Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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segunda-feira, setembro 26, 2016

Pessoas e bonecos na Baixa de Lisboa


Começo por onde este domingo comecei: pelo Terreiro do Paço onde decorria o Pitch Market. Dia de sol de outono, temperatura amena, manhã boa para palmilhar as ruas da Baixa.

Por ali andei, turista, nariz no ar, sondando as diferenças, sentindo o ar do tempo. Respiram-se ventos que vêm de longe, de muitas outras terras, a diversidade é total, a aceitação absoluta. Há alegria nas ruas, há um movimento tranquilo que se mistura com a luz dourada, há música, há um colorido cosmopolita. Gosto cada vez mais de Lisboa.

Se forem descendo, depois deste post, encontrarão outros (digamos que) mais temáticos. Este não, este é generalista: mostro as pessoas e os bonecos que, por estes dias, habitam esta zona de Lisboa. Espero que gostem.

Girafa no Pitch 

Porco no Pitch


A segunda noiva que, este fim-de-semana, vi em despedidas de solteira. rodeada de amigas
(ainda hei-de perceber a lógica ou a graça destas 'cenas' mas a noiva estava a divertir-se e isso é que interessa)

Mulher com asas na cabeça e com Gaivota
(Se eu fosse jornalista, teria entrevistado esta mulher com tão altivo porte)


E a praia logo ali: banhos de sol no pequeno areal junto ao Cais das Colunas


Depois da corrida, os alongamentos
(outra fantástica figura, a quem eu também teria entrevistado de bom gosto)


O rapaz das longilíneas e abstractas bolas de sabão
(a topologia mora aqui, ai mora, mora)

E a bola alongada divide-se em múltiplas bolas de várias dimensões que deslizam até se desfazerem no ar,
fazendo a delícia de quem as vê


Uma cidade luminosa que apela aos afectos


As omnipresentes selfies.
Neste caso era o homem o mais aficcionado, munido de um pau-de-selfie,
perante o que me pareceu ser a indiferença da mulher


O homem e a mulher estátua, junto de quem, a todo o instante, os turistas se sentam para serem fotografados.
Quando alguém dá uma moeda, o homem leva a mão ao boné e ambos esboçam um leve sorriso


Música a sério na Rua do Carmo


No passeio em frente, apanha-se sol na maior descontracção enquanto se ouvem os violinos

Finalmente um clássico do Chiado: uma das sempre muito bem concebidas montras da Hermès
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Beijo de saudade


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Se alguma das pessoas que aparece no post não quiser aqui figurar, bastarará provar que é essa pessoa e pedir-me para retirar a fotografia que, assim que possível, o farei.

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E queiram, meus Caros Leitores, descer até ao post seguinte para continuarem o passeio por esta Lisboa que eu amo.

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Conhecer Lisboa
- Como? Quais os meios de locomoção possíveis?


Depois do desassossego, as novas formas de locomoção em Lisboa. Dantes dizíamos com convicção que aqui não podíamos andar nem de bicicleta nem de saltos altos. E, para ver as vistas, conhecer a cidade e percorrer as sete colinas, só mesmo a pé, de eléctrico (nos casos em que o havia até lá) ou, então, de carro, em ruas onde estacionar é uma dificuldade.

Tudo isso mudou. Os novos passeios, aleluia!, são de pavimento liso. O pesadelo de andarmos com o salto a prender-se na calçada, pelo menos na 24 de Julho, está a chegar ao fim.

Depois, não me perguntem como conseguem, mas o que não falta é gente de bicicleta. Mais: reparei que se fazem expedições com guia. Lá vão eles em grupos, o da frente a explicar o caminho e o que estão a ver.

Depois há os imensos, imensos tuk-tuks, de todo o tamanho, desenho e feitio, Frequentemente conduzidos por jovens, há-os por todo o lado.

E há os autocarros da Câmara para o sight seeing. Com bom ar, indicação de que se fala em várias línguas.

E depois há o resto que nem sei bem o que é. Por exemplo, uma expedição de carrinhos eléctricos também com guias (como podem ver numa das fotografias). E isto já para não falar de grupos a pé, com guias. Uma animação.









O Guia (ao centro), em inglês, descrevia empolgadamente a reconstituição de Lisboa,
quase se transfiguarava ao falar do Marquês e dos Távoras.
os turistas ouviam-no atentamente.
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Lisboa


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Que desassossego em Lisboa...


Começo as fotografias deste domingo pelo desassossego. Lisboa está desassossegada. Se percorrermos os caminhos ribeirinhos, as obras são omnipresentes. Lisboa, entre o Cais Sodré e Alcântara, está virada do avesso. O perfil da cidade ao longo deste eixo vai mudar radicalmente. Os passeios, que já começam a estar prontos, vão ser larguíssimos, arborizados, vai haver também uma linha de árvores a separar as faixas, as vias estão a ser estreitadas, os jardins e largos estão a ser redesenhados. Tal como o percurso entre o Terreiro do Paço e o Cais Sodré foi mudado de uma forma que trouxe instantaneamente as pessoas para a beira do rio, também estas novas alterações vão, certamente, tornar a 24 de Julho deliciosamente degustável.

As pessoas que por aqui passam todos os dias inquietam-se (para já têm razão: chegar a qualquer lado, passando por aqui, é um calvário!). Mas eu acho que, à parte estas dores de parto, uma vez as obras concluídas, vai ficar uma maravilha. A cidade está um desassossego, sim, mas cada vez mais bela, mais desfrutável. 

É certo que o preço dos edifícios por estas bandas está ao rubro, esta passou a ser uma zona premium. Por acaso, li há pouco no DN uma notícia que o confirma. Vejo isto pelo lado positivo: há cada vez mais turismo, há cada vez mais apetência pela reabilitação destes belos edifícios virados ao rio e o País precisa de tudo isto como de pão para a boca. E há a nova arquitectura que valoriza e moderniza ainda mais a baixa de Lisboa (e digo baixa porque Manuel Salgado, que tem feito em Lisboa um notável trabalho a nivel urbanístico, tem alargado a baixa, espraiando-a para a beira do rio).

De seguida, se o tempo me render, mostrarei uma série de fotografias que tentam mostrar a beleza de Lisboa neste suave domingo outonal.

Começo, pois, pelo desassossego. E, se pensam que vos vou mostrar obras, enganam-se. Mostro o desassossego mesmo. A bem dizer quase uma orgia. Vejamos.


Um prédio desocupado, grafitado.


E agora com olhos de ver, letra a letra:





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Este desenho cheio de graça passa-se na Rua do Alecrim, quase em frente da pensão do Amor e mesmo por cima da Rua Cor-de-Rosa, outra das ruas trendy desta zona da cidade -- o que ainda mais graça tem.



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E, não é por nada mas, já agora, que se achegue aqui Fernando Pessoa com o Livro do Desassossego



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Para as Linhas do Tempo queiram, por favor, descer até ao post a seguir.

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As Linhas do Tempo
Flores e flores e outras obras
Uma exposição na Gulbenkian


A cidade é uma quando se anda em trabalho e é outra, muito outra, quando se anda com tempo e olhos de ver.

Por ela ando diariamente, percorro-a muitas vezes de ponta a ponta e os locais que frequento são até alguns dos que tanto gosto. Mas ando formatada para não perder tempo, para estar a horas aqui e ali e, portanto, é quase como se nem a visse.

Portanto, por absurdo que possa parecer, estava cheia de saudades de andar por ela como gosto de andar, como uma turista acidental, passeando por aqui e por ali sem saber ao que vou, andando, espreitando, degustando.

No sábado à tarde foi dia de ajuntamento na Gulbenkian. A pièce de résistance é sempre o jardim. Os miúdos deliram com os recantos, os seus esconderijos. Antes de chegarem, fomos ver a exposição Linhas do Tempo. Aliás, parte do grupo ainda lá foi ter connosco, causando dor de cabeça aos vigilantes sempre com medo que eles deitem a mão onde não devem. Não partiram nada, felizmente. E, a tempo, foram impedidos de se sentarem nas cadeiras expostas.

E são imagens deste luminoso espaço que aqui vos mostro. A quem possa, aqui deixo a sugestão da visita. A entrada é gratuita.

Flores e flores de Hein Semke
(frente e verso - acima e abaixo)













Talvez um avô dedicado e um neto atento
 (mas não os conheço)
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Decorreu este fim de semana na Gulbenkian o Festival Jovens Músicos e, portanto, era vê-los por lá. Não tenho nenhum vídeo alusivo aos momentos que lá se viveram pelo que me socorro de um relativo a um vencedor de 2015: João Miguel no oboé interpretando o Concerto para Oboé de Mozart.


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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa semana, a começar já por esta segunda-feira.
Saúde, sorte, alegria para todos.

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domingo, setembro 25, 2016

Soulmates: meet someone worth meeting


Depois de um dia preenchido de a a z, chego aqui e hesito: ou passo as fotografias para o computador e mostro por onde andei ou me deixo estar aqui meio estendida, o computador no colo, a ler as últimas. Como a preguiça nestes dias impera, opto por não me mexer do sofá até porque a máquina fotográfica está a carregar ali muito longe, para aí a uns dois ou três metros, e isso, neste momento, para mim é como ir aos himalaias. Ponho-me, então, a ver se os marcianos deram as caras ou se as sereias saíram do fundo do mar, a cavalo em neptunos cabeludos, ou qualquer coisa que valha a pena. Claro está que, alienada como a esta hora gosto de me sentir, fecho os olhos ao que se passa na Síria, em Calais ou em todos os lugares onde o inferno se abateu sobre a terra. 

Bem. Como sempre acontece, por cá, a oeste, nada de novo (até porque aquilo de o ex-José Manuel Barroso ser, de há muito, farinha do saco da Goldman Sachs não é novo, please... ) e, portanto, parto para além-fronteiras.




Estava pois eu, aqui remansamente a ver o The Guardian de alto a baixo, parando aqui e ali, até que, mesmo cá em baixo, dou com uma coisa em que nunca tinha reparado. Provavelmente sempre lá esteve, às tantas é daquelas coisas como eu ficar espantada com alguém que nos cumprimenta na rua e a quem o meu marido retribui com naturalidade e, perante a minha admiração, me informa que mora no prédio e, se eu pergunto se é gente nova, encolhe os ombros e diz que cá vive há anos.

Portanto, vejo as fotografias de duas mulheres com a legenda Search for Women e a de dois homens e Search for Men. Pensei, na minha santa parvoíce, que era coisa de famílias que procuram alguém que se perdeu no mundo, amigos que querem descobrir amigos tresmalhados, coisa assim. Achei uma ideia engraçada.

Tenho uma prima que era muito bonita (e ainda deve ser). Só a vi até ser adolescente. Uma vez, anos depois, visitou os meus pais numa altura em que eu já estava casada, não a vi. Vinha o pai dela que é primo direito do meu, a nova mulher, francesa, e ela, que é filha da primeira mulher dele que era também muito bonita, que eu conheci e que morreu nova, causando um desgosto brutal nele e levando-o a largar o país e ir para Paris (a minha avó tinha uma fotografia deles na festa de noivado e essa primeira mulher era belíssima). Vinha com eles já outra menina, filha da nova mulher. A minha mãe contou-me que essa primeira filha, dois ou três anos mais nova que eu, estava linda e que já estava naturalizada francesa, que falava português mas com sotaque francesíssimo. Perdi-lhes o rasto. Nem me lembro do nome dela.

Um outro primo do meu pai, irmão do que foi para Paris, foi, quando era quase adolescente, para o Canadá. Por lá ficou.

Quando vejo fotografias desses primos fico sempre admirada pois são mesmos bonitos, parecem modelos, e têm um ar estranhamente moderno. É como uma fotografia que tenho numa moldura com os meus pais: o meu pai com ar moderníssimo, a minha mãe com um vestido claro, rodado, de verão, cinto largo na cinturinha de vespa, saltos altos, o seu cabelo muito louro pelos ombros, ambos de óculos muito escuros, ambos de boné claro com uma pála grande, ambos com ar moderníssimo. Um casal elegante que parece saído da capa da Vogue.

E do lado do meu pai há montes de primos (quase todos homens) e todos com pinta, modernos.


Aquelas fotografias são um espanto, grandes grupos de irmãos, primos, namoradas e mulheres (porque se iam casando e as namoradas passando a mulheres). Iam passear, faziam pic-nics. O meu pai fazia fotografias com a sua kodac, fotografias a preto e branco, claro, que hoje se podem ver ainda com boa qualidade.

Como é tudo gente que parece que não liga patavina a raízes, apenas mantenho contacto regular com um pequeno grupo. Dos outros não faço ideia de nada. Do lado da minha mãe a mesma coisa mas não eram famílias tão grandes e tresmalharam-se em novos, tenho ideia de que manteve contacto mais estreito apenas com umas quatro ou cinco primas, e aí todas mulheres.

Por isso, pensei que um grande meio de comunicação como o The Guardian fazia bem em arranjar um espaço para as pessoas se procurarem pelo mundo.

Entrei para ver como funciona.

Pois. Engano. Nada disso. É para outra coisa: é para quem quer arranjar uma 'alma gémea'.

Mas que não se pense que bato em retirada logo às primeiras. Não senhor. Resolvi fazer a minha pesquisa.

Mulher procura homem. Ao escolher o intervalo de idades do homem, curiosamente dei comigo a escrever uma idade uma meia dúzia de anos a menos que a minha e depois lá dei uma tolerância: até mais dois que eu. Depois disse que os queria em Portugal e, vá lá, uma tolerância de umas milhas. Azar. Só me apareceu um e com nome e cara de inglês. Diz que vive em Lagos. Não sei o que se seguiria. Se calhar tinha que me filiar naquilo para poder aceder ao mail do senhor e mandar-lhe um Hi, my name is UJM and... patati-patata. Não sei. Parei ali.

Depois fiquei a pensar que ainda bem que há isto porque para pessoas a viverem em lugarejos, vilas ou aldeias onde todos se conhecem, onde não há ninguém disponível para um novo relacionamento ou onde a censura social assentaria olhares de reprovação ou de mesquinha cusquice se vissem uma mulher a sair e a flirtar com um um homem, isto abre uma oportunidade para descobrir pontes entre pessoas que se desconhecem. E, quem sabe?, se não virão um dia a ser grandes amigos ou apaixonados...

Resumindo: se calhar fiz uma pesquisa demasiado restritiva e, por isso, só 'pesquei' um bife. Mas, a quem se sinta solitário e queira ver se tem mais sorte que eu, ali em cima ficam os links. Ousem. A solidão é uma coisa terrível.

E depois... quem sabe...?

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Volto aqui depois de ter andado a ver mails atrasados ao som de músicas várias. E agora, em vez de, disciplinadamente, me pôr a responder um a um, resolvo partilhar convosco a voz quente de Leonard Cohen dizendo o seu A thousand kisses deep para, a seguir, ir cair nos braços de morfeu que o dia foi longo e o corpo me pede descanso.

Ouçam, por favor. Ouçam.



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Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo dia de domingo.

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sábado, setembro 24, 2016

Break the rules, baby


Podia aqui falar de Sócrates, sempre escorreito no físico e na verve, imbativelmente igual a si próprio, ou da big mouth Ana Gomes que, no histrionismo, se parece cada vez mais com a sua gémea, a igualmente estridente Júlia Pinheiro. Podia. Mas não me apetece porque ela às vezes diz algumas coisas acertadas.


Podia também falar naquele desinfeliz do Subir do FMI que anda há anos a dar tiros ao lado. Ou podia até trazer à colação o desavergonhado e invertebrado Durão que agora, imitando a galinha rangélica, inventa conspirações de mosquitos na outra banda a ver se a gente se distrai e se esquece que os europeus o tomaram de ponta não por ele ser português mas por ser parvo, por ser uma nódoa, um resíduo tóxico. Podia, claro que sim. Mas já entrámos no fim de semana e imagino que vocês, Caros Leitores, queiram tanto ler sobre essas más rezes como eu quero sarna para me coçar.
[E refiro-me, neste caso, aos três da vida airada, cócó, ranheta e facada. E decidam vocês quem, de entre o Sr. LOL e borra-botas Cherne, é o facada e quem é o cocó. O ranheta, claro, é a rangélica galinha-macaquinha].
Por isso, não apenas porque cheguei a casa tarde e más horas (friday night é para sentir o fresco da maresia nocturna) mas também porque a qualidade da minha tez pede que me afaste do ar viciado do dia-a-dia, vou dedicar-me ao que se sugere, ao que fica implícito, ao que fica no ar (para os perspicazes). Por acaso é uma campanha, por acaso fala-se de Calvins mas não é por isso que aqui lhes dou palco. Gosto de irreverências, gosto de imagens como aqui se vêem, gosto do que não encaixa no politicamente certinho - e estes curtos vídeos são assim. 

Espero que sejam como eu, sempre a espreitar a ver onde é que a coisa descarrila com inteligência e com graça -- e que gostem.

Calo-me já -- e que entrem os malucos. E as malucas, bem entendido. Para começar, pensem em quais os vossos verbos preferidos para não ficarem confundidos depois do que a senhora baixo vai dizer.

E agora play it 
(again, sam).


Kate Moss, Miss Calvin Klein



Quebra as regras


 Cobre-te 
(ou não)


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E, caso se sintam românticos como eu, desçam, por favor, até ao post já aqui a seguir.

E não se esqueçam: portem-se mal, break the rules.

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Are You Lonesome Tonight?


Are you lonesome tonight,
Do you miss me tonight?
Are you sorry we drifted apart?
                                                   - Pergunto



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sexta-feira, setembro 23, 2016

Pode estar na moda mas, sei lá, parece que não fazem o meu género.
(Mas, atenção, do vídeo e dos manos gosto)
E uns pequenos apontamentos diarísticos.




Ora sim senhor. Aqui um pequeno desabafo, se me permitem.

Tenho já nem sei quantos mails dirigidos à ujm para ler e responder, tenho artigos que me têm enviado e que gostava de conseguir ler, nestes últimos minutos tenho estado a ouvir o telemóvel a dar sinal, estou a receber mails de trabalho como se não houvesse amanhã (e isto quando já é amanhã) e estou cheia de sono e a pensar que devia ir pregar para outra freguesia porque daqui a nada tenho que estar a postos.

E acabo de ler no meu horóscopo para este mês que as grandes alterações que venho defendendo há que tempos quer a nível quer a nível profissional vão acontecer simultaneamente, ultrapassando as minhas mais loucas perspectivas. E que eu mantenha a cabeça no lugar para poder aceitar propostas tão inesperadas quanto emocionantes.

E eu que estou a meio de um mês que se está a revelar louco, tão irreais são as situações que atravesso -- que nunca esperaria viver nem nos meus mais loucos sonhos -- penso que isto dos horóscopos tem graça.

A última vez que ali o li, para aí em Junho ou Julho, nem sei bem, dizia que me iam surgir situações inesperadas e que eu me preparasse para me ver perante desafios novos ou convites ou lá o que era. E, caraças, aconteceram mesmo e eu enfiei-me de cabeça, atirei-me para a piscina, e agora aqui estou, sem ter para onde me virar porque tudo me cai em cima ao mesmo tempo e me vejo em situações em que há uns dois ou três meses nem ousaria supor que pudessem acontecer.

É bom mas, caraças, é de loucos, inimaginável, tudo em excesso e tudo ao mesmo tempo.

Portanto, onde o tempo ou a cabeça para responder a mails com a atenção que merecem ou ler artigos grandes ou que, pela sua natureza, requereriam disponbilidade? 

Por exemplo. Pelo natal recebi um mail de um ex-colega, dirijindo-se-me como sempre se me dirige, Minha muito Estimada Amiga, desejando-me o que se deseja nessas ocasiões e aproveitando para me contar as ideias que tinha em mente. E eu respondi com agrado por sabê-lo sempre tão criativo e motivado. Pois bem, recebi há dias um mail dele contando-me que o seu projecto estava a andar, uma coisa extraordinária e que tem o suporte da universidade e investidores e etc. e envia-me o documento do projecto pois, diz ele, sabe que vou gostar de conhecer. E tem razão -- mas eu nesta vida... Quero conhecer, claro que sim, já espreitei e é uma coisa do além, quero ler com cuidado para lhe responder também com cuidado -- e, à noite, aqui chegada, penso que devia deixar o blog e ir ler o documento. Mas porque escrever me descansa e, a esta hora, preciso de descansar, opto pelo blog. Mas fica a pesar-me a consciência.

Ontem recebi outro mail de um que em tempos foi meu chefe, uma pessoa adorável, e envia-me um filme dizendo que espera que eu goste. Mas o filme é tão grande... O mesmo problema.

Sobrancelhas descoloridas
Em vez de me pôr aqui diligentemente a ler tudo isto que me enviam, ponho-me a circular pela bela vida, a preguiçar lendo horóscopos e outras frioleiras.

Espreito os outros blogues, gosto sempre de ver em que pensam ou a que dão atenção as pessoas que gosto de seguir. Tão coerentes. Tirando um ou outro que são capazes de me surpreender, há, na maioria, uma coerência sustentada que os leva a serem capazes de, dia após dia, se manterem no mesmo registo. Tão diferentes de mim.

Quando vejo que a maioria dos blogues se encaixa em categorias penso que deveria ser impossível encaixar o Um Jeito Manso onde quer que fosse. Mesmo se escrevo sobre impostos, apetece-me desalinhar aquilo tudo metendo-lhe fotografias a despropósito pelo meio.

O que pensarão desta bagunça os meus leitores? Em média recebo mais de mil visitas por dia e, portanto, devo ter leitores de toda a espécie e feitio. Alguns devem achar que isto não tem ponta por onde se lhe pegue. E o mais certo é que tenham razão.

Mas pronto, não era em nada disto que eu ia falar.

by Gucci
Ia falar do que tinha visto na Vogue Paris sobre as últimas apresentações, as novas tendências, o que estava a fazer furor.

E eu... old fashioned, eu que gosto de ser tratada com beija-mão, 'Minha muito Estimada Amiga' e outras delicodoces gentilezas, olho para aquelas sapatolas lá em cima, todas esporeadas, homens tatuados na cara, cheios de anéis e adereços dourados, mulheres com lábios decorados com cristais de rocha, rostos que parecem desenterrados e vestimentas e penteados que parece que saíram de uma revista de moda das que a minha avó trazia de casa de uma amiga que papava toda a espécie de revistas... e fico a pensar que ainda bem que isto da moda é doença passageira.



Bolas. Não é que não seja bonito... mas consegue-se comer alguma coisa com uma boca destas?
E haverá algum homem que se arrisque a beijar uns lábios destes?

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E, por hoje, é isto. A quem queira ver uma deliciosa entrevista (vão ver... para verem o entrevistador a perguntar à Hillary como será se, por acaso, ela ficar grávida...) e uns pequenos apontamentos meus, sugiro que faça o favor de descer até ao post seguinte.

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Vejam. Vejam. Vejam.
É mesmo divertido.
Between Two Ferns com Zach Galifianakis: Hillary Clinton

Όσο για τον φόρο Mortágua περπάτησε να εξαπλωθεί στα πόδια μόνο να πω, αν δεν έρθει να δει ότι είναι μια έκτρωση, k;


Pronto, não falo mais do sobre-imposto porque não gosto muito de falar de abortos e sei lá se o sobre-sobre-imposto 
(sobre-imposto porque, como a Drº Ferreira Leite explicou na TVI a quem ainda não percebeu, já há imposto e sobre-imposto, o tal que o Passos Coelho lançou) 
vai ver a luz do dia, nem quero fazer o papel da cachopa Mortágua que anda a espalhar com as patas o que os outros andam a juntar com o bico.


Mas ainda mais uma coisinha a quem ainda não percebeu o que eu digo (para a próxima, vou ver se escrevo em grego ou coisa do género a ver se tenho melhor sorte):
Os impostos são progressivos e, portanto, os 'ricos' (que agem dentro da ética e da lei) pagam que se fartam, proporcionalmente bem mais do que os 'não ricos' (porque os pobres não pagam impostos directos). O que se passa é que alguns ricos não pagam o que devem. E quanto mais aumentarem os impostos, menos eles pagam. E não pagam porque têm esquemas para não pagar. Podem passar as taxas de 70% para 80% ou 95% porque para eles é tinto: não pagam. Têm os bens em nome de empresas, recebem através de formas que lhes permitem só pagar o que querem, etc. Portanto, a questão não passa por essas infantilidades que andam para aí a falar. 
Se os que devem pagar não pagam, a questão não tem a ver com esta conversa. Ou se muda a legislação (e há concertação a nível de países para evitar que usem esquemas interpaíses) ou a coisa é feita à margem da lei e estamos perante um caso de polícia.

Por isso, Caros Leitores, leiam o que eu digo porque me têm treslido.

Mais: penso pela minha cabeça e por muitos ossos que atirem, eu não sou de ir a correr atrás.

Não me entusiasmo com publicidades, demagogias, foguetórios. Podem andar aí todos a matar e esfolar tudo o que encontrarem pela frente que eu só falo do que sei e, antes de falar, penso. Pode parecer que não mas olhem que sou uma cabecinha pensadeira.

Mas agora não me apetece falar mais do assunto. Se houver alguma coisa de concreto, logo falo sobre essa coisa.

Agora o que aqui tenho é uma entrevista deliciosa. Por favor, vejam-na porque é divertidíssima.


Hillary Clinton sits down with Zach Galifianakis for her most memorable interview yet.


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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela sexta-feira.
Divirtam-se, vá lá...

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quinta-feira, setembro 22, 2016

Mariana Mortágua (a nova pró-Láparo), o putativo sobre-imposto, a putativa violação do sigilo bancário -- e o que eu penso.
E os verdadeiros problemas do País, esses pobres coitados de que os neo-justiceiros nem se lembram.





Ora muito bem. Já cá estou. Venham lá comigo.
Ok?

Quando ontem escrevi o que escrevi sabia de antemão que ia suscitar espanto, incómodo ou estranheza -- ou pior. Queria mesmo isso. Queria demonstrar o que dá falar por alto do que não deve ser falado na praça pública de forma leviana. Para além disso, queria dizer aquilo que disse: está a olhar-se para o problema pelo lado errado. Não sabia, na altura, que o inteligente láparo já tinha defendido isto mas ainda bem que me informaram pois mais me ajudam. A receita de gerir um país pelo lado dos impostos é errada, não dá em nada. E isto de dicotomizar a sociedade, pondo uns de um lado e outros do outro é não apenas errada: é contraproducente. Portanto, nem mais seria preciso: então a menina Mortágua anda agora a defender as panaceias do Láparo...? Ok. Estamos conversados. Podia até ficar já por aqui que só isso já diz tudo da inteligência do que se está para aí a discutir.

Mas não, que eu, depois de um dia como o meu de hoje, ou me ponho a dormir ou me ponho à pancada com alguém. Portanto, pode ser a segunda. Com vocês, com os que vieram cá afrontar-me. Pode ser...? Aguentam...?

Bora lá então. Mas vamos por partes, devagarinho. que eu, talvez pelo adiantado da hora ou pela veemência dos vossos argumentos, parece até que já tenho a visão toldada a metade.



1. Se bem repararam no que ontem escrevi, não me pronunciei em concreto sobre o dito imposto porque nada sei dele. Só falo do que sei.

2. E só o facto de, não se sabendo nada em concreto, já andarem pessoas responsáveis a falar sobre ele (porque, até ver, ainda admito que a deputada Mariana Mortágua é responsável), já a mim me parece criticável, já a mim me parece uma irresponsabilidade enorme. Em matéria destas, em que a emenda pode ser pior que o soneto -- pois, face à indefinição e à predesposição para mexer levianamente nos impostos, os investidores podem dizer que Portugal se vá mas é catar, que mais casas não vão eles recuperar ou construir cá -- só se deve falar quando se tem a certeza do que se vai fazer e só depois de gente experiente na matéria ter estudado os prós e os contras ao pormenor. Até lá, está-se de bico calado.

3. Pior. Ao mesmo tempo que a dita responsável do BE veio lançar a confusão com o tema de um novo imposto (em cima dos existentes) anda em discussão a vontade de violar o sigilo bancário, inspeccionando as contas bancárias acima de 50.000 euros, dizendo a dita cachopa arretada que não faz mal porque quem não deve não teme.

E aqui já entrámos no domínio em que não interessa a constituição, a protecção de dados, o direito à privacidade. Agora são 50.000 e os que não têm tanto e que pensam com os neurónios que têm em volta do umbigo aplaudem. Mas esta lógica pode levar a que a garota, um dia destes, defenda que se passe também a inspeccionar os débitos do multibanco de toda a gente mesmo os que chegam ao fim do mês sem um tusto na conta, porque se são tão pobrezinhos que devam estar isentos de pagar IRS ou pagar uma taxa são baixinha, como é que têm dinheiro para fazer as nails, tatuagens ou comprar cigarros? -- e sempre quero ver se continuarão a dizer 'que mal tem?, quem não deve não teme'.

É que a mim, chame-se Maria Luís Albuquerque, Vítor Gaspar, Passos Coelho, João Galamba ou Mariana Mortágua tanto se me dá. Se defendem atitudes destas e promovem discussões destas na praça pública eu estou contra. Caminhámos até aqui para aplaudirmos uma sociedade em que um qualquer big brother a todos vigia, uma sociedade em que todos são culpados até prova em contrário....?


Quando se chega ao ponto em que se esquecem todos os séculos e séculos de civilização para que já seja cada um que, em praça pública, faz a sua própria lei, eu estou contra. Há dias li por aí uma que, no rescaldo de um incêndio, dizia que, se encontrasse o incendiário, pegava numa arma e lhe dava um tiro no meio dos olhos. Nem mais. Esquecida de que o país em que vive há muito aboliu a pena de morte e esquecida até de que, quando a havia, não se dispensava o direito à defesa e ao prévio ajuizamento sobre o acto, a dita criatura fazia, na hora, justiça pelas suas próprias mãos.

E esta é a lógica de pôr cada um a decidir e a opinar o que fazer, a quente, sem pensar, sem estudar os assuntos: 
Se tem património de alto valor, então a gente nem quer saber se o obteve por vias normais (pagando impostos e taxas não apenas sobre os rendimentos mas também sobre o património, nem queremos saber se, com esse património está a usufruir de rendimento que também paga imposto, nem quer saber se um investidor que tem um milhão, em vez de o vir aplicar cá, gerando emprego (na construção ou na recuperação) o vai usar noutro lado qualquer ou o espatifar noutra coisa qualquer. A gente não quer saber de nada, a gente só quer é que os ricos paguem mais qualquer coisa. Mesmo que o que se perde pelas consequências seja superior ao que se ganha. Isso não interessa para nada. 
Note-se (volto a dizer) que não estou a pronunciar-me contra o imposto pois não o conheço -- estou a pronunciar-me contra a forma leviana, anacrónica, desinformada e pacóvia como este assunto foi lançado para a praça pública. Estou a pronunciar-me contra toda a algaraviada que se formou à volta de coisa nenhuma, cansando à toa a minha beleza.



4.  Recapitulando. Se o dito sobre-imposto vier a ver a luz do dia, pronunciar-me-ei. Se a violação arbitrária e injustificada do devido sigilo sobre as contas bancárias vier a ver a luz do dia, bater-me-ei contra (porque defendo o respeito pelos direitos mais elementares dos cidadãos, nomeadamente dos que estão protegidos pela Constituição).

Agora estou a pronunciar-me sobre outra coisa: sobre a forma estúpida como a Mariana Mortágua e seus seguidores estão a defender a mesma coisa que o Passos Coelho, a forma estúpida como estão a dar argumentos de mão beijada à direita e a forma estúpida como estão a descredibilizar o sentido de responsabilidade do Governo e dos partidos que o apoiam.


E estou também a criticar a inesperada falta de visão de uma pessoa que eu pensava que era esclarecida. Tinha Mariana Mortágua por pessoa esclarecida. Pelos vistos, enganei-me.

Portugal tem um problema grave: está descapitalizado, não há investimento interno nem há atracção de investimento externo que ponha os motores da economia a trabalhar, a gerar emprego, a alavancar o crescimento. Se há tanta pobreza é por isto! Resolver este imbróglio -- tem espantar as avantesmas de Bruxelas -- é a prioridade das prioridades. Tem que haver a criatividade, a arte e o engenho para ultrapassar este problema. É para discutir isto, para trazer ideias para cima da mesa, que os políticos têm que se empenhar.


Em vez de andar meio mundo a discutir o que não sabe mas que assenta na vil e mesquinha tendência que alguns portugueses têm para invejar quem tem mais, o que se deveria andar a discutir era como -- como?, como? -- pôr a economia a crescer, como conseguir exportar produtos de valor acrescentado, como atrair investimento que empregue mão de obra qualificada, como aumentar os níveis de poupança, como aumentar o nível global de conhecimento da população para que melhor enfrente os desafios da globalização, como atrair os que emigraram (entre outras razões. para que paguem cá os impostos), como criar a confiança no futuro para que mais crianças nasçam no país. Essa era a discussão virtuosa que se impunha. 

Tudo o que não ande à volta disto é poeira, é entreter a populaça com foguetório, é palha, é zero, são tiros nos pés, é pôr uns contra outras, é tudo o que não é preciso.



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Não sei se deixei clara a minha ideia ou se subsistem sombras a ofuscar a limpidez do meu raciocínio.

Mas vocês já sabem. Estão à vontade para protestar e para pedir mais esclarecimentos. Cá estarei.

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Os fotógrafos das senhoras que aqui estão a fazer-me companhia são, por ordem:
George Mayer, Wendy Hope, Heather Mason e Charles Nevols

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E agora, já que nunca mais vejo jeito de ficar com o corpinho bem-feito da minha amiga lá de cima, vou mas é comer um livro que esta conversa toda me abriu o apetite
Perdida por cem, perdida por mil.


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(Caso queiram rebobinar os acontecimentos, queiram, por favor, ir descendo por aí abaixo).

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