Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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segunda-feira, junho 27, 2016

Futebóis, Ronaldo in The Last Game, Eleições em Espanha, Passacailles, Fotografias de Rua, Metáforas.



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Depois de ter partilhado convosco o vídeo que a grafómana Gina G. fez para mim, pus-me por aqui a circular pela net. O meu dia foi tranquilo, praia de manhã, depois arrumações em casa, cozinhar, tratar da roupa, passeio a pé ao fim da tarde. Não vi televisão, não li jornais. 

Só há pouco soube que o ensarilhanço em Espanha se mantém -- e isso dá-me vontade de rir.

Quando a nossa comunicação social se faz eco das bocas que os ex-pafs vão passando e que tentam fazer-nos crer que em Bruxelas aqueles artolas andam preocupados com as medidas do governo português, só mesmo gente descerebrada é que pode cair nessa: com uma Espanha com um governo em gestão há meses, com um Reino Unido tem-te não caias há meses, com uns países a serem corroídos por dentro pelos vermes do xenofobismo e do populismo, só mesmo totós é que iam acreditar que alguém se preocupa com as contas portuguesas que, no meio de todas as dificuldades (em especial do sistema bancário), até se vão aguentando bastante benzinho. Talvez se preocupem, isso sim, com a forma tranquila como a governação está a decorrer 'apesar' de as rédeas estarem na mão dos socialistas que contam com o apoio de comunistas e bloquistas.

Mas não estou agora virada para me pôr a falar disto.


Hoje recebi um mail em que o Leitor referia o facto de eu também não me ter pronunciado sobre a passagem de Portugal aos quartos de final. Pois foi, não comentei. A noite ontem foi agitada cá por casa.

De facto, este sábado tive um dia cheio, cheio. De tarde, a família reunida. Os caranguejos começaram a atacar e agora vai ser de seguida. Depois parte da família veio cá para casa: jantar, futebol.

Por isso, vi o jogo, sim senhor, mas, quem tem crianças pequenas em casa sabe bem como é difícil estar concentrada em qualquer coisa. O meu marido acho que ontem, por acaso, até conseguiu. Deita-se no sofá dele e foca-se, não janta ao mesmo tempo que nós para não perder tempo, e, quando nós regressamos à sala vai ele até à copa, onde vê televisão enquanto come. Regressou à sala, salvo erro, para o prolongamento. Nessa altura tinha-me eu alapado no sofá dele, de onde se tem uma melhor visão para a televisão, mas fui logo corrida. Obedeci porque já sei que em dias assim, em que quer ver o futebol sossegado, fica arreliado se há muita perturbação ambiente e, portanto, dadas as circunstâncias, não quis acrescentar factores de distracção que o deixam amofinado.

Fui para outro sofá. Mas por pouco tempo.

Pelo meio, os demais também viam o jogo, mas depois queriam o jogo que estava em cima do móvel que eu já nem fazia ideia o que era, depois queriam que eu ligasse o computador para verem um vídeo que metia o Ronaldo transformado num boneco atoleimado (e que agora descobri para vos mostrar), depois outro queria escrever e, pelo meio, eu ia tentando perceber a quantas paravam as modas com o esférico entre as quadro linhas.

Do que vi, pareceu-me um jogo morno, desengonçado, uns moços desfocados, uma falta de graça. Finalmente, com o golo do Quaresma lá vibrámos e houve saltos e palmas - e pronto, lá se passou à próxima. Mas falta garra. Já no outro dia o disse: falta testosterona à equipa portuguesa. Não têm instinto guerreiro, aquilo não desenvolve. Uma seca.

Para quem goste, aqui vos deixo, então, o vídeo que os pimentinhas estiveram a ver todos entusiasmados e que, na volta, consegue ser mais animado do que foi o fastidioso Portugal-Croácia.


Nike Football: The Last Game



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De notar que quando falo no défice de testosterona da selecção portuguesa, não me baseio em nenhuma constatação médica nem estou a insinuar nada. É, digamos assim, uma metáfora. E eu gosto de metáforas. Tal como gosto de ironia. Tal como gosto de subtilezas - mesmo que possa não parecer. Muito do que digo é assim um modo de dizer mais do que uma coisa verdadeiramente dita. Posso é não ter a arte para dissimular o entretexto ou as costuras do texto.

Já agora, para os que também gosta do assunto:

A arte da metáfora -- por Jane Hirshfield com animações de Ben Pearce




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As fotografias que usei ao longo do texto são da autora do fotógrafo Bill Cunningham que trabalhou para a The New York Times se foi este sábado com 87 anos e que se pode ver em acção nestas duas últimas, ao praticar um dos seus prazeres, a Street Photography.


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A Passacaille de Jean-Baptiste Lully (em  Armide) pode parecer aqui deslocada. Se calhar está. Mas a mim apeteceu-me ouvi-la enquanto escrevia. Era como se estivesse a ver reflexos de luz, cintilações, revendo memórias, intangíveis pontos de luz. Espelho no espelho.

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E queiram, por favor, aceitar o meu convite e ver, já aqui abaixo, o vídeo que recebi de presente.


A grafómana Gina G. fez um vídeo para mim e eu, agradecida, aqui o partilho com os meus Leitores



Fico sempre admirada com a imensidão que é a blogosfera e com a facilidade que muitas pessoas têm em andar, por lá, à descoberta. Eu, por mim, acho que nunca descobri nenhum blog. Ou os descubro porque os vejo nas estatísticas do Um Jeito Manso por aqui terem andado, ou através dos comentários que aqui deixam ou, por acaso, reparo em referência a eles noutros blogs que já visito e que, em geral, se limitam aos que, por facilidade, referenciei na 'galeria' lateral.

Numa dessas vezes vi referência ao Dias de uma Grafómona (a que, mais tarde, aqui ao lado, dei o nome de A raça de uma Mulher) e fui lá espreitar. Achei muita graça pois há ali uma genuína necessidade de comunicar. Um dia vi um dos vídeos e fiquei fã. Não há ali dissertações temáticas dobre os grandes temas da actualidade. Pelo contrário, o que ali se vê encaixa sobretudo naquilo a que vulgarmente se designa por small talk, E eu gosto disso. Não há disfarces ou armações, há o que vem à cabeça. Eu também, quando posso, gosto de conversar assim, sobre pequenas coisas, conversa solta, bem disposta, sobre tudo e sobre nada. Não se pretende convencer ninguém de nada, apenas deambular pelos pequenos apartes do que vai pairando ao longo do dia.

Um dia destes vi uns vídeos sobre o que o filho deixou lá em casa. Sorri.
Aconteceu-me isto quando os meus filhos saíram de casa, também deixando coisas para trás. A minha filha deixou roupa que já não lhe servia ou que já não era a seu gosto. Como sou mais baixa que ela, aproveitei imensa coisa. Ainda agora, para aí uns doze anos depois de ter saído de casa, uso, cá por casa, alguma dessa roupa. E bonecas. Ainda lá estão no quarto e, volta e meia, a sobrinha brinca com elas. Tudo o que ela deixou eu reconheço. Pior foi o meu filho. Também deixou roupa e ténis mas deixou outras coisas misteriosas. Volta e meia lembra-se de alguma e pede para vermos se encontramos. Muitas vezes não sei sequer com o que se parece. O quarto dele ainda tem vários desses objectos. 
Outras vezes a Gina G. fala dos seus cozinhados ou dos seus passeios ou faz fotografias e eu gosto de tudo isso, Há uma alegria despretensiosa e uma energia criativa em tudo o que faz.


Acho graça à sua espontaneidade ao pôr-se ali, ao balcão do seu estaminé, a falar para a câmara, ou na sua casa. Nestas coisas haverá sempre os eruditos que permanentemente ocupam os seus neurónios com os grandes dilemas da humanidade e que, portanto, talvez mostrem alguma superioridade face a quem faz coisas simples. Mas, a sério, gostava de os ver em frente a uma câmara a falar - a ver se lhes saía tão espontâneo e bem disposto como sai à Gina G.

Diz ela que quem vem aos blogues não vem para ver vídeos mas para ler. Talvez. Mas eu sou fã de vídeos em geral: aprendo, divirto-me, distraio-me, fico com vontade de ir descobrir mais. E gosto de ver os vídeos dela.

Por isso, agradecendo de novo à Gina o vídeo que fez para mim e que, como já lhe disse por mail, já foi objecto de visionamento por parte da família que o viu com surpresa e sorrisos, aqui o coloco para o partilhar com os meus Leitores.

Acho que o mundo é mil vezes melhor se for pontuado por pequenos gestos de gratidão e reconhecimento e acho que o desprendimento e a alegria tornam os dias leves e bons de serem vividos. Talvez por sentir que a Gina G. também assim pensa, eu sinta empatia em relação à sua escrita, fotografias ou vídeos.

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Gracias, Gina!

[Tomei a liberdade de usar duas fotografias suas, surripiadas ao seu blog, para ilustrar o texto. Espero que não se importe.]

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E, a quem quiser colher alguma da espuma do brexit ou uma curiosa explicação das motivações inglesas a cargo dos Monty Phyton, é só descer.

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domingo, junho 26, 2016

O brexit, as capas da imprensa internacional e as razões da saída explicadas pelos Monty Phyton


Na senda do post anterior -- em que partilhei convosco a prova do estado de atordoamento em que, na hora da ressaca, os ingleses parecem ter mergulhado sem perceberem bem que raio de cena afinal era aquela do referendo, e o que, de facto, é isso da União Europeia -- mostro algumas das capas da imprensa internacional sobre o dito brexit.

Permitam, contudo, que, para contextualizar a situação, introduza aqui o hino. Deus proteja a Rainha.

(E mais espantoso do que ela, a simpática Isabelinha com os seus coloridos 90 anos, ainda se aguentar tão direitinha e atiladinha, é o marido, o divertido Príncipe Philip, 95 anos preenchidos de suculentas gaffes, ainda se aguentar tão bem com aquele barretão peludo à cabeça).






















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Mas, afinal, quais as verdadeiras razões para que o Não à União Europeia tivesse ganho?

Eles próprios não sabem - mas o vídeo abaixo ajuda a perceber.


What has the EU ever done for us? - Monty Python



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E sigam até ao post seguinte para verem a ganda pancada daquelas cabeças.


Ainda se fosse uma coisa pensada... agora votarem para sair e, depois dos resultados, desatarem a googlar para descobrir o que é a UE ou para perceber o que tinham acabado de fazer... já parece mesmo coisa de copofónicos em estado avançado.


De Leitor a quem agradeço recebi um conjunto de links que me mostram que parte dos ingleses que votaram a saída da União Europeia, andam à nora: não sabem bem o que fizeram.

Durante a campanha, desataram a brincar aos revolucionários sem querer saber de desgraças, uma alegria, cartazes engraçados, um empolgamento. Aqueles dois bacanos, o Nigel Farage e o Boris Johnson são tão divertidos, tão descinzentos, que bom, que bom, e bora lá correr com os emigrantes, e bora lá mostrar a esses continentais que na ilha mandamos nós, e bora lá recuperar o que é nosso, and... and whatever. 

E agora que o conseguiram, acordaram ressacados a olharem uns para os outros: mas que raio é afinal essa UE? e agora, saímos mesmo? mas saíamos afinal de onde?

O google a bombar com as perguntas desses inteligentes que acham que ainda podem voltar a ser um glorioso império.

Vejo agora que já há cerca de dois milhões a quererem voltar com as sardinhas ao prato e que um segundo referendo começa a ser equacionado. Gente responsável, esta.

Um mundo virado de pernas para o ar. Ou, de facto, andam a inalar demais, ou a beber demais, ou não andam a aprender nada na escola, ou andam a passar-se coisinhas mesmo muito más nas cabeças daqueles bifes.

E estes são os links, para verem com os vossos olhos:




Até dói. 
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Bye bye

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[Apercebo-me, via estatísticas do blog, que este post está a circular via Facebook. Assim, a quem aterra directamente aqui, permito-me recomendar que veja também:

O brexit, as capas da imprensa internacional e as razões da saída explicadas pelos Monty Phyton ]

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E, a todos, desejo um belo dia de domingo.

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sábado, junho 25, 2016

London is calling -
Look at you, look at you, the game is over

[A propósito do BREXIT, claro]


Big wheel



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Estes meus dias trazem-me por sobre a actualidade do dia. Saio cedo de casa, regresso tarde e, pelo meio, não tenho um minuto meu. Bem, estou a exagerar: ontem, por acaso, tive uns cinco ou dez minutos que me souberam que nem ginjas.

Mas hoje nem um minuto.

Sessões contínuas, sem me poder distrair - porque sou eu que estou a conduzir as reuniões e as conversas - e almoço em contexto profissional.

Ouço os mails a chegarem e, de vez em quando, espreito e vejo que, desde a última vez, já tenho mais de vinte por ler e, portanto, descoroçoada, logo viro o telemóvel de costas. Olhos que não vêem, coração que não sente. Agora que cheguei a casa já os estive a ver e a responder a uns quantos.
São fases da vida. E, dentro de algum tempo, tudo terá entrado na normalidade.
De manhã, ao ir no carro, ouvi aquilo do Brexit e, meio parva, fui tentando alcançar o que tinha acontecido. Custava-me a acreditar. Contudo, até que cheguei a casa e que o meu marido me esteve a contar tudo e, agora, em que as televisões aí estão, ao rubro, naquela euforia que tão bem as caracteriza nestes momentos fúnebres, não soube ou falei de nada relacionado com o que se passava no mundo. Quase que o mundo poderia ter-se rarefeito que eu, ali, teria permanecido convencida de que tudo estava normal. Estes fenómenos, em que parece que se cria uma bolha que nos isola do mundo e em que a única coisa importante parece ser o que ali está a acontecer, são misteriosos. Para dizer a verdade, volta e meia apetece-me dizer: alto e pára o baile que quero ver as notícias, quero saber se há algo de novo na ciência, se há alguma exposição para ser inaugurada em breve. Ou melhor: caraças para isto! agora tudo calado durante uns minutos que me apetece ouvir dizer poesia. Se algum dos presentes quiser presentear-me com um gesto de delicadeza, faça favor, sou toda ouvidos. Caso contrário, tudo de bico calado que me apetece ouvir dizer Neruda. (Neruda, por exemplo: podia ser Borges. Ou outro)

Mas não dá. Ainda não os conheço o suficiente para me poder armar em maluca.

London’s burning

Quando saí, música com força, telefonemas familiares e combinação de uma caminhada pela noitinha, ao fresco.

E agora que já é tão tarde aqui estou, sem vontade nenhuma de falar dos caramelos dos ingleses. Palavra.

Tenho trabalhado com gente de tantas nacionalidades e nunca como com um palerma de um inglês com quem tenho lidado de perto me engalinhei tanto. Já contei: com alemães, que tanta gente abomina, eu dou-me lindamente. No entanto, para dizer a verdade, dá-me ideia que têm vindo a emburrecer (antes, parece que, para além de simpáticos, eram todos pragmáticos, simples, terra a terra, excelentes colegas de trabalho. Agora são isso tudo mas em mais quadrados, mais em burrinho, parece que incapazes de um golpe de asa). Mas pode ser coincidência.

Mas aquele palerma daquele inglês... que coisa. Muito alto, talvez até interessante (para quem aprecie o género), charmoso, armado em bom, insinuante -- mas notoriamente um farsante, falso. Bem falante como poucos, um sentido de humor fantástico, mas um oportunista. Um descarado oportunista. Claro que também pode ser coincidência e o comum dos ingleses não ser nada disto.

Até esta sexta-feira, não levei isto da saída da UE a sério, parecia-me mais uma daquelas balelas em que os galãs ingleses parecem exímios. Via isto como uma manobra eleitoral do parvalhão do Cameron. Depois achei que os ingleses não seriam tão parvos, tão copofónicos, tão estupidamente auto-convencidos que à última hora não curassem a bebedeira do fim de semana e não caíssem neles.


Packing light

Dito isto, que não se pense que não ache que a cambada de deslustrados, amorfos pedantes, burocratas de meia tigela, que inundam aqueles atapetados corredores de Bruxelas em que se cozinham os povos europeus em banho-maria -- esses deputados e funcionários que ganham fortunas para, armados em bons, passarem por cima das ansiedades e anseios dos povos -- não estavam mesmo a pedir um valente pontapé nos testículos.

Acho. Há muito que acho que o estão mesmo a pedir.

The gherkin

Mas a responsabilidade não é dessa burocrática gentinha da união europeia. Não: a responsabilidade é nossa. Votamos em listas de gente que nunca ninguém viu ou achamos muito bem que se despachem para Bruxelas os nabos que não queremos em Portugal. Aceitamos tudo. 

Outras vezes não queremos saber das eleições europeias, não votamos.

E quando descobrimos que a nossa vida está feita num oito porque aquela pandilha põe e dispõe de nós como se alguém os tivesse ungido com os divinos óleos do poder já é tarde demais: já eles criaram regras que nos ataram, algemaram, amordaçaram.

Por isso o descontentamento é óbvio, legítimo, expectável. Dos ingleses e dos franceses e dos portugueses e dos gregos, e, a bem dizer, de toda a gente.

Mas se uma família está descontente com a empresa que gere o condomínio do prédio pega na bagagem e larga o prédio? Acho que não. Acho que deve é discutir o descontentamento em assembleia de condóminos e, eventualmente, propor a mudança da empresa. Não faz sentido mudar-se do prédio, nem faz sentido esquecer as razões que os levaram a decidir lá viver.
Até porque, com essa decisão limite, a família pode dividir-se: uns podem preferir divorciar-se e permanecer naquela casa.
Enfim. Votaram, está votado.

Agora é olhar de frente o day after.

Não me parece caso para perder a cabeça e desatar a panicar com a reacção dos mercados mas também não me parece que possamos ignorar que uma bomba foi detonada no seio da Europa. Com a imaturidade do Cameron ao fazer uma campanha com base na promessa de levar por diante um referendo a propósito de uma situação tão complexa de referendar, pode ter-se aberto a caixa de pandora. Falta uma liderança capaz nesta Europa. Talvez António Costa ou o Matteo Renzi tivessem o carisma e a determinação para agarrar nas rédeas desta desgovernada União - mas o poder está tão disseminado e tudo funciona de forma tão difusa e incaracterística que, na verdade, admito que a perplexidade vá ser aproveitada pelas marines le pens desta vida, perigosamente contagiando as cabecinhas que acham que sair de uma união europeia é coisa para se fazer lampeiramente, cantando e rindo.

Urban warfare
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E não me apetece agora dizer mais do que isto. Não tenho sapiência para rapar de acontecimentos históricos e fazer paralelismos para, de seguida, puxar lustro à sapiência e dizer que, se soubessem mais de história, não haveria por aí tanto comentadeiro a metro a opinar sobre o sucedido. Mas não é só não ter sapiência: é que, na verdade, acho que é frouxo querer explicar tudo, tudo, tudo o que se passa na actualidade com base no que já se passou no passado. Primeiro, se dá o conforto de encontrar um padrão (o que é útil a quem precisa de compartimentar os acontecimentos segundo padrões conhecidos), a verdade é que, daí, não dá para prever o futuro, o que torna o exercício a modos que fútil. Segundo: sendo o contexto e as circunstâncias tão díspares, dificilmente a evocação histórica tem qualquer utilidade prática. É como se, caso me caísse agora um dente, me aparecesse pela frente um desses convencidos a dizer, com ar superior: qual o espanto? então não se lembra que aos cinco anos também lhe caíram vários?

Pois. Grande notícia. E daí? Concluo o quê? Que me vai voltar a nascer um dente no lugar do que caíu?

Ora abóbora.

Portanto, não digo mais nada. Quem se deita com crianças acorda mijado -- sempre ouvi dizer. E é no que dá pôr à frente dos destinos dos países e das instituições gentinha desqualificada, gente imatura, impreparada.


Pode ser que agora, face às ondas de choque, o sobressalto seja grande e as pessoas percebam com quem se estão a meter (populistas, xenófobos, atrasados mentais, bebedolas) e, de alguma forma, ainda revertam ou atrasem a decisão de modo a que um novo referendo volte a confirmá-los na União europeia.

Tirando isso, nada.

E, meus Caros, só não acabo isto com um palavrão porque sou uma menina fina. Contudo, digo de outra maneira: até que atinem, eu quero é que os ingleses se reproduzam. E não é porque queira que ainda haja mais da raça deles, é só para estarem entretidos uns com os outros e não chatearem.

Atenção ao dedinho da menina: isso mesmo.
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Mas que não seja por isso. Se eu, no que para aqui estive a escrever, não dei uma para a caixa, tenho aqui o link para um texto a preceito. Nem todas as evocações históricas são pura basófia, há interpretações ou análises que fazem sentido, que vão mais fundo, ao que pode muito bem ser a raiz da questão. Enviado por um Leitor que bebe do fino, que sabe do que fala e com quem sempre aprendo, um texto que agradeço e que os Leitores certamente também apreciarão:


Brexit as Nostalgia for Empire 


The Zong Massacre of 1781
The run up to the EU referendum has shown Britain for what it is. Woodwork: the washed-up bracken of the British Empire, and the ugly flotsam of its legacy of racism.

(...)

If what we want is to live in a more equitable society, it is dangerous to begin by voting for an outcome which has been driven by racism. A nostalgia for empire is no starting point for emancipatory struggle based on solidarity with the oppressed.


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As duas últimas fotografias, a preto e branco, foram feitas em Londres por Britt van der Meijden. As primeiras, condimentadas com uma pitada de humor, respeitam também a Londres e são da autoria de
James Popsys. A última imagem, a gravura, consta do artigo acima referido.

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E é chegada a hora da poesia. Se alguém aí tiver uma poesia para me dizer, só a mim, agradeço. Enquanto a não ouço, vou ouvir esta


"When we Two Parted" de Lord Byron (lido por Tom O'Bedlam)


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Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo sábado.

Sejam felizes, está bem?

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sexta-feira, junho 24, 2016

E agora, Caro Leitor, que já pode saber a sua idade mental, saiba também qual o seu grau de beleza.
Faz-se o teste num instante -- e é infalível.
Também já fiz. No fim logo vos digo o resultado.


Pois, bem sei, bem sei. Escusam de criticar, de mostrar o vosso desdém. Devia falar do referendo e estou nisto. Devia. Mas com o sono com que estou eu quero é que os ingleses de duas uma: ou que tenham muitos meninos ou que vão dar banho ao cão. Sei que isto é capaz de soar a coisa de loura burra e não sou eu que vou desdizer alguém. Loura burra, cabeça de alho chocho, feliz e pobre de espírito, por causa de gente como eu é que o mundo está como está... e todas essas verdades, verdadinhas, que eu sei que, a esta hora, estão vocês aí a pensar.

Certo. Quem sou eu para contrariar quem assim pensa? Ninguém. Se acham, então acham muito bem.

Mas que hei-de eu fazer, poor me, se, a esta hora, não tenho pachorra para mais do que isto...? Podia dissertar sobre se é de agora ou de sempre que os povos e as nações e os ingleses e os outros têm todos cabelo cor de palha como o bizarro ex-mayor ou boca em forma de biquinho como o totó do Cameron, que se meteu nisto e agora treme que nem varas verdes, e se uns queriam mas disfarçavam ou os outros diziam que sim mas afinal talvez -- ou se a raça humana tem vindo a perder neurónios pelo caminho e agora só está bem a armar baderna. Podia. Mas isso era se tivesse pachorra. Ora quero cá eu saber de carnavais. Só se forem dos bons, agora disto...?

Não dá. Falem-me de palermices que talvez eu me interesse. Agora de brexits ou de auditorias à CGD só se for a outra hora. A esta é o que sabem.

Abaixo já vos mostrei o teste que facilmente poderão fazer e através do qual poderão conhecer a vossa idade mental

Este agora aqui também é simples e, pelo menos a mim, deu um resultado que não me pareceu muito disparatado (se eu quiser ser sincera): 230 (e, caso tenham curiosidade, logo lá verão a que é que isso corresponde, que o importante é saber o que vos dá a vocês)

How beautiful are you?



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Andei à procura de um poema que falasse de beleza e de homens e mulheres, lido pela voz quente do Tom O'Bedlan, um bem romântico, por exemplo, She walks in beauty ou coisa assim; mas esta minha driving force, que me conduz para o lado maluco dos caminhos, leva-me a escolher outro.

Este não é bem um poema no sentido tradicional do conceito: será mais uma lição para todos os homens que não fazem ideia de como lidar com uma mulher:

"When a Woman Loves a Man" de David Lehman (lido por Tom O'Bedlam)

Leia-se, por exemplo:

(...)
And when she says, "I'll never speak to you again,"
she means, "Put your arms around me from behind
as I stand disconsolate at the window."

He's supposed to know that.
(...)

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Desculpem eu não responder, uma vez mais, a mails ou comentários. Talvez para a semana eu já esteja mais aclimatada. Mas, enquanto não, estou aqui mais a dormir que acordada, uma desgraceira que só vista. Hoje nem peguei num livro (mas, também, cheguei a casa já passava das onze; da noite!)
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As mulheres com sombras vegetais foram fotografadas por Emilio Jiménez

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Por isso, apenas consigo recomendar-vos que tentem descobrir a vossa idade mental através de um teste muito rápido e eficaz. É só descerem.


Qual a sua idade mental?
- Faça aqui o teste. Rápido, fácil, certeiro.


Então e eu não sei? Se eu sou da área em que nada se pode afirmar sem que a hipótese da coisa ser verdade tenha primeiro sido testada, validada, justificada... Alguma vez se pode embarcar no que quer que seja sem que mil anos de estudo e reflexão sejam vertidos em cima da validação de qualquer hipótese...? Que nada. Sei disso, sei muito bem. Toda eu estou formatada para ser assim: toda eu sou interioridade, estudo, comprovação e recomprovação.
(Faz de conta. )

Ou não. Vou ser sincera.

É que, na verdade, eu sou de comportamentos desviantes, isso já é mais que sabido. Se eu sei que devia fazer isto, então a tentação é fazer o oposto, aquilo.

Bem, também não é bem assim. Não sou uma rebelde sem causas. Sou mais de achar graça a parvoíces. Descansa-me a cabeça.

E depois há coisas que são de bom senso, ou que se podem testar pela demonstração.

Uma coisa como esta que aqui divulgo é daquelas que meia dúzia de inteligentes, cada um vendo as coisas de sua perspectiva, bem podem gizar um teste, depois submetem-no a ensaio, olham os resultados e, daí, inferem uma conclusão -- e não devem falhar por muito. Sobretudo, se o temperarem com algum humor, a coisa passa na boa.

Fiz o teste, claro. Sou lá eu de perder qualquer testezeco?

E deu-me um resultado que acho que vai bem com a minha própria auto-análise: idade mental entre 29 e 55 anos.

Sugiro que o façam. Se bater certo, o teste é dos bons. Se não bater, vocês é que estão desenquadrados, não o teste. Lamento, mas as coisas são o que são.
(E só espero que toda a gente que me lê consiga perceber a ironia sem eu ter que encher isto de smileys, ehehehe ou outras vulgaridades. Aqui só cenas bué elevadas.)
Bem. Bora lá?

Qual a sua idade mental?


Are you young at heart or wise beyond your years? Do you laugh at childish jokes or scorn at them? Find out where you rank in this quiz! Find out your real mental age now!


Então? Que tal?

Bom para ir para a pré-primária?
Evadido de um lar de terceira-idade...?

Conte, conte.

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quinta-feira, junho 23, 2016

História de um coração que parece de gelo mas que é capaz de emoções calorosas




Uma vez mais, adormeci. Depois de ter escrito o post sobre o futebol, sobre Gabor Kiraly, o carismático guarda-redes húngaro, e sobre a bela caracolada, deslizei até ao sofá e pus-me a ler sobre alguém que conheço bem. Não sei como é que conheço tão bem, mas conheço. A cada página, encontro um comportamento que identifico e quase poderia adivinhar a forma como vai reagir. Sei o que faz, sei o que pensa, sei como reage. E, no entanto, não é porque seja igual a mim. Pelo contrário: é o meu oposto. Mas é como se o conhecesse tão bem que poderia reproduzir, um por um, os seus passos. Ou melhor, não os seus passos, mas os seus pensamentos. 


Como livro, posso dizer que acho um bom livro mas não é daqueles que me levem pela mão por entre labirintos ou jardins na ânsia de conhecer os próximos passos, ou que me detenham, uma mão aberta no meu peito, suspendendo-me a marcha e forçando-me a reler cada palavra para que veja como a beleza pode descer sob os nossos olhos na forma de palavras cerzidas como sumptuosos bordados ou delicadas pinturas. Está bem escrito, claro, mas talvez porque não me traz novidade ou porque não existe aquela pitada de humor de que preciso como condimento em todas as parcelas da minha vida, dou por mim à espera que aconteça um sobressalto, que o coração do personagem se estilhace, que caia por um poço sem fim, que um lobo de verdade entre no quarto e o devore, letra a letra, desencanto a desencanto. 

À página 168 adormeci. Minutos, apenas, acho eu. 

Acordei com o calor.

Estive agora à janela. A lua está branca, reflecte-se no rio. A aragem já refrescou. Poderia estar ali à janela um bom bocado, com vontade de que uma gaivota viesse de novo até à minha varanda. Mas, de noite, as gaivotas não se aventuram em voos fugidios. Só de madrugada, por vezes, as ouço gritar, parecem aflitas.


Há dias em que sinto algumas saudades. Recebi um mail, alguém que nunca se esquece de mim. Um afecto que perdoa as minhas ausências. E eu sou tanto de ausências. Vou substituindo umas pessoas por outras, umas vão saindo da minha vida, outras vão entrando. Não há espaço para todas. Esqueço-me de datas de aniversários. Nunca tomo nota de nada, não me apetece carregar com compromissos, obrigações, fio-me que o importante se manterá vivo na minha memória. Mas não mantém. Quando dou por mim já passaram as datas que eu não deveria ter esquecido. E penso, por vezes com alguma auto-recriminação, que eu deveria arranjar espaço na minha vida para manter acesos os vínculos que foram importantes. Mas sei que me esqueço, que o que passa perde relevância. Apenas uma ou outra pessoa persistem, e dessas eu sinto saudades.

Li o mail, tão querido, querendo combinar um encontro para este verão e eu fiquei a olhar, enlevada. Não respondi logo, quis pensar no que responder. Passado um bocado, no meio de tantos afazeres, já me tinha esquecido. Depois, como o mail estava lido, já não o vi quando voltei a ver os mails. Só ao fim do dia me lembrei. Achei-me, uma vez mais, desligada. É como se fosse caminhando, e não apenas deslizando, em cima do tapete rolante do tempo, deixando para trás os que acompanham o movimento normal do tempo.

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Por estes dias aprendo um novo léxico, conheço novos lugares, novas pessoas. De vez em quando na minha vida acontece-me isto: parece que bastam dois passos ao lado para entrar num mundo que desconhecia. Tudo novo.

Visito lugares em que já antes estive, várias vezes até, e porque me dão a ver uma outra realidade, eu vejo agora que tinha estado como que cega para aquilo que antes, por não estar alerta, pura e simplesmente ignorava, não via, juraria que não existia.

Entra, pois, na minha vida, uma outra vida, junta-se às anteriores. Depois, ao voltar a dar os tais passos ao lado, reentro na anterior e, de repente, aquela que antes me preenchia como sendo total e única já me parece apenas metade. E quase parece que, no espaço de dias, me transformei por dentro.

Poderia isto ser uma sensação única, extraordinária. Mas não, já me aconteceu várias vezes na minha vida. Depois entra na normalidade, a minha nova vida passa a ser esta. Até que volte a acontecer uma nova descoberta.

Escusado será dizer que gosto disto. Parece que me vou desdobrando, percorrendo caminhos quase paralelos, vivendo várias vidas.

A depois, a meio ou ao fim do dia, ou à noite como agora, enquanto penso naqueles que em mim pensam e de quem tenho saudades, procuro as águas que em mim correm, livres, limpas e nelas banho, com prazer, os meus pensamentos e sonhos.


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Talvez nem venha a propósito (mas eu gosto do que não vem a propósito, especialmente porque geralmente até vem). Para não darem por perdida a vossa vinda aqui, convido-vos a ver uma sessão fotográfica fantástica.

A Moncler Icelandic Fairytale by Annie Leibovitz


The moral of this story of icy snow and warm emotions? It is this: even the hardest, seemingly impenetrable ice can guard the warmth of the purest form of love. Layers and layers of ice can conceal the secret and harmonious sense of a profound emotive link. One which is worth fighting for, when necessary.

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As fotografias das terras frias da Islândia que usei para dar alguma graça ao texto são de  Pawel.

Lá em cima era Ludovico Einaudi a interpretar "Elegy for the Arctic"

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E, aos que aterraram agora aqui, convido a virem ver uma pessoa com muito estilo. Não será das calças nem do penteado: mas é um quelque chose que se sente à distância.


Gabor Kiraly, o guarda redes húngaro,
tem um grande estilo, aquelas ceroulas são absolutamente stylish
[E sobre o 3-3 do Portugal-Hungria não tenho assim muito mais a dizer.
Mas estou contente e os caracóis estavam mesmo bons.
E consta que os peixinhos estão a gostar do microfone que o Ronaldo sacou à CMTV
]


Nani e Ronaldo 3 golos no Portugal-Hungria

Claro que toda a gente se juntou a vibrar por Portugal. Fizeram-se apostas. Se não saísse era para uma instituição que precisasse. Se alguém ganhasse, faria o que entendesse. Acho que ninguém ganhou.

Depois vieram as cervejas. 

Primeiro o desconsolo, não se aguentava nós ali todos prontos para vibrar e aqueles atarantados sem se polarizarem.

Depois veio o entusiasmo, as explosões em uníssono. As palmas - apesar das críticas. Os golos de Ronaldo, o quanto tardavam, o até que enfim! pelo qual se esperava.

CR7, 2 golos num dia difícil

Não sei o suficiente para me aventurar a criticar a marcação de cantos, as tabelinhas, o André Gomes e sei lá que mais nem para sugerir que entrasse o Rafa ou este ou aquele ou o outro. 

Mas reparei no guarda-redes húngaro. Muito estilo. 


Parecia-me que estava de ceroulas. Primeiro até me parecia que seriam abaixo do joelho. Mas depois reparei que não, que as usa enfiadas nas meias. E, já percebi, são a sua imagem de marca. Gostei.

Parece que é o mais velho do Euro 2016 e o charme da idade salta à vista. Todo ele é estilo. 


Cá está o Gabor com o que parece ser o Ronaldo
(o CR7está tão escuro, tão marroquino,
que tem alturas que me custa reconhecê-lo)

Ao ir à procura dele na net, li: Gabor Kiraly, Hungary’s veteran goalkeeper who looks more like a portly pub landlord these days.


Noutro site li:

Is Gabor Kiraly the true progenitor of fashion’s biggest trend in 2016: athleisure?


Well, put it this way, he was turning up to work in tracksuit bottoms 20 years ago. Like all true trendsetters he found a look that worked and made it his own.
Gábor Király
um húngaro de 40 anos com muito estilo
So why shouldn’t the 40-year-old cash in on his status as a sartorial icon as he approaches the twilight years of his career? That, in fact, is exactly what the European Championships oldest-ever player is doing, and now you too could wear the sort of grungy joggers that permanently look like they’re in need of a wash. 

E num outro:

“Fans came from Munich to Craven Cottage wearing grey jogging bottoms,” said Kiraly of his trademark attire. “My son was a goalkeeper for the under-11s at Fulham, José Mourinho’s son was also there playing in goal for the under-15s. We bumped into each other a couple of times and chatted as two parents. He is a really straightforward and nice guy.”

Ou seja, o meu olhar clínico não me enganou. O Gabor tem mesmo carisma e pinta.
Ponham-me uma fiada de homens à frente que eu, em três tempos, digo logo qual é que tem pinta. E não me perguntem o que é isto de um homem ter pinta porque, na verdade, estamos mesmo a falar daquele je ne sais quoi que faz toda a diferença. Os cientistas talvez falem em feromonas ou na rápida capacidade de apreensão de que está li um bom reprodutor. Mas isso são os cientistas, não eu. É que eu não sei nada disso, só sei o que acho e mesmo assim que ninguém queira explicações porque não as saberei dar.

Tirando isso, fiquei contente com os golos de Portugal, nomeadamente com os do Ronaldo e por termos passado aos oitavos de final.

Depois do jogo, fomos para uma caracolada e o dia ainda me soube melhor. Uma bela tarde de verão apesar do calor tropical. Agora sobe do rio uma aragem que parece querer tornar-se fresca à medida que a noite amadurece.

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Quanto àquilo do Cristiano Ronaldo agarrar no microfone da CM TV e o ter atirado ao lago não sei que diga: o que o Correio da Manhã pratica está a milhas de ser jornalismo. Por isso, percebo que uma pessoa que se sinta sucessivamente ultrajada e perseguida por um grupo de gente acéfala a mando de um bando de gente desqualificada, se enfureça e o manifeste. Ataque à liberdade de imprensa não é, pode é ser um excesso. Mas não é tema que me inspire.



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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela quinta-feira.

Felicidades a todos.


quarta-feira, junho 22, 2016

Why Britain Joined the European Union
-- O humor de Yes Minister


E, para terminar a minha jornada, nesta noite de verão que, tanto o calor, transpira por todos os poros, hesitei entre cenas escaldantes ou divertidas. É certo que uma noite caliente puxa mais ao sexo do que à diplomacia mas, com vossa licença, permitam que eu, agora, me porte bem.

Já no post anterior, dedicado ao photoshop malandreco, tinha temperado a alma com ironia  e, no anterior, levada pelo sono com que estou (sono, sono, sono -- nem vou conseguir responder aos comentários!) , optei por uma cadeira-design, coisa ao alcance de umas happy few bolsas.

O meu dia foi bom mas sem um minuto livre -- e eu, quando não posso intercalar de vez em quando, nem que, pelo menos, uns cinco minutos de manhã e outros tantos a meio da tarde, já para não falar ao almoço, deixando a mente vaguear uns instantes pelas suaves arestas do perfeito nulo, chego ao fim do dia a precisar de me enfiar numa piscina que esteja por minha conta. Ora piscina não tenho aqui em casa e ir bater à porta de um hotel, a esta hora, para me deixarem ir dar um mergulho ou meter-me debaixo de um forte jacto de água, também não me dá jeito. 

Por isso vou mas é de mergulho para a cama e imagino que entrei numa piscina virtual. Braçadas não darei para não acordar o belo adormecido e, de resto, só espero que não esteja do meu lado da cama, coisa que faz todos os dias apesar de saber que odeio. Chego à cama e tenho o meu lado a ferver. Fúria.


Mas, pronto, nem tudo são rosas. E, assim, pedindo desculpas pela indelicadeza de não agradecer as palavras que me deixaram, vou apenas partilhar o oportuno vídeo que o Leitor Bob Marley aqui deixou a propósito do referendo no Reino Unido. Gracias, Bob.


Yes Minister — Why Britain Joined the European Union



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E queiram descer até ao post seguinte e deixem-se levar para o mundo maravilhoso do photoshop. 
Não querem mandar uma foto vossa para o James? 


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Cuidado com o photoshop....


Ok. Depois de ter estado repimpada numa bela chaise longue que, enfim, não é feita de pauzinhos como o belo objecto de design do post abaixo mas de vulgares fofuras macias, volto aqui para mostrar alguns efeitos perversos do photoshop.


A cena explica-se em meia dúzia de palavras.  James Fridman é mestre na arte do photoshop, tanto que as pessoas lhe enviam fotografias pedindo que ele as transforme de certa maneira -- e explicam exactamente o que querem.

O engraçado é que o bom do James gosta de se divertir e, volta e meia, leva o pedido à letra. Faz o que lhe pedem e junta um comentário (como já puderam ver na fotografia acima).

É o tipo de ironia que me tira do sério.
Se é que me entendem. 

Bora lá ver mais. Mas vamos com música. Ok Go?

















Mas, às vezes, em vez de photoshop levam é uma chazada. 

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Love, love, love.

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E sigam, por favor, até ao post abaixo para verem um objecto bom para se sentarem em cima dele.

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