O Blogue da moda: actualidade, artes, literatura, jardinagem, família e muitas outras coisas

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quarta-feira, abril 01, 2015

Pénis de aviário - um negócio promissor (digo eu)


No post abaixo falei de decoração, da minha casa, de preparar a casa para receber a primavera, mostrei fotografias que podem dar boas ideias, etc. Mas, enfim, isso é a seguir.

Aqui, agora, dado ser o dia que é, deveria ser capaz de dizer uma mentira. Mas não me ocorre nenhuma pelo que vou antes falar de uma notícia verdadeira que achei muito interessante. Não é de hoje mas achei que dada a natureza da coisa não deveria deixá-la passar em branco.





Há pénis a serem criados em laboratórios



Algures em 2008, Anthony Atala e a sua equipa encontravam-se num dos muitos gabinetes do Wake Forest Institute for Regenerative Medicine em Carolina do Norte, nos Estados Unidos. 

O motivo? Comprovar que um coelho macho conseguia, com sucesso, acasalar com um coelho fêmea. Quando Anthony Atala percebeu que o coelho macho conseguiu cumprir com a sua tarefa, ficou feliz. 

Não por um qualquer fetiche, mas porque tinha acabado de provar que o conceito no qual estava a trabalhar desde 1992, o de que se podem desenvolver pénis em laboratórios para posteriormente serem utilizados em transplantes, era teoricamente possível. Aquele coelho foi um dos 12 para quem Anthony criou um pénis, através de bioengenharia. Todos os coelhos tentaram acasalar: oito conseguiram ejacular, quatro engravidaram a parceira.

(...)

Parece que por enquanto ainda só se conseguem tamanhos pequeninos, coisa para coelhos ou ratos. Mas já estão a experimentar para  humanos e, portanto, é porque têm esperança de conseguir que os ditos cresçam para tamanhos um pouco maiores.

(...) Anthony explica que, como é frequente nestes casos, a ampliação é um processo complicado. “Mesmo que possamos criar pénis para pequenos mamíferos, temos de ajustar a tecnologia, os processos, a proporção de células e assim por diante, para obter estruturas cada vez maiores. É basicamente isso que temos vindo a fazer desde a experiência com os coelhos.

A coisa tem a sua complexidade mas parece estar a correr muito bem.

Não vou aqui descrever o processo pois pode impressionar os mais sensíveis mas fiquei especialmente bem impressionada com o rigor que estão a pôr na coisa:

(...) já se fizeram progressos extraordinários. Anthony conseguiu criar meia dúzia de pénis humanos, ainda que não se encontrem preparados para serem transplantados. Anthony e a sua equipa estão a testar as estruturas para garantir segurança e efetividade. Existe uma máquina que esmaga, estica e torce os órgãos para se certificar que podem enfrentar o desgaste do dia-a-dia. Outra máquina que bomba fluidos para testar a capacidade de conseguir uma ereção.

Ou seja, quando estiverem prontos para o uso a que se destinam estão prontos para todas as vicissitudes: serem esmagados, esticados e torcidos, coisa para que, no dia a dia, obviamente, qualquer pénis deve estar preparado.


Não encontrei nenhuma fotografia dos bichinhos
 tal como se encontram no laboratório
pelo que optei por uma visão mais futurista:
como serão no futuro, às cores e de todos os tamanhos e feitios.


Claro que isto destinar-se-á, pelo menos na fase inicial, a casos graves de doença ou acidente mas já há quem esteja a esfregar as mãos de contente antevendo aqui um promissor nicho de mercado. 

Por enquanto são mais as mulheres que se insuflam, esticam, desbastam, enxertam, etc, tudo para ficarem nas dimensões e nas configurações que acham perfeitas. Contudo, é sabido que a cirurgia estética e os tratamentos de beleza estão a crescer estupidamente junto do público masculino. 

Portanto, é de antever que, no futuro, quando os homens não estiverem satisfeitos com essa parte da sua anatomia, lhes baste ir ao viveiro e escolher, de entre os que tiverem a medida ou feitio pretendidos, qual o que gostam mais ou qual é que está com melhor preço. Provavelmente algum funcionário deitará a mão, como se estivesse a pescar um lagostim num aquário, pesará e colocará num recipiente devidamente bem acondicionado para o cavalheiro levar ao cirurgião da esquina.

Boas notícias, portanto. 

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E por agora, fico-me por aqui não sem antes relembrar que, para assuntos mais imediatos, tais como decoração de casas, é só descer um pouco mais.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela quarta-feira. E nada de dizerem mentiras, ok?

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Pôr a casa pronta para a primavera, decorar com leveza e alegria. E mesas de café que não chateiam muito.







Como muito bem sabem as pessoas que por aqui passam de visita, faço parte da minoria privilegiada deste país. Não o digo com vaidade mas quase como uma justificação para falar no que vou falar quando sei que há tantas pessoas com dificuldade em manter a sua única casa. Mas tenho tido sorte e por isso me sinto agradecida, não sentindo que tenha que me envergonhar ou esconder a minha situação. 




Ou seja, tenho duas casas, uma na cidade e outra no campo. Claro que também não é nada de estonteante já que há quem tenha também casa de praia, um flat no Rio, um ninho em Paris, um iate não sei onde e talvez até um hotel inteiro noutro sítio qualquer. Enfim, tudo uma questão de escala. Adiante.

Vem isto a propósito de eu gostar de decoração e de ter por onde praticar. 




Não gosto de mobílias escuras, uniformes, pesadas, não gosto de ambientes convencionais. Se algum móvel é mais tradicional, logo o conjugo com outras coisas mais leves. Gosto de cores alegres, de peças variadas, de sítios onde nos possamos sentar no chão ou de ter banquinhos para que uma pessoa pegue neles e se sente onde quer. E gosto de almofadas e de as mudar de sítio. Quando se mudam as almofadas de sítio, é a cor delas que muda de sítio e a decoração já parece renovada.




A mesma coisa com as cobertas, os panos que se põem em cima dos sofás (quando se põem, claro) ou as colchas da cama. É fácil a casa parecer ter um ar rejuvenescido, fazendo pouco. Uma peça colorida, uma nova disposição das coisas, um bibelot inesperado, alegre, um espelho com uma pequena jarra com flores à frente, tudo ajuda. Enquanto escrevo, tenho suspensas no tecto, mesmo sobre mim, uma bailarina, uma fadinha e uma outra menina extravagante e só isso, acho eu, já dá um toque pessoal e divertido à sala. 




Vem isto a propósito do artigo da Harpar’s Bazaar dedicado ao rejuvenescimento primaveril das casas através de poucas mudanças e do qual fazem parte as fotografias que usei para ilustrar este post.



Em qualquer das duas casas tenho duas salas: a que é usada usualmente, onde está a televisão, os livros, o sítio para escrever, e outra que é usada quando se trata de convívio entre um grupo mais alargado de pessoas e que está perto da zona das refeições. 

Em qualquer dos espaços a lógica é sempre a mesma: sofás ou cadeirões em volta, mesas de apoio ao lado dos sofás, e nenhuma mesa a meio. 




Acho que uma mesa ao meio estorva, temos que andar em volta, acanha o espaço. Apenas na casa in heaven, na sala da lareira, pela própria configuração da sala e porque quero que tudo fique mais aconchegado em volta do calor, tenho uma mesa baixa de madeira e tampo de vidro que comprei uma vez num antiquário. Em cima tinha umas peças bonitas que, depois de uma ter sido partida por um dos pimentinhas, já desandaram quase todas para a madeira de cima da lareira (acho que aquela madeira que serve de prateleira deve ter um nome mas agora não me lembro). Quando tinha um sofá em frente da lareira, a mesa, sem nada em cima, passou a servir essencialmente para quando lá estávamos,  o meu marido pôr os pés em cima.




Depois reformulámos a decoração e agora há uma banqueta larga forrada a tapeçaria em frente, e um par de bergères de cada lado.

Mas, de facto, nas casas onde vou, a maioria talvez tenha sempre uma mesa baixa em frente ao sofá principal da sala. 




Vem isto a propósito de outro artigo da Harper’s Bazaar sobre mesas de café e que, por achar algumas soluções interessantes, aqui coloco algumas fotografias pois podem dar boas ideias a quem esteja com vontade de dar um novo ar à sua casa.


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Quem canta é Maria Bethânia & Omara Portuondo  interpretando Só vendo que beleza (Marambaia)

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E, já que de coisas da cas, aqui se fala, sigam, por favor, até à última invenção em termos de copo de vinho

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Até que enfim, inventaram um copo de vinho como deve ser...!


À vossa!


E à do Leitor que me enviou este copo com tão fantástico design!

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terça-feira, março 31, 2015

Livros junto ao peito, a nova moda nesta saison. E o rio ao anoitecer, belo e tranquilo. E o Bebedor Nocturno. E Mirleos.


Depois de no post abaixo ter mostrado cuecas adequadas a homens elegantes e a badochas fofos e de, mais abaixo ainda, ter mostrado uma fotografia que Leitor, a quem muito agradeço, me enviou sobre o wi-fi alentejano, aqui, agora, parto para outra.

À hora de almoço fui aos livros. Nada de mais. Vou para ver se há alguma coisa de novo, convencida a só trazer mesmo aquilo sem o que não vou conseguir passar. Mas, quando dou por mim, já estou a folhear sem me conseguir vir embora sem um, sem outro. Ainda hesito, tento controlar-me, mas é irresistível, coisa mesmo mais forte que eu.

Quando fui pagar, a empregada perguntou se queria um saco e disse-me o preço.

Lembrei-me, então, que no outro dia vi, salvo erro na Vogue, que o último grito da moda é usar livros ou revistas apertados contra o peito ou na mão, como se fosse uma clutch ou, na provável ausência de livros, uma clutch em forma de livro.

Na altura achei que aquela parvoíce era mesmo a última coca-cola do deserto, a ideia mais estapafúrdia que alguém podia ter tido. É o disparate completo: as modelos, todas fashion, a andarem todas produzidas e com um livro como se fosse uma carteira. É que não sei se estão a ver: a ideia não é ler o livro ou sequer parecer que se tem um livro, é apenas ter um ar sartorialist, street fashion, uma coisa nessa base.

Pois bem, naquele instante em que a empregada me informou sobre o preço do saco, pensei que isto, de facto, mais vale uma pessoa não se pôr a cuspir para o ar, que é como quem diz: nem mais, não levo saco, poupo os 60 cêntimos e ainda vou toda fashion. E assim vim, uma erudição em quatro volumes junto ao peito, toda eu com aquele ar saison que dá uma alegria primaveril de dar gosto.

Cheguei a casa e vi que um estava repetido (coisa que, de resto, já temia) e, portanto, pouca sorte, lá tenho que o ir trocar. Melhor: agora que estou a escrever, lembrei-me que não o vou trocar coisa nenhuma, fica é para os meus filhos.

Estive aqui a fotografá-los, já sem o repetido, e juntei os que comprei a semana passada. Claro que isto é sobretudo mais uma dose de frustração pois quando é que eu tenho vagar para me pôr de perna estendida a ler como deve ser...? 

Enfim, tristezas não pagam dívidas e, portanto, a alegria é estar rodeada de livros e poder ir espreitando, lendo aqui e ali (e fazer planos para os ler com tempo daqui por uns anos).


E vamos mas é com música para irmos melhor


Shostakovich interpreta o seu Concerto No 2 para Piano 





Do livro do Mia Couto, do Cem Poemas para salvar a nossa Vida e de mais um do Robert Mapplethorpe já aqui deixei alguns apontamentos ao longo da última semana.


Dos de hoje, já aqui estive de namoro com o Mirleos do João Miguel Fernandes Jorge e está a parecer-me um namoro promissor.

Transcrevo o poema Maria Madalena

Requebros do manto vencem o andar
perde-se a folha
onde escreveu o seu saber - ave, que não, o
simples mundo serpenteante

 - Querem mesmo saber de mim?
Os cabelos repousam na clareira dos ombros.
Ela estendeu a mão para que não lhe tocasse.
A meio caminho da cidade, do pântano, o zumbido dos
mosquitos o coaxar das rãs o grito do milhafre
erva queimada, as presas maceram ao sol.
Ele estendeu a mão - É verdade, somos imorais.



Quando saí do trabalho ainda era de dia. Com a mudança da hora, os dias trazem a duração que prenuncia o verão, o sul. 



Belo deslizava o rio no seu leito, e melhor seria
nele mergulhar a boca do que mergulhá-la numa boca de mulher.


[Início de 'O rio' de Ben Jafacha, numa tradução de Herberto Helder in O Bebedor Nocturno]



Peguei na máquina e quase tinha vontade de voar para a beira do rio. O meu marido teme estas minhas alegrias de máquina na mão, já sabe que a caminhada não vai ser a limpeza do costume. Ele vai andando e eu fico-me perdida na beleza do pôr-do-sol sobre o rio. E ele, para não me deixar abandonada, anda em frente, depois volta para me resgatar, depois segue e assim sucessivamente - já farto, claro está, e a avisar-me que eu nem pense que vai ser isto daqui para a frente. A ver vamos (como diz o ceguinho).



O vento batia nos ramos, ondulava o ouro do
crepúsculo sobre a prata da água.

Enquanto na margem eu distribuía vinho dourado
cujo reflexo mordia as mãos dos convivas.


[Final de 'O rio' de Ben Jafacha, numa tradução de Herberto Helder in O Bebedor Nocturno]



Depois, aos poucos, o dia foi caindo, uma beleza sem igual, uma paz imensa, silêncio, apenas o som ligeiro das águas que, aos poucos, vão absorvendo a falta de luz, escurecendo devagar.

E as luzes da cidade foram-se acendendo, aos poucos também, e eu podia ficar ali durante horas a fotografar a serenidade que envolve o rio, o céu, a cidade bela, e sentindo a serenidade macia que me cobre como um véu afável e transparente.



     As mãos da Primavera edificaram, no cimo dos caules, os castelos de açucena;
    castelos com ameias de prata onde, em volta do Príncipe, os guerreiros empunham espadas de oiro.


['A açucena' de Ben Darreach Al-Qastalli, numa tradução de Herberto Helder in O Bebedor Nocturno]



E depois a lua escondeu-se numa casa em ruínas e espreitou-me de uma janela aberta como devem ser todas as janelas - mas eu apanhei-a para vos mostrar.



A lua é um espelho empanado pelo hálito das raparigas.
E a noite veste-se com o seu brilho como a negra tinta se veste com o papel branco


['A lua' de Ben Burd El Nieto, numa tradução de Herberto Helder in O Bebedor Nocturno]



E então, já noite, vim para casa, feliz da vida, ligeira, leve, despida das preocupações que, ao longo do dia, se vão depositando sobre mim.


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E, para espantar qualquer resto de preocupação ou tristeza que vos cubra, desçam, por favor, até aos dois post seguintes. O humor é um remédio eficaz para qualquer mal.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela e serena terça-feira. 

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Homens em cuecas - ou quando o humor é mais sexy que o corpinho deles.


Um é elegante, badaladésimo, tudo no sítio, tatuado até dizer chega. Outro é um fofo, divertidíssimo, adorável, uma graça. A escolha não é fácil.



David Beckham and James Corden's New Underwear Line


(Ouçam, por favor, o que é dito que tem graça)


 

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E sigam, por favor, até ao post seguinte para saberem como é o wifi no Alentejo

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Wi-Fi à moda do Alentejo


Aqui na temes wi-fi. 

Falem uns com uns outros.





Nem mais.

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segunda-feira, março 30, 2015

A felicidade











Muitas vezes me tenho já aqui interrogado sobre o que é a felicidade.


Numa altura em que há mil livros de auto-ajuda - qual deles o mais estúpido - e numa altura em que proliferam os negócios em torno da leveza, do sorriso permanente, da juventude eterna, em que o sucesso continua a ser principescamente remunerado (ainda agora li que a Google Inc. aceitou pagar à nova directora financeira, Ruth Porat, 64,2 milhões de euros até 2019. O valor em causa inclui um bónus de 4,6 milhões de euros que a directora vai receber 30 dias depois de começar a trabalhar na empresa), acho que o verdadeiro segredo para alcançar a felicidade continua a ser pouco digno de atenção quando o natural seria que fosse a conquista maior que a humanidade deveria perseguir.

Mas faço um parêntesis para falar da indecente Ruth e do seu absurdo ordenado: a mim aquele valor parece-me obsceno, tal como sempre me pareceu obsceno que alguns gestores com funções normais recebam tanto de ordenado base como de bónus – e espanta-me que isso ainda aconteça nos dias de hoje apesar de estar provado à saciedade o que isto implica no desempenho dos gestores, levando-os a fazer de tudo no curto prazo mesmo que isso comprometa o médio/longo prazo ou mesmo que implique fechar os olhos a alguns alertas que a sua consciência faça soar, e, ainda, apesar de a sociedade começar, finalmente, a estar desperta para a fractura social que se agrava de cada vez que alguém aceita ser remunerado com valores que são várias vezes o que ganha o comum dos mortais.



Conheço pessoas ricas, que se acham talvez mais felizes por serem tão ricas, mas eu, do que lhes conheço, não vejo razão para grandes felicidades, tanto mais que parte significativa da sua vida é usada, afadigadamente, a tentar aplicar eficazmente tanta riqueza.  E conheço pessoas que, por muito terem, se desabituaram de gerir o que têm e, com o tempo, vão perdendo o que tinham e acabam num sufoco. E conheço pessoas que acham que a felicidade é coisa de pobres de espírito, que inteligente e sábio que se preze sabe bem que felicidade é coisa que não faz sentido e, portanto, cultivam a amargura, o desencanto. E conheço muitas pessoas simples, que não têm muitos bens materiais nem uma cultura por aí além mas que cultivam os afectos e uma vida vivida com equilíbrio e a quem vejo, com frequência, sorrisos de realização e felicidade.

Podia continuar a enumerar casos, tipos, situações, mas a conclusão seria sempre a mesma. Não sei a receita que assegura a felicidade. Mas sei que me sinto frequentemente feliz  e sei que, na maior parte das vezes, isso está associado a coisas do mais simples que há.




Ao contrário de colegas meus que metem na cabeça progredir na carreira custe o que custar e que transformam a sua vida numa luta permanente, arranjando inimizades, sempre num stress, a sentirem que, a todo a hora do dia, têm que mostrar serviço porque, a toda a hora do dia estão a ser avaliados, eu nunca me dei a esse trabalho. Também sempre fiz questão de que ficasse claro para toda a gente que o trabalho é parte importante na minha vida mas não a mais importante.  No trabalho tento dar de mim o máximo mas gerindo essa dedicação de forma a que ela não prejudique o meu tempo vital, que é o tempo que me reservo para o usar da forma que me dá mais prazer, com a família, amigos, comigo própria.

Tenho em mim a vontade de aprender, sempre a tive e tomara que sempre a mantenha. Mas não tenho a preocupação de mostrar o que sei, não tenho a preocupação de saber tudo o que há para saber,  não tenho a preocupação de memorizar o que sei. Portanto, retenho do acto de aprender o lado lúdico. Não me importo que, no que se refere ao conhecimento, achem que há em mim superficialidade ou leviandade pois não sinto nisto, como em praticamente nada da vida, que tenho que provar alguma coisa a alguém. Cada um que ache o que quiser.




Também, este meu lado de não me importar grandemente com o que os outros pensam sobre mim, dá-me uma descontracção natural.

Comprei no sábado uns sapatos para usar ao fim de semana, uma espécie de ténis compensados, de uma espécie de pele branca pintalgada. São super macios e confortáveis. Mas o meu filho, quando os viu, ficou espantado, que não eram sapatos para a minha idade, que lhe parecia mais coisa de adolescente. Como não obteve coro por parte da irmã, virou-se para a minha mãe ‘Vó, diz lá, achas que são apropriados para a mãe…?’. A minha mãe riu, encolheu os ombros e disse, ‘sei lá, já lhe vi tanta coisa, já estou tão habituada a tudo nela que já tudo me parece normal’.  Achei graça. Mas, de facto, quando faço escolhas, seja a que nível for, penso no que me agrada ou no que agrada às pessoas envolvidas mas não me deixo tolher pelo receio da opinião alheia (a bem dizer nem me lembro de tal coisa).

Mas, portanto, se alivio de sobre mim a carga do que de certeza não contribui para a felicidade (a ambição permanente, o receio da censura alheia, etc), por outro também me afeiçoo sobretudo a coisas simples. Não querer ser mais ou melhor que os outros, não fazer juízos precipitados, ser tolerante. Ou olhar o rio ou as árvores ou um quadro - quando os olho não penso em mais nada senão no que me é dado contemplar e isso traz-me uma paz enorme. Também me traz felicidade ler um livro que esteja bem escrito e onde eu leia coisas que me interessam, ou um poema. Ou ouvir uma música que me transporte para outra dimensão. Ou ser generosa para com os outros. Ou comer um petisco bom (e pode até ser batatas cozidas temperadas com azeite, coisa de que muito gosto). Ou fotografar e achar que consigo apanhar aquele movimento, ou a luz ou ocasião que são belos, raros ou especiais. Ou mostrar o prazer que alguém me proporciona. Ou, claro, receber e retribuir afagos, abraços e beijos em relação a quem mais amo, estar com eles, saber deles, apoiá-los, mostrar-lhes como são importantes para mim. Coisas assim.




Li que Jorge Bergoglio, Francisco I, o Papa tão próximo da vida real, quando falava na homilia da missa do Domingo de Ramos, que inicia a Semana Santa, disse que "o estilo" dos cristãos deve ser o da humildade e não o da "vaidade, do orgulho e do êxito”


E é isso.

Também vi no outro dia uma reportagem no Bored Panda sobre uma tribo a que chamam os ciganos do mar. Vejo as fotografias e invejo a felicidade que se adivinha em quem ali vive. O despojamento, a alegria do contacto com a natureza, a partilha de afectos, a simplicidade - tudo isso traz certamente a felicidade.

Transcrevo:

Traditionally, the Bajau resided in small boats, sailing day and night with the currents, counting only on their fishing gear to make a living. This is how they earned the title of the “sea gipsies”. Others used to live in hiding and many still live nowadays in the middle of nowhere, on floating villages built on the coral reefs. Today, many have come ashore to live on small islands, but continue to develop their perfect knowledge of the oceans, whilst selling their fish on a small scale.


Réhahn, a french photographer, spent a few days with these sea gipsies. He will keep forever in the depths of his heart the feeling of peace and serenity that emerges from these places, of these people who have nothing in common with our lives and who live only for and by the water.




A paz, a serenidade, a alegria das coisas simples.

A felicidade.

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A música é de Ennio Morricone - On Earth as it is in Heaven (da banda sonora do filme The Mission)

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma semana muito feliz a começar já por esta segunda-feira.

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domingo, março 29, 2015

A Crónica H de Pedro Santos Guerreiro. O Eixo do Mal com sentida homenagem a Herberto Helder. As marcas em nós de um Poeta maior num dia de sol junto ao rio.





De repente, depois de uns dias frios em que as noites junto ao rio se apresentavam envoltas num vento cortante, eis que chegou o calor, o céu limpo, o rio espelhado ao pôr do sol. 

Há uma doçura no ar, a doçura que vem com a promessa da natureza a renascer, com a temperatura que trará a pele para o contacto do sol. As cores estão suaves, limpas, e as pessoas passeiam devagar, namoram ao sol, conversam olhando os barcos que passam.




E para lá fomos, portanto, e lá foram ter os que tinham ido buscar quem chegou do norte. Os meninos gostam de brincar, correm, escondem-se atrás das árvores, jogam à bola, atiram o disco. Hoje o disco foi para ao rio. Vimo-lo a afastar-se. Um deles disse: não faz mal, é só um prato.

Aquele a quem eu chamava ex-bebé e a quem já não poderei chamar isso, uma vez que está prestes a fazer quatro anos, um rapaz divertido e corajoso a quem os primos tratam por Kokokas, subiu ao pequeno farol, e, destemido, queria ir mesmo até lá acima, queria ver a luz. 




Não o deixámos, claro, mas, ainda acima, ficou perto da lua. Aliás, quando viu a lua a esboçar-se naquele céu tão limpo, ficou intrigado e disse que se calhar já ia ficar de noite.

Depois o sol começou a pôr-se, esfriou. A luz coalhou-se nas águas, os barquinhos pareciam querer ir para lá do horizonte, mergulhar no oceano que vai para o outro lado do mundo.




Dali seguimos para um lanche, uma mesa grande, e os dez em volta da mesa, sempre aquela animação, as crianças riem, nós rimo-nos a olhar para elas. Quando cheguei a casa, já anoitecia e estava frio.




Estive, então, a ler o Expresso e, para começar, folheei a revista, vi as fotografias de Herberto Helder, depois li os vários textos, senti a emoção de quem os escrevia deixando transparecer a admiração profunda por este poeta maior. 


Depois passei para o jornal principal e, como sempre, fui para a crónica de Pedro Santos Guerreiro. E, aí tenho que confessar, comovi-me. Não estava à espera, não falava de economia, bancos, crises financeiras, do mal do País. Não, Pedro Santos Guerreiro falava com o Poeta.  Chamou-lhe Crónica H.



Estou acordado. Fala-me de ti. Hoje não há espadas trespassando os cometas da semana, Herberto Helder morreu e eu vou escrever uma crónica. Não é um texto de opinião, não é um editorial, não é sequer uma coluna, são apenas quatro quartos de coluna, é uma crónica, é fogo daqui em diante, a saída de emergência é já aqui. Saia.

Fique.

(…)

Este texto é meu e não vim cá hoje para ver nem para ler, vim para estar. E ir. Afinal, isto é uma crónica e é a minha forma de expressar não o amor por ele mas o amor pelo amor que ele nos revelou. Herberto, o que quero eu? É apenas uma crónica, não preciso de vencer. Só quero dizer: Herberto é para ler todo e serve para ler tudo. E para nos vermos a nós depois dele, no nosso mundo depois daquele, que são o mesmo, mas nós diferentes.

Sim, estou acordado. Fala-me outra vez.


[A Crónica H completa, de Pedro Santos Guerreiro, pode ser vista aqui]



Também especialmente comovente a parte final do Eixo do Mal.

Clara Ferreira Alves, emocionada, mas solid as a rock, falou não tanto da obra, imensa na sua imensa beleza, mas sobretudo do homem, uma catedral, um homem grande neste tempo de homens pequenos. Contida, a voz arrancada palavra a palavra, disse palavras justas e marcantes sobre o pai do homem que, em sua frente, a escutava. Também contido embora comovido, Aurélio Gomes passou a palavra a Pedro Marques Lopes que, olhos marejados, voz emocionada, disse que apenas diria que era o poeta da vida dele e o pai de um grande amigo. Luís Pedro Nunes não quis falar e eu compreendi. Finalmente falou o filho. Daniel Oliveira disse que nunca tinha querido falar do pai e agora falava apenas para pedir que não façam agora ao pai aquilo que ele não quis em vida: dar o seu nome a uma rua ou praça, fazer um busto, coisas assim. Não o disse mas deve ter pensado que era a primeira vez que o pai não o estaria a ver como sempre costumava fazer. Mas sabemos lá nós se não o estaria mesmo a ver.





A seguir, emocionado, Aurélio Gomes passou Fernando Alves a dizer um poema de Herberto Helder, enquanto mostravam fotografias do poeta. No fim, estavam todos comovidos e eu também. Ninguém gosta de pensar que os poetas também precisam de descansar.


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O poema de Herberto Helder que Fernando Alves diz no vídeo do Cine Povero é As manhãs começam logo com a morte das mães.


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No post a seguir falo das Testemunhas de Darwin e de outras.

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Desejo-vos,meus Caros Leitores, um radioso dia de domingo.

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Os evangelistas. Ou os pregadores. Ou os meninos. Ou as Testemunhas de Darwin.



Quando vou caminhar de manhã ou quando ando a pé pela cidade em horário de movimento, vejo-os quase sempre. Andam aos pares quando não aos três. Os homens têm umas pastas, as mulheres seguram umas pastinhas finas debaixo do braço. Conversam uns com os outros. Estão sempre a conversar. Que eu repare, raramente interceptam quem passa. Estão entretidos na conversa. Agora adoptaram uma técnica. Montam nos passeios uns estreitos escaparates em cartão onde colocam folhetos. Por isso, já não têm sequer que distribuir a palavra impressa aos incréus.

Nunca vejo ninguém lá ir levantar nenhum folheto nem eles fazem nada por isso.

Não faço ideia qual a religião que professam nem qual a palavra que querem espalhar. Testemunhas de Jeová? Daquelas Igrejas Evangelistas que proliferam nas cidades? Não sei.

Há também aqueles Meninos de Deus ou Elder, nunca sei. São altos, louros, andam de fato cinzento antracite, camisa branca, no verão andam em mangas de camisa mas semmpre com aquele ar aperaltadinho, também aos pares, e sempre também conversando uns com os outros. Já não é a primeira vez que os vejo quando caminho rente ao rio, em lugar de ruínas e ninguém. Lá vão, indiferentes à paisagem, a um ou outro pescador de linha, aos gatos, às mulheres que se empenham na engorda dos gatos, aos turistas que por ali passam em tempo de calores. E também já não é a primeira vez que tocam à campainha do portão in heaven, local de pássaros, coelhos, pedras e árvores. Muitas vezes fazemos de conta que não ouvimos ou dizemos que não estamos interessados e eles lá vão, indiferentes, como se aliviados por não terem que interromper aquela conversa lá entre eles.



TESTEMUNHA DE DARWIN  na Porta dos Fundos


O que pode ser melhor que um cara aleatório tocando sua campainha do nada, pra te falar uma porrada de coisa religiosa que você não sabia, que você tem que abdicar de bebida e sexo, pedindo uma doação, enquanto você fica na porta de cueca, com sono, sem entender nada? Um cara que faz isso tudo pra te levar umas verdades




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sábado, março 28, 2015

Samba, um filme a não perder - num cinema perto de si


Ao lado da casa de uma das minhas avós, já o contei, vivia uma senhora de porte imponente, que tinha um atelier de costura, com muitas 'raparigas', costureiras. Ela, a patroa, era a modista e nós, em casa, chamávamos-lhe 'a vizinha modista'. A vizinha tinha dois netos, uma das quais uma rapariga muito independente que quis fazer a universidade no estrangeiro. Vinha de férias e ela própria já vinha com modos de estrangeira. Até que um dia apareceu com um namorado que era o dobro dela. Ela era baixinha e miudinha e ele era um gigante. Negro. Preto retinto. Aquilo foi um choque para toda a gente. Estrangeiro e preto. Toda a gente ficou como que com pena. Lembro-me de a minha mãe se fartar de rir com uma coisa que a vizinha modista disse à minha avó. 'parece ser um bom rapaz apesar de ser preto'. Aquilo, para mim, ainda por cima acentuado pelo riso da minha mãe, soava-me a disparate de alto calibre. Lembro-me que na altura se discutia o assunto e de os meus pais se interrogarem como reagiriam se eu, mais tarde, viesse a arranjar um namorado preto. Por acaso não calhou, os meus namorados foram todos brancos. Mas na escolha em definitivo pelo último pesou bastante o facto de ser bem moreno e de, quando apanha sol, ficar com ar de marroquino.

Adiante.




O filme que fui ver tem a ver com uma inesperada relação afectuosa entre uma mulher branca (bela actriz, a Charlotte Gainsbourg, a menina de seus pais), e um homem negro, Omar Sy (um homem negro lindo). 

Mas o filme não é sobretudo sobre isso. Tem muito a ver com uma realidade terrível, uma realidade invisível. Quando penso em dramas humanos nas sociedades ditas modernas e civilizadas penso sobretudo no drama dos imigrantes. É gente que veio sem nada de países em guerra ou que vivem afogados na pobreza mais absoluta, que vem em busca de um sonho, mas que tem que se anular, quase esquecer a sua identidade, viver num mundo oculto, sem direitos, explorados, acossados. Quando vejo aqueles barcos em Lampedusa, carregados de gente esfaimada, sedenta, desidratada, enrolados em plásticos como um desgraçados, muitos sendo recambiados sem compaixão, dá-me tanta, mas tanta pena. Gente igual a nós, com afectos, com laços, com ambições e que, no entanto, vive na penumbra do mundo.

Não vou contar o filme mas, independentemente da tristeza pungente que por vezes transparece, tudo é mostrado com humor, com uma grande ternura. Ri-me imenso, ri-me de gosto, devo ter sorrido grande parte do filme, uma ironia, uma graça. E uma música. Há uma cena deliciosa de uma festa, uma alegria, tudo uma boa onda que dá gosto. E é um filme francês e eu gosto tanto da língua francesa, soa-me bem.




Não encontrei o trailer legendado em português. Apenas o encontro no cinecartaz mas não o consigo colocar aqui, apenas posso deixar o link.

Coloco com legendas em inglês pois sei que muitas pessoas não sabem francês.



Excerto da sinopse do Cinecartaz do Público:

Samba Cissé (Omar Sy) é um imigrante senegalês que sonha fazer carreira como "chef" de cozinha. Contudo, apesar de viver em Paris há mais de dez anos, nunca conseguiu a autorização de residência de que tanto precisa para atingir os seus objectivos. Durante este tempo, foi sobrevivendo com pequenos trabalhos mal remunerados, tentando sempre regularizar a sua situação. Um dia, é apanhado pela polícia e encaminhado para o serviço de estrangeiros e fronteiras para ser deportado. É então que conhece Alice (Charlotte Gainsbourg), uma mulher que há anos luta contra uma depressão e que trabalha como voluntária numa organização de apoio a imigrantes ilegais. Apesar de saberem que deveriam manter a distância para não se envolverem emocionalmente, Samba e Alice vão encontrar um no outro aquilo de que tanto necessitam para avançar com as suas vidas.

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Se puderem, não deixem de ver que, de certezinha, vão gostar.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, um bom sábado. 

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sexta-feira, março 27, 2015

It takes two to tango. E não importam as cores porque o amor é colorido.


Eu capricho na conquista
no fogo da sedução

Sou Dama da minha vida
deixo nela a minha pista

Senhora de meu desejo
de meu prazer e paixão




Ele é intermediário
como os anjos
entre o símbolo e o olhar

a realidade e a magia

Entre quem vê e quem sente
quem ilumina e cativa

Quem imagina e quem mente




Vê a ninfa
sair do bosque

Identidade intacta
como tem a rosa

O ruído e as palavras
tropeçam-lhe na língua

E no seu corpo desliza
o insaciável desejo




Serás o                                   Serás o       
noviço                                             desvelo?

Serás o                                   Cordeiro
       novelo?                                  no aprisco?

Serás o                                   Algidez
meu vício                                    sem apelo?



Yo te quiero siempre





Ernesto Lecuona / Grupo Corpo


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Os poemas fazem parte do belíssimo livro A Dama e o Unicórnio de Maria Teresa Horta. O primeiro chama-se Conquista, o segundo Intermediário, o terceiro Ninfa e o último Desvelo.

As fotografias fazem parte de uma campanha denominada Love is Colorful (patrocinada por Zim Colored Powder) que pretende chamar a atenção para que amor é amor, sejam quais forem as inclinações sexuais, e tive conhecimento dela através do Bored Banda.

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Sobre a  estranha queda do avião alemão e sobre as suspeitas de que teria sido o co-piloto a provocar deliberadamente o acidente, falo já a seguir.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela sexta-feira, com saúde, sorte e amor.

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Das 150 pessoas a bordo, apenas Andreas Lubitz soube que iam morrer





Eu desejo estar só. Não busco companhia.
Quero só o silêncio. Não me agrada murmúrio
nenhum à minha beira.





Jogo a minha vida, troco a minha vida.
De qualquer maneira
ela está perdida...





Tragédia nos Alpes. Passageiros só se aperceberam do desastre no último momento



É apenas nos últimos segundos da gravação retirada da caixa negra que se ouvem gritos dos passageiros que iam a bordo do Airbus A320 da companhia de baixo custo Germanwings. Este facto leva o procurador-geral de Marselha, Brice Robin, a concluir que os tripulantes apenas se aperceberam que o avião ia colidir no último momento.    


"A morte foi imediata, o avião explodiu ao colidir com a montanha" a uma velocidade de 700 km/h, acrescentou esta quinta-feira Brice Robin, em conferência de imprensa com os familiares das vítimas. O avião perdeu progressivamente altitude ao longo de oito minutos, antes de se despenhar - nesse período, e segundo os investigadores, o copiloto não deixou o piloto entrar na cabine. O comandante tinha-se ausentado momentaneamente.

Além dos gritos dos passageiros, a gravação revela ainda que, momentos antes da colisão, a respiração do copiloto, o alemão Andreas Güenter Lubitz, se mantinha calma, o que mostrava que o copiloto estava vivo e consciente - invalidando a tese de um problema de saúde repentino.   


Brice Robin anunciou esta quinta-feira que o copiloto alemão, de 28 anos, destruiu o avião intencionalmente, bloqueando a porta da cabine de pilotagem após o comandante Patrick Sonderheimer ter saído momentaneamente.   

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Apesar de se falar numa anterior depressão penso que ainda será prematuro adiantar explicações para um drama tão impressionante.

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  • O bailado é Falling Angels, coreografia de Jiří Kylián, pelo Bałtycki Teatr Tańca
  • A primeira imagem é parte de L'ange déchu e a segunda é um estudo para a mesma obra de Alexandre Cabanel.
  • Os pequenos excertos fazem parte respectivamente de Admonição aos impertinentes e Relato de Sergio Stepansky de León de Greiff.

quinta-feira, março 26, 2015

Cate Blanchett, a propósito da sua intervenção no filme Cinderela, mostra como se deve lidar com entrevistadores que fazem perguntas estúpidas: 'É essa a sua pergunta?', 'That’s your question? That’s your fucking question?' Então, 'nice to meet you'. Nem mais.


A bela Cinderela e a sua malvada madrasta
Lily James e Cate Blanchett


Vai uma mulher como Cate Blanchett prestar-se a conceder uma entrevista a propósito da sua intervenção no novo Cinderela, quando o entrevistador lhe faz uma perguntinha sobre o gato. 


Talvez uma qualquer princesinha se derretesse em sorrisinhos, contando, com pormenor, como se tinha dado com o doce felino e tal e coisa. Mas Cate Blanchett não é uma princesinha, nem uma pipoquinha saltitona. Cate Blanchett sabe ao que anda e tem mais que fazer do que aturar gente idiota. E, então, vai daí, com educação e deixando o entrevistador sem saber bem o que lhe tinha acontecido, espantou-se, riu-se e despediu-se. Nem mais.

Um exemplo a seguir por cá já que o que mais se vê são entrevistadores a cansarem a nossa inteligência com perguntas parvas umas atrás de outras.



Mais sobre o assunto na Vanity Fair.


E, já agora, let's look at the trailer do Cinderela (que tem um guarda-roupa sumptuoso).



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Sobre a beleza pura das imagens perfeitas, do bailado, da poesia e da voz que a diz, é descer, por favor, até ao post já a seguir.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa quinta-feira.

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Robert Mapplethorpe, a perfeição, a beleza. Jiří Kylián, a Bella Figura. Pablo Neruda, se tu me esqueceres




Procuro a perfeição da forma. Nos retratos. Nos sexos. Nas flores.




Se eu tivesse nascido há cem ou duzentos anos, teria sido sem dúvida escultor mas a fotografia é uma maneira rápida de olhar, de criar uma escultura.




De facto, sou obcecado pela beleza. Quero que tudo seja perfeito.




Eu mergulho completamente nesta flor. 




Eu adoro as minhas fotografias de flores. Prefiro-as mesmo às flores reais.




Lisa Lyon faz-me lembrar os modelos de Miguel Ângelo que esculpiu mulheres musculosas.




O sexo é mágico. Se for bem carnalizado, há mais energia no sexo do que na arte...

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Bella Figura, uma coreografia de Jiri Kylian pelo Nederlands Dans Theater 




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If You Forget Me de Pablo Neruda (lido por Tom O'Bedlam)



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