Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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terça-feira, julho 17, 2018

Kolinda e Marcelo:
- Qual dos dois dá os abracinhos e beijocas mais calientes?
- Qual tem uma saída da água, na praia, mais sexy?


Não sou atenta em relação a presidentas de países que não me dizem muito como é o caso da Croácia. Por isso, não conhecia a bela e fogosa Kolinda Grabar-Kitarović até a ver com blusa a preceito a vibrar com o jogo de futebol e, no fim, a dar beijinhos e big hugs, abracinhos mesmo apertadinhos, festinhas e ternurinhas não apenas às equipas em peso, jogadores, treinador e equipas técnicas, como ao sorridente Macron a quem, nitidamente, não cabia um feijaozinho. E não era para menos: por um lado, a França a fazer um jogaço e a arrebatar o troféu e, por outro, aquele mulherão ali ao lado naqueles arroubos apaixonados e a dedicar-lhe aqueles miminhos tão calientes.

Fui saber quem era a fogosa Kolinda e, claro, com aquele temperamento arrebatado só podia mesmo andar numa de beijos e abraços, all over. E fiquei a pensar: alto, então não querem lá ver que a Koly ainda vai para o Guiness antes do nosso Marcel?

Mas agora, vendo-o em Cabo Verde, todo ele abraços e beijinhos, também todo ternurento e chegadinho, sosseguei. Ná. Não há pai para o nosso Marcelo.






Agora uma coisa é certa. Numa de afectos e gostos estivais, a coisa ia ser renhida.

Pergunto-me mesmo: se a Koko vier para Portugal, será que o nosso Celinho resiste? É que, não é por nada, mas tenho cá para mim que a Koko, apesar de ser mais curvas do que esquinas, era capaz de fazer mossa.

Outra maneira de evitar birras de crianças.
[Não menos polémica e radical do que a dos preservativos]


Não me vou deter sobre aquilo de, às vezes, algumas pessoas desesperarem com as birras dos filhos. É humano. Acontece a toda a gente. Uma criança a chorar aos berros durante algum tempo dá conta do juízo a qualquer um.

Uma vez, os meus pais ficaram com a minha filha quando ela teria meses. Quando cheguei a casa, estava a minha mãe numa pilha de nervos, o meu pai já contagiado. A bebé estava a chorar ininterruptamente fazia horas. A minha mãe já tinha feito de tudo: água, aero-om para as cólicas, massagem na barriguinha, colo, canções de ninar. Tudo. E nada resultava. Transpirada. Já soluçava de cansada. E ambos: tem que ir à pediatra, já, alguma coisa ela tem, coitadinha, nunca chora assim, se chora é porque não está bem. Aflita, mulher quase menina ainda, lá fui, assustada já também. Mas a menina já tinha acalmado, já quase dormia. A médica disse que não era nada, apenas um stressezinho bobo, coisa de criança desavinda.

Quando regressou a casa, vinha num sono pesado. A minha mãe sossegou.

Agora, mais recentemente, com a minha menininha mais linda acontecia isso quase sempre quando ficava com ela à sexta à noite. Muito caladinha, muito indiferente. Queríamos que fizesse gracinhas e nada. Eu, que gosto tanto de brincar com crianças, desesperava. Punha-me à frente dela e era como se nem me visse. Acenava, fazia palhaçadas e ela zero, bola. Cheguei a assustar-me. Nem ousava verbalizar. Uma vez enchi-me de coragem e falei ao meu marido. Ficou furioso comigo. Mas a menina, por mais que eu fizesse, não dava bola. Só uma coisa me tranquilizava. Volta e meia, olhava com ar maroto para o meu marido, disfarçava um meio sorriso. Ele gabava-se: maças a miúda e ela não te liga; vê lá eu, não digo nada, não me ponho a moer a paciência da miúda e vê lá como ela se mete comigo. Mas, ao perceber-lhe a intencionalidade, eu descansava. 

Mas depois acontecia o seguinte: se às sextas feiras à noite os pais queriam ir laurear, eu já ia aflita. Eu tentava brincar e ela nada. Moita. Na maior indiferença. Depois dava-lhe o sono. Eu começava a tentar que adormecesse. Está bem, está. Empertigava-se, recusava-se a dormir. Não queria chucha, não queria que eu a embalasse. Nada. Chorava desbaladamente. Eu desesperava. Não sabia o que lhe havia de fazer. Tudo o que eu fizesse, a fazia chorar ainda mais. Era como se deliberadamente se recusasse a dormir. Transpirava ela, transpirava eu. Cantava 'o meu menino é de oiro, é de oiro fino', embalava-a e isso parece que ainda a enervava mais. Volta e meia, de cansaço parecia querer dormir. A luz quase apagada, em silêncio, eu já derreada mas a não querer parar o movimento de embalar -- e era quase certo que o meu marido que, entretanto, já dormia a sono solto, lhe desse uma tosse... e acordasse a fera que, de novo, desatava num berreiro. Escusado será dizer que eu ficava capaz de trucidá-lo, coisa que ele não percebia, achava que não tinha feito nada.

À medida que foi crescendo, a sua personalidade foi ficando mais marcada. Não dá bola com facilidade mas, quando gosta, é uma querida que adora beijinnhos e ternurinhas, fala pelos cotovelos e percebe-se que, quando era bebé, queria era ser ela a traçar a sua agenda, recusando-se a dormir.

Com o mais novo da minha filha também passei por desesperos, sem saber como calá-lo. Uma vez, o mais crescido, in heaven, foi picado numa orelha e, para nosso susto, a orelha começou a inchar até a criança ficar a parecer um extra-terrestre. O pai estava a trabalhar em Lisboa pelo que o meu marido foi com ela e com o menino para o hospital e eu fiquei com o mais novo. Quando percebeu que estava sozinho comigo, não vendo nem o mano nem a mãe, começou a ficar choramiguento. Tentei disfarçar, brincar. Depois a choraminguice foi em crescendo, por fim berrava a plenos pulmões, encharcado de transpiração e baba de tanto chorar. Quando eles chegaram do hospital, estava eu capaz de me ir internar. Exaustos os dois. Mal a mãe o pegou ao colo, calou-se. E de noite...? Quando ficavam cá em casa.... O que ele chorava... O irmão, que é todo racional, dizia: 'Resolves alguma coisa por chorar?'. Ele pequenino, ficava calado a olhar para o irmão. 'Então cala-te. Deixa-me dormir'. E ele lá caía na real e adormecia.

E lá está. Se fosse como aquele do anúncio ali em baixo, uma coisa do mais fundamentalista que há, para prevenir choradeiras destas em crianças, recomendar-se-ia aos pais que tivessem usado preservativo.

Claro que é coisa em que nem quero pensar... meus ricos meninos. Que chorem, que protestem, que falem alto, que desarrumem tudo, que comam que nem lobos, que se peguem uns com os outros. Tudo o que quiserem. 

Mas, já que estamos na silly season e em maré de conselhos radicais, tenho aqui uma recomendação do mais radical que há para quem já tem filhos que cheguem: que mudem de gostos. 

Por exemplo: se para dançar o tango é preciso dois (it takes two to tango), porque não do mesmo sexo?



Ou, identicamente eficaz na prevenção das birras de crianças: um tango a solo. Claro que, no fim, talvez se acabe a dar com a cabeça nas paredes mas, enfim, enquanto se dança e não dança, faz de conta que também é bom. Afinal, tango é tango.

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E pronto: queiram descer até ao post seguinte para verem o tal anúncio mauzinho que recomenda um remédio santo -- santo até demais -- para prevenir birras de crianças.
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Como prevenir birras em crianças.
[Conselho um bocadinho politicamente incorrecto]


Em casas onde há muita criançada, o chinfrim e o seu natural rebuliço tornam-se, por vezes, cansativos. Felizmente, pelas minhas bandas nenhum é dado a birras mas, mesmo sem isso, só o chamarem uns pelos outros ou a falarem uns com os outros provoca umas boas decibeladas bem acima da média. A minha filha sugeriu uma coisa para evitar a perturbação sonora e eu lembrei-me de quando uma vez, há muitos anos, fomos em grupo ao Toucinho comer sopa da pedra. Cunhados e primos e respectivos filhos. Os meus e os dos primos já eram mais crescidinhos mas, ainda assim, falavam muito. Mas os meus sobrinhos, mais novos, um deles ainda bebé, pioravam a coisa. Certamente desestabilizados pela barulheira do restaurante e, se calhar, com fome, choravam baba e ranho. A minha cunhada estava em ponto de rebuçado e meiguinha como só ela, saíu-se com esta: devia ser proibido trazer crianças para os restaurantes, deixávamo-los no carro como aos cães. Foi o escândalo geral entre nós. Ainda hoje me lembro disso. Claro que não o faria, julgo eu, já que lhe tenho visto muita coisa muito pouco canónica mas não tenho ideia de maus tratos ou abandono de crianças -- mas o tom em que o disse quase fazia temer o pior. Ainda me lembro do meu cunhado se aborrecer com ela -- Olha lá! Isso é coisa que se diga?! Estás parva ou quê?! -- coisa que, obviamente, lhe entrou a cem e saíu a mil. E ele, mais do que certamente, deve ter-se virado para o outro lado e, conversador e bon vivant como só ele, deve ter mandado vir uns queijinhos e um bebo tinto e nem mais se deve ter lembrado do dislate da mulher ou da birra dos filhos.

Mas, enfim, ter uma criança que faz birras pode ser constrangedor. Não sei se é falta de educação, se é falta de carinho ou de atenção mas acredito que, em especial em público, deve ser complicado para os progenitores.

Agora um conselho como o desde anúncio é que nunca tinha visto: ainda mais radical do que a solução canina da minha cunhada.



Ora bem.

É certo que prevenir é o melhor remédio mas, caraças, talvez não seja preciso tanto. 

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E haja humor. E, já agora, também amor.
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segunda-feira, julho 16, 2018

Pezinhos fofos, bonequinho com franja de Trump e uma coisa misteriosa


Como, 
depois de um dia que começou cedo e acabou tarde, com muita animação e nenhum descanso pelo meio, estou um bocado off ,
e como 
acabei de passar as fotografias para o computador e só minhas passam as duzentas e não há pachorra para estar a rever uma por uma para ver se dá para aqui colocar alguma, 
não vou alongar-me e vou cingir-me às que a minha menininha mais linda tirou. 

O meu marido avisou-me: se não queres que a máquina nova corra riscos, mais vale levares a pequenina para o caso de algum dos putos querer fazer fotografias. Estava a pensar nela que, qual mini-me, adora fazer fotografias. Os rapazes são mais outra onda: futebol, alpinismo, playmobil e etc. Ora, bem dito bem feito. Mal viu a minha new one, quis logo. E lá lhe fui buscar a nano maquineta. 

[E isto como se, depois de tanto os miúdos andarem com a minha adorada máquina anterior, não tivesse sido eu a dar cabo da lente. Mas, enfim, ter cuidado não custa.]

E, portanto, lá andou ela de maquininha a fotografar a família. Não vou mostrar, claro, nem vou mostrar a selfie que fez e onde captou um grande plano dos seus líndissimos olhos cuja cor varia entre o azul misterioso, o cinzento transparente e o luminoso quase esverdeado.

Mostro antes:

  • uma que nem está nítida mas onde mostra dois bonecos que os primos lhe trouxeram e que colocou num móvel para os fotografar (e nem sei se aquilo é uma menina de grande rabo de cavalo ou um pequeno pónei com franja de Trump e cara de boneca; e a outra coisa não sei se é uma travessa de cabelo ou se é uma maçã com dentes de pente) 
  • e uma outra onde fotografou os pezinhos do mano bebé que, como se vê, tinha deixado cair o bocado de bola de carnes que estava a comer. Só agora percebi o que eram aquelas migalhas que, há bocado, andei a varrer (pelo que deduzo que apanhou o que aqui se vê e voltou a comer quase tudo).



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Já agora: só umazinhas das minhas fotos


A pequena fotógrafa preparando-se para fotografar o avô

Ela e a tia numas das inesgotáveis lengalengas que ambas sabem e que cantilenam
enquanto batem com as mãos durante horas.
A fotografia ficou desfocada pois a velocidade das mãos é estonteante
(No sofá ao fundo, o pai da menina descansava)

Os rapazinhos com os playmobil que vêm de há muitos anos
(enquanto, na outra sala, o bebé dormia ao colo da mãe)
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Se conseguir descansar um pouco pode ser que ainda cá volte.

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domingo, julho 15, 2018

Sábado no campo





Para começar, lembrei-me agora que a receita da Bôla de Carnes leva leite -- e não o trouxe. Cortámos ambos com o leite e, portanto, agora, chapéu. Gaita. O meu marido diz que ponha iogurte. Impossível. Viémos carregados de iogurtes mas é tudo com sabores. E isto aqui não é como na cidade em que se atravessa a rua e há onde comprar tudo o que se precisa. Aqui, se queremos comprar qualquer coisa, temos que nos meter no carro e ir à vila mais próxima. E, como ao fim de semana os pequenos minimercados estão fechados, teríamos que ir não è vila mais próxima mas sim à cidade mais próxima. Não dá. Chegam logo de manhã. E tenho que ter a comida para o dia inteiro pronta antes de chegarem porque, a partir do momento em que chegam, deixa de ser possível estar sossegada na cozinha. 

Chatice. Sempre isto. Por mais carrego que venha há-de sempre faltar uma coiseca qualquer. Outras vezes é o oposto. Por medo de que não haja, trago e depois juntam-se não sei quantos sacos de sal ou pacotes de guardanapos. Mas pronto. Adiante. Nada a fazer. Não há leite, não há. Tenho que improvisar com outra coisa. Talvez com o caldo de estufar as carnes. 

Já tirei as espinhas ao peixe, já desossei as carnes, já cozi ovos, já separei e medi o caldo para o arroz. Portanto, algumas coisas já estão adiantadas. Mas tenho que me levantar cedo.


Ainda queria varrer lá fora que este sábado não tive tempo. No outro fim de semana varri tudo mas já lá vi, debaixo do telheiro, uma data de folhas. Estava a falar com a minha mãe e ela dizia que se as casas se sujam por dentro, fará por fora e que nem vale a pena ter a pretensão de ter tudo impecável porque não é possível. É verdade. Mas gosto de, pelo menos, ter a sensação que tentei.

Sou eu a querer ter a casa limpa por dentro e por fora e o meu marido a ver se dá conta das silvas e do tojo. Andou outra vez com a roçadora a tentar travar o ímpeto desta natureza que tem uma força avassaladora. Desbasta-se e corta-se e, na volta, já está tudo a rebentar por todo o lado. Uma coisa extraordinária.

Andei a passear. Tinha dito: vou fazer uma caminhada. A ideia era andar em passada regular, rápida. Durante a semana foi impossível fazer caminhadas. O trabalho permanente e absorvente, uma praga, cresce pelos dias deixando-me sem tempo para mim. O objectivo era, pois, esticar as mernas, exercitar os músculos, oxigenar o organismo que passa os dias movido a ar condicionado.


Mas não. A tentação de fotografar é constante e tudo me solicita. A ruiva caruma, os arbustos de madressilva, o sol dourado, as sombras, as flores, as árvores, o meu corpo reflectido nos azulejos onde mandei serigrafar 'há palavras que nos beijam como se tivessem boca', os verdes que tudo envolvem, os pássaros que se levantam, a cauda aberta em leque, soltando cantos espantados pelos ares, a dança da folhagem com a aragem leve da tarde.

Portanto, dou dois passos, paro, espreito a corola das flores, foco, disparo, mais dois passos, olho a cor perfumada e doce dos loendros, disparo, mais dois passos, espreito as ramagens a ver se descubro de onde vem o canto dos pássaros, mais dois passos. E assim vou, involutariamente lenta, detendo-me a cada dois passos perante a necessidade de melhor ver e registar o que os meus olhos vêem.


Mas depois foram os orégãos. Floridos, perfumados, aquele cheiro fresco e campestre de que tanto gosto. Todos os dias, uso orégãos na salada que como. Amanhã espalhá-los-ei também sobre a bôla. Por isso, andei a apanhá-los. Estão um pouco por todo o lado. Aos molhinhos fui trazendo cá para cima. Queria andar, não andar a apanhá-los. Pensava: só estes pezinhos, para amanhã e para a semana. E subia, a deixá-los cá em cima. Mas, no fim, estava uma boa braçada deles.


Vou deixá-los depois, durante a semana, sobre um plástico em cima da mesa da cozinha, espalhados, para secarem. Cheirinho mais bom. Tempero mais bom. O cheirinho bom do campo, o cheirinho bom deste pedaço de terra que sinto como o meu heaven, o lugar de onde poderiam ter vindo as minhas raízes.


Depois vim para casa. 
Cozinhei. Li. Adormeci. 
E agora estou aqui convosco.

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Não vem muito a propósito mas deixem que partilhe convosco este vídeo com Lam Duan (que dizem que significa árvore com flores amarelas), o velho e cego elefante, a ouvir música.


sábado, julho 14, 2018

Santana Lopes again? Please.... Poupem-me.
Mas não é só ele que estava bem era no museu. São também quase todos os outros.
Contra isso: inovar, inovar, inovar.





As empresas e demais organizações gastam rios de dinheiro com formações e consultores, já para não falar em horas de trabalho consumidas em sessões disto e daquilo, tudo a bem da inovação. E vem um e explica a diferença entre criatividade e inovação e vem outro e fala de exemplos conhecidos de empresas que se reinventaram e de outras que pereceram por não terem sabido fazê-lo e vêm outros e falam de casos inspiradores e vêm mais alguns que são figuras conhecidas -- uns historadores, outros treinadores, outros maestros, outros alpinistas -- e contam as suas experiências e toda a gente bate muitas palmas. Tudo e mais um par de botas para que a malta desate a ter ideias que façam a diferença, que criem novos negócios, novas maneiras de ver a vida.




E toda a gente se esquece de tudo mal vira as costas. E, assim que chegam aos seus locais de trabalho, todos continuam a fazer igual ao que sempre antes fizeram.

E eu, que ando há anos a ouvir a mesma conversa dita de muitas maneiras diferentes, penso que se fosse eu a organizar estas coisas, estes eventos em que se tenta estimular uma nova atitude que leve à inovação, não fazia nada disto. Colocava era vídeos como estes, que mostram como é possível que do clássico se crie o inesperado ou como do nada se pode fazer o que antes nunca se tinha visto e que pelos tempos afora para sempre ficará como inexplicável e belo.

Mas, quando proponho isto, dizem-me que não, que ideia, que não tem nada a ver, que ninguém ia perceber. É verdade. Quando alguém aponta as estrelas, os idiotas ficam sempre a olhar para a ponta do dedo, incapazes de ver para além dele. Por isso, não insisto. Nem estou certa de que a razão esteja comigo. Cada vez sei menos. Vejo que a qualidade vai rareando e que o mundo parece estar em trajectória descendente -- mas, se me reportar a dados conhecidos da história, talvez tenha que concluir que desde sempre se está a andar a caminho do nada. E, se calhar, é mesmo assim e nada a fazer.

Seja como for, talvez ingenuamente, penso que, enquanto não se perceber que é mesmo do incompreensível que nasce o que é novo, não se conseguirá ver para além do óbvio -- e que só o que está para além do esperado e do óbvio é que rasga caminhos. E novos caminhos são precisos antes que se chegue ao fim deste que estamos a percorrer e que, do que se vê, parece ser um beco sem saída.




Leio percentagens a propósito de crentes em Santana Lopes e pasmo por, nestes tempos incréus, haver ainda quem seja tão crente. Mas é verdade. No outro dia, numa outra cidade, vi um amontoado de gente, os passeios a deitar por fora. Não percebi. Depois olhei com atenção e vi que estavam junto a uma moradia onde vi uma cruz e o nome de uma qualquer igreja. Isso ou as dietas milagrosas que proliferam. Eu própria também, volta e meia, jogo no euromilhões acreditando que um dia pode acontecer comigo. Portanto, está certo. Toda a gente precisa de acreditar em qualquer coisa, mesmo no jogo branco ou nas cartas furadas. Haja lugar para todos, até para os malucos que ainda acreditam que alguma solução governativa de jeito pode sair do maluco do Santana Lopes. 

A seguir, olho para a televisão e vejo a cinzenta bancada do PSD. O líder da bancada descolorida laranja dá-me pena.  A sério. Pena. A criatura está notoriamente infeliz naquele seu triste papel. Um tremendo erro de casting. E está rodeado de outros que tais. Olha-se e vê-se ali, ao vivo e a cores, o reino da estupidez. Não atinam. Mas não admira. O PSD não é nada. A cola que os une é o oportunismo. Talvez tenha começado com gente bem intencionada mas logo esses barões se foram perdendo e o que ficou foram uns quantos nostálgicos que não riscam nada (nem o Marcelo, enquanto líder partidário, alguma vez riscou) e uma malta que anda à babugem do poder. Quando longe disso, ficam como as galinhas sem cabeça.




Mesmo as outras bancadas. Falta ali rasgo e inteligência, falta golpe de asa. 

O PS é António Costa e mais uns quantos capazes e depois um bando de líricos, mais uns quantos saudosistas e uns outros que tentam perceber qual o caminho que estão a pisar e mais uma mão cheia de oportunistas.

O PC já era. Gente que tenta agarrar-se a cordas presas ao passado, um passado idealizado. Gente bem intencionada mas geneticamente traumatizada. Podem ser sérios mas a seriedade deles é cinzenta, baça, longe do futuro. A primeira e a segunda derivada da tendência que percorrem traçam-lhe o caminho: o lento mas inexorável fim.

O BE. Gente que quer ser moderna e ousada mas sem capacidade para sê-lo. Zangam-se, fazem cara de maus, acham-se os donos da verdade. Mas são uns maçadores de primeira. E gente maçadora não vai a lado nenhum.

Resta quem? O CDS? Nem falo desses. Não existem. 

O País precisa de outra gente na política. Mas como irá gente capaz para a política sabendo que, por coisas de nada, podem ser perseguidos pelo Correio da Manhã, pela tropa fandanga da SIC ou do Expresso, pelas tias e pelas beatas do Facebook?

Uma coisa triste, isto.




Solução? 

Inovar de verdade. Ousar. Arriscar.
Procurar a beleza e a simplicidade.
Olhar o futuro e, mesmo sem perceber o que se vê, caminhar nessa direcção.

As sete idades



O mundo é um palco e os homens e as mulheres não passam de meros actores.

All the world’s a stage,
And all the men and women merely players;
They have their exits and their entrances;
And one man in his time plays many parts,
His acts being seven ages.

E as flores também. Belas, efémeras, cada uma representando o seu papel. Por vezes juntas nas suas diferentes idades: a que desponta, a que quase se abre, a adulta. Até que um dia, uma envelhece, a jovem resplandece, a que era bebé começa a despontar. E um dia virá em que a primeira desaparece e depois outra e depois outra. Mas, entretanto, já outras terão iniciado o seu ciclo mágico. 

Todas sempre de passagem. Todos nós de passagem.


Entretanto, a vida. Quase real, quase ficção, quase miragem. Nós como nos imaginamos, sempre tão diferentes do que os outros nos vêem. Tudo relativo, tudo como função da perspectiva. Reflexos, sonhos, memórias, representações.

Estou dentro de casa. Olho o chão do lado de fora. Vejo o reflexo do tapete e vejo outra coisa que não sei o que é. Estão misturados com as folhas secas que caíram do plátano. As folhas reais, os reflexos igualmente reais. E no entanto. 

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Começo a experimentar a minha nova máquina. A minha filha pergunta: é a 327ª máquina, não é? Não sei. Talvez não tanto mas quase. Uma vergonha. 

Ando com ela a medo, tenho vontade de a manter num saco com bolhinhas de ar e depois dentro do saco acolchoado. Deveria prendê-la a mim, sem hipótese de queda, sem hipótese de se riscar. Mas ando sempre tão cheia de coisas e as minhas mãos são tão pequenas. 

As fotografias não foram feitas hoje, foram num outro dia desta semana. Hoje madruguei, viajei e regressei muito tarde e cansada. Salvou-se a conversa solta e agradável durante a viagem para lá e para cá. 

E, cansada que estou, sem saber nada do que se passou no mundo, estou a preguiçar vendo as primeiras fotografias feitas com esta nova máquina. 

É leve, é rápida, é precisa e faz um barulhinho subtil quando disparo e, pelo que vejo, soube reproduzir o que os meus olhos viram.


Talvez até já --- se conseguir despertar

sexta-feira, julho 13, 2018

Melania, a FLOTUS, mascarou-se de princesa para ir à festa no palácio.
A maluca da May, de pernão ao léu e alarme no braço, deu a mãozinha ao Palhaço Trump e escaganifou-se a rir.
E a gente interroga-se: ri de quê, aquela maria parvalhona?




Hoje, ao regressar à cidade, vinha no carro e era o costume: a praga dos mails profissionais a pingarem. Ping, ping, ping. Podia não os ver mas, como amanhã vai ser outro dia de cão, sem tempo para nada, o melhor, em dia assim, é mesmo não deixar acumular. Ninguém os pode ler por mim, isso já eu percebi faz tempo. E, portanto, fui lendo. E a sensação sempre muito esta: vai chegar a um ponto em que não vou ter saco para aguentar mais tanta coisa desta. Muitos são acertados, muito razoáveis, muitos inatacáveis. Mas outros... senhores... Erros ortográficos, disparates, coisas mal pensadas. A uns vou respondendo com dicas pedagógicas, a outros com perguntas para ver se, lendo-as, alguém se lembra de usar a cabeça mas, a outros, tenho que me forçar a recordar-me que não tenho patas pelo que não posso avançar à patada.


Mas a falta de nível que vejo em certas camadas hierárquicas profissionais -- quando tempos atrás parece que só lá via gente inteligente, culta, bem formada -- é uma constante e é transversal.  A nível da política internacional, então, é a derrocada. Há decadência que tem patine, charme, história. Mas há derrocadas que são disparatadas, ridículas, quase cómicas.

O caso das famosas crises de Jean Paul Juncker -- cujo caso mais recente pode ser observado no vídeo abaixo que é de antologia -- é apenas um exemplo.

A palhaçada que são as intervenções de Trump é outro. O que ele diz, as bacoradas, as ofensas, o avacalhamento que imprime ao que diz e faz, o que desdiz e desfaz, a ostensiva falta de cortesia e de boa educação são aviltantes.

Mas igualmente aviltante é a forma servil como muitos dos que são achincalhados depois ainda tentam fazer de conta que está tudo bem e aceitam deixar-se fotografar, a sorrir, junto à besta.

E é que é mesmo uma autêntica besta. A forma como se penteia, a forma como fala, a forma como anda, a forma como cumprimenta os outros é digna de comédia de 5ª categoria.

Agora está no Reino Unido e a forma como a besta se apresentou com a sua bela ao lado é de gargalhada. Devem ter dito ao casal que aquilo ali é uma monarquia, terra de princesas. E, então, vai ela, a Melania, e mascara-se de princesa. Vê-se e não se acredita. Só lhe falta uma tiara com brilhantes para o disfarce ser completo. E o Donald, orgulhoso do troféu, impante na sua poupa amarela a fazer pendant com o vestido pintainho da sua bonequinha, ali desfilou, sentindo-se vitorioso, como se com a sua conversa de jagunço vergasse a vetusta Europa.

Igualmente deprimente é a maluca da Theresa May. A mulher não atina.

Para começar, alguém lhe pôs um chip no braço e ela nem se lembrou que a coisa não passaria despercebida. Ali andou, mão na mão com o pato anormal, toda ela rindo e feliz da vida, como se o Trump não fosse perigoso, parvo e carregado de absurdo e como se aquela bolinha ali no braço não fosse o cúmulo do nonsense. Na volta foi levar a vacinha contra a febre amarela ou contra a bubónica e aquilo era um penso rápido.

Não há paciência.

E depois aquela maria-maluca tem a mania que é boa. Sempre teve e continua. A outra toda de princesa, de capinha feita manto, já a imaginar-se rainha, e ela de racha até às virilhas, o pernão todo ao léu, a rir, toda derretida.. Imagino a macacada que são as conversas entre estes parvalhões.

E pasme-se: é isto a fina flor da política a nível internacional, os grandes líderes das grandes superpotências mundiais.

Estamos bem, estamos.



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E, agora, se me permitem o convite,  queiram descer para verem como cambaleia, ri, vacila e quase tomba uma pessoa com uma valente crise de ciática (ciática de tipo alvoólica, diz-se). Juncker no seu melhor.

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Coitado do Juncker... Bebedeira...? Não, que ideia. Estava era mesmo aflito da ciática...
O que lhe valeu foi a mão que o nosso Costa lhe deu...
Veja aqui o vídeo. Hilariante


Estive todo o dia fora e sem ouvir notícias ou ver televisão. Só agora, tarde e más horas, ligámos a televisão. Estava a dar um breve resumo do dia. 

E, a terminar, estava eu meio distraída, ouvi a notícia de que aquilo do Juncker é que ele estava com uma crise de ciática. Mas já não vi as imagens. Estranhei. Que notícia mais inusitada. Pensei cá para mim: sim, sim, chama-lhe ciática. Depois ocorreu-me uma dúvida clínica: mas querem lá ver que o vinho agora prende o músculo ciático? 

Fui à procura no YouTube e apareceu-me outra notícia inesperada:

Juncker poisoned by US president Donald Trump. 


Uuupsss... Mas depois vi que talvez não. Transcrevo a legenda:
BREAKING NEWS: EU on the brink of war with the USA after US president Donald Trump has poisoned EU leader Jean Claude Juncker. According the European Commission this means war with the animals. It is not clear what poison the Donald used but rumors  have it that Juncker was "red wine" waterboarded??? In other words he is piss drunk. 12-July 2018.
Bem esteve o nosso António Costa a dar-lhe a mão, a dar-lhe o braço, sorrindo e tentando que ele avançasse pelo seu pé. Vi-o e deu-me vontade de rir. Imagino-o a rir à gargalhada a contar a cena ao Marcelo.

Aqui ao meu lado, ouvi: 'Estava cá com uma tosga...'

E assim vamos: a Comissão Europeia nas mãos de uma pessoa que padece desta boa maneira de ciática.

quinta-feira, julho 12, 2018

Vaginas com estilo




Pronto. Ninguém conseguiu descobrir a adivinha. Eu também não descobriria mas isso sou eu e eu sou eu e sou limitada -- e, ademais, desconhecedora da realidade alheia. Pelo menos, desta realidade alheia. Doutras ainda vá que não vá mas desta matéria, confesso, não sou conhecedora prática. Bronca, bronca. Bronquinha de todo. E da teoria fiquei a conhecer agora. Antes não fazia ideia. Mas, bolas, com tanto Leitor aí desse lado e nenhum foi capaz de descobrir...? E acham-se cultos e informados...? Está bem, está. 

Relembro a adivinha: 


Antes de dizer, contextualizo. Já se sabe que gosto de contextualizar. Ocorreu-me formular a pergunta depois de ter visto as imagens que ilustram os seis estilos possíveis.

E isto quando estava a ler um artigo onde se dizia que, para as mulheres, o sexo com outra mulher é, na maior parte das vezes, mais gratificante do que com homens.


Já agora, no inquérito realizado junto de 7.000 mulheres, em Junho, no Reino Unido, apurou-se que cerca de metade das mulheres entre os 25 e os 34 anos não apreciam a sua vida sexual. Curiosamente a percentagem reduziu-se para 29% entre as mulheres entre os 55 e os 64 anos. Comentava-se, no artigo, que o sexo melhora com a idade. Não é novidade mas é reconfortante vê-lo confirmado em números. Contra números não há conversa fiada.

Contudo, este estudo não segmentou as respondentes segundo a sua orientação sexual.

Em 2017, um estudo mais completo abrangeu 53.000 americanas e aqui concluíu-se que as lésbicas atingiam mais vezes o orgasmo do que as hetero: 86% versus 65%.

E isto verifica-se em todos os inquéritos. Quando se tenta perceber a razão, as justificações parecem óbvias: as mulheres conhecem melhor o seu corpo do que os homens (mas agora ressalvo eu: do que os homens pouco instruídos) e que, portanto, mais depressa sabem onde tocar e o que fazer.


E é no artigo onde li isto [Do lesbians have better sex than straight women? de Hannah Jane Parkinson no The Guardian] que, às tantas, ao recomendar-se que, para melhores resultados, cada mulher se conheça e se dê a conhecer, que o texto remete para um outro site.

O site é o de Betty Dodson, uma sexóloga que, para além do mais, é dada ao desenho e à pintura. O site é feito em conjunto com Carlin Ross e chama-se Betty Dodson with Carlin Ross e tem como 'slogan': Better Orgasms. Better World. Quem tenha problemas ou, simplesmente, tenha vontade de se instruir deverá consultá-lo.

E foi, justamente por estas bandas que fiquei a conhecer os diferentes tipos de que ontem vos falei.

Clássica
Gótica
Art-Déco ou Coração
Moderna

Barroca
Renascentista









Não é por nada mas cada um é como é. Não desfazendo, eu sou mais dada a tangos como estes que acima se dançam e, por isso, é assim que entro no dia de hoje. Como se sabe, é uma dança cá muito das minhas preferências. O meu par não me tira para dançar mas não faz mal. Pode ser que, um dia que a gente tenha tempo, o convença a ir comigo para uma escola de dança. Enquanto isso não acontece, vou ficcionando ou observando. Quem não tem cão, caça com gato. 

E haja saúde, alegria, amor, descaramento e, sempre que possível, algum glamour e charme à mistura.
E uma vida longa e feliz para todos os que por aqui me acompanham.

Um maluco numa quinta, um maluco com armadura, um maluco vestido de troféu, um cavalo que parece maluco e um primeiro ministro que é um pingo doce mas de maluco não tem nada.
[E uma ervilha doce a fazer strip -- para haver aqui alguma coisa séria]


Ainda antes de decidir se divulgo ou não o resultado da adivinha de ontem -- embora esteja mais inclinada para me vingar; não se admite que ninguém tenha adivinhado! -- e depois de já me ter arreliado com a peniquenta May com aquela chapeleta enfiada na cabeceta, vou aqui partilhar convosco as fotos de uns quantos bacanos.

É mais do que sabido: maçam-me os certinhos, os intelectualóides de pacotilha, as virgens ofendidas. Em podendo, sou mais dada à desbunda do que à moral de sacristia. Portanto, apesar de um dos que aqui mostro ser maluco encartado, um maluco fanático e perigoso, vou juntá-lo a dois maluquinhos inofensivos, a um cavalo que, com as cheias, foi parar a cima de um telhado e a um bacano que de maluco não tem nada e mais depressa dará com os outros em malucos do que ele dará sinal de algum dia na vida poder vir a pifar nem que apenas ao de leve.

Kim Jong-un inspects a farm

Wimbledon fan Chris Fava, dressed as the men’s singles trophy, poses for a photo with a London fire brigade officer on centre court on manic Monday

Artist and performer Abraham Poincheval wears a suit of armour as he walks through western France. He plans to walk 170km (106 miles) across Brittany dressed in the armour

A small horse is stranded on a rooftop after floodwaters subsided in the Mabicho district of Kurashiki, Japan.
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E, para ter aqui um breve apontamento cultural, coisa que não desmereça o espaço aqui neste lugar de cultura e sobriedade, junto a esta ajuizada galeria um número do mais fino recorte de classicismo musical. Não é uma performance recente mas o que é de qualidade não tem idade.


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[As imagens com legendas em inglês provêm do The Guardian e a do Costa Pingo-Doce foi oferta do Leitor E. a quem muito agradeço]

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E queiram continuar a descer caso queiram ver uma ganda maluca com um peniquinho no cocuruto.

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