Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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quinta-feira, abril 19, 2018

José Sócrates, José Gomes Ferreira, José Castelo Branco e mais uns quantos, Ventinhas incluído


Cheguei a casa tardíssimo. Um dia daqueles de que nem vale a pena falar. Mas ainda consegui ir à fisioterapia. Tenho que tentar fazer as sessões prescritas a ver se me ponho completamente boa para ter alta. Já estou muito melhor, nem se compara. Quase consigo abotoar o soutien atrás das costas. Durante meses, o supra-espinhoso não tinha a flexibilidade necessária para curvar o braço atrás das costas, para além de me doer à brava. Agora já pouco me dói e a mobilidade do braço, mesmo nas rotações interiores, já é outra loiça. Mas completamente boa ainda não estou e, não querendo ficar deficiente para o resto da vida, embora seja uma maçada ir enfiar-me ali ao fim do dia e estar naquilo durante mais de uma hora, forço-me a ir.

[Aliás: esqueçam que eu disse que estou melhor porque gabar-me de alguma coisa parece que atrai forças contrárias. Não disse nada. Não estou melhor. Noc-noc-noc, três vezes na madeira]

Bem. Onde é que eu ia?

Ah sim, já sei.

Não contando com o stress para conseguir raspar-me do escritório a horas razoáveis e das correrias no trânsito para lá chegar a horas, aquilo é bom. Estar ali deitadinha e tratamentozinhos e tal e coisa traz-me uma calma instantânea. O chato é chegar tão tarde a casa. Enfim.

No fim, já por volta das oito e meia da noite, lá fui pagar a sessão. Na recepção e sala de espera, uma grande televisão. Sócrates, claro. As pessoas ali todas a levarem com os interrogatórios, com as considerações dos jornalistas, a testemunharem a condenação de Sócrates na praça pública. Um homem dizia ao filho: 'Ninguém proibe isto?'. O filho, um jovem, encolhia os ombros. Um casal olhava e segredava um para o outro e era como se também encolhessem os ombros. Aos poucos as pessoas vão-se habituando a este regime fora-de-lei.

Quando cheguei a casa, ainda a reportagem decorria. Um maná.
A ver se a seguir vem uma Grande Reportagem sobre o Caso dos Submarinos. Ou sobre  Caso Tecnoforma. Isso é que era. Diz o meu marido
Bem. Adiante.

Depois de me ter despido, desmaquilhado, lavado e vestido uma roupa simples de trazer por casa, fomos jantar. Na televisão da copa, um grupo de sindicalistas, cada um de seu ramo (o Ralha do fisco, o Ventinhas dos magistrados, outro dos agentes de investigação e outro não me lembro de quê), reivindicava mais meios para poder fazer mais proezas como esta, do Caso Marquês. O meu marido disse: onde é que isto já vai. E eu pensei: amanhã ainda aqui temos a Avoila.

A seguir a coisa compôs-se ainda mais. José Gomes Ferreira -- num excitex, num pico de epifanias simultâneas, hipermotivado para varrer o adro a varapau -- já queria passar a pente fino todas as decisões dos governos Sócrates, todas, uma por uma. E, completamente desfocado, ou melhor, destravado, já queria inspeccionar de fio a pavio todos os contratos das parcerias público-privadas, já ajustava contas com toda aquela geração de políticos, empresários, gestores e tutti quanti. Valeu a intervenção de Cristina Ferreira, pouco isenta jornalista mas, ainda assim, já com idade para ter um mínimo de juízo, que, sem meias palavras e na prática, o mandou ir dar banho ao cão, lembrando que era melhor fechar os processos em curso antes de abrir novas frentes. Ele enfiou o barrete e disfarçou, dirigindo-se a outro. Logo depois elogiaram-se todos uns aos outros por terem feito tão bom trabalho, inspectores ventoinhas, jornalistas de aviário, tudo do bom e do melhor e que venham mais que isto é que é a democracia a funcionar. Para eles, a coisa está feita, os culpados condenados e o caso encerrado -- e eferreá-eferreá, alequi-alecuá, xiripitatatatá.

Referência ao facto de ali estarem a participar numa farsa e numa ilegalidade, está quieto. Reflexões sérias é coisa que não lhes assiste.

O que me valeu foi que, entretanto, adormeci. Mas foi sol de pouca dura, nem deu para sonhar.

Vi os mails, trouxe para aqui a opinião informada do P. Rufino. E voltei a adormecer.

Agora aqui estou, pobre de mim, tentando acordar para ver se consigo chegar à cama. Mas gostava de ir com uma coisa boa em mente para ter bons sonhos senão ainda corro o risco de ter um pesadelo com o justiceiro José Gomes Ferreira ou com o Ventinhas.

Portanto, com vossa licença, um vídeo que não tem nada a ver. Mete segredo de justiça e outras cenas mas é pura coincidência.



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As imagens que mostram como o que se vê nem sempre é o que se vê provêm do Bored Panda e, como é bom de ver, também nada a ver.

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Sócrates, os interrogatórios e as imagens que a SIC está a transmitir
--- A palavra ao Leitor P. Rufino ---


Na sequência do que ontem escrevi sobre o julgamento popular que a SIC está a levar a cabo (só com acusação e sem direito a contraditório), do Leitor P. Rufino, que sabe bem do que fala, recebi o mail que, com a sua permissão, aqui transcrevo.

As imagens que a SIC transmitiu, relativas ao interrogatório de José Sócrates, são de uma gravidade sem precedentes. Nos termos da Lei Processual Penal em vigor, como aliás é referido num dos Artigos invocados. Mas, há algo de obsceno nisto tudo na medida em que será fácil saber quem foi o autor de semelhante e flagrante ilegalidade, já que, quem está presente nesses interrogatórios, na sala, para além do arguido e o Procurador, estão ainda, sem poderem intervir, os dois advogados de JS. E ainda está presente um oficial de diligências para ir tomando nota das declarações. Por conseguinte, como não passa na cabeça de ninguém ser o próprio JS, nem tão pouco os seus advogados, só pode ter sido o próprio Procurador Rosário Teixeira, ou então o oficial de diligências. A não ser que tenha sucedido algo de rocambolesco, como por exemplo alguém daquele Tribunal ter colocado uma câmara de filmar na sala, antes do interrogatório se ter iniciado e sem ninguém ter dado conta (com vista a posteriormente vender esse filme à SIC). Acho demasiado inverosímil, mas quem sabe! Neste processo já tenho visto tanta violação de procedimentos processuais penais e de práticas de Justiça que já nada me espanta – a “bem” de uma boa “cacha” televisiva, ou num qualquer pasquim.

Registo igualmente a inqualificável atitude daqueles dois jornalistas de se terem prestado a um serviço daqueles. Mandaria a ética profissional que não se tivessem disponibilizado para semelhante imundice jornalística. Mas, manda quem pode e obedece quem não tem espinha dorsal.

A Justiça está totalmente desprestigiada neste país. Um arguido – que, convém sublinhar e lembrar, ainda não foi condenado e, nesse sentido, tem o direito à presunção de inocência – não deve ser tratado desta forma, quer pelos Tribunais, quer pelos “média”. Num Estado de Direito há regras claras para a Justiça e para a liberdade de imprensa/de informar. Mas, não parece ser o caso no nosso patético país.

Já se percebeu, suficientemente bem, que o Ministério Público – que hoje é cada vez mais uma entidade sinistra e “justiceira” – tudo está a fazer, apoiando-se na imprensa (venal) que por aí se vê, para pressionar o colectivo de juízes que irá julgar José Sócrates no âmbito do processo Operação Marquês e, deste modo, obter umas tantas condenações. Ou seja, não deixar espaço ao colectivo quando tiver de decidir. E de facto, com tanta publicidade à volta do caso, um desfecho mais favorável ao ex-PM, por exemplo, desacreditaria a Justiça e os juízes, perante a opinião pública – que já condenou, antecipadamente, José Sócrates. Não vejo outra explicação para este tipo de atitudes com as de ontem na SIC e antes em diversos meios de comunicação social, senão o de querer colocar pressão no tribunal que irá julgar o processo Operação Marquês e José Sócrates. 

Uma vergonha, do ponto de vista judicial! 


PS: Acrescentaria ainda que aquelas imagens que foram ilegalmente captadas e divulgadas nem sequer podem ser usadas validamente em Tribunal para condenar quem quer que seja. É da Lei Processual Penal.

Quanto à SIC, deveria perder a licença. Espero que a revoguem. Tratou-se de um acto de apedrejamento judicial público.

quarta-feira, abril 18, 2018

Sócrates e os vergonhosos julgamentos na praça pública (agora no pelourinho da SIC)


Vejo com estupefacção os vídeos dos interrogatórios a que Sócrates, Ricardo Salgado, Zeinal Bava, Granadeiro, Bataglia e outros foram sujeitos no âmbito do Caso Marquês. Supostamente as gravações seriam feitas para apoio não sei a quê -- e espero que os arguidos tivessem sido informados de que as gravações estavam a acontecer -- e não para ser passadas em horário nobre numa televisão generalista.

E, no entanto, imagens colhidas e armazenadas à guarda da Justiça foram parar à SIC e são agora pasto atirado para a praça pública.

Tal o estado de bandalheira a que a Justiça chegou em Portugal que isto já se faz a céu aberto, sem receio das consequências.

Estamos a falar de pessoas que ainda não foram julgadas, muito menos condenadas. Até prova em contrário são inocentes.

E, no entanto, sem rebuço, a equipa de algozes da SIC dá-se ao desfrute de os expor em momentos melindrosos da sua vida.

Pensei: mas será que, lá por o processo já não estar em segredo de justiça, já é material que por aí ande a pontapé?

Pois bem: não. Leio agora que
"Embora o processo em causa já não se encontre em Segredo de Justiça, a divulgação destes registos está proibida, nos termos do art.º 88º n.º 2 do Código de Processo Penal, incorrendo, quem assim proceder, num crime de desobediência (artigo 348.º do Código Penal)", refere o Ministério Público numa resposta a uma questão da Lusa.
O Ministério Público acrescentou que instaurou um inquérito para "investigar os referidos factos".
Espantoso. Apesar da divulgação estar proibida, a SIC fá-lo na maior descontracção. Mais: faz disso um festival. Um julgamento, sem contraditório, na praça pública.

Ouço os jornalistas e comentadores falarem com assertividade e certeza no dinheiro que, segundo eles, era de Sócrates, de luvas recebidas, etc. Não têm dúvidas nem precisam que os tribunais se pronunciem. Quem os ouça, diria que Sócrates já foi condenado em última instância de todos os crimes que é acusado. E, no entanto, o julgamento (nos tribunais) nem sequer começou.

Uma vergonha, isto, num Estado democrático e que deveria ser um Estado de direito.

Poderia ainda referir as imagens dos interrogatórios a Sócrates: os inquiridores falam em suposições e, do que vi, nunca em factos concretos que incriminem Sócrates. E, do que vejo, Sócrates indignado  e furibundo, mostrando a sua revolta por não haver factos ou pelas acusações não fazerem qualquer sentido. E já por ali anda tudo misturado: a gestão do BES, as relações entre Salgado, o Granadeiro e Bava. Como se tudo fosse uma gigantesca cabala para beneficiar Sócrates. Como numa telenovela em que afinal uma que se supunha mera figurante ser, afinal, mãe da rapariga e outra ser, afinal sua irmã e o pai ser quem menos se suspeitava. Todos relacionados com todos, num argumento fantasioso e improvável. Só que estamos perante pessoas que ali expõem a sua vida real e não personagens de novela.
E, vendo o que vejo, só penso nisto: qualquer pessoa que caia nas malhas de uma Justiça destas está feita para o resto da vida. Mesmo que venha a provar-se ser inocente, terá gasto anos da sua vida a ser trucidado e humilhado na praça pública -- e isso nunca nada apagará. E toda a sua família terá sofrido os horrores da infâmia e da vergonha. Uma pessoa que caia num tal rede de suposições passa a ser uma vítima, uma vítima indefesa.
Mas a reportagem está urdida, na verdade, como uma novela: depois de vermos a revolta de Sócrates perante acusações que parecem infundadas, a SIC mostra gravações de conversas telefónicas e mostram-nos enredos laterais e ficam dúvidas e suspeitas no ar.

Agora, enquanto escrevo, na SIC Notícias falam jornalistas que parecem estar na qualidade de jurados mas, na verdade, assumindo a posição de acusadores. Apenas uma das presentes se distancia. Salvo ela, todos falam na fragilidade da acusação, na ausência de provas e tal e tal... mas, na maior leviandade, continuam em frente, passando por cima de pruridos e dando por provadas as acusações. A expressão facial, o tom de voz é o de acusadores saciados. Nota-se que se sentem heróis: derrotaram Sócrates, o 'animal feroz'. Imagino-os, a estes pequenos jornalistas', saindo do estúdio felizes consigo próprios e pensando: fez-se justiça, Sócrates está crucificado

Um dos pilares essenciais de uma vida saudável em liberdade e democracia é o do direito a uma justiça isenta. Contudo, com o maior dos desplantes, a SIC, qual Correio da Manha, passa por cima de todos os direitos de qualquer cidadão e assume o papel de acusador, fazendo um julgamento público sem direito a argumentação por parte da defesa.

E eu o que tenho a dizer a isto é que o que se está a passar é uma vergonha e apenas lamento que os orgãos judiciais do meu país assistam passivamente a isto sem o impedirem, sem agirem como deveriam fazê-lo. Uma vergonha a todos os títulos - para a comunicação social, para a justiça.

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De resto. Puxo pelos meus fracos galões e permito-me dizer: dizem os outros e dizem os assessments a que tenho sido sujeita que não sou burra. Acresce a minha formação académica e a minha experiência profissional (pelo menos, parte dela). A lógica, a análise científica de hipóteses, a construção de modelos e a validação da sua aderência à realidade faz parte do que estudei e pratiquei. 

E é assente nestes alicerces que continuo a dizer: não tenho provas de que Sócrates seja culpado de corrupção. Também não sei se é inocente e espero que sejam os tribunais a decidi-lo. Mas, até prova em contrário, qualquer pessoa é inocente e como tal deve ser tratada. Suposições não são provas. Nunca na vida, em circunstância alguma, dou por certos raciocínios baseados em hipóteses não comprovadas. 
Posso desenhar raciocínios com base em intuições mas, atenção, a intuição não é divinação à toa mas, sim, um atalho nas deduções, chegando, a partir de sinais, à conclusão. 
Ora, neste caso, o que digo desde o primeiro dia é que, das suposições que ouço, nada concluo. Tanto podem fazer sentido como não. Inclino-me mais para que sejam delirantes e sem uma única prova que as suporte, apenas suposições cruzadas ou derivações umas das outras. Mas não sei. Para isso existem os tribunais.

Contudo, aqui ou ali há aspectos desconcertantes que me levam a admitir que, no meio dos mil tiros que a acusação atirou para o ar, alguns possam acertar em alguma coisa, quiçá até num prato que esteja de passagem. Mas isso se verá -- no julgamento (nos tribunais e não na praça pública, repito)

Posso ainda dizer que me deixa desconfortável a ideia de que Sócrates usava tanto dinheiro emprestado e que o pedia com tanto à vontade. Isso não encaixa na linha de conduta que gosto de ver em pessoas que respeito. No meio de mil suposições e acusações, isso é verdadeiramente o que a mim mais me incomoda. Mas, se for só isso, pode ser eticamente questionável mas crime não é.

Mais: tenho que dizer que conheço outros casos assim. Ainda há pouco, ao telefone com uma pessoa, referi casos que ambos conhecemos em que pelo menos duas pessoas e respectivas famílias viajam como nababos, passam férias como sultões e seguramente recebem empréstimos avultados de um amigo rico. E não sei, mas juraria, que não há cá contabilidades nenhumas entre eles. Portanto, sei que há casos assim e onde não há corrupção ou coisas estranhas nenhumas pelo meio: há apenas uma pessoa muito rica que gosta de fazer agrados aos amigos e amigos que não se importam de receber agrados, vivendo uma vida tão faustosa como o amigo que lhes paga todas essas mordomias. 

E do que sei isto passa-se por uma razão simples: o muito rico, se não fizer isto, acabaria por não poder conviver com os seus amigos já que eles não têm como partilhar despesas.

Portanto, dizer o quê sobre este aspecto em particular? Não digo nada.

De resto, e quanto a tudo o mais, o que digo é que a Justiça em Portugal tem mostrado ser uma perigosa anedota. E que é bom que deixe de o ser.

A inquisição já devia ser coisa do passado. 
Apedrejar pessoas até à morte é hábito que também não deveríamos querer importar.

Consta que, sempre, a turbamulta gostou de ver sacrificar até à morte aqueles que caem nas malhas das suposições; mas, enfim, gostaria de acreditar que, por cá, a turba já adquiriu alguns bons hábitos civilizacionais como, por exemplo, o de não praticar justiça popular. Mas não sei. A psicologia de massas explica muita irracionalidade e muitos crimes têm sido, ao longo dos tempos, cometidos em nome dos melhores propósitos. 

Portanto, que o Estado de Direito funcione é o que se espera. 

E Marcelo, sempre tão lesto a comentar tudo e mais alguma coisa e dar lições a propósito de qualquer pequeno evento, deveria agora chegar-se à frente e exercer o seu poder de influência junto das instâncias judiciais e, estando-se em domínios que são os seus, ter um papel pedagógico junto da opinião pública. Não pode nem deve ficar calado perante esta vergonha pública.

terça-feira, abril 17, 2018

Marcelo, um pinto calçudo no meio da realeza espanhola
Uma reportagem fotográfica da UJM, enviada especial ao serviço da ¡HOLA!


Bem. Estava eu a ir de carro quando ouço alguém a falar espanhol com um sotaque macarrónico. Apurei o ouvido. O converseio e a voz eram-me familiares. Pensei: 'Mas querem lá ver que agora já por aí anda a discursar em espanhol?' Exacto. Era mesmo. O nosso incontornável Marcelo estava a dar uma aula numa universidade em Madrid. Louvava a geringonça com todo o salero de que era capaz e com um à vontade de quem estava em casa. Pimbas. Espanha já no bolso.

E que à noite ia jantar com os reis, dizia o repórter. 

À vinda, ouço as notícias das oito. O Marcelo já estava no banquete.

Curiosa para ver a cena, fui ao site da ¡HOLA! e, olé!, já lá estavam. Marcelo como se, de novo, também em casa a distribuir charme. Dona Letizia, como sempre, apenas esboçando um ar de simpatia não vá o sorriso causar-lhe alguma indesejada ruga, e firme e hirta, o garfo ainda entalado no gasganete. Dom Filipe igual a si próprio, esfíngico, simpático e nulo.

Mas o que me chamou a atenção foi que alguém emprestou a farpela ao nosso Marcelo e ninguém se deu ao trabalho de ajustar as peças ao recheio. Calças largueironas e a cairem-lhes aos folhos pelos artelhos abaixo. Lá está. Em linha com o que dizia há pouco, se isto fosse festa de pobrezinhos, não faltaria quem lhe alinhavasse uma bainha, quem o fizesse andar para ver como ficava, etc, ninguém querendo que o pobre coitado fosse fazer má figura. Assim, toda a gente caguou para o pormenor (calma: não disse nenhuma grosseria, fui fina no trato, disse caguou): vai com as calças de rojo e vai fantástico.


A fralda também demasiado de fora mas, enfim, por um ou dois dedos a mais também não vou fazer caso. Agora as calças, senhores, no mínimo um número acima na barriga e um palmo a mais no tamanho.

Consta que a tiara da Rainha também é especial, um tal Diadema de Cartier. Coisa quase a roubar a atenção do arejamento que o vestido apresenta nas cavas.

Ana Pastor, então, foi mais longe e arejou os bracitos todos. Pelo ar da guapa señorita, o malandreco do Marcelo devia estar a dizer-lhe um piropo, deixando os senhores da direita da foto a fofocarem, meio incrédulos.


Pelo contrário, a senhora que ia com Mariano Rajoy (e que não creio ser a mulher mas, talvez, a sogra) vai bem agasalhada. Não se esmerou foi muito no penteado que aquilo mais parece o carrapito de uma minhota que se penteou à pressa, com um gancho de cada lado.


Quem avançou formosa e segura foi a Tejerina, mais concretamente Isabel García Tejerina, ministra da agricultura e das pescas. É ver o olharzinho encantado do nosso ministro Augusto Santos Silva, olhando a forma sinuosa do corpinho deslizando pela passadeira, todo ele com um sorrisinho de quem está a ensaiar uma boquinha filosófica para se armar ao pingarelho na primeira oportunidade.

E quem me parece ver ali com um traje meio estranho, saia justa em beige e camisa de renda preta com o cinto caído saia abaixo é a Teresa Leal ao Coelho, talvez na qualidade de Embaixatriz já que me parece ver a cara redonda do Embaixador a assomar por detrás da paisagem.


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E, dado o adiantado da hora, me quedo por aquí. As fotos são, como referi, da ¡HOLA!

Amanhã, com vossa licença, falo sobre a reportagem relativa ao Caso Sócrates. Não falei hoje porque quero deixar assentar. Prefiro servir a coisa depois de a ter assimilado, destilado, processado, whatever.  

E queiram continuar a descer que, já a seguir, tenho um grande texto sobre a Síria que vivamente recomendo. Não foi escrito por mim mas tenho pena: enviou-mo Leitor amigo que sabe da coisa.

Logo a seguir, tenho umas certas e determinadas Divinas, coisa com alguma transcendência.

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A questão Síria
-- a palavra a um Leitor que sabe do que fala --


A questão Síria e, nesse sentido, dos recentes ataques levados a cabo pelos EUA (como o apoio dos seus caniches europeus, como o R.U. e a França) explica-se de uma forma muito simples. Tem a ver com o projecto do gasoduto do Qatar, que quer os EUA, quer a UE, desejam, desde há algum tempo a esta parte, e que se estenderia dali até à Europa, passando entre outros países pela Turquia e…precisamente, também e sobretudo pela Síria. Os EUA, com o apoio subserviente dos seus aliados europeus actuaram mal, logo no início, ao tentarem pressionar o regime de Bashar al-Assad a aceitar a passagem desse gasoduto. Como Assad se negava a deixar passar esse pipeline pelo seu país, Washington passou a destabilizar o seu regime, desacreditando-o politica, diplomática e economicamente.

Uma das formas tentadas foi fazer crer que a Síria não só possuía armas químicas, como as utilizava contra o seu povo.

Já em 2007, 2008 e 2009 a Organização para a Proibição das Armas Químicas – OPAQ - discutia a questão Síria quanto às armas químicas. Nessa altura, conseguiu-se um compromisso do governo sírio, já com Assad no poder, para que desmantelasse os seus depósitos de armas químicas. Os sírios receavam sobretudo Israel, que possuía armas químicas e nucleares, mas que não as declaravam à OPAQ, porque, por sua vez, receavam a Síria e o Irão (que tinha deixado de as possuir, embora Telavive mantivesse reservas quanto a essa versão – que veio a provar-se ser verdadeira). O Irão deixara de as possuir. Recorde-se que o Irão foi vítima de um ataque de armas químicas perpetuado pelo Iraque, durante a guerra em que se envolveram. E quem apoiava o Iraque de Saddam Hussein, na posse de armas químicas, contra o Irão? Os EUA! Washington, por exemplo, nunca pressionou Israel a desembaraçar-se daquelas armas - químicas e nucleares. E os próprios EUA e a Rússia, nessa altura, possuíam ainda um enorme arsenal de armas químicas que iam destruindo progressivamente, acção essa supervisionada – parcialmente – pelos inspectores da OPAQ.

Ora, a Síria já nessa altura estava num processo de se ver livre dessas armas químicas. Estamos a falar de 2008, ou seja, de há uns 10 anos atrás.

Todavia, com a destabilização da Síria um par de anos depois, o governo de Assad passou a ter um menor controlo dessas armas químicas que acabaram parte delas em mãos estranhas, como os terroristas islâmicos, a CIA, opositores do regime de Assad, etc.

Entretanto, a destabilização da Síria foi levada ao extremo pelos EUA, após o regime de Assad manter a sua postura de não autorizar a passagem do dito gasoduto. A ideia do gasoduto do Qatar tem a ver com a redução da dependência da Europa do Gás proveniente da Rússia. Mas, Assad compreendeu que o passo seguinte depois de autorizar essa passagem seria a sua destituição e colocação em Damasco de uma marionete dos EUA, que naturalmente, permitiria, a troco de uns tantos milhões de USD, que o negócio viesse a cair nas mãos das grandes multinacionais ligadas ao petróleo e à exploração do gás, naquela região.

Para além de vir a perder o apoio político que recebia de Moscovo. Na altura esse apoio era ainda e apenas político (e de algum modo económico, através de alguns acordos bilaterais).

Após Obama ter decidido começar a retirar as suas forças armadas da região, onde se incluía a Síria, depois de alguns ataques aéreos dirigidos às bases do ISIS, Assad, que nunca confiou nos EUA e sabia que um próximo Presidente poderia vir a ter uma opinião diferente da de Obama, aprofundou os laços com Moscovo, que incluíam uma estreita cooperação militar. Como sucede até hoje (desde há cerca de 3 anos).

A Síria é xiita (como o Irão), ao contrário da Arábia Saudita, sunita, e nesse sentido muito mais liberal nos seus costumes. As mulheres não são obrigadas a andar de véu (hijab), têm uma maior liberdade no que respeita ao seu vestuário, podem conduzir, dirigir empresas, etc. Em comparação com o Irão, igualmente xiita, as mulheres gozam de uma maior liberdade na sua forma de estar e actuar na sociedade síria do que no Irão, igualmente xiita. Já na Arábia Saudita o cenário é radicalmente diferente, como se sabe. Este último é um regime reaccionário, ultra-conservador, fundamentalista, intolerante do ponto de vista religioso e absolutamente anti-democrático. E, como se não bastasse, Riad é o maior financiador dos diversos grupos terroristas islâmicos. Todavia, os EUA e alguns países europeus, como o RU e a França, mantêm bons e rentáveis negócios com o regime inqualificável de Riad, sobretudo no que respeita à venda de armamento (a Arábia Saudita é o principal importador de armamento do R.U e os EUA o maior exportador para Riad, desde armas, a equipamento militar, aviões, etc) e do petróleo.

Os sauditas, por incrível que possa ser, são também aliados de Israel (com o apoio dos EUA) naquela região do Golfo, pois partilham os mesmos inimigos: a Síria e o Irão.

Assim e deste modo, havia que criar um conflito artificial na Síria, como sucede desde há uns 7 anos e picos. E pouco importa (aos EUA e europeus) que o resultado seja aquele que é conhecido, por outras palavras, que as principal vítimas desse conflito sejam os civis, entre crianças, mulheres, idosos, etc. Para além da economia (gado, terras, indústrias, enfim todo um tecido económico de um país e a consequente ruína financeira), Washington tem-se empenhado desde então, na destabilização da Síria com acusações diversas ao regime de Assad, que estando longe de ser recomendável, está a anos-luz do da Arábia Saudita, por exemplo.

Os alegados ataques de armas químicas de que se fala e levou à justificação dos ataques recentes dos EUA deveriam ter sido inspeccionados pela OPAQ, com inspectores independentes, nomeados por aquela Organização e depois de devidamente autorizados pelos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU. E ali, uma vez se concluísse existirem provas irrefutáveis de que a agressão fora levada a cabo, com a conivência de Assad, então sim actuar-se-ia em conformidade.

Mas, como sabemos, não foi isso que se passou. Os EUA, a França e o Reino Unido agiram sem um mandato das N.U e do seu Conselho de Segurança e nesse sentido actuaram à revelia do Direito Internacional. Como já tinha sucedido anteriormente.

As Nações Unidas hoje em dia estão desacreditadas. Pelo facto de 3 membros permanentes do Conselho de Segurança - EUA, França e R.U - agirem contornando-a e ignorando-a, e por Israel não respeitar nenhuma decisão das N.U, no que respeita às agressões que pratica na Palestina.

Em resumo, tudo isto não passa de um cenário bem montado, com fins propagandísticos. Fez-se uma manipulação dos factos e dos acontecimentos. A arte de bem enganar e ludibriar as pessoas e a verdade é hoje em dia uma das mais relevantes armas políticas das potências mundiais.

Por fim, este recente ataque à Síria teve também um segundo propósito: o de tentar intimidar Moscovo. Porém, tendo em conta a diminuta proporção daquele ataque, ao que se foi sabendo, é caso para nos perguntarmos, quem temia quem. Na verdade, a contenção do ataque acaba por revelar as muitas cautelas que quer Washington, quer os seus aliados europeus têm hoje para coma Rússia.

Como dizia e muito bem no seu Post, já somos suficientemente crescidos para nos deixarmos enganar e ludibriar.

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Este texto foi-me enviado por Leitor a quem muito agradeço

Divinas


No outro dia, quando vínhamos a sair da praia, passámos por uma rua pejada de gente a caminho dela. Novos, velhos, crianças, todas as raças. Um verdadeiro desfile. Estava estupefacta com o que por ali passava naquele verdadeiro sambódromo. Nem quero aqui descrever com pormenor para não parecer mais elitista do que, na volta, se calhar, sou mesmo. Mas era com cada gorda mais matrafona, banha ao léu, tatuadas, rebolonas, descaradonas, umas com ar quase avacalhado, outras com ar bem vivido mas de saia curta ou legging, rabo de cavalo -- nem sei, um despropósito. Até uma idosa numa cadeira de rodas estava pintada e repintada, com um lenço ao pescoço cheio de brilhantes. E homens pintarolas, penteados mais do que suburbanos, vestimentas abaixo de vulgares, sapatos e tatuagens às cores. E tudo falando alto, chamando uns pelos outros, um carnaval.

Espantada, perguntei em voz baixa para quem seguia ao meu lado: 'Mas que gente é esta, senhores?'. Parecia uma cena a la Fellini. Juro. Responderam-me: 'É o povo'. Fiquei a pensar. Acrescentaram: 'Tu é que não estás habituada a andar no meio do povo'. Pois, na volta é isso.

Pensei cá para mim aquilo que tantas vezes se diz: 'Os ricos não comem nada de jeito, não sabem cozinhar e as empregadas não estão para se maçar a alimentá-los, por isso são magros que nem cães esgalgados. E são sovinas, não gastam um cêntimo mal gasto. Se nem em comida, quanto mais no resto. Qual nails, qual cabelo às cores, qual modelito,  qual ténis de marca, qual jeans esfiapados de origem (só se já estiverem mesmo rotos de podres que estão). Nem força têm para falar alto, quanto mais para rirem à gargalhada. Os pobrezinhos, não. Os pobrezinhos comem que se desunham, por isso andam sempre bem nutridos, sobra-lhes calorias para rirem a bom rir, e não deixam passar uma moda em vão, todos sempre na ponta da unha'

Mas pronto, não me alongo senão os mais puritanos, os que só engolem papinha politicamente correcta, ficam indignados com esta minha desbocadice.

De resto, só me lembrei de falar nisto ao ver o vídeo que o meu amiguinho algoritmo do YouTube tinha aqui para ver se me tira do sério. Não tira. Veja eu o que vir mantenho-me na minha, não desço do chinelo, não desço, não desço, não desço.

Divinas


Um vídeo de Vitoria de Mello Franco


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segunda-feira, abril 16, 2018

Lisboa, a bela, com espelhos, árvores, gentes e pássaros





À noite afasto-me de guerras encenadas sobre cidades destruídas. A minha capacidade de ouvir comentadores falando sobre meias-verdades ou sobre suposições mal fundamentadas está no limite. Expliquei no post abaixo porque não falo nestes ataques dos 'aliados' sobre a Síria. Mas não falo só porque não sei mas porque há nisto muito ruído e eu não gosto de juntar a minha voz desinformada ao ruído de tanta gente que opina sobre tudo e sobre nada. Muito menos consigo ouvir falar de futebol. Um horror, isto, tantos homens maçadores a falarem de futebol, um enjoo, uma saturação. Ou sobre disputas verbais com pés de barro desenvolvidas apenas para eleitor ver, também não consigo. Catarina Martins, Mariana Mortágua, Daniel Oliveira ou outros que tais parecem-me, agora, quase infantis na defesa acrítica de argumentos atirados para a praça pública pela imprensa desqualificada ou por uma oposição anémica. Nisto, o PCP tem mais noção do rigor mas, deus meu, continua preso a uma agenda sindicalista enraizada num tempo que já era. Passo. E, no meio da encenação que por aí vai com os que estão à esquerda do PS a tentarem arranjar casos para fazerem ouvir a sua voz a fim de conseguirem mobilizar a malta para o 25 de Abril que aí está, aparece-me o Marcelo -- que vai tentando alisar o tom das pseudo-discussões -- e, de cada vez, de seu sítio. Ora fala a partir de França, ora do Egipto, ora a partir de Madrid. Uma loucura.


Como falei no post ainda mais abaixo, de tarde estive em casa dos meus pais com parte da descendência, entre lanchinhos bons, flores e limões. Tarde boa. 

Mas, antes, a manhã foi de passeio. Passear sem propósito, deambular, flâner

Lisboa, a bela, belíssima. 

E eu sempre fotografando, sempre olhando a perspectiva florida (e colorida) das coisas. Engraçado como, perante um qualquer espaço, o meu olhar é sempre primeiramente atraído para o que se sobrepõe, para as camadas de vida e de realidade, contrastes, perspectivas pouco óbvias -- e, nesse permanente espírito de rêverie, passo, por vezes, ao lado da realidade mais banal.
Acontece-me andar nisto e ficar, depois, surpreendida quando me chamam a atenção para 'coisas' incontornáveis que toda a gente viu (menos eu).
É que o que eu vejo é aquilo para que os meus olhos são atraídos. Beleza, leveza, intemporalidade. 


Podem ser árvores que parecem filigrana branca, outras floridas, graciosas, em frente de um edifício moderno, espelhado. A elegância da natureza em harmonia com a elegância da arquitectura moderna.


Pode ser a leveza da água saltitando sobre os degraus forrados a azulejo de um fontanário moderno conjugada com a leveza dos ramos de uma árvore grande e muito bela.


Podem ser os verdes e os cinzas de árvores quase etéreas flutuando no espaço em frente do alto edifício feito de transparências azuis. 

Tudo isso me atrai, me encanta, me emociona. Quero gravar na memória o que os meus olhos vêem. Ando devagar, olhando em volta, descobrindo o que já vi mil vezes. Tudo novo, lindo como nunca antes vira. Tenho talvez cinco anos, talvez dez, e estou a descobrir um mundo maravilhoso. Vou de mão dada, olhando para cima, para o vasto e belo mundo que me rodeia. 

Depois vou para a beira do rio. Olhar as águas sereníssimas, olhar com vagar, com deleite. Olhar e pensar em coisas boas, olhar, apenas olhar e sentir.

Um olhar de bicho. 

Olhar como o pássaro que medita e respira a plenos pulmões no meio das águas, penas ao vento, coração ao alto.


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Porque é que não digo nada sobe o ataque dos 3 estarolas à Síria em resposta a um ataque com armas químicas e mais não sei o quê com a Rússia à mistura....?
Eu explico.


The Bathers -- Ahmad Nashaat Alzuaby,1964

Não gosto de falar sobre o que não sei. E a verdade, verdadinha, é que não percebo boi do que se passa na Síria. Só sei que o que lá se passa não é coisa boa, nada, nada boa. Melhor: uma desgraça de todo o tamanho e, pior, sem contornos. Se quisesse remeter-me para o léxico topológico nem saberia enquadrar o que lá se passa, na melhor hipótese diria que se trata de um qualquer espaço homeomórfico que se transmuta consoante quem o olha.

Do nada que sei, não consigo apontar um dedo convicto ao suposto facínora Bashar al-Assad como sendo o único mau da fita tal como não consigo fazê-lo em relação a qualquer um dos outros, terroristas, extremistas, aliados ou bandidos.

Mas uma coisa eu sei e tem a ver comigo: não embarco no que me dizem quando a coisa não é óbvia e quando não têm provas para mostrar (excepto se for gente credível a toda a prova -- o que, convenhamos, está longe de ser o caso). 
Uns quantos resolveram atacar um país e fizeram-no por sua alta recriação; acontece que, ainda por cima, se trata de gente de índole mais do que duvidosa, gente doida, gente parva, gente a quem não se conhecem grandes escrúpulos, -- e isso a mim não me inspira qualquer confiança. 
O espaço político (ou palco de guerra, como se diz) é mais do que conturbado e de lá nunca a informação nos chega escorreita; do palhaço do Trump já mais do que conhecemos do que a casa gasta; sobre o Reino Unido sabemos também bem como aquela tropa anda a deitar a mão a qualquer farsa para afastar o mau olhado do Brexit e a baixíssima popularidade da desajeitada May. Portanto, desculpem mas não vou na cantiga disto de ter sido uma boa coisa terem atacado o arsenal químico da Síria. E não vou por todos os motivos e mais um, sendo que esse um é que podem ter atacado muita coisa mas um arsenal químico não atacaram de certezinha absoluta. Não sou a única a dizê-lo e estou bem acompanhada nisso: não apenas o Pata Negra como várias testemunhas, cientistas e vozes informadas.
Horse market, Syria -- Alberto Pasini, 1893

Portanto, havendo na minha mente a dúvida não esclarecida sobre se este ataque tem alguma coisa a ver com alguma coisa do que é dita ou se é mais uma patranha como a das armas de destruição maciça que justificaram a invasão do Iraque -- e, nessa altura, também com meio mundo a acreditar nos aldrabões que se juntaram nas Lajes pela mão do faxineiro Durão Barroso -- deixo-me ficar calada. Que fale quem souber do que fala.

Outra coisa que eu também não percebo bem é que ideia é a do Macron para meter a França nisto, ao lado do anormal do Trump e do caso-perdido da May. Mas, enfim, nestes tabuleiros tudo se joga e, portanto, alguma é -- e, provavelmente, não é boa.
[Nem por coincidência acabei de receber, por mail, um vídeo desmontando imagens e notícias, tentando demonstrar a manipulação pegada que dali nos chega. Mas como também não sei se é verdade ou não, agradeço a quem mo enviou mas, por via das dúvidas, não o mostro].
No meio disto tudo o que lamento, mas lamento de coração, é a destruição de tantas vidas e de tantas cidades. Houvesse maneira segura de interromper este ciclo de loucura e restaurar uma vida digna e feliz naquele país e era isso que eu apoiaria. Agora isto...?

Syria — Ruins by the Sea
Frederic Edwin Church, 1873/1874

domingo, abril 15, 2018

Domingo com cores e flores





Estava chuvoso pelo que, ao contrário do que é habitual, ficámos o tempo quase todo dentro de casa. Mas, num bocadinho, antes de nos virmos embora, fomos ao jardim para apanharmos alguns limões.

A minha mãe está toda orgulhosa com as suas flores. A sardinheira está com flores que quase parecem amores-perfeitos. Outro vasinho tem umas florzinhas que parece que têm uns chapelinhos. Estas nunca tinha visto. Diz que o vaso estava lá ao fundo num canto mais sombrio, nem se dava por ela, nem, à falta de sol, ela medrava.


As outras são mais normais mas está um canteiro todo preenchido e o tom alaranjado enche o jardim de alegria. Como a relva estava toda molhada não pusémos o bebé a andar lá pois, volta e meia, ainda cai e ficaria todo molhado. Ela andou a encavalitar-se e a pendurar-se de cabeça para aixo no limoeiro e o irmão chamou-lhe macaquinho de gibraltar. E ele fez das suas maluquices e a bisavó, depois de eles saírem, disse que o pai dele, com aquela idade, também era assim, irrequieto e destravado até dizer chega, que chegava a ter medo de ficar a tomar conta deles pelo que ele fazia. 

Depois, saíram à pressa para ir ver o jogo do Benfica, levaram o bolo de chocolate que a minha mãe fez e mais crepes e coisas assim. Eu também trouxe alguns crepes. E a minha mãe ficou com o que sobrou do pão de água, pão de alfarroba  e pão-de-deus que levei.

E também já fiz o IRS dos meus pais. Obrigações fiscais, as minhas e a dos meus pais, despachadas.


Agora, aqui em casa, já estive ao telefone com a minha filha, já pus a roupa a lavar e já fiz arrumações, já fiz sopa para estes dias e já fiz um assado no forno com abóbora e maçã, a contar que sobre para amanhã.

E já estive a ver as fotografias de hoje: o bebé a cirandar pela casa, a abrir gavetas e a rir para a bisa e para a senhora que ajuda a minha mãe com o meu pai, a mana a ler adivinhas para ver quem é que acertava e ela a fazer batota, indo ver as soluções, as fotografias feitas pelo mano incluindo uma selfie amalucada, todos à mesa, as flores do jardim, as cores da harmonia.



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Angelina Jordan, que agora tem 12 anos, interpreta What a difference a day makes 

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Momentos bons






Se calhar parece contraditório, mas é o que é. E o que é, é que tenho a dizer que há momentos bons na vida e que, sobre eles, não há muita coisa a dizer.
São bons porque se aninham dentro de nós. São bons porque sentimos que ficam guardados em nós, envoltos em sorrisos mansinhos. Porque não carecem de rebuscada adjectivação, explicação ou descrição, porque não obedecem a hirearquias. São momentos bons e nada mais.
Posso falar do meu dia de hoje. Alguns momentos tão bons. Simples e bons. De manhã cedo, a olhar o rio. Os barquinhos, a ponte, tudo envolto em claridade, névoa e harmonia. A cidade branca também envolta em claridade, paz e névoa. Depois a ler sobre o Príncipe, a ver como Angelica surpreendeu todos em Donnafugata com a sua inesperada beleza. Depois a olhar as flores. Trazem de dentro da terra cores impossíveis, quase imaginárias. Depois a andar debaixo das árvores, a desbastá-las, a ver os ninhos, a sentir os cheiros intensos da terra, dos verdes, da humidade. Depos a ver a transformação rendilhada das folhas em cinzas. Depois a olhar a serra ao longe, as aldeias como casinhas de brincar por entre verdes que se diluem em cor de céu. Depois a ver os meninos na praia, brincalhões, felizes. Depois a ver o mais velho a trazer o mais pequeno ao colo, porque ele ia a fugir. Depois a ver os mais crescidos a saltarem da duna ou os rapazes todos, de três gerações, a jogarem à bola. Depois o bebé às cavalitas da mana e a tia a correr atrás, a segurá-lo. Depois todos a falarem alto, ela a tratar os rapazes por 'miúdos', depois todos a rirem, a comerem pão quente com chouriço e a discutirem por causa dos pombos. Depois o mar tão bonito e eu a andar a passear de mão dada, o ar frio carregado de maresia.

Eu agora aqui sossegada,  nada que fazer, tranquila, a ver as fotografias, a ouvir música. A ler poemas que recebo e que, agradecida, tomo entre as mãos. Como este, do Leitor LS

Vinhas vestida de transparência,
O arco-íris no olhar,
Primaveras soltando-se do andar;
Ao mesmo tempo, o fogo e a inocência.
Urânia te chamavas,
Não sei por que razão Urânia.
Apenas sei que esvoaçavas,
Em delírio de cores,
A minha insânia,
Assim como o fazias sobre as flores.
Eras as manhãs alvorecendo
No chilreio de aves imaginadas,
A urze, a giesta, o redoendro
Tocados pelo rocio das madrugadas.
Só me salvava do cântico de sereia,
Ao mastro do meu barco bem amarrado,
De modo a fugir da tua teia
Com o coração amordaçado.

Momentos bons. Tão bons.

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O poema do LS (que me chegou também pela sua voz mas que não consigo colocar aqui) deu-me vontade de ouvir o A une passante de Baudelaire dito pelo Serge Reggiani



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Todas as fotografias foram feitas neste sábado (em casa, in heaven, na praia)

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Cenas moderninhas para casais que gostam de variar
[Post com bolinha vermelha]


Avisei. 

Quem ainda aqui estiver, depois não venha queixar-se. 
Livre arbítrio e patati-patata pelo que ponho aqui o que me aptece e só vê quem quer.

Quant ao tema, Troca de casais, nada contra. Nem contra nem a favor. Podia dizer que cada um sabe de si e Deus Nosso Senhor é que sabe de todos. Podia dizer mas não digo porque me parece de mau gosto trazer Deus Nosso Senhor para o meio de um texto tão fajuta e para o meio da troca de casais. Ficava ímpar e, nestas coisas, tem que ser par.

Mas pronto, vídeos destes não carecem de explicação porque o enredo fala por si.


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sábado, abril 14, 2018

Homens para todos os gostos.
Dentro do género, claro está.



Depois de um diazão recheado de temas e temões, cada um mais cabeludo que os outros e de, a fechar e até às tantas, um valente pepino -- em que o que o salvou foi que o fatiámos em cenas macacas, envolvendo grandes galhofas metendo gente a sair do armário e trocadilhos sobre procedimentos relativos a violações e consentimentos (de dados pessoais, whatelse?) -- chego a esta avançada hora sem vontade de escrever, pensar, ler, ou, sequer dormir.


E o que procuro, para lavar a mente, é qualquer coisa na base da agulheta. Ou seja, sem filosofia, biologia, astronomia ou poesia que o perturbe. Coisa mesmo de rajada para desimpedir os neurónios, para empurrar, na base do chega-para-lá sem dó nem contemplações, qualquer vestígio de regulamento, sentimento ou pensamento. O que eu já para aqui vi. Só visto porque nem contado. Cada maluqueira mais destravada que as restantes. Mas agora, para aqui partilhar convosco, noblesse oblige, escolhi coisa atilada: um show mostrando do melhor que há a nível de looks masculinos. Claro que a amostra revela um gosto algo limitado mas, enfim, quem sou eu para dar lições de gosto nestas matérias? 

Se no Governo-Sombra do Rio o que ali vejo é uma predominãncia de rapaziada demasiado datada, já para não dizer vintage, ou mesmo, quase pré-histórica, aqui, neste vídeo, o que vejo, para além das meninas, são rapazinhos muito verdinhos, muito pré-primária. Ora, exigente que sou, não posso prescindir de uma pitada de sabedoria, duas de ternura desassossegada, três de malandrice, quatro de patine e cabelinho a mostrar que quer esbranquear (ou que já lá chegou) -- coisa assim que revele que, algures no meio da cabeça, alguns neurónios marcam presença e neurónios dos bons, dos sabidões.

Mas, na volta, é esta minha tendência para ser biquenta (biquenta ou niquenta? - a sério, não me lembro). Se bem que se, no meio do vídeo, me aparecesse aqui, numa de dengosa e bailaroca atitude, o Ângelo Correia ou outro dos jovens ministros do mangas de alpaca que veio suceder ao não-saudoso láparo, também não ia gostar.

Portanto, vou calar-me e ver sem protestar. Apreciem e juntem-se à festa, ok? E beijocas e abrações e um belo fds para ocês.



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Bem lhe podem perguntar. Claro que ele não sabe. Mas não sabe mesmo. Nem ele nem ninguém. O monstro da devassa está à solta


Quase daria pena não fora a máquina de devassa que está por trás da cara de anjo robotizado de Zuckerberg.

O mundo pasmaria com o que se vai sabendo... não fora o mundo não estar nem aí. Alegremente os quase mesmos milhares de milhões continuam a trocar mensagens, a colocar fotografias, opiniões e informações pessoais no Facebook.


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sexta-feira, abril 13, 2018

Ideias criativas para fotografias de casamentos




Casei-me com vinte anos e convidei para fotógrafo um colega de curso que gostava de fotografar e a quem eu tinha cedido quando, algumas vezes lá na faculdade, me quis fotografar. Lembro-me de algumas fotografias na cantina universitária. Dava-me a luz de uma maneira que ele gostava e eu deixava-me fotografar. Outra vez fui eu que lhe pedi que me fotografasse, a mim e ao então meu namorado, num certo jardim de boa memória. Pareceu-me, pois, natural que fosse ele o meu fotógrafo do casamento.


Foi tudo muito ingénuo e espontâneo. Lembro-me de, antes do noivo chegar, o meu colega sugerir aquelas fotografias típicas: a noiva ao espelho do quarto ou coisas do género. E até há uma ou duas do género. Mas a minha vestimenta, a minha tenra idade e a meu ar de brincadeira tiraram qalquer pose às imagens. E as outras são muito naturais e, tantos anos depois, parecem-me actuais: nós muito miúdos, informais e felizes e tudo muito descontraído, bonito e moderno.


As fotografias dos casamentos dos meus filhos já foram mais a preceito. Lá escolheram quem lhes pareceu melhor e há fotografias muito bonitas desses dias tão especiais para eles. Também não há ali poses tradicionais. As da minha filha tão cheias de contentamento: preparou o dia ao milímetro, correu tudo muito bem e, pelos jardins do palácio, toda a beautiful people que compareceu parecia ter saído de um filme que ilustrasse na perfeição o que é o charme discreto da burguesia e da aristocracia. E as fotografias em que ela dança, elegante, radiante, o vestido lindíssimo, os convidados em volta apreciando a forma feliz como ela rodopiava, tudo aquilo é memorável. O do meu filho foi outra onda. Com uma percentagem esmagadora de gente muito jovem, com gente ligada às artes, à dança e ao teatro, houve ali festa rija e animação até às tantas. Acresce o carinho transbordante do casal, ela muito grávida, com o seu branco e bonito vestido de noiva, o meu filho emocionado vendo a noiva transportando uma menina que nasceria dentro de poucos meses. 


Também me lembro das fotografias do casamento do meu cunhado que se casou quando os meus filhos eram miúdos, quatro o meu filho, sete a minha filha. Decorreu num impensável palácio num local da serra que só quem lá vai deliberadamente o consegue descobrir. Todo aquele espaço era do além, inesperado, grandioso, integrado na natureza -- e uma escadaria imponente, uns enormes vasos de pedra com arbustos, uns óleos gigantes. E os vários irmãos daquela minha cunhada com as respectivas namoradas mais as muitas primas, tudo gente ali pelos vinte e tais, trinta e poucos, tudo muito alto, elegante, bonito, vestidos como se saídos de uma campanha Dolce & Gabanna, elas todas de vestidos curtos, sensuais, de luvas altas, chapéus criativos e modernos. Vê-se aquelas fotografias e parece que estávamos no meio de um filme. Até o meu filho se encantou com uma menina que lá andava e aparece nas fotografias com um braço sobre os ombros dela, muito namoradeiro, a camisa a sair dos calções, os calções todos descaídos. A minha filha, em contrapartida, sempre aprumada, o vestidinho rodado, num piqué branco, rosa e azul claro, um grande laço cor de rosa e um laço de tule no cabelo, igualmente cor-de-rosa. Tão bonitos.


E agora estou a lembrar-me de um outro casamento especial. Em Seteais, ao cair do dia, com uma harpista a encantar aquele espaço maravilhoso. Entre os convidados, muitos empresários, ministros, ex-ministros, secretários de estado, muita riqueza e muito poder ali reunido. As senhoras impecavelmente vestidas, os cavalheiros muito formais, tudo muito superlativo e, aqui e ali, levemente blasé. Até os noivos encaixavam, na perfeição, no ambiente: sóbrios, elegantes, tudo muito by the book. E eu, que para esse dia tinha equacionado levar uma toilette couture em fúcsia e lilás, vestido e capa, acabei por desistir e levei um tailleur de calças largas, que ondulavam ao andar, e blaser com apontamentos em transparência, num tecido escuro com um cair leve e elegante; por baixo, uma blusinha de tipo top, sem mangas, decotada, em azul alfazema e com uma echarpe transparente, num tom mais claro do que o top. Nesse casamento não houve lugar ao improviso. As fotografias cumpriram-se com rigor e os noivos sorriam ao de leve. Ao contrário do que acontece em todos os casamentos, neste ninguém bebeu para além da conta. Ou, se bebeu, soube disfarçá-lo.


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As fotografias que acima se mostram são de casamentos russos. Pelo que vejo no Bored Panda, aquela malta salta mesmo para fora da caixa. Não são de funfuns nem gaitinhas: aquilo ali é mesmo para rebentar. De cada vez que virem as fotos do grande dia, devem rebolar-se a rir. Digo eu.




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quinta-feira, abril 12, 2018

Sophia, Siri e Alexa - um mundo estranho e real



Não sofro de paranóia, não vejo mosquitos na outra banda, não sou pessimista ou fatalista. Mas, acho eu, não sou completamente alienada. Posso não ser especialmente informada, mas gosto de perceber o que se desenha no ar do tempo.

Só que, nos casos presentes, não estou a falar de indícios de que uma nova realidade já está a desenhar-se. Não, há uma realidade que já aí está. 

E, uma vez mais, temo as consequências: quando são criados aplicativos com inteligência artificial que são disponibilizados gratuitamente e que estão em permanente actualização tecnológica sem que ninguém legisle ou regule a sua utilização, a coisa pode caminhar para usos aberrantes.

Eu posso usar comandos de voz com o meu telemóvel e ele dá-me respostas verbais ou escritas e são respostas inteligentes. Não tive que fazer nada. Apareceu-me.

E já há a Siri, a Alexa e a Sophia.

Respondem, conversam, colocam perguntas, riem.

Há quem apenas ache graça e use em anúncios, em feiras tecnológicas. E o pessoal assiste, indiferente, sem perceber o que está a caminho.

No outro dia, com naturalidade, uma pessoa dizia-me que, para resolver assuntos complexos para os quais até agora apenas técnicos altamente especializados estavam à altura, já começam a ser usados automatismos que percebem os problemas e os resolvem sozinhos. Não fiquei perplexa e tive pena de já achar isto quase normal. E, intimamente, senti vontade de aderir. Pensei: porque não? Só porque torna os humanos dispensáveis? E surpreendi-me com o meu secreto cinismo. Pensei ainda: um dia destes quem não adira a isto perde a competividade. Não disse nada. Apenas pensei. Mas pensei sobretudo: que raio de mundo é este que os humanos estão a construir? Um mundo sem humanos...? Um admirável mundo comandado por bots?





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Zuckerberg -- e o seu sorriso mais do que amarelo -- é incapaz de disfarçar que não tem como controlar o monstro que criou.
E as evidências provam que, uma vez mais, meio mundo segue cegamente qualquer palerma que pareça estar a oferecer qualquer coisa


Read my lips: é impossível saber tudo o que aconteceu ou, melhor, tudo o que quotidiamente acontece com os dados dos utilizadores do Facebook. Impossível. É o próprio modelo de negócio, é a própria plataforma tecnológica, é a total incapacidade de parar o mar com as mãos, é a absoluta impossibilidade de contar todos os grãos de poeira ou supor que, um dia, se vai poder controlar toda a areia do mundo. Impossível.

Bits e bits e bits, incontáveis, infinitos, em progressão constante, carregados por milhões e milhões de pessoas em todo o mundo, e publicidade, apps e gadgets a serem introduzidos a toda a hora na dita plataforma ao dispor de utilizadores incautos. Uma empresa gigante gerida por um rapaz, agora apenas com 33 anos, convencido que é superiormente dotado e que se viu milionaríssimo e sem falta de nada e que emprega igual rapaziada para quem a ética e o respeito pela dignidade e pela liberdade são cenas que não interessam para nada. 

Por isso, os escândalos não se ficarão por aqui (a menos que, por não despertar o interesse na opinião pública, deixem de ser noticiados).

E não preciso de ler as notícias que o confirmam para afirmar tão preremptoriamente -- e não é apenas de agora que o faço -- que isto do Facebook não é apenas uma treta: é, sobretudo, um perigo.

Mas, efectivamente, as notícias confirmam-no:

The data was collected through an app called thisisyourdigitallife, built by the Cambridge University academic Aleksandr Kogan. The Democratic congressman Eliot Engel of New York asked if Facebook planned to sue Kogan, Cambridge University or Cambridge Analytica.

Zuckerberg said legal action was being considered and added: “What we found now is that there’s a whole programme associated with Cambridge University where … there were a number of other researchers building similar apps. We do need to understand whether there is something bad going on at Cambridge University overall that will require a stronger action from us.”

(...) 

The Democrat Frank Pallone asked Zuckerberg to make a clear commitment to change all Facebook’s default settings to minimise the possible collection of personal data. The Facebook founder declined to give a simple response, saying: “Congressman, this is a complex issue that I think deserves more than a one-word answer.” Pallone replied: “That’s disappointing to me.” (...)

The university said it would be “surprised” to learn Zuckerberg was only now aware of its work in the psychographics field. “Our researchers have been publishing such research since 2013 in major peer-reviewed scientific journals, and these studies have been reported widely in international media,” it added. “These have included one study in 2015 led by Dr Aleksandr Spectre [Kogan] and co-authored by two Facebook employees.”
(....)

John Sarbanes, a Democrat from Maryland, said: “Facebook is becoming a self-regulated superstructure for political discourse. Are we, the American people, going to regulate the political dialogue or are you, Mark Zuckerberg?”

The Democrat Frank Pallone asked Zuckerberg to make a clear commitment to change all Facebook’s default settings to minimise the possible collection of personal data. The Facebook founder declined to give a simple response, saying: “Congressman, this is a complex issue that I think deserves more than a one-word answer.” Pallone replied: “That’s disappointing to me.” (...)