ano novo 2014

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sexta-feira, Outubro 31, 2014

Era uma vez um coelho que comeu o pai natal, o comboio, o palhaço, a criancinha, o circo, a segurança social, os subsídios de natal e de férias, a classe média, os reformados e tudo e tudo e tudo. Assim disse a Margarida Hilário. E disse muito bem.


Não quero pôr-me em bicos de pés, palavra que não. Já me chega andar todo o santo dia em cima de salto alto. Chego a esta hora e só quero é estar descalça ou, no máximo, com umas meias a aquecer-me os pés, e nem chinelos, nem nada. Por isso, com o que vou dizer não julguem que estou a pensar que o Coelho me englobou na desanda que deu a jornalistas e comentadores. Não sou jornalista e comentadores, julgo eu, são aqueles que ganham para comentar. Ora eu, aqui, tudo o que faço é pro bono

Ou seja, é graciosamente e num registo de puro amadorismo que tentarei colmatar as lacunas dos tais patéticos preguiçosos que tanto engulho causam ao láparo. Ele quereria ver mais actividade, mais contraditório, mais espada ao peito e eles não, mansinhos, carneirinhos, maria vai com as outras. Olha o Gomes Ferreira, o Henrique Raposo e o Monteiro, a Avillez, o Camilo Lourenço, o Ricardo Costa, o Duque... todos a abanarem o rabo e a dizerem ámen ao que ele diz quando o que ele quer é polémica, espadeirada.

E eu, aqui, (embora seja certo que não passo de uma simples blogueirinha mansinha), também, volta e meia dá-me para me derreter com as artes, para os humores, para os lirismos e esqueço-me do que é importante. Ele quer que se peça desculpa? Ok, eu peço. E mais: vou tentar redimir-me. A ver se no meio do que me ocorrer, passo a arranjar maneira de todos os dias lhe dar uma canelada, uma traulitada, um piparote, uma rabecada. Quer luta? Vai tê-la.

Por isso, foi mesmo a calhar que uma Leitora, a quem agradeço, me enviou a imagem do coelho lambão, inchado de pesporrência, de ignorância e de tudo o que destruiu. 

Ora toma lá, ó Coelho. 
É a tua fotografia de costas que, apesar de tudo, ainda é o teu lado melhor.




..

Os condenados de horário zero. O desespero. 'O balão' de outros tempos. O retrocesso. O caminho em direcção ao fim dos tempos?


Se, no post a seguir a este, a música, a sensualidade, a beleza e o glamour andam no ar, aqui, agora, a conversa é outra. Infelizmente muito outra.



Já não sei bem a quantas andamos com o físico-pop Maqueijo a contestar não sei o quê e mais uns quantos a inventarem outras tantas teorias. Mas, na última vez em que me pareceu haver um relativo consenso, tenho ideia que o universo estava em expansão. Ora, na minha simplística visão dos factos, se o universo se expande, também a vida dos que o habitam deveria seguir o mesmo percurso.

Up, up and better. 








Custa-me perceber que se ache normal que os humanos, como qualquer espécie, não caminhem no sentido positivo da sua evolução. Se antes os seres viviam em cavernas, morriam cedo, pereciam, indefesos, às garras de perdadores e, entre sobressaltos, vêm atravessando os tempos, tornando-se mais longevos e supostamente mais sabedores, como explicar que grande parte deles se deixe subjugar por estirpes daninhas que tentam o retrocesso? 

Os jornais e televisões trazem-nos notícias de actos selvagens, gestos bárbaros, e constatamos que há jovens que abandonam o mundo do conhecimento para se juntarem a seitas que praticam o mal como se a iluminação dos tempos não tivesse passado por elas.




Mas não me refiro apenas a sequestros e decapitações, ou mesmo a mutilações genitais, apedrejamentos até à morte, assassinatos conjugais e toda a espécie de violência doméstica. Não. Refiro-me também a outra espécie de retrocesso, um retrocesso silencioso, uma violência que esmaga e envergonha: a da exploração total de pessoas, a nova forma de escravidão - como a dos condenados que trabalham segundo contratos de zero horas*.

Leitor, a quem muito agradeço, enviou-me um artigo publicado no Le Monde cujo título é Au Royaume-Uni, les damnés des « zero hour contracts » e que é da autoria de Philippe Bernard


Começa assim (o artigo completo apenas será acedido por quem for assinante e eu não tenho como anexar o PDF; além disso, está em francês e sei que já não há muita gente que domine a língua; ainda assim, coloco-o aqui):


Candice Roberts n’a pas besoin de parler pour expliquer à quoi sa vie ressemble. Elle brandit son antique téléphone portable Huawei comme une pièce à conviction, où les six mots du SMS qu’elle a reçu samedi après-midi sont restés inscrits: « Mission annulée. Mettez-vous en attente ». La quadragénaire aux yeux cernés et au sweat-shirt en éponge saumon n’est pas astronaute. Elle est emballeuse de biscuits secs à l’usine Jacob’s, une énorme bâtisse de brique sur laquelle flotte l’Union Jack, à Aintree, au nord de Liverpool. Lorsque son patron a besoin de ses services, Candice, 46 ans, place dans leurs boîtes les cheese crackers ou les club chocolate, qui défilent sur un tapis roulant. Sinon, elle attend la prochaine « mission » de l’agence de placement Prime Time, qui sert d’intermédiaire. Un simple SMS pour la convoquer au travail, parfois dans l’heure qui suit. Un autre, éventuellement, pour annuler sa venue. Et des journées entières à attendre qu’on la sonne, en pensant à la paie qui rétrécit à chaque heure perdue.
Appelée ainsi vendredi pour rejoindre l’équipe du dimanche matin à 7 heures, elle a appris la veille que, finalement, on n’avait plus besoin d’elle. « I’ve been cancelled » (« J’ai été annulée »), explique-t-elle en un terrible raccourci. Le long silence qui suit n’est troublé que par les applaudissements du jeu diffusé par la télé, allumée en permanence. 

Como se viu, o que ali se descreve não decorre na África profunda, nas montanhas secretas da América do Sul, nos confins dos planaltos tomados pelo terror islamita ou em qualquer outro local distante que nos sossegue a alma. Não é longe nem podemos dizer que não nos acontecerá a nós ou aos nossos: é aqui ao lado, no coração da Europa civilizada, em Inglaterra.

Cresce o número de pessoas profissionalmente desprotegidas, à mercê de um telefonema, de um qualquer chamamento. Não têm garantia de nada. Inscrevem-se numa empresa que angaria trabalhadores e os coloca nas empresas que os requisitam. Podem ser contactados por sms para se apresentarem numa empresa no espaço de 1 hora. O artigo fala das pessoas que embalam bolachas. Quando a fábrica precisa de gente, contacta uma dessas empresas que, por sua vez, contacta uma pessoa da sua base de dados.

Nós somos como os bolos que embalo na fábrica: caímos numa caixa para deixar espaço para os seguintes, diz um operário dessa fábrica, a Jacob's. 
Certamente que, para os gestores da fábrica, o que importa é reduzir custos, aumentar a eficiência. Seja de que forma for, os meios não interessam, o que interessa é que os custos sejam baixos, para a margem ser confortável, para que o artigo seja competitivo face à concorrência. As pessoas que embalam os bolos valem tanto como os bolos, como se os clientes que compram os bolos tudo merecessem, como se os clientes não fossem pessoas tão frágeis quanto os operários de horário zero.

Os trabalhadores sujeitos a este infame regime, trabalham as horas que calharem. O valor horário é mínimo e nunca sabem se vão ter trabalho na semana seguinte, no mês seguinte. Claro que, quem diz trabalho, diz rendimentos. É a precaridade levada ao extremo, a desprotecção, a insegurança.

Imagino a angústia de quem aguarda um sms que não chega quando não tem outra forma de rendimento, quando tem família para sustentar ou quer formar uma e não vê condições para o fazer.





No artigo, alguns dos ouvidos dizem que se sentem até preteridos por serem ingleses e brancos já que há imigrantes que pacificamente se sujeitam a tudo, sendo ainda mais dócil carne para canhão.

Todo o excelente artigo é uma punhalada no peito. Pelo menos para mim é. E acredito que o seja para todos quantos sentem como sua a tragédia que isto é.

Como se chegou aqui? Que voltas tresloucadas é que o mundo deu sobre si próprio para que se tenha chegado a este triste ponto?

Muitas vezes o tenho aqui perguntado: se não se governa para bem das pessoas, governa-se para quê?

Como é que a humanidade iniciou uma trajectória contrária à do universo no qual se insere? E que loucura. Como se pode pretender que os tempos andem para trás? 




Há alguns anos conheci um senhor que me contou que antes, há muitos, muitos anos, na antiga CUF, no Barreiro, havia uma figura designada por ‘o balão’. 


Quando era preciso mais gente para as fábricas, alguém chegava ao portão e dizia que precisava de não sei quantos homens. Enchia-se o balão. Contava ele que muitas vezes queriam gente para carregar sacas de 100 kg de adubo ou outros trabalhos pesados que davam cabo da saúde de qualquer um.

Junto ao portão esperavam muitas e muitas dezenas de homens desempregados, ansiosos por serem chamados. Depois havia ainda a escolha. A olho eram escolhidos os mais fortes. Os mais fracos continuavam sem trabalho, aguardando dia após dia.

Mais tarde, quando não eram mais precisos, eram postos fora. Era como se o balão se esvaziasse. Chegavam a ser dispensadas centenas de pessoas que, sem trabalho, seguiam, rua fora, em busca de qualquer outra coisa, talvez nos campos, o que aparecesse.

Passou-se isso várias décadas atrás num país retrógrado, nuns tempos longínquos. A pobreza, a desprotecção, a ditadura, tudo contribuía para que os mais desafortunados se vissem à mercê de um chamamento, vivendo sem direitos, sem direito a um futuro digno.

Mas eis que, aqui chegados, tanto tempo depois, é para trás, para esse negrume, que estamos a ser empurrados.

A mediocridade é geral, a impunidade campeia, a ignorância parece tudo cobrir como um manto denso e opaco que destrói a vida, que impede que a luz e o oxigénio passem para as camadas inferiores.

E tudo vamos aceitando, como se não fosse connosco, como se não nos pudesse acontecer, como se os outros não fôssemos nós.




Primeiro levaram os comunistas,
mas eu não me importei
porque não era nada comigo.

Em seguida levaram alguns operários,
mas a mim não me afectou
porque eu não sou operário.

Depois prenderam os sindicalistas,
mas eu não me incomodei
porque nunca fui sindicalista.

Logo a seguir chegou a vez
de alguns padres, mas como
nunca fui religioso, também não liguei.

Agora levaram-me a mim
e, quando percebi,
já era tarde.






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  • O primeiro vídeo é Stephen Hawking - The Expanding Universe (ie, the expanding universe, the doppler effect, introduction to the birth of the universe)
  • Tinha o poema por ser 'A indiferença' de Bertold Brecht mas o André diz que não, que faz parte de um sermão de  Martin Niemöller e eu acredito nele.
  • O último vídeo é Despair, sendo a música da autoria e interpretada por Johan Troch.

* Leitor atento chama-me a atenção para a forma como escrevi: zero horas e corrige para zero hora. Admito que seja correcto dizer zero hora (hora no singular) mas a verdade é que não me soa bem e, portanto, neste caso, mantenho por me parecer que a habituação oral talvez justifique a imprecisão da escrita. Contudo, vou ver se me informo pois, se o que estou a escrever for um disparate completo, corrigi-lo-ei.

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Relembro: no post abaixo o ambiente aligeira-se. É tempo de festa de aniversário, de beautiful people, de glamour. Acho que talvez até saiba bem um sopro de leveza depois do peso da realidade.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa sexta-feira. 
Saúde e alegria é o que vos desejo a todos.

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Mario Testino, o fotógrafo das celebridades, fez 60 anos e festejou em grande, rodeado pelas suas divas.


Mario Testino fez 60 anos e festejou à grande, como a Vogue (penso que talvez seja a Vogue brasileira) deu conta. 


Party time! Um dos fotógrafos mais badalados da atualidade, Mario Testino celebra 60 anos neste 20.10 e para comemorar arma uma festa de arromba na véspera, direto da Chiltern Firehouse, em Londres. Sob a temática anos 40 em Havana, o peruano reuniu a nata fashionista para uma noite memorável.

Kate Moss circulava por ali a bordo de look red, black and white pra lá, com, transparência e sutiã aparente (so sexy!), enquanto Naomi Campbell brilhava (literalmente) com um maxi decote e colar Bulgari. Andrea Delal à la Carmen Miranda representava o Brasil passeando com Giancarlo Giammetti e Valentino, e do outro lado da sala Keira Knightley posava com Christopher Baley, da Burberry. Não párou aí: em cima do palco, Mario foi surpreendido com ninguém menos que Kylie Minogue cantando parabéns enquanto saia de dentro de um bolo em tamanho gigante. Feliz cumple, Mario!



Vídeo com imagens da festa de aniversário de Mario Testino






Transcrevo da wikipédia (juntando - e alterando ligeiramente - a versão em língua inglesa e a brasileira)

Mario Testino, OBE (Lima, 30 de outubro de 1954) é um fotógrafo de moda peruano, baseado em Londres, internacionalmente famoso pelos seus anúncio e imagens de moda imaginativas e ousadas.
Os seus trabalhos aparecem frequentemente na Vogue ou na Vanity Fair. 
O ponto mais alto da sua carreira ocorreu quando foi escolhido por Diana, Princesa de Gales, para uma sessão fotográfica para a Vanity Fair em 1997. Desde então tem sido requisitado pela Família Real Inglesa Testino.
Mario Testino nasceu numa família de classe média alta. O seu pai tinha ascendência italiana e sua mãe, irlandesa. Foi educado no "Colegio Santa Maria" em Lima. Subseqüentemente, estudou Economia na Universidade do Pacífico, Direito na Pontifícia Universidade Católica do Peru e Relações Internacionais na Universidade de San Diego, Califórnia, Estados Unidos.
Em 1976, Testino mudou-se para Londres morando num apartamento dentro de um hospital abandonado perto da Trafalgar Square, onde praticou fotografia. A sua carreira na moda teve um começo humilde, vendendo portfólios para mulheres que sonhavam tornar-se modelos, por £25 libras esterlinas, incluindo cabelo e maquilhagem.

Mario Testino é ainda conhecido por apoiar de forma activa diversas causas sociais.



Presença regular no Um Jeito Manso, não podia deixar de aqui parabenizar Mario Testino (acho este verbo uma coisa divertida!), mostrando mais quatro das suas inúmeras fotografias publicadas na Vogue.


Cara Delevingne 2013
Saskia De Brauw, 2011

Kate Moss, 2008

Angela Lindvall, 2000















































quinta-feira, Outubro 30, 2014

Estamos a ser invadidos pelos russos? A Cruz Citiada descobriu dois bugs humanos a darem-lhe cabo do projecto informático que estava tão bem planeado? Pois não sei de nada. Tenho aqui a casa invadida, não por russos nem por agentes da judiciária, mas por dois pimentinhas e respectiva mãe e, por isso não sei de nada do que por aí se anda a passar. Face a isso, deixo-me aqui estar a ouvir o Agostinho da Silva e o Manuel António Pina a falarem de gatos sem dono e de outras conversas vadias e a ver as pinturas da menina Aelita Andre


Esta noite, fruto de movimentações profissionais que obrigam a um breve reajustamento doméstico, para não ficar em casa, parte da trupe veio para cá em regime de meia pensão. A minha filha fica no quarto que era o dela mas os mais pequenos não quiserem ir dormir para o quarto que era do tio e que é mais distante dos outros e, por isso, estão aqui no sofá cama da sala.

O pior é que uma cena destas a meio da semana é para eles como se o fim de semana tivesse sido antecipado. A seguir ao jantar (durante a recta final do qual, para os manter quietos, contei a história de um barco maluco que pregou um tal susto a um golfinho que este desmaiou e teve que ser içado para bordo a fim de ser acalmado), estiveram sossegados a desenhar, a fazer construções, o mais crescido a fazer um ditado (e só deu um erro: às tantas a frase que inventei dizia que ele tinha dado um pontapé na bola e ele escreveu potapé, esqueceu-se do n. Mas pôs os acentos e tudo). Enquanto estavam entretidos, estive a fazer penteados com tranças à minha filha. Herdou a fartura da minha juba embora a cor do cabelo seja a do pai. O cabelo dá para fazer umas 20 tranças e todas de boa grossura, seria perfeito para fazer penteados românticos como os da era dos vestidos compridos, com rendas e folhos, daqueles penteados cheios de puxos, apanhados e tranças. 

Depois de estarem tranquilos e bem comportados, desataram a brincar e a partir daí foi uma coisa jeitosa: saltaram, picaram-se, perseguiram-se, esconderam-se, riram; conseguir pô-los calados e sossegados foi o bom e o bonito.

Depois de terem finalmente adormecido, estive com a minha filha a ver a telenovela Lado a Lado e só agora, bem depois da meia noite, consegui ligar o computador e não vou aqui ficar por muito tempo pois, depois disto tudo, está a dar-me um sono que não é brincadeira nenhuma. E amanhã tenho que me levantar cedo pois esta logística de se levantarem, vestirem-se, tomarem o pequeno almoço vai ser outra tourada. Para começar, devem estar cheios de sono pois estão habituados a deitar-se a horas decentes e hoje foi dia de borga, E depois devem querer pequenos almoços demorados como se fosse fim de semana, já para não falar que haverão de se lembrar de fazer mil coisas à última hora, de ir à procura do pião que trouxeram, do livro dos aviões e sei lá que mais. Eu devia era ter metido dois dias de férias. O que me valeu foi que, de véspera, já tinha deixado o jantar adiantado. Fiz logo uma quantidade grande e, por isso, até vão poder levar farnel. A minha filha tem é que ainda ir deixar as caixas de comida a casa antes de ir trabalhar.

Há bocado, depois de jantar, o meu marido ainda esteve a tentar ver as notícias mas o mais crescido não o largava com montagens de aviões. Bem que ele os tentou mandar calar, a eles e a mim também, pois queria ouvir o Nuno Rogeiro. Tenho ideia que os russos nos quiseram atacar, que mandaram uns aviões e tudo. Não sei se estivemos à beira de ser invadidos, se quê. Teria graça. Logo esta noite em que estive neste forró é que os russos nos vinham invadir. Às tantas, amanhã quando for trabalhar tenho a rua aqui de casa ocupada por pára-quedistas russos, um russo pára-quedista dentro de cada pára-quedas, uma coisa de tipo matrioska. 


Aviões russos...? Isto não é normal.

Fui agora espreitar o Diário Digital para ver o que era aquilo de que o Rogeiro estava a falar e, pelo menos nos destaques, não vejo nada.

Pelo contrário, vejo que aquela que tenta fazer-se passar por adolescente retardada anda a ver mosquitos na outra banda, isto é, infiltrados no Citius, dois bugs humanos, e que, loura em excesso, já os acusa sabe-se lá de quê e que, autenticamente possuída, até já os esconjurou e correu (ou se prepara para correr) com eles à vassourada, uma tresloucadice que até dói. Vejo também que o láparo, provavelmente em mais um surto la-feriano, desafia os parceiros a apresentarem propostas com clareza, como se aos outros e não a ele competisse governar o país. Claro que a esta hora já não vou abrir notícia nenhuma, bastam-me os disparates que se adivinham através dos títulos.

E parece que não descubro notícias sobre a invasão russa. Às tantas aquilo dos aviões no espaço aéreo português foi um delírio do Rogeiro. Será...? Ou eu que ouvi mal? Não sei.

Espreitei o Expresso e vi que o Pedro Santos Guerreiro fala na aldrabice pegada que foi o passa-culpas relativo à machadada sem paralelo que aplicaram ao BES. Não vou ler o artigo todo. Mas quase adivinho. Logo na altura eu aqui escrevi que aquilo não tinha sido imposição de Bruxelas coisa nenhuma e que coisa tão mal pensada só podia dar em disparate. Sabe-se agora que foram os espertos do governo (o láparo e a sua chefe) que pariram tal aborto. Mas poderia esperar-se outra coisa daqueles progenitores? 


E, uma vez mais, acho que não vale a pena especular muito sobre as intenções subjacentes a tanto disparate. A minha opinião é que, uma vez mais, foi burrice pura e dura. Claro que, tenrinhos como no fundo são todos os burros, houve muita gente que se aproveitou deles mas, de resto, tudo aquilo, decisões em cima do joelho, soluções não testadas nem pensadas, é coisa daquelas cabeças ocas.

E depois Carlos Costa que, em minha opinião, não é menos destituído e que, para além do mais, tem uma grande dificuldade em tomar decisões, prestou-se ao papelinho que os outros lhe encomendaram.

Mas adiante que eu a esta hora não posso dar cabo da minha beleza, tenho é que me despachar para me ir deitar.

Custa-me, no entanto, deixar-vos assim sem nada aqui que se aproveite e, por isso, partilho convosco o que tenho estado a ouvir enquanto escrevo. Duas mentes brilhantes à conversa, Manuel António Pina com Agostinho da Silva em mais uma conversa vadia: muito bom. Com pessoas assim a gente aprende sempre. São o oposto da papagaiada que agora pulula pelas televisões e com quem a gente nunca aprende coisa alguma.



Conversas Vadias




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As pinturas que usei para sarapintar o texto são da autoria de Aelita Andre, uma menina australiana que agora já tem sete anos mas que começou a pintar antes de fazer 1 ano, que teve a sua primeira exposição com quatro e que está no centro da polémica: pode considerar-se uma criança desta tenra idade já uma artista? 


Aelita: Secret Universe






Isto também não é normal... Esta Aelita é do além.


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Bem, vou dormir que estou que não me aguento. 
(Relevem gralhas que acredito que as haja de toda a espécie e feitio, está bem?)

Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela quinta-feira.


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quarta-feira, Outubro 29, 2014

A gramática livre dos gestos, a ausência de espaço, o fim da tarde, o sabor das leituras, a memória dos anos. Maria Gabriela Llansol, Pedro Eiras e Bach.


No post abaixo falei-vos e mostrei-vos um business case de sucesso garantido, uma barbearia-pornô. Depois falei de como é fácil abrir uma conta numa offshore e surripiar ao fisco o dinheirinho ganho com tanto suor.

Mas esses forrobodós são a seguir. Aqui, agora, a conversa é outra. Vamos a coisas sérias.


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O quarto lembra-me um quarto de dormir e, ao mesmo tempo, uma sala de jantar. O quarto está absorvido na ausência de espaço e, quando Catarina, acordada, olha para mim, quer criá-lo. É como se o quarto estivesse cheio de paixão, e não tivesse lugar para o amor. Há uma televisão, um candeeiro sobre uma cadeira, letras que lutam em jarras de flores. Há objectos marcados por significações - terrina, bule, solitário, quebra-nozes, azulejo com o azul de uma estrela, cão de bronze, quadro pequeno e quadro grande. Sessão de leitura. Há dossiers pelo chão, enquadrados pelo vão da janela, tabuleiros, tapetes, roupas e arcas, funâmbulos que foram brinquedos de criança. 

Há o fim da tarde - luz viva que decresce. 

Há sempre e sempre Catarina que pensa levar-me hoje pelas ruas desta cidade atrás de si. "Nada é monótono quando a vibração é intensa". Adivinho o seu olhar. 

Principio a desenhar com a minha falta de habilidade - somente porque gosto de escrever desenho.




De certo modo, é verdade; já não são as mesmas frases, agora trazem-me o sabor das leituras e a memória dos anos. Recordo os instantes - o fragmento do tempo? - em que li, de cada vez; debruçado sobre as folhas de um livro. Como se os dias passados se inscrevessem no papel, e os anos ficassem impregnados na tinta, apontamentos e sublinhados, tempo preso na mina do lápis. Leio, releio, reencontro quem fui, lendo, outrora. Comentários breves, tentativas sobrepostas, leituras sobre leituras: as notas à margem parecem-me agora omissas, insuficientes; e já nem a minha caligrafia é assim.

Fome de copiar o texto, ficar tão perto: "O meu real é estar a descascar ervilhas e ouvir Bach", "Bach vagamente longe, na Hohe Messe in H-Moll, e perto de mim, entrando pela porta que está atrás do meu ombro". Porquê a Grande Missa em Si Menor? Confesso-te: sempre tive alguma dificuldade em apreciar esta Missa. É uma súmula de toda a obra de Bach, e nela reencontro árias, reescritas, de tantas cantatas que amo; mas sempre me pareceu demasiado monumental. Tão difícil para mim ouvir essa obra, compreender essa escala. E ainda que tudo seja sublime na partitura, agasta-me a ambição da totalidade.




Estou na cozinha com outra mulher a preparar, incluindo para os três homens, a comida. Descasco batatas, corto cebolas, ela prepara o coelho. Não falamos, não dizemos nada a não ser a gramática livre dos gestos, que se traduz, neste momento suspenso, por serenidade.

Tenho pensamentos soltos que aspergem a comida a preparar-se. O que eu sinto a pensar tem a natureza do alimento e dos objectos que, pelas mãos, esperam ser impelidos ao trabalho. Ter as convulsões do amor, de olhos fechados ou abertos, sobre a face próxima ou na escuridão dessa face, dá um carácter diverso à apreensão do rosto. 

Esta franja de suavidade é de uma qualidade tal que eu murmuro para esta fluidez de entendimento
a cozinha é um reino reservado ao pinhal que a envolve.




Mexo o açúcar no fundo da chávena de café, sinto a pequena resistência na colher, depois a força da inércia quando o café entra em rotação. 

A coluna de vapor sobe até à lâmpada do candeeiro e perturba-se, desfaz-se em voltas barrocas. 

Pouso a colher numa folha de papel: reflecte a luz, reflecte-me, no côncavo, a imagem invertida. 

O calor no metal recua, um breve halo. E lembro-me da tua frase:


Meu Deus, esta colher está agora aqui, e no espaço edénico.

Agora aqui, esta colher.



E reabro os teus livros, Gabriela.


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  • Os textos em itálico são excertos ao acaso de A palavra imediata, Livro de Horas IV de Maria Gabriela Llansol

  • Os textos que não estão em itálico são excertos não inteiramente sequenciais de Bach (capítulo: Maria Gabriela Llansol) de Pedro Eiras

  • A música é de J.S.Bach - Die Hohe Messe in H-moll (Grande Missa em Si Menor) - Aria: Benedictus qui venit. Carlo Maria Giulini, Chor & Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunks.

  • As fotografias das bibliotecas provêm do blogue Bookshelf Porn que, em boa hora, um Leitor a quem muito agradeço me deu a conhecer.

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Relembro: por aí abaixo há mais dois posts com humor, barbearias e fuga ao fisco. É só escolherem.


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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela quarta-feira.


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Barbearia de Sucesso com o selo de empreendedorismo UJM. Qual Figaro's Barber Shop? Quais sacristias onde não entram mulheres? Nada disso. Uma barbearia de êxito garantido é esta aqui onde se entra pela Porta dos Fundos. É entrar, é entrar.


Ora bem. Depois de, no post a seguir a este, ter ensinado a guardar o dinheiro num lugar onde marido ou mulher não deitem a mão invejosa e onde o fisco não meta a pata gulosa, aqui, agora, vou dar uma dica sobre uma forma segura de o ganhar.

Nada de ficar à espera que ele caia do céu, nada de fazer promessas ou acender velinhas à Santa Euromilhona que essa santa é muito fugidia. Vamos mas é a sair da zona de conforto, ó seus patéticos preguiçosos!


Como é sabido, aqui no Um Jeito Manso não se fala apenas de política, economia, gestão, literatura ou esvoaçantes borboletas. Não senhor, aqui apela-se também ao empreendedorismo.

Desde que o saudoso Relvas se foi dedicar aos seus negócios cabeludos e o não menos saudoso Miguel Gonçalves, el' Bate-Punho, foi dar uso à sua borbulhante verve para outra freguesia, ficou um vazio na sociedade portuguesa. Ninguém apela ao espírito de iniciativa, ninguém dá pontapés no traseiro das acomodadinhas que só gostam de dizer mal do governo, ninguém dá ideias de negócios lucrativos. Nada. Um vazio, uma definhação.

Ora, como a natureza tem horror ao vazio, cá está a UJMzinha a tentar colmatar a lacuna. A UJMzinha é muito padroeira, muito panorâmica, ataca em várias frentes.

E, assim sendo, cá está ela com uma ideia para vocemecês ficarem ricos num abrir e fechar de olhos. Hoje a ideia é: .... tanãnãnã... uma barbearia all in one! 



Aqui há semanas ouvi para aí muita badalação sobre uma barbearia muito retro, muito vintage, uma tal Figaro's Barbershop

Uma coisa só para homens e cães. Mulheres nem vê-las. 






Não digo que não. Há gostos para tudo e há que respeitá-los, ora essa.


Mas eu acho que há um outro modelo de negócio mais ganhador: o da barbearia em versão pornô.

"I may come in. ...me too. I may not"...? Ora, ora. Na barbearia-pornô entram todos. Uma festa.


Transcrevo o anúncio que acompanha o vídeo e que, desde já, informo ser enganoso:

Chega um momento na vida de um homem em que ele acorda, se olha no espelho e repara que o seu cabelo está desproporcional à cabeça, que existem pêlos saindo do seu nariz e que bigodes não são legais. Aí ele lembra que existe um ambiente másculo onde trabalham velhos rabugentos másculos que vão cortar o seu cabelo de forma máscula, raspar a sua barba viril com uma navalha máscula e conversar sobre assuntos másculos pra ele sair de lá com cara de princesa.



Entremos, pois, no Barbeiro da Porta dos Fundos.





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Relembro: os Paraísos Fiscais são já, já a seguir.

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Refúgios Fiscais: o Bê-a-bá. Offshores, testas de ferros, paraísos fiscais, sigilo, etc, etc. E é difícil? E é perigoso? ... Qual quê? Nada. Não é para irem já a correr fazer isto, certo?, é só para dar a conhecer a facilidade e impunidade que rodeia todos estes esquemas, é só para ajudar a que deixemos de ser tão inocentes.



Ilhas Caimão? Ilhas Cook? Ilhas no Cu de Judas? E qual o mal, ora essa? Alguém perde alguma coisa com isso?

Ricardo Salgado tem muitos milhões em contas dessas? E os outros dos milhões dos submarinos também? E o tal construtor civil? E tantos outros? Why not?, perguntarão se questionados.

Ora bem, o vídeo abaixo explica o esquema. Canja de galinha.

A maçada é quando alguém dá um passo em falso ou quando algum maçador dá com a língua nos dentes. Aí, galo dos galos!, o caldo entorna-se.

Mas quem tem os bolsos quentes e muita gente aos seus pés nunca pensa que a coisa vai correr mal.

O poder e o dinheiro dão uma pica que faz com que os ungidos se sintam invencíveis. E têm bons advogados, deputados amigos, secretários de estado avençados, jornalistas-papagaios e, portanto, estão habituados a pisar o risco e a nada lhes acontecer.

A adrenalina que isso dá, caraças. E que se lixem os impostos e os pobrezinhos e toda essa cáfila de moralistas.





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terça-feira, Outubro 28, 2014

Bárbara Guimarães e Manuel Maria Carrilho: depois das queixas de violência doméstica, prosseguem as mentiras, o terror, as lágrimas e tudo à frente dos filhos, à porta de casa, na praça pública, nas capas das revistas. A destruição continua. Será que vão conseguir parar? Não seria caso para as autoridades intervirem?


No post abaixo já falei do BPI e no seu ilustre banqueiro, Fernando Ulrich Aguenta-Aguenta, e na ministra que não acerta uma e no iluminado da OCDE e, para rematar à maneira, juntei um banqueiro na mais pura linhagem dos Horta Osórios e Ulrichs deste país: o banqueiro dos Monty Phyton. Quando o tema quase dá vontade de chorar, eu tento arranjar maneira de que as lágrimas que me saiam sejam de risota.

Mas isso é a seguir.

Aqui, agora, a conversa é outra, outra, outra. Não queria falar nisto de novo pois já aqui falei muitas vezes e, de todas as vezes, fico com a sensação de não o ter feito convenientemente. 





No outro dia, chocada com o que via nas capas das revistas, comprei uma, queria comprovar. Fiquei ainda mais chocada. Ainda pensei em falar aqui mas não conheço o assunto suficientemente bem para poder falar dele como se tivesse conhecimento de causa. Mas agora o meu marido, ao fazer zapping, parou no Prós e Contras sobre Violência Doméstica.

Neste momento, enquanto escrevo, ouço um testemunho doloroso de uma jovem mulher, creio que a Fátima Campos Ferreira lhe chamou Lua, cuja mãe viveu o tormento da violência e do medo, situação que ela própria viver também na primeira pessoa. Fala de uma forma objectiva e racional, com uma lucidez assombrosa. A mãe fez apresentou 32 queixas e passaram por situações limites, entre a vida e a morte. 


Ouço isto e fico apavorada por todas as mulheres que passam por semelhante calvário. Custa perceber como se consegue viver debaixo de uma permanente ameaça. Ouço também dizer do terror que é recear que o agressor venha atrás, persiga, tente entrar em casa. Uma vida assim só pode ser uma não-vida.

O número de mulheres mortas em Portugal continua a crescer. Ao tiro ou à facada os ogres não param de agir selvaticamente e, por cada mulher morta, quantas não são agredidas, empurradas, esmurradas, ameaçadas?

Uma vez, ao falar disto, mostrei a minha estranheza: porque não denunciam, não fogem, as mulheres ameaçadas?

Mas uma leitora que viveu na pele este terror explicou-me: não denunciam nem fogem por medo, medo das vinganças, medo das consequências junto dos filhos, medo por não terem para onde ir. Percebo e fico aflita por pensar isso. De facto, deve ser um pavor saber-se à mercê da agressividade ou do rancor de um maníaco raivoso.

Penso que uma mulher que sofra esta situação deverá aconselhar-se junto dos serviços de apoio às vítimas, deve contar o seu drama aos amigos e familiares, deve tentar estar acompanhada, deve partilhar a sua aflição, ter apoio especializado.



Mas o caso de que falava mais acima, ao referir a revista que comprei, a FLASH!, é o de Bárbara Guimarães e Manuel Maria Carrilho. A fotografia da capa mostra-a com uma pele incerta, manchada, o rosto tenso. Lá dentro a descrição de mais um drama. 



Carrilho chamou a polícia para entregar os filhos pois alega que na última vez foi agredido por gente da ex-mulher, deitado ao chão, imobilizado. E que não se arrisca mais. Acontece que ela, supostamente com medo dele, não quis sair do elevador e mandou uma amiga receber as crianças. E ele não quis entregar os filhos a outra pessoa que não à mãe. Então, perante tal impasse, um dos polícias ofereceu-se para fazer o transbordo das crianças. Com isto, a menina que vinha a dormir, acordou assustada ao colo do agente e desatou a chorar. O menino, assustado também, começou a chorar e a dizer, pai, ó pai...

E agora ele diz que vai pedir a guarda das crianças e refere um episódio em que o filho lhe teria telefonado às 5 da madrugada a dizer que estava sozinho em casa com a irmã e que ele, tendo lá ido, foi agredido pelo acompanhante de Bárbara que teria chegado um bocado depois.

Se isto é verdade ou não, não faço ideia.

Tal como não sei se terá sido verdade que ele a agrediu na escola dos filhos ou se foi ao contrário, se os amigos de Bárbara é que o agrediram. Não sei quem fala verdade, ou se falam os dois. Não sei nem é suposto que saiba.

Tudo isto é quase obsceno.

A Flash!, que dá conta de todo este drama, mostra fotografias do que se passou na entrega das crianças, com a polícia. Ora como estavam os fotógrafos lá? Carrilho chamou-os? Ou alguém fotografou aquela triste cena e as enviou para a revista? Não sei.

O que sei é que, como já antes aqui o referi, a mediatização de toda esta brutal violência, violência física e psicológica, parece-me um péssimo exemplo, quase uma banalização e glamourização de um crime.

As revistas estão cheias desta triste história, parece que nenhum deles se quer ficar, não cuidando de preservar os filhos. Na ânsia de se agredirem, parecem ignorar os sentimentos e a estabilidade das crianças.

Hoje vi-a na capa de outra revista, desta vez é ela que diz que quer falar e contar a sua versão. Não comprei nem vou comprar, incomodada que fico com isto.

Mas lá está ela na CARAS, agora maquilhada, sorrindo, com os filhos, o rosto de Carlota, a menina de 4 anos, praticamente visível. E sobre a imagem que aparenta felicidade e glamour palavras como violência, mentiras.


Dá ideia que não ouvem amigos, familiares, dá ideia que ignoram tudo o que é razoável e apenas querem ferir o outro, mesmo que, para isso, se destruam mutuamente e cilindrem os filhos.

A revista Flash! traz uma afirmação de um psicólogo onde ele refere que não percebe porque não intervém o Ministério Público. Não sei nem sei se deveria pois desconheço a lei. O que sei é que me parece que, se ninguém os intercepta, isto ainda pode acabar mal, isto é, pior do que já está.

E é que há a dimensão pública dos intervenientes: ela uma das mais reputadas apresentadoras da televisão portuguesa e ele um ex-ministro, professor universitário, filósofo com obra publicada. Para além de deverem saber poupar-se, deveriam também conseguir lembrar-se que têm a responsabilidade do exemplo. Mas já que não conseguem pensar em preservar-se a eles próprios e aos filhos, deveriam, pelo menos, pensar no exemplo fatal que estão a dar.

É que, até mais do que neles, penso é no exemplo para os monstros que por aí andam à solta, que agridem, esfaqueiam, atingem a tiro as mulheres e que, às tantas, vendo estes do jet set nestes desacatos, ainda se sentem desculpabilizados, como se tudo isto fosse normal, socialmente aceite,

Não haverá ninguém que chame Bárbara Guimarães e Manuel Maria Carrilho à razão? Será que apenas vão parar quando uma desgraça maior acontecer?

Que horror tudo isto, que horror. Tantos e tantos anos de civilização para se assistir a tanta violência e a tanta insanidade.







Violência Doméstica
Não podemos tolerar, não podemos perdoar, não podemos compactuar. 
Nem podemos ignorar.
Não podemos.



Alguns contactos úteis 


  • A Associação de Mulheres Contra a Violência (AMCV) é uma organização não governamental (ONG), de utilidade pública, independente, laica e sem fins lucrativos, cujo objecto é a promoção dos Direitos Humanos, nomeadamente ao nível dos Direitos das Mulheres, Jovens e Crianças, e o combate a todas as formas de Violência e Discriminação.

SEDE
Tel. 21 3802160
Fax: 21 3802168
E-mail: sede@amcv.org.pt


  • A APAV tem como missão apoiar as vítimas de crime, suas famílias e amigos, prestando-lhes serviços de qualidade, gratuitos e confidenciais. É uma organização sem fins lucrativos e de voluntariado, que apoia, de forma qualificada e humanizada, vítimas de crimes através da sua Rede Nacional de Gabinetes de Apoio à Vítima e da sua Linha de Apoio à Vítima – 707 2000 77 (dias úteis: 10 – 13h / 14 – 17h).


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A canção lá em cima é Hope there's someone e é interpretada por Antony and the Johnsons.

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Relembro: no post abaixo há banqueiros, despedimentos, conversa fiada e até, imagine-se, humor com um banqueiro em versão Monty Phyton.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa terça-feira.

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Ulrich acredita que testes de stress confirmam que BPI está no caminho certo. CaixaBank vai apoiar BPI em estudo para a compra do Novo Banco. Faltam sair 78 trabalhadores para o BPI cumprir plano de reestruturação acordado com Bruxelas. O banqueiro dos Monty Python mostra com quem é que o Ulrich e outros como ele aprenderam.





E ainda mais esta da Maria Luís Albuquerque, essa presciente criatura que não há muito assegurava que o BES estava solid as a rock, blindadésimo e rodeado por uma big almofada:

A ministra das Finanças Maria Luís Albuquerque considerou nesta segunda-feira, 27 de Outubro que os resultados dos exames conduzidos pelo Banco Central Europeu (BCE) "evidenciam que o sistema bancário português está hoje mais forte, apesar das dificuldades que passou".


Sim, sim, claro.

E ainda um outro, um que volta e meia lhe dá para se fazer passar por La Palice e que até parece que há uns meses atrás tinha avisado para a barracada do BES:

Angel Gurría, secretário-geral da OCDE, considerou que Portugal não tem um problema na banca, salientando a resiliência demonstrada pelo sector na sequência do colapso do grupo Espírito Santo. "Em Portugal, a questão dos bancos não é uma questão. Está controlada", disse. Ainda assim, acrescentou, "é possível fazer mais": "os bancos podem ser incentivados a aumentar os fundos próprios ainda mais se necessário" e criar mecanismos para que os prejuízos sejam detectados "atempadamente".

Ora bem. Se cá nevasse fazia-se cá ski. 


Isto neste País são só mistérios. Depois de ter ouvido a semana passada que o resultado consolidado do BPI a Setembro deste ano é negativo em cento e tal milhões, hoje ouvi por todo o lado o Ulrich todo gabarola, que o BPI é do mais sólido que há, que tralala, tralala. Faria se estivesse nos lucros e não nos prejuízos.

Mas, claro, estando tudo um mar de rosas, ainda há, contudo, algumas coisas a cortar. Mas nada de mais.


Depois de tantos que já saíram, 78 funcionários ainda a mais no BPI...? Não há problema: saem não tarda. E, com as gorduras todas aparadas,  talvez se consiga comprar as sobras do Novo Banco. O que é isso? 78? Só? 78 pessoas são peanuts, melhor: amendoins (que em português ainda parece coisa mais insignificante). Além disso aguentam bem o desemprego, então não? Aguentam, aguentam. 


Portanto, já que com esta gente não se aprende nada nem se vai a lado nenhum, passemos para um ilustre executivo, um em quem os Ulrichs, Salgados, Horta Osórios e quejandos se devem inspirar na sua actuação quotidiana.


Aqui o nosso homem mais abaixo, esse sim, teve mesmo que ir ao osso: até teve que dispensar um cavalo de pantomima.





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segunda-feira, Outubro 27, 2014

Alô, alô Ricardo Costa do Expresso! Sabe porque é que as eleições legislativas devem ser antecipadas? Eu sei que não sabe. Mas deixe que eu tente explicar-lhe, está bem?


Nos dois posts abaixo estive a dedicar-me ao humor que os Leitores, a quem agradeço, me enviam. Condimentei-os com uns toques cá à minha maneira porque gosto de textos bem aromatizados.

Depois de os escrever, estava com o computador empanado e, depois de ter tido a casa cheia até pouco antes e, portanto, estando com vontade de descansar, tinha dado a noite por feita - mas eis que me pus para aqui a mexer e parece que isto já está outra vez mais ou menos.


Por isso, regresso para dizer ao Ricardo Costa do Expresso duas coisas:



1ª Mal o meu marido pega no jornal e chega à sua coluna, dá-lhe sempre uma fúria e interroga-me sobre a razão pela qual ainda compro o Expresso. Acha-o de vistas curtas ou muito tendencioso e isso incomoda-o. Eu também acho e, por isso, não lhe dou grande atenção, passo à frente. Mas saiba que o seu estilo e a sua visão das coisas deve levar a que o jornal perca muitos leitores. E olhe que quem avisa seu amigo é.


2ª Mas desta vez fui ler a sua crónica para ver o que é que tinha arreliado outra vez tanto o meu marido. Disserta V. sobre a desvantagem ou inutilidade de serem antecipadas as eleições legislativas. O seu raciocínio é simples como o de qualquer burocrata: se é suposto um mandato durar 4 anos, é isso que deve acontecer. 


Pois permita-me que lhe explique, fazendo a demonstração por absurdo:

  • Suponha o Caro Ricardo Costa que contrata por 3 anos um jornalista para a redacção do Expresso e que não há uma que ele faça direita, inventa, escreve mal, arranja intrigas, causa problemas, desencadeia uma série de processos contra o jornal, etc. Vai mantê-lo em funções apenas porque era suposto que ele lá ficasse 3 anos?
  • Ou suponha o Caro Ricardo Costa que contrata uma empregada doméstica para lhe tratar da casa durante 1 ano. Suponha o meu Caro que ela todos os dias lhe parte ou rouba qualquer coisa ou estraga tudo onde mexe. Todos os dias. Só porque a contratou por 1 ano vai mantê-la em funções?
  • Ou suponha o Caro Ricardo Costa que contrata uma ama para tomar conta do seu filho bebé até ele ter idade de ir para o infantário. Contudo, constata que se enganou na escolha já que ela alimenta mal a criança, não lhe muda as fraldas, deixa-a a chorar todo o santo dia e, ainda por cima, lhe chama piegas e diz que, se não está bem, pois que saia da sua zona de conforto. Mantê-la-ia em funções?

Do que lhe conheço, talvez os mantivesse em funções mas deixe que lhe diga: faria muito mal.

Há casos em que o dano é tão grande que, por cada dia que passa, manter uma pessoa ou uma equipa em funções é fatal.

Passos Coelho, Paulo Portas e as restantes criaturas que compõem este indigente desgoverno mais não fazem, a cada dia que passa, que destruir o país de todas as maneiras possíveis e imaginárias. É da mais elementar razoabilidade tirá-los de lá o mais depressa possível. 


Destruir é sempre mais fácil do que reconstruir.

Ainda só lá estão há 3 anos e picos e até é a Albuquerque que já assumiu que nem 10 anos vão ser suficientes para que se volte ao que era antes. Imagine-se se ficarem muito mais tempo...

Dir-me-á, o Caro Ricardo Costa, que nem todas as desgraças são da responsabilidade deste governo. Pois não.

Mas vamos outra vez por absurdo: suponha o meu Caro que lhe dão para as mãos um autocarro que não é grande espingarda, já com alguns problemas, e lhe pedem que o conduza durante 4 anos mais.

Uma pessoa atilada, dentro das limitações e condicionalismos que tinha, perceberia os pontos fracos e fortes do autocarro, avaliaria o caminho a percorrer, tentaria reparar a viatura, tentaria escolher o caminho mais adequado, enfim, tentaria controlar os danos, mitigar os riscos, fazer o melhor possível. 

Mas imagine que o Caro Ricardo Costa se acha o maior da cantareira (e, por acaso até se acha, não é? mas isso agora não vem ao caso, deixe) e que se arma em leão e diz que os outros calaceiros é que não queriam andar com o autocarro, uns piegas, mandriões, que V. vai tirar umas peças para ele ficar mais leve (talvez até dissesse que lhe ia cortar umas gorduras), vai deitar pessoas pela borda fora, que vão a pé, ora essa, e uma enxadinha nas mãos também não lhes fazia mal, e tirava os bancos, pois que vão no chão (e a Jonet até era capaz de ir mais longe e dizer para irem só com um sapato, que isto de se querer andar com dois sapatos é para quem pode, não para quem quer) e tirava as janelas, ora para que é que querem evitar o vento e a chuva na cara, gente que não sai da zona de conforto, e tirava algumas velas ao motor, e toda a gente lhe dizia que V estava era a estragar ainda mais o autocarro e V. que não, que se teria era que tirar mais umas quantas peças para ver se a receita fazia efeito, e que, para ter dinheiro para reparar a viatura, vendia o volante, os pedais e o travão de mão, e como a viatura ficava descomandada, atacava noutra área, e tirava o reservatório do óleo, e, mal se cruzasse com uns chineses, vendia-lhes a bateria e mais o que eles quisessem, e se aparecessem angolanos ou colombianos tanto melhor que talvez ficassem com o resto, incluindo com a chave da ignição.

Então? 

O carro já não lhe tinha chegado às mãos em grande forma mas, caraças!, o que é que V. lhe tinha feito a seguir...? Só porcaria atrás de porcaria, certo? Espatifou com tudo e muito de forma irreversível, não foi?

Deixar o Passos Coelho ficar ainda mais 1 ano, pretende o Caro Ricardo Costa? Mas para quê? 

Só se acha que isso ia tirar Cavaco Silva do seu sossego e não lhe parece isso bem. É isso?

Acha mesmo que os portugueses, fustigados, empobrecidos, tantos que se viram desgraçados, escorraçados, desprezados, separados das suas famílias, deverão poupar a dupla Cavaco Silva e Passos Coelho e deixá-los estar paulatinamente entregues à sua missão de destruir o País até ao fim do mandato? Acha? Explique lá isso melhor, se faz favor. E devagarinho, que eu eu sou assim mais para o lerdinho.


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Relembro: este é o terceiro post desta noite e o mais desagradável. Os dois que se seguem contêm humor e poesia e música e etc. e permitem lavar a mente já que estes de quem acima falei só nos dão desgostos.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela semana a começar já por esta segunda-feira.


Deus lhe pague (O humor que os Leitores me enviam - Parte 2, com Canto Gregoriano e o Mr. Bean à mistura)


Depois de no post abaixo ter contado a história do Poeta e do Alentejano com alguns extras de bónus, aqui, agora, prossigo com o humor que os Leitores me enviam.


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E que me perdoem a heresia já que gosto tanto de canto gregoriano que talvez não devesse trazê-lo para este texto mas, enfim, what the hell!


"Commovisti, Domine" in  "In Paradisum - Les Soeurs"




Canto Gregoriano pelas Bénédictines du Barroux

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Um transeunte escorregou na rua, caiu e foi levado para o sector de emergência de um hospital particular, pertencente à Igreja, administrado por freiras. Verificou-se que teria que ser urgentemente operado ao coração o que foi feito com total êxito.

Quando acordou, ao  seu lado estava a freira responsável pela tesouraria do hospital e que lhe disse prontamente:

- Caro senhor, sua  operação  foi bem  sucedida  e  o senhor está salvo. Entretanto, há um assunto que precisa de sua urgente atenção: como pretende o senhor pagar a conta do hospital ?

E  a cobrança começou...

- O senhor tem seguro-saúde?

- Não, Irmã.

Tem cartão de crédito?

- Não, Irmã.

- Pode pagar em dinheiro?

- Não tenho dinheiro, Irmã.

E a freira começou com suores frios, antevendo a tragédia de perder o dinheiro da conta hospitalar! Continuou com o questionário:
- Em cheque então, o senhor pode pagar ?

- Também não, Irmã.

Nessa altura, a freira já estava à beira de um ataque. E continuou...

- Bem, o senhor tem algum parente que possa pagar a conta?

 - Ah... Irmã, eu  tenho  somente  uma irmã solteirona, que é freira, mas não sei se ela pode pagar.

A freira, corrigindo-o disse:

- Desculpe  que  o  corrija senhor, mas  as freiras não são solteironas, como o senhor disse. Elas são casadas com Deus !!!

- Magnífico! Então, por favor, mande a conta para o meu cunhado!

Assim nasceu a expressão: "DEUS LHE PAGUE"


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Relembro: o Poeta e o Alentejano com Alberto Caeiro, Van Gogh e etc à mistura vêm já a seguir.

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O Poeta e o Alentejano (O humor que os Leitores me enviam - Parte 1, com Alberto Caeiro, Samuel Palmer, Van Gogh e Don McLean à mistura )




Em noite de feroz inspiração, o poeta foi passear pelo campo e, topando com um alentejano que contemplava o luar, disse-lhe:

- És um amante do belo! Acaso já viste também os róseos-dourados dedos da aurora tecendo uma fímbria de luz pelo nascente, ou as sulfurosas ilhotas de sanguíneo vermelho pairando sobre um lago de fogo a esbrasear-se no poente, ou as nuvens como farrapos de brancura obumbrando a lua, que flutua esquiva, sobre um céu soturno?

- Ultimamente, não!... respondeu o alentejano pasmado. Há mais de um ano que não me meto nos copos...!

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Já agora, e agradecendo ao Leitor que me enviou a graça acima, deixem que junte um poema, uma outra pintura, e, já agora uma canção.


O luar através dos altos ramos,
Dizem os poetas todos que ele é mais
Que o luar através dos altos ramos.
Mas para mim, que não sei o que penso,
O que o luar através dos altos ramos
É, além de ser
O luar através dos altos ramos,
É não ser mais
Que o luar através dos altos ramos.


[O Luar de Alberto Caeiro in 'O Guardador de Rebanhos']


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A primeira pintura é A Cornfield by Moonlight with the Evening Star de Samuel Palmer, 1805-1881

A segunda pintura é Starry Night de Vincent van Gogh, 1853-1890


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Vincent (Starry Starry Night) por Don McLean


[A slideshow of Vincent Van Gogh's work set to the song "Vincent" by Don McLean. It's part of an art and creative writing lesson plan for the patients at Mississippi State Hospital at Whitfield. Compiled by artist Anthony DiFatta, who also suffers from mental illness and teaches art to other adults with mental illness. ]

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domingo, Outubro 26, 2014

Picasso e algumas das suas mulheres-musas: Fernande, Olga, Marie Thérèse, Dora Maar, Françoise Gilot, Jacqueline


Depois de ter falado do Láparo Dominatrix a açoitar desapiedadamente os jornalistas e comentadores que não acham que ele seja o salvador da Pátria e de ter mostrado uma maviosa balada entoada por Carlos Mendes e dedicada a essa lusa sumidade que dá pelo nome de C-Rato, aqui, agora, mudo de registo. Cenas de bondage político (ou de qualquer outra espécie) não são a minha praia (embora aquele número musical de Carlos Mendes me tenha tocado).


Se estiverem de acordo, vamos com música.

Picasso e a Dança. Parade, 1917




Diaghilev's "Ballets Russes" - Ballet "Parade" - 1917

Cenários e Figurinos - Pablo Picasso; Música - Erik Satie; Cenário - Jean Cocteau
Coreografia - Leonide Massine




Este sábado, 25 de Outubro, fez uma data de anos que Picasso nasceu. Picasso é um dos meus pintores de eleição e muitas vezes já aqui esteve, de visita ao Um Jeito Manso, tal como vive in heaven, na intimidade da minha casa e, no campo, rodeado de verde e de luz.


Transcrevo:

Pablo Diego José Francisco de Paula Juan Nepomuceno María de los Remedios Cipriano de la Santísima Trinidad Ruiz y Picasso, ou simplesmente Pablo Picasso (Málaga, 25 de outubro de 1881 — Mougins, 8 de abril de 1973), foi um pintor espanhol, escultor, ceramista, cenógrafo, poeta e dramaturgo que passou a maior parte da sua vida adulta na França.


Feérico, jovem, exultante, solar, imperfeito, apaixonado, descarado, imenso, Picasso produzia freneticamente, copiava os outros, reinventava os outros, retratava os seus amores, transformava-os, tornava-os intemporais e eternos. As mulheres deixavam-se seduzir pelo seu olhar vibrante, pelo seu corpo impudico e ele amava as mulheres. Desejava-as, amava-as, deixava-se vencer por elas, vencia-as, fazia-as sofrer, sofria por fazê-las sofrer, mas seguia em frente, a vida sempre gloriosa demais para ser vencida pelas lágrimas do desamor.


Com pequenas legendas a partir do que se lê na Wikipedia a propósito de cada uma, mostro algumas das suas musas.



Fernande Olivier (de nome original Amélie Lang; 1881–1966)  era uma artista francesa e modelo, mais conhecida por ser modelo e amante de Pablo Picasso,que pintou cerca de 60 retratos dela.

Viveram juntos sete anos, sete anos de uma paixão pontuada pelos ciúmes, pelas brigas. Ambos temperamentais e apaixonados, jovens e desacomodados, separaram-se sem que Picasso olhasse para trás.















A ucraniana Olga Khokhlova (1891 – 1955) era uma bailarina russa mas mais conhecida por ser a primeira mulher (oficial) de Pablo Picasso e mãe do seu filho Paulo.

Olga, justamente, era bailarina no ballet Parade que acima mostro, cujos figurinos e cenários estavam a cargo do seu futuro marido.



Marie-Thérèse Walter (1909 – 1977) foi a amante francesa e modelo de Pablo Picasso de 1927 até 1935, e foi a mãe da sua filha, Maya Widmaier-Picasso. O seu relacionamento começou quando ela tinha dezassete e ele 45 anos e ainda vivendo com a sua mulher, Olga.

Acabou quando Picasso se entregou à sua próxima amante, Dora Maar.




Henriette Theodora Markovitch (Tours, França, 22 de novembro de 1907 - Paris, 16 de julho de 1997), mais conhecida pelo pseudónimo Dora Maar, foi uma fotógrafa, poeta e pintora francesa descendente de croatas. Foi a quarta das sete mulheres de Pablo Picasso.

A sua relação com o pintor catalão durou aproximadamente nove anos.



Françoise Gilot (Novembro, 1921) é uma pintora francesa e reputada best-seller. Também é conhecida por ser amante a musa de Pablo Picasso entre 1944 to 1953, e a mãe de Claude Picasso ePaloma Picasso. Gilot foi mais do que a amante de Picasso: era mãe, organizadora, musa, companheira de conversas, anfitriã, artista e crítica de arte.

Gilot tinha 21 anos quando conheceu Pablo Picasso, que tinha então 61.  Dora Maar ficou devastada quando isto aconteceu. Françoise e Pablo estiveram juntos durante 10 anos.

Desde 2002, Gilot vive entre New York e Paris, trabalhando para o Salk Institute na California, e continua a exibir o seu trabalho internacionalmente. Teve uma exposição em 2012 na Gagosian Gallery em New York City e na Vincent Mann Gallery em 2011 em New Orleans.



A francesa Jacqueline Roque (1927 – 1986) foi a segunda mulher (oficial) e musa de Picasso. O casamento durou 11 anos até à morte de Picasso.

Durante esse período ele fez para cima de 400 retratos dela, muito mais do que fez de qualquer outra das suas paixões.

Ciumenta, possessiva, impediu os filhos dele, Claude e Paloma, de irem ao enterro do pai. Não suportou a ausência de Picasso e, devastada pela solidão, suicidou-se aos 59 anos.







Tentei também incluir aqui um vídeo raro com Picasso mas a incorporação não é permitida. Por isso, sugiro que cliquem aqui para o verem directamente no YouTube, é muito interessante.

É um encontro com Pablo Picasso em 1966  (transcrevo: Rare interview télévisée de Pablo PICASSO suivie d'un reportage à Mougins au lieu-dit "Notre-Dame-de vie" dans la maison de Pablo PICASSO et de sa femme Jacqueline.Images intimes de PICASSO fumant dans un fauteuil, de Jacqueline dans l'atelier de l'artiste où sont accrochés de très nombreux tableaux, de PICASSO discutant avec le peintre Edouard PIGNON, de PICASSO prenant la main de Jacqueline, de PICASSO dans un atelier avec PIGNON et Jacqueline, arrangeant la disposition des peintures.)


O Museu Picasso reabriu este sábado ao público depois de ter estado fechado durante 5 anos em obras e eu estou desejando lá ir. Mas, enquanto não vou, aqui está um vídeo onde se mostra a preparação para a abertura e uma breve visita, explicada pelo seu presidente, Laurent le Bon.





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Depois de Picasso é até heresia pronunciar o nome do láparo que nos desgoverna. Por isso não o vou fazer. Vou apenas alertar que o que se descreve no post já a seguir é assim como que uma cena de punição. O protagonista é o dito láparo e as vítimas são os jornalistas e comentadores que não lhe agradam. Junto um filme sado-masoch para ilustrar a cena e para que estejamos preparados para o que se vai passar numa próxima ida ao parlamento pois, cá para mim, as próximas vítimas serão os deputados, a começar na Heloísa ou na Catarina. Sempre que elas o provocam, vê-se naquela cara raivosa dele que só lhe apetece açoitá-las e, cá para mim, já esteve mais longe de o fazer.

No fim desse post juntei, a posteriori, um vídeo com Carlos Mendes, a gozar que nem um perdido com o Crato e com quem lá o mantém e com a Bela Adormecida de Belém. Até versejei.

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A ver se este domingo tenho ocasião para vos mostrar os belos cogumelos que pululam in heaven, uma coisa do além. Era para o ter feito agora (era mesmo Olinda!) mas alonguei-me com o Pablito e agora já mal me aguento acordada. 


Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo domingo.