ano novo 2014

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quarta-feira, Agosto 27, 2014

Noites Quentes - A arte é uma mentira que nos faz ver a verdade


Dia de praia, noite quente e eu aqui com um problema. A revolver os livros em cima da mesa para escolher mais algumas leituras, eis que o provável aconteceu: uma pilha desmoronou-se, contagiou outra, na queda roçaram na pilha que estava em cima duma cadeira e agora tenho o chão, debaixo dos pés, pejado de livros. Claro que poderia restabelecer a ordem mas eu, mesmo nas pilhas provisórias, gosto de alguma lógica e não é à uma da manhã que me vou pôr com isso. Caraças. 

Ainda continuo entrincheirada porque ainda subsistem de pé 8 pilhas e meia em cima da mesa. O que vale é que o meu marido acabou de sair da sala senão bem o podia ouvir. Bolas para isto.

Banksy


Está calor e eu tenho preguiça. Deve ser preguiça isto, deve ser. Chego aqui, vou à procura de algum tema da actualidade que desperte a minha atenção e não encontro. Um tédio.

A política nacional e os seus agentes são maioritariamente medíocres, excrescências espúrias de uma sociedade que rejeita a diferença e a qualidade. Percorro os jornais e o que vejo é uma miséria.

Não são só os políticos. Os jornalistas e comentadores, salvo raras excepções, são medíocres, pouco inovadores, pouco rigorosos, em grande parte contribuem para o embrutecimento colectivo. Insuportáveis. 


Rothko
Li há pouco referência à crónica de João Miguel Tavares no Público, fui ver. 
Não ia a esperar nada de bom, dali parece que só vem cocó na fralda, conversetas para entreter adultos retardados. 
E não me enganei: atira-se a António Costa por nada, apenas porque gosta de dar que falar. 
Não podendo competir com a Fany ou com o Tony Carreira que à mínima saltam para a capa das revistas (e não o faz porque esse não é o seu ramo de negócios, não que não seja essa a sua vocação), arma zaragata escrita com o que lhe parece que está a dar. 
É a irrelevância em forma de comentador. É ele, o Henrique Raposo e tantos outros que por aí andam a poluir a opinião pública.



Há pouco, antes do desmoronamento, na minha demanda por leituras que me motivem, fui folheando um conjunto de revistas literárias e livros de autores portugueses que ainda não li e tudo me parecia mais do mesmo. Tenho a televisão ligada e também tenho dificuldade em escolher, só treta, banalidade, repetição, mediania.

Momentos de fractura - em que a luz entra límpida, em que a arte assoma despudorada, em que a música é única, melhor que o silêncio ou os sons inocentes da natureza, em que a opinião é despretensiosa e visionária, em que as palavras são genuínas, únicas - parecem raros.

Richard Krush e Sylvie Guillem

As pessoas parecem ter receio de se destacar, temer a crítica das cassandras, ficar isoladas perante um coro de agoniados e, então, não se arriscam, limitam-se a fazer bonitinho, ou pretensamente alternativo. Uma seca.

Mas talvez seja este calor que me está a cercear a tolerância.

Vou beber um sumo gelado e, depois, em vez de estar aqui a destilar impaciência, vou, antes, partir em busca de qualquer coisa que me estremeça, que me leve.

E vou voltar atrás no que escrevi e vou incluir imagens, ar puro, rasgos.


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Banksy's "Artist in Residence" Video para o 18th Annual Webby Awards





To accept his Webby for Person of the Year, Banksy made this video about his Residency in New York City.


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Morton Feldman : The Rothko Chapel




La fin de "Rothko Chapel" pour alto, choeur, célesta et percussions, avec sa mélodie d'inspiration hébraïque, composée par Morton Feldman à l'âge de 15 ans.


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Suheir Hammad's Gaza Suite | 4: Jabalya




The fourth poem in Suheir Hammad's Gaza series


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Se eu fosse eu - Clarice Lispector por Aracy Balabanian




"Se eu fosse eu" parece representar o nosso maior perigo de viver, parece a entrada nova no desconhecido. 


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Agostinho da Silva - Salazar, Capitalismo e CEE




"Conversas Vadias" - Entrevista com Baptista Bastos


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PICO

(Performance Indeterminate Cage Opera)




If you took the musical revolution of John Cage, the radical thinking of Marcel Duchamp, and the media anarchy of Nam June Paik, and put them in a blender... the result would be PICO (Performance Indeterminate Cage Opera).



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Já me sinto um bocado mais melhor: um ar fresco e limpo já passou por aqui.


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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela quarta-feira, e desculpem lá esta impaciência.
Deve ser porque o calor da noite não abranda.

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terça-feira, Agosto 26, 2014

Percebi que quando entro para uma palavra é como quando entro numa casa. Ambas podem e devem estar desabitadas.


No post abaixo já vos falei de José Gil, o filósofo com sorriso de menino, e já vos disse que Einstein - a ser dele a frase que se cita - explica bem porque é que dos actos de Passos Coelho e da tropa fandanga que o apoia não é de esperar outra coisa senão derrapagem no défice, aumento da dívida, pobreza, subdesenvolvimento. Estranho é que os mesmos disparates repetidos vezes sem conta produzissem resultados diferentes. Ele faz porcaria e os resultados são uma porcaria. Bate certo. E é um sortudo. Poderia querer fazer porcaria e não o deixarem. Mas não, todos o deixam à vontade para fazer porcaria em todo o lado a toda a hora.

Para cortar, mostrei-vos a vista maravilhosa que tinha da esplanada sobre o mar onde estive ao fim do dia. Uma beleza que só vista.

Mas, enfim, isso é a seguir a este post. Aqui, agora, a conversa é outra. Tinha começado a compor este post ontem mas depois mudei de rota. Aqui estou de novo, pois, para prosseguir. Desenhar nuvens.


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"Não tenhas receio; a ilha está cheia de ruídos, de sons e de músicas suaves que agradam e não fazem mal. Às vezes, mil sonoros instrumentos ressoam-me nos ouvidos; outras vezes, são vozes tão doces que, se estou acordado depois de um sono prolongado, me tornam a adormecer; então, em sonhos, parece-me que as nuvens se abrem e vejo riquezas sem conta que vão chover sobre mim; assim é que, quando acordo, anseio por sonhar outra vez."
(Shakespeare, A Tempestade, Caliban, 3º acto)



Através das janelas, tal como na grande moldura da ilusão que é a boca de cena, vejo desfilar as gentes e os lugares.

E não é uma questão da quantidade de livros que lemos, nem do tamanho da biblioteca, mas sim o modo como só alguns poucos livros nos podem acompanhar e alimentar a vida inteira. E por vezes são só mesmo pequenos fragmentos de alguns livros que nos marcam.

(...) percebi que quando entro para uma palavra é como quando entro numa casa. Ambas podem e devem estar desabitadas. Ambas esperam ser moldadas, seduzidas pelo universo que transporto aos ombros. E é com esse peso, qual densidade da minha própria sombra, que se contamina uma qualquer atmosfera, que se produz um lugar efémero e puro. O espaço da palavra.



Saber vaguear, folhear num aparente caos. Preciso de me perder por lá, e quantas vezes me é difícil encontrar a saída.

Mas é com redobrada alegria que consigo trazer dessas 'viagens' as referências que vão acarinhar as futuras descobertas. Estar nessa grande biblioteca como na cidade.

Tal como Walter Benjamin dizia sobre viajar e conhecer cidades "... gosto de me perder na cidade, mas como tudo requer uma aprendizagem..."



"o que atrapalha ao escrever é ter que usar palavras. (...) Se eu pudesse escrever por intermédio de desenhar na madeira ou de alisar uma cabeça de menino ou de passear no campo, jamais teria entrado pelo caminho da palavra."
(Clarice Lispector, Lembrança da feitura de um romance, 1984)


Ao entardecer, gosto intuitivamente de reparar com especial atenção na projecção que o sol faz no chão da sala ou nos surpreendentes de contraluz que o mesmo provoca nos corredores.

Os longos corredores das casas são também verdadeiros laboratórios de cena, com as suas várias cortinas de luz e cor. Infelizmente, as casas de hoje já não têm esses corredores. Lá nasciam muitos dos sonhos de infância. Normalmente às escuras, o corredor é como um palco vazio sempre à espera de um acontecimento. Basta que uma porta se abra para deixar espreitar um pequeno raio de luz, para uma simples fresta surgir. Suficiente para o início de outra aventura.

Os nossos sonhos estão impregnados de luz e cor. (...)

E se há uma memória da luz, também há uma poética da luz. O mergulho no mundo da luz e da cor é também para mim um acto poético. A poesia emerge sempre que a imagem consegue vibrar.



À beira da estrada, um casebre. Um homem, lavrador decerto, de olhar doce e sagaz, recebeu-nos. "Este senhor lhe dirá então as oliveiras que pretende."
Caminhando pelo olival adentro, na terra lavrada, o homem disse-me que, vendo uma a uma, era só escolher. Ele me diria depois as que poderia cortar ou não.
"Esta aqui pode ser?"
"Ah, esta aqui é a Sara."
E deu uma volta atenta em redor da mesma.
"Não, esta não pode ser.". Continuamos.
"E aquela ali?"
"A Begónia? Vamos ver. Sim, pode ser. Cortamos aqui, deste lado."
E assim fui apresentado a tantas oliveiras amigas. Árvores centenárias ou mesmo milenárias, de troncos possantes, rendilhadas carcaças, ostentando em mil rugas a passagem do tempo.

Todas tinham um nome. Manolo vivia só e esta era a sua família. Observava carinhosamente as velhas carcaças dos seus troncos. Tocava-lhes com suavidade. parecia sussurrar-lhes algo que eu não entendia. Dando voltas na terra mole e com alguma relva, sabia com segurança aquelas que já tinham 'sus hijos' a nascer da mesma raiz, o que lhes garantia a sobrevivência. 
"De certo modo, até me dava jeito limpar algumas árvores", dizia ele.

Lembro-me da forma peculiar como, naquela tarde, o sol entrava através dos ramos do olival. Também do silêncio e tranquilidade daquele campo.








Georges Banu consagrou-lhe um belo livro chamado, precisamente, O esquecimento (L'oublie). Aquela zona de nós mesmos por onde começa o vazio.

"As metáforas mais habituais do esquecimento: a areia, o pó, o fumo... todos parecem dizer-nos o mesmo: o esquecimento é monotonia."

Uma 'black box' é também um exercício para o esquecimento total, na tentativa de recomeçar tudo de novo. Tentativa impossível, porque o esquecimento por maior que seja nunca é total. É como a ferrugem. Na oxidação do ferro mais vigoroso, a ferrugem, em conluio com o tempo, avança, sem parar, mas deixa um pó. O óxido da memória.



E quando envelhecemos, 
parece que ficamos heróis 
das pequenas histórias 
sem importância.

(Tchekhov)

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Todo o texto até aqui e abaixo do vídeo com Benedict Cumberbatch a ler 'The Seven Ages of Man' de Shakespeare são excertos transcritos desordenadamente do maravilhoso livro Desenhar Nuvens de José Manuel Castanheira, um 'Manual de sobrevivência de um Cenógrafo, Cenógrafo a quem Fernando Alves muito justamente colocou na galeria dos Portugueses Excelentíssimos.


Este livro é, em si, uma obra excelente, de uma qualidade e requinte ínvulgares. O design e a paginação são de Rui Rica, a Edição é de Caleidoscópio e teve o apoio da Câmara de Almada.

Os desenhos ou aguarelas são da autoria de José Manuel Castanheira. A penúltima imagem, com texto de Tchekhov, mostra uma fotografia de Constantino, avô do autor.


O que também merece uma atenta visita é o seu site que é interactivo e especial. Há pessoas que são diferentes mas que o são de uma forma produtiva, elas fazem a diferença. José Manuel Castanheira é, sem dúvida, uma pessoa que desenha nuvens como ninguém, desenha sonhos, inventa espaços de luz para acolher o milagre da palavra dita.


A escolha do poema de Shakespeare ou o de Manuel António Pina (Amor como em casa lido por José-António Moreira) para integrarem este post são da minha responsabilidade e não me perguntem a que se devem pois apenas saberei dizer que acho que fazem sentido ou que soam bem neste contexto.


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Relembro: no post já a seguir, o caldo azeda. Tirando a parte em que falo de José Gil e mostro um mar belo ao cair do dia, o resto é mesmo só para a desgraça. Estão avisados.


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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma terça feira em beleza. 
Saúde, sorte e boa disposição e bons sonhos para todos.


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O défice subiu outra vez? A dívida não pára de subir? A economia portuguesa continua intrinsecamente débil? Vai haver novo orçamento rectificativo? Fala-se em nova subida de impostos?... Qual o espanto? Relembro uma citação atribuída a Einstein: insanidade é fazer a mesma coisa, uma e outra vez, e ficar à espera de obter resultados diferentes.


A sério: poupem-me. Estou de férias. 

Peace and love ou, complementarmente, coisas divertidas ou inteligentes - é tudo o que eu tolero. Fora disso, é como se fosse picada por melgas, faz-me brotoeja.






Estando hoje na cidade, já tirei a barriga de misérias do cabo. Conversas com Vida, no ETV, com José Gil. A entrevistadora, Tânia Madeira, ainda não tem tarimba, cinge-se ao guião, faz perguntas ao filósofo que encerram toda uma vida com a mesma ligeireza com que perguntaria se ele prefere água com ou sem gás. Mas, enfim, vê-se que é esforçada: faz-se, é uma questão de tempo. Agora prazer mesmo é ver o ar saudável e menineiro de José Gil. E ver a forma aberta como fala de tudo. Gente inteligente é outra coisa. Dizer que ele abomina o que este governo de atoleimados anda a fazer ao País ou que tem esperança no que António Costa pode fazer pelo PS e pelos portugueses seria reduzir a sua interessante conversa a assuntos mais imediatos. Quem tiver oportunidade de ver a entrevista, não dará o tempo por mal gasto. José Gil vai mostrando, ao longo da conversa, como a vida é feita de camadas, umas leves, superficiais, outras mais irrigadas, outras profundas, sensíveis. Um prazer.




Fim de dia na esplanada Nova Vaga, sobre o mar, numa tarde fresca e boa.
As crianças a brincarem na areia e nós ali a curtirmos a beleza destas praias limpas e imensas
O meu lanche/jantar:
Bebida: Somersby on the rocks; comida: sandes de salmão fumado em pão integral com ovo e alface



Ora, depois de um dia tão bom como o que tive, e depois de ouvir falar uma pessoa com um pensamento tão cristalino, com que disposição posso eu falar dos resultados conhecidos relativos aos primeiros 7 meses do ano? O défice orçamental subiu para 5,8 mil milhões de euros e eu limito-me a encolher os ombros.

Depois de andarem mais de 3 anos sem perceberem as causas da crise, sem perceberem boi do impacto na economia das medidas estúpidas que tomavam, sem perceberem que para se levarem a cabo mudanças em sistemas complexos como a segurança social ou o sistema de pensões não basta dar umas marteladas numas folhas de cálculo feitas às três pancadas, têm mesmo que se efectuar estudos igualmente complexos, sem perceberem que, de cada vez que cortam um euro em alguns pontos nevrálgicos, o que estão é a secar a economia - que outra coisa se poderia esperar das acções de Passos Coelho e Companhia? Fazem os mesmos disparates uma e outra e outra vez  e os resultados são sempre os mesmos - claro.

A dívida pública (que foi a pedra de toque de todo este embuste) está cada vez mais alta e não se vê jeito de descer. Da dívida privada nem se fala (e essa, sim, ó meu Deus, é ainda pior, é mesmo de meter medo ao susto). Do lado da demografia (que devia ser uma das 3 prioridades absolutas de qualquer governo decente), os resultados são os piores e não se vê que, com as medidas que esta cambada leva a cabo, possa tão cedo inverter.

Como pirómanos inconscientes vão incendiando e devastando por onde passam. E, se for preciso, ainda dizem, com cara de pau, que tinha que ser, que o mato é que estava grande e se tiveram que lhe deitar fogo, incendiando a aldeia à volta, não foi porque gostassem, foi mesmo porque TINA.

Perante esta desgraça, um país que se afunda na maior tranquilidade, a oposição está a banhos.

  • O PCP anda envolvido no seu grande projecto de vida, a Festa do Avante. Tirando isso, e tirando influenciar a CGTP a fazer umas grevezecas ou umas manifs inócuas, do PCP não vem mais nada. Muita conversa, muito engajamento, muita motivação mas, marcham, marcham, e não saem do mesmo sítio.
  • Do BE até me dói falar. Coitados. É boa gente - mas coitados. Não atinam. Falam bem mas são daqueles que chocam, chocam, mas dali nunca nasce nenhum pinto.
  • O PS é a pouca vergonha que se sabe. O Seguro acha que foi ungido (e foi, em Congresso) e, mesmo perante o resultado das eleições e das sondagens, ainda acha que o lugar é dele e que dali ninguém o tira. Está a arrastar o PS pelas ruas da amargura e a deixar o caminho livre para os indigentes do governo. Tomara que leve uma tareia daqui por um mês. Se não levar, acho que vou fazer um buraco no chão e enfiar lá a cabeça para não assistir a um PS nas mãos de uma criatura que revelou um lado ainda mais medíocre do que se suspeitava.

Por isso, com o caminho livre para continuarem a fazer porcaria, porque haveriam os resultados obtidos por um governo do piorio de ser diferentes?




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No meio disto o que me intriga é o seguinte: esta passividade bovina dos portugueses é burrice ou é inteligência? Se eu pensar nos portugueses como numa raça de animais, o que revela a forma como se acomodam a toda a espécie de imposições, ditaduras, sacrifícios à toa, ultrajes, indignidades? 

Não sei mas até admito que haja nisto como que uma contenção de esforços, uma forma zen de suportar a vergonha, a violência e a dor. Não sei.

Mas também vos digo, a minha cabeça em férias ainda gosta menos de dar voltas ao bilhar grande do que em tempo de trabalho. Por isso, quanto a isto, estamos falados.


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A música lá em cima era Walk on the wild side. Lou Reed

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segunda-feira, Agosto 25, 2014

Qual dos três é mais credível na actual governação de Portugal: Passos Coelho, Marques Mendes ou a Carta-fora-do-baralho-Marcelo Rebelo de Sousa? Em qual deles a gente se pode fiar quando os ouve dizer qualquer coisa? Olhem, se não se importam, vou ali e já volto. (E se por aí me aparecer o Charles Butterfly é a mesma coisa).


[Hoje meteu-se-me uma dor na cabeça que ia e vinha e, de cada vez que vinha, era mais poderosa. Não gosto de tomar comprimidos. Escusam de me lembrar que sou parva porque sei que sou. Podia ter tomado logo um ben-u-ron, coisa de bebés, mas, como a malvada, volta e meia ia, fui achando que, se calhar, já não voltava e que não valia a pena tomar o dito. Cheguei à noite mesmo incapacitada. Às tantas, porque recebi um mail a falar-me no meu Ginjal e Lisboa, blogue tão meu amado mas que ultimamente tem andado tão enjeitado, enchi-me de brios e escolhi um poema de um autor que desconhecia e que me está a agradar muito, Juan Manuel Roca, depois escolhi uma fotografia que fiz no Ginjal, depois escolhi uma música, uma pianada de Bill Evans e, estando montado o clima, escrevi um pequeno texto. Quando acabei estava um bocado melhor e portanto pus de parte o comprimido. Para ver se me passava de vez o mal-estar pus-me a ver se escolhia hotéis ou locais para o resto das férias. Agora já passa das duas da manhã e não cheguei a nenhuma conclusão porque vi que o tempo está trocado com os locais em que tínhamos pensado. Droga.]

Há bocado vi o Marcelo, tal como vi as repetições do arautozito do regime e as do láparo mal encarado, este a armar-se em amofinado com o gaitinha. O tema é impostos, what else? O gaitinha anunciou que a descontrolada* Maria Luís quer, porque quer, aumentar o IVA e que o vice-Portas não quer, porque não quer, aumentar os impostos e, que ele, gaitinha de duas beiças e que toca para onde lhe dá jeito dar música, achava que não senhor, nada de impostos, vão mas é trabalhar, ó malandros dos ministros que não fizeram o trabalho de casa. Pois bem, por causa dessa boquinha do gaitinha, o láparo, lábios para dentro, olhar arrepiado, todo ele incómodos, veio dizer que não senhor, que se há láparo que não goste de aumentar impostos é elezinho, mas que agora os ditos não estão em cima da mesa. Não referiu o que é que, então, está em cima da mesa e ninguém lhe perguntou - talvez porque aquele homem dá fastio, ninguém quer comer nada do que vem dali, nem farófias, nem facadas nos idosos ou desempregados. A pata que o pôs, dizem os bem educados, quando ele aparece.

Depois vi, então, o professor Marcelo, ar douto, condescendente, que nisso dos impostos nem um nem outro têm razão, que não é agora, que daqui por umas semanas é que se vai falar nisso, quando se discutir o orçamento para o ano que vem. E que sim, que o láparo prefere o Santana Flopes para Presidente da República que esse, sim, é maleável, manipulável e não é cata-vento nem gosta do mediatismo. 

[Hoje estava a dar-lhe para a comedy, ó professorzinho mais stand up].
E que, assim sendo, ele, Marcelo, ex-Nem-que-Cristo-Desça-à-Terra, é carta fora do baralho de acordo com a escolha deste iluminado presidente do PSD. Esta do iluminado é minha, claro.

Como se a gente se interessasse a esta distância pelo tema das presidenciais. A gente quer é saber com quanto conta para pagar as batatas. E, portanto, se vai pagar mais impostos. Ora o gaitinhas diz que sim, o láparo mal disposto que não, e o engraçadinho diz que não é para já.

E eu digo: tá bem, abelha. Fio-me tanto em qualquer um deles como me fio no Carlos Costa. A propósito, acho que vou passar a chamar-lhe Carlos Borboleta, Charles the Butterfly.


Adiante e nada de brincadeirinhas que o assunto é sério.

Só espero é que aconteça um milagre - que eu nisto acho que isto já só lá vai com Acts of God, Forces Majeures, Coisas do Além - e que aquilo que ando a desejar há mais de 3 anos aconteça mesmo: que desatem todos à bofetada no conselho de ministros, e que o Cavaco, essa bela adormecida que repousa em Belém, não tenha como não acordar e dar-lhes um chega para lá. E esperar que, nessa altura, o António Costa já tenha também dado um valente chega para lá no Totó Zero e que, bolas, não me desiluda, que se porte bem, que consiga estabelecer acordos positivos, congregar esforços, gerir esta ingerível piolheira.

Tirando isso, para já não me ocorre dizer mais nada.

Não, esperem. Parem tudo! Ocorre-me, ocorre-me. 

Acho que devo ter estado fechado num casulo e que o tempo passou sem que eu desse por isso. Agora acordei e dou por mim perante grandes novidades. Por exemplo, antes eu desconhecia que houvesse um cantor chamado Anselmo Ralph. Agora percebo que existe e que dá a volta à cabeça das meninas. Dizem-me que as letras das suas canções são do além, muda a acentuação para poderem rimar umas com as outras. Nada de mal. Os do governo também mudam o sentido às palavras para justificarem o que fazem. Agora estava a ver as notícias e ouço e leioFeridos e detidos em concerto de Anselmo Ralph em Cascais.


Terá havido por lá um outro meet?

E não haverá por aí nenhum meetzinho marcado para as redondezas da Presidência do Conselho de Ministros? Pergunto. Só pergunto.


Ai, vidinha mais maluca esta, só coisas que não se aproveitam. Não há um assuntozinho jeitoso para a gente se deleitar com ele.

Há bocado tinha começado a escrever um outro post e até estava a gostar de o escrever, era sobre nuvens, mas, num dos intervalos da enxaqueca, pus-me a ver televisão e vi o Goucha a fazer de conta que dançava e, num pico de excitex, a dançar pela segunda vez, e a sua amiga, Cretina Ferreira, a gritar como uma capada, quase guincha, senhores, o mal que aquilo me fez à cabeça. O programa até parece engraçado mas aquela rapariga grita demais, senhores. Depois a Alexandra Lencastre, tanto botox meteu para dentro do lábio superior acima que ficou com a beiça inchada, parece que a coisa transbordou. Parte deve ter vazado para as mamonas e outra parte parece estar prestes a saltar-lhe pelo nariz. Resultado: nem me passou a dor de cabeça, nem, depois, fiquei emocionalmente estabilizada. Ou seja, não consegui prosseguir com as nuvens. Tive que me virar para isto que acabam de ler: tretas de alto a baixo.


Sorry.


Bom, mas já que o pé me fugiu para a dança e para não darem a visita por perdida, até porque não têm que pagar por eu não ter tomado o ben-u-ron, aqui vos deixo com um vídeo incrível que o Leitor Bob Marley no outro dia deixou num dos comentários.


Blue Journey: Gorgeous Projection Dance Set to Radiohead - America's Got Talent 2014





Nick and Rachel combine technology, projection and wonderful dance skills for a gorgeous performance (Radiohead's "Street Spirit (Fade Out).) 


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Obtive as imagens que ilustram este post por aí sem saber qual a sua proveniência original, com excepção para o cartoon da dupla Láparo&Gaitinha que provém do blog 77 Colinas. A fotografia da Alexandra Lencastre não é do programa deste domingo mas a questão que referi não tem a ver com o que vestia.

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Hoje o que tenho para sugerir é que me visitem também no meu Ginjal e Lisboa. Tu continuarás para sempre nua no meu poema. Outra onda, portanto. Love, love, love.


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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa semana a começar já por esta segunda-feira.


domingo, Agosto 24, 2014

Madame Claude, a mais exclusiva Madame de Paris, terá tido como clientes John Kennedy, de Gaulle, Onassis, vários Rothschilds e muitos outros nomes sonantes. Mas misteriosa mesmo foi a sua vida.


Nos dois posts abaixo já partilhei convosco os vídeos de duas pessoas que têm carradas de carisma, Benedict Cumberbatch e Lady Gaga, num dos momentos que marcam o verão de 2014: o banho de gelo como forma de apontar os holofotes para uma doença que merece mais atenção, a esclerose lateral amiotrófica (ELA). Não deviam ser precisos números destes - e eu, para dizer a verdade, sou muito avessa a estas cenas virais - mas se, com isto, se vai angariar uma 'pipa de massa' e ajudar os doentes, então fico de bico calado em relação aos métodos e faço votos para que os resultados sejam estrondosos e que o dinheiro seja muito bem usado a bem de quem dele precisa.

Mas isso é nos dois posts a seguir a este - e vale a pena ver. Muito estilo.

Aqui, agora, a conversa é outra.

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[Fossem outras as minhas circunstâncias e talvez me alongasse mais. 
Madame Claude merece muita atenção, não apenas duas ou três linhas mal alinhavadas.]


Madame Claude nasceu, de facto, Fernande Grudet e é caranguejo de Julho de 1923. É francesa e foi criada num convento gerido por freiras. Mais tarde, durante a ocupação alemã durante a II Grande Guerra, foi agente da Resistência Francesa.



À direita, Madame Claude, com 73 anos, numa foto de 1996.
À esquerda, a porta para a antiga residência de  Madame Claude no nº 18 da Rue de Marignan, in Paris.



Depois disso, Madame Claude teve várias ocupações incluindo vender Bíblias porta a porta, até que estabilizou naquela que viria a ser a sua actividade mais conhecida: tornou-se uma Madame. Tinha a seu cargo uma exclusiva rede de prostituição e servia clientes que eram altos dignatários, figuras de Estado, gente de prestígio, chefes da polícia que a protegiam. Gente da CIA. E gente da Mafia.


Foi objecto de perseguições várias, tentativas de desmantelamento da sua rede e, por fim, para fugir aos impostos, exilou-se nos Estados Unidos.

Madame Claude é uma lenda e foi uma instituição. 

O que se passava das portas de Madame Claude para dentro era sigilo. Fala-se em muitos nomes. Madame Claude, que era férrea na defesa do nome das mulheres que trabalhavam com ela, algumas das quais que casaram ricas ou se tornaram artistas de cinema, de vez em quando, no decurso do trabalho jornalístico que abaixo refiro, deixou cair os nomes de alguns clientes. John Kennedy (que pedia mulheres parecidas com a sua Jackie mas em hot), de Gaulle, Pompidou, Onassis (que terá aparecido com Maria Callas e que terão feito pedidos depravados que terão deixado Madame Claude corada), vários Rothschilds, Agnelli, o Xá da Pérsia que as enchia de jóias, Chagall que oferecia esboços com nus feitos com as mulheres com quem fazia a festa, Marlon Brando, etc, etc. 


Disse ela que estes homens famosos, homens que podiam ter tudo e todas, não estavam a pagar para ter sexo. Estavam a pagar uma experiência. 

Elegante, vestindo Chanel,
Madame Claude
mais parece uma poderosa banqueira
do que uma proxeneta


Mas como comprovar que ela fala verdade quando deixa cair estas recordações? Não estará a fantasiar? Pode uma memória conservar-se intacta quando vive durante tanto tempo num ambiente que é, todo ele, paralelo, clandestino, uma ficção?

Há quem a declare mitómana. Há quem diga que ela sabe mais do que o que diz. Não interessa. 

O facto é que é uma vida rodeada de mistérios mas o maior de todos é a própria vida de Madame Claude. 

Dizia eu, no início, que gostava de ter disponibilidade e sossego mental para dedicar mais tempo a esta história suculenta. Mas não tenho.

Depois de mais um dia de aniversário que terminou com jantar numa esplanada e os pimentinhas, felizes da vida, a brincarem uns com os outros e a escaparem-se por todo o lado e depois de uma semana preenchida como um ovo (preenchida de momentos de felicidade, leia-se), já não tenho capacidade para ler com mais cuidado e resumir o artigo Behind Claude’s Doors da autoria de William Stadiem e publicado na Vanity Fair. Mas aqui fica o link para quem queira e possa aventurar-se.


E aqui fica um excerto do belo livro de J. Rentes de Carvalho Os Lindos Braços da Júlia da Farmácia, pág. 299:

Eu não fazia ideia de quem Nicole fosse e a minha curiosidade também não era muita, habituado como estava a vê-lo nas companhias mais variadas. Bluebell Girls, maravilhosas filles de Madame Claude (o bordel parisiense onde também o xá da Pérsia e Onassis se abasteciam), manequins mocinhas de bar, actrizes de nome e menos nome e, de longe a longe, como para criar a excepção que justifica a regra, uma ou outra burguesa caída nas malhas do seu dinheiro e do seu charme.


Também deixo um pequeno excerto de um filme de 1981 realizado sobre Madame Claude.




A ver se um dia destes tenho tempo para me debruçar com mais atenção sobre este assunto que parece ser bem interessante.

E agora vou descansar porque bem preciso.

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Recordo: baldes de gelo levados com muita pinta, é a seguir.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo domingo.

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Ó pá, a Lady Gaga é mesma muita maluca... Este vídeo dela a apanhar um banho de gelo é do melhor que há. [Nunca uma causa reunião um apoio tão viral. Tomara que o resultado seja extraordinário e beneficie quem precisa.]





Depois de, no post abaixo, ter mostrado o charmosérrimo gato Benedict Cumberbatch a levar uma série de duches de gelo, eis que agora vos mostro uma maluca encartada, a Lady Gaga. O que ela faz ao visual é do além. Palavra. É que nem parece ela, senhores.

E enquanto os Mourinhos, Bill Gates e outras vedetas daqui e de além mar todos eles são gritos ou arrepios, esta valente aqui nem tuge nem muge com a água gelada a cobrir-lhe o corpo. E a pintarola dela, toda rechonchuda, pneus a rebentarem debaixo das costuras, mas não está nem aí. Ah mulherzinha mais livre, esta. Aprecio o género. Ganda maluca, ganda pose.





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E sigam para bingo, por favor: não percam um gato que leva múltiplos banhos e conserva a bela pose.


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O homem dos muitos banhos de gelo... e sempre com aquela graça. Benedict Cumberbatch tem mesmo muita pinta.


Gosto imenso do Benedict Cumberbatch. Não é bonito mas tem um não sei quê, talvez qualquer coisa de felino, e, em cima disso, tem aquela voz.


Anna Wintour, a Mme Vogue a catrapiscar o Benedict Cumberbatch no desfile Hugo Boss NYFW 



O seu vídeo dos baldes de gelo é qualquer coisa... O maravilhoso sentido de humor britânico delicia-me.

Só espero é que com tudo o que é gente a fazer doações, apareçam verbas mais do que suficientes para investigar, para encontrar a cura, para atenuar os efeitos da maldita doença, para ajudar nas despesas das famílias que se vêm confrontadas com um drama destes nas suas casas.



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sábado, Agosto 23, 2014

Ministra apanhada em topless na praia. A polémica está instalada: deve ou não demitir-se?


Call me alienada. Reconheço que sou. 

Os jornais cheios de desgraças terríveis de uma ponta a outra, o mundo virado do avesso, fendas com cerca de um quilómetro e com uma profundidade de oito metros e cinco de largura que se abrem debaixo dos pés sem se perceber como, atentados violentos, gente que é pior que bicho mau, assassínios da pior espécie, execuções sumárias, decapitações, morte de crianças, polícias canibais, guerras que não têm fim à vista, coisas de meter medo. Um planeta descontrolado, habitado por uma raça tresloucada. 

E depois a impressão que faz o poder que alguns têm, gente que não acerta uma. Parece que, de cada vez que os americanos armam uns para combaterem outros, esses, quais nascituros de ovo de serpentes cuidadosamente chocados, vêm a revelar-se assassinos incontroláveis, gente enraivecida que não conhece lei nem simples regras humanas. 

Parece que um quarto do mundo quer matar o outro quarto, outro quarto está à mercê de surtos de ébola, malária, e toda a espécie de maleitas devastadoras e, finalmente o outro quarto anda de um lado para o outro, perdido, sem perceber a quantas anda.

Por cá é o mesmo inferno. Mas, sendo este o país dos mansos, é o inferno dos pequeninos: gente que tinha perdido a idoneidade volta a ser contratada como assessora no banco de onde foi dispensada, listas do PS cheias de zombies e defuntos, telemóveis a pagar direitos de autor, um láparo viciado em impostos, os seguros dos portugueses, PPRs incluidos, tudo na mão de estrangeiros, agora foi a Tranquilidade que desandou para a mão de um fundo qualquer, meninos que ateiam fogos. Coisas assim, tudo nesta base.

Eu devia ser capaz de falar nisto. Pelo menos em alguma destas coisas. Mas não consigo. Tinha que ter outra disposição. Com os meus meninos fofossímos a chamarem pónei pêto ao cavalo da tourada que viram de raspão na televisão e a perguntar o que andava a fazer ali aquéia vaca e a dizer que o xinhô tem uma touca na cabecha como posso eu arranjar vontade de falar de conselhos de ministros extraordinários, de orçamentos rectificativos ou de coisas igualmente deprimentes, já para não falar de coisas ainda piores? Não posso.

Por isso, que me perdoem os que vêm aqui em busca de tareia da grossa ou de fúria destilada. Nada. Este, por estes dias, é sítio de peace and love, uma cena tipo festival de verão, rave naturista. E sem serem precisos aditivos ou substâncias alucinogéneas. Tudo na boa, smiles and paródia.

E depois recebo mails fantásticos. 

A minha amiga Margarida, por exemplo, enviou-me um mail a dizer que ela e a Esther, the wonder pig, protestavam com aquela de eu ter cozinhado bochechas de porco (fiz um belo de um risotto com elas desfiadas lá dentro). 

Depois de ter visto a dita Esther, senti logo profundo arrependimento e não sei se vou ser capaz de voltar a armar-me em cozinheira de bicho tão mimoso.

Andei a ver se algum tema despertava a minha vontade de escrever. Nada. Ou melhor, só pepineiras. Por exemplo: a ministra da Educação italiana, Stefania Giannini de 53 anos, despiu a parte de cima do biquini. Nada de mais. Quem nunca fez o mesmo que atire a primeira pedra.


Mas eis que a revista Chi, propriedade por um santinho em carne e osso, Silvio Berlusconi, resolveu publicar fotografias da senhora obtidas por um paparazzi. O tom foi de censura, claro, dali só poderiam vir apelos ao pudor. Mas pior foi que jornais de referência republicaram as mesmas fotos e, de apelos em apelos aos bons costumes, a oposição já pede a demissão da ministra. 

E a coisa já galgou fronteiras. Os seios da ministra são agora arma de arremesso e a fronteira onde se discutem a moral e os bons costumes. Claro que a gente desconfia logo quando alguém arma baderna em volta de um tema destes: devem ou não os seios das ministras ser postos ao léu? Mais: Stefania já não é apenas Sefania, Stefania já perdeu o nome a passou a ser a ministra de Renzi que não sabe manter o decoro e, por pouco, não é o próprio Renzi a ser o culpado do topless da Stefania.

Os seios de Stefania pululuam um pouco por todo o lado, rodeados de palavras pingando censura. Por exemplo:

Stefania Giannini, casada y madre de dos hijos, era imaginada hasta ahora como una mujer absolutamente sobria y rigurosa: toda ella dedicada a la casa, la familia, la Iglesia y su cátedra de Lingüística en la Universidad de Perugia; además, es ex secretaria de Scelta Cívica, el partido creado por el también austero ex primer ministro Mario Monti (71), responsable de que entrara en política. Fue elegida senadora en febrero 2013. Así que contemplarla en topless ha descolocado a muchos en Italia.


Pois eu, pela parte que me toca, acho que faz ela muito bem em pôr as mamocas ao léu. O sol de Itália é generoso e privar o corpo da sua carícia suave é que é pecado. E está ainda em muito boa forma e que não estivesse - ninguém tem nada a ver com isso. Se ela se apresentasse no Parlamento em topless já eu acharia pouco adequado face ao dress code vigente. 

[É o mesmo princípio que me leva a achar que aquele rapaz do PCP que vai de sweatshirt, o Miguel Tiago, não vai nada bem quando se apresenta, casual e giraço, na nossa Assembleia da República.]

De resto, acho que a nossa ministra Paula Teixeira da Cruz, que anda sempre desaparecida, bem podia surpreender-nos e aparecer assim, na capa da Lux, óculos de diva e bubbies ao ar livre. Mas, lá está, noblesse oblige, já nesta Reunião Extraordinária convocada pelo Primeiro-Ministro acho melhor que vá vestida normalmente (não vá o láparo ter uma epifania das dele e, em vez de se limitar a cortar os ordenados aos funcionários públicos, aumentar outros impostos e arranjar forma de sacar mais algum aos pensionistas e reformados, ainda desatar a taxar as mulheres que não usam soutien, quiçá até as que gostam deles bem decotados - e, bolas, isso é que não!).


E por aqui me fico. 


Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo sábado.


sexta-feira, Agosto 22, 2014

Geografia da mulher [a da homem é tão limitada que pouco tenho a dizer]


No post abaixo já falei da minha experiência enquanto mulher em minoria na equipa de gestão do grupo de empresas em que trabalho. Veio isto a propósito do artigo do Expresso intitulado Por que motivo temos tão poucas mulheres no topo das nossas empresas?

Lá assumi também que há duas coisas em que me sinto em desvantagem em relação aos homens. 

Mas isso é a seguir. Aqui, agora, parto para a paródia.

A coisa não é de minha lavra mas Leitor generoso e amigo, a quem agradeço, fez-me chegar uma peça literária toda ela a pingar testosterona e que, parecendo às primeiras ser um portento de mundividência, revela, contudo, um algo limitado conhecimento da matéria, especialmente no que se refere a algumas das faixas etárias referidas. De certa forma, nem de propósito este texto a seguir ao que no post a seguir a este escrevi (mulheres versus homens).

Com vossa licença, passo a transcrever.


Mas, antes, se me permitem, música.

(Velha e louca)






Geografia da Mulher




Entre 18 e 25 anos, a mulher é como o Continente Africano: uma metade já foi descoberta e a outra metade esconde a beleza ainda selvagem e deltas férteis.


Entre 26 e 35, a mulher é como a América do Norte: moderna, desenvolvida, civilizada e aberta a negociações.


Entre 36 e 40, é como a Índia: muito quente, relaxada e consciente da sua própria beleza.

Entre 41 e 50, a mulher é como a França: suavemente envelhecida, mas ainda desejável de se visitar.


Entre 51 e 60, é como a Jugoslávia: ... empenha-se na reconstrução...


Entre 61 e 70, ela é como a Rússia: espaçosa, com fronteiras sem patrulha. A camada de neve oculta grandes tesouros.


Entre 71 e 80, a mulher é como a Mongólia: com um passado glorioso de conquistas, mas com poucas esperanças no futuro.


Depois dos 81, ela é como o Afeganistão: quase todos sabem onde está, mas ninguém quer ir até lá.





Geografia do Homem




Entre os 15 e os 80 anos, o homem é como Cuba: governado por um só membro...!!!





E nada mais a dizer. Temos pena.






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Mulheres em acção










Homens em acção

Let's Get Zesty








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  • O primeiro anúncio é da Candy fragrance da Prada e o segundo é da Axe.
  • Os dois últimos são dos molhos Kraft, uns molhos que devem ser de a gente comer e se lamber por mais.
  • A música lá em cima era Mallu Magalhães com Velha e Louca

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Relembro que no post a seguir falo de mulheres na gestão e digo porque é que, em minha opinião, a gestão em Portugal anda pelas ruas da amargura. No final, junta-se a nós a minha amiga Martine Hill.


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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela sexta feira!


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"Por que motivo temos tão poucas mulheres no topo das nossas empresas?", perguntam no Expresso. Eu respondo: não faço ideia. A única coisa em que as mulheres não se saem tão bem como os homens é a estacionar os carros paralelamente ao passeio mas isso não é grave, acho eu. A menos que a função na empresa seja a de motorista, claro.


Às vezes sinto a tentação de me registar no Expresso diário. Hoje foi um desses dias. O artigo da Raquel Albuquerque "Por que motivo temos tão poucas mulheres no topo das nossas empresas?", despertou a minha curiosidade. Um dia destes ainda terei que ceder. Fecharei os olhos ao facto de lá terem criaturas como o José Gomes Ferreira ou o Duarte Marques e farei de conta que acho normal que um jornal de referência como o Expresso sinta necessidade de albergar criaturas como aquelas, que dizem o que lhes vem à cabeça, um armado em economista, a fazer de conta que tem estaleca para primeiro-ministro, outro um pobre que nem escrever sabe, quanto mais alinhavar uma crónica. Mas, às tantas, quem escolhe alguns dos cronistas é outro do mesmo calibre, o Henrique Monteiro. No entanto, há lá gente muito capaz e volta e meia quero ler um artigo completo e a minha passagem é barrada porque não estou arregimentada.


Hoje, deste artigo, apenas consegui ler a introdução:

Portugal está na cauda da Europa quando se olha para a proporção de mulheres a ocupar cargos de topo nas empresas. Vários dados têm vindo a refletir essa assimetria e os mais recentes foram avançados pela Bloomberg, apontando Portugal como o país da Europa com menos mulheres em cargos de liderança nas empresas (5% do total), tendo por base o índice Stoxx, uma lista de 600 empresas de 18 países europeus.

E, assim sendo, não podendo ler a explicação que a Raquel encontra para o facto, avanço com a minha experiência pessoal.


Trabalho num grupo de empresas em que os cargos de gestão são ocupados maioritariamente por homens. Durante anos fui a única mulher. Salas cheias de homens e eu. Outdoors, team building e tudo homens em actividades de tipo slide, rappel, eles todos competitivos e eu a querer não deixar ficar mal as equipas onde tinha calhado. De resto, sempre competitivos, a não quererem dar o braço a torcer, a não perguntarem porque acham que, se fosse para saberem, alguém lhes teria dito, a não se certificarem de que perceberam bem, orgulhozinho besta, decisões tantas vezes por emprenharem pelos ouvidos, tantas vezes porque não sentem necessidade de se certificarem, a não terem a intuição para perceber segundos sentidos, meias verdades. Não todos mas maioritariamente assim. 

Habituei-me. Estar em ínfima minoria nunca me fez impressão. No entanto, frequentemente achei que tudo seria diferente se houvesse mais mulheres - porque os homens protegem vezes de mais os testículos e, quando é para agir em força, mais vale entrar sem medo e, portanto, não os ter.

Claro que, nos almoços a que não consigo furtar-me, muitas vezes a conversa derrapa para o futebol. Aí não consigo acompanhar. Por isso, deixo que falem e, quando acho que já puseram as transferências ou os próximos jogos em dia e que já se picaram o suficiente, tento levar a conversa para outros terrenos. Mas isso é um pormenor.

Agora uma coisa é certa: homem protege homem. Uma maioria de mulheres iria desestabilizar. As mulheres tendem a desfazer paradigmas, a questionar, a confrontar, a acolher novas ideias, a não recear o imprevisto.

Há tempos, um amigo meu, director de Recursos Humanos de uma empresa, contou-me que, quando estavam a admitir pessoas para a área comercial e perguntavam aos candidatos se estariam receptivos a ir para o estrangeiro, as candidatas mulheres diziam logo que sim. Convictas e animadas, que sim. Os homens diziam que teriam que perceber qual o desafio, que isso seria função do país de destino, que teriam que falar com a família, bla bla bla.

Eu própria, aqui há uns anos, ao constituir de raiz uma equipa, deparei-me com uma situação invulgar. As mulheres que apareciam na entrevista manifestavam-se entusiasmadas, positivamente expectantes, e sem quererem saber grandes detalhes da função, revelavam vontade de integrar a equipa. Do lado dos homens, perguntas, hesitações, e até um, altamente escolado e que me chegou recomendado, por volta dos 30 anos, disse-me que, antes de tomar uma decisão, queria aconselhar-se com os pais. Escuso de dizer que esse foi logo riscado do mapa. Não foi por ir falar com os pais mas porque não me imaginava a trabalhar com um menino que não era capaz de formar uma opinião pela sua própria cabeça, ainda tinham que ser os pais a dizer-lhe o que fazer. E, mesmo que fosse aconselhar-se, podia ter tido a decência de não se revelar tão copinho de leite.

Mas são estes artistas, betinhos,  que, quando se apanham a mandar, se armam em prepotentes, que são frios, insensíveis, que mais facilmente vão pela conversa de consultores igualmente betinhos do que pelo conhecimento e dedicação dos colaboradores.

Actualmente já somos duas mulheres. Duas no meio de uma data deles. Menos mal. E já começam a aparecer mulheres nos níveis de coordenação e, geralmente, são uma lufada de ar fresco. 

Mas há também uma outra casta, uma geração de mulheres que anda pelos trinta e picos e que dá tudo pela carreira. Ambiciosas, por vezes más, traiçoeiras e capazes de bajular, e, se o chefe é um homem, meninas para andarem de saia justa pouco abaixo do umbigo, decote para além da conta e que dizem, com desfaçatez, que têm que fazer pela vida. Um horror. 

Quando me apercebo disto, tenho pena que tenham passado no crivo da admissão. Mulheres assim são perigosas. Mulheres que se tornam a elas próprias objectos, objectos ao serviço da sua própria ambição, são uma menos-valia para a empresa.

Penso que Portugal ainda se ressente do obscurantismo em que viveu durante décadas, seguido de décadas de um deslumbramento acéfalo por modas importadas. A predominância machista e a inferioridade disfarçada de muitas mulheres é ainda sinal de atraso civilizacional.

Penso que a democracia e o verdadeiro desenvolvimento estão por atingir, há um caminho de maturidade ainda a percorrer.

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Tirando isto, acho que os homens (em geral) são melhores em duas coisas: na orientação geográfica e a arrumarem os carros em lugares apertadinhos.

Aí, confesso, sou mesmo muito mulherzinha. Se não for o GPS do carro perco-me em todo o lado. E, se tiver que arrumar o carro paralelamente ao passeio e entre outros dois, só se no meio houver lugar para dois ou três para poder entrar de frente. Caso contrário, sigo e faço de conta que não vi o lugar. Se a coisa for numa rua a subir ou a descer ainda pior. Sou pro a arrumar de frente ou mesmo de marcha atrás mas apenas em espinha ou perpendicular à estrada.

Há bocado estive a jogar no euromilhões pela net e, lá está, se me saísse, para além dos tais sapatinhos Dolce and Gabbana que referi no outro dia, comprava um carro que se arrumasse sozinho. E até era capaz de deixar de trabalhar onde trabalho. Talvez montasse um negócio meu - mas não digo qual, o segredo é a alma deles. Só digo que empregaria muitas mulheres. (Se o meu marido estivesse aqui e me ouvisse a dizer isto, acrescentaria logo, no gozo: com avozinhas. Não sei porquê, parece que tem um fetiche qualquer por avozinhas).

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Há algum tempo que não tinha aqui comigo a minha amiga Martina Hill, esse espanto de mulher. Ei-la a passar pela provação que eu tão bem conheço.




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quinta-feira, Agosto 21, 2014

Bárbara Guimarães, apaixonada pelo empresário Kiki Neves, muda de casa. Manuel Maria Carrilho vai de férias sozinho. Ambos arguidos por agressões, acho eu. A vida exposta na capa das revistas, a violência banalizada, coisa também de jet set. Pergunto: mas esta gente não atina? E, por falar em não atinar, também não estou a atinar com os livros que trouxe para férias. De resto, in heaven, tudo na boa. Para apimentar a coisa, uma entrevista picante a um Gandy que não precisa de qualquer tempero.


No post abaixo já vos convidei a assistirem comigo ao último vídeo do Cine Povero. A Liberdade de Fernando Pessoa  dita por João Villaret. Muito gostaria que, a seguir, descessem porque, sempre que o Cine Povero abre as portas com obra nova, é de aproveitar.


Estando em férias, sabe-me bem pensar em liberdade, em ter coisas para fazer e não as fazer. Infelizmente não consigo libertar-me tão facilmente. Esta coisa dos smartphones é uma prisão. De cada vez que chega um mail, o telemóvel faz um toquezinho do tipo dos telefones de antigamente, trrrim, mas em fininho. Claro que podia tirar o som mas não consigo, tenho sempre receio que a empresa não sobreviva sem mim. Depois poderia não responder, limitar-me a ficar enervada com alguns mails em que figuro em c/c ou em que, sendo a destinatária, não exigiriam resposta imediata. Mas sou intrinsecamente parva. Ainda hoje li um mail que me vinha dirigido com meia dúzia de pessoas em c/c. Um mail mesmo enervante que merecia que eu não respondesse senão quando voltasse ao trabalho. Fiquei a roer-me durante uns segundos e depois, claro, teve que ser: lá vai água! Há gentezinha petulante que gosta de se armar, sabem que uma pessoa está de férias mas, mesmo assim, para se armarem, fazem questão de chatear. Já deveriam saber que se estão a arriscar. 

E, portanto, esta minha liberdade é condicionada. 

Também não tive sorte nenhuma com o primeiro livro a que deitei mão. Só gostava de me lembrar de quem foi o crítico literário do Expresso que disse que Amar numa Língua Estrangeira, de uma tal Andrea Jeftanovic, era coisa recomendável. Deveria ter suspeitado pelo título e pela capa que a coisa não augurava nada de bom. Mas, numa daquelas de que, no meio desta confusão, mais valia não sacrificar um livro muito bom, resolvi arriscar e acreditar no que lá se dizia. 


Também houve outro factor: li que a autora, Andrea Jeftanovic, nascida em Santiago do Chile, é licenciada em Sociologia, tendo-se doutorado em Literatura Hispano-Americana pela Universidade da Califórnia, Berkeley, recebeu vários prémios literários e que é professora na Universidade de Santiago do Chile. E vi, pela fotografias, que anda bem despenteada. E, portanto, pensei: com tanto predicado o livro não deve ser uma porcaria qualquer, há que ser indulgente, dar o benefício da dúvida.


Fiz mal. Uma coisa também a armar. Frases curtas do princípio ao fim, uma coisa entrecortada que não permite uma respiração normal, uma pessoa não consegue criar empatia com os personagens. O tema de amar numa língua estrangeira poderia dar uma boa história mas a verdade é que a oportunidade foi completamente desperdiçada. 

O tema vai escurecendo, vai ficando pesado, mas sempre naquela coisa de frases com uma média de três ou quatro palavras cada. Uma canseira.

E, depois, um dos personagens está doente e a doença é descrita em pormenor e o tratamento também, e tudo avança mas como se não tivesse um propósito. No fim, o homem morre e o livro morre também. Não larguei o livro nem sei porquê. Que seca, que pepineira.

A sinopse da Leya termina assim:

Com um notável trabalho de linguagem, que oscila entre o poético e o visceral, Amar numa Língua Estrangeira é um romance corajoso, erótico e comovente sobre o desviver contemporâneo que marca o leitor da primeira à última página.

Pois a mim não me agarrou nem no princípio, nem no meio nem no fim. Desviver? Ele há com cada uma. E agora, ao ler aquela do erótico, lembrei-me que o livro, de facto, também tentou ser erótico, cenas e mais cenas mas, como sempre, tudo aquilo mais parecia uma sucessão de soluços do que uma descrição com vida própria.

No entanto, às tantas ainda vai ser êxito de bilheteira. A mediocridade impera pelo que, quanto mais banal, mais a armar, mais fútil - e, de preferência com casos da vida real, doenças terminais, fatalidades e teorias de cão de caça - melhor. (Melhor para as editoras, claro.)

Agora, despachado a grande velocidade o anterior, estou com o novo do Michael Cunningham. O homem tem charme e As horas tinha a sua graça. O José Mário Silva bem o louvou e eu já devia saber que, quando ele louva algum livro, é sinal que é pouco provável que seja cá dos meus mas, enfim, na lógica do anterior, pensei que no meio desta azáfama, no bocadinho a seguir ao almoço em que tenho algum sossego e me deito na espreguiçadeira under the fig tree a ler e a sentir a aragem e, de quando em vez, a sentir que o sono me quer levar para o outro lado, este tipo de livro seria o recomendável.


Ainda vou no início mas não entrou com o pé direito. Além disso acabei o outro com o homem a falecer depois de um cancro que o consumiu e este, algumas páginas depois do arranque, já me está também com uma das três personagens, mais para lá do que para cá, com um cancro que parece que está na fase terminal. Bolas. E o outro personagem é um homossexual com um desgosto de amor. E o terceiro é um drogado que o irmão pensa que já está limpo mas que anda a aspirar umas linhas à sorrelfa. Uma crise pegada. A minha avó diria que está aqui a armar-se um choradinho à moda do Tide (acho que antes de haver televisão, no tempo das radionovelas - que eram um drama de ponta aponta - o Tide patrocinava aquilo pelo que ficou como os 'dramas do Tide')

Literatura de férias, isto...? Nem sei se é literatura, quanto mais de férias. Bem, no segundo caso não me pronuncio já, vou esperar para ver. A menos que a qualidade literária me venha a prender, se amanhã a coisa continuar nesta infelicidade absoluta dou-lhe um chega para lá, que ninguém me obriga a isto. E vou para o de Sebastião Salgado, a autobiografia, Da minha terra à Terra. Presumo que seja um valor seguro - a menos que ele seja bom só a fotografar. Mas vá, não vou ser pessimista até porque o Jorge Calado escreveu sobre ele e eu pelo Jorge Calado tenho um grande respeito.


De resto, por aqui tudo continua na maior. 

Não sei como se consegue comer tanto, senhores. Chegam carregos de sacos e mais sacos e, quando se dá por ela, já é preciso mais isto, aquilo e aqueloutro. 


Depois há os percalços. Hoje, ao jantar, tirei a panela de sopa do frigorífico e coloquei-a na mesa de refeições que está ao meio da cozinha. Ia servir as taças da sopa para as aquecer quando o ex-bebé, que andava a remexer nas gavetas dos talheres, me mostrou uma coisa e me perguntou o que era. Não percebi o que era aquilo e virei-me para ver de mais perto. Com esse gesto, o vestido, que é largo, prendeu-se-me numa cadeira e ia a fazer cair a cadeira. Atalhei e a cadeira não chegou a cair mas bateu na panela da sopa que caíu no meio do chão. Tentei apanhá-la no ar mas está quieto... o melhor que consegui foi virá-la a tempo de ficar com alguma sopa, à conta para o jantar. O resto, que devia dar para amanhã, tudo espalhado no chão. Lá tive que andar de esfregona, claro. E afinal aquilo era um vela em forma de 4 (quatro), ficou de algum aniversário.


Mas o tempo aqui rende, rende, há tempo para tudo, e as crianças adoram. E tem havido varridelas a apanhar caruma, folhas secas, regadelas que começam bem e acabam em partidas e eles a molharem o que devem e o que não devem, e atirar o papagaio que é uma galinha pintadinha que anda a voar sobre as árvores e que hoje já ficou presa na azinheira, e, enfim, brincadeiras de toda a espécie possível e imaginária.




E agora chego aqui e acho que não disse nada que vos possa interessar mas a verdade é que continuo incapaz de falar das desgraças de que os jornais estão cheios e não tenho visto telejornais na televisão mas imagino que seja a mesma coisa. Vai de mal a pior, mortes de todas as maneiras possíveis e imaginárias. Não consigo. 

Depois há o Manuel Maria Carrilho que aparece a banhos, pela primeira vez sozinho de férias, depois da separação. Que papelão. A que propósito vai para a praia com jornalistas atrás? Que interesse tem isto? Que parvoíce. Noutra, é a Bárbara Guimarães que parece que é arguida por agressão, talvez lhe tenha batido a ele. E ele diz que ela sai para namorar e deixa os filhos sozinhos em casa até de madrugada e que os filho lhe telefona a pedir para ir para lá. E ela que está feliz e enamorada pelo tal Kiki Neves e que vai mudar de casa para começar tudo de novo. E, como de costume, tudo na capa das revistas. Banalizam a violência doméstica, ofendem-se, expõem os filhos. Ao mesmo tempo que chegam notícias de gente que se mata à facada, à paulada, sei lá, aparecem estes, cheios de glamour, também a falarem de agressões, como se fosse assunto do jet set. Uma vergonha.


E, tenho que dizer, receio bem que esta história não acabe bem. Ao tempo que isto dura e não atinam. Pelo contrário, há ali um ódio que me parece perigoso. Para além disso, a carreira televisiva dela não me parece promissora e, se a coisa descarrila por aí, não sei se ela terá estabilidade emocional para se aguentar. Não haverá familiares que os aconselhem a esquecer as capas das revistas e a tentarem encontrar algum equilíbrio?


Mas adiante, que o triste descasamento da Bárbara Guimarães e do Manuel Maria Carrilho são um mal menor deste País e eu tenho mais com que me ralar. Já estou é aqui a pensar no almoço de amanhã, bochechas de porco, e na forma como as vou fazer. Tenho que me levantar cedo para as pôr a estufar em lume brando para ficarem macias como manteiga.


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Bem, mas para não acabarem isto a abanar a cabeça, que grande seca, tanta conversa para não dizer nada que se aproveite, vou deixar-vos com um daqueles filmes publicitários que dão gosto. Em tempos usei Light Blue da Dolce  & Gabbana. Depois deixei, banalizou-se. Mas o anúncio não tem culpa nenhuma disso, é uma maravilha.







Mas não foi à toa que mostrei o filme acima (em que aparece um modelo masculino de se lhe tirar o chapéu, David Gandy). É que aqui abaixo tenho uma entrevista igualmente de dar gosto. Picante, dizem eles. E é. 

Transcrevo: The columnist Mondo Trasho has asked the questions that we have always wanted to ask David Gandy. She doesn't want to know about his favourite colour, where he grew up or what he likes to eat when he is relaxing, no no. She is far more interested in what goes on between the sheets... and aren't we all?






Haja coisas com graça.

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Relembro: no post a seguir há Liberdade. Fernando Pessoa por João Villaret no Cine Povero.


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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela quinta feira.