ano novo 2014

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sexta-feira, Abril 18, 2014

Morreu Gabriel Garcia Márquez mas não morrerá nunca o Amor nos Tempos de Cólera nem a Vida imensa feita literatura (vida que ele viveu para poder contá-la)


No post abaixo falei das histórias infantis cheias de termos datados, incompreensíveis para as crianças de hoje, e repletas de perfídias de toda a espécie e feitio e aproveitei para mostrar como Jean Paul Gaultier vestiu a Branca de Neve a a Bruxa Má e demais personagens para um bailado contemporâneo.

E estava eu a escrever já sobre outra coisa, nomeadamente sobre um novo mural de Banksy que apareceu e desapareceu numa semana, quando vi na televisão que Gabriel Garcia Márquez tinha morrido.




Hesitei.

Não gosto nada de obituários, de elogios fúnebres, de epitáfios. Não gosto da morte. Sei que faz parte da vida mas nunca convivi bem com esse último passo. Não sei se foi porque, quando era pequena - teria talvez uns dois ou três anos - morreu o meu avô, em casa de quem eu ficava enquanto a minha mãe estava a dar aulas. Foi um processo muito traumático para a família, soube-o vários anos depois. Essa minha avó tinha tido a minha mãe quando tinha dezassete anos, tinha caído perdida de amores pelo meu avô, um rapaz um pouco mais velho que ela, muito alto, muito louro, de olhos muito azuis. A minha mãe, por sua vez, teve-me aos vinte e três e, portanto, a minha avó era, então, muito nova e ainda completamente apaixonada pelo meu avô. Ele morreu de acidente e iam ao cinema nessa tarde. Nunca mais aparecia e a minha avó à espera. Até que alguém foi avisá-la. Com o choque, ela desmaiou e viveu uns dias entre a consciência e a inconsciência. A minha mãe também teve um choque brutal, acho que chorou dias a fio. Eu, que estava sempre com os meus pais ou com esses meus avós, fui enviada para a casa da minha outra avó e ninguém me disse nada. Mas eu, que era uma menina muito curiosa e que percebia tudo o que se passava, devo ter achado alguma coisa de estranho. E depois andavam de luto, vi-o depois nas fotografias. Mas não me lembro de nada desses tempos. Ocultaram tudo de mim e eu nem percebo como conseguiram porque eu haveria de ter feito perguntas. Mas não me lembro de as ter feito. Lembro-me de mil coisas de quando era dessa idade mas disso nada. Só sei que, por essa altura, fiquei gaga. A minha mãe levou-me ao médico e ele disse que me havia de passar. Quando entrei para a infantil, aos quatro anos, já não gaguejava. Já lia e escrevia e, no entanto, não tinha qualquer ideia sobre a morte do meu avô.

Não sei se é por isso, o que sei é que desde criança que tenho terror da morte. Nunca consegui ver ninguém morto. Mesmo quando são familiares próximos, fico na parte externa das capelas. Não consigo aproximar-me. Não consigo mesmo.

Também talvez por tudo isso, detesto falar de mortes. Faz-me impressão que, quando morre alguém, a internet é varrida por RIP e datas entre parêntesis. Dá ideia que as pessoas falam disto com ligeireza, que cumprem uma obrigação. Eu não consigo.

Mas, de vez em quando, abro uma excepção, já aqui as abri umas quantas vezes, poucas mas abri.


Hoje quero falar do Gabo. Houve uma altura, na verdade uns anos, em que eu trabalhava num sítio em que, todos os dias, estava para aí uma meia hora no trânsito. Havia uma estrada que ia dar a uma rotunda e era um castigo para lá chegar. Mas para mim não era. Lia livros atrás de livros. Um dos livros que melhor recordo desses tempos  foi o Amor nos Tempos de Cólera. Florentino Ariza e Fermina Daza vivem dentro de mim desde então.


Já tinha lido os Cem anos de Solidão mas na verdade foi o Amor nos Tempos de Cólera  que me fascinou. 


Não garanto que estejam aqui todos,
 fui ali num instante fotografá-los
Depois li vários outros e li livros de entrevistas com ele, autobiografia e biografia. Pessoa com uma vida fascinante, cheia, uma pessoa apaixonada e apaixonante, uma escrita igual, transbordante, por vezes aquém da própria vida.

Entretanto, ultimamente a cabeça foi-lhe ficando cansada e, quando isso acontece, a pessoa já não está bem cá. O estado de saúde nos últimos dias estava frágil e, portanto, o relato dos seus últimos tempos era de facto a crónica de uma morte anunciada.

Não consigo dizer que o mundo fica mais pobre sem ele.

Já tantos se foram e o mundo fica sempre mais pobre mas a verdade é que fica e não fica.

O meu pai um dia queixava-se que o que tinha morto o pai, o meu avô que morreu aos noventa e tal anos, tinha sido uma pneumonia. Saíu-me: 'Senão o quê...? Teria vivido até aos duzentos...?'. O meu pai ficou a olhar para mim, sem dizer nada. E eu arrependi-me de ter sido tão bruta; afinal estava a falar do pai dele, do meu avô de quem eu tanto gostei. Mas a minha mãe deu-me razão, disse que ele ter vivido até aos noventa e tal já tinha sido até bem bom.

Ninguém fica cá para sempre e, portanto, não vale a pena dizermos palavras escusadas. Morrem uns, nascem outros. Vejo a fotografia de alguns casamentos da família, do meu, dos meus cunhados. Quase metade das pessoas já cá não está. Mas estão outros tantos ou mais, que, na altura, não faziam parte da família ou não existiam sequer. Assim é a vida: um ciclo implacável, uma viagem que deve ser bem vivida enquanto dura e que um dia chega ao fim. Eu sei disso. Pareço até racional ao falar assim. Mas não sou. Não se deixem iludir.

No entanto, foi-se ele mas a sua obra de Gabriel Garcia Márquez ficará para sempre. É um lugar comum isto, eu sei, mil pessoas o dizem a propósito de cada artista que morre. Mas é a verdade - e para quê inventar palavras de efeito quando a verdade é tão simples?

Quando os meus filhos saíram de casa, fiz questão de que, para além dos livros deles, levassem um mínimo de livros que considero incontornáveis. Claro que não lhes dei os meus mas comprei-os de propósito para eles os levarem (como dote, como enxoval). O Amor nos Tempos de Cólera foi um deles.

Entretanto, outros escritores foram aparecendo na minha vida e outros virão, e outros e outros. E na vida dos meus filhos aparecerão outros que eles próprios vão descobrindo. Assim é a caminhada que vamos fazendo.

Um presidente de uma multinacional, um homem com uma pinta extraordinária, um francês cheio de charme, tratava-me pelo meu nome (que ele dizia em francês) seguido de la femme infidèle. E sou. Infiel. Sempre pronta para abraçar novos parceiros. E isto aplica-se a parceiros nos negócios, na literatura, na pintura, na fotografia, na música. Presa a um mesmo, por enquanto apenas ao meu namorado de longa data - mas esse já é parte de mim, não conta.


E talvez seja por isso que aquela história de amor inabalável, um amor único feito de mil pequenas infidelidades mas de uma lealdade invencível, me seduziu tanto.


Partiu o Gabo, saíu do seu corpo, mas uma parte dele está naquela minha pequena estante, perto de mim, e isso para mim chega.

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Gabo por ele próprio, falando do seu amado Caribe





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Amor nos tempos de Cólera - o filme




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A música lá em cima é Acuarela de Adolfo Mejia, músico colombiano, interpretada pelo Trío Instrumental Macaregua.

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Relembro: sobre a perversidade da história da Branca de Neve e sobre a sua transposição para os tempos modernos falo no post já aqui a seguir.

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E, assim sendo, sobre Banksy e sobre telemóveis a ver se consigo falar amanhã. Vou ter a casa com lotação esgotada, incluindo com pernoita, pelo que não sei se, à noite, terei condições físicas para conseguir escrever ou, sequer, articular palavra.

Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa sexta feira.

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quinta-feira, Abril 17, 2014

A Branca de Neve e a maçã envenenada


A minha princesa pequenina, agora com três anos e meio, gosta muito da história da Cinderela. Frequentemente quer adormecer enquanto lhe conto a história. O problema é que agora, quando conto estas histórias, fico doida. Nem sei o que diga, tudo aquilo me parece impróprio. A criança ainda não tinha três anos e já queria que eu lhe contasse a história da Cinderela. Ora como se conta a uma quase bebé uma história que mete madrastas, irmãs pérfidas, carruagens puxadas a cavalos? No entanto, a ela nada disto parece atrapalhar. 

A Branca de Neve é outra. Bruxas, maçãs envenenadas? Como explicar o conceito a crianças que estão nos primórdios do conhecimento da natureza humana?

E depois os anõezinhos. A minha filha dizia meninos pequeninos para não se ver atrapalhada a explicar o conceito.

No outro dia, foram buscar um livro e já nem me lembro que história era, mas eram só termos desenquadrados dos tempos correntes, e maldade, coisas estranhas. Fui lendo devagar e fazendo a minha própria adaptação mas, às tantas, já tinha feito tantas adaptações que não conseguia manter o enredo. Então continuei, mas lendo tal e qual o que ali estava, perfídias, intrigas, traições. Pois bem, ouviam com atenção redobrada, sem se quedar a querer perceber o sentido, como se tudo aquilo fosse compreensível e lógico.

Não sei como explicar isto.

O que vos mostro aqui abaixo não sei bem se tem um nível etário alvo. O que sei é que, eu que tanto gosto de dança, fico encantada: a incompreensível mas medonha perversidade que nos invadia a imaginação infantil, aqui coreografada por Angelin Preljocaj com figurinos de Jean Paul Gaultier.



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Plutocratas, Os Burgueses, o Ataque aos Milionários e, para temperar, O sermão sobre a queda de Roma. E um fogo assombroso nos céus de Lisboa.


Depois da anedota sexy e da piada multi-racial do post abaixo, viro-me agora para os livros.

Mas, antes, que venha Gabrielle Aplin e nos encante com a sua voz.



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Ontem, num comentário, escrevi que o meu marido tinha começado a ler Os Burgueses.

Ora bem, hoje constatei que não. Embora vocês não tenham agentes infiltrados aqui em minha casa que denunciassem a minha imprecisão, não quis deixar de rectificar.

Ele pegou nos livros que ontem aterraram cá em casa e pareceu-me que tinha levado o livro do Louçã. Mas o que começou a ler foi, de facto, o Plutocratas.

Com os Plutocratas, Chrystia Freeland, uma das mais famosas jornalista de economia no Canadá e EUA, recebeu o prémio de melhor livro do ano do Financial Times, o Lionel Gelber Prize e, ainda, o The National Business Book Award.


Tem como subtítulo: A ascensão dos NOVOS SUPER-RICOS GLOBAIS  e a quedra DE TODOS OS OUTROS.  


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Aliás, quando vi o livro sobre os outros, resolvi tirar uma fotografia aos livros que o meu marido tem na mesa de cabeceira para vos mostrar o que ele tem andado a ler. 

Quando me viu de máquina em punho no quarto, ficou espantado: 'mas até os meus livros já não escapam...?'

No outro dia o meu filho, sobre o blogue, queixou-se, 'cada vez está mais pessoal, meu...' e a minha filha, numa de um mata e outro esfola, acrescentou logo 'qualquer dia está como a pipoca mais doce'. E olharam para o pai à espera de apoio. No entanto, o pai limitou-se a encolher os ombros. Já está por tudo, nem se pronuncia. No outro dia, quando aqui falei no meu longo casamento, perguntei-lhe depois, à tarde: 'então leste?'. Fez-se de desentendido: 'li o quê?'. Já sei que tenho que ser explícita: 'a declaração de amor que te fiz'. Armado em esquisito, disse: 'sim, gostei muito que tivesses escrito que te apetece pôr-me as malas à porta'. Tive que esclarecer: 'mas nunca pus, pois não? Então não te queixes'. E pronto, ficámos assim. Dei-lhe a mão e fomos caminhar. Logo a seguir, tirou a mão mas foi porque não dá jeito andarmos a caminhar com ritmo intenso e de mão dada. Apesar de tudo, acho que gostou do que escrevi. 


Mas estava a falar dos livros que ele anda a ler. Já agora mostro os outros dois que tenciona ler a seguir e que eu também quero ler. No entanto, temendo não ter tempo, já lhe pedi que os lesse com atenção, tomasse notas e depois fizesse um power point para me enviar. Riu-se, malicioso, e disse que eu estava mesmo a pedi-las. (Não sei a que é que se referia.).

-> O Ataque aos Milionários de Pedro Jorge Castro, baseado em entrevistas e documentos inéditos e que trata de 'O cerco às famílias Espírito Santo, Mello e Champalimaud depois da revolução do 25 de Abril de 1974: as detenções, o dia-a-dia na prisão, as contas congeladas e a fuga para o exílio'.


-> Os BURGUESES - quem são, como vivem, como mandam, de Francisco Louçã, João Teixeira Lopes e Jorge Costa.


Estou curiosa.

Haverá algumas partes de que irei poder obter a comprovação junto de alguns dos, directa ou indirectamente, referidos pelo que, imagino eu, lê-los terá uma graça suplementar.

Na página aqui ao lado, o livro dos Milionários mostra um bem conhecido, Rui Moreira, agora presidente da Câmara do Porto. Mostra-o a ele e aos pais.

O pai, dono da Molaflex, esteve preso em 1975 suspeito de ligações ao ELP, ligações essas que nunca se comprovaram.

Muita coisa aconteceu nestes anos e muitos milionários de então, hoje não o são e outros debatem-se por conservar na família o que herdaram. 

Não dá para chorar de pena por eles, claro que não, caíram e levantaram-se e a maior parte está bem na vida, claro que sim, muito bem mesmo, mas não os diabolizemos pois, salvo alguns casos (de polícia até, quiçá), é gente normal - pelo menos os que me tem sido dado conhecer.

No 25 de Abril, os muito ricos tinham rosto, tinham famílias que se conheciam, o País conhecia-os.

Não é o caso do que se passa hoje, 40 anos volvidos (cá e por todo o lado). Os verdadeiros detentores do capital e do poder, hoje, são outros. Vêm de países onde os direitos humanos são frágeis, obtiveram o dinheiro de formas pouco transparentes e, na maior parte do casos, nem têm rosto, são fundos internacionais distribuídos por carteiras geridas por entidades com escritórios aqui e ali. Hoje o poder está nas mãos de capitalistas sem rosto, sem pátria, sem moral. Hoje dificilmente saberemos contra quem nos devemos defender.

Sob a capa moralista de que fizemos por merecer o que nos está a acontecer, sob a capa de que temos que sofrer na pele esta infame austeridade para que expiemos os pecados que nos dizem que cometemos, e com a ajuda de tontos, de vendidos e de gente incapaz e mentalmente destituída, somos espoliados de tudo, de dinheiro, de direitos, de dignidade, de soberania.




História com ilustração contida no livro 'Os burgueses':


O tempo passou e o urso estava cada vez mais gordo. E como estava cada vez mais gordo precisava de cada vez mais mel para saciar a sua fome. O urso entrara naquilo a que as pessoas grandes chamam 'um círculo vicioso'.

De repente, tinha uma barriga gigantesca e já mal se conseguia mexer. Foi então que as abelhas começaram a ficar assustada: elas perceberam que corriam o risco de morrerem esmagadas se o urso lhes caísse em cima.

E decidiram cortar no mel.


Legenda da imagem: "O tempo passou e o urso estava cada vez mais gordo..": uma metáfora do discurso banalizador da austeridade, justificado pelos erros do 'urso guloso'. Do livro de João Miguel Tavares (texto) e Nuno saraiva (ilustração), com a devida autorização (...).


[Um aparte meu: do que tenho visto no Governo Sombra, nem o liberal e quase acefalamente defensor de Passos Coelho e do Gaspar (que lhe apresentou o livro) João Miguel Tavares, defenderá já a política criminosa que o governo de Passos Coelho tem vindo a pôr em prática].

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O outro livro talvez não tenha a ver com esta temática. É O sermão sobre a queda de Roma da autoria de Jérôme Ferrari. Leio na capa que o Le Monde diz que é 'não só uma bela história de amor, mas também uma magnífica narrativa filosófica'. E é uma tradução de Pedro Tamen o que - vocês já sabem a admiração que tenho por ele - é garantia de que não será uma obra qualquer.


O autor é um parisiense, professor de Filosofia que leccionou na Argélia e na Córsega. Em 2012, foi viver para os Emiratos Árabes Unidos, onde dá aulas no liceu francês de Abu Dabi. Este livro recebeu o Prémio Goncourt 2012. 

Leio na contracapa coisas como 'como um eco do sermão com o qual Santo Agostinho tentou consolar os seus fiéis quanto à fragilidade dos reinos terrestres, a escrita exigente de Jérôme Ferrari lança uma luz implacável sobre a maldição que condena os homens a assistir ao desmoronar dos seus mundos e a reerguer sem tréguas, sobre o sangue ou as lágrimas, as suas mitologias impossíveis'. Vamos ver se é o que parece prometer.

O autor não poderia arrancar de forma mais promissora. Escolheu como citação de abertura a seguinte:

Admiras-te por o mundo estar a chegar ao fim? 
Admira-te antes por vê-lo chegar a uma idade tão avançada. 
O mundo é como um homem: nasce, cresce e morre. [...] 
Portanto, na velhice o homem está cheio de misérias, 
e o mundo na sua velhice está igualmente cheio de calamidades. 
[...] Cristo diz-te: O mundo vai-se, o mundo está velho, 
o mundo sucumbe, o mundo já está ofegante de vetustez,
 mas nada receies: 
a tua juventude há-de renovar-se como a da águia.



Santo Agostinho
sermão 81, §8, Dezembro de 410

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Esta quarta feira ao pôr do sol: o Tejo, o Padrão das Descobertas, um fantástico veleiro e um céu assombroso

(Eu podia ficar imóvel, em êxtase, perante uma beleza assim até que noite caísse por completo - mas tive que vir para casa fazer o jantar)
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Pois, que nem de propósito, hoje tenho Abril no meu Ginjal e Lisboa. Tenho Abril nas minhas palavras e tenho Abril nas premonitórias palavras de Manuel Alegre em Poemarma. Muito gostaria que fossem até lá para o ouvir. É Abril, é tempo de renascer.

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Caso queiram ver e ouvir Chrystia Freeland, numa conferência TED, a falar apaixonadamente sobre os muito ricos (que cada vez mais desalmadamente desprezam e anulam os restantes), ei-la:





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Relembro: se descerem até ao post seguinte terão um momento de humor.

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E, assim sendo, por agora por aqui me fico. 
Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa quinta feira. 
Não sei se se diz quinta feira santa, se é quinta feira de paixão ou se é simplesmente quinta feira. 
Seja o que for, que seja boa.


quarta-feira, Abril 16, 2014

A senhora que foi picada por uma abelha e os meninos que descobrem a diferença das cores de pele. Uma anedota e um cartoon - presentes que recebo dos leitores a quem muito agradeço


Num comentário deixado hoje num post mais abaixo chegou uma anedota que me fez soltar uma sonora gargalhada e por mail chegou uma imagem que chega a ser ternurenta. Partilho convosco, agradecendo a simpatia dos Leitores que se dão ao trabalho de me ir deixando estas oferendas.

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Uma mulher tinha acabado de começar a sua ronda de golfe quando foi picada por uma abelha. A dor era tanta que decidiu regressar ao ‘clubhouse’ para pedir ajuda e reclamar.

O ‘Pro’ viu-a entrar e perguntou: 

- De regresso tão rápido? O que aconteceu?

- Fui picada por uma abelha, disse ela.

- Onde? perguntou ele.

- Entre o 1º e 2º buraco, respondeu 

Ele abanou a cabeça e disse: Tinha os pés muito afastados.




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É dança? É teatro? Ou é apenas vida?


No post abaixo já me referi à rábula O Láparo e seu devoto pet - um sucedâneo de manequim dos Fanqueiros (o verdadeiro mora num palácio em Belém) à fala com um sucedâneo de papagaio (o original habita na RTP 1) na SIC. 

Pouco a dizer a não ser que aquilo foi produto de quinta categoria. Entrevista não foi, espaço de opinião também não que aquilo não tem cabeça para tanto, número de humor também não que a gente nem se consegue rir com uma cena tão indigente. Olhem: pastiche, pechisbeque.


Sejam turcos ou romanos, os poderosos humilham-nos sempre.
Meu Deus, tende piedade.


Agora que já arrumei a casa, estou de volta para limpar o ambiente por estas bandas. Nada pior que cheiro a coelho. E, portanto, é hora de uma limpeza profunda. Já abri a janela, já estou junto ao imenso céu rodeada pelas luzes da cidade grande, o rio silencioso a vigiar-me lá em baixo. Que venham agora, portanto, os pássaros, as mulheres e os seus amantes, a música, o sonho.

Pina. Não é a primeira vez que Pina aqui vem e não será certamente a última. A beleza do movimento sem propósito, a liberdade delirante, o voo sem destino.



Is it dance? Is it theater? Or is it just life?

Love. Freedom. Struggle. Longing. Joy. Despair. Reunion. Beauty. Strenght.

Dance, Dance. Otherwise we are lost...



O filme Pina é realizado por Wim Wenders

Intérpretes: Pina Bausch, Regina Advento, Malou Airaudo, Ruth Amarante, Rainer Behr


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Deseja-se muita vez a repetição das coisas; deseja-se reviver um momento fugaz, voltar a um gesto falhado ou a uma palavra não pronunciada; esforçamo-nos por recuperar os sons que ficaram na garganta, a carícia que não ousámos fazer, o aperto no peito para sempre desaparecido. 


Reyes, batallas, elefantes.
Battaglie, re, elefanti


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E depois a solidão.



Lost in Motion

Realizador: Ben Shirinian; Coreógrafo: Guillaume Côté
Bailarina: Heather Ogden


Música: "Avalanche" interpretado por Leonard Cohen 



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As citações em itálico são ínfimos excertos do livro que me encantou Fala-lhes de Batalhas, de Reis e de Elefantes de Mathias Énard de que já aqui falei no outro dia.

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Permitam-me, por favor: não queiram, depois da beleza dos movimentos em liberdade e das palavras dolentes como a suave música das cítaras, entrar na toca do láparo anão aqui abaixo. Não é coisa bonita de se ver.

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E, por agora, fico-me por aqui.
Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa quarta feira.


terça-feira, Abril 15, 2014

Entrevista de Passos Coelho a José Gomes Ferreira na SIC. Perguntou o roto ao nu: porque não cortas mais tu? Respondeu ao roto o nu: e porque não me aplaudes mais tu? E, assim, estiveram os dois entretidos a ver se nos enganavam para não percebermos que o arroz está cru.


Tenho que confessar: não vi o início e não consegui ouvir o fim da entrevista. Ao meu marido, quando está incomodado para além da conta, dá-lhe para o vernáculo e eu, se contasse aqui o que ele disse, até rimava com as perguntas em epígrafe.

Adiante.

Uma dúvida me assalta: aquilo foi uma entrevista ou foi 'A opinião de Passos Coelho'?. É que, se foi entrevista, porque é que não lhe puseram na frente um entrevistador? Não se percebe.

Bom, dúvidas à parte o que posso dizer é que Passos Coelho, cá para mim, é autista e o Gomes Ferreira parecia um chinês com cara de joker todo risonho, quase babado de tão contente por estar em frente do seu guru


(Lá está, outra vez a acabar em u.) 


Para além disso, o primeiro parece que ainda não percebeu nada do que se está a passar no país. Ou então é um mentiroso encartado. Ou é capaz de ser mesmo psicopata. Qualquer coisa é e não me parece que seja boa coisa.

E depois é descarado: diz que se tivesse aplicado o que se dizia no memorando da troika ou se tem aplicado o PEC a austeridade e os cortes teriam sido ainda piores. Fiquei de boca aberta. Penso que foi nesta altura que o meu marido se passou dos carretos, o mandou fazer nem digo o quê e desligou a televisão. Acatei de bom grado pois estava a sacrificar-me apenas com o intuito de aqui comentar mas aquilo estava a ser dose que já mal conseguia suportar.

É, de facto, revoltante: não dá para perceber se o sujeito pensa que somos atrasados mentais ou se é ele que não tem os cinco alqueires bem medidos.

O homem é perigoso. Seja porque tem problemas mentais seja porque está apostado em destruir o país, o que sei é que o homem é mesmo perigoso.



[Bem. Agora tenho que ir ali arrumar a casa e já volto.]



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As imagens usadas, como é bom de ver, provêm do blogue We Have Kaos in the Garden



Eu gosto de homens dotados, que hei-de eu fazer...?


Os meus Leitores que vêm aqui em busca de qualquer coisa que se aproveite, uma prosa suculenta, umas tiradas bucólico-líricas, uma receita de coelho à caçadora, uma tareia verbal bem assestada nos auto-proclamados pinóquios e outras aberrações que se exprimem torpedeando uma língua que de tão morta já não pode rebelar-se, ou bailados russos ou pintura renascentista... hoje não estão com muita sorte. Aliás, raramente têm sorte. Melhor: será que alguma vez a tiveram? 

Estou a fazer-me de modesta? Talvez. Faz parte do minhas tácticas. Quando quero fazer género, faço-me de falsa modesta. Depois confesso que era brincadeirinha.

A sério: não estou nem deixo de estar a fazer nem sei o quê, estou simplesmente a ver se limpo a minha barra para a minha escolha de que vos vou falar antes de ir para a cama - e nada de pensamentos ínvios, nada de relacionar o que aí vem com cama, que não tem nada a ver, para além de que eu sou muito certinha.

Ainda mais a sério: se vos apetece mais coelho a sair da cartola, pinóquias desavergonhadas, a minha mãe que não queria ir votar, ou um galã a tirar uma senhora com idade para ser mãe dele para dançar, ou um casal num momento pós-íntimo ou, ainda, duas mulheres a trocarem olhares muito cúmplices, então, por favor, desçam um pouco mais. Já a seguir à visão que se segue há disso tudo.

Mas agora aqui é tempo para a arte a sério. Annie Leibovitz vê mais através da sua lente do que todos nós de olhos bem abertos. E foi assim que ela viu uma cobra gigante, mas que cobra senhores, a sair das calças do Neil Patrick Harris. Uma coisa, senhores, uma coisa.


É que a ela ainda pagam para números destes (neste caso foi, uma vez mais, a Vanity Fair). Ora, em vez de me andar a moer a aturar chatos, eu não estaria melhor a fazer o mesmo que a Leibovitz? Escolhia aí uns jeitosos, pedia-lhes que fizessem um número como este e depois ia tirando umas fotografias. Até para ver a valentia deles.


Assim de repente, estou a lembrar-me do João Ferreira, aquele giraço do PCP para as Europeias, ou o Galamba, o João, que há para aí outro que não tem nada a ver. Com o pretexto das eleições, desafiava-os a mostrar a sua valentia, ora vamos lá a fazer o número da jibóia...! Dava cá um calendário que não vos digo nada. Melhor que o dos bombeiros de Setúbal.

Ora vejam e digam-me lá se eu não devia era ir fotografar algumas beldades nestes preparos. E não é uma jibóia que lhe está  a sair das calças: são duas. Uma boa e uma píton. Boa aqui não é adjectivo - cuidado com a língua portuguesa - boa aqui é jibóia mesmo, um certo tipo delas.




Vendo melhor, só uma é que vem do bas fond, a outra já amarinhou por ele acima. Mas não pensem que eu sou superficial, que só penso em corpos e coisa e tal. Não senhor. Quando disse lá em cima que gosto de homens dotados, é porque o rapaz é mesmo bem dotado.

Ora confiram, por favor, a fantástica actuação de Neil Patrick Harris nos Tony Award 2013 no Radio City Music Hall. Dotado, dotadíssimo. Não desistam nos primeiros minutos porque o melhor vem a seguir.







Muito bom, este rapaz.


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Relembro: sobre a falta de vergonha de quem nos (des)governa, sobre os psicopatas no meio de nós (com direito a reportagem sobre o tema), sobre um sedutor que encanta por onde passa, sobre duas mulheres que não sei o que são uma à outra mas que parecem ter bom gosto, e sobre sei lá mais o quê, é ir descendo. 

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E, assim sendo, por agora já chega. 
Vou então para a cama e a ver se não sonho com uma daquelas jibóias. 

Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela terça feira.

Já agora um aviso: aos meus Leitores que ficaram bem impressionados com a fotografia e estão com vontade de de reproduzir o número, aviso que a coisa é capaz de envolver alguns riscos.



'Prudentes' ou 'ousados', tempera ela quando lhe perguntam se a saída vai ser limpa ou com programa cautelar: que 'tem que ouvir os portugueses', imagine-se o descaramento dela...! Pois eu, daqui, respondo-lhe: os portugueses, minha Cara, são uns mansos, uns mansarrões, estão por tudo. Pode ser uma saída lavadinha ou uma porcalhona, que eles aceitarão tudo. E ainda acharão bem que os acusem depois de serem maníacos das limpezas ou badalhocos de todo (consoante a opção que a senhora e o seu chefe e todos os seus outros chefes escolherem). Por isso, minha senhora, faça o que quiser. [E, a propósito ou talvez não, ocorreu-me aquela de haver psicopatas por todo o lado, como diz Jon Ronson. É que, cá para mim, juntaram-se uns quantos no governo]


Eu podia dissertar tanto sobre o que esta gente diz e faz, ó senhores, mas tanto - mas ando sem pachorra para o avacalhamento de que se tem vindo a rodear, e de forma galopante, o exercício do poder em Portugal. Já mais parece uma esquina de má fama onde se juntam os malandros e as galdérias, gente a soldo, sem vergonha.

Hoje, estava a pagar uns livros e atrás de mim estavam três cavalheiros com bom aspecto, daqueles executivos que aproveitam a hora de almoço para, tal como eu, irem comprar uns livros, umas revistas. E então ouvi este diálogo sobre a indexação das pensões à economia e à demografia e ao facto de os cortes provisórios afinal serem definitivos: 'Então o gajo, depois de dizer que era tudo mentira e de quase parecer que ia tirar o tapete ao outro, agora tem a lata de perguntar qual é a novidade e de dizer que a gente já sabia?'. O tom era indignado. Um disse entre-dentes, tom quase ameaçador: 'Um murro das trombas é o que o gajo 'tá a precisar' e outro, com voz de desprezo 'é um porco'.

Tive vontade de me virar, meter-me na conversa e dar-lhes razão, juntar-me à festa. Dizer que não é só porco: é camelo, é burro, é abutre, é um verme.

Mas mantive-me bem comportada. Afinal dar-lhe tanta importância porquê? Não passa de um coelho de aviário.

No carro ouvi as notícias. Do lado do governo mentiras, falta de respeito pelas pessoas, uma vergonha.

No sábado lá estive a catequisar a minha mãe. Está furiosa com toda esta gente, diz que são uns aldrabões, uma gente sem cabeça, sem coração, uns desalmados. E diz que não tem vontade nenhuma de ir votar porque, depois do que se está a passar, perdeu de vez o respeito pelos políticos, que já sente nojo, que não consegue ir dar-lhes o seu voto de confiança.

Então, roguei-lhe: podem não ser uns santos mas há uns piores que outros, pleeeease, vá votar, vote para tirar estes sacanas de lá.

E ela olha-me com ar de dúvida: sei lá! Nunca pensei assistir a uma pouca vergonha destas!

E eu imploro: mas então vote para os tirar de lá. Pleeeeeaase.

Mas voto em quem, se aquele Seguro parece tão fraco? - pergunta-me ela. 

Pior do que estes não é de certeza. Ou então vote no PC, vote no Bloco de Esquerdo, vote num qualquer desses, desde que seja contra o PSD ou o CDS - suplico.

Por fim lá me disse: Pois, se calhar é melhor.

Uffff! Acho que no dia das eleições vou lá nem que seja para a levar à força à assembleia de voto.

Mas fico a pensar: será que as pessoas que mais estão a sofrer na pele se sentem tão desanimadas, tão ofendidas, tão desrespeitadas que até perdem a vontade de manifestar a sua rejeição?

Ó valham-me todos os santinhos. Que povo este que não sabe lutar, que aceita tudo como se de uma punição divina se tratasse.

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Lembrei-me de Jon Ronson que acha que há psicopatas em tudo o que é lugar de poder, nas empresas, na política, gente que não sente empatia pelas vítimas, que com a maior insensibilidade atira com as pessoas para o desemprego, para a pobreza, para fora do país, para a guerra.

O seu livro The Psychopath Test: A Journey Through the Madness Industry é disso que trata.


Se esta cambada ou, pelo menos, alguns deles não são psicopatas então não sei o que é um psicopata. Deviam era ser internados, caraças.



Já agora mostro Jon Ronson a falar da sua investigação.

(Só é pena que tenha os dentes de baixo tão tortos mas, enfim, isso é um pormenor de que nem me fica bem agora falar.)




Transcrevo parte do texto que pode ser visto no Youtube, na apresentação do vídeo: 

An influential psychologist who is convinced that many important CEOs and politicians are, in fact, psychopaths teaches Ronson how to spot these high-flying individuals by looking out for little telltale verbal and nonverbal clues. 

And so Ronson, armed with his new psychopath-spotting abilities, enters the corridors of power. 

He spends time with a death-squad leader institutionalized for mortgage fraud in Coxsackie, New York; a legendary CEO whose psychopathy has been speculated about in the press; and a patient in an asylum for the criminally insane who insists he's sane and certainly not a psychopath.


***

É verdade: para momentos de um outro mundo, deslizem até aos posts que se seguem.

Vão descendo que é do fino, do bom.

(Quanto aos produtos em si não me pronuncio, não conheço)


Poderia ser 'Minha jóia...' mas ficaria piroso. Fica melhor se for 'My jewel'.


Manas? Amigas? Namoradas?



. My Dior .


segunda-feira, Abril 14, 2014

Uma cena de cama


Dá para perceber quando um está mais interessado do que o outro?



*

O baile


O que é o charme?

A sedução tem idade?



. The Ball .


Eu, bird girl, entre glicínias e poemas in heaven


Se descerem, a seguir a este post poderão ver um cavalo que, este domingo, na praia, não fazia sombra no mar, e poderão ouvir falar de um outro cavalo à solta e, descendo ainda um pouco mais, ouvirão uma belíssima ode ao mar enquanto me recordo de um lugar ao qual sempre voltarei como se fizesse parte de mim.

Mas isso é mais abaixo. Aqui, agora, a conversa é outra.

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Se, como verão abaixo, neste domingo a tarde foi de praia - as crianças numa alegria, todos nós descontraídos, bem dispostos, o sol abre ainda mais os corações, a beleza do mar torna-nos melhores, reduz-nos à nossa real dimensão e, humildes, sentimo-nos agradecidos pela paz das nossas vidas - o sábado foi de campo. 

Os perfumes da primavera estão intensos e a passarada canta num desatino. Eu própria, quando caminho por entre estes caminhos que se fizeram por neles caminharmos, sinto-me uma bird girl. Tantas vezes penso, eu poderia voar. Um dia hei-de voar. Bird girls go to heaven.

O chão ainda está atapetado de musgo, tanta a chuva que tem caído, e a erva cresce desenfreadamente. 

O campo está numa euforia de cores. A esteva mimosa, o rosmaninho perfumado, o tojo amarelo intenso, tão intenso que parece luz. Mas tão frágeis estas flores, pétalas finas como papel. As abelhas não têm descanso: doce, doce que deve ser este pólen dourado.



O marmeleiro, a ameixeira, tudo está em flor. A macieira também está florida em branco e rosa e, no abrigo verde onde descanso nos bancos forrados a azulejo e onde uma mulher de Magritte se reclina e poemas de Sophia e O'Neill dão voz ao que os deuses murmuram por entre o vento, eu penso que deveria ter nascido com o dom da poesia para aqui vos contar melhor a serenidade que me cobre a pele, a alma, me envolve o coração.

E lembrar-me de uma outra primavera, numa longínqua primavera em que a natureza e toda a esperança rebentaram como flores longamente aprisionadas.

Mas não sei fazer poesia. Socorro-me então daqueles a quem os deuses iluminam.


Dizer uma vez mais da primavera
seus gestos sem perdão e sem quimera;

não mais deixar nenhum papel em branco,
nenhum gesto desfeito sobre o banco

de jardim que foi feito dos amores
pintados de maus-versos, furta-cores.

Dizer-te da longínqua primavera,
despedir-me do tempo que não espera





E depois começa a anoitecer. As glicínias estão a maravilha de sempre, longos e exuberantes cachos de azul e lilás. Pudesse eu, nua, vestir-me apenas destas flores delicadas cuja cor me encanta.

Quando a noite cai, um esboço de lua branca no céu, crescente, indefinida entre a névoa da noite, a casa parece envolta em magia. As glicínias treparam pelas azinheiras, envolveram o limoeiro, debruçam-se sobre todos os arbustos e, de noite, adquirem um tom de veludo tentador. A luz junto à porta ilumina levemente estes véus delicados e eu podia ficar dias e noites  inteiras contemplando estes suaves cachos de flores que me trazem a primavera e me mostram como é delicada a nossa breve passagem pela vida.


O que foi teu e o que juntaste à vida,
tudo te mostra a casa iluminada:
no fim do caminho a luz estremecida,
no rasto dos teus passos a morada.


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Os poemas, lindos, lindos, são respectivamente Primavera e A casa na noite de Luís Filipe Castro Mendes in A Misericórdia dos Mercados.

A música lá em cima é Antony and the Johnsons interpretando Bird Gerhl.

I am a bird girl now . I've got my heart . Here in my hands now. 
I've been searching . For my wings some time . I'm gonna be born. Into soon the sky .
'Cause I'm a bird girl . And the bird girls go to heaven .
I'm a bird girl . And the bird girls can fly . Bird girls can fly

As fotografias foram feitas este sábado in heaven.

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Relembro: se descerem um pouco mais, poderão ir em busca do mar, um mar branco e limpo, onde passeiam cavalos brancos que não fazem sombra no suave ondular das águas.

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Muito gostaria ainda de vos convidar a visitarem o meu Ginjal e Lisboa onde hoje tenho um outro vídeo do Cine Povero, desta vez Herberto Helder por Fernando Alves. Uma maravilha, mesmo.

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   E, por agora, é isto. 
          Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela semana a começar já por esta segunda feira.


Que cavalo era aquele que não fazia sombra no mar?


Depois de, abaixo, ter lembrado Donostia, aquela a que sempre quero regressar, e Biarritz, a aristocrata decadente e bela, e Pablo Neruda e a sua ode ao mar, e a bela, bela voz de Ralph Fiennes, e o Carteiro de Pablo Neruda e aquele que deu a vida por um sonho, aqui, agora, é em mar que continuo a pensar e, em especial, num certo cavalo que não faz sombra no mar.


Cavalo à solta





Primeiro dia de praia. Já Abril vai a meio e ainda não tínhamos ido para a beira do mar apanhar sol, respirar o ar limpo do oceano. Fomos hoje.

Tarde boa, um sol discreto, amável, uma neblina discreta, pouca gente, uma extensão imensa.

E um belo cavalo branco com cavaleiro moreno, rabo de cavalo, andando vagarosos pela beira da água. Ao longe, o cavalo e o cavaleiro confundiam-se com a névoa que envolvia o mar branco.






Onde — ondas — mais belos cavalos
Do que estes ondas que vós sois
Onde mais bela curva do pescoço
Onde mais longas crinas sacudidas
Ou impetuoso arfar no mar imenso
Onde tão ébrio amor em vasta praia









Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade.










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  • O vídeo é de Lucy Reichenbach que diz 'Cavalo à Solta' de Ary dos Santos
  • Os poemas escritos, respectivamente Ondas e Liberdade, são de Sophia.
  • O título do post evoca o título do livro de António Lobo Antunes: Que Cavalos São Aqueles Que Fazem Sombra No Mar? 
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Sigam, por favor, para mergulharem no mar. É já abaixo e mergulharão em boa companhia.

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domingo, Abril 13, 2014

Ode ao Mar






Se eu penso num sítio onde sempre tenha vontade de voltar é em San Sebastián, Donostia, que eu penso. É um sítio onde gostaria de passar um mês de seguida, dois, três. Se eu pensar que um dia gostaria de ficar num sítio a fazer uma vida forasteira, andar pelas ruas e cais a fotografar, depois pôr-me a ouvir música e pintar ou ler ou sentar-me junto a uma janela e escrever, é em Donostia que penso. Há uma largueza de mares, de vistas, há uma alegria nas ruas, muitas crianças, muitas mães a passear nas ruas com os filhos, e restaurantes bons e bares e, em certos dias, muitos, uma neblina única, uma luz muito pura. Há em Donostia qualquer coisa que não identifico nem sei definir mas que me atrai irresistivelmente.

Mas não é só Donostia: é o que há à volta, é Biarritz. Biarritz é lindo. É um romantismo de antigamente, aquelas casas apalaçadas, aquele mar bravio, tudo aquilo é a um tempo genuíno e sofisticado, é uma coisa que remete para uma burguesia que já não existe, uma aristocracia literária. Não sei explicar. Um vento fresco, uma névoa cheia de maresia, penhascos, ondas brancas, distantes. Adoro estes sítios. É como se não fosse Espanha, nem França, mas um reino misterioso, o País Basco das mil histórias, uma gente e um sítio que são naturalmente independentes porque únicos. O mar de Biarritz.

O atraente abismo que podem ser San Sebastián e Biarritz para amantes clandestinos, para poetas, para solitários, para loucos. Lugares envoltos em mar.

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Memorável também é o poema Ode ao Mar dito no filme O Carteiro de Pablo Neruda, um filme encantador, encantatório.


Baseado no livro Il Postino de Antonio Skármeta, adaptado entre outros por Massimo Troisi que interpretou o personagem do carteiro. Massimo Troisi, que também era poeta, adiou uma cirurgia cardíaca para poder completar o filme. Cerca de doze horas depois do fim das filmagens, sofreu um ataque cardíaco fatal.



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Lá em cima, o primeiro vídeo, era a tradução do poema Ode ao Mar de Pablo Neruda, ODE TO THE SEA,  lido por Ralph Fiennes, em presença das grandes ondas de Bairritz


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Vou definir o meu homem ideal. Desafio-o, meu Caro/a Leitor/a, a fazer o mesmo. E depois veja as diferenças de escolhas consoante o seu sexo.


No post abaixo recusei-me a falar do cherne que por aí anda de porta em porta a ver se alguém o compra. É o compras.

Mas isso é a seguir. Aqui, agora, a conversa é outra.

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Afterwards




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Se eu não estivesse já servida, diria que, se fosse coisa que a gente pudesse escolher e depois carregar num botão e sair o produto pretendido, para mim o homem ideal poderia ser uma composição a partir dos seguintes (e atenção que são duas e tal da manhã e eu não tenho tempo para pensar, vou dizer a primeira coisa que me venha à cabeça; se o output não me agradar ponho-o à venda e escolho outro):


  • a energia e o sorriso poderia ser o do António Fagundes (aliás, até podia ser o Fagundão todão)

  • a voz poderia ser a do Jeremy Irons

  • o corpo poderia ser o do Clive Owens ou então o do Zidane
(mas não podendo vir só o corpo, poderia vir também a cabeça)








  • a perversidade (ou, vá lá, para não parecer tão mal: a malícia) poderia ser a do Malkovich
  • o olhar e a suavidade (a até podia vir também a voz, para quando a do Jeremy estivesse cansada de tanto me dizer poesia ao ouvido) poderia ser o do Ralph Fiennes





  • a maneira de beijar poderia ser a do Richard Gere 

e não falo de outros atributos (não menos importantes) para isto não ficar comprido e chato demais.

Se eu fosse habilidosa fazia aqui uma fotomontagem e avaliaria a qualidade do resultado e se, de facto, valia a pena ficar com o produto da minha imaginação. Como não sou, paciência, fico-me pelas palavras.

E vem isto a propósito de quê?

Eu conto. A marca de lingerie Bluebella pediu a um grupo de mulheres que dissesse o que para si era a mulher perfeita.

Depois foi pedido o mesmo a um grupo de homens.

Pois bem: enquanto as mulheres acham que a mulher perfeita é alta, magra, esguia, cabelos fortes e quase lisos, os homens idealizam uma mulher com curvas, ancas largas, seios fartos, cabelo desordenado e até, imagine-se, um pouco de barriga. Os homens não se sentem atraídos pela suposta perfeição.

Boas notícias, portanto.




Depois a experiência foi a inversa: o homem ideal para ela e para ele. Os resultados provam que os homens acham que o homem ideal tem uns bíceps brutais, uma carinha perfeita, enquanto as mulheres preferem alguma imperfeição no rosto, no cabelo, nada de músculos à bruta.

Bate certo.




No entanto, a mim nenhum destes me conquistaria. Têm músculo a mais e patine a menos. Provavelmente as mulheres inquiridas seriam pouco mais do que adolescentes, ainda não tinham o gosto apurado.

E por aqui me fico - e cada um agora que se compare com a imagem ideal.

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A voz lá de cima é, claro, a de Jeremy Irons lendo Afterwards de Thomas Hardy:

When the Present has latched its postern behind my tremulous stay,
And the May month flaps its glad green leaves like wings,
Delicate-filmed as new-spun silk, will the neighbours say,
'He was a man who used to notice such things'?

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NB: Não queira descer até ao post seguinte. Depois destes homens decentes e apetecíveis, para quê ver um cherne malcheiroso?

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Desejo-lhe, meu Caro Leitor, um belo domingo!

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Um cherne sem vergonha na cara, metido a besta, com guelras passadas do prazo, olhos turvos, tripas mal cheirosas, mãos papudas, brancas e talvez até suadas - a querer ser presidente da república dos bananas?




Talvez achem, meus Caros Leitores, que deveria pronunciar-me sobre o caso, sobre o ensino antes do 25 de Abril que era tão melhor que o actual, sobre as aparições frequentes do cherne agora que Maio se aproxima, não reluzente e em cima de uma azinheira, mas por aí, por tudo o que é palco. 

Talvez devesse. 

Mas sou de uma terra em que se quer o peixe fresco, de olho vivo e sangue na guelra, em que não se tolera pexum que tresanda.

Por isso, meus Caros, lamento mas hoje não vou falar de tão enxundiosa figura.

sábado, Abril 12, 2014

Scarlett Johansson fotografada por Craig McDean para a Vanity Fair de Maio de 2014 (e eu, nem sei porquê, lembrei-me das minhas noites de sexta ou sábado até há algum tempo atrás)


Ora bem. É sexta feira, tive uma semana tramada, avizinha-se outra que tal, estive antes de ontem à hora de almoço e até a meio da tarde com um dos meninos que estava atacado com forte amigdalite e, portanto, pode acontecer que tenha sido contagiada, mas agora estou-me nas tintas para tudo isso. Só me apetece pensar em coisas boas e imaginar um fim de semana soalheiro e tranquilo. Já sei que sol é coisa que não deve haver mas, se não houver, invento. Quando se têm poucas férias por ano, um simples fim de semana já me sabe a uma temporada nas Seychelles. E, de resto, it's friday night e, se agora pusesse música em altos berros, desatava a dançar. Só não o faço porque, a esta hora, o meu marido já não está para ambientes de hard rock

Dantes, à sexta feira, saíamos em grupo e corríamos as discotecas e bares da 24 de Julho e adjacências. Ao princípio era o Kremlin, o Plateau ou o Alcântara. Ou o Frágil (mas esse lá mais para cima). Depois o Indochina e por aí fora. Começava-se pelos mais calmos mas, à medida que a noite avançava, o barulho ia subindo, a confusão aumentando. Multidões ululantes, toda a gente a dançar, uma barulheira que nos revolvia as entranhas, fumo, muito fumo. Agora não consigo imaginar-me nessas cenas, ambientes repletos de fumo já me são irrespiráveis. Os miúdos ficavam nos meus pais ou melhor, os meus pais iam lá para casa, dormiam lá. Mais tarde saíam os meus filhos com os amigos deles e nós com os nossos.

Estou aqui a ver se me lembro do nome de um bar onde íamos muito para começar a noite, umas bebidas muito boas nuns vasos artísticos e coloridos que às vezes vinham a fumegar, ali para a Almirante Reis ou para essas bandas, agora já nem sei bem precisar. Já sei: Bora-Bora. Ao princípio achávamos aquilo o cúmulo do exotismo. Depois passou a ser normal - mas agradável.

Pavilhão Chinês
Também íamos ao Pavilhão Chinês no Príncipe Real: uma maravilha. A ver se um dia destes lá volto. Esse é calmo, é especial, é muito bom.

E íamos a outro ali mais para baixo, entre o Príncipe Real e a Lapa, não me lembro do nome. Tinha várias salas, uma sala grande de snooker. Como seria o nome?

Eram as sextas e os sábados quando não estávamos in heaven. O meu marido não dançava, detestava aquelas barafundas. Ficava encostado a um balcão ou a uma coluna de copo na mão à espera que eu me cansasse. Volta e meia lá o arrastava para dançar. De resto, dançava eu sozinha ou com os meus amigos ou com quem estivesse à minha volta, ali às escuras no meio da multidão. O stress saía todinho num instante. O que eu dançava.

Agora já não consigo ter vontade de me ir meter naqueles ambientes caóticos.

Adiante. Ao vir há bocado no carro vinham-me a ocorrer vários assuntos importantes para deles aqui falar convosco mas agora até a palavra importante me incomoda. Quero lá eu saber de coisas importantes...? Quero é dormir, descansar, ler e pensar num programa bom para amanhã.

E, para me acompanhar num programa descontraído, nada como a Scarlett, moça sexy, curvilínea e bem disposta. Mulheres com curvas generosas são geralmente generosas, descontraídas. E, portanto, admitindo que ficarei em boa companhia para irmos curtir a night na companhia dos nossos namorados aqui está ela tal como a verão os leitores da Vanity Fair para o mês que vem.




Scarlett Johansson, fotografada por Craig McDean no New York Palace Hotel para a Vanity Fair, Maio 2014


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Muito gostaria ainda de vos convidar a visitarem o meu Ginjal e Lisboa. Hoje é dia grande por lá. Saíu um novo vídeo do Cine Povero que assenta n' 'O desempregado com filhos' de Gonçalo M. Tavares dito por Cristina Branco. O vídeo, é como sempre, uma preciosidade e tem a particularidade de, em parte, ter sido filmado no Ginjal.


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E por agora por aqui me fico. 
Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo sábado. 
E desejo-vos muita saúde e felicidades. 
A vida é curta: nada de a desperdiçar.

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sexta-feira, Abril 11, 2014

Prince George de visita à Nova Zelândia: um Príncipe rechonchudo, brincalhão e fofo, simpático como os pais - talvez seja um dia Sua Majestade o Rei Inglês mas agora é apenas o menino lindo de William e de Kate (que teve o seu momento Marilyn Monroe ao descer do avião). E, já agora, recordo William, há 31 anos, entre Diana e Charles, então um casal aparentemente apaixonado


Abaixo deste poderão ver como pode ser pequenino, imaturo e grotescamente primário um governante em Portugal nestes tempos - tempos a que Pacheco Pereira chama tempos de lixo . A seguir tenho o relato de uma conversa minha sobre pénis e, como não podia deixar de ser, se a conversa é sobre pénis, vêm à baila os tamanhos e, finalmente, mais abaixo, falo de uma experiência levada a cabo para demonstrar como é difícil a uma pessoa manter-se diferente de uma maioria mesmo que essa maioria só faça asneiras.

Bom, mas tudo isto é a seguir a este. Aqui, agora, a conversa é completamente diferente. Poderia dizer que está na altura da fazermos uma vénia mas não digo. Ainda não é o caso e, além do mais, não sou moça de fazer vénias.


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Hush Little Baby 



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O bebé real a dar um xi-coração à mãe Kate
que mostra o sorriso confiante de quem tem o bem amado maridão por perto,
o belo Prince William


As revistas e os jornais de todo o mundo estão cheios das imagens radiantes de uma Kate Middleton alegre, bonita, longa cabeleira, corpo elegante, toilettes simples e perfeitamente ajustados à sua silhueta, de um William gentil, low profile, simpático, e, sobretudo, de um baby George que dá gosto ver. Estão em visita oficial a New Zeland e Australia.


Por enquanto ninguém faz cerimónia com o pequeno Prince nem ele percebe aquilo para que está guardado. Por enquanto é feliz e tem a felicidade de nem saber que o é.



E já gatinha e é todo desinibido, o Príncipe George


Depois de ter sido criado a bom recato, longe dos holofotes, eis que agora aparece ao mundo, bem nutrido, risonho, todo ágil, todo bem disposto.

Não teria nada por aí além: bebés há muitos. Mas este, queiramos ou não, é um bebé especial. Se o regime britânico se mantiver e não se vê jeitos de não se manter, daqui por uns anos George será rei.

Ao vê-lo sinto uma certa pena por Diana, que tanto gostava de crianças, não poder andar com o neto ao colo. Parvoíce minha, eu sei.

Lembro-me de uma vez ter tido um almoço de negócios pouco depois da morte de Diana. Para aí uns dez ou doze, eu a única mulher. O almoço perdurou, por fim já éramos só nós no restaurante e já não era de negócios que se falava. Conhecíamo-nos todos muito bem e a conversa foi fluindo, boa. Eu estava entre o presidente e um colega, meu grande amigo. Nessa altura, já o meu amigo estava um bocado bebido e então, como de costume, deu-lhe para o sentimento. Começou a contar-nos que, aquando do funeral da Princesa, tinha passado o dia em frente da televisão e que a morte de Diana lhe tinha custado como se fosse da família. O presidente, pessoa usualmente seca, perguntou-lhe, irónico: 'Mas quê, meu Caro? Chegou mesmo a chorar?' e ele, já comovido, 'Sim, sim, não ria. Quase'. Passado um bocado confidenciou-me, 'Chiça que a casa de banho é longe. Tenho que ir mas não sei se sou capaz de ir a direito'. 

Há tantos anos que isto foi. Agora já William tem pouco cabelo e o seu filho faz lembrar quando ele próprio foi de visita a Austrália, bebé sorridente, Charles ainda a parecer apaixonado por Diana.

O tempo passa. Parece que foi há pouco tempo que numa noite de verão, um calorão, eu com a casa cheia de gente, tínhamos tido festa, e o jantar já estava convertido em ceia, as janelas da sala abertas, tudo na maior descontração.

E então, não faço ideia porquê, alguém ligou a televisão e de repente fez-se silêncio naquela sala onde graúdos e miúdos falavam na maior animação, o chinfrim do costume: um acidente em Paris, o namorado árabe da Princesa morto, ela muito mal, levada para o hospital. Depois, talvez já de madrugada, a notícia: Diana tinha morrido. E nós, depois de uma noitada de festa, todos comovidos.

Mas, enfim, agora os actores da história da monarquia britânica já são outros e Diana é uma estrela (pop) que passou em tempos pelos soturnos corredores da monarquia britânica. E são bem simpáticos, os actuais protagonistas, e sabem preservar-se, coisa que Diana não soube.


Kate, uma mãe entre outras mães: crianças e sorrisos




Catherine (Duchess of Cambridge's)  - no seu momento Marilyn Monroe


"William, Kate and baby George begin tour of New Zealand, Australia"





Diana & Charles com o  Prince William, chegam a Alice Springs em 20.3.83


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A música lá em cima é uma maravilha, Hush Little Baby interpretado por Marlene Dietrich, a versão de que mais gosto. A outra de que também gosto é a de Joan Baez e seria mais apropriada por ser cantada em língua inglesa. Mas aquela voz grossa da Marlene levou a melhor. 

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Relembro: vão descendo que vale bem a pena. Este é o 4º post da noite e, embora já nem me lembre bem, acho que os outros são diversificados  e para todos os gostos.

Não vou conseguir rever o que já escrevi hoje já que, pedradíssima pelo efeito do comprimido de ontem, tenho que me ir já deitar antes que caia da cadeira e nem dê por isso.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma belíssima 6ª feira.


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