Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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sábado, dezembro 03, 2016

Quando os Aliados estão em lados opostos da barricada
- Ou quando os 'inimigos' não conseguem deixar de se amar
[Ou, ainda, como o Brad Pitt nunca desilude]
(E ainda vou ver se fale do CR7, do Mourinho e do Jorge Mendes e do que se diz para aí que fogem ao fisco como gente grande)


Há atracções fatais. Só quem nunca as viveu não acredita na sua veracidade. Há atracções mais irresistíveis do que atraentes abismos. Há amores que não se explicam, que não conseguem evitar-se, que não aceitam qualquer tipo de racionalidade. Só quem nunca experimentou o fogo da paixão pode pensar que os grandes amores impossíveis não passam de fraquezas ou de construções literárias.

Há amores assim, que pedem a pele do outro, o cheiro, o calor do corpo, a febre do olhar, a cumplicidade do abraço, a ternura das palavras, a intensidade dos silêncios.

E imagino que tudo isto seja ainda mais urgente quando o contexto seja de risco iminente, de fim da linha, de fim do mundo que se conhece. Os bombardeamentos, a tempestade de areia no deserto, o matar ou morrer. O perigo pode ser afrodisíaco. 

E depois há o jogo da duplicidade, o ter que fingir muito bem para que a missão seja perfeita, o fingir por dever, por brio. E depois a desconfiança. E depois o amor ocupando todos os espaços. Até que a morte nos separe. Até que a morte os separe.

Guerra, espionagem, amor. Brad Pitt e Marion Cotillard muito bem. Ele, como sempre, magnético. Ela perturbantemente alegre e cativante.


Não sou crítica de cinema. Não sei dizer muito mais do que isto. Talvez apenas que gostei e que o filme nos mantém presos da primeira à última cena. E que se recomenda.

Aliados



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E eu que, não sei se já perceberam, ando a ver se me candidato a ser a versão feminina do Marcelo, apesar de mais um dia de trabalheiras e guerras, em vez de vir para casa sossegar, responder a mails e comentários, e ir deitar-me a horas decentes, fui curtir a night (curtição ligeira) e, portanto, só agora que já passa das 2 da manhã é que estou neste ponto deste post. 

football leaks  millions offshores

Não sei se ainda vá falar do CR7, do Special One e do seu agente Jorge Mendes, o cujo casou com uma Madonna with the Big Boobies e recebeu de presente de casamento do Cristiano uma ilha grega de €50m e que agora andam os três nas bocas do mundo por praticarem activamente a optimização fiscal, usando offshores, declarando menos do que devem e deitando a mão a toda a espécie de práticas pouco beneméritas. Leio que os visados dizem que é tudo mentira mas leio também que as provas ameaçam submergi-los como uma avalancha. Não sei. Só sei que que esta gente que ganha verbas obscenas e que quer sempre mais e mais me incomoda muito, cada vez mais. Dizem que são as leis do mercado. Ora, eu estou-me nas tintas para as leis do mercado quando o mercado, está mais do que provado, é a pocilga onde chafurda toda a espécie de psicopatas e quando essas leis foram escritas a mando desses mesmos seres gulosos.


Não sei se fale disso ou se me deixe estar quieta. Já vejo. Para já, vou espreitar as notícias, que estão por todo o lado, para perceber que regabofe de milhões é este de que estão a falar.

Jorge Mendes (que tem o toque de Midas?), Cristiano Ronaldo e José Mourinho
os neo-caga-milhões portugueses
--- agora sob os holofotes do mundo por presumível fuga ao fisco em grande escala
mas, calma, até ver, inocentes até prova em contrário



Investigação Football Leaks: Ronaldo não declarou mais de €60 milhões, Mourinho ocultou ganhos publicitários em offshores


Ronaldo et Mourinho pris dans la tourmente des "Football Leaks"



Só espero é que, se isto é coisa que também vá ser investigada por cá (alguns patrocínios e publicidade forem feitas cá, acho eu, o Ronaldo com o MEO, o Mourinho agora não me lembro mas também já deve ter recebido dinheiro português), não entreguem o caso às múmias paralíticas que entopem completamente a justiça em Portugal, aquelas araras que andam séculos ensarilhados nas pernas dos que caem nas suas malhas, os desinfelizes Alex & Rosy que não dançam nem saem da pista. Seja como for. isto também vai ser bom para comparar a celeridade da justiça espanhola com o empastelanço da portuguesa. 


Mas agora vou informar-me melhor. Ou dormir. 

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sexta-feira, dezembro 02, 2016

Cartas. Páginas de diário. Coisas simples.





Queridos Leitores,

Gostava de saber que estão bem. 

Uma de vós escrevia-me e contava-me das suas insónias persistentes, de uma depressão que a paralisava. Uma outra contava-me do problema grande com a filha e outro igualmente grande com o filho. E outra contava-me as suas aflições com uma mãe cuja mente se afastava para mais longe do mundo. Um outro contava-me da sua tese e da dor de cabeça para arranjar motivação para a prosseguir. E outro trazia até mim as suas memórias da guerra.  E outros e outros. Alguns deixaram de escrever e eu não sei se estão bem. Alguns ainda me escrevem e outros aparecem para me dizer que eu os surpreendi ao falar de alguma coisa muito sua. E eu a todos tenho faltado porque deixo tantas, tantas respostas por dar.

Muitas vezes não tenho tempo, outras não quero criar a ilusão de uma proximidade que não teria como manter. Mas fica-me sempre a pena de não poder chegar a todos quantos me estendem a mão.

Não é só a minha disponibilidade ser tão escassa, é também eu estar tão longe da perfeição. A minha resposta às vossas solicitações fica, pois, muito aquém da que de mim esperam e da que eu sei que vos seria devida.

Tento compensar, levando-vos um pouco de mim nas minhas palavras mas é fraca compensação. As palavras querem-se um abraço, uma ponte e a quem me procura eu deveria dar-me a encontrar. 

Deixem que para parecer que estou mesmo a falar com cada um de vós, em particular, vos conte como foi o meu dia 1 de Dezembro, felizmente de novo dia feriado. 

Foi assim.

Pensava que podia dormir até mais tarde mas, de manhã, acordei com o telefone a tocar. O meu marido tinha saído, tive que me levantar para atender. Era um senhor que vinha fazer um arranjo e que tinha ficado de vir a partir das onze da manhã. Afinal, ligou às nove para confirmar a morada. Já não consegui voltar a adormecer.

Aproveitei para arrumar umas coisas, fazer pagamentos no computador, etc. Entretanto, chegou o meu marido e logo depois o senhor. 

Quando ele se foi embora, saímos também. Fomos caminhar para a beira da praia. Devagar para eu poder ir fotografando.


Estava maré baixa mas via-se que as marés estão longas pois a água, na maré cheia, subiu ao paredão e a estrada cá em cima, nalgumas zonas, está cheia de areia. 

Como poderão ver, as ondas estavam vigorosas, felizmente indomáveis.


Muita gente a fazer surf e a andar sobre as águas. Fico fascinada. Podia passar um dia a caminhar de um lado para o outro, a olhar o mar, a fotografar estes cavaleiros do mar que ora saltam por sobre as montanhas ora deslizam sobre reluzentes planícies.


Já perto da hora do almoço, cá em cima, muitos jovens despiam o fato de andar na água e vestiam a roupa normal. Ficavam meios vestidos e andavam por ali, tranquilamnete, como se fosse verão, aparentemente sem frio.

Depois fomos almoçar ao grego. Sempre bom. gosto de tudo mas, em especal, da salada de manuri com alface, pera cozida, nozes e tempero de vinho doce.

A seguir, mais um beve passeio, mais algumas fotografias.


No regresso, começou a dar-me o sono mas o meu marido lembrou que talvez fosse boa ideia ir despachando a compra de presentes. Concordei. É que não apenas há os nossos presentes e, quando a família é relativamente grande, têm que ser muitos como, em alguns casos, sou também eu que compro o que a minha mãe vai dar. Ela compra muita coisa mas, em alguns casos, por não saber bem o que se pretende, não quer arriscar.

Estava muita gente. Cansa-me muito andar em sítios com muita gente. Com sono, calor e impaciência, para o fim já tudo me era insuportável. Felizmente, já não falta muita coisa. 

Quando cheguei a casa, tomei um belo banho. Depois fiz um chá de erva cidreira e vim para este meu sofá. Peguei na Paula Rego por Paula Rego e na Gorda da Isabela, acomodei-me. Li um bocado de um, um bocado de outro. Depois adormeci. Acordei a sonhar que a despensa estava vazia e que eu e o meu marido estavamos muito admirados porque só podia ter sido assalto mas não percebíamos como é que alguém assaltava uma casa para roubar o conteúdo de uma despensa.

A seguir, já acordada, passei as fotografias para o computador, falei ao telefone com os meus filhos e com a minha mãe. Depois jantei e, a seguir, eu e o meu marido estivemos na conversa. A seguir, ele pôs-se a fazer zapping e, passado um bocado, adormeceu e eu, enquanto isso, pus-me a escrever esta minha carta que não é bem uma carta, é mais um página de um diário.

E foi isto. Talvez tenham ficado algumas coisas por dizer. Não contei, por exemplo, que estive a arranjar um colar. No outro dia, quando cheguei a casa à noite, começaram a cair-me pérolas -- o chão à minha volta a encher-se de pérolas que saltavam, numa euforia, e eu impoente para impedir que, uma a uma, todas seguissem o mesmo percurso. Gosto de usar um colar comprido de pérolas e rebentou-se o fio. Só pensava o que teria sido se fosse na rua ou numa reunião. Assim, sendo ali no hall de entrada, fui buscar uma pá e vassoura e resgatei-as a todas. Agora o colar já está refeito.

Os dias, quando decompostos nestas suas pequenas parcelas, ainda parecem mais o que, de facto, são: banais. Mas, quando chegam ao fim e a curva da noite já os levou para o dia seguinte, eu penso que gosto de dias assim, tranquilos.

E não vos maço mais. Espero que esta minha carta vos encontre, a todos, de boa saúde e com bom ânimo.

Se pudesse, mandar-vos-ia um saquinho de figos secos ou uma caixinha com dióspiros. Como não posso, deixo-vos com a leitura de uma carta. Dizem que, numa escolha feita não sei onde, foi considerada a melhor carta de amor de sempre. Não sei classificar cartas de amor pelo que não me pronuncio. Mas partilho-a convosco pois soa-me familiar já que é também de coisas simples que Johnny Cash fala à mulher, June Carter, no dia do seu 65º aniversário.

Recebam um afectuoso abraço e saibam que agradeço a vossa presença aí desse lado.

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Lá em cima era justamente este casal, Johnny Cash & June Carter Cash, interpretando You're a part of me

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Mais abaixo há mais mas de outro género. Paulo Macedo e Santana Lopes, na crista da onda mediática. Com mulheres com asas à mistura.

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Paulo Macedo para a CGD...? Ó senhores do PS, poupem-me, está bem?
(em actualização)
- E, igualmente parva, a notícia da não-candidatura de Santana Lopes à Câmara de Lisboa
Valha-nos a notícia pela qual todos esperávamos:
afinal as mulheres têm asas!


E não tenho mais nada a dizer do que isto: poupem-me. 


E, de caminho, deveriam ter-se também poupado já que o Paulo Macedo, se estou a ver bem a coisa, é uma furada.

Mas, face ao embrulho que arranjaram, a situação de desespero era tão grande que qualquer sonso ungido de má-fama já serve. 

Vamos ver no que dá. Mas devo dizer que esta solução me desagrada. Nunca achei que Paulo Macedo fosse grande espingarda como gestor e, para além disso, não gosto dele como pessoa. Sonso demais para o meu gosto. 

Não é só o láparo que gosta de dar tiros nos pés. Esta equipa das Finanças também tem dado alguns e o Costa, perante o caldinho armado -- ou melhor, completamente entornado -- perdeu um bocado a margem de manobra e o tempo necessário para arranjar alguém decente que não corressse o risco de ser abatido na primeira hora ou cozido em lume brando pelos PàFs; e deu nisto. 

Não gosto e não tenho confiança em Paulo Macedo. A ver se, ao menos, o Costa anda de olho nele para não o deixar pôr o pé em ramo verde já que os maçaricos das Finanças são ingénuos demais para lidar com situações mais rebuscadas.


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Esta notícia do Paulo Macedo na Caixa, apesar de recorrente, parece-me tão estúpida como a não-notícia, também recorrente, da não-candidatura de Santana Lopes à Câmara de Lisboa. A nulidade a inundar os interstícios da vida pública. Só falta mesmo aparecer a notícia bomba de que o Super-Juíz Alex e o inspector Rosy Karamba descobriram finalmente os indícios de que o Sócrates não é mesmo flor que se cheire já que, escutas de anos passadas a pente fino, revelaram que, volta e meia, o perigoso suspeito não lava os dentes antes de ir para a cama.



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As imagens são provenientes do saudoso Kaos e ilustram quer algumas dangereuses liaisons daquele que parece transportar uma nuvem negra à sua volta, quer a sagrada liaison de Santana Lopes a quem saíu a taluda ao ser nomeado para a Santa Casa.

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E, para acabar com alguma coisa que valha a pena, uma notícia-notícia: 
a confirmação de que afinal as mulheres têm asas.

É vê-las a desfilar ao som de Lady Gaga com Million Reasons no Victoria Secret Fashion Show



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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma sexta-feira muito boa.

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quinta-feira, dezembro 01, 2016

Marcelo e Letizia.
As anjinhas dos segredos quase a mostrarem as asas e as maminhas.
O CR7 e as dúvidas por mais uma namoradinha tirada da manga.
E, à falta de um gif com o láparo aos tiros nos pés, um conjunto de gémeos separados à nascença.
Ah, e é verdade: qual é a password...?
Esperem, esperem...! Estava a esquecer-me do Marcelo a fazer coisas....


No meio do meu desconhecimento dos dias, chego a casa à noite em busca de algum fenómeno que tenha justificado o movimento do planeta. Mas o planeta está em roda livre, gira sem que nada o justifique. 


Lado a lado, nas notícias, vejo aviões destruídos a ilustrar as últimas palavras de um homem desesperado e o backstage dos anjos without secrets que se preparam para desfilar em lingerie*.

Não há decoro na conjugação de notícias: salta para o frontespício o que pingar mais sangue, soltar mais bravos ou balofos impropérios, estiver envolvido em jogadas de futebol duvidosas, tiver o corpinho mais envolto em glamour ou tiver morrido ou estiver em vias disso.

De empolgante apenas a maluqueira do Marcelo, todo de franga à solta a fazer gracinhas para a esquálida e simpática rainha. Nunca ela teve visto coisa assim. Hiperactivo, este nosso Marcelo, uma coisa nunca vista. 


Quando vejo fotografias assim, uma pobre coitada como Letizia, de manhã à noite, a ter que desfilar, cumprimentar, observar, conversar, etc, só me ocorre que deve ser uma seca do caraças -- e isto já para não falar que não sei como faz esta gente quando tem vontade de ir à casa de banho. Bolas, deve ser cá uma aflição.


Também li que Cavaco com a sua saudosa Cavaca deram à costa mas não sei porquê e a verdade é que isso não despertou a minha atenção.

Mais à frente, a Madame, que não as poupa, diz que aquilo da Georgina, a suposta nova namorada de Ronaldo, é armação, que, para começar, se calhar nem é ele, ainda é mas é um duplo e que, sempre que os jornais se enchem com rumores de homossexualidade, saem logo a seguir notícias de namoradas que não são namoradas coisa nenhuma. Agora a cena que precedeu a aparição da Georgina parece que terá a ver com uma discussão entre o CR7 e o colega Koke. A troca de carinhos relatada reza assim:

Koke teria tratado Ronaldo de bicha ao que Ronaldo terá respondido: Sim, sim, bicha. Mas uma bicha muito rica, ó imbecil.

E portanto parece que está meio mundo à espera do coming out do Ronaldo. Eu não. Estou à espera é de ter um dia feriado descansado.


E, portanto, enquanto não chega a hora de sentir que estou a desfrutar o justo borreganço, ocupo a minha fraca mente com inconsequentes deambulações. Coisas à toa, mesmo.

Uma das coisas que me alegra é o de ver como, mesmo separados à nascença ou, mesmo que nascidos com décadas de intervalo, os gémeos se mantêm iguais. Aliás, ainda estou para descobrir todos os meus gémeos. Sempre quis ter gémeos. Eu e mais dúzia de pessoas iguais a mim. Pessoas ou gatas. Adorava.

Partilho agora convosco alguns desses fantásticos gémeos separados à nascença. É que isto, sim, me parece matéria interessante. De resto, também acho graça aos tiros nos pés do Láparo mas, nos últimos dias, parece que anda na moita, não o tenho visto, dá ideia que passou temporariamente a pasta à dupla disfuncional Montenegro & Bacorinho. Tenho saudades de o ver, com aquela boca retorcida, tanta a raiva que quase come os lábios. Que é feito dele? Já de roda das rabanadas, será? Quando o vejo, ao Rei dos Ressabiados, a rir à maluco na bancada pafiana só o imagino de pistola na mão a dar tiros nos pés. O Canal Parlamento devia pôr uma câmara ao pé dos pés dele.

Mas pronto, à falta de imagens que o comprovem, fico-me, então, com os gémeos univitelinos (ie, gotas de água iguais, à semelhança do que acontece com as gémeas Júlia Pinheiro e Ana Gomes). Ei-los:








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Era para ir escrever outro post mas fica para amanhã. Hoje fico na companhia de outros manos.

Marx Brothers - Password Scene


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Ah, e um encore para o Marcelo.

Marcelo a fazer coisas


(Aqui Marcelo a premiar o Melhor Penteado)

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E que os anjos vos acompanhem

The Making Of The 2016 Victoria’s Secret Fashion Show



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Tenham, meus Caros Leitores, um belo dia feriado.
Mesmo que esteja de chuva, que seja um dia luminoso para cada um de vós.

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quarta-feira, novembro 30, 2016

São os ovos? O cálice de Porto? A distância dos homens?
- o que é que aumenta a longevidade das mulheres?


Depois das garotas do Pirelli 2017, continuo na companhia de garotonas bem vividas. Já conto o segredo de algumas mulheres que viveram para lá dos 100 anos mas primeiro vou aqui prescrever uns pontos. E, se não se importam, para irmos de visita ao texto, vamos na companhia da Natural Woman, Carole King.





1º - Não estou completamente segura de que seja uma grande coisa viver para lá da conta. Uma pessoa viver bem, autonomamente, na ligeireza de existir, distribuindo sabedoria e boa disposição é coisa boa. Boa mesmo. Mas viver tombando da tripeça, toda na dependência da generosidade alheia, sendo tratada como uma criança, vendo os mais novos a sorrir de condescendência como se cada bobagem fosse uma grande conquista, ter que esperar pela hora de mudar a fralda, isso aí parece dureza em que nem é bom a gente pensar.

Só de uma pessoa se ver desdentada, pêlo grande a sair do queixo, ouvindo, em surdina, um queixume por o raio da velha nunca mais dar à sola (parafraseando o disfuncional permanente Montenegro), já deve dar vontade não ter comido tanto ovo cru.


2º - Viver é bom -- e, até ver, pela parte que me toca não tenho razão de queixa. Ouço, por vezes, pessoas da minha idade invocando já algum direito ao descanso, como se os anos vividos fossem pilhas que se foram gastando, como se os anos vividos fossem tiros no submarino, no porta-aviões, como se já poucos tiros houvesse para disparar. Ouço-as como se eu tivesse metade da sua idade, eles declarando-se acabados e eu sentindo-me ainda aí para as curvas. 

Isto da idade é genético ou tem a ver com o estilo de vida? Não sei. A minha mãe, oitentona, cheia de actividade, agora numa azáfama com as compras de natal em cima dos seus dois dias de ginástica e toda cheia de projectos de tricot e crochet, sempre com revistas cheias de modelos todos modernos, gerindo a casa e as suas contas, como consegue ela essa proeza? Foi operada a um cancro, tirararam-lhe metade do cólon, e dois ou três dias depois estava como se nada se tivesse passado. Vive quase prisioneira do meu pai que teve um AVC gigante há uns sete ou oito anos, nem sei, que agora acorda de noite a dizer que tem fome, que quer leite e bolo e que a chama, chama, sem a deixar dormir. E, no entanto, fala sempre a rir como se a sua vida fosse um mar de rosas. E, quando se refere a outras da idade dela, é capaz de dizer 'umas velhas' e ela não, ela não é velha. E tem razão, eu também não a vejo como velha.


3º - No outro dia, o meu filho e a minha nora -- que tinham ido ver os meus pais -- ficaram por aquelas bandas para irem jantar com uns amigos. Nós trouxemos os miúdos (ele com quatro, ela com seis) para virem jantar connosco. Uma vez que tinha vindo do campo, não tinha jantar em casa. Resolvemos ir comprar um frango de churrasco e arroz. Como estava a chover muito, eu fiquei no carro com eles. Claro que, acto contínuo, já estavam os dois na maior impaciência: 'e falta muito?', 'e quanto tempo é que o avô ainda demora?' e ela 'não sei o que estamos aqui a fazer! se tivessemos ido para casa, a esta hora já tínhamos jantado!' e eu 'mas jantávamos o quê, se o que estamos a fazer aqui é ir comprar o jantar?' e ele 'mas então, quando é que ele vem?'. Desliguei, desisti de responder a cada pergunta impaciente, certa de que não devia demorar muito. Até que o ouço dizer a ele, tom compungido, 'coitadinho do nosso avôzinho... tão velhinho... se calhar morreu...' Despertei. Como tínhamos vindo de casa dos meus pais, pensei que ele estava a falar do avô velhote, ou seja, do meu pai. Mas confirmei: 'Mas qual avôzinho tão velhinho é que se calhar já morreu...?'. Respondeu 'o avô J'. Ou seja, o meu marido. Dei-lhe logo um grito: 'ai...! credo, rapaz, mas que ideia é essa? vira essa boca para lá, morreu lá agora, está só à espera que o frango esteja assado, credo...'. E ele 'é que já há tanto tempo sem aparecer...'. Lá lhe expliquei que entre atravessar a rua, ir à churrasqueira, esperar pelo frango, pagar, etc, o tempo ia passando. Ouviu com atenção. Passado um bocado, o tom mudou 'Estou furioso! Quando é que aquele cabeça de bacalhau vem?!'. Desatei a de rir. E depois, já sem os conseguir ouvir mais, resolvi ir, mesmo à chuva, ter com o avôzinho velhinho, coitadinho.

Mas fiquei a pensar: será que os miúdos nos vêem já mais para lá do que para cá? Ou aquilo terá sido um estado de alma passageiro? Não sei. Sei que, na idade deles, achava os meus avós já velhos. Mas, se vir fotografias deles, acho mesmo que eram pessoas de idade, nada a ver com o que eu e o meu marido hoje somos. (Digo eu).

Mas, na volta, tudo erros de paralaxe.


4º - E tudo para falar de decana da humanidade. A italiana Emma Morano fez esta terça feira 117 anos. Imagine-se uma coisa destas. E, curiosamente, atribui o fenómeno à sua dieta, em tempos prescrita por um médico: come 3 ovos por dia, 2 dos quais crus. Também pequenas doses de carne. Frutos e legumes são quase nenhuns. 

Pasmo, juro que pasmo. Tudo o que se sempre se ouviu dizer que fazia mal.
Também podia referir a francesa Jeanne Calment que morreu com 122 anos. Dizia ela que, para além do seu capital genético, a vida longa se devia ao desporto e a um cálice de Porto por dia.

Ou a escocesa Jessie Gallan que viveu até aos 110 anos e que atribuía a vida longa à distância que mantinha dos homens os quais, segundo ela, só serviam para dar chatice.

Ou ainda a americana Susannah Mushatt Jones que viveu até aos 116 anos, dizia que dormir bem e ter uma vida dalai-lamiana, peace and love, é que lhe garantia a longevidade já que daí lhe vinha a energia positiva que a alimentava.

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Receitas há muitas. Mas não sei se os efeitos secundários são fatais pois há mais que patinam (por isto ou por aquilo) do que as que ultrapassam a meta.

Por isso, que se lixem as mezinhas e que cada um tente a sua sorte como souber e que saiba ser feliz enquando puder.

E eu vou agora beber um copo de leite magro, morno, e vou dormir porque a noite passada dormi pouquíssimo e não faço outra coisa senão estar para aqui, de minuto a minuto, a adormecer. Faço ideia o texto, deve estar todo cheio de falta de letras, uma espécie de dentes em falta numa boca a céu aberto. Mas não consigo rever o texto, não mesmo.

[Tanto comentário e tão desafiante tenho nos posts de ontem e eu, que queria tanto responder e ver se tirava nabos da púcara de uma Leitora super misteriosa, tenho um corpo que só me puxa para a cama.]



Great Basin bristlecone pine -- Pinus longaeva

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As meninas das fotografias são as citadas no texto.

E antes que me quede por aqui, a dormir a sono solto no sofá, tenho mesmo que me ir.


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As garotas de rosto nu do Calendário Pirelli 2017
- um grito contra o terror da perfeição e da juventude


O meu prazer em fotografar é inversamente proporcional ao de ser fotografada. 


Nunca me apanham em grupinhos a dizer cheeeeese ou ba-ta-ta. Impossível. E se tenho que ser fotografada por obrigação sou incapaz de me produzir para o momento.

Acho que já o contei. Quando o ano passado foi um fotógrafo à empresa para tirar fotografias a cada um de nós, cheguei lá e fiquei espantada com a produção de cada uma das outras mulheres. Muitas tinham ido ao cabeleireiro, vinham aperaltadas, todas de ponto em fino. Eu fui normal. Aliás, ao arranjar-me em casa, foi coisa que nem me ocorreu. Depois, estava numa reunião quando me foram chamar. Fui num ápice dar uma espreitadela à casa de banho. Achei que menos mal. Quando ia a entrar para a sala, pensei que devia ter passado uma corzinha nos lábios. Tarde demais. Pus-me lá no sítio que o fotógrafo disse e começou a dar-me vontade de rir. Ele, profissional, não ligou. Aproximou-se e pôs-me ligeiramente de lado. E eu com vontade de rir. Fiz um esforço para manter uma pose adequada ao status. E, nisto, pergunta-me ele enquanto me fixava com olho clínico: 'Sô-Tôra, não quer afastar o cabelo?' e fez um gesto com a mão, como que para afastar a franja. Fiquei preocupada: 'Mas está mal?' e ele. meio atrapalhado: 'Não... Mas podia querer afastá-lo mais da cara...' Fiquei apreensiva. Tive vontade de lhe dizer: 'Alto e pára o baile. Tenho que ir ver com os meus próprios olhos!'. Mas não, achei que, se afastasse o cabelo, poderia ficar com ar demasiado despido e e não me dispo perante qualquer um. Ficou assim. Agora olho a fotografia e não consigo formar opinião. Algumas colegas odiaram ver-se, exigiram um remake. Eu fiquei depois a pensar que, se calhar, devia ter aproveitado a oportunidade de tentar segunda chance, talvez ficasse melhor. Mas não. Só passar outra vez por aquilo... Não gosto.

Apenas de vez em quando, quando não estou nem aí, é que não me importo que o meu marido ande à minha volta a apanhar-me tal como estou, sem poses ou sorrisos pasmados. 


Acontece-me também, quando me vejo nas fotografias, achar-me diferente do que era tempos atrás. Como já o contei, tendo, então, a protestar com o fotógrafo: não devia pôr-me com o sol a bater-me na cara, não tem cuidado, não me adoça a pele, mostra-me as rugas junto aos olhos, mostra que o meu rosto já não tem a frescura de quando eu tinha a vida inteira pela frente, bem podia apanhar-me em melhores ângulos, com luz mais esbatida. Etc. Ele não liga, acha que fiquei bem. E está dito. Não lhe arranco nem mais uma palavra.

Depois, se calha eu ver essas fotografias anos depois, olho e já acho que ali ainda era uma jovem, cinquenta mil vezes com mais piada do que na actualidade.

E isto contado assim até parece que dou muita importância a isto. Não dou. São pensamentos ou reacções momentâneas que desaparecem na hora.

O que entretanto aprendi é que somos sempre jovens e bonitos aos olhos de quem é mais velho e acabado que nós.

E aprendi, sobretudo, outra coisa: é que a beleza de uma pessoa é francamente subjectiva. 

Gosto de me maquilhar ao de leve pois acho que sem um toque de cor, fico um bocado descorada, as sobrancelhas claras, a pele clara, parece que está mesmo a pedir uma sombra leve na pálpebra superior, um pouco de blush, coisa leve em tom de pêssego e só mesmo nas maçãs do rosto, e, nos lábios, uma passagem de gloss, cor de romã suave. Mas, ao fim de semana, nada, quanto muito um esfumado ligeiro  na pálpebra superior. E, no entanto, a minha filha diz que fico melhor assim, rosto nu. 


Mas não sei se ela tem razão. O meu marido, por seu lado, não se pronuncia. Não tem paciência para os meus inquéritos. E diz que receia responder o que quer que seja pois acha, que diga o que disser, ficará sempre sujeito a mais perguntas, e, se há coisa que o impacienta, é ter que dar justificações das opiniões que exprime. Por isso, tenho que me fiar na minha opinião. Contudo, nunca me deu para carregar na maquilhagem, usar base para disfarçar imperfeições, carregar no rimel, pintar os lábios de cor compacta e desenhando o contorno. Acho que não suportaria o contraste quando, à noite, retirasse a maquilhagem. Penso que deveria parecer-me com um palhaço no fim do circo, no camarim, a desfazer-me do personagem.

Mas a verdade é que tanto faz. Se nos sentimos bem e confiantes, está sempre tudo bem. E haverá sempre quem goste de nós, quem nos olhe com olhos doces de afecto ou apreço. Nem que seja um velhinho, cinquenta anos mais velho que nós (pitosga, taraulhoco, meio deslembrado).

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Vem isto a propósito do Calendário Pirelli 2017. Transcrevo:


This year, Peter Lindbergh became the first photographer to shoot three Pirelli calendars. His 2017 also marks another first for "The Cal", as the images have not been retouched. Lindbergh tapped 14 of his favorite women in Hollywood: Nicole Kidman, Lupita Nyong'o, Uma Thurman, Lea Seydoux, Rooney Mara, Kate Winslet, Robin Wright, Julianne Moore, Alicia Vikander, Charlotte Rampling, Zhang Ziyi, Penelope Cruz, Jessica Chastain and Helen Mirren. Lindbergh also included Anastasia Ignatova, a political theory professor in Moscow, that he met a dinner last year. All the women featured were tasked with sharing their natural beauty for the black and white calendar which he has titled "Emotional".


"Beauty is just commercial interest, as you see in magazines, women are washed out from every experience. That's just the opposite of what I wanted. These are the most talented women that I admire in the entire world. They are emotional and I wanted to show that," Lindbergh said during the official press conference in Paris today.

All the women in this calendar, we're women of all different facets. The calendar is physical, so what are you building inside? It's about the journey." Lindbergh and his subjects all hope to spark the cultural conversation on what real beauty looks like. "Look at this Pirelli calendar," Mirren said, "the reality is we live, we love, we continue, that's the role of women. It is very difficult, for young girls nowadays, incredibly challenging. The only way we can help them along the way is to say, life goes on a long time. You will be many things in your lifetime."

Pirelli Calendar 2017 by photographer Peter Lindbergh


Captured by legendary photographer Peter Lindbergh and featuring equally as iconic women as Nicole Kidman, Julianne Moore, Lupita Nyong'o, Kate Winslet and more.


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E tenham, meus Caros Leitores, um dia muito feliz. Vocês merecem.

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terça-feira, novembro 29, 2016

O PCP e o BE nas sondagens e nos actos





Vou dizer uma coisa.

Nas autárquicas, sempre que me pareceu ser a candidatura mais credível, votei no PCP. Ou melhor, na CDU, acho eu. Claro que não faço ideia qual a diferença entre a CDU e o PCP. Nem sei se CDU é feminina ou masculino pois não sei o que é o C. Podia googlar mas, a esta hora, não estou para isso. Nas legislativas nunca votei no PCP. É gente honesta, não tenho dúvidas disso, mas há ali uma utopia datada, improvável, que me afasta. Sobretudo, há uma forma sectária de ver o mundo. Ou talvez não seja isso, talvez seja apenas uma forma sectária de falar. Não sei. Sou próxima de pessoas do mais PCP que há, militantes, com vida pública ao serviço do partido. Contudo, não consigo falar de política com eles. Dá ideia que têm sempre um inimigo de estimação e que constroem a sua 'narrativa' em torno disso. 

Por isso, o PCP, apesar de reconhecer nos seus militantes uma genuinidade de intenções, não é a minha praia.

Sou, por natureza, despreconceituosa, aberta a ideia novas, gosto de pôr em causa tudo o que seja ortodoxia, não consigo aceitar que me condicionem a liberdade de pensamento e de expressão, sou uma desalinhada por natureza. Não poderia, pois, encaixar-me no PCP.


No Bloco de Esquerda também nunca votei. Ou melhor, votei no Miguel Portas para as Europeias. Mas, por cá, embora lhes reconheça algumas boas ideias e, por vezes, uma inegável capacidade de falar claro e de apontar o dedo a algumas anomalias do 'sistema', nunca votei neles. Sempre me pareceram um bocado inconsequentes, com muita sede de protagonismo, ávidos de mediatismo. Há ali um deslumbramento pelas suas próprias artes performativas que, por vezes, me enfastia. Outras vezes, parece que ficam cegos pelo tacticismo e, na prática, fazem o jogo daqueles a quem dizem combater. Tenho apreço pela inteligência acutilante de Louçã, tenho simpatia pelo humanismo de João Semedo, aprecio a empatia de Marisa Matias, acho que Catarina Martins tem uma combatividade desarmante -- mas, todos juntos, formam uma mistura que não acolhe as minhas simpatias. Acresce que acho que Mariana Mortágua não tem tento na língua, é muito auto-convencida, falta-lhe humildade e falta-lhe a autoridade que advém de uma vida vivida. E é um bocado exasperante constatar que ali, naquele Bloco, cada um pode exibir o ego a seu bel-prazer que não há quem se sinta com autoridade para mandar bater a bolinha baixa a qualquer outro.


Como já o disse muitas vezes, voto maioritariamente PS embora, como tenho confessado, parafraseando o O'Neill, seja na base do 'não me apetece mas voto PS'. Não me revejo nos jogos palacianos, não me revejo em amigalhices aparelhísticas, não me revejo no uso abusivo, para desviar atenções, do verbo fácil. E, por vezes, esses são tiques de que o PS padece (também versejei!). Mas, numa lógica de redução por absurdo, analisando pragmaticamente as alternativas, muitas vezes tenho chegado à conclusão que do mal o menos e, portanto, votei PS.


Mas, pelo que referi, não sou fundamentalista em relação a nenhuma das minhas ideias.


E é assim que é com pena e um sentimento de que uma injustiça está a ser cometida que vejo a fraca preferência dos eleitores pelo PCP que a última sondagem revela. 6% para o PCP é injusto. Desde que apoiou o governo PS, o PCP tem revelado uma enorme dignidade, uma atitude vertical e honrada. Não têm deixado de expor as suas razões, de encabeçar as suas lutas mas sempre de uma forma madura, sempre respeitando o acordo que fizeram, sempre de uma inteireza que deveria merecer melhor reconhecimento. Têm mostrado ser gente de bem e isso não é coisa pouca.


6% é o que o CDS também tem e o CDS é uma mão cheia de nada, um partido pífio, um bando de gente de cabeça oca, uma nítida nulidade. 


E custa-me ver como o BE, com toda o seu histórico de leviandades, algumas das quais bem recentes, consegue a preferência de 8% dos eleitores. 


Há nisto qualquer coisa de muito injusto.

A vida é assim, bem sei, cheia de injustiças, cheia de avaliações deficientes que conduzem a iniquidades. É dos livros: muitas vezes são os melhores que ficam pelo caminho. É da história: muitas vezes é por delicadeza que os melhores se deixam matar. É do dia a dia: muitas vezes são os que mais têm a dizer que menos são ouvidos.

Mas é por ser tão banal que nos conformemos perante toda a espécie de injustiças que a mediocridade vai alastrando como uma mortífera mancha de óleo, fazendo retroceder a civilização, anulando parte da elegância e da beleza da vida.

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E, por falar em beleza e em elegância, as pinturas são de Hiroshige (1797 - 1858) e é Jordi Savall quem interpreta 'Greensleeves'.

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Comecei referindo que ia dizer 'uma coisa' e acabei dizendo uma data delas. As minhas desculpas.

E agora, caso vos apeteça visitar o fantástico mundo das pessoas verdadeiramente inteligentes, queiram, por favor, descer até ao post que se segue.

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Gente verdadeiramente inteligente


Cada vez mais aprecio gente genuinamente inteligente. É rara gente assim.

Eu não devia dizer uma coisa destas mas o que me vale é que isto é anónimo. Que dia o de hoje! Caraças. 

Acreditem ou não, cheguei a casa às dez da noite, acreditem ou não, tive uma reunião que durou oito horas seguidas. E, acreditem ou não, chegada aqui ao computador depois das onze da noite, são coisas como as que aqui partilho convosco que me mostram que, por difícil que por vezes seja de acreditar, ainda há gente inteligente à superfície da terra.

E, note-se, quando digo isto, incluo-me no naipe alargado de gente pouco inteligente porque, se cumprisse os mínimos, outro galo cantaria e a minha vida seria outra.

Bem. Adiante.

A televisão estava nos Prós e Contras. Fiquei com os cabelos em pé. Já não consigo ouvir aquela gente. Falava o rapazelho do CDS, aquele que já foi secretário de estado não sei do quê. Era o que me faltava depois de um dia como o que tive ainda ter que ouvir estes meninos velhos com a cabeça cheia de tralha sem uso possível.


Agora estou a ver nem sei o quê, parece coisa científica,. Olho sem atenção. Vejo gente que me parece civilizada. Fotografia. Parece que falam de Carlos Relvas. Fica aqui. Palavras assim fazem boa companhia.


De manhãzinha, quando ia trabalhar e quando ainda julgava que ia ter um dia normal, ocorreu-me que hoje iria escrever sobre o papel do jornalismo nos dias que correm. Mas agora não consigo, só me apetece falar de gente inteligente.

Vejam estas respostas fantásticas. Ah como eu gostava de lidar, de manhã à noite, com gente assim...


E para quem gosta de matemática...? Até dei uma gargalhada com esta aqui abaixo.


E esta? Pedia-se para desenhar uma linha para a resposta correcta. O máximo.


E, já agora, uma musiquinha num ambiente igualmente criativo e animado. 
Que entrem os meus amigos OK Go com The One Moment.


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segunda-feira, novembro 28, 2016

O Pastilha no meio dos Príncipes
- ou como a filha de Luís Figo debutou no meio dos aristocratas, da alta burguesia e das estrelas de cinema

[E breve recordação do meu Baile de Finalistas]





Eu tinha 16 anos, andava no último ano do liceu e um dos momentos do ano era o Baile dos Finalistas. O grande salão era adaptado, arrumavam-se as mesas, cuidadosamente decoradas e distribuídas à volta. Ao meio uma passadeira vermelha. E, antes, durante um ou dois meses, ensaios. Ensaiávamos o desfile na passadeira com os nossos pares, depois a valsa que abria o baile. Para além das famílias, eram convidadas as forças vivas da cidade.

Para mim, foram tempos de sufoco. Andava de candeias às avessas com o meu namorado. Orgulho de parte a parte, coisa de adolescentes que davam os primeiros passos no mister da paixão -- já aqui o contei muitas vezes. E, aproveitando a oportunidade, o senhor que haveria de se seguir avançou e convidou-se para ser o meu par. E eu, furiosa por o meu namorado andar armado em parvo e todo ciumento, aceitei ir com esse outro. Aquilo dilacerava-me mas, ao mesmo tempo, era mais forte que eu. E a verdade é que, com isso, cavei um fosso ainda maior entre mim e aquele por quem o meu coração acelerava. 


Nessa altura não havia pronto a vestir para vestidos de baile. Escolhia-se um modelo, um tecido e a modista fazia a obra.

Escolhi, na Vogue, um vestido comprido e imaginei-o em cor de fogo. Comprámos a seda. Era cortado na cintura e a saia, evasée, flutuava em torno das minhas pernas. Da cintura para cima era justo. Era de alças, decote redondo, generoso à frente e depois continuava, estendendo-se pelas costas. De facto, era aberto nas costas até à cintura. Não pude levar soutien, claro. Em toda a volta do decote e contornando a profunda linha das costas, tinha um folho plissado. Portanto, quando eu andava, o folho ondulava.

Eu tinha o cabelo comprido com ondas largas e naturais e deixei-o assim. Achava-me o máximo naquele vestido comprido, elegante, uns altos sapatos de fino tacão. Não quis levar qualquer adorno mais pois achava que o vestido muito decotado e fluido chegava como adorno por sobre o meu corpo adolescente quase nu.

Daniela Figo com os pais - uma beleza serena, a dela

Aquele que o meu coração amava (e odiava em doses iguais) não foi ao baile. Foi o único do nosso ano a não ir. No entanto, quando eu ia a entrar no salão com os meus pais, ia-me dando uma coisa: ele estava à porta, de jeans, camisola desportiva, com aquele cabelo desalinhado de que eu tanto gostava. No meio de rapazes todos em fatos escuros, todos produzidos, e de raparigas que pareciam princesas ou estrelas de cinema, eis que ali estava ele, vestido daquela maneira, deslocado, estranho, quase um intruso. Retardei o passo e, com o coração aos saltos, temendo que ele estivesse ali para armar confusão, perguntei-lhe, furiosa: 'O que é que estás aqui a fazer?'. Ele respondeu : 'Vim ver-te. Estás muito bonita.'. Depois deu meia volta e foi-se embora. E eu fiquei a achar que devia ir atrás dele e pedir-lhe para ficar. Mas isso era se eu fosse outra.

Pouco depois estava eu a desfilar pelo braço do meu par e depois a dançar a valsa, e depois toda a noite a dançar todos os géneros de música.

E durante todo o tempo eu esperei que o meu amor rebelde reaparecesse, que me tirasse dos braços do meu par, que caísse aos meus pés. Não o fez. No dia seguinte comecei a namorar com o outro. De vez em quando chegava a casa e desatava a chorar: o outro adorava-me a achava que era retribuído e eu não sabia como fazer para não o desiludir, incapaz de lhe confessar que aquilo era tudo um mal entendido.


Nunca mais voltei a vestir aquele vestido tão bonito. Para mim aquele vestido cor de fogo era o símbolo da minha traição, da minha capitulação. Já não sei que é feito dele. Se calhar a minha mãe ainda o tem para lá guardado mas eu não sinto qualquer gosto em ver coisas do meu passado.

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Só me lembrei disto ao ler o artigo sobre o Baile das Debutantes em Paris, um baile que juntou 23 jovens da mais fina flor da sociedade. Princesas, condessas, todas pelo braço dos seus Cavaliers. Mas também meninas muito ricas e a filha de Annette Bening. E Daniela, a filha de Luís Figo e de Helen Svedin.


Daniela vestiu Jean Paul Gaultier e estava muito bonita. Não sei bem o significado deste baile, talvez apenas a apresentação das meninas da melhor sociedade ao mundo, mas imagino que tenha sido uma noite marcante para as adolescentes que o frequentaram. É bom que haja pricesas para alimentarem o imaginário das meninas que vivem em ruas suburbanas, daquelas ruas em que há clubes locais onde se acolhem os meninos do bairro que gostam de praticar desporto, meninos como em tempos foi Luís Figo que começou por jogar no clube Os Pastilhas.

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A Segunda Valsa é de Dmitri Shostakovich
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Tinha em mente contar-vos a linda odisseia que vivi durante este domingo e como rematei o dia paseando num dos meus lugares de eleição.


Mas esta história da diva Domingues e da totozice do primo do Mourinho desconcentraram-me. Depois ainda estive a acabar o meu TPC e, finalmente, desviei-me para isto do baile. E agora, a esta hora, já não são horas para começar post novo. Não posso deitar-me às quinhentas porque esta minha segunda-feira é das que prometem. Tenho que estar bem acordada.

Pode ser que amanhã ainda me apeteça partilhar convosco a minha reportagem fotográfica. Para já, deixo aqui uma fotografia. Uma não: duas, uma inside um sítio onde andei a almocei (perto das 4 da tarde) e outra na rua mas fotografando para dentro (de uma galeria).


Lisboa, ma belle.
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E sobre o desfecho da soap opera, Domingues fica - Domingues sai, queiram, por favor, descer até ao post abaixo.


António Domingues demitiu-se da CGD e eu tenho umas perguntinhas para ele e um recadinho para António Costa


Na fase em que andavam há meses para desarrincar um elenco para a CGD e, no fim, apareceram com um magote deles que mereceram dúvidas ao BCE, já eu aqui tinha criticado o Secretário de Estado Mourinho Félix e o Ministro das Finanças Mário Centeno e, consequentemente, António Costa. O Primeiro-Ministro deixou que a coisa se arrastasse daquela boa maneira para, no fim, aparecer um Conselho de Administração que era uma turma absurdamente excessiva.


A coisa passou. Mas logo a seguir rebentou a castanha do ordenadão de António Domingues e, pior, a de não querer (ele e os colegas) reger-se pela lei do comum dos mortais nestas funções, apresentando a declaração de rendimentos.

Também já aqui várias vezes disse que a trupe pafiana não ia descansar enquanto não visse a CGD de pantanas. Tem sido um fartote. Campanhas negras, interpelações, a comunicação social encharcada das notícias que os pafs não se têm cansado de plantar.

Face às ameaças, era da mais elementar prudência que António Costa percebesse que esta não é matéria para verdinhos. Mário Centeno e o Mourinho Félix podem ser competentes mas não passam de uns meninos do coro quanto têm pela frente macacos de rabo muito pelado. 


Agora as televisões anunciam o pedido de demissão de António Domingues que pode ter as suas razões mas que, perante a opinião pública, nos apareceu como uma diva caprichosa. 


Ora a Caixa não vai aguentar mais uns meses deste carnaval. Um banco vive da confiança dos clientes e necessita imperiosamente de estabilidade. Tem que haver uma equipa sólida à frente do maior banco público nacional. E tem que haver não é só para calar a boca à comunicação social e a alguns deputados mais histéricos - é, sobretudo, para pôr em prática o plano de recapitalização e é para transmitir aos clientes a necessária confiança..

A última coisa de que o País precisa é de mais um filme de tipo BES. Na SIC N, o José Gomes Ferreira já está a agitar o papão das contas com mais de 100.000 euros -- e daqui até a uma corrida aos depósitos pode ser um instante. 


Por isso, a coisa tem que ser estancada de imediato. Tem que ser António Costa a encabeçar a resolução deste imbróglio: tem que nomear uma boa equipa, agilizar todo o processo de aprovações, pô-la a agir o mais urgentemente possível. E, se necessário for, que Marcelo o ajude. Parece que já há um nome ou alguns nomes. Não faço ideia quem seja mas gente capaz e que aceite um tratamento dentro da lei é o que não falta. Pois bem, que se avance de súbito, dando todos os passos com segurança e rapidez -- e tranquilizem os depositantes.

Mário Centeno, António Costa e Marcelo têm que anular o efeito pernicioso que tudo isto está a ter na confiança dos portugueses. Façam-no o mais rápida e eficazmente possível.


NB: Não me parece que Mário Centeno deva ser demitido. Tem alcançado resultados que não devem ser subestimados, resultados ímpares. Nem digo que Mourinho Félix está a precisar de um par de patins. Não lhe conheço as competências. Admito que o Secretário de Estado seja bom em algumas coisas e que, apenas, tenha falta de tacto político ou de capacidade para lidar com situações mais complexas. António Costa é que sabe se é de segurá-lo ou não. Mas o que tem, em qualquer circunstância, é puxar o assunto CGD a si. Já.


...   &   ...

Agora uma pergunta a António Domingues: se era para isto, porque é que se não se demitiu logo? Se queria um regime de excepção e se viu o ensarilhanço que isto estava a causar, ou cedia e era logo ou saía e era logo. Agora meses deste chove-e-não-molha para, no fim, se vir demitir...? Ora abóbora. Que vá participar em regatas, estudar filosofia ou aprofundar o conhecimento dos gregos que, ao que parece, é o que está mortinho por fazer -- que vá e não chateie mais.


E que sirva de lição a António Costa: gaitas destas não podem voltar a acontecer. As crises têm que ter respostas imediatas. Há situações que não vão lá com sorrisos e ironias. Há ATR (assuntos que o tempo resolve), lá isso há. Mas este, seguramente, não é um deles.

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domingo, novembro 27, 2016

O meu dia 26 de Novembro de 2016


Dia de chuva e tranquilidade. Uma vez mais o meu corpo chegou ao fim da semana a pedir descanso. Na noite de sexta-feira, reclinada no sofá, o computador ao colo, ia escrevendo e adormecendo. Tenho um trabalho para fazer e enquanto pensava que seria preferível fazê-lo logo e tirar daí o sentido, o meu corpo recusava o esforço adicional. Sábado está a chegar ao fim e ainda não lhe peguei.

Queria responder aos comentários e adormecia. Fui para a cama mais cedo do que o habitual e dormi, de seguida, até às nove e tal da manhã. 




Quando acordei fui à janela e vi que chovia a bom chover. Liguei a televisão e vi que tinha morrido El Comandante. Pensei que o Marcelo tinha tido pontaria. Não que o tiro fatal tenha sido disparado por ele mas, enfim, conseguiu, por um triz, apanhá-lo ainda com vida. Pensei que a anciã Isabel II -- a tal que já era rainha quando Marcelo ainda era uma criança -- deve estar a pensar que, graças a deus, ainda está bem de saúde.

Fiz papa de aveia, arrefecia-a, misturei um diospiro aos bocados e um iogurte e comecei o dia em beleza. O bem que isto me sabe só eu sei. Rematei com um cafezinho bem quente e cheiroso.

Entretanto, o meu marido disse que tinha caído um botão da manga do casaco de bombazina castanho. O botão é daqueles redondos, forrados a pele. Tirei outro para servir de amostra.

Fomos os dois dar a nossa caminhada mas, antes, passámos pela retrosaria da rua. Já não existia. Lembrámo-nos, então, de ir ao chinês. Tinha botões (tem tudo o que se possa imaginar) mas nada que se parecesse com o pretendido. Aproveitei para comprar uma embalagem de alfinetes de dama e outra de alfinetes de cabecinha. Volta e meia é preciso fazer bainhas nas calças e já me reareavam os alfinetes para fazer as marcações. O meu marido trouxe também um frasquinho de plástico com óleo lubrificante. Já pôs num fecho de um blusão que estava meio emperrado e agora o fecho já fecha bem e experimentou pôr também numa máquina de aparar a barba que tinha deixado de funcionar e a verdade é que, com o bendito óleo, ela ressuscitou.


Lembrei-me, então, de uma retrosaria atafulhada de tudo e mais alguma coisa que havia num fundo de um pequeno centro comercial. Lá fomos. Ainda lá estava. O dono é um silencioso indiano já de alguma idade. A empregada, portuguesa, talvez da idade dele, pelo contrário, fala pelos cotovelos, ri, mete-se com os clientes e dá ordens no patrão. Mostrei o pequeno botão e de uma parede forrada a caixas de botões, saíu uma caixa de cartão com botões daqueles, de todos os tamanhos. 

Quando saíamos o meu marido disse: O senhor Inesh é amante da empregada e ela é que é, na verdade, a gestora da loja. Achei que talvez fosse verdade.

Depois fomos fazer outras compras, incluindo, claro está, diospiros na loja dos outros indianos. Trouxe dos redondos, rijos, e dos ovais, moles e suculentos. 

Despachadas as obrigações, fomos então às devoções. Andar: uma caminhada de cerca de uma hora. Chuva, frio, as ruas molhadas mas, de quando em vez, alguma luz quase dourada. Fotografar, um dos prazeres maiores. O meu marido retarda o passo, chama-me, queixa-se, 'assim não dá'. Gosta de andar de seguida, a ritmo certo, mas também não quer seguir viagem e deixar-me para trás, deve ter medo que algum mergulhão me envolva nas suas asas negras e mergulhe comigo até ao fundo das águas.


Almoçámos tarde. Durante o almoço, liguei aos meus filhos a perguntar se queriam lanchar cá a casa. Uma semana sem os ver a todos e já me dá umas saudades que só visto. Quiseram. Por isso, depois de almoço, fomos ao supermercado.

A seguir, ainda tive tempo de escrever um post sobre Fidel Castro no qual mostrei um vídeo com um discurso 'poético' que merece ser visto.

Quase logo a seguir chegaram eles. Primeiro fomos a um lugar onde os miúdos gostam de brincar. Depois viemos para cá para casa.

O lanche foi: paezinhos escuros com sementes várias e pão alentejano às fatias levemente torrado. Queijo limiano às fatias, fiambre, queijo fresco de ovelha e queijo fresco de cabra. Para uma tijela cortei, aos bocadinhos pequenos, dois tomates bem maduros, depois desfiz grosseiramente com um garfo e misturei azeite. Bom para colocar sobre fatias de pão torrado. Tinha também manteiga com flor de sal. E iogurtes líquidos, sumo de laranjas algarvias e bongos. 

Como acompanhamento, muito conversa. Depois do lanche fomos para a sala e os três rapazinhos andaram a brincar uns com os outros, a maior parte do tempo às lutas. A menina, sentou-se num cantinho e disse que ali era a sua casa e começou a brincar às comidinhas. Ela e um dos primos andam agora com um dentinho a menos. Estão todos crescidos, sempre muito bem dispostos: uma alegria pegada. E um desatino quando estão juntos num espaço confinado. No fim, foram para o quarto do meu filho, o mais pequeno pegou na guitarra do pai, que ficou cá em casa, sentou-se na cama, os outros à sua volta, e tocou e cantou com energia e boa voz. Os mais crescidos ficaram de pé a assistir ao espectáculo.


Quando se foram embora, fomos os dois a casa dos meus pais. O meu pai, como sempre, muito queixoso por ter estado no cadeirão. Diz que na cama é que está bem, que não suporta a tortura de passar a tarde no cadeirão. Digo que é o médico que quer, que é bom para a circulação, para a respiração, para não perder completamente a massa muscular. Fica todo zangado, diz que não é verdade. Recordo a pneumonia que teve o ano passado, que esteve internado, que os médicos disseram que devia estar levantado para as secreções não se acumularem nos pulmões. Diz que me cale, que não é verdade, que não teve pneumonia nenhuma, que não esteve no hospital, que estou a inventar. A minha mãe diz que não vale a pena. De tarde, refila horas a fio, zanga-se com ela, dá-lhe cabo da cabeça. De vez em quando, vai-se um bocado abaixo, ela. Não quer sair para se ir distrair porque lhe custa deixá-lo em casa, se calhar aflito, a chamar por ela, mas, por outro lado, está saturada, muitas vezes com os nervos à flor da pele. Mas como é como eu (ie, eu é que sou como ela), tem uma facilidade enorme em pôr os problemas para trás das costas e, por isso, logo depois já estava a queixar-se que não conseguia ir à internet no telemóvel. Estava com os dados desligados. Nunca sabe o que faz para desactivar aquilo mas, volta e meia, as coisas estão desactivadas. Liguei. E estive, outra vez, a ver com ela como fazer pesquisas ou ver imagens via google (decoração de bolos, mantas de lã, etc). Também estive a mostrar-lhe como enviar fotografias tiradas no telemóvel por sms. Para exemplificar tirei-lhe fotografias a ela e à senhora que trata da higiene do meu pai que, entretanto, tinha chegado. Ficaram as duas todas divertidas a verem-se nas fotografias.


Depois, à vinda, pelo caminho, como tantas vezes acontece, resolvemos encomendar uma piza grande, metade com alcachofras e presunto e a outra metade vegetariana com queijo feta.

Passámos a buscá-la e quando chegámos, já um bocado para o tarde, estivemos a jantar. Não estava com fome pelo que comi pouco e acompanhei com um chá de erva cidreira.

Agora estou de regresso ao meu sofá aconchegante. Claro que já está a dar-me o sono. Tenho que fazer algum esforço para me manter de olhos abertos. Se os fechar, tenho a certeza que adormeço instantaneamente. Eu estou num sofá e o meu marido está deitado noutro e temos um aquecedor a óleo ao pé de nós. Ouço a chuva, sinto o calorzinho bom, estou a escrever. E sinto aquela paz tão boa que me faz sentir agradecida.


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As fotografias foram feitas de manhã.

Lá em cima, é Judy Collins e Graham Nash interpretando - "I Think It's Going To Rain, Today"

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E ainda não é hoje que vou responder aos comentários (que agradeço!) nem aos mails pois vou agora começar a fazer o meu TPC.

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