Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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sábado, julho 08, 2017

Caminhos e destinos em vol d'oiseau




Tenho aqui ao meu lado três livros. Volta e meia abro um deles ao acaso, leio. Não é meada de que tenha que guardar a ponta do fio. Onde eu abra, está bom de ler.

Com jornais, não é bem isso mas quase. Em papel, desabituei-me de os ler. Mesmo na empresa, em que se assinavam uns poucos, acho que desistiram. Eu, pelo menos, deixei de os ver por lá. Na net, abro, espreito, sigo para outro. Mas, quando os lia em papel, lia do fim para o princípio. Em revistas, a mesma coisa. Não sei dizer porquê mas é assim. No outro dia, estava a ver a minha menininha linda a fazer exercícios num livro que lhe dei e que era qualquer coisa como 'desenvolve o teu QI'. É que ela adora fazer estas coisas, descobrir a sequência, a lógica, a peça que falta, a que está deslocada no contexto, coisas assim. O curioso é que, em cada página, fazia os exercícios de baixo para cima. 
Quando eu, mal fiz dezassete anos, fui viver longe dos meus pais, almoçava e jantava onde calhava, em especial nas cantinas universitárias. Sou de boa boca e onde os outros protestavam veementemente, comia eu de gosto tudo o que vinha parar ao prato. Contudo, durante todo esse tempo eu estava desejando chegar a casa para comer o meu petisco de eleição: pescadinha fresca, daquelas de anzol, marmota (acho eu que lhe chamam), com batatas cozidas, brócolos ou feijão verde e ovo cozido. Pois bem, se perguntarmos à minha lovely menininha qual a sua comida preferida dirá sem pestanejar: 'peixe cozido com batatas, brócolos e ovo cozido'. Nas coisas mais incríveis, mostra bem que herdou alguns dos meus peculiares genes.
Bem. Seguindo.


Eu a ler cada vez mais sou assim como vos conto. Páginas soltas, salteadas. Os livros que aqui tenho agora são Caminhos e Destinos, a memória de outros II, de Marcello Duarte Mathias; O homem fatal de Nelson Rodrigues e, ainda, a Poesis da Maria Teresa Horta. Memórias, apontamentos, crónicas soltas, poesia. 

Cada vez me sinto mais afastada da leitura aturada. Nunca na vida poderei discutir uma obra com quem quer que seja pois nunca na vida seria capaz de me pôr a ler, página por página, fazendo investigação séria para estudar influências ou apurar referências implícitas, criando anotações, ou, se caso disso, procurando o texto na língua original. Perceber a geneologia, a genética da escrita ou a gramática, o corte e costura havidos antes do autor ali chegar são matérias que não me interessam. 

Talvez eu tenha sido pássaro quando alguns dos meus actuais átomos por aí andavam, antes de se terem juntado e formado esta que aqui vos escreve. É que o que me cai bem é o vol d'oiseau, o saltitar de ramo em ramo, página aqui, página ali, o descer à terra para picar isto ou aquilo ou olhar ao longe e logo voltar a voar, outro livro, outros horizontes.


Admiro aqueles que se entregam a um livro como se estivessem numa missão de vida, meses a fio, horas e horas, mergulhados num poema, num texto -- abdicando de viver. Só por existirem missionários assim é que, depois, posso pegar em parte dos livros que leio. Contudo, prefiro os livros que apresentam trabalho limpo. Não gosto de ler textos sarapintados com números de chamada, com textozinhos pequenos a comentar isto ou aquilo. Não gosto. Sei que é material de estudo mas, para mim, é gossip, é fofoca literária, é ruído, é poluição. Se gosto de ler um texto, quero tê-lo imaculado, do produtor ao consumidor, nada de falatório miúdo na esquina da página. Quero lê-lo como se fosse a primeira leitora. A única, até. 

E, cada vez mais, gosto mesmo é de ler texto escrito ao correr da pena, escrita despojada, lembrança, pensamento, carta, quase como se fosse coisa de nada. Mas coisa escorreita, elegante, com riqueza de substrato, gramaticalmente a corresponder à melodia das palavras. E tem que vir com sangue na guelra. E qualquer coisa ali tem que surpreender: ou a beleza da sequência ou o inusitado da ideia.


E depois a poesia. O sopro, a carícia, o lamento, o rasgão, o murmúrio  o desejo. Leio poemas em blogs, leio nas páginas que abro ao acaso. A forma mais genuína e pura de dizer.

Ah, a beleza
da entrega aturdida
que em mim se comprazia

-- Vem minha reinventada!
Digo eu à poesia

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[Poema de Maria Teresa Horta, fotografias de Guy Bourdin e, de novo, Louis Armstrong em A kiss to build a dream on ]
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E, permitindo-me recomendar que desçam até à graça de uns certos bancos públicos, desejo-vos um belo sábado.

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quarta-feira, agosto 24, 2016

Crónica de um dia a precisar de férias
[E, para não dizerem que vêm aqui para nada, deixo-vos o caminho para um teste-revelação:
Responda a 21 perguntas e descubra se é brilhante, mediano ou tótó de todo]




Chego de novo ao computador por volta da meia noite. Mais uma festa de aniversário. Se não estou em erro, entramos agora numa época de pousio. Claro que comi uma fatia de bolo de anos. Mais umas calorias mas, enfim, foi de gosto, não podia deixar de ser. 

Mas chego a esta altura do ano e parece que a partir de certa hora já preciso de descanso. Os miúdos quando se juntam são uma inesgotável fonte de energia ruidosa. E estavam outros. E um quase a nascer dentro de uma barriga enorme. As meninas brincam sossegadinhas mas os rapazes... minha mãezinha... Jogam à bola no hall, zangam-se, fazem barulho. Depois, junta-se-lhes o tio e a coisa ainda se complica mais. Claro que a bola é mole mas o ambiente é o de um estádio de futsal. Despique, faltas e por pouco não há também agressões. 

Quando chego a casa, venho ansiosa por tirar os saltos altos, o colar, os brincos, por escovar e apanhar o cabelo, por me refrescar, e, claro, por me estender no sofá de frente para a aragem que sopra do aparelho mágico ali de cima. Durante mil anos lutei, não queria cá camafeus na parede, não queria ares condicionados dentro de casa. Até que me rendi e, para supremo gáudio do meu marido, já não passo sem ele (neste caso, a ele, ar condicionado).

Na televisão, enquanto escrevo, um filme francês na 2. Não estou a prestar atenção mas gosto de ouvir. Gosto muito de ouvir e de falar francês. De resto, gosto muito de França. A Paris já fui no verão. Qu me lembre já fui duas vezes em pleno verão. Não gostei, nem parecia Paris. Gosto em qualquer estação menos no verão. O passeio que mais gostei de fazer em França foi à Normandia, às praias do desembarque. Foi no ano em que a minha filha se casou. Por isso, ela não foi.
Nesse ano também houve muitos incêndios em Portugal. Na televisão, lá, víamos o nosso país em chamas. Uma coisa dolorosa. 
O meu filho e o meu marido sabiam tudo sobre todos os locais que visitávamos e, nas praias, sabiam onde havia bunkers mesmo que nem se vissem. E depois descobriamo-los, estavam mesmo onde eles diziam. E comemos ostras, frescas, sobre gelo, uma tentação, e bebíamos cidra. O Pipoco, ao que parece, agora anda por lá. Quando por lá andámos, pelas praias, pelas vilas, por aqueles lugares tão bonitos, pensei que gostava de lá voltar. Gostava de passar uns dias em Saint-Malo pois só lá ficámos dois dias, mas gostava de lá estar em dias de invernia, com o mar estiver revolto. E eu à janela do quarto do hotel a ver a força das ondas.

E gostava de voltar a jantar tripas à moda de Caen numa esplanada ao pé de uma igreja de madeira, em Honfleur, entre canteiros de flores.

... e é isto.

Já viram uma conversa destas a esta hora...?


O que se passa, como está à vista, é que estou a precisar de férias. Já meio mundo regressou de férias, tudo no bronze, e eu branquinha de neige, já sem paciência para nada. E toda a gente fresca, tudo a vir falar comigo, conversas longas, coisas de trabalho mas intermináveis, e sai um, entra outro, e eu a ver o tempo a passar e a ter contratos para ver para serem enviados, autorizações para dar para que trabalhos prossigam ou pagamentos sejam feitos, documentos para ler antes de reuniões para as quais não posso ir em branco. E eu a ver o relógio a avançar. E, então, penso que devia colocar uma coisa de senhas à porta do gabinete e um cronómetro. Mas não. Porta aberta, sempre. Até hoje nunca ninguém deixou de entrar nem nunca deixou de dizer o que quis. Mas o tempo que isto me consome, senhores... E eu a precisar tanto de férias.


Todos os dias eu e o meu marido falamos que temos que resolver o que vamos fazer nas férias mas o tempo passa e ainda não sabemos. De manhã, quando vou a caminho, penso que, se tivesse uns minutos de sossego, tentaria pensar no assunto. Claro que agora, em vez de estar aqui, poderia estar a fazer algumas pesquisas mas também não me apetece.

Na verdade, apetece-me estar no campo, a varrer as folhas secas e a ler livros à sombra da figueira, ou a ir a praias com pouca gente ou a dar passeios por onde calhar.

Há lugares onde me apeteceria ir mas que requerem planeamento. Ontem, uma simpática contou-me de um cruzeiro maravilhoso que fez e eu, ouvindo-a, pareceu-me bem. Mas parece que os barcos partem de Barcelona e não acredito que seja chegar ao cais, entrar e lá dentro pagar um bilhete. 

Ou seja, vou mas é jogar no euromilhões a ver se me sai para eu contratar um assistente para me tratar desses aspectos administrativos e logísticos, para fazer prospecções e etc.

Resumindo: uma vez mais estou para aqui a escrever sem dizer nada.

O meu marido, mais esperto que eu, já dorme a sono solto. Mas também levanta-se com as galinhas enquanto eu me levanto a horas normais. É a diferença entre um diurno e um noctívago.

Bem.

Para não me virem ainda pedir de volta o dinheiro do bilhete já que voltou a não haver motivo de interesse por estas bandas, deixo-vos o link para um teste engraçado. Cliquem aqui abaixo e, depois de lá estarem, no Let's Play.



E fiquem Vossas Senhorias a saber que ou o teste é marado ou quem por aí ache que eu não tenho os cinco alqueires bem medidos está muito enganado. Pois acreditem ou não, o que a mim me deu foi:
Based on your answers, we found that you're absolutely BRILLIANT! (...) You're good at working with numbers and are adept at putting your skills to use while solving problems in all sorts of real world situations. You don’t waste a lot of emotional energy fretting about the future. Instead, you focus on getting the most out of life right now. 
Portanto, não sei, se calhar isto dá sempre a mesma resposta e qualquer maluco que dê para aqui umas respostas ao calhas recebe sempre a resposta de que é brilhante.

Mas tentem a ver o que vos dá a vocês. Se calhar é tudo de genial para cima. E é verdade. De uma maneira ou de outra, somos todos brilhantes e geniais. Malucos são os outros.


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É muito mau; devia aqui pôr o nome dos autores das esculturas que são das mais espantosas do mundo; mas é tardíssimo, já não vai dar. Se tiver tempo, amanhã logo ponho. Ou então, podem vê-las no Bored Panda.

Para me acompanhar enquanto escrevia, escolhi a Ella Fitzgerald & Louis Armstrong e, para aqui partilhar convosco, Dream A Little Dream Of Me.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa quarta-feira.

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quarta-feira, agosto 17, 2016

Posso pedir-te, oh meu animal, que me dês um beijo....?
Um. Um só.
Para que eu construa um sonho a partir dele.
Dá-me um beijo. Vá lá.


Hoje estou para o romance. Carinhos, cafunés, beijinhos, abracinhos, chameguinhos bons. 

Bichano, bichaninho. 

Chega-te aqui amorzinho, fofinho meu. Não fujas, não te desvies. 

Um. Um beijinho. Só um. 

Vá. Eu depois alimento, com a minha imaginação, um romance para o resto da vida.

Vá, dá-me um beijo. Um. Um beijinho. 

Fecha os olhinhos. Não faças nada. Vais ver como gostas.












And when I'm alone with my fancies, I'll be with you
Weaving romances, making believe they're true

Oh, give me your lips for just a moment
And my imagination will make that moment live
Give me what you alone can give
A kiss to build a dream on
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Todas as fotografias, excepto a última, foram feitas por um macedónio, Goran Anastasovski, que se deixou cativar pelo amor no reino animal, tendo passado dez anos a fotografá-lo.

A última fotografia mostra Kahn e Sheila, um casal apaixonado. Sheila estava muito doente, moribunda, e Kahn estava deprimido, a morrer de tédio. Quando se viram, apaixonaram-se e o seu amor curou-os. A ternurenta (e inspiradora...) história pode ser vista no Bored Panda.

A kiss to build a dream on -  que já por várias vezes por aqui andou - é, desta vez, interpretada por Louis Armstrong.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma quarta-feira muito feliz.

(E com beijinhos, se puderem)


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domingo, fevereiro 28, 2016

Arte no museu
[Post 1 de 3]


Visita às exposições do Centro de Ate Moderna da Gulbenkian, lugar a que sempre volto. O tempo passa mas passa em mim, não neste lugar de intemporalidade. É um espaço de luz e cor, de descoberta, por vezes de subversão, por vezes de ternura, onde apetece estar sempre. As crianças adoram os filmes incompreensíveis, gostam de ficar a ouvir o que não percebem. Sentam-se e ficam de gosto. Por mais estranho que seja o que vêem, não estranham. Assim vão aprendendo a habituar-se à diversidade do mundo. Se chove lá fora, cá dentro o espaço fica ainda mais bonito. Os verdes que entram pela janela trazem luz e vontade de ficar a olhar as figuras, os desenhos, as cores. E de voltar. Sempre.
















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quarta-feira, novembro 11, 2015

Chegou o tempo da esquerda, um tempo de desafios, riscos e esperança. Aos que agora finalmente se uniram e, num passo inédito, se chegaram à frente e disseram 'Presente!', agradeço que tenham posto fim ao desgoverno PSD e CDS, manifesto o meu apoio no duro caminho que têm pela frente e a minha admiração pela coragem que estão a demonstrar porque os outros vão à sombra dos abrigos e tu vais de mãos dadas com os perigos.



Porque os outros se mascaram mas tu não 
Porque os outros usam a virtude 
Para comprar o que não tem perdão 
Porque os outros têm medo mas tu não

Porque os outros são os túmulos caiados 
Onde germina calada a podridão. 
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem 
E os seus gestos dão sempre dividendo. 
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos 
E tu vais de mãos dadas com os perigos. 
Porque os outros calculam mas tu não.



Esta é a madrugada que eu esperava 
O dia inicial inteiro e limpo 
Onde emergimos da noite e do silêncio 
E livres habitamos a substância do tempo 


(...)
Portugal,
volta ao mar, a teus navios
Portugal volta ao homem, ao marinheiro,
volve à terra tua, à tua fragrância,
à tua razão livre no vento,
de novo
à luz matutina
do cravo e da espuma.
Mostra-nos teu tesouro,
teus homens, tuas mulheres,
(...)





E se já mostrei rosas juntas com os cravos e uma rosa feliz e multicor, junto também aqui papoilas porque este é um tempo de inclusão em que todos quantos são livres e lutam por um Portugal desenvolvido devem ser chamados a intervir pois todos somos poucos para o tentar recuperar da pobreza e das injustiças sociais para que foi empurrado nos últimos quatro anos.


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Os poemas são de Sophia de Mello Breyner Andresen e, num dia como o de hoje, apetece-me ter aqui Maria Barroso. A gravação não é fantástica mas acho que concordarão comigo que isso é pormenor.

O poema La Lámpara Marina de Pablo Neruda, lido por Tavares Marques, foi dedicado a Álvaro Cunhal (que, justamente, nasceu a 10 de Novembro) e apetece-me tê-lo também aqui.

No penúltimo vídeo, António Costa agradece o papel precursor de Mário Soares - e hoje faço questão de que Mário Soares se junte à festa. E através do link junto também Pacheco Pereira, outra voz que, ao longo dos últimos quatro anos, não se cansou de lutar pela verdade, pela democracia e pela liberdade.
Gostava de ter encontrado algum vídeo com Miguel Portas ou João Semedo ou Francisco Louçã ou Daniel Oliveira ou Catarina Martins em que o registo fosse do género dos que que aqui coloquei mas não encontrei, apenas os vi em intervenções políticas puras e duras. Por isso, fica aqui apenas o registo dessa minha vontade.
Finalmente, Louis Armstrong interpreta La vie en rose -- e é assim que eu hoje quero ver a vida.

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Nota: Esta terça-feira quase não consegui ver televisão mas quero dizer que, do pouco que vi, fragmentos apenas, gostei muito do que ouvi dos discursos de António Costa, Jerónimo de Sousa e Catarina Martins. Uma lição de democracia.

Deliberadamente não falo dos esgares e do mau perder de Passos Coelho, das ameaças infantis e anti-democráticas (e anti-patrióticas) de Paulo Portas, das expressões desagradáveis de Montenegro e de todos quantos mostraram que continuam sem perceber nada do que lhes acontece. Agora, por exemplo, mostram que não percebem como funciona a democracia. É pena. Mas porque o tempo deles acabou (tal como está prestes a acabar o tempo de Cavaco), não os quero ter aqui a contaminar esta minha página que quero que seja uma página em que se festeja o dia em que a direita retrógrada, incompetente e desumana foi derrubada.

Quero aqui hoje festejar a esperança, a expectativa de que se reinicie um caminho de construção, de respeito pelos outros. Quero acreditar que Portugal está de novo a caminhar na direcção do futuro.

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Desejo agora que a inteligência e a maturidade que o PS, o PCP, o PEV e o BE demonstraram até chegarem a estes acordos se mantenham ao longo dos próximos 4 anos - que nunca se esqueçam de que o que os une tem que ser sempre mais importante do que aquilo que os separa.

Dia 10 de Novembro de 2015 foi um dia novo. 

Abriu-se uma porta importantíssima. Abriu-se uma porta e não apenas em Portugal: também na Europa. Estou em crer que também na Europa se começarão a sentir os felizes tempos de mudança. 

Há alternativa.
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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma quarta-feira muito feliz.

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quinta-feira, setembro 24, 2015

Nesta imperfeita madrugada em que as línguas dos homens e dos anjos se confundem


Desenho no ar uma história. De aproximações e recuos se faz uma vida, de danças e contradanças, de medos e coragens. Desenho com palavras, com sonhos. 





Um homem atravessa os campos, os ventos, as neblinas, os tempos, e na sua cabeça traz poemas e nas mãos quase nada. Mas caminha apressadamente, como se conhecesse o seu destino.
Uma mulher vem pelos campos floridos, atravessa as ervas que ondulam ao vento, bebe água de um regato, senta-se com vagar a sentir os cheiros. Não traz nada nos bolsos nem nas mãos mas o coração vem cheio de afectos. 
O homem pouco fala, ouve, e diz poemas como se falasse. Ninguém o ouve, di-los para si próprio. Ou talvez tenha dito a outras mulheres, noutras vidas. 
A mulher não o conhece. A mulher não espera nada, passeia pela vida com a leveza das mulheres muito amadas.



Os tempos escurecem, chove. O tempo passa. O homem não conhece a mulher, não conhece muito de amores vividos ao ar livre, sob a copa das árvores, não conhece a pele nua das mulheres dormindo ao sol. Mas conhece tantos livros, tantos poemas, tantas músicas. 
A mulher abre livros sem tino, lê poemas como se apanhasse folhas douradas no chão, ao acaso, não sabe um poema de cor, não reconhece as músicas que ouve. Flutua na vida, atrás de si não ficam sombras, não transporta memórias.
O homem vem de outros tempos, por vezes os olhos carregados de sombras, por vezes em silêncio. Outras vezes, abrem-se à luz, esperam uma palavra.
A mulher ouve os pássaros que a chamam, sente o perfume das flores, e arrisca. Atreve-se ao caminho, cruza o portão, entra no labirinto.
O homem teme, não conhece da vida as asas, das mulheres os risos francos. Mas arrisca. Abre a porta. Espera no labirinto.




Alguém diz, então:
como dizer aos meus olhos que se afastem
do incêndio que lavra a oriente do teu sangue
rasgando a minha fome

e me protejam nesta imperfeita madrugada
em que as línguas dos homens e dos anjos
se confundem

Desconhecidos, em frente um do outro, olham-se com estranheza: quem disse estas palavras? 

A mulher respondeu: eu ouvi as palavras. Foste tu que as disseste.

E o homem: eu também ouvi. Foste tu.

Mas não acreditaram. Aproximaram-se, ele transportando os seus poemas infinitos, ela transportando o seu coração cheio de afectos. Não se conheciam mas era como se soubessem que jamais se poderiam separar. Abraçaram-se como se toda a vida tivessem caminhado na direcção um do outro.

ou seja:
o primeiro homem olhando a primeira mulher




Depois a mulher perguntou: quem deu o primeiro passo?
O homem disse: fui eu.
A mulher disse: eu achava que tinha sido eu.

Sorriram. Abraçaram-se de novo. Pensaram que nunca mais se poderiam separar. Depois beijaram-se. A seguir, de mãos dadas, seguiram pela estrada, contando coisas um ao outro.

subitamente as palavras romperam de nós
com uma fúria que não lhes conhecíamos

contou mais tarde a mulher. 

e a verdade é que nunca terei outra história
para além da que nos aconteceu
e que ficamos à espera de um dia perceber melhor
porque nunca ninguém se prepara convenientemente
para a chegada do amor.

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E aqui acaba o sonho construído em cima de um beijo inventado.

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As fotografias são de Takashi Yasui

Louis Armstrong interpreta "A Kiss to Build a Dream On"

Os excertos de poemas são de Alice Vieira in "Dois corpos tombando na água"

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E, antes de me despedir, convido-vos a descerem até ao post seguinte onde explico que é devido a uma bexiga sempre a deitar por fora que Passos Coelho e Paulo Portas mentem a toda a hora. Um artigo científico suporta esta afirmação.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma quinta-feira muito feliz. 

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segunda-feira, maio 11, 2015

I'm crossin' you in style some day


Sento-me junto à janela. Tenho o rio encostado a mim. Estou a olhá-lo agora: azul sob um céu dourado. Ao fundo o casario está também quase dourado, rosado. Os fins de dias quentes como estes são de uma beleza doce e tranquila. Um ou outro barco cruza o azul, talvez ande pelas águas mas quase poderia estar a cruzar o céu junto ao horizonte.

De manhã, nos dias bons, o rio é um espelho onde, por vezes, uma faixa de um prateado agudo mostra que o sol está baixo, acabado de nascer. Mas, outras vezes, as nuvens quebram a luz, e o rio pasma-se em verde e cinza sob um céu triste pálido ou negro de chumbo. Também acontece, por vezes, cair uma trovoada e o rio acolher raios, fúrias, os céus doidos de violência. Outras vezes há ventos, agitações, as gaivotas loucas, aos gritos nos jardins. Outras vezes acontece a abstracção surreal do arco-íris, coisa de livro de crianças, o arco da velha, o milagre da óptica.

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Interrompi o texto para fazer o post abaixo que, entre outras coisas, deu conta da muito amada rainha de alguém que o gritou aos sete ventos numa parede do Ginjal.

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E, quando agora retomo o texto, escureceu, as luzes iluminam os lados do rio, enfeitam as margens. Podia o luar reflectir-se e o rio ser um espelho prateado, um leito brilhante. Mas não, apenas um ou outro barco silenciosos cruza agora a noite escura. 

Eu sento-me abrigada entre livros, ouço música, e vejo o tempo que passa, as horas dentro dos dias, os dias dentro dos meses, os meses dentro das histórias.


Moon river, wider than a mile
I'm crossin' you in style some day
Old dream maker, you heartbreaker
Wherever you're goin', I'm goin' your way

Two drifters, off to see the world
There's such a lot of world to see
We're after the same rainbow's end, waitin' 'round the bend
My huckleberry friend, Moon River, and me


E, aqui sentada, imagino que um dia vou abrir a janela e sair a voar para depois dançar na imensa pista que é este largo rio que mais parece um mar do sul. 


Elie Saab S/S 2014 & Sunset
.

De manhã, nos dias de suavidade e abraços, de aragens discretas e olhares nos olhos, vestir-me-ia com as cores ainda da noite mas já com o céu e o rio a iluminar-se, o sol a espreitar, a reflectir-se, a insinuar um calor bom.

Ou, quando o mar se revoltasse, ondas profundas, a maresia fria, um sopro de aflição a vir de dentro da terra, de dentro da alma, um vestido com ondas escuras, um movimento longo, o corpo coberto, uma vontade de que a espuma das margens subisse até onde o corpo deixasse de sentir o peso da tristeza e recebesse a leveza, e os cabelos fossem algas, fragmentos soltos do fundo do mar.


Elie Saab S/S 2015 & Oceanscape Photography


E, nesses dias de tumulto, quando os entardeceres são sanguíneos e as nuvens se adensam, e vêm sustos e monstros que se afogam em sangue e gritos, e se anunciam chuvas, tempestades pesadas, temores, eu sairia carregada de sombras, levando comigo as cores da noite aflita e junto aos meus pés flutuariam tecidos que, ao esvoaçarem, suspirariam como espíritos tristes, sem dono.


Elie Saab F/W 2014/15 & Pink Lake, Australia


Mas à tempestade sempre sucede a acalmia e, portanto, logo as águas se aquietam, e logo os corpos se querem descobrir e logo vem o calor, e os veleiros perdem o medo e depois os céus abrem-se em ondas de fogo e há roxos e encarnados no ar - e, então, eu vestir-me-ia com as cores dos quentes entardeceres e sairia com os tecidos flutuando à minha volta, mulher de sombras e sóis, de chamas e tentadores ocasos.


Monique Lhuillier S/S 2014 & Fire In The Sky in California


E, estivesse como estivesse o rio, coberto de sol ou luar, de ventos ou tempestades, sempre eu me vestiria em grande estilo, de acordo com as cores do rio e do céu e saíria pela janela, voando, o tecido aberto como transparentes asas, para depois deslizar nas águas deste meu rio que me acompanha como um amor para a vida.


Yiqing Yin F/W 2012/13 & Sea surface

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A música é Moon River interpretada por Louis Armstrong.

As fotografias fazem parte de um artigo do Bored Panda, Fashion & Nature: Russian Artist Compares Famous Designers’ Dresses With Nature. A artista é Liliya Hudyakova e as justaposições entre fotografias de criações de moda e paisagens é deveras interessante.

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Relembro que para pinturas nas paredes e outras divagações poderão descer até ao post seguinte.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela semana a começar já por esta segunda-feira. 
Saúde, sorte e afecto é o que vos desejo a todos.

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sexta-feira, fevereiro 06, 2015

O que vai acontecer a Portugal nos próximos anos? - Leia o que dizem as cartas de tarot à mística poderosa UJM.


Este é o meu terceiro post da noite. Ou o quarto, mais propriamente. Há para todos os gostos, desde um pitéu para cinéfilos até um incentivo aos gatos que ainda não sabem se podem dar cabo dos jacarés. Lá mais para o fundo faço referência a uma entrevista, que vi na RTP2, a um médico que as disse das boas.

Mas isso é a seguir. Aqui a coisa é muito diferente: eu, na versão mística poderosa como me chamou a leitora Ana, indico o caminho para o país. À falta de melhor já me dá para isto.






Ou seja, para terminar a noite em beleza, deitei as cartas do tarot perguntando: o que se pode esperar para Portugal nos próximos anos? Vamos continuar no charco, com os bolsos cheios de pedras, comandados por um láparo qualquer desta vida? Ou vamos tirar o pé da lama e respirar o ar fresco da esperança?


Há bocado já deitei as cartas a uma pessoa que leu o que eu escrevi e me pediu que eu a esclarecesse sobre uma coisa da sua vida. Ainda monto uma banca para adivinhar a sorte a quem passa.

Mas, então, interiorizando bem a questão acima referida, formulei-a enquanto baralhava as cartas, cortava o baralho, escolhia as cartas. 

Pois bem, eis o que obtive:

A resposta

A maturidade da alma obtém-se somente quando a experiência da vida tem raízes profundas suficientemente fortes para a suportarem. São as raízes que lhe permitem percorrer o caminho do destino com uma cumplicidade confiante, ocupando com firmeza e determinação o lugar que é seu por direito próprio. A estabilidade ajuda-o a cultivar os seus interesses mais aprofundadamente.

Atinge um lugar de concretização através da discrição, prudência e reflexão, o que lhe permite desfrutar da satisfação e de um sentido de expansão depois de tantos esforços em que se empenhou durante tanto tempo. Este é um período de afluência ou um tempo para se dedicar a passatempos.

Tem-se esforçado ao máximo quando já podia ter parado. Contornou a montanha há já algum tempo: páre e deixe de olhar para baixo. Desfrute da vista e regozije-se.


Parece que sim, que se avizinham tempos de afluência e regozijo mas que é melhor atravessá-los em clima de estabilidade. E que já se faz é tarde.


O que está a perturbar

A coragem e destreza são as suas imagens de marca. Está acostumado a não passar despercebido e a ser sempre o primeiro a entrar na refrega. Mas não se prejudique ou aos outros. Algo precisa de ser resgatado ou existe uma ideia ou um plano que precisam de ser apoiados.

As suas ideias fugiram consigo e estão a arrastá-lo atrás delas. Em alternativa, poderá investir em frente, a despeito dos conselhos em contrário. Na situação de vítima de uma injustiça, é possível que opte por bater em retirada, ao invés de procurar reparações.


Presumo que se refira ao láparo que nos está a arrastar para o fundo e às tantas ainda se vai é demitir


O que poderá ajudar

O seu apelo emocional abre todas as portas, tornando-o atractivo. Os ideais e as visões florescem. A generosidade, a par de uma gentileza persistente, ajudam amigos e amantes a tornarem-se mais receptivos ou íntimos. As propostas e os convites surgem-lhe de todos os lados.


Parece que quem nos vai ajudar a sair deste poço negro em que estamos enfiados é alguém com muito charme, que atrai gente que se farta. Quem será?

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As fotografias são da fotógrafa ucraniana a viver nos EUA Anita Anti. A música é Ella Fitzgerald & Louis Armstrong interpretando Dream A Little Dream Of Me 



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Relembro que, por aí abaixo, encontrarão os outros 3 posts de hoje, uma coisa de tipo cada cor, seu paladar.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa sexta-feira.


quarta-feira, dezembro 14, 2011

Cubanos descobrem e testam vacina terapêutica contra o cancro do pulmão; vacina contra o cancro da mama pode estar disponível em três anos; e investigadores do CERN próximos da localização da 'partícula de Deus, o bosão de Higgs. E mais!


Hoje algumas boas notícias. Não limitemos a nossa visão ao que as televisões nos mostram em prime time. Há vida para além disso, olá se há...!

1. Trancrevo: "Uma equipa de investigadores cubanos anunciou que foi patenteada a primeira vacina terapêutica contra o cancro do pulmão. A comunidade científica internacional está atenta a estes estudos e na América Latina já são vários os países que se preparam para registar a vacina."


A notícia completa pode, por exemplo, ler-se aqui. Claro que há a prudência habitual, mas o estudo dura há bastante tempo, já estão a ser efectuados testes em mais de mil doentes sem danos colaterias e já se está a estudar a extensão do tratamento a outros tipos de cancro e outros países já estão a preparar-se para o adoptar, nomeadamente o Brasil e a China.

Ou seja, ainda não é oficial, mas a esperança aumenta para quem está a passar por momentos de susto e a esperança é meio caminho andado para que a energia positiva combata o bicho.


2. Transcrevo: "Uma vacina para o cancro da mama pode estar pronta em três anos depois de terem sido alcançados surpreendentes resultados experimentais. Uma partícula que treina o sistema imunitário para destruir tumores resultou em 90% dos casos dos testes laboratoriais."


Excelentes notícias para todas as mulheres. Os testes devem começar em 2013. A notícia completa pode ver-se, por exemplo, aqui.


3. Transcrevo: "Os cientistas do CERN dedicados à procura do misterioso Bosão de Higgs, também conhecido como a "partícula de Deus", anunciaram hoje terem dado passos importantes para localizar a que é considerada a mais elementar das partículas atómicas constitutivas do universo." Estamos, pois, no domínio da física da matéria, das partículas elementares, tema que me interessa, tema que me emociona. Falamos daquilo de que tudo é feito, de que somos feitos, de que o universo inteiro é feito. Falamos de partículas cuja existência é comprovada através do rasto que deixam quando são aceleradas.



Nada nos é mais interior, nada nos é mais comum e, no entanto, nem nos lembramos de que não sabemos ainda como foi formado o universo, não sabemos ainda de que matéria somos feitos, quais as partículas sub-atómicas que justificam a massa, ou a atracção dos corpos.

Os cientistas estão optimistas e confiam que 2012 será um ano inesquecível,  o ano da descoberta do enigma primordial. Assim o espero.

A notícia completa pode ser, por exemplo, aqui.


4. Podia por aí continuar mas estou perdida de sono e o que há de bom para dizer é imenso. Até para as gordas (e para os gordos) a solução parece estar a caminho - está a ser testado (em macacos) um medicamento que se dirige às células de gordura branca, as mais prejudiciais ao organismo. ..!


 
Por isso, meus amigos, para quê essa neura toda?

O Passos Coelho só diz patetices sem nexo? O Álvaro continua desaparecido e nem na Autoeuropa o vimos? Andam à toa sem saber o que andam a fazer? Estão a afogar a economia e nem se apercebem do dano que andam a causar? A Europa está numa deriva suicida? Tudo mau, tudo mau?

Não, meus amigos. Estas patetices têm os dias contados. Aos poucos as pessoas vão pressionar para que ísto pare. A governação não pode estar eternamente entregue a tecnocratas de vistas curtas, sem noção do que é governar olhando para séries longas e não para pequenas amostras temporais de 4 ou 5 anos, sem noção do que é a história, do que é a vida das pessoas. Um dia as pessoas vão acordar e vão dizer que têm apenas uma vida para viver e que essa única vida não pode ser passada a expiar a culpa de uma meia dúzia de especuladores, de gananciosos, que estoiraram com isto tudo. Vão acordar e vão dizer que a vida é para viver a olhar para a frente, a construir um futuro e não a expiar penas do passado, que querem viver bem, com perspectivas, com esperança.

Esse dia não está longe.

E, meus amigos, não nos esqueçamos que entretanto o mundo está em progressão, a ciência avança, as boas notícias existem. Saibamos vê-las, saibamos vivê-las.

Para a frente é que é caminho!

E que toque a música, ora essa!


E agora, meninos e meninas, vamos lá a arranjar par e vamos mas é dançar. Por una cabeza. Tango, pois claro. What else? É um bis, aqui, mas que mal tem isso se eu gosto tanto...?

PS: Não se arranja par para o tango com essa facilidade...? Não tem problema. Pegue numa vassoura e avance para a pista. Sem medo. E que toque a música outra vez.



Bom dia!!!!

domingo, outubro 09, 2011

O meu 'Ginjal e Lisboa, a love affair', faz hoje um ano


O meu segundo blogue a nascer foi o Ginjal e Lisboa, a love affair. Faz hoje um ano.

Nasceu do meu grande amor por Lisboa, pelo Tejo, pela fotografia, pela poesia, por escrever. É um local mais recatado que o Um Jeito Manso. No Ginjal eu recolho-me para escolher poemas, mas escrever pequenos textos que os poemas me suscitam, para vos dar a ouvir músicas de que gosto, para vos mostrar as fotografias que faço junto ao Tejo, seja do lado do Ginjal, seja de Lisboa.

Quando passeio junto ao Tejo, de um ou outro lado do rio, mas especialmente do lado do Ginjal que é de onde se vê melhor Lisboa, a Magnífica, sinto-me sempre invadida por uma leveza que dificilmente poderei transmitir em palavras. Talvez seja da frescura que vem do rio, talvez seja da grandeza do espaço, talvez seja da beleza extraordinária que posso testemunhar. Mas, apesar de saber que o meu testemunho será sempre fraco face à imensa beleza a que assisto, é quase uma tentativa de vos passar esse estado de espírito que me leva a alimentar com desvelo o meu segundo e-filho, o Ginjal e Lisboa, a love affair.

É também para vós. Ou melhor, é sobretudo para vocês, meus queridos Leitores, meus Amigos.

Lisboa, o Tejo, veleiros, o azul, o branco, a luz, a beleza superlativa
vistos do Ginjal ontem de manhã


É com What a wonderful world que vos convido a festejar. Sing with me.


(Nota: A vela acesa na mão a balouçar de um lado para o outro não é necessária, pleeeeeeease....)



PS: Já agora cheguem-se também à volta da fotografia de hoje do meu Street Photo and Co.. Logo perceberão porquê. Ah, que bom, la joie de vivre.
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