Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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sábado, julho 22, 2017

Nada de mais





No carro, à noite, dormi. Aqui chegada, enquanto tentava perceber quais as novas, adormeci de novo. Sei que é verão mas, apesar de ver uns a partir e outros já a chegar, bronzeados, e eu estar a precisar tanto de férias e descanso, por uma qualquer convergência astral que os horóscopos têm vindo a revelar com a devida antecedência, o trabalho tomba-me em cima. Também por uma qualquer curiosa coincidência, é o tipo de trabalho de que gosto. Para onde me vire, mais trabalho e trabalho do bom. Também por uma inexplicável coincidência aparecem-me oportunidades para arranjar facilmente quem venha trabalhar comigo. Hoje, chegada a um dos locais, numa mesa, três talentosas meninas que comigo trabalham numa das áreas. Contei-lhes: vai vir mais uma pessoa. A oportunidade existe, aprovada. Só tenho que encontrar de quem eu goste. Se conhecerem alguém... Elas admiradas: mas não tinha dito nada... Pois não. Nem eu sabia. 

Por vezes, tempos a correrem sem nada de novo, uma sensaboria, chega-se ao fim do dia e parece que foi apenas mais do mesmo. E eu sou de coisas novas, desafios malucos. A rotina maça-me. Outras vezes, quero alguém para trabalhar comigo e é um calvário, as empresas em contenção total, nada de admissões. Outras vezes, nem é isso, é não se encontrar alguém com quem eu perceba que se vai encaixar no meu registo. Se é para ser alguém que não me convence, prefiro nem.

Daquelas três meninas, uma trabalha comigo há uns nove anos. Uma autonomia completa, competente. As outras há meses. Impecáveis as duas. A 'crescerem' a cada dia que passa. Dou liberdade de movimentos. Não tenho tempo nem paciência para andar em cima. Peço é que façam mesmo aquilo que pensam que não sabem fazer. Quando está pronto, quero validar. Empurro-as para a frente. Exponho-as mesmo quando sentem insegurança. Eu estarei lá para as amparar se alguma coisa correr mal. 

Não controlo os horários que fazem. Têm que chegar mais tarde ou sair mais cedo ou ficar a trabalhar em casa pois que fiquem. Mas o trabalho tem que aparecer feito a tempo e horas. E aparece. Parecem outras agora. Há uns meses não sabiam aquilo de que seriam capazes tão pouco tempo decorrido. 

Tenho tido mais sorte com mulheres do que com homens. 

Tenho lá um também há pouco tempo. Não ousa, não arrisca como elas. Peço que não seja tão tímido, que fale, que proponha, que se mexa. Sorri, ar apanhado. Chamo-o, peço que me esclareça sobre aquilo que ele não sabe. Digo-lhe que tem que se informar, que não quero que me diga que não sabe como se isso fosse um ponto final no assunto. Procure, informe-se. Sorri, tímido. Não sei se vou conseguir que dê a volta. As outras pessoas dizem-me que sim, que ele se faz, que está mais desinibido e que tem uma boa atitude. A ver vamos.

Mas elas são outra coisa. Lutadoras, resistentes. E divertidas, bem dispostas, simples. 

(Estou a divagar. Isto vinha já nem sei bem a que propósito porque o que eu estava a dizer é que o pior é este volume tão grande de trabalho, numa altura em que estou a precisar tanto de férias. Chego à noite e adormeço, vencida pelo cansaço. Estou a escrever quase a dormir. Só não vou para a cama porque parece que o dia fica coxo se não tiver este bocadinho para mim)

Adiante.


Hoje, quando ia no carro à hora de almoço, ligou-me, de novo, um ex-colega, aquele que tem uma doença degenerativa. Mal se percebe o que diz. Estava num lugar com muito ruído, não sei se seria no hospital. Pedia-me que eu o ajudasse numa certa situação. Mas eu mal percebi o que disse, só percebi a ansiedade. E tive uma tarde de tal forma sobrecarregada que não consegui tempo para pesquisar na internet para tentar localizar ou perceber aquilo que me pareceu que ele disse, para, então, tentar fazer o que me pediu. Estava com receio que me ligasse à noite a ver se tinha conseguido pois, quando está aflito, fica de cabeça perdida e não consegue esperar que eu lhe ligue, liga-me ele consecutivamente. Até tremo quando vejo o nome dele no telemóvel. Precisava era de estar num lugar, acompanhado, bem tratado. Mas não. Quer estar em casa e diz que vai lá uma senhora ajudá-lo. Não sei, naquele estado, como é tal possível e, por isso, compreendo bem o desespero em que fica quando está pior. Gostava de poder ajudá-lo mais mas não sei como. No outro dia estive para aí uma meia hora a falar com ele ao telefone, eu sem perceber mais de metade do que ele dizia mas sem querer dar a entender que não percebia. Quando acabei de falar, estava estourada.

Enfim, situações de doença e solidão.

Voltando ao trabalho.

Ao fim da tarde, vi passar no corredor um homem muito grande, um corpanzil andante. Percebi que ia atrás de alguém mas não vi de quem. Desconhecido, ele. Pensei: mas, a uma hora destas, de onde é que apareceu este urso da montanha? 

Antes de me ir embora, fui ao gabinete de uma outra jovem mulher que também trabalha comigo. Sabia que ela ia de férias, fui despedir-me, saber se o trabalho estava todo em ordem, os pendentes passados aos colegas, desejar-lhe um bom descanso. Estava junto à porta e ela na secretária dela. Depois ela aproximou-se e eu também, para ela me mostrar um papel. Reparei, então, que o big bear estava sentado na secretária em frente dela. Diz-me ela: o meu marido. O urso grande sorriu, acenou com a cabeça, mas não se levantou. Ela sorriu e notei que havia algum embevecimento no seu olhar. Penso que gostou que eu conhecesse o seu homenzarrão. E eu também gostei. Conhece-se melhor uma pessoa quando se conhece de quem ela gosta. Vai de férias quatro semanas e nem ela sabe a falta que me vai fazer. Mas bem merece férias, coitada, que é outra guerreira que ali está.

E, portanto, é isto. Consegui almoçar num lugar agradável mas não tive tempo para passear por lá. E jantei ao pé da praia mas também não houve tempo para passeios à beira-mar. A ver se este sábado consigo tempo para dormir, para caminhar, para fotografar, para jardinar. Mas ao fim do dia já tenho um compromisso e domingo é dia cheio como um ovo. Portanto, restam-me os interstícios. Mas a mim cada minuto de fruição sabe como um dia de spa e, portanto, tudo bem.


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E, com isto tudo, como é bom de ver, a verdade é que nada tenho a declarar e, portanto, tendo estado para aqui a escrever sobre nada de mais, tento salvar o post com uma série de fotografias que acho extraordinárias. São de Lissa Rivera, integram a série Beautiful Boy que explora de forma fantasista ou nostálgica, nem sei bem dizer, questões ligadas à identidade e ao género, e venceram o prémio Magnum na Série de Retratos  


E também aqui tenho comigo Natalie Merchant a interpretar Ophelia -- porque Natalie Merchant é sempre uma boa companhia.

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Desejo-vos a todos, meus Caros Leitores, um sábado muito bom.

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sexta-feira, julho 21, 2017

Hugo Soares e Ferro Rodrigues:
conselhos da Sta UJM a um e a outro


Sobre Hugo Soares pouco tenho a dizer. Na verdade, nada. Eu que, a escrever, sou tão palavrosa, chego a este tema e nada me ocorre. Não sei quem seja. Melhor: não sei o que fez na vida. Não sei se sabe fazer alguma coisa. Para mim é a Kardashian do parlamento português: Hugo Soares é conhecido por ser conhecido. Mas é um conhecimento oco. Se estivéssemos no domínio das álgebras boleanas, a ter que se dizer alguma coisa sobre Hugo Soares, poderíamos dizer que é um conjunto vazio ou cheio de tretas das quais só se conhece o estado zero ou em que, nele, as ocorrências se auto-anulam. Mas palpita-me que o Hugo Alexandre não frequenta propriamente praias boleanas e, portanto, assim sendo, sobre matemáticas e outros temas que envolvam algum rigor, pouco mais tenho a declarar sobre a criatura. 


Com a sua tenra idade e a sua experiência de jota receio que lhe falte algum mundo e que seja do tipo olha para mim a pôr-me a jeito sem perceber que tenrinhos assim são bons para serem comidos ao pequeno-almoço por tudo o que é macaco de rabo pelado. Não que me importe, note-se. Muito pelo contrário: o gáudio está assegurado. Além disso, se a álgebra boleana não é a praia do Huguinho também o deserto laranja não é o meu.

A minha cena é mesmo que acho que faz falta haver oposição. A democracia é mais saudável quando é frequentada por gente inteligente dos vários lados da contenda. Agora assim, é uma pena. 

Por exemplo, ao que consta, o puto Huguelas resolveu meter-se com Ferro Rodrigues. É daquelas coisas que, fosse ele inteligente, media melhor com quem se metia. Podia, por exemplo, meter-se com a Meireles que está mais ao seu nível. Mas da Meireles deve ele ter pavor (e percebe-se; puxa, só de olhar para ela... medoooo...). Podia meter-se com os jovens matulões do PCP ou com o João Galamba que é tudo malta quase da sua idade mas, ora chiça, com eles é que ele não se mete. Pudera, quem tem cu tem medo. Pois bem. Foi pôr-se a ladrar às canelas do Ferro Rodrigues. Claro está que Ferro Rodrigues -- com idade para ser pai dele e com uma rodagem intelectual que nunca o Huguinho alcançará nem que viva mais anos do que o Matusalém -- o enquadrou de imediato. Com bonomia e alguma ironia, perdoou os dislates juvenis do recém empossado líder da bancada do PSD. Fez bem. Mostra grandeza de carácter ao conseguir aguentar-se e não parodiar o pobre coitado do jovem Hugo Alexandre.


Mas com isto não estou a pôr-me fora do assunto. Quando me vejo perante situações destas, o espírito de uma qualquer Madre Superiora que, noutra encarnação, certamente possuíu os genes desta vossa santa que vos escreve, desce em mim e eu fervilho de vontade de ajudar.

E é isso e só isso que aqui me traz.

Vou aqui colocar um vídeo que espero que o juvem Hugo Alexandre veja com atenção. 


Para se destacar por alguma coisa na Assembleia deverá ele, em cada dia, encenar uma nova postura. Em vez de para ali estar sentado na bancada, quiçá na baderna com o larápio, não senhor. À frente da dita bancada faz uma performance. Sozinho ou com alguns amiguinhos da bancada. Diga que é arte. Pode até promover uma votação diária para um certo conjunto de jurados eleger qual a posição mais original. É que assim haverá o que dizer das intervenções parlamentares do Hugalex: hoje estava de escocês sem roupa interior. Ou: hoje apresentou-se de varina com uma cesta de sardinha congelada à cabeça. Ou: imagine-se aquela cabeça do Hugo, um iluminado, que hoje apareceu paramentado de doutor Honoris Causa da ilustre Universidade de Verão da JSD. Estaria garantido: sempre mediático e a suscitar debates esquerda-direita nos canais televisivos -- que é o que verdadeiramente interessa.


Vejamos então:

Exemplo de posições possíveis para o jovem Hugo Alexandre se apresentar nas sessões do Parlamento

[Aquilo do idiota ideal não tem nada a ver. Ideal a que propósito...?]


Quanto a Ferro Rodrigues, o que aconselho é que veja o vídeo abaixo e treine fazer igual: de novo John Bercow, o Speaker do Parlamento do Reino de Sua Majestade. Ensaie as vezes que forem necessárias para nos proporcionar momentos destes, em especial quando a nova estrela do nosso parlamento pedir a palavra para dizer coisas que devem fazer revolver o Sá Carneiro esteja lá ele onde estiver. Order! Order! Ou Senhor Deputado Hugo Alexandre, escreva mil vezes: 'vou fazer ginástica mental a ver se consigo parecer inteligente'.





E sobre a temática parlamentar com Hugo Soares nesta sua nova posição nada mais tenho a acrescentar. Limitação minha, assumo.

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Permitam que vos aconselhe agora um passeio bem diferente: desçam, por favor, até ao post seguinte e penetrem no calendário Pirelli 2018
Uma loucura.

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Pirelli 2018 - going wild



Gosto de fotografia, gosto de beleza, gosto de elegância, gosto de irreverência, gosto de insolência, gosto de boas mensagens, gosto de ser surpreendida. Por isso, há coisas pelas quais sempre aguardo com expectativa. Uma delas refere-se às imagens do calendário Pirelli. Nele, os melhores fotógrafos, costumam fotografar as mulheres mais belas.

Pois bem, para este ano a Pirelli foi buscar um fotógrafo que é muito cá da casa: Tim Walker. Quando soube disso senti aquela reacção infantil de quem acerta no furo que esconde a bolinha que dá o melhor prémio.


Claro que o resultado não haveria de ser convencional e haveria de ter história, magia, inconvencionalismo, graça. Digamos que, para quem vai à procura de mulheres lindas, descascadas, em ambientes paridisíacos, poderá haver uma desilusão. Provavelmente pensará que se enganou no calendário. Mas o mundo já não é o que era. O ideal ficcionado em que apenas mulheres altas, esbeltas e sorridentes têm lugar, já era. Felizmente muito boa gente tem vindo a pugnar pelo fim da ficção da perfeição ideal e começa a ser consensual que em tudo há beleza, desde que tenhamos predisposição para a ver. E há muitas maneiras de defender a inclusão e uma das mais efectivas é praticando-a. Farta de palavras vazias, declarações inflamadas ou mediáticas bolas de efeito, fico toda feliz da vida quando o insólito marcha orgulhosamente rua afora.

E ver estas imagens ainda mais me agrada quanto, justamente, hoje, no meio de um mar de gente vi uma mulher numa cadeira de rodas e a mulher era apenas meia mulher, e vinha a sair, sorridente, de uma Zara, e vi duas crianças sem um cabelo, nem nas sobrancelhas, com gorros, máscara, rostos inchados e ambas sorridentes e felizes, e um homem que devia ser deficiente mental, muito estranho, vestido de uma forma absurda, e todo ele sorria, feliz por estar ali. E, cruzando-me com pessoas de todas as etnias e culturas e de todas as condições, senti-me muito bem porque a maior felicidade é a normal convivência no seio de um ambiente inclusivo, de genuína aceitação e profundo respeito por todas as pessoas.


Generosidade, compaixão, afabilidade, respeito, empatia, aceitação -- são estados de espírito ou predisposições mentais ou emocionais que tornam o mundo um lugar bom para se viver. Tim Walker demonstrou uma vez mais que este é o seu mundo ao encenar desta forma tão surpreendente a Alice no País das Maravilhas. E logo para o Calendário Pirelli.



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Tim Walker, salut!

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E uma feliz sexta-feira a todos quantos por aqui passam.

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quinta-feira, julho 20, 2017

Sócrates, Hugo Soares, Rocha Andrade e os outros Secretários de Estado, António Mexia, Comandantes variados, Miguel Abrantes et al.
-- ou como o Caso Marquês se cruza com o Galp Gate, com o assalto a Tancos, com as rendas da EDP, com o caso Zeus, com o caso dos bloggers da seita socratina e etc. --
(ou como, na verdade, isto anda tudo ligado)


Os três ex-Secretários de Estado foram constituídos arguidos e vão ficar sujeitos a termo de identidade e residência. O suposto crime que os investigadores do DIAP vão tentar comprovar prende-se com terem ido à bola a convite de um dos patrocinadores da Selecção. É daquelas ficções em que se conhece, à partida, o crime. O suspense prende-se com o making of

Como é que receberam os bilhetes? Como é que foram para o avião? A pé ou de taxi? Se de taxi, quem pagou o taxi? E como é que compensaram o ofertante por tão imensa prebenda? Perdoaram dívidas de milhões? Foram passadas concessões de exploração de petróleo em Massamá? Se não foi isso, então o que foi? 
Muitas pistas a seguir, muitas linhas de investigação. Muito agente disfarçado, muito infiltrado, muita escuta, muitas provas a coligir. Volumes e volumes de informação a tratar. Dossiers infinitos. Coisa para Joana Vidal ir perdoando adiamentos e deixar rolar a coisa durante dez anos. Percebe-se: o caso é grave. Devia era ter-lhes posto pulseira electrónica que o caso não era para menos.

Entretanto, a Operação Marquês soma e segue. Mais dois arguidos. Agora é malta das Estradas e nova frente de investigação foi aberta: agora também o TGV. Aquela malta que trabalhava com Sócrates e que o dizia um trabalhador incansável, não dando descanso a ninguém, não devem ter percebido que ele, afinal, tinha um clone que, enquanto o genuíno tinha reuniões e visitas oficiais, o outro andava a tramar esquemas para sacar uns trocos a toda a gente possível e imaginária. E, trocos a trocos, o manganão foi enchendo o papo, alugando, como cofre, a barriga do anafado amigo.


Portanto, certamente, mais uns meses de investigação. Também se percebe. Aquilo é um novelo. Não há cabeça que aguente tanta pista. Nem o algoritmo da google daria conta de tamanho emaranhado.


E eu, com pena de tão diligentes cromos a quem chovem pistas como cães e gatos em dia de enxurrada e a quem, por cada pedra que levantam, lhes saltam minhocas, suspeitos e crimes às mãos cheias, vendo os anos a passarem sem que, pobres, pobres coitados, consigam deslindar coisa alguma, aqui me predisponho a dar uma ajuda. É o meu lado de musa de Tiepolo: santinha, santinha, santinha. Assim, para que não continuem a aparecer aos olhos da opinião pública feitos baratas tontas ou a aparentar que têm tempo de sobra ou severa carência de neurónios, daqui levanto o véu sobre mais uns quantos factos que, cá para mim, têm tudo a ver.


Read my lips:
1 - É ou não verdade que os três ex-Secretários de Estado conhecem Sócrates? E, em caso afirmativo, que tipo de conhecimento é esse? O bíblico penso que está fora de questão mas, então, que expliquem tudo muito bem explicadinho. 
2 - É ou não verdade que, por trás da manobra dos convites para a bola, está, afinal, a mão emboscada do silencioso amigo de Sócrates? 
3 - É ou não verdade que, no avião, como leitura, as hospedeiras distribuíram aos passageiros livros do Sócrates? 
4 - É ou não verdade que no camarote, no célebre dia do fatídico jogo, foi avistada uma mulher que alguns juraram ser a cara chapada da ex-mulher de Sócrates enquanto outros, para disfarçar, disseram ser Marcelo Rebelo de Sousa disfarçado de Nossa Senhora de Fátima? E quem eram esses outros? 
5 - É ou não verdade que o primo de Sócrates foi visto de óculos escuros num carro conduzido por alguém que parecia ser o motorista Perna nos arrebaldes de Tancos? 
6 - É ou não verdade que Lalanda, Bataglia e Salgado foram avistados, em dias diferentes, em lugares diferentes, tentando simular que não se conheciam? 
7 - É ou não verdade que Mexia (o da EDP) costumava mandar sms a Sócrates a perguntar informações sobre o alfaiate como se toda a gente não percebesse que isso era código e que, na verdade, estava a referir-se às caixas de robalos que oferecia à filha do Vara, numa altura em que estava zangado com a Guta? 
8 - É ou não verdade que Zeinal Bava foi avistado a falar com um jardineiro que é compadre de um sargento que geria uma messe da Força Aérea e que, dias depois, o mesmo Bava se cruzou na autoestrada, embora em sentido contrário (para disfarçar) com Sócrates? 
9 - É ou não verdade que o SIRESP foi visto a falar ao telefone com a Fernanda Câncio, ex-namorada de Sócrates? 
10 - É ou não verdade que o Granadeiro foi ouvido um dia a insinuar que a Manuela Moura Guedes merecia que lhe reduzissem o tamanho da boca, tendo depois vindo a descobrir-se que o interlocutor era admirador da Cristina Ferreira e que, através dela, iria minar as audiências da TVI e tudo para agradar ao Sócrates? 
11- É ou não verdade que os mails do Benfica não são inocentes e contêm, subliminarmente, ordens de pagamento a favor da manicura da mulher do amigo de Sócrates? 
12 - É ou não verdade que foram avistadas umas personagens muito suspeitas a jantar numa casa de fados, parecendo estar todos com cabeleiras postiças louras e lentes de contacto demasiado azuis para serem credíveis, falando em voz muito baixa, tendo um espião que por lá pára, conhecido no bas-fond por Lima do Sótão, deixado cair para a imprensa que ouviu referir um filósofo grego e que se tratavam uns aos outros por Miguel Abrantes, Valupi e Jumento?
13 - É ou não verdade que é muito, muito, suspeito que Hugo Soares tenha sido eleito como líder parlamentar do PSD? Não seria de investigar qual a mão que manobrou atrás do arbusto para que tal inverosímil facto tenha acontecido? Não está bom de ver que é coisa deliberada para enxovalhar a honra laranja e que isso só vai servir para lançar a confusão no argumentário político e, dessa forma, baralhar os jornalistas e, por conseguinte, beneficiar a estratégia de defesa de Sócrates?


E podia continuar a dar pistas. Mas vou com calma, fico-me, para já, pelo número da sorte para não fundir a mente do nosso querido Saloio de Mação, o Super-Judge Alex, ou a do Procurador Rosarinho Teixeira, sempre tão eficaz, ou a dos outros que devotam a sua humilde vida a perseguir nobres causas e que, nessa senda, coitados, mal têm tempo para refeiçoar ou para pensar.


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A ver se com esta minha preciosa ajuda conseguimos finalmente chegar ao mega-julgamento pelo qual tão impacientemente aguardamos




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Um dia risonho a todos quantos aí estão desse lado

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quarta-feira, julho 19, 2017

Diz que quer ser Primeiro-Ministro


Quando a capoeira anda sem galo e as galinhas todas às voltas, umas carecas, outras sem cabeça e umas quantas chocas, é o que se vê. 

Este post não é sobre o láparo que esse já era. 

Este post a bem dizer é sobre coisa nenhuma porque o contexto sobre o qual falo é uma casca vazia, de laranja só a lembrança. 

Consta que, na ausência de rei ou roque, a maltinha dá mostras de querer agitar-se. O sítio onde devem ter mais votos deve ser em Loures (e não, não estou a brincar) e é porque a malta que escreve em blogues é uma malta anómala, todos frufrus, salamaleques e agarra-me senão eu bato-te, porque a grande maioria da malta que vota por aquelas bandas quer é que os ciganos se danem e nada como um trumpinhas que promete dar-lhes valentes corridas em osso. Por isso, em Loures a aposta do láparo deve correr-lhe bem. No resto do país vai ser a derrocada e, sabendo disso, é vê-los por aí a dizer que é deixá-lo cair de podre.

Vários se perfilam mas eu aqui só vou falar no melhor de todos. É certo que agora que se pôs elegante perdeu parte da graça mas, ainda assim, a efervescente ausência de tino continua bem evidente. Acresce que os seus hábitos de higienização da jaula dos chimpanzés em pleno exercício euro-parlamentar são assaz conhecidos aquém e além mar e isso, reconheça-se, não é medalha de que muitos possam gabar-se. O facto de ter sido admoestado pelo seu mau comportamento enquanto deputado-queixinhas também o predispõe para lugares mais altaneiros. 

E, assim sendo, com tão vasto CV, Paulo Rangel, já fez saber que não põe de lado avançar para a liderança. É certo que não o diz com esta frontalidade já que ele cultiva outro estilo.

Digamos que as meias palavras a que gostava de dar um tom florentino (atenção: gostava) nunca são pura prosa. Há sempre ali algo de falhado mas, para ter mais gracinha, gongoricamente falhado. Não sabe distinguir a sardinha do carapau -- e está tudo dito.

Tirando isso, só festejar que a vizinha Marques Mendes já por aí ande a distribuir jogo. Chega-se ali ao palco que a SIC lhe oferece e desata na ladinice, fazendo, desfazendo, insinuando, promovendo -- o traquinas.

A malta gosta sempre de ver putos reguilas a fazer das deles. Que eu não sei se o Nóia encaixa melhor na figura do puto reguila se na de vizinha. É que a malta também gosta de ver as vizinhas a jogarem conversa fora, a preverem que este está na retranca, que o outro anda a juntar apoios e que, para aquele outro, uma onda de fundo está em formação. Uma fuxiqueira, aquele Mendinhos.

Mas a verdade é que o airoso rangelito acreditou na boca do Mendes e já se acha uma princesa casadoira. Vou ser rei, vou ser rei! -- consta que diz ele quando se vê ao espelhinho.

Mas eu tenho um conselho a dar-lhe -- e é, de resto, este o propósito deste post. Para voltar a contar com o sorriso na cara dos portugueses, o nosso mignon Rangelito terá que comer muita papa (pode ser maizena, pode ser cerelac, nestum com bué de mel, pode ser açorda com doce de abóbora). Tem é que ser coisa que o faça voltar a encher. É que assim, esganiçado como anda, não convence ninguém.

Eu mostro qual o target que deverá atingir: faz agora oito anos é que ele estava bem, bem alimentado, inspirado, reluzente. Olha-se para ele e diz-se logo: temos homem. Que é como quem diz: aqui está quem vai suceder ao láparo. Estamos desejando.



Lindo. À maneira dele, um verdadeiro GDECO, grande educador da classe obradora

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As imagens provêm do blog We Have Kaos in the Garden

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E, por falar em parlamentos e em momentos inesquecíveis, queiram, por favor, descer para verem o que se passa em terras em que as Primeiras-Ministras se apresentam com sapatos ratados e fazem piadas sexuais para gáudio do Speaker e toda a audiência. É ver para crer.

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Se queres usar uns sapatinhos queques, ao menos garante que não têm a biqueira ratada.
[Que é como quem diz: se queres armar-te em simpática a dar em público os parabéns a alguém, garante que não é uma manobra ao lado]


Confesso. Comigo não dava. Preciso de espaço. Não consigo suportar o excesso de proximidade física. Entrar numa loja e saltar-me uma empregada ao colo a querer impingir-me o que quer que seja, não dá. Ou estar a falar com alguém que se aproxima demais e não pára de me agarrar no braço ou molestar-me com o odor do seu hálito -- não aguento.

Imagine-se agora o que seria estar horas sentada encostada a alguém, um de cada lado, braço com braço, perna com perna, e vários atrás. Horrível. O que vale é que, por aquelas bandas, têm fama de ser lavadinhos. Se fossem franceses, com aquela fobia que parte deles ainda tem ao banho diário, havia de ser um cheirinho a balneário frequentado por judocas transpirados...

No entanto, como espectáculo, não há como o Parlamento do Reino Unido. Uma paródia num permanente registo de tête a tête. Quando tenho dias cabeludos nos quais, em vez de partir para a desgraça, me armo em Madre Teresa, chego a casa capaz é de partir a louça toda. Contudo, sendo putativamente racional, era o que faltava dar prejuízo a mim própria e, portanto, sublimo. E, quando assim é, há remédios que não falham nunca: ou os Monty Python ou o parlamento do Reino de Sua Provecta Majestade.

Acho um piadão àquele Speaker* e acho um piadão à forma como reagem às provocações ou aos deslizes de uns e outros, seja de que lado da bancada for. As interjeições, a pateada e a risota parecem divertidas cenas de um teatro shakespeareano. E eu, nada e criada num país verde e azul que gosta de se travestir de cinzento, pardacento e bolorento, adoro ver como é possível transformar uma coisa que os portuguesas encaram com pacóvia reverência num exercício livre e não desprovido do seu lado lúdico.

Adiante. Nesta cegada do Brexit, ando divertida a ver a saia justa em que os ingleses se meteram quando se deixaram levar pela cantada dos populistas. E, mais concretamente, acho o máximo a forma como a desajeitada Theresa May anda a fazer um papelinho com o qual meio mundo se diverte. 

Leio, por exemploTheresa May em dificuldades na primeira semana de negociações com UE. Bloomberg fala em "erros básicos e tropeções" que têm manchado a reputação do Reino Unido.
Mas isto não são horas para eu me aventurar por terrenos que não domino e, portanto, não vou falar nem do Brexit nem das barraquinhas passadas e futuras onde a Senhora Dona Madame se meteu.

Limito-me a mostrar um grande plano dos sapatos da dita Theresa May durante uma reunião com o primeiro ministro da Estonia no nº 10 Downing Street. Acontece que a senhora é uma vaidosona de primeira, gosta de andar montada em griffes, sempre com sapato e toilette a dar no olho... e, afinal, anda com sapatos ratados. A única desculpa perdoável será se, durante a reunião, o primeiro-ministro tiver andado debaixo da mesa, sabe-se lá com que intuitos para além do de lhe ratar os sapatos.


Theresa May durante a conversa com Jüri Ratas


Claro que a senhora comete gaffes de vária ordem e é alvo fácil para partidas e piadas que levam o Parlamento às lágrimas. Podia escolher vários momentos épicos para aqui partilhar convosco. Mas vai este que acho o máximo: arma-se em simpática e dá os parabéns ao seu grande rival Jeremy Corbyn pelo nascimento de uma neta. Mas upsss... não tinha nascido nenhuma neta... Acontece que o sentido de humor dela também tem graça e isso salva-a do ridículo




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Já agora um momento que, se em Portugal, seria o momento anti-Morgado**: Theresa May e uma desconcertante alusão sexual a propósito do aniversário de Peter Bone.




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* Order! Order! -- grita o Speaker



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** Sobre o Morgado, poema de Natália Correia:


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E um dia feliz a todos quantos por aqui passam.

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terça-feira, julho 18, 2017

Trezentas velhas em fralda de camisa


Depois do que abaixo escrevi, para que não venham para cá queixar-se -- que sou destemperada, que não me porto bem, que devia ter mais tento na língua, que devia pôr os olhos nos betinhos, nos jotinhas, nos beatinhos, nos alinhados bloggerzinhos, nos fofinhos que nunca partem um prato -- aqui estou eu a fazer recolhidos mea culpas, mea maxima culpas. 

Sei que isto hoje não está a correr nada bem, muita esculhambação, muita inconveniência, muito passo fora na norma. Eu sei. Então não sei? Sei, claro que sei. Numa única jornada trazer aqui o Manuel João e o Cesariny é fruta a mais para tão austera audiência. Sei. Por isso, se repararem bem já estou a benzer-me. Penitência a sério. Aqui onde me vêem, expio os meus pecados com arrependimento. Só me faz falta ter um convento onde me recolher. Eu, vestida de Madre Superiora, em introspecção, pedindo perdão pelo palavreado que tão rudemente tem ferido os vosso castos olhos, underwearmente cravada a cilícios. Teria a vida facilitada -- que o hábito faz a monja. Assim, como estou, impudicamente tentando vencer o calor nesta noite tão quente, sem negros paramentos cobrindo-me o afogueado corpo, como conseguir lembrar-me de todos os pecados capitais a ver se escapei a algum?

Acreditem: eu não queria ser assim, Irmãos, não queria. Isto é genético, uma coisa na base da orientação sexual: sou eu e a fatalidade da minha queda para o pecado. Sou fraca, Irmãos. Tanta reza e tanta oração aqui na galeria lateral, todos bem comportados, todos tão normais, todos tão afobados com quem ousa proferir anómalas afirmações e eu, passo trocado, aqui a blasfemar. Ímpia criatura, eu. Mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa,

Vou pedir que todos os santinhos do universo e da blogosfera me inspirem porque na verdade sei que lindo, lindo mesmo, é a gente nunca dizer nada que arrelie o sacristão nem o diácono, que nunca o vento sopre de feição e lhes tire um fio de cabelo do aprumo capilar, ou que à beata com substracto de intelectual de esquerda nunca um pêlo púbico se desalinhe para fora da cueca. Vou pedir que saiba eu também bem comportar-me, para passar por betinha, menina linda.

[Mas ainda não, ainda não... -- como pedia o outro, o amante da Flora Emilia]

E, entretanto, sabendo que estão a passar trezentas velhas em fralda de camisa vou juntar-me a elas. E adivinhem V. em que posição me vou eu colocar.

(E assim sendo, com vossa licença, que entre o meu terceiro guru que, para que a série fique completa, depois do Manuel João e do Cesariny, tinha mesmo que aqui ter o saudoso João de Deus, e, justamente, num almoço com a Madre Superiora. Está na hora dos cânticos religiosos. Ámen)


As bodas de Deus -- a cena do almoço


[Pena que o cantar final seja tão breve. Gostava de me juntar ao coro mas, afinal, não foi senão um mero amuse-bouche]


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E permitam que vos aconselhe: cuidado com o que abaixo se segue. 
-- Avisei --

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A homossexualidade de Cesariny e o que ele e a irmã pensavam disso
[Post com bolinha vermelha]


Também dedicado às viúvas-perpétuas que nunca tinham ouvido dizer que a homossexualidade é uma coisa de minorias -- e que, ouvindo-o pela primeira vez, se viram em puro estado de apoplexia -- aqui trago de novo Cesariny, essa talentosa bicha maluca que tinha muito orgulho em sê-lo (orgulho e pena).

Com vossa licença, aproveito para relembrar uma que lhe ouvi. Não será de salão mas, como trata do mais fino artesanato, talvez até de filigrana, arrisco: 
Estava ele num alfarrabista ali ao Chiado, quando entra uma madama cheia de finesse. Olhando em redor sem encontrar aquilo que procurava, dirigiu-se a Cesariny que ali estava como cliente: 'O Senhor queira desculpar-me... mas isto aqui não é uma joalharia?'. De imediato, ele, com igual educação, elucidou-a: 'Não, minha Cara Senhora, não é, embora já aqui tenham sido feitos muitos broches de joelhos'.
Bem.

Recomendo todo o vídeo mas, aos mais apressados, que pelo menos vejam aquele momento ali ao 2' 30". E um pouco mais à frente, a mesma temática.

Cesariny por ele mesmo e em diálogo com Henriette, a irmã




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E descei, Irmãos, descei. O meu querido Manuel João espera por vós.

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Quase tão baderneiro como o Gentil Martins só mesmo o meu queridíssimo Manuel João Vieira.


Dedicado a todos os que andam assanhados com Gentil Martins como se ele tivesse usado a última coca-cola do deserto e agora, por causa de tão imprudente acto, o mundo virasse uma imensa fogueira onde arderá a maioria dos portugueses -- que, como é sabido*, é constituída por homossexuais, sado-masoquistas ou gente que gosta de ter sexo com animais -- aqui deixo o meu mui apreciado Manuel João de quem gosto de me fazer acompanhar de cada vez que as freiras saem do convento feitas castigadoras, arrastando atrás de si hordas de beatas de chicote em punho.


Claro que, sendo este um blog familiar, tenho que sujeitá-lo a algum crivo não vá alguns leitores ficarem assarapantados com a inspirada lírica de algumas das suas composições.

Hoje trago-o para interpretar o nosso 'Amar pelos Dois'. Querido Manuel João, sempre tão fora da caixa.


[* Lendo a prosa indignada do coro de virgens contra a afirmação de que a homossexualidade é uma anomalia (repito: uma característica de uma minoria) sou levada a crer que ando com a minha leitura estatística virada do avesso. Pelos vistos, aquilo que aprendi sobre leis estatísticas, sobre o que é a norma ou sobre todos os conceitos que a Lógica ensina, o que está em minoria, na franja da distribuição estatística, é agora o que é normal. O que me safa é que não sou professora senão nem saberia o que ensinar. Agora os conceitos estatíscos parece que têm, antes de serem usados, que ser benzidos pela moral politicamente correctazinha. Bolas, bolas, bolas]

Amar Pelos Dois


Actuação de Manuel João Vieira e Charles Sangnoir na cerimónia de 2017 dos Monstos do Ano.





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É bom amar pelos dois. E pelos três. E por toda a gente do mundo.

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Be happy.

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segunda-feira, julho 17, 2017

My green heaven


O que tenho a declarar, depois da post sobre o que Gentil Martins disse sobre homossexualidade e anomalias e CR/ e barrigas de aluguer, é que o aeroporto de Lisboa está mesmo à beira da saturação. A barafunda (que este domingo de manhã voltei a testemunhar, desta feita na zona das partidas) revela bem que há muito que se deveria ter encontrado uma alternativa ou um complemento à Portela. 




Tirando isso, o que tenho a dizer é que a semana passada me esqueci dizer que apenas vi um dos bebés-gatos-brancos. Brincava perto da mamã-gata. Cresceu. Ele esquivo, ela tranquila a olhar para mim. Espero que o outro esteja bem, que eles eram dois.


Este domingo não os vi. Com o calor que está, onde beberão água? Um dia destes terei que pensar nisso. Mas não quero ficar como aquela cat-addicted que anda pelo Ginjal carregada de ração, enlatados e tupperwares cheios de esparguete a chamar pelos gatos que já andam lontrudos e pastelões tantas as calorias que ela lhes dá a ingerir, ou a repreender-me por fotografar gaivotas que assim elas não se sentem à vontade para irem alimentar-se com massa guisada. Não. Tenho que perceber que animais do campo, habituados a viver em liberdade, não precisam de mão humana para sobreviver. Contudo, com este calor...

Tirando isso, o que tenho a confessar é que estar no campo me revigora, me descansa, me enche de luz. 


Ando, em silêncio, ouvindo as cigarras, sobressaltando-me quando um pássaro se levanta numa agitação de asas contra a folhagem, sorrindo quando uma lagartixa se afasta num ápice à minha frente. Fotografo a luz. À tarde a luz torna-se dourada, os verdes alouram-se e a serenidade deixa-se ficar pousada como um pássaro feliz.


Os pedaços de tronco continuam em cima do muro e, como cabeça de fila, a casinha de pássaros que o meu filho me deu e que estava pendurada na pernada que foi cortada. Gosto de ver como tudo ganha novas funções mesmo que mudando a sua forma ou mesmo que aparentemente sejam agora formas sem vida. Um tronco cortado continua vivo, não sei como mas continua, mesmo que seja numa outra forma de vida.


Ao princípio da tarde vimos fumo a vir lá de baixo, do campo que envolve a aldeia. Fiquei logo um pouco assustada. Mas não se ouviram bombeiros, o que foi extiguiu-se logo. Mas fui à janela de cima, do quarto do meu filho, espreitar. Em cima, o céu limpo. Em baixo, o plátano e a ameixeira de jardim e toda o verde que me rodeia e que envolve os que, lá mais abaixo, dançam em roda sobre um fundo azul.

De tarde, pus-me a ler e, claro, com o calor e com a efervescência dos últimos tempos, deixei-me dormir passado pouco tempo. Gosto destas sestas profundas. Acordo fresca e pronta para outra. Agarrei no livo e estive a ler de gosto. Ainda os Caminhos e Destinos. Este livro enche-me as medidas: bem escrito, uma lucidez elegante. Referências que aparecem de forma inteligente e com as quais aprendo. À minha volta, o meu marido fotografava-me. Disse-lhe: 'Vê se me tiras alguma decente para eu poder publicar'. Não atendeu ao meu pedido. Por isso, ao contrário do que eu gostava, não posso plantar-me no meio do texto, tenho que me contentar com as fotografias que fiz nos eus passeios.


Saímos de lá já tarde. Não há vontade de deixar aquele mar de verde. Nos dias de ventania, o som do vento nas árvores parece o som das ondas. Gosto de passear à noite junto à praia, ouvindo o som das ondas que vem do mar negro. E é esse som que as minhas árvores fazem quando o vento as faz dançar. Mas este domingo, estava de calmaria, era como se o mar estivesse chão, nada bulia, só as cigarras se agitavam.

É verdade, acho que ainda não contei: vejo agora rebentinhos de pinheiro um pouco por todo o lado. Dá-me pena arrancar mas estou só a adiar: não poderemos ter tal profusão de pinheiros, alguns mesmo ao lado uns dos outros. A natureza é maravilhosa.

Em vez de mais uma semana de reuniões, de canseiras, de clausura em edifícios cujas janelas não abrem, tão bem que eu estaria ali, em paz, no meio dos pássaros, dos gatos brancos, coberta de luz.

Mas tivemos que vir.


Em Lisboa, as luzes acesas, já a noitinha ia caindo, um gelado. Não podia deixar de. Não podia. E havia de kumquat, de longe o meu preferido. Fruto e casca, todo amarelinho, cheio de pontinhos de luz doce e boa. Fresquinho. Para me auto-perdoar, o cone foi dos sem açúcar.

E pronto. É mais uma semana de trabalho que está a começar. Pode ser que o ar do campo e a luz que tão docemente brilha in heaven permaneçam, todos estes dias, bem vivos dentro de mim.

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E, caso estejam numa não de bucolismo mas de anomalias e justiça popular sobre quem peca contra a moral e bons costumes ou a modos que, é descer que eu e o Dr. Gentil Martins estamos à vossa espera.

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A homossexualidade é uma anomalia?
"Anomalia: O que se desvia da norma, da generalidade." (Priberam)
Portanto, sim, a homossexualidade é uma anomalia.


Da mesma forma que considero que aceitar um convite por parte do patrocinador de um espectáculo está longe, longíssimo, de ser corrupção, sendo antes um acto mais do que normal (leia-se: "Normal: Usual" in Priberam) e que um sponsor oferecer bilhetes para o espectáculo que patrocinou é o b-a-ba do marketing e da comunicação no mundo das empresas -- e não haveria prisões à superfície da terra que chegassem se oferecer ou aceitar bilhetes fosse corrupção ("Corrupção: Comportamento desonesto, fraudulento ou ilegal que implica a troca de dinheiro, valores ou serviços em proveito próprio" in Priberam) -- também me incomoda o coro de virgens ofendidas que saltou para a praça pública exigindo a decapitação do velho médico que se pronunciou a propósito da homossexualidade como sendo uma anomalia.




A maioria da população é heterossexual e felizmente que o é, a bem da propagação da espécie. Claro que a ciência, entretanto, já arranjou maneira de ultrapassar a necessidade da cópula como acto essencial para a fecundação. Mas a espécie não teria chegado até aqui se cada humano, desde a sua origem, fosse avesso ao sexo oposto.

Ora sendo a maioria hetero, por definição, os homo são uma minoria e, portanto, fora da norma.

Não quero com isto dizer que são uma aberração ou candidatos à proscrição -- apenas que não são conformes à maioria. 

Portanto, fazer um caso de histeria por uma pessoa dizer verdades de La Palice parece-me um absurdo.


O que já me parece preocupante é quando Gentil Martins diz que não aceita promover uma pessoa por ser homossexual. Isso aí já me parece grave. Uma orientação sexual não define aptidões para o trabalho e, se ele seguiu essa regra, o que espero é que ele estivesse em minoria ou seja, que as suas opções, nos lugares onde trabalhou, não fossem as normais, isto é, não fossem seguidas pela maioria dos decisores.
No entanto, a posição de Gentil Martins já eu a encontrei em ambiente profissional e já aqui a referi. Uma pessoa com quem trabalhei, inteligente, liberal nos costumes e no pensamento, um dia disse que não queria um homossexual a trabalhar com ele. Chocada, manifestei o meu desagrado. Explicou-me que, em geral, os homossexuais dissimulam a sua orientação sexual e, tanto o fazem, que se tornam dissimulados. E mais: que sempre no receio de serem confrontados com algum facto comprometedor, costumam coleccionar factos que podem comprometer outros, apenas para um just in case. E que, portanto, não são, em regra, as pessoas despreocupadas, frontais e francas que ele prefere ter nas suas equipas.
E se isso foi há uns anos, ainda há dias, numa reunião em que participei, seríamos cerca de dez pessoas, antes da ordem dos trabalhos, naquele período em que nos cumprimentamos e uns contam larachas, dizem piadas, etc, assisti a uma galhofa que nem sei como começou sobre os que não saem do armário, e quando é que alguns que todos nós muito bem sabemos quem são saem do armário e etc, etc, -- tudo na parvoíce. E até admito que estavam a falar de um colega que, por acaso (e felizmente), não estava ali. Portanto, o preconceito ainda impera mesmo nos meios supostamente mais evoluídos. Imagine-se nos meios mais fechados.

Ou seja, apesar de Gentil Martins ter demonstrado ser conservador e retrógrado, não é diferente da grande maioria das pessoas e, naquilo da anomalia, não disse nada de mais.


Quanto ao que ele disse do Cristiano Ronaldo e à sua opção de recorrer a barrigas de aluguer para ter filhos também não fico chocada já que, como aqui já o referi, também eu acho isso uma opção estranhíssima, uma coisa contranatura. Dá ideia que se as crianças pudessem ser feitas numa impressora 3D era o que ele preferia. Mas é opção lá dele e só me pronuncio a esse propósito por, sendo ele um ídolo para a miudagem, recear o mau exemplo que, com isso, esteja a dar.


Contudo, nisto das afirmações de Gentil Martins, podendo concordar numas coisas, ficar indiferente ou discordar de outras, o meu estado emocional não se altera nem me passa pela cabeça fazer precipitados julgamentos de carácter ou exigir punição para Gentil Martins. O senhor disse o que pensava e era o que faltava se o não pudesse fazer.


O que se passa neste país é que, por cada pessoa que abre a boca para exprimir a sua opinião, parece haver sempre um coro de virgens, um duplo coro de viúvas perpétuas, um triplo coro de beatas e um quadrúplo coro de mariazinhas de ambos os sexos que, se pudessem, degolavam na hora aqueles que ousam abrir a boca e dizer coisas fora do politicamente correcto. 

E eu, que também me estou nas tintas para alinhar com a carneirada, que não gosto de falar em coro ou rezar por cartilha alheia, acho que este país precisa é de uma boa polémica, de opiniões fortes, de saudáveis discussões, de uma boa agitação das acomodadas consciências. Disso e de falar e/ou fazer amor em vez de não fazer outra coisa senão julgamentos e declarações de guerra a torto e a direito.



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domingo, julho 16, 2017

Quando os caranguejos atacam





Agora está a dar-me a fome. Ao fim do dia fomos petiscar. Comi caracóis como se não houvesse amanhã e não quis mais nada. Apenas comi o rabinho que sobrou de um dos pregos que aqueles esfaimados devoraram. Como, ao almoço, tinha tripudiado outra vez em cima da dieta e, inclusivamente, tinha comido uma generosa fatia de chocolatíssimo e os restos da da minha filha, resolvi que devia tentar contrabalançar. No espaço de três semanas já vamos na terceira festa. Quando os caranguejos começam a atacar é de seguida. E, ainda por cima, poucos dias antes de termos entrado na era caranguejeana, uma gémea também em festa. Portanto não há linha que aguente tamanhas tentações. Um autêntico festival gourmet que dura mais de um mês. Claro que, logo de seguida, sem dar tréguas, avançarão os leões. Uns poucos. Mas os caranguejos não se ficam por aqui. Aliás, de tarde, para desmoer, fomos uns quantos para a Decathlon para escolher presentes a pedido para o caranguejinho da semana que vem. Um filme. Um de trotineta, o outro a fazer do cesto com rodas um carrinho, o outro à cata de chuteiras e ela a falar muito alto, sempre com muitas coisas para dizer. E eu sempre a tentar contá-los, não vá algum tresmalhar-se. É certo que éramos quatro adultos para quatro crianças mas no meio daquela parafrenália de corredores, com tanta gente, é uma canseira. Além disso, um dos adultos também andava à procura de uma coisa e, portanto, para o efeito não contou. É que as crianças encaram a Decathlon como um gigante parque de diversões. E a tentação maior é irem para o sítio das bolas, tudo a jogar à bola. Verdade seja dita que até eu tentei encestar mas, talvez devido à desconcentração, atirei foi a bola para o corredor. 

Quando estávamos na caixa, eu exausta e o meu marido a queixar-se, 'estou estafado', a minha filha disse: 'pior será quando também vier o outro...'. Nem percebi: 'Qual outro?!'. Ora, pois claro, o bebé. Foi um dos que ficou em casa mas, do que dá para perceber, também vai ser fresco. Só quer andar ao alto, de preferência virado para a frente. No outro dia estava numa birra e eu, já sem conseguir calá-lo, perguntei à mana: 'O que é que a mãe faz quando ele está assim?'. Diz ela: 'Leva-o a ver as vistas'. Mas é mesmo. Quer estar à janela ou a cirandar, para ver tudo, mas não gosta de andar ao colo normalmente, só ao alto, com as costas encostadas a nós, para ver tudo de frente. Ou gosta de estar a ver de perto as brincadeiras dos outros. Ri-se como se estivesse a participar. 


Bem. 

Com isto, chegámos outra vez a casa já tarde. O meu marido queixa-se: 'Por isto ou por aquilo, um gajo nunca descansa'. É verdade.

Há bocado chamou-me. Ia comer alguma coisa, não queria eu também qualquer coisa? Não quis. Pensei que me aguentaria. Agora já foi deitar-se. Também, acorda cedíssimo. Mas a verdade é que está a dar-me a fome e acho que não me aguento sem ir à cozinha desforrar-me. Talvez fruta e umas amêndoas. 

Estou para aqui com esta conversa que não vos deve interessar para nada mas não tenho disposição para me pôr a falar de coisas espertas. De resto, nem sei o que são coisas espertas. Só as reconheço quando as vejo escritas em blogs alheios. Tanta gente sempre com vontade de  dizer coisas inteligentes ou profundas -- espanto-me com isso.

Adiante. A minha filha enviou-me um sms, quer ver fotografias de hoje e do outro dia. 

Já lhe enviei.
Mexem-se muito, vejo-me aflita para os apanhar sossegados. Quando estão na rua, luz com fartura, não há problema. Hoje, o almoço foi no quintal mas depois fomos para casa, em casa estava mais fresco. Além disso, encostaram as portadas para não dar o sol. Por isso, com pouca luz, não é fácil captar aquele revirote permanente. Mas fica o registo. E fica o testemunho de como crescem a olhos vistos. Ela também me enviou umas que me tirou com o bebé ao colo. Gosto, eu toda derretida e ele todo sorridente. Gosto muito de ter fotografias minhas com as crianças. Estou sempre a rir, a olhar para um, para outro. 
Bem. Vou interromper para ir morfar. Noutros tempos, comeria queijo com fruta, talvez um iogurte. Agora, os produtos lácteos estão interditos. Claro que volta e meia, rompo a interdição. Ainda hoje. Para levar, fiz uma espécie de tiropitas. Massa folhada. Ricotta e salmão fumado, um pouco de coentros picados -- isto para o recheio. Enrolo. Por cima, mel e sementes de sésamo e papoila. Vai ao forno. Fica uma delícia. Corto aos bocados. Ia lá eu fazer boquinha desinteressada a um petisco destes... eu não. Comi uns bocados, então não...? (E foi apenas um dos pecados, esse; outro o do chocolatíssimo; e fossem só esses...).


Pronto. Agora é que vou. Não sei se ainda volto porque também estou um pouco 'estafada'.

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A música é Julia dream dos Pink Floyd

As fotografias mostram os filhos de Alex Sumner que as fotografou

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Regresso para aqui partilhar convosco uma coisa que já tinha visto ontem e que, por se ter metido a série de posts sobre a praia ao fim do dia, ficou no deixa para lá. Agora já estou mais composta, uma vez que já me banqueteei com dois suculentos alperces e com uns miolos de noz e de amêndoa. Voltei à sala e liguei a televisão. Estava a acabar o Eixo do Mal e referiam a maravilhosa 'cena' que podem ver abaixo: Trump com cara de quem não percebia tamanha maluqueira e Macron todo divertido. Pela parte que me toca acho o máximo que no dia de França, num local onde também evocavam a chacina do ano anterior e na presença de uma alta (embora anormal) individualidade, a Banda da Armada Francesa tivesse escolhido tão divertida e desconcertante performance. De vez em quando percebe-se que a malta, apesar de poder parecer que não, ainda está viva. Só me apetece dizer: Vive la Republique!



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E um belo dia de domingo a todos quantos aqui me acompanham

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sábado, julho 15, 2017

Bird girl
[1º de 5 posts sobre fotografias feitas ao cair do dia na praia
-- e a ALTICE pode esperar]




Eu bem sei que te chamam pequenina 
E ténue como o véu solto na dança, 
Que és no juizo apenas a criança, 
Pouco mais, nos vestidos, que a menina... 

Que és o regato de água mansa e fina, 
A folhinha do til que se balança, 
O peito que em correndo logo cansa, 
A fronte que ao soffrer logo se inclina... 

Mas, filha, lá nos montes onde andei, 
Tanto me enchi de angústia e de receio 
Ouvindo do infinito os fundos ecos, 

Que não quero imperar nem já ser rei 
Senão tendo meus reinos em teu seio 
E súbditos, criança, em teus bonecos! 



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A Pequenina é de Antero de Quental

A Bird Girl é interpretada por Antony and the Johnsons

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Transforma-se o caçador na cousa caçada
[2º de 5 posts sobre fotografias feitas ao cair do dia na praia]



Transforma-se o caçador na cousa caçada, 
Por virtude do muito imaginar; 
Não tenho logo mais que desejar, 
Pois em mim tenho a parte desejada. 

Se nela está minha alma transformada, 
Que mais deseja o corpo de alcançar? 
Em si somente pode descansar, 
Pois com ele tal alma está liada. 

Mas esta linda e pura semideia, 
Que como o acidente em seu sujeito, 
Assim co'a alma minha se conforma, 

Está no pensamento como ideia; 
E o vivo e puro amor de que sou feito, 
Como a matéria simples busca a forma. 



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Onde acima se lê caçador e caçada, Camões escreveu amador e amada

Cena do filme "Lisbela e o Prisioneiro", na qual Selton Mello cita o poema de Luís de Camões "Transforma-se o Amador na Cousa Amada"

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Quando o vento leste ergue a saia das mulheres
[3º de 5 posts sobre fotografias feitas ao cair do dia na praia]



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Um amor como este
não pede mar ou praia:
somente o vento leste
erguendo a tua saia.

O resto é o futuro
além, à nossa espreita:
doce fruto maduro
na hora da colheita.

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Do amor e da poesia de Daniel Filipe

Poema do sol poente - Aline Frazão

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Pai e filho
[4º de 5 posts sobre fotografias feitas ao cair do dia na praia]



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Outra perspectiva
[5º de 5 posts sobre fotografias feitas ao cair do dia na praia]



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E a Altice pode esperar.

(Até porque não perde pela demora).

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Um bom fim-de-semana a todos vós, meus Caros Leitores

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