O Blogue da moda: actualidade, artes, literatura, jardinagem, família e muitas outras coisas

O Blogue da moda: actualidade, artes, literatura, jardinagem, família e muitas outras coisas

domingo, dezembro 21, 2014

Afinal os flamingos também dão leite?


O mais crescido, não lhe apetecendo continuar no laré, preferindo antes ir para casa com o avô (que de bom grado aceitou a proposta), quando iam a caminho e já a pensar no lanche, perguntou:

- Avô, ainda há daquele queijo sem casca?

Responde o avô, Há queijo flamengo.

Espanto total: Flamingo?!?! ...Não sabia que os flamingos também davam leite...!

___

Quando ouvi o relato, até me lembrei do jrd que não percebia porque é que a Alice não tinha barco.

...

A beleza das curvas no feminino. 'Curves' por Victoria Janashvili: duas gordas, Denise Bidot e Marina Bulatkina, puseram-se nuas e uma fotógrafa captou a beleza e sensualidade delas. Chegou a hora das gordas saírem do armário?


A minha mãe contava que, uma vez, uma conhecida sua, falando de uma outra, lamentava que essa tal tivesse emagrecido pois, dizia, estava muito 'lisa' e 'uma barriguinha dá tanta graça'. A minha mãe achou piada a isso numa altura em que todas as mulheres lutam para se verem livres da incómoda 'barriguinha'. Barriga, pneu, bundona, coxa grossa, mamonas - tudo um desconforto quando a gente se quer enfiar dentro de calça justa, blusinha cintada ou camisa com alguma transparência.

Contudo, se pensarmos em Marilyn, essa mulher revestida a erotismo de alto quilate, vemos como tinha formas generosas, curvas acentuadas. E, se formos de marcha atrás por esses tempos fora, esse é o padrão de mulher apetecível. Por exemplo, se recuarmos umas centenas de anos, podemos ver as mulheres saudáveis de Rubens, bem nutridas, refegos lustrosos, faces coradas.

Outros tempos.

O meu marido diz que a moda das mulheres magérrimas - bem visíveis nos desfiles em que as modelos parecem anorécticas e em que só as muito altas e muito escanzeladas parecem ter roupa que lhes assente bem - acontece porque os estilistas e demais fauna que circula no mundo da moda são todos umas bichas. Claro que ele não dia bicha mas não reproduzo a palavra que ele usa não vá parecer que ele é homofóbico, e não é. Diz aquilo como uma constatação. Em tempos lidou profissionalmente com um colega que tinha trabalhado na gestão de empresas ligadas à moda e ele confirmava o que se sabe do que se vê, e contava episódios divertidos desses seus tempos. Mas, portanto, diz o meu marido que só tipos que não gostam de mulheres (no sentido em que homens heterossexuais gostam) é que não gostam de mulheres com curvas generosas e boa carnadura.

Contudo, felizmente, aos poucos vêm surgindo modelos L ou XL, aos poucos os fotógrafos começam a captar a sua graça e sensualidade e a carga cómica que as gordas transportavam começa a cair em desuso.

Desta fez foi a fotógrafa de moda Victoria Janashvili que, depois de anos a fotografar top models altas, esguias, sem ancas, sem peito, resolveu pôr de lado os actuais estereótipos de beleza feminina e fotografar mulheres normais, fortes, como, por exemplo, Denise Bidot e Marina Bulatkina, duas mulheres que são o oposto de tudo aquilo.

Para que a nudez não se tornasse demasiado explícita, as mulheres foram pinceladas a branco, aparecendo quase imaculadas na generosidade das suas formas.






Victoria ainda anda a tentar reunir fundos que lhe permitam lançar-se na produção do livro Curves mas, se tudo correr bem, o livro sairá em 2015 e será, certamente, um sucesso.


Curves - o making of pela fotógrafa Victoria Janashvili




___

Já agora, duas das gordas acima referidas e uma outra.


Venus ao espelho (1615) - Rubens


Marilyn Monroe (1926-1962)


Já para não falar nas famosas e simpáticas gordas do Botero (nascido em 1932)
...

E há as que brincam, riem de si próprias e se divertem à brava. Gordura é formosura e a leveza do corpo advém da leveza da mente, como abaixo se comprova.


Russian Dance troupe the Big Ballet



----

Termino com uma outra ilustre formosa, uma que resplandece segurança e graça na sua carne perfeita, toda ela sentimento e talento: 


Anna Netrebko: O mio babbino caro (Puccini - Gianni Schicchi )




____


Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo dia de domingo
(e nada de virar a cara aos petiscos natalícios...).

...

sábado, dezembro 20, 2014

Amigos (homens) de longa data vêem-se nus pela primeira vez. Avaliam-se, brincam aos helicópteros, riem, elogiam-se, abraçam-se: uma festa!


No post abaixo deixei mais umas quantas sugestões de presentes económicos, criativos e divertidos. Penso que terei coberto todos os gostos e, para os mais compenetrados, aqueles que não acham graça às minhas maluquices, terminei com a mensagem de Natal de um casal que a todos, portugueses e estrangeiros compradores de assets, diz muito.

Mas isso é a seguir. Aqui, agora, porque estamos a entrar no fim de semana, tenho mais um número especial.




Alguns pares de amigos de longa data que nunca tinham estado nus em conjunto fizeram uma experiência: puseram-se depenados em frente s um do outro.

A atrapalhação antes do momento da revelação é o máximo. Tentam perceber se estarão à altura do outro - ou, pelo menos, é o que parece.




Até que se viram, nus como a mãe deles os deitou ao mundo. A forma como olham para as partes pudibundas um do outro, primeiro a medo, depois fazendo medições de cabeça (aquela célebre questão: o tamanho importa?), como se desatam a rir para logo se auto-censurarem (ups... não devia ter rido...), as exclamações, as brincadeiras - tudo é uma graça.




E eu tive uma nova ideia para uma possível actividade para quando me reformar: fazer vídeos destes. Sim, porque alguém há-de ter filmado estas cenas e eu, com o meu espírito de profissionalismo, também não me faria nada rogada: filmar amigos que se vêem nus pela primeira vez parece ser um trabalho pesado mas, enfim, trabalho é trabalho e nem pensar em virar as costas.




O número dos helicópteros então deve ser o máximo e eu ia querer filmar a hélice bem de perto para ver se apanhava o momento em que a máquina está pronta para levantar voo - se bem que aí, admito, poderia ter uma leve falha no meu profissionalismo pois, provavelmente, iria estar desconcentrada.

Capaz era de levar um arco para me pôr ao lado deles a fazer o hula hoop para, na altura da brincadeirinha do helicóptero, não destoar muito.





Ora vejam.

Guy friends see each other naked for the first time





Uns fofos.

___

Para mais presentes de Natal, desçam, por favor, até ao post já a seguir.

___


Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo sábado.

...

Presentes de Natal de última hora para pessoas com pouco dinheiro, alguma criatividade e com amigos e familiares com bastante sentido de humor


Uma vez mais um post com ideias para presentes de Natal criativos e económicos. Não posso dizer que eu própria esteja a seguir estas ideias pois acho que, antes, teria que ter feito alguma pedagogia junto dos felizes contemplados. Para o ano vou começar a fazer posts destes e a distribuí-los com alguma antecedência pela família e amigos para que se preparem para o pior.

Hoje trago ideias diversas e, como anteriormente, fáceis de fazer.

1.

Caso o destinatário do presente seja amante de pintura clássica, vista-se, arranje-se como o modelo e faça-se fotografar. Imprima a imagem e ofereça-a. Não será o quadro original mas, enfim, quem dá o que tem a mais não é obrigado.


A fotografia para oferecer de presente -
e o quadro que serviu de inspiração (Rapariga com brinco de pérola, Johannes Vermeer, 1665)

Pode ser ainda mais ambicioso e fazer o que pode vir a ser um grande mural, quiçá até para o seu amigo ou familiar colar no tecto. Se for caso disso, pode pedir ajuda a um amigo para servir de partenaire.


A fotografia para oferecer -
e logo abaixo, o que serviu de inspiração (“A criação de Adão” por Michelangelo, 1511-1512)


À direita o presente e à esquerda e ao centro respectivamente o original
(Ecce Homo) de Elias Garcia Martinez e o restauro da autoria de Cecilia Giménez


Os autores das obras acima são o Chris e o Francesco e há mais aqui.


3.

Caso queira oferecer uma peça de vestuário alusiva à quadra natalícia, nada mais fácil. Compre uma camisola ou camisa barata, uns enfeites e aplique-os.

Muito fácil: é só coser um cordão de luzinhas e aplicar uns penduricalhos.
Convém que a pessoa se sente perto de uma tomada para que a blusa se acenda.


Ainda mais fácil: é só coser fita, laços, flores e bonecos.
Não há limites para a imaginação, pode coser o que quiser como, por exemplo,
um Pai Natal a subir umas escadas como aquele que eu tenho aqui em casa
e que o meu marido comprou numa loja de chineses.


Podem ser vistas mais aqui, numa resenha que reúne camisolas de Natal horrorosas.


4. 

Mas se for dado a trabalhos de mãos, então arranje umas tintas e pegue em objectos simples do dia a dia e pinte-os. Faça como Gilbert Legrand.

Casal apaixonado - Tesoura

Bichinho ferido - Trincha

Mais aqui.


5.

O presente mais económico e criativo. Um ovo de Colombo. Um frasco com 365 papelinhos, cada um contendo uma frase amorosa para o destinatário ler um por dia. A coisa vai ao requinte de os bilhetinhos estarem organizados por cores e temas.

Papelinhos amarelos - Momentos e memórias
Azul - Citações e letras de canções
Cor de rosa - Razões pelas quais eu te adoro

A explicação aqui.

6.

Quase a terminar, mais uns enfeites para barba, coisa simples. E bem que os meus leitores barbudos poderiam enfeitar-se e enviar fotografias para eu embelezar o Um Jeito Manso com as suas imagens. 



7.

E, para que o espírito natalício fique ainda mais completo, cá está mais um pequeno número de burlesco, desta feita a propósito de uma árvore de Natal. As minhas Leitoras poderiam ensaiar um número destes e surpreender os convidados ou, caso sejam reservadas, apenas o maridão/namoradinho/amásio ou whatever.


Lola Noir - Christmas Tree



...

8.

Para dar a este post o ar de seriedade que a época aconselha, termino com as palavras amigas de um casal que muito tem feito por todos nós. Como não consigo encontrar um vídeo em formato que consiga inserir, deixo o link.

Por favor, carregue aqui.


sexta-feira, dezembro 19, 2014

Sobrinho e os milhões dos primos. Perna, o branqueador de capitais, que afinal nunca levou dinheiro a Paris. Sócrates, o que não acreditava que pudesse ser preso e que agora nem entrevistas pode dar não vá sair-lhe alguma palavra da boca que prejudique a paz de espírito do Super-Alex. O homem que leu 'As 50 Sombras de Grey' em público e não acautelou os efeitos secundários. O fantástico Helvis. E a Blaze burlesca que é do mais impróprio para consumo que há.


O post abaixo tratou de mulheres cantadas por poetas, em lingerie, dentro de camas macias e etc. Num outro, mais abaixo ainda, mostrei o homem que arrebatou o prémio UJM para o homem mais sexy, e fundamentei a escolha.

Mas isso é a seguir. Aqui, agora, a conversa é outra.

Estava para vir falar do Sobrinho que mostrou que não é tio da Linha, muito menos da família dos primos e que corre num corredor muito próprio. Contou que o dinheiro que o BES emprestou ao BESA - contabilisticamente falando - nunca saíu de Portugal. Ou melhor, nunca chegou a Angola, Ou melhor, andou por aí. Sobre como é que ele próprio arranjou tanto milhão para comprar jornais, apartamentos no Estoril, capital em clubes de futebol, empresas variadas e etc. disse que não era para falar dos seus próprios rendimentos que ali estava, que não queria ficar com má imagem do que se estava ali a passar e fez um olhar cortante.


Em toda esta nauseabunda conversa (e não me estou a referir especificamente à do sobrinho sobre o dinheiro que lhe foi dado a gerir pelos primos) ouvimos falar de milhões, milhares de milhões, biliões. E, aparentemente, grande parte desse dinheiro seguia direitinho para um buraco negro que ninguém viu, ninguém sabe onde está ou, se a conversa vai noutro sentido, tudo era colegial e toda a gente sabia ou, então, estava tudo nas mãos do primo confiável, o Salgado. Algures numas ilhas a sul ou a norte ou a este ou a oeste (depende de onde se olhe) ou nalgum sorvedouro galáctico pairam estes milhares de milhões que se evaporaram (ou, usando linguagem adequada, que estarão parqueados algures).

Tudo gente fina e à solta que é um miminho, até porque ninguém pode prejudicar nada porque mais prejudicados do que já fomos todos é difícil.
De resto, trocos. Na maior inocência os primos confessam que receberam milhões a propósito daquilo dos submarinos e que mais outros milhões foram pagos não se sabe a quem - mas não faz mal. Arquive-se.
Os contribuintes que pagaram os submarinos pagaram mais uns milhões para os primos e para os amigos dos primos, quiçá para algum partido, mas não faz mal. Os contribuintes portugueses são assim mesmo, uns mansos. São f... de todas as maneiras possíveis e imaginárias mas têm um espírito superior, relevam todas essas minudências. Pagam e amocham, sempre prontos para a próxima.

E tão impunemente tudo isto se passa que os primos nem se importam de confessar que, a troco não sabem bem de quê, receberam uns milhões de comissão pelos submarinos e que mais uns quantos aldrabões (sic) receberam ainda mais. E tudo na boa. Ouvimos e deixamos estar. E o processo de corrupção dos submarinos foi arquivado porque prescreveu e porque também não se apurou nada. Para a gaveta. Tudo certo. Cantando e rindo lá vamos tolerando todas estas pouca-vergonhas.

Presos continuam o director do SEF porque parece que recebeu duas garrafas de vinho, e mais o Perna, motorista de Sócrates, indiciado por branqueamento de capitais e que afinal parece que nunca foi a Paris, nunca levou dinheiro a Sócrates, e ainda preso também o próprio Sócrates a quem a mãe deu dinheiro e que até foi ouvido a dizer que não acreditava que o prendessem - o que só indiciou que havia perigo de fuga - e que portanto lá está, em Évora, na gaiola, a receber visitas dia sim, dia não. 


Criminosos perigosos como estes é bom que se mantenham na prisa, de pio cortado - dizem os papagaios do costume: é a justiça a funcionar. E a gente acha bem isto porque os poderosos devem estar presos e o Sócrates, de resto, tinha a mania de se vestir bem e, cagão que só ele, até foi estudar filosofia ou ciências políticas ou lá o que foi para Paris, olh'ó convencido. E, enquanto isso, poderosos de outra raça, dos que têm pedigree, desfilam pela Assembleia contando que não sabem que descaminho levaram os milhares de milhões, ou, então, que receberam, sim senhor, mas que isso não tem mal nenhum, que mal tem os contribuintes serem esfolados vivos para eles e as manas e as primas receberem os milhõzitos da ordem. Indiciados? Não! De quê?! Ora. E, risco de destruirem provas? Ná. Já tiveram mais que tempo para isso tudo, já não há nada para destruir. Por isso, não nos ralemos com nada disto que as ralações dão cabo da beleza e a malta quer é manter-se jovem e bela para sempre.


Dizia eu que ia falar disto mas, pelo que expliquei, já me falta a pachorra. Por isso, lamento mas fica para outro dia.


1. Vou antes fazer uma recomendação que não tem nada a ver mas eu, quando me apetece alienar-me, alieno-me com muita força. E a recomendação é esta: cuidado com o que se lê em lugares públicos não vá haver alguma reacção incómoda e estar por perto algum espertinho a registar o momento.


Lendo As 50 sombras de Grey num transporte público


2. E vou sugerir que a gente se divirta com o Jim Carrey. Love, love, love. O seu Helvis bate todos os sucessores do Elvis.




3. E, agora, que entre em cena mais uma das minhas minhas amigas burlescas. A graça que lhes acho e o que elas se divertem. Aqui temos a ruiva e descaradona Blaze no Cirque du Burlesque 2014. Sexy e rebolona, despe-se na maior descontra, dança, brinca que dá gosto e tem uma amplitude de movimentos de perna que dá inveja. Lá está, um dia que eu me reforme, cá tenho mais uma possível actividade: organizar uma coisa destas cá pelo burgo. Assim como assim, se é para a desgraça, que seja em grande estilo. 




___


Relembro: Mulheres e homens topo de gama podem ser vistos nos dois posts que se seguem. Ou será a roupa que eles vestem ou onde se deitam é que é topo de gama? Olhem, dado o adiantado da hora já nem me lembro.

___

Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela sexta-feira.

..

Le Donne. L'Union libre. [Mulheres, agentes provocadores, roupa de cama, poesia]


No post abaixo mostrei o homem mais caliente da actualidade e ai de quem diga o contrário que eu não estou cá para aceitar tal desfeita. Mostrei-o de várias maneiras para que toda a gente possa aferir a justeza do meu juízo. (Claro que o meu marido e filhos virão dizer-me que juízo é coisa que eu não tenho mas eu não levo a mal, estou habituada a ser incompreendida).

Enfim, o Gandy do meu coração é só a seguir. 

Aqui, agora, viro o bico ao prego, e o foco é outro, que eu não quero que se pense que me esqueço de que entre os Leitores do Um Jeito Manso, há um público pouco dado a apolíneas divindades, preferindo antes apreciar camas (de preferência com mulheres dentro).




Houve mulheres serenas,
de olhos claros, infinitas
no seu silêncio,
como largas planícies
onde um rio ondeia;
(...)
outras, pálidas, cansadas,
devastadas pelos beijos,
mas reacendendo-se de amor
até à medula,
com o rosto em chamas
entre os cabelos oculto,
as narinas como
asas irrequietas,
os lábios como
palavras de festa,
as pálpebras como
violetas.
E houve outras ainda.
E maravilhosamente 
eu as conheci.




Minha mulher com seios de crisol de rubis
com seios de espectro de rosa sob o orvalho
Minha mulher de ventre a entreabrir-se como o leque dos dias
de ventre de garra gigante
(...)
Minha mulher de olhos de savana
minha mulher de olhos de água para beber na prisão
Minha mulher de olhos de lenha eternamente sob o machado
de olhos de nível de água de nível de ar de terra e de fogo.






As imagens referem-se à Colecção Home do Agent  Provocateur 
- roupa de cama, lençóis sumptuosos, almofadas macias, cobertas de suave caxemira.




____


Os primeiros excertos pertencem ao poema 'As mulheres' (Le Donne, 1903) de Gabriele d'Annunzio

Os segundos pertencem ao poema 'A União Livre' (L'Union libre, 1931) de André Breton.


Ambos foram traduzidos por David Mourão-Ferreira e podem ser vistos em Vozes da Poesia Europeia - III, Colóquio Letras nº165

____

Para  validarem a minha escolha e verem o contemplado com o galardão UJM para o Hottest Man/2014  é descer, por favor, até ao post seguinte.

...

O homem mais hot do Instagram e arredores: David Gandy


A Harper's Bazaar gosta de escolher os melhores disto e daquilo. As melhores franjas, os melhores cabelos ondulados, as melhores toilettes com jeans, os melhores casacos pêlo de camelo, os melhores looks de rua. Etc, etc.


Desta vez, escolhe os 16 homens mais hot a seguir no Instagram. Fui ver, está claro.

Pensei: destes 16 vou escolher três ou quatros para trazer ao Um Jeito Manso. E fui desbastando até ver se chegava à dita short list. E tanto desbastei que cheguei a um, a um único - um que já é veterano por estas bandas. Não sei se é hot, se é cold, se é vulcânico, tépido ou o quê. O que sei é que é um consolo, um bálsamo para a vista e, cá para mim, também para a alma e, quase arriscaria, também para o corpo.



David Gandy é uma coisa do além e deve ser como aquilo que se diz da agricultura: aproveita-se tudo. Tem 34 anos bem alimentados, 1,88 m de corpo bem desenhado, é formado em marketing, bom rapaz, embaixador de algumas causas beneficientes e uns olhos azuis que são um perigoso abismo.





Do que por aí tenho visto, considero-o o mais belo e convincente modelo masculino da actualidade e eu, um dia que me dedique a sério à fotografia, bem gostava de o ter à minha disposição - em contraluz, de frente, de perfil, pensativo, sonhador, satisfeito, armado em poeta, vestido de trovador, vestido de gladiador, vestido de Adão.




David Gandy também já começou a desenhar roupa, roupa interior para homem para a Marks & Spencer e o vídeo abaixo mostra a qualidade das peças. 






Do além, é o que vos digo.

____

quinta-feira, dezembro 18, 2014

Valérie, a mulher abandonada que escreveu 'Obrigada por este momento' (o livro que Hollande não queria que ela escrevesse)


No post abaixo já festejei. Andava sem saber que era feito do meu Lombinha dos Briefings e não é que acabei de o ver? Está na mesma, benza-o Deus.

Mais abaixo ainda, fiz-me eco de anedotas, safadices, brejeirices e terapices de casal

Mas isso é a seguir.

Aqui, agora, a  conversa é outra.


L'amour - pela voz de uma ex-Primeira Dama

Carla Bruni, a antecessora



Tenho andado a ler o livro de Valérie Trierweiler, a ex-companheira do galã Hollande que, como é sabido, a trocou pela actriz Julie Gayet.


Andava curiosa por conhecer Valérie, 49 anos, esta mulher com quem a França nunca estabeleceu uma relação empática pois sempre a viu como uma arrivista, aquela que se intrometeu entre François Hollande e Ségolène Royale, a mãe dos seus quatro filhos.

Valérie sempre teve um sorriso que parecia forçado, sempre mostrou uma pose altiva e sempre apareceu aos olhos da opinião pública como uma mulher possessiva (a ponto de a tratarem por Rottweiler) que se tinha colado a um político com ar de homenzinho vulgar que, como por milagre, ascendeu a presidente de França.

Tendo conseguido chegar até ao Palácio Presidencial, Valérie não chegou a aquecer o lugar. Nem dois anos tinham decorrido e já a traição de Hollande com Julie aparecia exposta na capa dos tablóides - ainda por cima, uma coisa ridícula, o Hollande à porta da amante, de capacete para não ser reconhecido. A imprensa do mundo inteiro acompanhou a cena em tempo real: os comprimidos tomados por Valérie, o internamento por esgotamento nervoso, as crises de choro e fúria. 


E, pouco depois, ouviu-se falar do livro, Obrigada por este momento. Parecia daquelas mulherzinhas que, traídas e de cabeça perdida, tudo fazem para dar cabo da vida ao ex e à nova consorte.

Li, na altura, que ela fazia revelações que o deitavam por terra, mostrando-o como uma criaturinha egocêntrica, parva, fútil, mentirosa.

Balançando entre achar que o livro não devia ser coisa que se aproveitasse pois não devia passar de uma vingançazita vulgar, e uma cusquice difícil de controlar, quando vi o livro à venda, folheei-o para ver se me convencia a deixar lá ficá-lo. Mas não. Trouxe-o mesmo.

O livro não está extraordinariamente bem escrito, o que me causa admiração. Valérie tem estudos e é jornalista e, ultimamente, para evitar constrangimentos, tinha deixado de escrever sobre política, área na qual era especializada, para passar a escrever sobre livros. Seria, pois, de esperar uma prosa mais escorreita. Mas também não é horrorosa, note-se. Bem pior é a escrita de José Rodrigues dos Santos, por exemplo.

Mas, para além da forma como escreve, há a linha condutora da narrativa que é um bocado caótica. Ela vai escrevendo à medida que as coisas lhe vão vindo à memória e, portanto, o livro não é sequencial e vê-se que é escrito com a emoção à flor da pele e sem grandes cuidados de revisão e edição.

Ainda assim é um livro que prende, tanto mais que fala sobre factos recentes, fala de um presidente em funções e fala dela própria, revelando-se de uma forma muito genuína.

Quando acabar de ler, contar-vos-ei. Para já, entre muitas outras coisas, fiquei a saber que Valérie provém de uma família extremamente pobre, mas mesmo muito pobre, e que, extraordinariamente, conseguiu sair do círculo de pobreza que geralmente aprisiona os muito pobres e conseguiu estudar, ganhar o gosto por ler, e evoluir, sempre trabalhando, muitas vezes sofrendo. Impressionou-me o episódio que contou relativo ao dia, um primeiro dia de aulas, em que, tendo verificado que os sapatos tinham deixado de lhe caber, teve que levar calçados uns sapatos largos do irmão e que, nos intervalos, ficou sentada, com a mala em cima dos pés, envergonhada, a chorar.

Fiquei também a saber que, a pedido de Hollande, tinha deixado o seu trabalho na televisão, ficando apenas com o trabalho no Paris Match (ou seja, tinha renunciado a dois terços do seu rendimento) e que, ao ser posta fora da vida do presidente, receou pela sua autonomia financeira, tendo este lavado as mãos. Pôs-se então a escrever o livro não tanto para ganhar dinheiro mas como catarse. Pensou que ia vender bem mas nada do que se tem vindo a verificar, nunca imaginou que fosse o best-seller internacional que está a ser. Imagino que fique rica com os proventos deste livro e fico contente por isso. A lembrança dos tempos de extrema pobreza estão ainda muito presentes na memória de Valérie.

Hoje, ao fim do dia, fui a uma feira de livros e, por acaso, dei com um pequeno livro sobre Ségolène Royale.


Lê-lo-ei a seguir. Não que queira compará-las tanto mais que, justamente, essa comparação atormentou a relação entre Valérie e Hollande, mas, depois do que estou a ler, fico também curiosa em relação a essa outra mulher que igualmente se enfeitiçou por aquela figurinha por quem eu não daria um chavo.

Entretanto, descobri uma entrevista muito recente, com menos de um mês, à BBC, na qual Valérie Trierweiller fala abertamente pela crise pela qual passou. Achei interessante e, por isso, aqui a partilho convosco. Imagino que não tarde esteja de volta à televisão pois tem uma presença forte e, por ela e pelos filhos, tomara que isso aconteça.



_____

NB: Muito gostaria ainda de poder escrever sobre o importante passo no sentido da normalização de relações entre os EUA e Cuba mas já não dá, o tempo não estica. Mas aqui deixo nota da minha alegria.
______


Relembro: sobre o Lombinha e o chefe e o regabofe da televisão e sobre cantadas, disputas e outras cenas que requerem uma boa terapia de casal é favor descer até aos dois posts seguintes.

____

Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa quinta-feira.
...

Hoje revi o Lombinha! Yupi! Aleluia! Lombinha! Lombinha! - Estava na Assembleia da República (com o chefe Maduro) e estava a tapar a cara a ver se passava despercebido. Mas eu vi-o. Lombinha! Lombinha!


No post abaixo já divulguei anedotas sobre sedução, casamentos desavindos e, para terminar, partilhei um vídeo sobre Terapia de Casal. Foi o momento de humor do dia.

A seguir.

Mas, aqui, agora, a  conversa é outra.

Estava há bocado deitada no sofá a ler um livro quando ouço na televisão a voz de flautinha do senhor ministro Miguel - não a do saudoso Relvas mas a do letrado Poiares Maduro. 
Explicava-se ele sobre o fim do mundo em cuecas que vai para ali na RTP, ele, Poia, a querer correr com o Da Ponte e o Da Ponte a dizer que, se ele quiser um duelo, tê-lo-á e que se o Poia não o deixa em paz, vai queixar-se dele ao tribunal, assédio, perseguição paranormal, qualquer coisa - e a justiça que decida. 
E o pobre Miguelito, olhinhos descaídos, voz de aflição, barbinha mal semeada, ali estava desfiando queixinhas atrás de queixinhas, puerilidades que ninguém consegue levar a sério, uma coiseca de rapazolas que a gente já nem ouve. 
O Da Ponte goza que nem um perdido - e só pode - e ele, pobre académico, não consegue perceber que não é criando conselhos ou tretas que consegue eximir-se às suas responsabilidades e que gerir uma empresa não é a mesma coisa que brincar aos power points ou elaborar papers (e digo isto sem querer ofender os académicos mas é que um académico que queira tutelar uma RTP tem antes que se fazer homem, quanto mais vir de penacho erguido, directamente de um instituto lá para Florença onde andaria a fzaer flores).

Mas, então, estando eu quase com uma lágrima ao canto do olho, tanta a pena que estava a sentir daquela pobre figura, quando reparo que o coisinho Lomba também ali estava. Todo o tempo que o vi, esteve de lado, a mão tapando a cara. Pareceu-me que estava com medo que alguém pensasse que aquilo era mais um dos mal-afamados Lombinha's briefings, daqueles que davam um azar dos diabos, tanto que tiveram que acabar com eles antes que o Governo caísse todo. Acho que não abriu a boca.


O que andará ele a fazer? Aos anos que ali está sem que ninguém dê pela sua presença. Tão inteligente que era, o espertésimo Pedro Lomba, e agora, coitado, tais as tristes figuras que fez com aqueles estapafúrdios briefings que teve que passar à clandestinidade a ver se o País inteiro se esquece dele.

Quantos mais clandestinos se esconderão no seio deste desconexo desgoverno sem que a gente dê pela falta que fazem? É este, é o Maçães e são todos esses elementos decorativos que, sempre que fazem alguma, só sai disparate.

Este Lombinha mais o seu chefe Poia são bem o exemplo de que não basta ser inteligente: há que parecê-lo, é certo, mas há sobretudo que saber concretizar, há que saber a quantas se anda, há que ter jeito, ter traquejo, ter experiência, enfim, qualquer coisa. Caso contrário, bem podem limpar as mãos à parede. Já viraram anedota nacional e tudo o que façam só serve para despertar a galhofa. Temos pena.

_

Para anedotas e terapias a la Porta dos Fundos é descer, por favor.

..

Telepatias, amores, desamores - e terapia de casal


Nº 1


Um piloto de caça entra num bar e senta-se ao lado de uma mulher muito atraente.

Olha-a de relance e depois olha para o seu novo relógio Apple. A mulher repara nisso e pergunta: 'A sua namorada está atrasada?'

'Não', responde ele. 'Estou aqui com o meu relógio Apple que é um topo de gama e estou a testá-lo'.

A mulher, intrigada, pergunta: 'Um relógio topo de gama? O que é que ele tem de especial?'

O piloto esclarece: 'Usa ondas alfa para falar comigo telepaticamente'.

A mulher pergunta-lhe, então: 'E o que é que ele lhe está a dizer agora?

'Bem... está a dizer que você não está a usar cuecas...'

A mulher dá uma risadinha e diz: 'Pois então lamento informar que está a funcionar mal. Eu estou a usar cuecas'.

O piloto faz um sorrisinho afectado, dá uma pancadinha no relógio e diz: 'Raios partam esta coisa: está uma hora adiantada'.

_____

Nº2


- Querida, vamos ter que começar a economizar.
- Tudo bem... Mas como?
- Tens que aprender a cozinhar para mandares embora a empregada.
- Combinado... E tu aprende a fazer amor para poderes dispensar o motorista.


_____

Nº 3


Um casal vinha por uma estrada do interior, sem dizer uma palavra. Uma discussão anterior havia levado a uma zanga e nenhum queria dar o braço a torcer.

Ao passarem por uma quinta, onde havia uma mula e porcos, o marido perguntou, sarcástico:
- Parentes teus?
- Sim, respondeu ela.. Cunhados e sogra...


____

Nº 4

Terapia de casal pode ser um perigo. Você entra lá para resolver um pequeno problema que você acha que tem e acaba descobrindo que esse problema que você achava que tinha, na verdade, era apenas a ponta do icebergue de um problema muito mais profundo que você não sabia que tinha e jamais saberia, caso não tivesse inventado de ir à terapia de casal.

Terapia de Casal na Porta dos Fundos




....

(E os meus agradecimentos aos simpáticos Leitores que me enviaram as anedotas 1, 2 e 3)

..

quarta-feira, dezembro 17, 2014

Os Espíritos continuam a assombrar a Assembleia e eu, farta de os ouvir dizer que não sabiam de nada e treuze, piquenos e outras pérolas, mudo de assunto e, de lingerie, ousadamente, sem medo de provocar os deuses, entro numa casa com umas regras muito próprias pela mão do Agent Provocateur.




Não estou muito afim de comentar os senhores que, como estou farta de saber, falam todos com o mesmo tom de voz, pronunciam as palavras da mesma maneira, dizem treuze, têm uma certa dificuldade em acertar na gramática e todos, por igual, dizem desconhecer o que se passava dentro do barco.

E não estou afim porque sei que é tudo demasiado assim e isso dá-me pena porque a verdade é que navios desta envergadura com uma enorme tripulação e inúmeros passageiros a bordo são conduzidos por quem pouco sabe da coisa e que confiam todos uns nos outros, fiando-se que alguém há-de saber ou estar atento caso dê para a borrasca.

Até ao dia em que, atónitos, percebem que a coisa já descarrilou demais.

E, ainda assim, confiam que alguém há-de ter a solução para o sucedido - o contabilista, o advogado, o professor, alguém que o primo arranje. E, sobretudo, acham, na inocência dos simples, que o que há que fazer é tentar esconder o que se passa porque o que se passa em casa, em casa deve ficar, e os dramas domésticos não são para vir para os jornais até para não haver pânico, e para que o prestígio e o nome da família não se enlameie, e há que esperar que a coisa se componha porque ninguém há-de ser tão inconsciente que vá fazer com que todos os accionistas mesmo os piquenos percam tudo ou que milhares de empregos se percam, trabalhadores tão bons, tão fiéis, quase tão bons como a criadagem. 

Mas o drama é que o País está mesmo entregue a gente inconsciente e leviana (e aqui refiro-me às mais altas instituições do Estado), e, se calhar, nem é bem leviana, é mais levezinha, porque leviano é coisa de outro calibre e este é mais na base da inconsciência, é gente que confunde o género humano com o Manuel Germano, que aceita embarcar em aventuras, que confunde ideologia de cão de caça com conceitos de gestão e, na maior irresponsabilidade, aceita ser cobaia e, na volta, ainda agradece ter sido escolhida para cobaia mesmo que a experimentação provoque queda de membros ou colapso de órgãos vitais.

E, então, perante o pasmo geral, de um dia para o outro, tudo se perde, tudo se desmorona. Ninguém percebe porquê mas as televisões logo se enxameiam de gente que afirma cetegoricamente que isto não tem nada a ver com o BPN, que isto não é caso de polícia. Os comentadores e os jornalistas-levezinhos são outra das pragas que atordoam os portugueses.

E agora todos eles, dos vários ramos da família, os primos Espíritos, aparecem, desconcertados, a confessar que receberam milhões mas não sabem bem porquê nem de quem e a reconhecer que assinavam de cruz porque confiavam no primo, e são todos primos dos primos e, de facto, ninguém sabia de nada porque se habituaram a que o primo é que sabia e que não era preciso saber mais que isso, a vida já é trabalhosa demais mesmo sem ter que se saber, muito menos trabalhar: há a vida de sociedade, as viagens, os almoços, tudo isso que dá trabalho e se resolve com dinheiro que aparece na conta sem ser preciso perder tempo com minudências como números, mapas, balancetes, maçadas que se deixam para os empregados, coitados, tudo gente tão boa.


E assim caíu o BES, caem as empresas do Grupo GES, cai a PT, tudo grandes empresas, exemplos de boa governance, tudo empresas com manuais de ética, de sustentabilidades, certificadas sob todas as normas, empresas que pagavam chorudos bónus e elevados prémios de gestão, viagens a jornalistas, bilhetes de futebol lá fora a outras prebendas a clientes - e que, afinal, caem redondas que nem tordos.


Por isso, interrogo-me: comentar o quê? É assim a vida em algumas das grandes empresas em Portugal.

Sempre aqui tenho repetido, quase carpido: o problema deste pobre país nunca foi a legislação laboral que sempre deu para tudo e para o contrário, muito menos os feriados ou a modorrice dos pobres trabalhadores, ou os seus ordenados, sempre tão baixos.

O problema deste País sempre residiu nas suas fracas elites, empresários que tantas vezes não têm formação nem estão habituados a trabalhar, apenas têm pedigree (quando a gente sabe que, para sobreviver com mais saúde, se saem melhor os rafeiros) e cagança, gente que disfarça a sua ignorância contratando assessorias e consultorias (que, na prática, valem menos que zero e apenas servem para se exibir as modas que se seguem). São as fracas elites no empresariado, na gestão, na política, no jornalismo, é a falta de liderança que tudo entorpece, é a cobardia e é também a mesquinhez generalizada. É isso que impede que Portugal cresça.

Um fraco rei faz fraca a forte gente.
(...) esteve perto
De destruir-se o Reino totalmente,
Que um fraco rei faz fraca a forte gente.

Estou a escrever isto e a pensar no que ouvi quando vinha no carro: o Alberto da Ponte no Parlamento. Para começar não percebo o que é que agora anda tudo a explicar-se no Parlamento. Coisas de gestão ou coisas disciplinares em vez de se resolverem no sítio certo, lá vai tudo lavar roupa suja para a Assembleia. 

Depois, o desnorte deste governo de anedotas é tal que demitem uma administração e a administração diz que devem estar mas é a brincar, que se vão catar, que não se demite nem se deixa demitir e ai de quem ousar chateá-los. E eu, já aqui o disse muitas vezes, não sou fã do Alberto da Ponte mas, face a este desvario do Poiares Maduro e à baderna armada pelo Conselho Independente - onde pontua o António Feijó que pode ser inteligente e perceber de literatura mas, ó caraças, ouve-se o senhor a falar e só apetece dizer que esteja calado, é um lírico que olha para a gestão de uma empresa como um boi olha para um palácio - e tenho que achar que ele, Alberto, está a fazer o que é lógico: a defender o seu brio profissional. Já alguma vez o Feijó do AO tinha visto antes um plano estratégico de uma empresa para dizer que está mal feito? Pensaria ele que ia encontrar uma tese de doutoramento com laivos de semiótica e tempero de epistemologia?

Uma paródia, este episódio da RTP. 

A falta de produtividade do País resulta destes encostos, destes malas, destes atrasos de vida, destas nulidades que pululam na gestão de topo, nos ministérios, nas comissões, nos conselhos, nessas tretas, tretas por todo o lado - e não da ronceirice de um ou dois trabalhadores, coitados.

Não tenho, por isso, paciência para gastar com estes fracos reis que fazem fracas as fortes gentes e que quase fazem deitar a perder este país tão pobre e desmoralizado, que aceita ser governado por gente mentirosa, desqualificada, impreparada.


Por isso, meus Caros, permitam que mude de rota.




Mercúrio acompanha a
entrada do ano
indiferente
diurno e
masculino

por isso não se perca tempo com quem
não merece

e tempo será de
um inverno áspero    e os que
nascem neste ano terão
mãos esbeltas e
dedos compridos

procurem com eles dominar
a pedra ou
o metal

sejam
ousados


Sejamos, pois, ousados. Vamos entrar em casas de alto risco. E vamos entrar acompanhados por agentes provocadores. Mas, primeiro, deixem que vos diga quais as regras do Salon.

Nº 1 - Não há reservas 
Nº 2 - As inibições são desencorajadas 
Nº 3 - Deve estar preparado/a para alargar horizontes 
Nº 4 - Os limites são estabelecidos por cada um
Nº 5 - A curiosidade é encorajada 
Nº 6 - Seja você mesmo/a: a discrição é garantida 
Nº 7 - Vista-de de acordo com a ocasião 
Nº 8 - Os espíritos livres são bem vindos
Nº 9 - As Regras da Casa são para ser quebradas
____

Raparigas quase nuas divertem-se numa mansão
(sessão fotográfica para o Agent Provocateur)



____

não provoques os deuses    ouvi
alguém dizer    e por isso
não houve perguntas para
o teu regresso

que também não durou mais
que um solstício de verão
a cair no rio

um sinal na rua
a passar do vermelho
ao verde
___

Se o sinal passou a verde, avancemos então.


Agent Provocateur Outono/Inverno 2014 - Le Salon ‘House Rules' 

(com as modelos Ashley Smith & Dioni Tabbers).



_____


Os poemas são de Alice Vieira in Os Armários da Noite. O primeiro poema chama-se Borda D'Água. O segundo não tem nome.

NB: O pequeno excerto de um poema em que se refere que fraco rei faz fraca a forte gente é de Camões.

Os vídeos referem-se à marca de lingerie Agent Provocateur. As fotografias que usei para ilustrar o post mostram Naomi Campbell, a gazela negra que mede 1,77 m e tem 44 anos, e que é agora a imagem da marca.


A fotografia das rosas metidas dentro de gelo é de Kenji Shibata.

___

Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa quarta-feira. 
A vida recomeça todos os dias.

terça-feira, dezembro 16, 2014

As férias de luxo de Marcelo Rebelo de Sousa na mansão à beira-mar no Brasil ou no veleiro, o amigo Ricardo Salgado que as pagava, Zé Maria Ricciardi, o primo traidor e eterno enfant terrible e o coelhinho que não largava pêlo, o urso malandreco e o leão de rabo pelado. Tudo histórias com muita moral.


No post abaixo já deixei a receita para um casamento sem discussões. Não posso dizer que seja muito instrutiva nem que deva ser reproduzida mas, enfim, dêem o devido desconto.

Mais abaixo tenho uma entrevista ainda quentinha com uma beldade sexy e, mais abaixo ainda, falo da ama do meu filho, do filho dela, do meu filho e mostro um vídeo com um mar muito grande.

Mas tudo isso é a seguir. Aqui, agora, a conversa é outra.


1. Sobre BES e GES, sobre os primos e assessores jurídicos, comentadores, companheiros de administradoras, e etc.



Foi com algum incómodo mas não muita surpresa que li mais uma do primo Zé Maria, aquele que tem boa imprensa, o que faz rir os deputados e os jornalistas, aquele a quem todo o crédito é dado porque, segundo estes, num ápice desfaz a narrativa tão cuidadosamente estudada pelo Ricardo, o tal de coração de leão e pele de leopardo que virou bombo da festa, aquele a quem muita gente, em especial os que antes o veneravam, gosta agora de insultar, pontapear e cuspir em cima. 

Desta vez, porque,  na sua homilia semanal na TVI com a Judite, o Professor Marcelo - essa velha raposa que, com ligeireza e sem grandes pruridos, urde intrigas, costura argumentos e fala com sabedoria de literatura, futebol, justiça, tácticas e estratégias políticas, conluiois partidários, economia, arrufos entre socialites e feitos de agremiações recriativas - tinha, uma vez mais, poupado o grande amigo Salgado para o chamuscar a ele, Ricciardi, nem pensou duas vezes. Naquele seu estilo de lavadeira (de roupa suja, claro), enviou um comunicado onde não foi meigo. Em tom de ameaça disse esperar que Marcelo não voltasse a mentir já que, a seu respeito, já ia na segunda mentira e, para que Marcelo não tivesse vontade de se levantar do tapete, ainda atirou: 



Eu compreendo que o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa tenha muita mágoa em não poder continuar a passar as suas habituais e luxuosas férias de fim de ano na mansão à beira-mar no Brasil do Dr. Ricardo Salgado, mas essa mágoa não o autoriza a dizer mentiras a meu respeito e do banco a que presido, conforme fez no seu comentário de ontem
Marcelo, apesar de conhecer o espírito truculento do menino Zé Maria, até deve ter engolido em seco. 

O leopardo, o primo que dizia que era irmão e um dos Sousas
Há ovelhas negras em todas as famílias e que apenas são gente fina enquanto o argumento (leia-se: guião) que lhes é dado lhes permite simular a pose. Mal ficam por sua conta e risco mostram que o sangue que lhes corre nas veias é tão azul como o de um qualquer vulgar arruaceiro e que o seu argumentário está ao nível de uma pregoeira do Bolhão. Ricciardi costumava dizer que o primo Ricardo era um irmão mas há irmãos que se odeiam e estes é o que se vê.



A procissão ainda vai no adro e o desfiar de farpas, os golpes baixos, o destapar de carecas e o lavar de roupa suja em público já começa a incomodar. Mas, enfim, a imprensa vibra com isto e os jogos estão feitos. Ricardo Salgado não é flor que se cheire, nunca foi. Mas ao seu lado e co-responsáveis pela gestão que levou ao descalabro, estiveram todos os outros que hoje sacodem a água do capote, saltam como ratos e fogem como cobardes. Podem vir dizer que não sabiam mas, se não sabiam, deviam saber e, portanto, dizendo-o, confessam, em cima de tudo o resto, a sua incompetência ou irresponsabilidade.


2. Sobre o Super-Alex que não deixa que Sócrates use do seu direito de falar, tendo proibido entrevistas a partir da cadeia



Já uma vez o disse: que um culpado ande à solta acho perigoso. Mas que um inocente seja injustamente condenado e pague, com a sua liberdade, por crimes que não cometeu parece-me ainda mais perigoso e desumano, de uma injustiça dificilmente reparável. 

O Super-Juíz Carlos Alexandre que põe e dispõe
sem que a gente perceba se o que ele faz é mesmo legal
Mas José Sócrates ainda nem foi julgado. Ainda andam à procura de provas que o incriminem. Os jornais tudo têm feito para o crucificar na via pública e é raro o dia em que não apareçam, a conta-gotas, novos factos, coisas que espremidas não deitam nada, apenas ódio ao homem. Até o pobre do motorista já é tratado como o 'cúmplice' de Sócrates.

Agora impedem José Sócrates de conceder as entrevistas que lhe solicitaram. Está preso para poderem procurar pistas à vontade mas é mais do que isso: sem que tenha ainda sido condenado, já está privado até da sua liberdade de falar.

Se é esta a liberdade que queremos ter no nosso país, um país que supostamente é livre e democrático, então vou ali e já venho.


Face a este estado das coisas, nada como uma história que me foi enviada por Leitor a quem agradeço e que contém uma moral profunda que deveria ser pensada pelos Zé Marias, Alexandres, jornalistas e quejandos desta vida (and sorry for my french - que, mesmo assim, já foi suavizado face à versão original).


3. O coelhinho, o urso e o leão 




Um coelhinho felpudo estava a fazer as suas necessidades matinais quando olha para o lado e vê um enorme urso fazendo o mesmo.

O urso vira-se para ele e diz:
- Hei, coelhinho, largas pêlo?
O coelhinho, vaidoso e indignado, respondeu:
- Nem pensar, venho de uma linhagem muito boa...

Então o urso pegou no coelhinho e limpou o cu com ele.




  MORAL DA HISTÓRIA

  Cuidado com as respostas precipitadas. 
Pense bem nas possíveis consequências antes de responder.

____


No dia seguinte, um leão, ao passar pelo urso, diz:
- Aí, hein, seu urso! Com toda essa pinta de bravo, fortão, bombado...! Bem te vi ontem dando o cu para um coelhinho felpudo. Já contei a toda a gente.


  MORAL DA MORAL

  Você pode até sacanear alguém mas lembre-se que existe sempre alguém ainda mais filho da mãe do que você.

 ____


A GRANDE MORAL DA HISTORIA


O  problema de Portugal (o problema ou a sorte, consoante a perspectiva) é que quem elege os governantes não é o pessoal que lê jornal, mas quem limpa o cu com ele!

 ____

Relembro: já que este que acabam de ler foi o 4º post da noite, há por aí abaixo mais 3 e são para todos os gostos, de algum são capazes de gostar.
___


Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela terça-feira.