Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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terça-feira, agosto 30, 2016

Algarve, segundo uns, o segredo mais famoso da Europa
-- para mim, um território desconhecido
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Não é que eu hoje esteja preguiçosa. Até andei há bocado -- noite escura, bem escura e silenciosa, por trilhos solitários, nem respiração de vivalma -- a fotografar árvores. As árvores à noite têm um mistério e uma beleza transcendentes. Tenho-as aqui. E, de dia, a caminho da praia, voltei a andar feita paparazzi de trazer por casa a fotografar maisons maravilhosas, maisons que ou são para alugar a realezas ou a estrelas de Holiwood ou, então, são pertença de russos ou chineses. Só pode. Também as tenho aqui para vos mostrar.

No entanto, não apenas um Leitor me tinha deixado um vídeo muito interessante num comentário como, ao abrir o mail agora à noite, dei com várias sugestões.

Muitas vezes não tenho tempo, outras não tenho espaço em disco (e ainda não tratei dessa tal nuvem que há-de guardar todos os meus segredos e tesouros) e, por isso, nem consigo ver os vídeos que me enviam. Hoje consegui.

E se por aí abaixo podem encontrar dois vídeos bem diferentes mas igualmente interessantes, este agora, igualmente enviado por Leitor a quem muito agradeço, não deixando de ser publicidade e tendo já algum tempo, é, para mim, um desafio. Vejo-o e percebo que, apesar de achar que conheço razoavelmente o Algarve, afinal não conheço puto. Ao passo que, para as outras zonas do país vou para conhecer e passear e acabo por conhecer razoavelmente, para o Algarve essencialmente venho para a praia ou para descansar. Por isso, confesso: sou ignorante deste pedaço de território onde nasceram todos os meus avós e onde tantas vezes vim passar férias, muitas vezes em casas da família. Ao ver o vídeo pasmei: não faço ideia onde é uma parte significativa do que ali está.


Transcrevo o texto de apresentação do vídeo:

O Algarve é um dos segredos mais bem guardados da Europa: pela espectacularidade da sua costa e das praias de areia dourada, pela qualidade premiada dos greens, pelas paisagens dramáticas da Costa Vicentina ou pelo contacto com a Natureza de que se pode desfrutar nas áreas protegidas da ria Formosa, do sapal de Castro Marim ou da ria de Alvor. Cada visitante do Algarve acaba por descobrir o seu próprio segredo. Esse é o conceito da nova campanha promocional do destino.

Há os hotspots mais conhecidos, onde todos queremos estar: as praias da moda, os nightclubs à beira-mar, os novíssimos hotéis cinco-estrelas, os restaurantes com estrelas da Michelin, os eventos de Verão. Há um sem fim de experiências que marcam e que fazem do Algarve o destino de férias mais desejado pelos turistas portugueses e estrangeiros.

Algarve, o segredo mais famoso da Europa



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Podia ter colocado aqui algumas fotografias das árvores à noite mas acho-as tão especiais que acho que tenho que fazer um post só para elas. Por isso, coloquei umas flores e uns frutos (?) que vi nas dunas e que achei lindos e, a seguir, umas flores que vi num canteiro público. E achei-as igualmente lindas.
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E desçam, por favor, caso queiram ver umas 'cenas' giras.

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Uma viagem. Duas equipas.
[Belíssimo anúncio da United com a equipa americana dos Jogos Olímpicos Rio 2016]
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Depois do vídeo abaixo que me foi recomendado pelo Bob Marley e que eu também vos recomendo pois transmite muito do que também é a minha maneira de estar na vida -- ie: tentando não me focar excessivamente em objectivos que se tornem castradores ou que ceguem, tentando não passar ao lado das coisas boas que apenas estão disponíveis para quem as vê e para elas tem tempo -- continuo a fazer-me eco das recomendações dos Leitores.

De Leitor a quem muito agradeço, acabo de receber por mail, um vídeo que é um anúncio. Publicidade. Mas uma publicidade inteligente. Não deve ter sido barata. É da United Airlines, mais vulgarmente conhecida simplesmente por United. E estabele uma ligação de pertença (a United é americana e quer posicionar-se entre as melhores tal como a equipa olímpica americana) e uma ligação de afecto (todos gostarão de ver os seus atletas e sorrirão perante os seus feitos) e isso são as ligações mais fortes que uma empresa pode pretender estabelecer com os seus clientes. Belo anúncio, belo vídeo.

United - Team USA Commercial: "One Journey. Two Teams."




Diz o Leitor que o anúncio também merece uma medalha de ouro. Concordo. Pode chamar ao pódio.

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E sigam, por favor, para: 'Porque a sua vida não é uma viagem'


Porque a sua vida não é uma viagem
- uma escolha de Bob Marley directamente para o Um Jeito Manso
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Aqui no bem bom, recebi do Leitor Bob Marley -- a quem agradeço --, em comentário a post mais abaixo, a indicação de que o vídeo que se segue é bom para as férias. Como sou bem mandada, fui vê-lo e gostei e, para que não passe despercebido, aqui lhe dou honras de primeira página.

As imagens, as palavras, a voz que as diz: tudo muito a propósito das vidas que são vividas a perseguir um objectivo (tantas vezes objectivos inalcansáveis ou fúteis) esquecendo o prazer de as viver, ou melhor, o prazer da descoberta de tudo o que as pode tornar boas para serem vividas.

O vídeo é de David Lindberg que assim o apresenta:


A film I made last night based on my favourite quotes from Alan Watts about how the way of looking at your life as a journey can be the most destructive way. Please have a listen to his wise words.


Scenes from Tree of Life

Music: 
Sleeping at Last - Saturn
Sleeping at Last - Uranus


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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela terça-feira.

Be happy.

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segunda-feira, agosto 29, 2016

Casas viradas a sul, com vista de mar
... e não, não é um convite a uma carga do IMI, é um louvor ao bom que é poder viver aqui, em terras de Portugal
[E não me peçam para falar das alucinações do láparo porque sou uma pessoa caridosa, ok?]






Aqui, para contrastar com as restantes, uma das grandes casas de arquitectura clássica


No lugar para onde vou sempre, e geralmente mais do que uma vez por ano, a água é mais fria, sente-se a força do atlântico. É o lugar do sul onde mais gosto de estar, como se aquelas ruas me chamassem e aquele imenso mar azul me quisesse por perto. Mas não agora. Agora, sem tempo para grandes escolhas e procurando apenas a tranquilidade de um mar onde pudessemos estar imersos, desviámo-nos. Aqui sentem-se já ao longe as brisas e o calor das águas do Mediterrâneo. 


A noite está quente, as palmeiras ondulam muito levemente, recortam-se contra a escuridão. Na varanda, entre árvores muito altas e arbustos perfumadamente coloridos, está-se muito bem. As noites de verão a sul trazem o ar quente de um sul ainda mais a sul.


Jantámos também ao ar livre, um peixe fresco. Um pátio quase silencioso, com recantos, um ar morno, e flores e árvores. Ao nosso lado, um casal inglês comia camarões gigantes e pedia ao dono do restaurante que os fotografasse, abraçados, os camarões à frente. E riam-se para nós, enamorados e querendo testemunhas para a sua felicidade. No fim do jantar, a senhora que servia a nossa mesa e que era uma simpatia e que eu juraria ser a mulher do dono do restaurante, quis oferecer-nos um licor de amêndoa. Há pessoas que parecem ser genuinamente acolhedoras.

Depois fomos ainda passear e, no regresso, deixámo-nos ficar na varanda. 

Vesti-me toda de branco como gosto de me vestir no verão, em especial quando estou nas terras quentes do sul. E pus um colar muito comprido de pedrinhas todas brancas e uns brincos também brancos. Tinha levado para vestir por cima, caso arrefecesse, um casaco aberto, solto, de um tecido muito fino, tão fino como a camisa branca, solta, e leve. O casaco é preto mas bordado a branco, à mão, e eu gostava de o ter visto a cobrir o branco, todo o branco, de debaixo. Mas não foi preciso vesti-lo, tão quente a aragem da noite.

.......

Não temos planos para segunda-feira. Espero apenas não ser acordada de madrugada, espero poder estar muito tempo dentro do mar, espero que nenhuma onda grande me apanhe desprevenida e me enrole como uma traiçoeira me fez este domingo que me fez pensar que tomara que o meu marido desse por eu estar desaparecida e me resgatasse do fundo do mar (mas não foi preciso, porque a onda passou e eu voltei a ver a cor do céu e a ser senhora dos meus movimentos - mas, momentaneamente, vi o caso mal parado, podem crer...), espero passear e ler e dormir e sentar-me na varanda a olhar o dia e o mar e o casario branco mais lá ao fundo.


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Este domingo, de tarde, enquanto passeávamos, eu ia vendo as belas casas rodeadas de pinheiros. Há uma zona em que as casas são clássicas, com varandas e varandins, recortes nas fachadas, escadas, e algumas quase parecem apalaçadas. Mas a minha atenção foi convocada sobretudo para umas que parecem recentes, ainda não há muita vegetação à sua volta, todas brancas e com grandes planos de vidro, grandes varandas e pátios abertos virados a sul.

Que maravilha. Com uma soberba vista sobre o mar, inundadas de azul, estas casas devem ser um sonho.

Fotografei-as e agora lembrei-me de as partilhar convosco. Quem sabe não está para vos sair o euromilhões ou não herdaram uma fortuna de uma tia rica.

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E por hoje acho que é isto. Claro que, em vez de estar com esta conversa, podia ter comentado as alucinações que o láparo anda a ter, Parece que agora anda a dizer que a malta tem medo de pôr cá o dinheiro porque nunca se sabe o que acontece num país comunista. Não sei se, na cabeça dele, é um comunismo na base do chinês, do angolano ou do cubano. Mas isso também não interessa porque ele também não deve distinguir bem as nuances. Deve é achar-se ungido de dons marianos, a meio caminho de nos aparecer em cima de uma azinheira, rodeado de uma luz branca, ele também vestidinho de branco, com um véu muito lindo, e a anunciar desastres para Portugal.

Mas eu não podia comentar uma coisa destas, não é? 
Ou ele anda a chutar para a veia ou está num processo de demência acelerada ou qualquer outra coisa assim; mas, seja o que for, é caso é para a gente ter pena do pobre. Não sei é se nestes casos a coisa não é daquelas públicas em que, quem dê por ela, tem o dever de mandar internar. Se for, alguém, por favor, que alerte as autoridades (eu só não o faço porque estou de férias).


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Lá em cima era Salif Keita a interpretar Djele

E caso vos apeteça ver o mar azul, a sul, desçam, por favor, até ao post já aqui abaixo. 

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E, então, finalmente, o mar a sul




Da varanda, ao sol, olhos quase fechados e nem dá para ler, só estar, descansar. E o mar já ali. Azul, azul como só o mar a sul.

E, lá, a água quase tépida, tempos e tempos na água, nadar, deixar que as ondas passem sobre a cabeça, depois preguiçar ao sol e voltar a entrar na água, e nem custa nada a entrar, tão boa, tão boa.


E depois olhar os barcos ao longe, na linha do horizonte. E o mar cintilante e o veleiro como um rasto de memórias.

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E depois voltar a pé, aspirando o perfume dos pinheiros, ver o pôr do sol enquanto aqui escrevo.

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Até já.

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domingo, agosto 28, 2016

Filmes caseiros e a casa virada do avesso
- e, quem sabe, os da Próxima a observarem todas estas cenas




Pois é, a questão é que aqui estou outra vez já bem depois da meia-noite. É a história da minha vida. Tinha pensado que, durante o dia, algures no tempo e no espaço, conseguiria chegar até ao blog e escrever sobre o que ontem tinha em mente: o novo planeta, parecido com a terra, talvez com vida. Apetecia-me tanto divagar sobre isso.

Na minha santa ingenuidade até pensei que ia conseguir responder a mails. Gosto de escrever cartas e responder a mails é, na minha mente sonhadora, quase como voltar ao tempo em que havia tempo para escrever cartas que o carteiro haveria de ir entregar aos destinatários. Queria tanto e, no entanto, mais um dia sem o conseguir. Também precisava de escrever uns mails de trabalho. Na noite passada, acordei a meio com uma epifania que mudava tudo. De manhã pensei que tinha que mandar uns mails a fazer uma série de mudanças, talvez primeiro uns a saber a opinião ou a dar conhecimento antes de passar à acção. Mas... e o tempo para isso...? O dia já aqui vai e não é a esta hora que vou começar a tratar de coisas que requerem ponderação.

Impossível. O dia todo preenchido e cada vez mais preenchido à medida que o dia foi avançando.

Tive cá a tropa miúda toda e parte da graúda e, como sempre, gera-se aquela potenciação energética de sempre. Os mais pequenos chegam com as pilhas todas mas, à medida que brincam, correm, saltam, lutam, cantam, representam, gritam, riem e fazem a festa, mais as pilhas se recarregam. Energia gera energia.

O mais crescido, talentoso e ágil na execução de tudo o que lhe ocorre,  deu em realizador e faz uns filmes deliciosos com os outros mas os filmes metem lutas, perseguições e correrias e aquilo é o desassossego, a casa virada do avesso. Vinham raptar a princesa mas a coisa deu em batalha campal. Até eu apareço no filme a dizer 'Cuidado! Não se magoem!' e, às tantas, o realizador 'Oh Tá, vais passar o filme todo a dizer a mesma coisa?'

Quando o filme ficou pronto e o vimos, todos têm a voz mais grossa que a minha, dir-se-ia que sou eu a princesa.

Uma coisa constrangedora.

No fim das gravações havia almofadas pelo chão, as banquetas todas fora do sítio, e até bolas de natal saíram à cena, acho que eram o tesouro da princesa, a outra, a verdadeira.

O meu marido aborrece-se, que eu sou muito permissiva. Mas que posso eu fazer: andar feita avozinha aos gritos atrás das crianças, a obrigá-los a estarem sentados com as mãos nos joelhos e a falarem baixinho? Impossível.

Há bocado, chegou à sala, tinham eles tirado a parte do assento do sofá dele para darem saltos no chão em cima daquilo, um número tipo Jogos Olímpicos. Quando viu, ficou fulo. Deu-lhes um berro: 'Éh pá, que vem a ser isto? As almofadas já postas no sofá!'. Eles fizeram-no de imediato, obedecem sempre ao avô, mas continuaram a brincar como se nada se tivesse  passado. O ex-bebé, um artista, é que se virou para mim como que indignado: 'Oh Tá, e tu deixaste...?'. Nem quis acreditar. Como se a culpa fosse minha. Uma coisa mesmo de gajo.  E o meu marido: 'E tu aí, sentada, na conversa, podem os gajos destruir a casa que nem dás por nada, sempre na boa'. Também não lhe respondi, continuei na conversa, observando a minha filha a ser maquilhada pela sobrinha.

E o mais pequeno? Um comediante de primeira: faz palhaçadas, canta, dança, atira-se para cima dos outros, um brincalhão de primeira. Cresceu no meio do reboliço dos outros (e tem ainda outro primo rapaz, para além de uma prima bebé) pelo que não se torce nem se amolga no meio daquelas lutas livres que eles lá fazem, especialmente com o primo do meio, o dito ex-bebé, que é possante como um touro. E eu sempre com medo que ele se magoe. Neste momento, dos três rapazes, é o maior vendaval, nada teme, nada o inibe, e é um motivo permanente de atracção artística

Derreto-me a observá-los.

Contudo, a verdade é que chego ao fim do dia sem pilhas: os miúdos comem como uns lobos, falam muito alto, fazem-me andar num revirote, brincam e perseguem-se em contínuo, gera-se uma tal dinâmica entre eles que é quase impossível sossegá-los -- e uma pessoa fica com a cabeça feita em água.
No entanto, talvez o sono a começar a descer, os três rapazes acabaram a noite sentados no sofá com o avô, a verem desenhos animados e nós três, meninas, nos penteados e maquilhagens.

Às tantas, às escondidas, a bela menina pegou num gloss meu e pintou os lábios de cor de morango. A tia já lhe tinha posto um brilho branco nas pálpebras que ainda iluminou mais o seu incrível olhar azul. Estava linda. Mas zanguei-me: 'Não pode ser, vai limpar os lábios'. Respondeu-me com a sua irredutível calma olímpica: 'Nunca'. Fez agora seis anos e cada vez está mais coquette e, ao mesmo tempo, determinada. A minha filha desatou-se a rir e imitou-a em voz baixa para ela não se aperceber: 'Nunca.' Mas eu insisti: 'Vá, tira isso. Quando os pais chegarem vão zangar-se'. Fez de conta que não ouviu e foi buscar umas lãs de várias cores para a tia lhe fazer uma pulseira. Claro que, logo de seguida, chegaram os pais e não tive tempo de lhe tirar o gloss. O meu filho não achou graça nenhuma, claro que não podes permitir, mãe, não tem jeito nenhum ela andar assim, e com certeza um baton que não é de criança. Claro que não. Mas como, senhores? Depois das onze da noite, eles frescos que nem viçosas alfaces e eu e o meu marido quase inânimes, Como impedi-los de fazerem avarias?

E, dito isto, não conto como são inteligentes, divertidos, bem educados, autónomos, resolutos. São. Umas crianças encantadoras. E, quando ficam cá aos dois de cada vez, a coisa até é relativamente pacífica. Mas quando se juntam os quatro...! E é que uma coisa é estarem juntos mas ao ar livre e darem largas à sua extraordinária energia em espaço aberto e outra, bem diferente, é estarem confinados a divisões da casa onde, apesar de haver alguma largueza, há móveis, tralha, obstáculos, coisas que os impedem de exteriorizar a genica e a alegre vivacidade em todos os sentidos

Mas pronto, é o que é, e nós ficamos sempre com o coração cheio, felizes, com aquela sensação boa de que a nossa vida se tem movido no sentido bom. A esta hora eu e o meu marido já repusemos as coisas no lugar e, depois de mais umas quantas arrumações, ele foi dormir e eu aqui estou, mais adormecida do que acordada.

Tinha aquilo do planeta para falar. Está pertinho, apenas a quatro anos-luz, e sabido que é improvável que não haja mais formas de vida em todo o universo, haveria de ter graça que os nossos vizinhos estivessem, afinal, aqui tão perto de nós. Mas já não consigo escrever mais nada. Durmo e acordo e, de cada vez que acordo, já nem sei a quantas vou na prosa.

Portanto, deixo-nos apenas com o vídeo.  Caso para perguntar: 'Eles andem aí...?' Pois não sei. 

The exoplanet next door


Astronomers have discovered evidence of a small, rocky planet orbiting our nearest star – and it may even be a bit like Earth. Nobody knows whether the planet, called Proxima b, could ever sustain life. The little planet orbits our sun’s nearest neighbouring star, Proxima Centauri, making it the closest exoplanet ever found.

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Devia identificar os pintores cujas obras escolhi hoje por terem crianças muito bem comportadinhas - mas não dá.
[E imagino o lindo estado de imperfeição em que está o que escrevi. Relevem, please.]

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E desejo-vos, meus Caros Leitores, um feliz dia de domingo.

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sábado, agosto 27, 2016

Traído pelo pénis
- ou quando a frustração e a dor são causadas por um motivo de bom tamanho


Há aquele que foi traído por uma alga que se prendeu ao barco, há o outro que por um cagajésimo de segundo não chegou lá e mais o que falhou por uma unha negra. Nada de verdadeiramente excitante. Dir-se-á: é a vida.

Mas há um que poderá gabar-se de o ter de tal forma aparatoso que até o impediu de saltar, quase elevando a fasquia para peripécias nunca vistas.

Na altura doeu-lhe, e pelo esgar não deve ter sido mole, não, mas para o resto da vida poderá gabar-se de ter sido o primeiro a ter o pénis ensarilhado na barra ou lá como aquilo se chama.

Não sei o nome do atleta mas tenho as imagens que testemunham o épico momento.

Aviso
as imagens do vídeo que se segue não devem ser vista por cavalheiros sensíveis
(pois se até a mim me doeu fará a portadores de empata-saltos mais sensíveis)

Passou-se nos Jogos Olímpicos Rio 2016 com um atleta japonês na prova de salto 

-- e parece que estamos a falar de 5,3 metros


[refiro-me ao salto, não ao tamanho do pénis - apesar deste parecer ultrapassar as dimensões regulamentares para a modalidade em causa]


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Eu conto: cheguei ao computador já bem depois da meia-noite depois de um dia exorbitante. Trazia em mente falar de um assunto que me desperta muito interesse mas sobre o qual queria ler ou ouvir mais antes de escrever. Só que, na senda do conhecimento, fui desviada pelo algoritmo do google para uma miríade de proezas olímpicas, a começar por esta acima referida. Depois, quando consegui chegar à ciência, adormeci. Agora são duas da matina e já não dá para me atirar para fora de órbita. Veremos se amanhã tenho sossego para tratar desta pendência ao dealbar do dia.

Senão, talvez depois da praia que, certamente, estará vigiada por eficientes nadadores-salvadores.


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Portanto, até já. No espaço.

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sexta-feira, agosto 26, 2016

O Prof. Marcelo já se pronunciou sobre aquilo do burkíni? Alguém sabe?
É importante sabê-lo.
Não vá o Costa querer emparelhar-se com o Hollande, era bom sabermos antes o que acha o nosso omnipresente, omnisciente e omnipotente Marcelo sobre tão relevante assunto.


Pronto. Não falo mais de cenas que mostrem que estou deserta para ir e férias. Falo só de uma questão que tem a ver com aquilo de que agora se fala muito: o burquíni.




Confesso que me distraí. Devia ter começado a minha dieta há mais tempo. Assim, como foi só há dias e já houve uma festa de anos pelo meio, tenho cá para mim que a coisa ainda não surtiu grande efeito. Claro que podia pesar-me. Mas poupo-me a desgostos.

Almas caridosas instalaram-me no telemóvel uma app para registar as calorias do que como e uma comparação face ao que devia para atingir um determinado objectivo. Nunca me lembro de registar. Não sou uma boa pupila para o que quer que seja.

Mas, calma aí, ando com cuidado e acho que estou a conseguir reduzir as calorias que ingiro. Contudo, sou honesta: sei que o resultado não é nada de espectacular. Se perguntar ao meu marido se já estou escultural tenho a certeza que ele vai desatar a rir-se. Por isso, também não pergunto.

Uma coisa é certa: os tais 3 ou 4 quilos, tenho a certeza que ainda não perdi. As calças já as sinto mais folgadas mas, se me vejo ao espelho, ainda me acho a atirar para aquelas lá do Rubens.


Bem, também não. Fui confirmar e também não tanto. Naquela altura é que gordura era mesmo formosura.

Mas também hoje a Marilyn pareceria anafadinha e, na altura, ninguém olharia depreciativamente para as suas formas generosas.


Não interessa. É comigo mesma que me comparo. E não vou conseguir pôr-me como eu queria antes de ir de férias. E essa é que é essa e o resto é conversa.


Por isso, pensei que, para a praia, uma solução para ocultar a minha carnadura seria o burkíni. Eu, que sou do mais encalorado que há e que só me sinto bem à fresca, até estava numa de me sacrificar e apertar-me dentro de um modelito preto porque com um modelito preto eu nunca me comprometo.


Mas, depois de ouvir o Valls e o totó do Hollande e de ver polícias pela praia à cata de mulheres que não estejam descascadas, já vacilo. É certo que cá ainda não há cá disso, cá é mais à cata de facturas de bolas de berlim que eles andam. Mas sei lá.


Em França obrigam-nas mesmo a descascar-se, deixando à mostra pneus e papos - uma indecência...!

De qualquer maneira, era importante que a TVI se pusesse em campo e soubesse o que tem o nosso afectuoso presidente-comentador a dizer sobre o assunto. Ele que a toda a hora nos aparece casa adentro a falar de tudo, a opinar, a comentar, a abraçar-se e a beijar novas e velhas, casadas, solteiras, divorciadas e viúvas, enquanto manda recados, ralhetes, elogios e incentivos -- já deve ter trocado uns leros sobre o assunto com a sua Rita-Casa-não-Casa e eu cá, para me afoitar a ir de burkíni para a praia, sentir-me-ia mais confortável se soubesse que o nosso fresco e fofo Marcelo não é contra.


marcelo casa ou não casa com a namorada rita?
O nosso presidente e a sua eterna namorada, ambos em fato de banho numa praia portuguesa
(casalinho a quem os tablóides e revistas do coração não conseguem empurrar para o casório)
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E pronto. Não deixei transparecer que não penso noutra coisa senão em férias, pois não?

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E queiram, então, aller en promenade avec moi até Paris. 


Paris, mon amour



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Digo que não gosto de Paris no verão mas estou aqui e só me dá para me lembrar dos seus lugares. Não dos lugares turísticos mas dos jardins, ruas e pracinhas, das esplanadas, das pessoas diferentes com que nos cruzamos, da vista da belíssima cidade a partir de alguns telhados, dos passeios pelos boulevards, das bancas de livros e estampas na beira do rio, das livrarias.

E agora estou a lembrar-me de uma coisa que não sei se já aqui contei. Éramos dois casais e andávamos quase sempre juntos mas um dia fomos cada casal para seu lado, acho que eles iam visitar algum amigo num arredor qualquer. Encontrámo-nos à noite e ele vinha com um blusão de pele novo, giríssimo. Nós admirados, não eram o género de pessoas que fossem às compras de roupa, muito menos ele. Mas estavam pouco convencidos. Então o que tinha sido? Não me lembro já bem de todos os pormenores, tenho ideia que, no comboio, tinha entrado um fulano com um malão. Então o fulano, que tenho ideia que era italiano, tinha dito que tinha estado a expor artigos de pele numa passagem de modelos ou exposição, não me lembro bem, e que tinham sobrado umas peças e que não lhe dava jeito ter que expedir aquilo por avião e que se conseguisse vender tudo, melhor. E que, então, tinha proposto vender um blusão por tuta e meia, não me lembro se uns 20 ou 25 euros. E que eles acharam aquilo muito suspeito e que o fulano ainda tinha feito um desconto. E, a modos que contrariados e desconfiados, ficaram com o blusão.

Ora o blusão era um espanto, bom mesmo, uma boa pele, um bom forro, um bom design. Chegaram ao hotel, reviraram o blusão, apalparam, sacudiram, pensando que tinha droga escondida, qualquer treta. Nada. Nem sabiam se o ele o havia de vestir, pois mais do que certo era material roubado e ainda eram apanhados

Mas então ele lá se afoitou e lá o vestiu. Um espectáculo de blusão. Ainda me zanguei por ele não ter trazido também para nós. Eu, que acho que desencanto pechinchas por onde passo, nunca consegui coisa assim.

Mas, pronto, isto foi uma derivação.

Estou aqui na sala, a escrever deitada no sofá, e a olhar para a estante baixa, funda e comprida, onde tenho livros e tralha e, por cima, a televisão e mil molduras.

Uma vez, o mais pequeno abriu a estante e começou de lá a tirar as figurinhas do presépio, os anjinhos, as caixinhas de porcelana, a caixinha com a bússula, a caixinha de música e outras coisas do género. E então, apressadamente, o mais crescido puxou-o por um braço e disse: 'Não mexas no museu da Tá!' e eu achei um piadão porque vi que eles olham essas minhas pequenas preciosidades como objectos de museu. Mas uma das peças trouxe-a eu de lá, há muitos anos, eram os meus filhos muito pequenos, ainda me lembro do meu marido andar com o meu filho às cavalitas: é um bule muito bonito, estou a olhar para ele, tem umas cores suavíssimas, e tem forma de elefante (se não estivesse cheia de preguiça, ia fotografá-lo para o mostrar). Nessa vez trouxe também uns copinhos pequeninos de vidro pintado à mão, com flores douradas e cor-de-rosa velho. Tinha muito medo que se partisse aquilo no avião, tive mil cuidados, e o meu marido sem querer saber, achava absurdo que eu trouxesse aquilo, se se partisse acho que ele até acharia que era bem feito para eu não ter ideias daquelas. Mas chegou tudo intacto. E não sei como, com mudança de casa pelo meio, com tanta miudagem sempre cá em casa, ainda resiste tudo. Nunca os usei, sempre os mantive a bom recato, porque são umas peças mesmo bonitas. Olho para elas e lembro-me de Paris.


E nessa vez, em Montmartre, os miúdos posaram para serem retratados a carvão. Mesmo bonitos. Quando lá voltámos, já mais crescidinhos, no mesmo sítio, posaram para uma caricatura. As mesmas feições, engraçados. Mas cansavam-se, muito museu, muita caminhada. No entanto, divertiam-se. 

Também acho que já contei. Uma vez fomos jantar para a zona Des Halles, íamos à procura de um certo restaurante. Mas os miúdos estavam estafados e o meu marido impaciente, quando chega a uma rua com restaurantes, por vontade dele entra no primeiro - e, então, vimos um com uma decoração muito bonita, em tons de violeta e preto, com uns castiçais entre o design e o romântico, com umas flores altas muito bonitas. Pronto, ficamos é já aqui.


Pedimos - sempre aquela festa, os miúdos a quererem experimentar tudo - e nem reparámos em nada. Até que, instalados, os amouse-bouche já a sossegar a impaciência, começámos a ver o que se passava à nossa volta. Só homens, alguns muito in love, de mão dada ou aos beijos na boca, outros a darem palmadas no rabo dos empregados, um a beijar na boca um empregado. Nós ali os quatro completamente deslocados. Os miúdos parvos com aquilo, nunca tinham visto por cá nada assim. Depois chegou um todo maquilhado, grandes pestanas, umas calças completamente justas e todo provocante e os outros todos a meterem-se com ele. Os miúdos faziam sinais um para o outro. O meu marido furioso connosco, a não querer que olhássemos ou ríssemos, a dizer que ainda arranjavamos chatice. 

Quando cheguei ao hotel, ao ver os folhetos turísticos, vi que aquele restaurante era um dos mais carismáticos do roteiro gay. Estava explicado.

E a bailarina enorme, completamente gorda, toda Toulouse-Lautrec? De tutu, tules cor de rosa, em pontas, a circular dançando nos Champs Elysées? Ainda hoje a minha filha fala nela.

E quando fomos os dois, romanticamente, em Wagon-Lit? Que viagem tão linda. Gostei tanto.

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E não vos maço mais com estas recordações, ainda por cima em modo repetex. Isto é falta de férias. Tenho é que lá ir um dia destes.

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E, para quem não conheça, um vídeo divulgado esta quinta-feira, muito bonito, com Paris num pas de deux com Victoria Dauberville, uma bailarina dos Dot Move.

Transcrevo parte da apresentação:

C’est l’histoire d’une danseuse seule face à son destin, en proie au doute mais déterminée à réaliser son rêve coûte que coûte : danser à l’Opéra de Paris. 

Pour illustrer ce conte moderne, DOT MOVE a relevé le pari de rendre Paris complètement désert pour en faire un terrain de jeu idéal d'une danseuse classique.

Le film est illustré par « Rêve d'Opéra », extrait du conte musical les « Souliers Rouges » écrit par Fabrice Aboulker et Marc Lavoine

RÊVE D'OPÉRA




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Lá em cima era Jacques Brel interpretando Les prénoms de Paris

As imagens mostram pinturas no museu de que mais gosto e que visito de cada vez que estou em Paris: o Musée d'Orsay.

Os autores são, respectivamente: Jean-Auguste Dominique Ingres, Paul Gauguin, Claude Monet, Auguste Renoir, Toulouse-Lautrec, Gustave Courbet e, finalmente, os jovens gregos são de Jean-Léon Gérôme, 
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quinta-feira, agosto 25, 2016

Vem aí a guerra e só os alemães é que sabem?
Para que é que vão armazenar água e alimentos?
Não sei.
Mas, do que conheço dos alemães, avanço com uma explicação.
[E, atenção, o que digo não é para causar alarme, é apenas para alertar para o que estamos fartos de saber]





Depois de ter louvado a iniciativa de Renzi atribuindo 500 euros a cada adolescente para consumir em cultura, volto-me agora para a notícia que está a causar estranheza e a lançar alguma suspeição nos europeus:

O plano de defesa civil, que inclui o conselho para os alemães armazenarem comida e bebida para dez dias, foi hoje aprovado pelo Governo.


O governo alemão aprovou hoje um plano de defesa civil, que pede aos cidadãos para fazerem aprovisionamentos de água e alimentos, permitindo uma resposta em caso de atentados ou catástrofes naturais. (...)
Entre as recomendações feitas à população, contam-se a necessidade de reservas de água, de "dois litros por pessoa e por dia, por um período de cinco dias". Os cidadãos devem abastecer-se de alimentos suficientes para dez dias.
Prevê também planos de emergência em caso de interrupção do fornecimento de água ou eletricidade, uma série de medidas de segurança em caso de crise de natureza química, atómica ou biológica, ou ainda em caso de ataques cibernéticos.


Soube disto e desde então já ouvi interpretações diversas e comentadores para todos os gostos a especular a razão de ser de tão inusitada medida: que tem a ver com a Ucrânia, ou com a Turquia, ou com o Daesh, ou com severas ameaças às centrais nucleares ou com indícios de terramotos bárbaros, ataques cibernéticos ou, acrescento eu, invasão por marcianos.

Pode ser. Mas, como não tenho espiões debaixo das saias da Merkel, de facto não faço ideia.

Contudo, já trabalhei diversas vezes com alemães, uma das quais recentemente. E já trabalhei em diversos contextos e circunstâncias, algumas vezes durante períodos bem longos.

Já aqui o disse algumas vezes: gosto de trabalhar com alemães embora venha achando que, enquanto organização (isto é, a nível não pessoal), se vêm tornando mais quadrados, tudo muito by the book. A nível pessoal continuo a achá-los descontraídos, simpáticos, até folgazões. Mas, a nível profissional, não brincam em serviço nem sabem desviar-se um milímetro do que antes planearam.

Contudo, se reconhecerem e lhes provarem, mas provarem bem, que uma solução menos ortodoxa parece valer a pena, então equacionam-na, enfiam-na no plano e deixa de ser heterodoxa e, portanto, passa a estar regulamentada, tornando-se admissível. E, uma vez estabelecido um plano, seguem-no ferreamente. Podem levar um ano ou mais a fazer um plano ao pormenor, quando, em iguais circunstâncias, os portugueses o fazem numa manhã, de forma não detalhada para deixar margem para os imprevistos que sempre acontecem. Os alemães não: os alemães elencam previamente todos os passos e todos os possíveis imprevistos e, neste caso, para cada um, estudam qual o antídoto. Só depois se abalançam à acção.

Para além do mais têm a paranóia da segurança e da propriedade das suas coisas. Podem optar por soluções pouco operacionais e pouco económicas mas priveligiam (ou melhor, exigem) a segurnça e o controlo absoluto das situações (a propriedade inquestionável e regulamentada da informação gerada nas suas organizações, a segurança à prova de bala das suas redes de dados, dos seus ficheiros, etc).

Ou seja, do que lhes tenho observado -- e, como disse, do que tenho constatado desde há alguns anos para cá, esta atitude vem-se tornando generalizada e inquestionável -- só se sentem bem se tiverem planos para tudo e, sobretudo, planos que garantam que, haja o que houver, eles estão sempre salvaguardados pois preveniram-se em terra antes de se fazerem ao mar.

Por isso, do que lhes conheço, não precisam de saber de alguma ameaça concreta para desencadearem estas medidas que agora aprovaram. Leio e acredito que isto faz parte de um plano global que vem sendo estudado desde de 2012 (ou seja, há 4 anos) e que visa substituir um outro que estava em vigor desde 1995.

Agir como eles, tem prós e contras. Eu acho que, com alguma frequência, tendem a levar a coisa ao limite do absurdo; acho que perdem a noção de que tamanha pre-ocupação é um excesso de zelo que pode não se justificar. No entanto, acho que entre a despreocupação portuguesa, de deixar tudo muito ao improviso, de não divulgar riscos para não lançar alarme, de se fiarem na virgem e não correrem e a confiança cega dos alemães em que tudo poderão prevenir haverá um meio termo virtuoso.

Por exemplo (e sem, de modo algum, querer cavalgar a onda da tragédia do sismo italiano), refiro um tema do qual já aqui, de resto, falei algumas vezes: algumas zonas do país e, em particular o Algarve, a Costa Alentejana e Lisboa e Vale do Tejo. são de alto rismo sísmico e o não ter voltado a haver um abalo violento como o de 1755 já é uma improbabilidade. Ou melhor, é uma grande sorte que devemos agradecer a todos os santinhos mas é, também, uma improbabilidade. 


Dito de outra forma: pode ser que ainda falte muito tempo e espero bem que sim mas o mais provável é que volte a acontecer e que, acontecendo, possa vir a ter efeitos devastadores.


Por isso, teríamos já mais do que tido tempo não apenas para reforçar as estruturas dos edifícios que não aguentarão um desses tremores de terra valentes como para traçar um plano de contingência e de recuperação (a todos os níveis) em caso de desastre. Mas qual o quê...

Este plano pressuporia ampla divulgação, realização de simulacros e intervenções de toda a ordem. Contudo, portuguesmente assobia-se para o lado e espera-se que, na nossa vida, tal não venha a acontecer.

Não sou eu que o digo, que eu não percebo nada do assunto. Mas ouça-se um dos maiores especialistas nacionais na matéria, o Engenheiro João Appleton:


Tivemos um bom exemplo com a Parque Escolar, em que os edifícios foram, de uma forma sistemática, analisados e reforçados do ponto de vista sísmico, mas esse programa foi interrompido. Foram feitas obras em 200 e tal escolas, mas as outras centenas de escolas estão esquecidas e abandonadas. E o que é que acontece aos hospitais, aos edifícios de bombeiros ou governamentais, onde trabalham diariamente aqueles que tomam as decisões? 
Estou plenamente convicto de que, se sofrêssemos um sismo de grande intensidade agora, colidiriam vários hospitais, vários quartéis de bombeiros, vários edifícios públicos de ministérios, porque não estão preparados para suportar um terramoto semelhante ao de 1755.
Quando acontece um sismo de elevada magnitude num qualquer lugar do planeta, especialmente quando é mais perto, as televisões salivam e a toda a hora são mostrados escombros e pessoas a chorarem. Depois aparecem os comentadores, os senhores da protecção civil, os do INEM, não sei se também o Nuno Rogeiro -- e, passados dois dias, já ninguém se lembra de nada. Ora isto com os alemães seria o oposto e, de certeza, já se iria na 50ª versão de um plano exaustivo, sempre melhorada, divulgada e ensaiada.

Portanto, mais do que enveredarmos por teorias da conspiração e desatarmos a especular sobre o que é que os alemães sabem e nós não, acho que deveríamos reflectir um pouco e talvez seguir-lhes o exemplo pois, em caso de atentados, desastre grave, acts of God ou seja o que for, os planos e as cautelas podem salvar muitas vidas ou, pelo menos, minorar o desconforto de algumas situações.

E tenho dito.

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Lá em cima Marlene Dietrich interpreta uma das minhas canções preferidas de ever and forever: Lili Marlene

As imagens que escolhi para adornarem o texto mostram obras de pintores alemães, desta vez dos modernos. A saber, pela ordem em que aparecem: Franz Marc, Max Ernst, Paul Klee, Hans Hofmann, Tomma Abts e Gerhard Richter.

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E queiram, agora, ir de visita aos antigos. 
No post abaixo falo a propósito de uma extraordinára medida de Renzi e peço ao nosso Ministro da Cultura que se inspire. 

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"Italianos com 18 anos recebem 500 euros para cultura"
- Isto, sim, é uma medida estruturante que eleva o nível intelectual de um país para um outro patamar







Se há medidas que eu acho que moldam o desenvolvimento de um país, que o tornam mais competitivo, mais rico, mais forte e coeso são as que se relacionam com o ensino, o fomento da capacidade de estudar, de investigar e de ousar inovar, e a defesa intransigente da cultura e de uma visão abrangente e inteligente de tudo o que são valores ou recursos culturais.

Não vejo estas medidas como um custo mas como um investimento. E um investimento de alto e rápido retorno.

Agora -- já aqui aboletada no meu sofá mágico, fresquinho como uma suave barca, apanhando de feição a aragem da noite -- ao folhear os onlines, deparei como uma notícia no DN que instantaneamente me fez ficar rodeada de estrelas. Estrelas virtuais, claro, mas igualmente luminosas e felizes.

Transcrevo, fazendo votos para que Portugal adopte esta ou outra medida semelhante:




Era uma promessa eleitoral de Renzi que, soube-se hoje, começa a tomar forma. 


Foi aprovado o "abono da cultura", isto é, 500 euros que podem ser usados pelos jovens italianos (ou com visto de residência) em atividades e produtos culturais.


Não se trata de um cheque passado em mão a todos os jovens nascidos em 1998, mas de uma aplicação que se descarrega nos telefones móveis, chamada 18app. Uma vez registados, os jovens começa a ter acesso a este plafond. 


O sistema entra em funcionamento no próximo dia 15 de setembro, coincidindo com o regresso às aulas, e é válido até 31 de dezembro de 2017.


Com este fundo de maneio, os jovens poderão aceder a museus, parques arqueológicos, teatros, cinemas, concertos, exposições, mas também livros, segundo o ministério dos Bens Culturais italiano, promotor da iniciativa e, ao mesmo tempo, responsável pela escolha das propostas culturais que farão parte deste pacote.

Dados divulgados pelo ministério da Cultura italiano, a iniciativa deverá abranger 574 593 jovens e corresponde a um investimento de 290 milhões de euros que sairão dos cofres do governo.

O investimento "envia uma mensagem clara: o de uma comunidade que dá as boas-vindas à idade adulta recordando o importante que é o consumo da cultura para o enriquecimento pessoal e para fortalecer o tecido social do país", disse o subsecretário do Conselho de Ministros, Tommaso Nannicini.

No próximo ano, o governo de Matteo Renzi pretende alargar a proposta a todos os professores.


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Ao som do Va pensiero da ópera Nabucco de Verdi (1842), aqui interpretado por Pavarotti e Zucchero, para exemplificar de forma rápida a forma como a cultura abre as mentes para a diversidade e para a aceitação de diferentes visões sobre a mesma realidade, apeteceu-me mostrar o mesmo S. João Baptista respectivamente por:
  • Leonardo da Vinci 1513
  • Caravaggio, 1602
  • Giovanni Francesco Guercino (Barbieri), ~1645
E porque a defesa da cultura nacional não deve ser encarada de forma chauvinista, o mesmo S. João Baptista mas agora segundo um francês
  • Rodin, 1878–1880
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Por isso, alô, alô Tim Tim no Tibete!
Siga o bom exemplo de Renzi e ponha os nossos jovens a apaixonarem-se pela nossa cultura, va bene?

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma saudável, sortuda e alegre quinta-feira.

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quarta-feira, agosto 24, 2016

Crónica de um dia a precisar de férias
[E, para não dizerem que vêm aqui para nada, deixo-vos o caminho para um teste-revelação:
Responda a 21 perguntas e descubra se é brilhante, mediano ou tótó de todo]




Chego de novo ao computador por volta da meia noite. Mais uma festa de aniversário. Se não estou em erro, entramos agora numa época de pousio. Claro que comi uma fatia de bolo de anos. Mais umas calorias mas, enfim, foi de gosto, não podia deixar de ser. 

Mas chego a esta altura do ano e parece que a partir de certa hora já preciso de descanso. Os miúdos quando se juntam são uma inesgotável fonte de energia ruidosa. E estavam outros. E um quase a nascer dentro de uma barriga enorme. As meninas brincam sossegadinhas mas os rapazes... minha mãezinha... Jogam à bola no hall, zangam-se, fazem barulho. Depois, junta-se-lhes o tio e a coisa ainda se complica mais. Claro que a bola é mole mas o ambiente é o de um estádio de futsal. Despique, faltas e por pouco não há também agressões. 

Quando chego a casa, venho ansiosa por tirar os saltos altos, o colar, os brincos, por escovar e apanhar o cabelo, por me refrescar, e, claro, por me estender no sofá de frente para a aragem que sopra do aparelho mágico ali de cima. Durante mil anos lutei, não queria cá camafeus na parede, não queria ares condicionados dentro de casa. Até que me rendi e, para supremo gáudio do meu marido, já não passo sem ele (neste caso, a ele, ar condicionado).

Na televisão, enquanto escrevo, um filme francês na 2. Não estou a prestar atenção mas gosto de ouvir. Gosto muito de ouvir e de falar francês. De resto, gosto muito de França. A Paris já fui no verão. Qu me lembre já fui duas vezes em pleno verão. Não gostei, nem parecia Paris. Gosto em qualquer estação menos no verão. O passeio que mais gostei de fazer em França foi à Normandia, às praias do desembarque. Foi no ano em que a minha filha se casou. Por isso, ela não foi.
Nesse ano também houve muitos incêndios em Portugal. Na televisão, lá, víamos o nosso país em chamas. Uma coisa dolorosa. 
O meu filho e o meu marido sabiam tudo sobre todos os locais que visitávamos e, nas praias, sabiam onde havia bunkers mesmo que nem se vissem. E depois descobriamo-los, estavam mesmo onde eles diziam. E comemos ostras, frescas, sobre gelo, uma tentação, e bebíamos cidra. O Pipoco, ao que parece, agora anda por lá. Quando por lá andámos, pelas praias, pelas vilas, por aqueles lugares tão bonitos, pensei que gostava de lá voltar. Gostava de passar uns dias em Saint-Malo pois só lá ficámos dois dias, mas gostava de lá estar em dias de invernia, com o mar estiver revolto. E eu à janela do quarto do hotel a ver a força das ondas.

E gostava de voltar a jantar tripas à moda de Caen numa esplanada ao pé de uma igreja de madeira, em Honfleur, entre canteiros de flores.

... e é isto.

Já viram uma conversa destas a esta hora...?


O que se passa, como está à vista, é que estou a precisar de férias. Já meio mundo regressou de férias, tudo no bronze, e eu branquinha de neige, já sem paciência para nada. E toda a gente fresca, tudo a vir falar comigo, conversas longas, coisas de trabalho mas intermináveis, e sai um, entra outro, e eu a ver o tempo a passar e a ter contratos para ver para serem enviados, autorizações para dar para que trabalhos prossigam ou pagamentos sejam feitos, documentos para ler antes de reuniões para as quais não posso ir em branco. E eu a ver o relógio a avançar. E, então, penso que devia colocar uma coisa de senhas à porta do gabinete e um cronómetro. Mas não. Porta aberta, sempre. Até hoje nunca ninguém deixou de entrar nem nunca deixou de dizer o que quis. Mas o tempo que isto me consome, senhores... E eu a precisar tanto de férias.


Todos os dias eu e o meu marido falamos que temos que resolver o que vamos fazer nas férias mas o tempo passa e ainda não sabemos. De manhã, quando vou a caminho, penso que, se tivesse uns minutos de sossego, tentaria pensar no assunto. Claro que agora, em vez de estar aqui, poderia estar a fazer algumas pesquisas mas também não me apetece.

Na verdade, apetece-me estar no campo, a varrer as folhas secas e a ler livros à sombra da figueira, ou a ir a praias com pouca gente ou a dar passeios por onde calhar.

Há lugares onde me apeteceria ir mas que requerem planeamento. Ontem, uma simpática contou-me de um cruzeiro maravilhoso que fez e eu, ouvindo-a, pareceu-me bem. Mas parece que os barcos partem de Barcelona e não acredito que seja chegar ao cais, entrar e lá dentro pagar um bilhete. 

Ou seja, vou mas é jogar no euromilhões a ver se me sai para eu contratar um assistente para me tratar desses aspectos administrativos e logísticos, para fazer prospecções e etc.

Resumindo: uma vez mais estou para aqui a escrever sem dizer nada.

O meu marido, mais esperto que eu, já dorme a sono solto. Mas também levanta-se com as galinhas enquanto eu me levanto a horas normais. É a diferença entre um diurno e um noctívago.

Bem.

Para não me virem ainda pedir de volta o dinheiro do bilhete já que voltou a não haver motivo de interesse por estas bandas, deixo-vos o link para um teste engraçado. Cliquem aqui abaixo e, depois de lá estarem, no Let's Play.



E fiquem Vossas Senhorias a saber que ou o teste é marado ou quem por aí ache que eu não tenho os cinco alqueires bem medidos está muito enganado. Pois acreditem ou não, o que a mim me deu foi:
Based on your answers, we found that you're absolutely BRILLIANT! (...) You're good at working with numbers and are adept at putting your skills to use while solving problems in all sorts of real world situations. You don’t waste a lot of emotional energy fretting about the future. Instead, you focus on getting the most out of life right now. 
Portanto, não sei, se calhar isto dá sempre a mesma resposta e qualquer maluco que dê para aqui umas respostas ao calhas recebe sempre a resposta de que é brilhante.

Mas tentem a ver o que vos dá a vocês. Se calhar é tudo de genial para cima. E é verdade. De uma maneira ou de outra, somos todos brilhantes e geniais. Malucos são os outros.


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É muito mau; devia aqui pôr o nome dos autores das esculturas que são das mais espantosas do mundo; mas é tardíssimo, já não vai dar. Se tiver tempo, amanhã logo ponho. Ou então, podem vê-las no Bored Panda.

Para me acompanhar enquanto escrevia, escolhi a Ella Fitzgerald & Louis Armstrong e, para aqui partilhar convosco, Dream A Little Dream Of Me.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa quarta-feira.

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