso morto para os outros.


Detesto falar de doenças ou de temas mórbidos mas interessa-me conhecer o que se vai sabendo a propósito de algumas doenças. Em especial, fascina-me tudo o que tenha a ver com o cérebro, essa maravilhosa fábrica de abstrações.

Claro que, para o Alzheimer, há mil curas anunciadas e nenhuma verdadeira mas, entre falsas expectativas, inocentes esperanças e muitos baby steps, o caminho vai sendo percorrido e, não tenho dúvida, um dia saberemos prevenir, despistar antecipadamente, tratar esta como muitas outras doenças. O problema é o meanwhile

Embora, para dizer a verdade, também não sei bem o que será o mundo quando o planeta, exaurido, ressequido, estiver a transbordar de velhos saudavelmente imortais.

Entretanto, vou espreitando o que, nestes domínios, se vai fazendo ou sabendo. Partilho convosco dois vídeos que vi hoje.

A miracle cure? Horizon: Curing Alzheimer's




Closer to a Cure: Combating Alzheimer's With New Compute Technology



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E um dia feliz a todos quantos por aqui passam.

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quarta-feira, novembro 22, 2017

Contemplar. Escutar. Viver.




De vez em quando, estar no trânsito é uma bênção. Conduzir de manhã, o ar fresco a entrar pela janela e, na rádio, a música, a boa música. Por vezes interrogo-me sobre o que é isso da boa música. Música boa acima de qualquer subjectividade. Se, por exemplo, ouço Satie, o frio a tornar ainda mais limpo o céu tão azul, as árvores de um tom dourado, eu penso que há uma felicidade também acima de qualquer escolha. A felicidade absoluta que nasce de momentos assim, independentes das circunstâncias.


Desta vez a flauta, música oriental. E César Viana falando tranquilamente. E falava de música, de flautas com nomes misteriosos e de actividades surpreendentes como 'olhar as cerejeiras em flor', como 'contemplar o Monte Fuji'. E eu ouvi-o com encantamento.

Em tempos tive um colega e amigo que tinha uma mulher pianista e muitos filhos, uns músicos, outros pintores. Tinha uma imensa biblioteca, quase sem sítio para se sentarem, tantos os livros, tanta a tralha dos filhos. Espalhava lápis pela casa para que, quem deles precisasse, tivesse sempre algum à mão. Apesar da confusão que devia ser a casa dele, era, contudo, uma pessoa tranquila, quase silenciosa, e que tinha como passatempo olhar pássaros. Nessa altura, eu ainda sabia pouco da vida. Achava que viver era sinónimo de estar sempre a fazer qualquer coisa, e coisa com préstimo, palpável. Não percebia, pois, que alguém passasse horas a olhar para pássaros. Nem os fotografava, nem os desenhava. Nada. Apenas os olhava.

Hoje sinto saudades das nossas conversas e do prazer sereníssimo que transparecia das suas palavras. Fazia passeios em função dos pássaros que ia ver. Descrevia-os, descrevia os lugares diferentemente belos consoante a época do ano, falava das migrações, dos hábitos de nidificação ou acasalamento, falava de como sabia onde descobrir os pássaros. Tentava educar-me. 


E eu, assim, no carro, com as minhas recordações, entregue ao que ouço na rádio, longe, longe dos assuntos dos meus dias, longe, longe de problemas -- crises, desvios nos resultados, rácios da dívida, ebitdas, desmotivações, reestruturações -- longe, longe. 

E, então, enquanto ouço o som sereno da flauta, vou pensando como gostaria tanto de estar in heaven a olhar as árvores, a olhar o pouco musgo que vai rompendo, a geometria abstracta dos ramos quase nus das figueiras, o desenho harmonioso das sombras nas paredes brancas, a ondulação dos montes ao longe. E a ouvir o canto feliz dos pássaros.

Quando o trânsito flui, vejo com apreensão a aproximação do meu destino. Por vezes, chego à entrada da garagem e deixo-me ficar mais um pouco a ouvir a música ou as palavras dos entrevistados.  Falo da Antena 2, claro.


Foi o caso desta terça-feira de manhã. Momentos tão bons.

Depois desci às catacumbas onde a rádio não entra, estacionei e, de elevador, subi à torre onde as janelas não são janelas e não foram feitas para abrir. Quando entrei no escritório, esqueci a música e as maravilhosas actividades de que César Viana falou. E entrei no meu mundo tão cheio de problemas para resolver, tão intranquilo, tão preso às circunstâncias.

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Entretanto, recebi um mail de um Leitor que me deixou agradecida e generosamente recompensada. Sem lhe ter pedido autorização, tomo a liberdade de aqui o partilhar com todos vós:

Obrigado pela prosa feita poema. Uma pequena dádiva em jeito de agradecimento:


Sei que estás aqui, sempre estiveste.
A tua aura flanando sobre mim é que me veste.

Em todos os lugares encontro a marca dos teus passos.
No sonho me aconchego no enleio dos teus braços.

É inútil esconderes-te no seio dos segredos,
pois tenho a pele lavrada pelo tateio dos teus dedos.

Caminho nas nuvens seguindo o teu roteiro,
guiado pelo perfume do teu cheiro.

Risco no azul navegações de asas
em torno da febre que me consome
e é de ti toda esta fome
que me queima como brasas.



Kahlil Gibran sobre a Beleza


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Fotografias feitas in heaven

Lá em cima, César Viana tocando shakuhachi interpreta Yamato Choshi.

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terça-feira, novembro 21, 2017

Bruno Maçães e o seu pénis viral.
Lily Lynch acha que o tema é pequeno demais para tanta prosa.
E sobre isto o que me espanta mais é ainda não saber o que pensa o nosso Marcelo sobre tal epifenómeno.




Continua a polémica em torno da pilinha digital do Bruninho.


Agora a Lily diz que não quer estragar a vida do Bruninho e que, por isso, não vai divulgar as fotografias que ele lhe mandou. Não diz, mas eu depreendo, que o que lá se vê não abona a favor do dono. E diz ela que não vale a pena, que o assunto é pequeno. Para bom entendedor... Se bem que nisto, como é sabido, tamanho não é documento.


Diz também ela que nunca falou em assédio. Talvez uma brincadeirinha de mamãe e papai adaptada aos tempos correntes (digo eu). Não se julgue que há, nesta minha prosinha, algum laivo de juízo de valor. Não há. Zero. Cada um sabe de si. Presumo que a conversa entre ela e o garboso cavaleiro da Eurásia tenha decorrido numa de calorosa empatia em que, às tantas, inocente mental como o Maçães tem carinha de ser, achou que estava a pintar e a rolar um climinha e de tal forma que se lhe empolou o ânimo a ponto de o pirilau ter resolvido fazer-se à selfie. Isto digo eu. A verdade é que a Lily se condoeu com a figurinha e, face às insinuações de que é russa e outras coisas, já veio deitar água na fervura, a ver se a pilinha do Maçães sai de cena. Pelo menos da cena dela.

E agora vai mais longe, a Lily: diz que na terra dela é normal pregar partidinhas a políticos, só mesmo para os humilhar. Ou seja, parece que ele lhe enviou mesmo fotografias do que ele acha que é o seu lado mais fotogénico (e se non è vero, è ben trovato) mas que ela não se importou a ponto de se sentir molestada e que só o divulgou para gozar com ele. Mas que daí a estragar-lhe a vida vai um grande passo.

Pronto. Ficamos, então, assim. Também não me pronuncio muito mais sobre a cena porque, no meio de tanta maluquice, chega-se a ponto de não perceber nada dela.

De resto, dele não sei mais nada. Nem sei por anda anda. Parece que vai publicar um livro. Não se sabe se escrito por ele se por algum dos escritores fantasmas da nossa praça. Parece que é qualquer coisa na base do intelectual... mas não acredito. Talvez intelectual à moda dele, uma coisa na base da "pura imaginação". Só sei que, de tudo o que lhe conheço, tem ar de quem não tem os cinco alqueires bem medidos.

Transcrevo da Sábado:
Durante mais de um mês, o antigo "ajudante" de Paulo Portas – que se apresenta como "ex-ministro dos Assuntos Europeus" no perfil do Twitter –, conviveu com ruínas antigas, palácios restaurados, refugiados em fuga, jovens manequins russas (sim, leu bem) e combates de boxe em pavilhões seculares. 
E volta e meia vêem-se fotografias dele armado em bom. Estranho. Alguém com cara e corpo de Maçães, com um espelho em casa e os parafusos todos no sítio, ia achar-se um garanhão? Ia publicar fotografias suas, armado em bom no meio de mulherame? Um cagalhoças destes...? Desculpem mas não me parece normal. E ex-ministro...? Ui. A criatura não bate mesmo bem da bola.

Dela, da Lily, já por aí li que o facto de ser blogger não lhe dá o título de jornalista. É que os jornalistas sentiram-se atacados na sua honra de excelentes profissionais (upa, upa na excelência) ao ter aparecido umazinha a assumir que mantém conversas com totós que lhe mandam fotografias da genitália. Jornalista que se preze não dá bola a totós. 


E, tirando toda esta pequena polémica, nada mais tenho a dizer a não ser que, se ele é mesmo disso, de andar a tentar cativar garinas internéticas exibindo os seus dotes baixos, então, certo e sabido que, mais dia menos dia, vamos mesmo ter por aí em circulação a pilinha virtual do Bruninho.

Esta não será uma das tão propaladas dick pics do Bruno Maçães
mas é uma pilinha que não renega a sua orientação partidária,
ou seja, uma pilinha do PSD --  of course


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Tirando isso, já soube que o nosso Presidente já estava mesmo à espera que o Porto não fosse escolhido para sede da Agência do Medicamento. Sabe tudo, o nosso Presidente. Quem sabe um dia destes não nos presenteia com a chave do Euromilhões. 


E, numa de afago à auto-estima, ouvi um senhor a dizer que, se fosse pelo mérito, tinha ganho o Porto mas que tinham querido uma cidade do norte da Europa e que, entre as três primeiras cidades, figurava Milão que, dizia ele, já é quase na Áustria ou seja, uma cidade do norte da Europa. Me engana que eu gosto. Um país habitado por zés pacóvios.


Ah, sim, outra novidade. A minha Beny desfilou como anjinho da Victoria's Secret na China. Ia disfarçada de Bella Hadid mas não despistou ninguém: era ela.


Aborrecido foi que a bela chinesa Ming Xi, ao desfilar dando às asinhas, tanta a alegria, derrapou e foi uma um trambolhão dos antigos. O terror das modelos. Ela bem continuou a rir mas coitada.



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Bem. 
À falta de mais notícias, termino com um gif 3D da autoria de Kate Bones

Glastonbury’s gay nightclub



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Lá em cima a União das Tribos e o Tim interpretam Sozinho num vídeo a não perder


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E um dia feliz a todos quantos por aqui passam.

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segunda-feira, novembro 20, 2017

Bruno Maçães mostrou o pirilau, por fotografia, a Lily Lynch
-- e ela não gostou
[Isto segundo a Visão -- que eu não fui presenteada com a dita gaitinha e, portanto, não posso confirmar nem ajuizar porque terá sido que ela não gostou]


Ainda no outro dia eu soltava uma lagrimita virtual, com saudades dos queridos pafiosos de quinta categoria que durante uns anos alegraram a minha prosa. Enquanto os chefes Láparo & Portas faziam porcaria da grossa a torto e a direito, preocupando-me e irritando-me, uns quantos figurantes animavam os meus dias com as macacadas que davam à luz.
Não posso incluir a Marilu dos Swaps, o Gaspar pré-FMI, o Relvas antes e depois da pseudo-licenciatura, a Cristas do palavreado oco ou alguns outros que tais no grupo dos figurantes pois, pelos actos praticados, têm que fazer parte do naipe dos que por pouco não deram cabo do País. Deverão estar no pódio da nossa memória como alguns dos actores principais de uma desgraça que durou 4 anos. 
Referia-me eu a artistas como o Lombinha dos Briefings ou o Maçães das Polacas. 


Por não passarem de uns artolas que passaram pelo Governo sem terem dado uma para a caixa e, pelo contrário, deixando um rasto de nonsense, de ridículo, de incompreensão ('como é tal absurdo possível...?!' -- interrogavamo-nos de cada vez que apareciam), para sempre os veremos como o epítome do lado absurdo, burlesco e deslumbrado do passismo.

Muitas vezes aqui escrevi sobre Bruno Maçães: uma figurinha em bicos dos pés, fazendo-se passar por governante, sentindo-se importante. Um personagem cómico como vários outros do período negro que Cavaco Silva tão cuidadosamente protegeu. Qualquer coisa naquele Brunocas me fez, desde logo, perceber que estava ali um malandreco, mas um daqueles malandrecos de tipo cromo, bom para figurar numa galeria de patarecos mal resolvidos.


Foi, pois, sem surpresa que li a notícia:

Jornalista acusa Bruno Maçães de lhe enviar fotografias obscenas intimidatórias


(...) Bruno Maçães, ex-secretário de Estado dos Assuntos Europeus de Passos Coelho, foi hoje acusado de assédio no Twitter por parte de uma jornalista e o assunto está há várias horas a liderar os temas da rede social em Portugal. Lily Lynch, uma jornalista californiana co-fundadora e diretora do site Balkanist, alega que o antigo secretário de estado português manteve com ela conversas indesejadas que considerou assustadoras e que lhe enviou “dick pics” (fotografias explícitas de partes íntimas).(...)


E, francamente, só tenho pena que Lily Lynch não mostre as dick pics que o Maçães lhe enviou para eu poder ajuizar. Esta prosa poderia ser mais suculenta se pudesse ser abrilhantada com a imagem do pénis do ex-Secretário de Estado de Passos Coelho. Poderíamos, então, avaliar se seria coisa que impusesse respeito ou se teríamos que disfarçar o riso tal como o fizemos de cada vez que, na era passista, o víamos a armar-se em importante.



Assim, não posso adiantar mais nada. Só que estou solidária com a Lily quando ela se queixa:



A minha dúvida é a que é que ele se refere quando lhe responde, dizendo: uma coisinha frágil. Será que está a falar do seu little dick?

Na volta é. A desculpar-se. 

Enfim.

Este Maçães teima em não passar à história e continua a ser pelos mais hilariantes motivos. Ca ganda maluco.


A cabeça serve a Maçães para coisa nenhuma. E o pénis, pelos vistos, vai pelo mesmo caminho. 


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E agora, caso queiram esquecer o troloró Maçães, convido-vos a descer até aos dois posts abaixo: as fotografias que fiz no Ginjal deram o mote.

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A impossível palavra da verdade



Love me... love me... love me
Say you do
Let me fly away
with you
For my love is like
the wind
And wild is the wind

Escuta. Encosta o teu coração ao meu. Sente o vento suave, a doce aragem. Como uma seiva amorosa por entre o vento, eu ouço a tua voz silenciosa, tão minha, uma voz que só eu ouço. São as tuas palavras que alimentam o ar que respiro.

Da parede em azul ergue-se um pássaro, um bluebird, um secreto bird que acaricio entre as mãos -- meu passarinho, meu passarinho louco que queres acolher-te no seio de quem não sabe como guardar-te. Conto-lhe segredos, espero que adivinhe os meus mistérios. Ouves? Adivinhas?

Recolho-me a um silêncio só meu. Se as palavras não sabem dizer o que o coração grita, então que fique o silêncio, um silêncio impossível, um silêncio nu, sem disfarces. Com ele pinto o céu de azul, nele deixo voar o meu bluebird, com ele encho de luz as manhãs claras e com ele recolho palavras nos céus. E, sabes?, com elas construo um mundo só meu. E teu.


Deram-me o silêncio para eu guardar dentro de mim
a vida que não se troca por palavras.
Deram-mo para eu guardar dentro de mim
as vozes que só em mim são verdadeiras.
Deram-mo para eu guardar dentro de mim
a impossível palavra da verdade.
Deram-me o silêncio como uma palavra impossível,
nua e clara como o fulgor duma lâmina invencível,
para eu guardar dentro de mim,
para eu ignorar dentro de mim
a única palavra sem disfarce –
a palavra que nunca se profere.

Adolfo Casais Monteiro
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Fotografias feitas no Ginjal

Nina Simone interpreta Wild is the wind

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E queiram descer até ao olhar do tigre azul também no Ginjal

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Um olhar cravado na pele
[Isto é, na parede]




Podia um dia, caminhando sozinha, sentir o bafo ainda quente de quem por aqui passou antes de mim. Podia um dia, rasando paredes abandonadas por onde um dia a vida aconteceu e agora já não, sentir que um olhar longo pousou um dia em mim e em mim ficou colado para sempre.

Podia nada dizer, as palavras esvaídas, as saudades magoadas, o frio à flor da pele, passar rente ao rio, e, de repente, sentir que uma mão me prende, um coração bate junto ao meu, e eu avançar sem vontade, querendo entrar por dentro das paredes, procurar o dono do olhar, o dono da respiração que, para sempre, sentirei junto a mim.

Podia em dias de azul ficar-me apenas contemplando as águas, o céu, a luz do dia. Mas não. Caminho transportando em mim a memória de palavras vindas de um outro tempo, a memória de um sorriso pousado no meu, e cores, mil cores rasgando os meus segredos, mil cores desafiando a emoção que escondo no mais fundo de mim.

Terá sido um tigre que um dia cruzou os meus passos, um tigre azul que ninguém viu mas que acariciou o meu coração? Terá sido um tigre com uma alma vadia que cruzou céus e mares para vir deitar-se junto à fogueira que arde no meu coração?

In what distant deeps or skies 
Burnt the fire of thine eyes? 
On what wings dare he aspire? 
What the hand dare sieze the fire? 


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Fotografias feitas no Ginjal.

"The Tyger" de William Blake é aqui lido por Tom O'Bedlam

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domingo, novembro 19, 2017

A pesporrência de Clara Ferreira Alves.
Mais do que me apetecer debater as notícias de que tomei conhecimento na cabeleireira ou querer saber porque é que não há duas impressões digitais iguais ou porque é que acordo todos os dias com a mesma alma dentro de mim, o que eu gostava mesmo de saber é se há alguém à superfície da Terra que ainda tenha pachorra para aturar a Clara Ferreira Alves


O meu sábado foi bem preenchido de manhã à noite. Não vi televisão nem ouvi notícias. Espreitei agora as notícias e dá-me ideia que nada de relevo.

De manhã fui à cabeleireira. Já não ia desde o verão. Até há pouco tempo não ia. Depois ganhei-lhe o gosto. Mas a coisa há-de ser espaçada. No entanto, quando lá estou, gosto. Um mundo paralelo. As conversas que ouço... O que percebo do que falam...

Hoje, uma veio lá de dentro toda gira. E elas a gabarem-lhe as sobrancelhas. Bem desenhadas. Pensei: Terá ido arranjar as sobrancelhas? Depilá-las...? Mas eis que a que me tratava do cabelo lhe perguntou: Então e doeu alguma coisa...? Ao que a dona das ditas disse: Não. Só no fim, quando a anestesia estava a passar... Mas nada de mais... E aí eu pensei: Anestesia..? Mas num cabeleireiro dão anestesias...? E anestesia para arrancar pelos das sobrancelhas...? Que mariquice...

Agora cá em casa, com as meninas, comentei. Uma disse: Devia ser tatuagem. E outra: Deve ser aquilo a que se chama microblading.

Nunca tinha ouvido falar em tal coisa. Tatuar sobrancelhas. Microblading. Fui googlar. É mesmo. 

Depois uma jovem falava com a especialista em nails. Falavam em desenhos, em cores, em brilhos. Gosto particularmente destas conversas. Rosa brilhante, metade de cada côr, fúcsia com estrelas, azul mar, numas, espuma brilhante, noutras. Depois ouço o conselho: Eu, se fosse a si, escolhia bailarinas. Silêncio. A cliente a consultar o catálogo. Depois: Sim, gosto. Bailarinas!. Relatei à mesa de jantar. Uma das meninas estranhou. Eu imaginei minúsculas bailarinas desenhadas artisticamente. Mas outra menina explicou: Bailarinas tem a ver com o feitio da unha, comprida e a ir em bico mas a ponta a direito, como os sapatos das bailarinas em pontas.

Outra novidade absoluta. Também já fui conferir. Não. A mim não me convencem.

Aprendo também imenso com as revistas. Mal chego, antes de me sentar, vou abastecer-me.

Partilho convosco algumas coisas relevantes que colhi.

  • Que o Manuel Maria Carrilho perdeu num processo contra a Maya e creio que contra o Graciano que terão dito qualquer coisa que não lhe agradou, 

  • que a Luciana Abreu também anda na justiça com o pai, e que está grávida de duas meninas e que no outro dia foi ao hospital mas foram todos muito simpáticos com ela,

  • que meio mundo se separou do outro meio mundo e que parte desse meio mundo se troca e destroca com outra parte. 
  • E que uns, apesar de destrocados, continuam a apoiar os outros e que alguns nem por isso, especialmente quando há filhos envolvidos. 
  • E que uns estão bem sozinhos, outros estão apaixonados, outros com vontade de terem filhos 
  • E outros sem essa necessidade já que gostam muito dos sobrinhos. 
  • E que há bloggers que são famosas por serem bloggers e que as mais famosas são as que falam da sua vida de mães com filhos
  • E que há actrizes de novelas que têm blog e uma até diz que o dela é ela que o escreve mas que há outros que são pura fancaria escritos por fantasmas.
  • E que há bloggers que lançam livros e vão com a família toda atrás pois a família é a matéria do blog.

  • E que a Jessica Athaíde é filha de uma relação extra-conjugal (quem é a Jessica Athayde...? -- Esclareço: é a menina aqui ao lado, aquela que, há tempos, incendiou as redes sociais com a sua perna grossa e a sua barriguinha algo proeminente) 

  • Vi também que o Presidente Marcelo apoiou a Cristina Ferreira com a sua revista Cristina e que ela usa muito os ensinamentos dele.


Mas não reparei na idade das revistas pelo que não sei bem qual a linha do tempo das notícias. Mas isso não interessa já que é tudo demasiado extraordinário para que a cronologia possa atrapalhar.

Agora, a noite bem adentrada, aqui na sala, em sossego -- já sem jogos de futebol, a rapaziada em grandes remates e grandes defesas, sem as gracinhas do bebé, já a querer levantar-se, e a mana amuada porque a tia a mandou assoar-se -- reclinei-me no sofá e pus-me a cirandar pelos vídeos que o youtube me recomenda.

Um agradou-me. Neil deGrasse Tyson and popstar Katy Perry discuss the science of human individuality and uniqueness. Uma conversa com piada. Também partilho.


E, estando eu por aqui, nesta na suave preguiçota, eis que, inadvertidamente, sofro a invasão do grupo dos déjà-vu. Dizem-se, repetem-se, contradizem-se, não acrescentam, patinam, maçam. Houve um tempo em que havia alguma frescura naquilo. Nos primórdios. Agora o Eixo do Mal é mais um daqueles programas onde os papagaios vão papaguear o que ouviram a outros iguais a eles. Há uma série de programas do género. E eu já não suporto nenhum. Se, em tempos, alguns deles tiveram ideias genuínas e inovadoras naquelas cabeças, tantos programas depois, já estão esgotados. Mas insuportável mesmo, mas uma coisa já de pele, alergia mesmo, é o que sinto com aquela convencida arrepelada, aquela arrogantezeca. Não se aguenta. A forma como ela fala. Sobre qualquer assunto, mesmo quando notoriamente não é tema sobre o qual tenha competência, ela põe o se ar mais irritantemente blasé para começar: 'Eu explico.' E avança, desfiando lugar comum atrás de lugar comum, como se estivesse a explicar alguma coisa. Intolerável. Uma maçadora emproada armada em maria-cagona, toda prosa. Zapping com ela.


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E agora zapping comigo.

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Tom Waits assedia uma idosa
mas eu sei de algumas atenuantes


Gosto do Tom Waits e não é por vê-lo a assediar uma velhinha que vou passar a gostar menos. De resto, a velhinha não se ralou nada. E ele tem um sentido de humor que me diverte imenso. Não sei se a conversa é dele, se é um qualquer script. Não interessa. Gosto.

Dantes dizia-se 'galar'. Acho que é o caso:

Tom Waits apanhado a galar não uma frangota mas uma galinha-feita (digamos assim) numa festa.


Mas conheço-lhe outros registos

Tom Waits - Watch her disappear

Last night I dreamed that I was dreaming of you


Para que se faça uma trilogia, encerro com Tom Waits numa canção de amor

Well I hope that I don't fall in love with you
'Cause falling in love just makes me blue
Well the music plays and you display


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sábado, novembro 18, 2017

Wes Goodman seria aprovado pelo presciente Dom Manuel Clemente.
Upssss....! Se calhar... não...



Já contei que tenho um amigo de quem muita gente diz que tem todo o ar de ter um piquinho a azedo. Isto dizem os subtis. Outros dizem outras coisas menos finas. Uns quantos, sem ele sequer imaginar, referem-se a ele como Madame Claudette. Eu não sei. Do que lhe conheço não o diria muito viril mas, quanto ao resto, não sei.

Agora uma coisa eu sei: não conheço ninguém que tenha maior reportório de anedotas de gays. Não há ocasião em que ele não se saia com uma. E é frequente, quando chega a um sítio onde estejam conhecidos, arranjar maneira de dizer piadas que metam gays. E, por ele, parece que meio mundo é gay. Tínhamos um colega, bem mais novo, que ele farejava como gay. E um dia veio contar-me que tinha visto o outro num bar com um amigo e que tinha a mão em cima da mesa, como que à espera que o outro a segurasse. Eu olhava para o rapaz e não lhe via jeito nenhum de ser gay mas o meu colega advertia-me que isso, na maior parte das vezes, não se vê. Ele lá sabe.

E vem isto a propósito de quê? Anda por aí um sururu sobre umas afirmações do Cardeal Patriarca Manuel Clemente que parece que prefere padres que gostem de mulheres (ainda que apenas platonicamente, I suppose). Não quer lá nos conventos padres que sonhem com marinheiros ou bombeiros ou que, à noite, quando estão com frio, saltem para as caminhas dos colegas e vão aquecer os pés no meio das pernocas peludas uns dos outros (isto admitindo que as depilações também são proibidas nos seminários).


Portanto, tivesse ele conhecido o bom do Wes Goodman -- casado e pai de família, todo machão, tdo militantemente anti-gays, todo só a favor dos casamentos naturais, homem-mulher, todo ele a boa consciência dos conservadores, cristãos, com uma mulher igual, organizadora de uma marcha anual anti-aborto -- e logo teria pensado que, não se tivesse o Wes casado, seria certamente um bom evangelizador da santa igreja católica, um caridoso e bom pároco, mas mesmo dos bons, daqueles viris certificados que dão uns padres a preceito.


A gaita é que o bom do Wes, afinal de contas, era um daqueles de tipo faz o que eu digo, não faças o que eu faço. E, para pasmo geral, um destes santos dias foi apanhado em flagrante a pinocar com outro homem. No gabinete. Truca-truca, anda cá que és meu.

Deputado republicano anti gays demite-se após ser apanhado a fazer sexo com homem

Surpresa, surpresa. 

Agora já veio pedir desculpa à comunidade e diz que se vai dirigir a um novo capítulo da sua vida, seja lá o que isso quer dizer. Claro que se se tratar (que essas maleitas tratam-se, não é?) e conseguir voltar a ser completamente anti-LGBT, pode sempre vir até Portugal a pedir asilo ao cardeal Clemente.


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A propósito disto de coiso e tal no gabinete, lembro-me sempre de um meu colega, casadíssimo, apaixonadíssimo pela mulher e, em simultâneo, um sedutor compulsivo, que conseguia que o mulherame se apaixonasse perdidamente por ele. Não têm conta as que lhe conheci. Namorava com elas à descarada e elas adoravam-no, perdoavam todas as suas traições. 

Um belo dia, pediu a um certo administrativo que lhe preparasse um apanhado qualquer e pediu urgência. O homem ficou a trabalhar fora de horas para lhe entregar aquilo. E ele, no gabinete, presumo que à espera. Mas, hiperactivo como era, ou não teve paciência para esperar sentado ou recebeu visita de admiradora -- o certo é que a coisa se deu logo ali mesmo, em cima da mesa de reuniões que tinha no gabinete. Pois bem, estava o meu colega no truca-truca com essa sua namorada, uma senhora também bem casada, quando o dito funcionário bate ao de leve e, na maior inocência, abre a porta, dando de cara com aquele forrobodó.

No dia seguinte, mal cheguei ao meu gabinete já um outro colega estava a vir atrás de mim a saber se eu já tinha ouvido da bronca. Nada. E ele 'O coxo apanhou o X. em cima da F na mesa do gabinete'. E eu espantada, ainda sem captar a essência da coisa: 'Em cima? Mas em cima como?'. E o outro 'Caraças. A papar a F.'  E eu de boca aberta. E ele 'Faça de conta que não sabe de nada. Foi o nosso Presidente que me contou mas pediu segredo'

Passado um instante, um telefonema da Secretária do Presidente, para eu ir ao gabinete dele. Mal lá chego: 'Já soube do X?' E eu: 'Não....' E ele, num stress e ao, mesmo tempo, divertido: 'O coxo apanhou-o em cima da F.'. E eu a fazer de conta que não sabia de nada: 'Não...'. E ele: 'Ouça. Já chamei o coxo e já lhe disse que não contasse a ninguém.' E eu : 'Mas como é que soube?'. 'Pelo próprio X. Mal aqui cheguei, apareceu-me com o rabo entre as pernas, a contar. Chamei logo o coxo. Acho que a coisa está controlada. Ninguém vai saber de nada. Já viu a barraca que seria...? Um director a ter relações com a tesoureira na mesa do gabinete...? Uma barraca...'. 

Pois, pelo menos entre os directores, não se falava noutra coisa. Tudo divulgado pelo Presidente. Perante o insólito da situação ninguém se detinha para se lembrar do nome do funcionário que dera com a cena. Sabia-se que era coxo e só por aí já toda a gente o identificava, não havia lá outro.

Anos depois, numa remodelação qualquer, aquela mesa veio parar ao meu gabinete. E era inevitável que alguém sempre dissesse: 'Se esta mesa falasse...'. Ou, se alguém desconfiava que alguma coisa se poderia passar fora de horas em algum gabinete, logo se dizia: 'Mais vale despachar já o coxo para casa, não vá ele lembrar-se de ficar a fazer horas'

Mas, lá está, gostando de mulheres como o meu amigo gostava, o Cardeal Clemente aceitaria, de bom grado, que ele ingressasse na carreira eclesiástica. Santinho como ele era, haveria de dar um bom conselheiro matrimonial.

[E se falo no passado é porque infelizmente foi um daqueles que partiu cedo de mais. Muito cedo. Não tenho tido muitos colegas brilhantes mas este foi, seguramente, um deles. No velório lá estavam todas as suas namoradas, entre elas a protagonista da célebre cena da mesa. Choravam tanto quanto a viúva. Era um homem que vivia a vida de uma forma gloriosa].

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Quanto ao Wes, ao Cardeal Clemente e a outros anti-gays encartados nada mais tenho a acrescentar. Podia dizer que desejo que sejam felizes e tenham muitos meninos mas, lá está, se calhar isto de terem muitos meninos ainda pode prestar-se a alguma confusão, mais vale ficar-me pelo 'muito felizes'.


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PS:

É verdade... Tenho uma dúvida. Só ouço falar na sexualidade desejável para os padres. Então e a das freiras? Quais as preferências do Cardeal? Podem ser das que são meiguinhas umas com as outras ou também devem ser das que gostam só de beijinhos de homens? 


Ah, este Cardeal Clemente gosta de uma polémica, ah gosta, gosta. Ora vejam bem o tema que ele trouxe para cima da mesa: Igreja vai fazer testes para proibir seminaristas gays. Então isso são lá testes que se façam, oh Senhor Cardeal...? Mas pronto, se insistir, não me importo de fazer parte do júri de avaliação. 


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Já agora.


É um cristão gay?  -- pergunta-lhe o Rowan Atkinson




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E um belo fim de semana a todos quantos estão a ler estas palavras.

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sexta-feira, novembro 17, 2017

Assunção Cristas e Marcelo estão em sintonia.
Jingle bells! Jingle Bells!

[O turbilhão da vida. Gosto.
Puro excesso. Tenho que conhecer.]



Já vi iluminações de Natal nas ruas, rotundas e praças. A meio de Novembro e já a rua se ilumina para acolher o Pai Natal. O Pai Natal ou o Menino Jesus. Quando eu era pequena, era o Menino Jesus que dava presentes. Ainda havia uma mística com cheirinho a religião. Veio a Coca-Cola e profanizou a cena. De um recém-nascido nuzinho, nas palhinhas, passámos para um barrigudo, barbudo e de pijama encarnado. Mas, claro, whatever. No outro dia, o que em tempos foi o ex-bebé da família e que agora está um rapagão enorme de seis anos, perguntava à mãe se havia mesmo Pai Natal. A mãe respondeu que isso era ele que tinha que descobrir. Ficou-se. Um desafio que vai querer superar.

Adiante. As lojas estão cheias de atractivos, luzinhas, ar de Noël. Ainda mal a gente não se despegou das roupas de verão e já é isto. Ao longo do dia, vou recebendo sms com promoções de toda a espécie e feitio. De perfumarias recebi hoje duas. Ontem outra de outra perfumaria.  Nem vejo. Melhor: nem vejo as outras. Descontos na segunda peça, bónus de não sei quantos euros, promoções que chegam ao 50%. Corrijo: espreito. Mas fecho logo a sms e não vou conferir às lojas.

Mas isto dos perfumes... que sacrifício tenho que fazer para não ir a correr para trazer uns quantos. Bem. Não precisava de ser muita coisa. Só para aí um Chanel. Um de cada perfumaria, bem entendido. Mas tenho resistido.

Ontem, ia a passar e deu-me o cheiro. Quando virei a cara, já vinha uma menina na minha direcção a dar-me uma fitinha com o novo Nº 5. Caraças. Que cheirinho. Um toque diferente. Mas, claro, upa, upa. Enfiei logo a fitinha dentro da carteira. Fica a perfumá-la. Cheirinho mais bom...

E, com isto, claro está que já aí estão os anúncios de perfumes. Um luxo.

Perfumes e jóias. Ah, o que eu também gosto de jóias. Dantes, quando eu dizia jóias referia-me a minudências que se vendiam em ourivesarias. Pérolas, por exemplo. O que eu gosto de pérolas. Tenho um colar em duas voltas de genuínas pérolas com um fecho em ouro e brilhantes. Tão bonito. Depois, uma vez, cedi ao facilitismo e comprei um longo, de pérolas de criação. Outros tempos. Sou completamente de outros tempos. Mas facilmente me adapto ao air du temps. Agora, quando falo em jóias, refiro-me a bugigangas a bom preço que se vendem por todo o lado e tão bonitas ou ainda mais do que as outras. 

No outro dia fui ao Continente. Ao passar, sempre à pressa, pareceu-me ter uma ilusão de óptica. Voltei atrás e era mesmo um expositor cheio de colares e brincos. Bonitos que só visto. Trouxe um colar giríssimo por 7€. Um fio elegante com umas quantas pérolas em rosa-chá intercaladas com pequenas bolinhas de ouro. Chique, chique.

Bem. 


O primeiro vídeo tem a Keira Knightley e trago-a aqui mais pelo que ela canta. Le tourbillon de la vie, antes interpretado pela Jeanne Moreau e que mais tarde a Vanessa Paradis reproduziu. Não terá a Keira uns dotes vocais ou uma sensualidade provocante que fiquem para a história mas, também, bolas, não queiramos tudo a toda a hora. Não canta...? Ok. Não canta mas encanta. E isso não é pouca coisa. Digo eu.

A seguir, um outro vídeo, daqueles que a gente até tem que respirar fundo. XS. Pure XS. Puro excesso. Não conheço o perfume. O meu compagnon de route usa o mesmo perfume há cinquenta mil anos, o Acqua di Gio de Armani pelo que não tenho pretexto para andar a experimentar perfumes masculinos. Mas o vídeo do Paco Rabanne é todo ele um excesso. Um excesso em bom. Um bom excessivo. Se bem que isto, o que é mesmo bom, nunca é excessivo.

Enfim. Adiante. Avialiemos.




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E jingle bells para todos


E, em época natalícia, uma boa notícia:

Assunção Cristas e Marcelo estão em sintonia.


Não sei se apenas sobre incêndios sobre se mais. Não interessa. Mesmo que apenas sobre isso, já é bom. Nem li o corpo do artigo, bastou-me o título. Boas, boas notícias. O país pode respirar. Estamos salvos. Com a Cristas a vender postas de pescada e o Marcelo a distribuir afecto, já ganhámos. Um salto quântico no desenvolvimento rural, na problenáutica da falta de água e na qualidade de vida em geral já cá cantam. Grande dupla. Só falta o Santana Lopes para se ter a neo-troika perfeita.


Jingle bells!

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quinta-feira, novembro 16, 2017

Charlot e o nonsense. Charlot e o circo.
Passos Coelho e Miguel Relvas.
Tecnoforma, aeródromos, heliportos e outros baixos voos.
Graves irregularidades, ou mesmo fraudes na gestão de fundos europeus.
Mas mesmo que o Ministério Público se tenha feito de ceguinho, nós não nos esqueceremos: Láparo & Relvas nunca mais!


Mas antes, se estiverem de acordo, que entre o homem da canção do nonsense


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Andando eles tão caladinhos, cada um em sua moita, eis que sabemos que o Láparo e o seu criador, o saudoso Vai-Estudar-ó-Relvas, não foram vistos com bons olhos por quem, lá fora, investigou o que a pouco-habilidosa dupla fez enquanto praticava as suas artes e manhas na iniciativa privada relacionada com fundos europeus.


Passaram-se os mal-feitos na altura em que ainda não se tinham arrimado ao poder. Pouco depois, haveriam de lá se alcandorar para, com o beneplácito da dupla de Fadas-Madrinhas Cavaco & Cavaca, darem cabo do País.

Por algum motivo que Freud explicaria, muitos portugueses resolveram acreditar no que a dupla Passos e Relvas prometia. Deram-lhes o voto e, ao longo de quatro anos, incompetentes, impreparados, mal orientados... foi o que se viu. Iam escaqueirando Portugal.

Os portugueses são crentes e demonstram-no a toda a hora. Aqueles dois traziam de experiência o que se sabia mas, ainda assim, tiveram seguidores e devotos. E, mesmo vendo os disparates consecutivos que faziam, ainda houve gente crédula (e, quiçá, um bocadinho mentecapta) que continuou a acreditar que dali haveria de sair um pinto. Pinto não saíu já que nem para chocar ovos aqueles dois servem mas saíu muita gente do País, muitas empresas relevantes foram parar a mãos estrangeiras e a qualidade de vida regrediu. E tudo a troco de nada.

Agora isso é passado. Corre o ano da graça de 2017, Passos foi apeado do poder e está de saída do PSD e da política nacional, saindo pela porta baixa. Relvas, essa raposa velha, está de mulher nova, filha nova e voltou aos terrenos em que se move bem: os negócios que, segundo consta, circulam nos circuitos bem oleados onde corre dinheiro nem sempre bem explicado. E os crentes que tanto os apoiaram, sabendo agora que Bruxelas diz que houve fraude na empresa de Passos Coelho, assobiam para o lado, fingem que não viram, que não sabem. Percebo-os. Mesmo que não o assumam, devem estar roídos de vergonha.


Talvez Marcelo, com a sua veia justiceira, tome a si a defesa dos lesados (todos nós) e encabece uma luta sem trégua contra os alegados fautores de tão ignóbeis actos, exigindo que a os danos sejam reparados e os malfeitores punidos.

E isto de que agora falo soube-se há já uns três ou quatros dias. Andava noutra, não falei no assunto. Hoje pensei que já não era tema, que não ia falar de uma coisa de há dias. Mas é tema, sim, é tema e será tema enquanto houver um apoiante das políticas do Láparo à superfície da terra.

Para quem não leu e não está bem ao corrente e para que aqui conste, pro memoria, do DN transcrevo:
(...) De acordo ainda com o Público, o OLAF conclui que "foram cometidas graves irregularidades, ou mesmo fraudes, na gestão dos fundos europeus" atribuídos entre 2000 e 2013 aos projetos da Tecnoforma e a outros cujo titular foi a Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE), mas cuja execução foi subcontratada em 2006, à empresa de Passos Coelho. (...)
Em relação aos aeródromos e heliportos, os peritos da Comissão Europeia concluem que "o processo de candidatura elaborado pela empresa está viciado" acrescentando que "esta situação pode efetivamente ter tido origem nas relações pessoais e/ou políticas existentes entre os diferentes intervenientes". Para os auditores "as pessoas em causa, gestor do programa (Paulo Pereira Coelho, presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Centro e ex-dirigente da JSD), secretário de Estado (Miguel Relvas), e consultor da empresa (Pedro Passos Coelho), poderiam influenciar e/ou favorecer, em qualquer fase, o projeto de formação, em detrimento de outros". 

Que eu tenha visto, pouco relevo tem sido dado a estas notícias. Mas gostava de saber o que dizem disto os devotos da dupla. Nomeadamente, gostava de saber o que acham disto os dois candidatos ao lugar ainda ocupado pelo Láparo que agora se perfilam como seus lídimos sucessores, admiradores, seguidores.

 

Santana Lopes e Rui Rio continuarão a gabar a criatura criada pelo Relvas? E a iluminária que dá pelo nome de Hugalex, aka Hugo Soares, continuará a beijar o chão que o Láparo pisa?


As televisões não vão promover debates para esmiuçar o caso? Porque não? É tema non grato? Non grato para quem?

Do Observador, vejo também:

O Ministério Público arquivou o processo que envolvia o antigo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, e o ex-Secretário de Estado, Miguel Relvas, por suspeitas de corrupção, abuso de poder, participação económica e prevaricação através da empresa Tecnoforma. Os investigadores também consideraram não ter existido crime na atividade da empresa — alvo de um processo da OLAF (Organismo Europeu de Luta Antifraude). Mas este considerou existirem fortes indícios de fraude na obtenção de financiamentos europeus.

Não admira. Este é o Ministério Público que temos. Umas vezes vê de mais, outras de menos. Na conta certa é que não tenho ideia de ter visto. E não deveria ser esta outra causa a abraçar pelo Presidente dos Afectos? A de garantir a calibragem da actuação do Ministério Público? Ou isto não dá selfies e não põe as televisões atrás?

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No Circo


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E nada mais por agora a não ser referir que, uma vez mais, os cartoons provêm do We Have Kaos in the Garden.

Estou perdida de sono, incapaz de desenvolver mais do que isto.
Portanto, com vossa licença, vou ali pregar para outra freguesia.

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