Portanto, com esta ampla divulgação e com a instabilidade em Paris e a incerteza em Inglaterra, não será de estranhar que vejamos as ruas a norte e as praias a sul cheias de gente que não é de cá. E desde que não seja uma invasão hostil e que não venham para invadir Belém e depôr o Marcelo ou tomar a Assembleia e sequestrar os deputados, acho bem. Aliás, é do melhor que há: é daquelas injecções de liquidez que nunca fez mal a nenhuma economia. Além disso, em termos sociológicos é sempre uma lufada de ar fresco, uma janela que se abre para outros hábitos e culturas. Uma economia com baixo desemprego, circulação de capitais frescos e contacto de perto com outras gentes é saudável, propicia o desenvolvimento da sociedade.
Começo por mostrar um pouco do que o TheGuardian mostra do Algarve selvagem (que é o que eu melhor conheço e de que mais gosto)
Walking the wilder side of the Algarve
A self-guided walk along the dramatic cliffs and deserted footpaths of an Algarve a world away from the beach resorts and golf courses (...). The craving for Portuguese soul food sated for now, we wander down Sagres’s main drag of low-slung whitewashed houses towards the 16th-century fortress that looms over the Atlantic. It feels as if we are on the far edge of Europe: its most south-westerly point lies a short way north – at Cabo de São Vicente, whose lighthouse I can just about see. (...)
A bela praia do Amado
Sítio de Pedralva
E agora um pouco do Porto e, para meu desgosto, não conheço nenhuma das oito referências recomendadas.
Plus discrète, mais tout aussi vibrante que Lisbonne, Porto fourmille de bonnes adresses. A l'approche des longs week-ends de mai, voici nos spot préférés pour découvrir cette ville colorée en tête-à-tête avec le Douro.
O belo casario do Porto
Casa Almada
Praia da Luz (na R. Cel. Raúl Peres no Porto)
E, assim sendo, soyez les bienvenus e be welcome a Portugal
Gosto de flanar. Sou do género turista acidental -- ver por ver, ao acaso, sem saber onde os passos me levam. Se vou passear para algum lugar, não sou do género de pessoa que, antes, se prepara exaustivamente, que estuda tudo o que há a ver, que sabe onde se come o quê e por quanto, que bate aos pontos os autóctones sobre a história de cada monumento ou edifício. Nada. Posso dar uma vista de olhos a vol d'oiseau sobre alguma informação mas não de modo a que, ao andar por lá, corra o risco de não estar disponível para ceder de improviso.
Flâner, em francês. Passear sem propósito, sem pressa.
Posso dizer que sou uma flâneuse. Com uma máquina fotográfica na mão para melhor atender aos pormenores ou aos ângulos de visão que proporcionam a melhor perspectiva, sem pressa, sem rumo, assim gosto eu de andar pelas cidades.
Assim também a ler. Leitora não estudiosa, não sistemática, sem nunca anotar nas margens, sem nunca aprofundar temáticas, sem dissecar frases ou temas para descobrir influências, sem sacrificar o prazer da leitura ao rigor da análise, sem a disciplina de leituras completas ou não evitando leituras intercaladas. Flâneuse também na leitura.
Foi, por isso, com imediata empatia que soube da existência de uma pequena livraria no Porto com esse nome. Flâneur. Um nome feliz para uma livraria de bairro no centro de uma grande cidade. Que é ao pé da Casa da Música, que é de um casal muito simpático, que é uma livraria muito tranquila, com um ambiente de livraria de bairro -- isto foi o que me disseram.
Almoçámos no restaurante da Casa da Música, uma comidinha boa, jazz por companhia, num 7º andar onde se acede ao terraço dos azulejos que ontem mostrei e de onde se tem uma bela vista sobre a zona da Boavista.
E, de seguida, estômago confortado, lá fomos. Ruas de pequenas casas, de pequenos prédios. Por detrás de uma das zonas mais centrais e movimentadas do Porto, está-se numa zona de ruas quase sem trânsito, muito pacata
De fora, mal se vê. O meu marido: 'Eu não disse? Deve ser daquelas coisas...Estou mesmo a ver.'. Não comentei para não estimular as piadas.
Foquei-me, antes, num poema escrito no vidro da porta. Manuel António Pina (que também tem lá dentro o 'seu' espaço).
A livraria é um pequeno espaço (pequeno se se comparar com as Fnacs ou Bertrands desta vida) mas um espaço luminoso, muito agradável. Há largueza, bom gosto e há, sobretudo, boa visibilidade para as obras expostas.
Sentada a uma mesa, a jovem que presumo que seja a Cátia e, ao balcão, de pé, o Arnaldo. Sorridentes, afáveis. Um ambiente zen.
Éramos os únicos clientes. Depois chegou um senhor que conhecia a livraria de um anterior espaço e que estava todo contente por vê-los ali, que estavam melhor, e por ver bicicletas, uma novidade. Vi depois, no site, que se pode encomendar livros e que, no perímetro do Porto e arredores próximos, é o Arnaldo que os entrega de bicicleta.
Enquanto cirandava pelas estantes, a Cátia analisava encomendas e validava com o Arnaldo se seria de oferecer ou cobrar os portes. O ambiente é, pois, naturalmente informal.
Estava à espera que o meu marido começasse a segredar-me que estava mesmo à espera que fosse uma coisa assim e que só eu é que meto na cabeça fazer tantos quilómetros para ver uma pequena livraria de bairro. Não gosta de estar em lojas em que somos os únicos clientes e em que, sabe-se lá porquê, parece que temos que sussurrar para não perturbar os vendeores. Mas, curiosamente, não disse nada e esteve a ver os livros.
Trouxe os livros que abaixo vos mostro, presumo que se trate de fundos de colecção já que os preços eram muito baixos. Paguei pelos cinco livros creio que trinta e picos euros. E de uma coisa poderão os meus Leitores estar certos: se eu morasse no Porto ou por lá perto, não deixaria de passar assiduamente pela Flâneur.
E daqui desejo as maiores felicidades à Cátia e ao Arnaldo: que a Flâneur se torne uma livraria de referência no Porto.
No meio do lago, uma casinha de vidro. Escura. Lá dentro o homem tem ao colo o peixe grande. Afaga-o. O peixe recebe as carícias, respirando com alguma dificuldade. O homem abraça o peixe com ternura.
Digo: 'Que coisa maluca. E o peixe nem se mexe'. O meu marido responde: 'Querias o quê? Fora de água.'
À volta do lago, o jardim cresce para os lados e para cima, jardim bonito. Em alguns socalcos ele é oriental, noutros ele é francês, noutros ele é muito british e é perfumado e íntimo.
E lá mais ao fundo há um relvado mas não é relvado, que relvado é frescura de golf ou de jardim de princesa: aqui é erva, é pasto. E ao fundo há um celeiro. E a vaquinha anda descansada. Ela não sabe de trânsito nenhum, não sabe de prédios altos e de barafundas. Nem sabe de pinturas, esculturas, instalações, não sabe de peixes grandes ao colo de homens carinhosos ou tarados, não alinha nisso de discussões sobre o valor da arte. Sabe só que se está bem.
Explico melhor.
Antes do jardim, houve o museu. A exposição. Fotografei mas afinal tinha deixado o cartão no computador, as fotografias ficaram na máquina, e agora não tenho aqui cabos nem nada que me permita tirá-las de lá.
De resto, também não ia falar. Não sou crítica de arte. Se gosto, falo, gosto de elogiar. Se não gosto assim tanto, prefiro não dizer nada. Não sou entendida e tenho que admitir que, se os entendidos e o 'mercado' em geral valorizam, é porque algum valor tem. E gostei de um ou outro. E assim-assim de outros. E nada de muitos outros mas isso é problema que é meu.
Espanto-me com a a gastação de prosa com que alguns mimoseiam outros. O Alf do Elogio da Derrota, que escreve bem que se farta e tem montes de graça e que é insolente de dar gosto, gasta a sua inspiração e talento em textos longos a criticar os críticos e os maus escritores, com isso cansando a minha beleza. O agora incensado Luís Miguel Rosa escreve textos chatíssimos, daqueles que parecem os discursos de oito horas do congresso americano, em que diz mal de meio mundo e onde, pelo meio, tece considerações em que mostra que é letrado -- e meia bloga cai-lhe aos pés; mas eu não que, se acho que a minha vida é curta demais para gastar um dia inteiro fechada no Louvre, imagina se ia gastar essas tantas horas a ler longas e chatas prosas (e agora até em inglês) do jovem que faz babar os eruditas e os eremitas e faz ranger os dentes ao Alf que não gosta de concorrência. Nem pensar.
Portanto, olha lá se ia eu, leiga e rústica, desdobrar prosa frouxa e ignorante para falar da obra de Álvaro Lapa.
Mas dos trabalhos de Marisa Merz gostei de alguns. De outros não. Uns quantos têm qualquer coisa de Chagall. O meu marido é menos polido que eu. Disse dela: 'Uma vida inteira a fazer coisas para as quais não tem jeito'. Censurei-o. Falta de alma sensível.
Mas pronto, o gosto é subjectivo.
Fomos para o jardim, que o jardim nunca desilude. Aí tirei fotografias com o telemóvel. Tão bonito. Olho agradada, com vontade que o meu heaven um dia seja assim, árvores a roçar o céu, tudo muito frondoso, verde e húmido, com obras rodopiantes ao vento, com uma ordem discreta e elegante.
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E só depois fomos à procura da livraria.
Como este sábado temos que madrugar -- porque o senhor da máquina ameaçou estar a postos para limpar o terreno lá ao fundo, do lado de fora da vedação, logo ao nascer do dia (e claro que tenho que estar disponível para me atravessar caso pretenda arrasar mais do que o suposto) -- pode acontecer que apenas chegue à livraria durante o dia de domingo
Enquanto escrevia, passava na televisão a reportagem sobre o Rio Rio, o Passos Coelho e o Santana Lopes no congresso do PSD. Não vou comentar. E nem é uma questão de disposição. É que tudo aquilo me parece vazio, destituído de interesse, uma seca. Portanto, não estranhem que passe ao lado
Claro que fomos à livraria. Mas já lá chego. O meu marido ainda no caminho e já rogando praga: 'Sempre quero ver. Quando vens com coisas dessas, já se sabe.' Também pensei que sim, que podia não ser nada por aí além. Mas só pelo nome já merecia uma visita. Não é fácil de explicar. Fazer tantos quilómetros só para conhecer a livraria que tem tal nome. Pode uma palavra chamar assim por nós? Por mim pode. O meu marido já tinha desistido, à partida já dava o tempo por perdido. Mas, enfim, também faz parte da maneira de ser dele. No fundo gosta de andar nisto, a descobrir coisas comigo mas sempre a gozar, acha que sou 'marada'.
Mas, para mim, o pior aqui é mesmo o trânsito. Tantas vezes que aqui vim, tantas, tantas vezes em serviço sem tempo para turismo, e nunca fui capaz de vir eu a conduzir. Não consigo vencer o receio. Acho que me perdia (apesar do GPS). Acho que me batiam no carro, acho que, com a atrapalhação, sem perceber as orientações do GPS, causava congestionamento. É que aqui andam todos sem cuidado, muito rapidamente, entra gente por todos os lados, há cruzamentos de metro a metro e ninguém abranda. Não me arrisco. Nem pensar. Mesmo indo ao lado, confundo-me. Só me oriento se andar a pé e com um mapa de papel na mão. Mas isso já não há. Agora é com o telemóvel a guiar-me os passos. Mas a imagem deita-se e fico sem saber se estou a ir bem ou ao contrário.
Mas, tirando isso, é bom. É sempre bom.
E vou andando, sempre turista, sempre a apreciar cada bocadinho. E sou atraída pelo graffitti, pela luz do corredor, pelos azulejos do terraço, pela nesga de casa onde se vendem legumes, pelo quintal que parece o da minha avó. No meio de tanta obra de arte, de tanta arquitectura e tanta coisa importante, logo o meu olhar se detém em fragmentos. Fragmentos luminosos, momentos radiosos. O tempo veste de tons cinza mas eu vejo o dia brilhando de luz.
Enquanto vejo a hecatombe dos resultados do PSD nas grandes autarquias -- um valente pontapé nos autarcas laranjas e um humilhante rombo no seu já escasso orgulho partidário -- e começo a ouvir os comentadores, alguns do próprio PSD (Manuela Ferreira Leite, por exemplo), a indicar o caminho da porta ao incompetente Passos Coelho, interrogo-me: será possível que a lápara criatura continue alapada à presidência do partido ou terá a hombridade de nos aparecer de corda ao pescoço a anunciar que finalmente percebeu que os portugueses não o querem ver nem pintado?
Estou para ver. Eu, se fosse às televisões, arranjava uma daquelas apps que junta adereços às imagens e, quando o nefasto líder do PSD aparecesse nas imagens, juntava-lhe umas orelhas de burro e um rabo a sair-lhe das calças.
Uma aberração destas, que durante anos deu cabo do País e prejudicou a vida de grande parte dos portugueses, tem que sair do palco político debaixo de pateada geral, debaixo de uma saraivada de apupos -- para que perceba de vez que queremos que nunca mais nos apareça pela frente. Imagino que os sociais-democratas lhe estejam com um pó muito superior ao do resto da população mas, seja como for, o que tenho a dizer em relação ao láparo, na prática já um ex-líder, é: Vade retro satana.
Claro que a Madama Cristas canta de galo. Como não? Uma bigodaça das valentes no PSD lisboeta... Claro que até o rato Mickey ganharia à Leal ao Coelho mas é um facto: a Sãozinha andou a bater perna por aí, com peixeirada populista e pouco mais (nada do que diz, espremido, deita sumo) -- mas, reconheça-se, esforçou-se, saíu-lhe do pêlo e, o eleitorado de direita, não tendo melhor alternativa, entregou-lhe o voto. Está de parabéns, claro, tanto quanto o PSD está de luto.
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Entretanto, vejo o senhor do PSD Porto, Álvaro Almeida (acho eu), a assumir a banhada, outra banhada das antigas, e, no meio do desastre, a congratular-se por ter ganho a Junta de Freguesia de Paranhos. E todos os que lá tinha com ele bateram palmas. E eu, que tenho bom coração, até me senti condoída. Ao que o PSD chegou para ficar contente por ter ganho Paranhos.
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Fotografia pequenina a condizer com a pequenez do discurso de vitória
O discurso de Rui Moreira foi uma vergonha, uma coisa ao estilo Cavaco: ressabiado, a ajustar contas. Nem se percebeu aquela conversa. Quem não sabe ganhar, revela que não é de fiar. Ganhou hoje mas não vai longe. Gente com maus fígados acaba corroída pelo seu próprio fel.
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Estou a ouvir Isaltino e estou intrigada com um senhor com um corte de cabelo muito curioso e meia barba que está atrás dele, com uns olhos muito abertos, e que não pára de abanar a cabeça, para cima e para baixo, com um ar vagamente vingativo. Bate palmas como se estivesse a ajustar contas. Medo...
De resto, dizer o quê? Os Oeirenses quiseram de volta aquele que os tribunais provaram que se abotoou; mas desculpam-no, dizem que, pelo menos, fez obra. Os Oeirenses são assim, gente inclusiva, que acolhe de coração aberto os ex-presidiários Um exemplo para a sociedade, os Oeirenses (e, claro, as minhas mãos tentam encobrir a ironia -- e a mal digerida perplexidade -- que me vai na alma). Quando se quiser perceber bem como são os portugueses, este caso deverá ser tido em consideração.
Isaltino de novo à frente de Oeiras -- ou a prova provada do bom coração dos Oeirenses
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E agora foi Jerónimo de Sousa. Pela primeira vez a conversa não foi de vitória. Acho que foi a primeira vez. Antes, apesar da linha ser descendente, arranjavam sempre maneira de se comparar com qualquer coisa que fosse mais abaixo para poder cantar vitória. Desta vez não.
Jerónimo reconheceu que perdeu. Só que, ó céus, veio dizer que os eleitores se enganaram e que, daqui por 4 anos, reconhecerão que se enganaram e voltarão a dar-lhes o voto. Surreal. Há qualquer coisa de trágico no destino do PCP. De facto, em tempos o PCP foi importante. De facto, ainda é um partido a que se associa uma matriz de honestidade e defesa pelos interesses dos trabalhadores. Só que, em muito da sua actuação, anquilosou. Sei do que falo. Há nas pessoas do PCP a sensação que adquiriram direitos. De certa forma, há neles atitudes caciquistas, de donos do pedaço. Movimentam-se em função de interesses partidários. Todos os partidos são assim mas no PCP isso é mais visível (talvez porque sendo mais disciplinados, levam isso mais a sério). Mas os tempos mudam. O passado vai ficando ara trás e, ao votar, os eleitores não estão a atribuir medalhas de mérito pelo feito mas a passar um aval para os próximos anos. E o PCP está, de forma geral, pouco aberto ao futuro. Claro que há excepções. Há autarquias em que o PCP é ainda uma lufada de ar fresco. Mas não são a generalidade e os resultados mostram-no. Jerónimo de Sousa deveria perceber que não foram os eleitores que se enganaram.
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E pronto, Passos Coelho falou.
E, como acabou de comentar Manuela Ferreira Leite, o pior cego é o que não quer ver. Bem falante como sempre, o Láparo assumiu a derrota mas quanto ao que se esperava, está bem, está: disse que não se demite hoje, não se demite amanhã nem depois de amanhã. Diz que vai reflectir (e assumiu que não é veloz a raciocinar) e que, na melhor das hipóteses, vai pensar na sua recandidatura nas próximas eleições internas.
Portanto, é o Láparo no seu melhor. Alapado ao partido, pior do que estivesse com ventosas nos pés. O PSD furioso com ele, desejoso de ajustar contas com o passado recente e não vendo a hora de começar a limpar-se do sarro sarnento dele -- e ele sem se ir embora. Faço ideia a raiva que a malta do partido está, a esta hora, a sentir. Um pesadelo para as hostes laranjas. Quase me sinto solidária com eles... ninguém merece... Mas, ao mesmo tempo, é bem feito: puseram-no onde ele está e aplaudiram as sacanices que fez e tornou a fazer. Portanto, agora não se queixem.
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Falou António Costa e agora fala Fernando Medina. Estão felizes. Compreende-se. São ambos pessoas boa onda, gente de bem, olham de frente, sorriem, falam de cor, mostrando conhecimento do que falam e mostram prezar o trabalho de equipa. Falam de futuro, apontam caminhos, estendem a mão. Espero que assim se mantenham, motivados, confiantes, com sentido de dever e com alguma humildade. E que nunca deixem de ser transparentes e probos.
Foi uma grande vitória do PS. Os eleitores mostraram que estão a acreditar nos programas e nas pessoas do PS. É, no fundo, uma responsabilidade grande para o PS.
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Acabo de saber o resultado de Almada, velho bastião do PCP, um forte até agora inexpugnável por parte de qualquer outra força política. As votações estiveram muito tremidas e acabaram por traduzir-se na sua conquista por parte do Partido Socialista. O PCP vai abanar. Para o PCP, a queda de Almada é marcante, é pesada, pois Almada é, para os comunistas, um símbolo. E, para os socialistas, a conquista de Almada, mais do que uma inesperada vitória, é uma responsabilidade de monta. Tomara que Inês de Medeiros tenha unhas para tocar esta extraordinária viola que lhe caíu no colo. Daqui lhe desejo muito boa sorte.
Vejo também que Beja caíu. Outro desgosto para as hostes vermelhas.
Pode ser que o PCP acorde e veja que os eleitores quando votam não o fazem com um sentido de recompensa por feitos passados mas como uma aposta numa estratégia de futuro. E não tem nada a ver com a Geringonça nem com nada disso, tem apenas a ver com a atitude e os valores do PCP que se encontram frequentemente desfasados da realidade.
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Para acompanhar a evolução das contagens, clicar aqui:
Imagens provenientes, uma vez mais, da arca do tesouro: We have kaos in the garden excepto a primeira que é do Bordoada, a galinha que não sei de que capoeira saíu e a do putativo baronete do Norte.
Não sei se o facto de gostar muito do Porto é condição suficiente para me pôr para aqui a opinar sobre candidatos e candidaturas autárquicas daquelas bandas.
Mas, se não for, os portuenses que me desculpem. Não pretendo saber interpretar a alma de quem por lá vive. Na volta são todos uns vidrinhos e, à mínima palavra escrita fora da linha ou dita sem consentimento prévio do rei do pedaço, dá logo azo a um chilique por parte do dito rei, a ameaças de rompimento e o escambau. Não sei. Pensei que era o oposto, que fosse tudo gente de nobr'alma, de superior inteligência, bem acima da carne seca.
Mas agora, porque Ana Catarina Mendes disse o óbvio -- que seria para o PS uma vitória se os seus militantes ou os independentes por si apoiados ganhassem as eleições autárquicas -- ouço dizer que Rui Moreira fez birra, que diz que a bola é só dele e, de bola debaixo do braço, diz que assim não brinca, não quer brincar mais com os meninos da equipa amiga, nem com aqueles que lhe passam a bola. E que não quer mais o apoio do PS.
Devo dizer que, por altura das últimas eleições, antes dele ganhar, estando eu a jantar num belo restaurante no Porto, um num larguinho com uma capela, creio que não muito longe do mar, tive um bate-papo com alguns autóctones e com um outro que, não tendo nascido lá, por lá viveu bastos anos. Gente alinhada à direita, não defendiam nem queriam que ganhasse o Rui Moreira. Eu dizia que ele ia ganhar nas calmas, que é pessoa com ar civilizado, boa onda, capaz, que sabia fazer pontes, que a coisa ia ser na base da canja de galinha. O que lá tinha morado dizia conhecê-lo bem de mais e contou-me umas quantas histórias. Fiquei com a sensação que eram rivalidades familiares antigas e, portanto, dei o devido desconto.
Contudo, agora, ao saber desta reacção chiliquenta, de menina virgem que não quer ser vista na companhia do vizinho não vão as outras vizinhas supor algum amancebamento clandestino -- ou melhor, mostrando ser um misto de virgem ofendida e de starlette peniquenta -- Rui Moreira desceu uns quantos pontos na minha consideração.
O que é que a Ana Catarina Mendes disse de especial ou de errado? Então se ela apostar num cavalo e o cavalo ganhar, ela não pode dizer que ganhou? Que a sua aposta foi ganhadora?... Homessa...!
Então o PS apoia o Rui Moreira, um apoio tão genuíno, e o Rui Moreira faz questão de fazer de conta que o apoio do PS é, para ele, um sacrifício...? Ou, se ele ganhar, o PS não pode mostrar contentamento...? E que passa bem sem o apoio do PS...? Ridículo!
Eu, se fosse ao PS chegava-me ao pé dele e dizia-lhe: olha lá, oh minha casta diva, ou bem que gostas de ser apoiada pelo PS e gostas que o PS te apoie às claras e convictamente ou, se é para fazeres o número da virgem sonsa ou da diva niquenta e petulante, então fica na tua que há mais quem goste e a gente vai mas é partir para outra. Xô.
Claro que, inteligente como ele é, há-de de cair na real mas, depois deste fricote, acho mesmo que a excelência está a pedir um abre olhos. Um sustozinho, por assim dizer. A kind of lição de humildade, por exemplo, para ver se a prima-dona aprende a não desdenhar de quem, de bom gosto, lhe tem dado a mão.
(Mas nada de dramalhões à Assis, for goodness' sake, mais uma afirmação da autonomia e competência socialista, nomeadamente na pessoa do íntegro e bacano Manuel Pizarro.)
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Seja como for, daqui vai um presentinho da Sta UJM para Rui Moreira -- e, em troca a santa UJM pede-lhe que se porte como um homem e não como uma casta diva.
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E até já que eu vou ver se acordo para vir conversar convosco sobre a Doris.
(Mas aviso que isto, esta noite, está do piorio, só adormeço, credo, acho que tenho que ir dormir a sério. Mas, se não esta noite ainda, amanhã durante o dia talvez seja. Ou a Doris ou a minha ida à nutricionista)
Bruges, Budapeste, Edimburgo, Helsínquia, Mostar, Tallinn, Salzburgo, Sevilha, Verona... e Porto (cuja fotografia é a que aparece na homepage do site).
Why not make one of these overlooked destinations your next city break? -- pergunta-se lá
It's hard not to fall in love with Portugal's romantic second city, Porto. Located on the coast of the Rio Douro, the portside town is a melting pot of colors and architectural styles; from the pastel townhouses to the medieval bell towers, the extravagant baroque churches to the classical beaux-arts state buildings. Wine aficionados come here for the growing number of wine caves and cellars open for tastings, while music-lovers travel for the Primavera Sound festival every June.
O tempo é escasso, vejo-o em contagem decrescente. Quando venho, trago ideia de ir descobrir sítios novos. Mas, depois, há locais irresistíveis. Ou seja, acabo por não ir tão à descoberta quanto inicialmente tinha em mente para conseguir revisitar os lugares de sempre. E, portanto, a visita ao Porto não poderia deixar de incluir uma ida aos jardins do Palácio de Cristal. Não apenas tem recantos lindos como de lá se tem uma assombrosa vista do Porto. Parece que não consigo sair da cidade sem voltar a ter dentro de mim a beleza que os meus olhos colhem quando por aqui passeio.
A elegante Ponte da Arrábida
Não sei fazer a legenda das fotografias abaixo mas, seja qual for a igreja ou os edifícios que se vêem à beira Douro, a beleza é a mesma.
Igreja de Corpo Santo de Massarelos, segundo indicação do Carlos Azevedo em comentário aqui abaixo.
Fica no Largo do Adro, junto à Rua da Restauração.
Desta vez fiquei espantada: imensos jovens. Grupos almoçando, pares namorando, outros conversando ao sol. Os jardins são mais bonitos se tiverem pessoas dentro. São tristes os jardins cujas árvores crescem em silêncio sem que nenhum olhar as acaricie.
Quando estava a fotografar o rio e as belas casas que se ajeitam ao sol até chegarem à margem, ouvi risos que vinham de baixo. Espreitei. Então descobri um jardim em que nunca tinha reparado, o Jardim dos Sentimentos. É capaz de ser recente pois vejo árvores pequenas e plantas ainda pequenas, devem ter sido plantadas há pouco tempo. Em cada canteiro uma planta e a cada planta um sentimento associado.
Ao fundo, no canteiro da Dor, uma bela escultura, justamente a Dor, de Teixeira Lopes. Não me parecia que a mulher estivesse em sofrimento, talvez mais em êxtase mas, enfim, não discuto.
Embora haja muitos turistas na cidade, aqui não vi nenhum - o que significa que há zonas que são pouco divulgadas, e esta é uma delas. Se por um lado é bom pois o recato é um bem precioso quando se está num jardim, a verdade é que há vantagens de todo o tipo na atracção de turismo estrangeiro e quantos mais os pólos de interesse, melhor.
Mas, se não encontrei aqui um único turista, em contrapartida tive uma visão: montes de gaivotas, grande parte delas armada em pato. O lago grande estava cheio delas, deslizando como cisnes. Desforrei-me junto do meu marido, então há ou não gaivotas por todo o lado? Pois, que sim, que as gaivotas se passaram. Digo-vos: por todo o lado. Pareceque desistiram de andar no mar, que adoptaram a cidade, que acham que os lagos são o mar e os grandes edifícios as altas escarpas.
Não conseguia era descobrir os pavões. Andei a espreitar atrás de canteiros, nos recantos mais abrigados. Nada. Pensei, mas querem lá ver que as gaivotas expulsaram os pavões... Às tantas andam eles agora pela beira do rio.
Mas não. Já me vinha embora quando os vi à sombra, lindos, lindos. Se as gaivotas são aqui um ser de outro lugar, os pavões parecem seres do outro mundo.