Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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segunda-feira, setembro 30, 2019

Cristina Ferreira foi aos Globos de Ouro vestida de Anjo da Victoria Secret?
Ou de Nossa Senhora (ou de Irmã Lúcia, nem sei)?
Ou de bailarina de Can-Can?
Ou simplesmente na SIC já perderam a noção do ridículo?
Pergunto.


Porque a semana não me chegou e porque esta que entra também se afigura do caneco, para este fim de semana trouxe trabalho de casa -- trabalho chato e com alguma responsabilidade e, ainda por cima, parte escrita em inglês o que complica um pouco a faena já que, a uma hora destas, sem pachorra, quero fazê-lo com um olho no burro e outro no eleitor-alvo do CDS -- e isso, em cima de dias muito dedicados à família, deixaram-me sem grande disponibilidade para as minhas coisinhas ou para o fait divers. Ou seja, por exemplo, não tenho conseguido responder a comentários ou mails pessoais nem, a seguir, cirandar pelo mainstream.

Por isso, há bocado, enquanto trabalhava e o meu marido, mais a dormir do que acordado, via futebol e respectivos resumos e comentários, resolvi surripiar-lhe o comando e fazer zapping. E passei por uma coisa extraordinária. Eram os Globos de Ouro. Não sabia que era dia disso pelo que aquele aparato começou por me parecer uma Gala de algum programa qualquer que não estava a identificar. Mas logo percebi.

Apresentava o espectáculo a Cristina Ferreira vestida de uma forma inenarrável. Estava de asas pregadas a um vestidinho de tipo baby-doll, toda ela lingerie em desfile de Victoria Secret. O meu marido acordou com os gritos dela e quase se assustou com o que viu. Depois de se restabelecer, resmungou: 'Esta gaja não aprende'. Depois percebeu que estava diminuído (sem o comando na mão, ele não é ele) e pediu: 'Dá cá o comando'. Dei-lhe e ele voltou a fazer zapping. Passado um bocado, à sorrelfa, repeti a cena. Lá estava ela, outra vez mascarada, com plumas, folhos, tules, disparatada até à raiz dos cabelos. Ele voltou a acordar e quase não conseguiu protestar: 'Lá estás tu. Para que é que queres ver esta gaja?'. Levantou-se, então, e disse que ia dormir.

Voltei ao meu trabalho, esperando que fossem horas de dar o Desassossego da Maria João Seixas mas estava a dar atletismo pelo que, passado um bocado, coloquei outra vez nos Globos de Ouro. Apareceu ela, então, agora a receber também um prémio. E já estava mascarada de outra coisa, desta vez com as raízes dos cabelos espetadas para fora, e de tal modo era que chamei imediatamente o meu marido para vir ver. Quis saber o que era mas não lhe disse porque se lhe dissesse que era para ver a Cristina Ferreira era o vinhas. Disse-lhe só que era uma coisa do além. Ele chegou à sala, viu-a, e, perante o óbvio too much, agora em versão santinha a caminho do altar, fez um esgar quase de dó e disse: 'Eh pá...' e desandou. E já não viu o pior: é que, quando ela acabou um discurso (de tal forma auto-convencido que parecia estar a ajustar contas com alguém que lhe quisesse tirar o lugar) e virou costas, pareceu-me ver no manto os contornos ou da Nossa Senhora ou da Irmã Lúcia. E, nessa altura, fiquei naquele estado que se designa por estupor catatónico. Mas que raio de maluquice era aquela? É o que eu digo, parece que já vale tudo. 

Voltei a fazer zapping, tentando ver se o Desassossego já tinha começado mas, enquanto não, fui ver se conseguia descobrir que desconcertante desenho era aquele no vestido dela. Mas já ela se tinha trocado de novo. Estava outra vez em espampanante toilette, desta vez misto de Victoria Secret e de bailarina de Moulin Rouge, um excesso de plumas cor de rosa. Nela, talvez pelo exagero, talvez pelo tom de voz, talvez pelo conjunto, tudo fica com toque a novo rico em versão mais do que kitsch. Vinha agarrada ao Balsemão que, não sei se atarantado com tanto pink, tanto guincho e tanta luz, parece que vinha almareado -- e isto para não dizer que vinha disfarçado de múmia andante.

Fiz zapping, claro, e felizmente já a Maria João Seixas tinha começado. Desta vez convidou, de novo, o José Pedro Serra (digo de novo porque já o tinha convidado para o Afinidades). Um bálsamo. Até parei de trabalhar para melhor os ouvir.

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Para terminar num registo de tranquilidade, Joana Gama, a quem estou a ouvir neste momento, igualmente na RTP 2. Outro bálsamo.


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E a si que está aí desse lado desejo uma boa semana, a começar já nesta segunda-feira: 
saúde, alegria, sorte e o mais que queira de bom para si e para os seus.

segunda-feira, janeiro 30, 2017

I am the captain of my soul




Talvez por ter a rotina alterada, talvez por ainda estar sob efeito do último relaxante muscular que tomei (para aí há uns dois ou três dias), talvez porque a noite de ontem, sábado, foi obra, todos cá em casa, um chinfrim que só visto, os miúdos numa animação tal que me deram conta da cabeça (isto de estar mau tempo e não desopilarem na rua para, em casa, estarem minimamente sossegados, ontem deu num pico de energia simultânea que me ia fundindo os neurónios), a verdade é que chego a esta hora e estou a modos que off.

Há bocado estive a ler em voz alta o horóscopo chinês não apenas para o meu animal como para o dos restantes. Mas, a cada frase, já me estava a dar vontade de bocejar.

Agora já se foram todos deitar e apenas eu me deixei ficar. Estou a ver o programa da Anabela Mota Ribeiro e o Curso de Cultura Geral com a Ana Luísa Amaral e gosto de a ouvir, tem uma dicção perfeita e um tom de voz encorpado que me agrada. Também me agrada o que ela diz. Agora fala o antropólogo Miguel Vale de Almeida mas não está a dizer nada que me encante. Também ali está uma senhora com um cabeleira farta mas ainda não percebi quem é porque estou a escrever e a ouvir mais do que a ver.



Hoje de tarde, depois de chegar de um passeio na praia, que estava gelada, a fotografar redes de pesca, o mar, um trabalho do Bordalo II, e quem por ali andava, fui ao supermercado e, depois de arrumar as coisas, deitei-me em cima da cama e adormeci profundamente. Até me lembro de ter sonhado. Que sono tão bom eu dormi. Curto mas bom.

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Ah... é a Adriana Molder. Diz que não se sente culpada de flanar, de andar sem destino. Que é obsessiva quando trabalha mas que, depois, gosta de degustar o ócio. Diz que é assim aos 40 tal como era aos 12, quando estava de férias. Tem um ar um pouco ansioso.
Parece-me que o programa tem a ver com as influências do mundo exterior, parece-me que viveram no exterior durante algum tempo.
Nunca vivi no estrangeiro. Apenas em serviço ou em férias, coisas de curta duração. O maior período fora de seguida foi um mês. E nunca estive sozinha. Estar sozinha no estrangeiro, isso, desconheço. Acho que não gostaria, Também nunca vivi sozinha cá. Nem sequer fui alguma vez ao cinema sozinha. Ou à praia. Não gosto de estar sozinha. Só à noite na sala -- mas a isso não se pode chamar estar sozinha.

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Dizia eu, lá atrás, que, de tarde, tinha adormecido. Depois, quando acordei, fiz sopa, fiz o jantar desta segunda-feira, passado um bocado fiz o jantar de domingo, depois tomei banho, depois vi uma apresentação para uma reunião que tenho de manhã, depois respondi a alguns mails de trabalho (e calma, não trabalho em casa ao fim de semana por prazer ou devoção mas porque esta segunda vai ser complicada, tinha mesmo que adiantar algumas coisas), depois estive a enviar fotografias que tinha feito de manhã no parque, depois estive a preparar a roupa de amanhã porque de manhã não terei tempo para isso, depois chegaram eles, os novos habitantes cá de casa, e os mais pequenos estiveram a brincar, depois jantámos, depois brincaram mais um bocadinho, depois cama, depois a mãe esteve aqui na sala e esteve a ouvir-me ler o seu horóscopo chinês, como se fazem umas bolinhas de maçã e aveia (apple energy bites) e os efeitos benéficos de usar o açúcar misturado com o shampoo como esfoliante natural. E etc.

E agora que estou aqui e que tinha pensado escrever sobre um assunto da actualidade, estou nesta preguiça, sem energia para o que quer que seja.


Não respondo a comentários, não respondo a mails, uma vergonha. Mas é tal a indolência que me tolhe as mãos (e o raciocínio) que, como podem ver, não passa disto. Desculpem-me.

Nem a corrida em osso no Valls, nem a vitória de Benoit Hamon, nem as inqualificáveis anormalidades do palhaço Donald, nem a vitória do Moreirense (tema que chegou a dar uma certa disputa entre os dois meninos, ele a dizer que o apoiava e ela a dizer que gostava de todas as equipas menos do Moreirense), nada -- não consigo alinhar meia dúzia de palavras sobre o que quer que seja.


Tenho aqui ao meu lado um livro sobre Guilherme Parente, pintor de que muito gosto, e gostava tanto de transcrever parte de uma sua entrevista ou, então, um pouco do livro de Imre Kertész do qual, antes de adormecer, ainda consegui ler um pouco (e ontem também; vá lá). Mas nem isso. Senhores. Nem isso. 

E li há pouco alguns blogues, destes que aqui tenho na minha galeria. Algumas coisas boas. Pensei: vou fazer um cadavre exquis com frases de uns e outros. Estava a pensar se lhe dava a forma de poema ou de prosa. Pois, pois. E energia para isso? É que nem energia para desempatar entre a poesia e a prosa.


Por isso, vocês desculpem-me: hoje fico-me por aqui (apesar de agora estar a ver o Jordi Savall e só isso justificar que, em condições normais, eu fizesse até uma directa).
Antes de me ir deitar, ainda vou ver ver se os meninos estão tapados. Geralmente não estão, especialmente ele.
No entanto, para tentar que não protestem e não me exijam de volta o dinheiro do bilhete, deixo-vos com um dos poemas preferidos de Mandela e do qual eu também muito gosto. Tomara que também gostem e que achem que justifica o tempo que vos fiz perder até aqui chegarem.


Invictus de William Ernest Henley lido por Morgan Freeman


Out of the night that covers me, 
      Black as the pit from pole to pole, 
I thank whatever gods may be 
      For my unconquerable soul. 

In the fell clutch of circumstance 
      I have not winced nor cried aloud. 
Under the bludgeonings of chance 
      My head is bloody, but unbowed. 

Beyond this place of wrath and tears 
      Looms but the Horror of the shade, 
And yet the menace of the years 
      Finds and shall find me unafraid. 

It matters not how strait the gate, 
      How charged with punishments the scroll, 
I am the master of my fate,
      I am the captain of my soul. 


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Entretanto, a Anabela Mota Ribeiro, já publicou as listas dos participantes do programa deste domingo, 29 de Janeiro do ano da graça de 2017. Como apanhei o programa já no final, não vi esta parte. Leio agora.


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E, se ainda tiverem saco para tal, aceitem o meu convite e desçam, por favor, até à campanha da H&M: Bring it on

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quarta-feira, junho 03, 2015

Augusto Santos Silva na TVI 24 e Francisco Seixas da Costa na RTP 2. E, de raspão e em contraponto, O piqueno polegar também conhecido por pequeno Bruxo de Fafe, a Senhora Cristas e o Paulinho, o Larápio das farófias e a sua biografia, o super-Alex, o pai da criança e outros. E, dito isto, e sem saber se em Portugal ainda há alguma coisa que seja dos portugueses, tenho que ir para a Porta dos Fundos.


Este é o meu 4º post desta noite. Os três que se seguem usam matéria que recebi de Leitor a quem agradeço e a que, depois, acrescentei o meu tempero pessoal.
Quem por aqui me veja assim, toda produtiva e eficiente, não poderá imaginar como, a esta hora do dia, nem posso já ouvir falar de tais palavras. Mas, enfim.
Ando numa fase que não dá para explicar e de que nem gosto de falar para não azucrinar a cabeça a quem gostava de ter trabalho e não tem (e, que fique claro, não me estou a queixar pois tenho é que dar graças por ter trabalho; razões de queixa têm todos quantos gostariam de trabalhar e não encontram onde).

Mas, pela fase que atravesso, não sei de notícias, não sei de nada e, aqui chegada, nem paciência tenho para me ir pôr a ler notícias pífias que envolvem criaturas pífias. E de tal forma tenho a cabeça feita em água que, no carro, só consigo ouvir a Antena 2 e, vá lá, vá lá, de vez em quando a Smooth FM.
No entanto, enquanto escrevo estou a ouvir o Augusto Santos Silva na TVI com o Paulo Magalhães. Dá gosto ouvir gente inteligente. Irónico, truculento, arguto, Augusto Santo Silva é daquelas pessoas que dão gosto ouvir. Não as poupa, dispara certeiramente e, se necessário for, a seguir esboça um sorrisinho de quem está mais do que pronto para outra.
Hoje, ao vê-lo a disparar, num só movimento, contra Cavaco, Governo, e Carlos Costa só me fez lembrar o Jake de Silverado



Queria aqui colocar
aqui uma fotografia
de Seixas da Costa
mais desconstruída mas não encontrei.
Tive eu que lhe dar um toque,
warholiando um pouco as cores.


Também, há bocado, enquanto jantava, tínhamos a televisão ligada na copa e ouvi outra pessoa que tem um raciocínio e uma linguagem crystal clear: Francisco Seixas da Costa. 


No que ele diz tudo faz sentido, tudo se compreende. Além do mais, estando eu em sintonia com o que diz, ainda maior prazer tenho em ouvir uma pessoa assim. 


Tomara que leve a sua intervenção cívica um pouco além e o tenhamos como ministro dos Negócios Estrangeiros no próximo governo.



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Mas, ia eu dizendo, portanto, que tenho vivido uns dias repletos que nem ovos, meio fora do mundo do dia a dia e das tricas partidárias.

Também não tenho ouvido comentadores, papagaios avençados e outras aves de fraca plumagem. E, portanto, posso estar para aqui descansada e, entretanto, os chineses já terem comprado o Novo Banco e levado o Banco de Portugal com o titubeante Costa e o esperto Varela lá dentro como bónus, ou algum brasileiro já comprou a TAP e levou o super bock Pires de Lima de brinde, ou, sei lá, alguns russos, às tantas, já compraram o Metro e a Carris e levaram o Museu dos Coches e o Palácio de Belém (com o Cavaco, a Maria e um casal de cagarras lá dentro) de bónus. Não me parece nada improvável, nada mesmo.

Não sei também se algum dos pimpolhos da Senhora Cristas já tomou o CDS de assalto e se, a esta hora, o Paulinho das Feiras, destituído, já está algures a vender sorvetes na neve ou, até, se o Láparo não estará numa banquinha da Feira do Livro a autografar a sua biografia ou até, sei lá, a vender farófias nalguma caravana na mesma Feira do Livro. Tudo me parece provável.

Nem sei se o senhor com ar de ciclista reformado que comprou a PT como quem compra uma sapataria de rua, agora que já acabou com o nome da empresa (e quantos rios de dinheiro se esbanjaram, nos good old days, em nome do goodwill da marca PT...), já encontrou alguém para presidente da empresa ou se aquilo já nem de presidente precisa. Ou se está é à espera que a tropa fandanga do desgoverno vá à vida nas eleições e aproveite algum deles, o Sérgio Monteiro por exemplo. É bem capaz de ser isso, às tantas já está a apalavrar algum. Não me parece improvável.

E eu aqui nisto, completamente out, sem fazer a mínima de coisa nenhuma. Sei lá até se o país já foi anexado por alguma organização secreta, aquela que anda a vigiar o super-judge Alex.

Eu sei lá, sei lá (quem é o pai da criança).


Adiante.

Como no sábado também não vi o Piqueno Polegar Show com o pequeno Bruxo de Fafe, não ouvi nem os seus ladinos comentários sobre o sucedido transactamente nem as suas previsões larocas para esta semana. Estou aqui, portanto, completamente, mas completamente, às escuras. 

Por isso, não podendo eu falar sobre nada do que está a dar, vou pregar para outra freguesia. Tenho que ir.

E vou bem acompanhada, com os meus amigos da Porta dos Fundos (e não liguem à cena, que não tem a ver com nada -- já ontem vos disse que ando numa de nada a ver com nada e, quanto mais nada a ver com nada, melhor eu me sinto.)

Ora bem.

O texto de apresentação do vídeo 'Tenho que ir' reza assim:

Vale tudo para garantir uma transa. Quem nunca mentiu sobre quem somos, achou graça em coisas chatas, fingiu que assiste novela ou que curte Jorge Vercilo? O problema é que depois da gozada vem aquele momento de clareza e sobriedade, e você se toca que aquela pessoa já tá com a conchinha armada do seu lado.



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Se me permitem a sugestão, não deixem de ir deslizando por aí abaixo porque há para todos os gostos.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela quarta-feira.

E boa sorte, saúde e alegria para todos.

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sexta-feira, abril 24, 2015

O fantástico José Gomes Ferreira que gostava de ser Ministro da Economia ou quiçá Primeiro-Ministro foi ao '5 para a meia-noite' dar música ao Nilton. Mas a quem ele não deu música nenhuma foi a um Leitor do Um Jeito Manso que ficou altamente indisposto apesar de estar do outro lado do mundo


Depois dos dois posts abaixo com o humor da rapaziada da Porta dos Fundos, outro assunto:


Wonderland


O  Um Jeito Manso aproxima-se do milhão de visitas e eu, que jamais pensei chegar aqui, hesito sobre a sua continuação ou, pelo menos, na continuação nos mesmos moldes.

Sempre gostei de escrever e de partilhar, e este é o espaço que tenho aproveitado para diariamente opinar ou falar do que gosto ou divulgar o que recebo. Faço-o como sempre o fiz: sem pretensões, sem querer provar nada a ninguém, sempre consciente de que tudo é efémero, muito mais um veículo como este, um entre muitos milhares ou milhões, em que, a toda a hora, posso decidir fechar a porta.

Se o tenho feito com gosto tenho-o também, muitas vezes, feito com um sentimento de que isto invade demais o meu tempo: para estar aqui, reduzi em muito o meu tempo de leitura, deixei de fazer tapetes de Arraiolos, não consigo tempo para tentar escrever alguma coisa com mais substância e, verdade seja dita, tenho diminuído o meu tempo de descanso. Sempre me deitei tarde, é certo, não é de agora. Era eu ainda menina e moça, e em casa dos meus pais arranjava maneira de puxar o candeeiro da mesa de cabeceira para a cama, para o lado da almofada, e deixava-me ficar a ler até de madrugada. De vez em quando, se ouvia que algum dos meus pais se levantava, apagava a luz e ficava imóvel até que voltassem a deitar-se para, então, retomar a leitura. Outras vezes, eram eles que vinham pé ante pé e me apanhavam, zangando-se comigo por ‘estar a dar cabo dos olhos’ em vez de estar a dormir. Mais tarde, ainda os meus filhos eram miúdos, esperava que eles adormecessem e que toda a casa entrasse em modo de silêncio, para, então, eu ter o meu tempo.

Ainda agora, é depois de estar despachada do resto, que aqui me sento. Mas muitas vezes apetece-me pegar com tempo num livro ou fazer qualquer outra coisa de que gosto e penso que ou é isso ou o blogue.  No entanto, disciplinada como também sou – apesar de poder parecer o contrário – tenho sempre vontade de não defraudar as pessoas que sei que diariamente adquiriram o hábito de aqui vir espreitar que coisa terei eu colocado na véspera à noite.

Pode parecer alguma vaidade da minha parte dizer isto, convencida de que o que aqui ponho é importante para alguém, mas a verdade é que recebo mails que me dizem isso mesmo.


Sunrise Friends


Esta semana, por exemplo, recebi um mail.

Porque o mail continha uma escrita que me agradou, fluida, assertiva e divertida, e falava de um assunto que eu desconhecia mas que me merece reflexão, pedi autorização para o transcrever. Obtive-a e, por isso, vou fazê-lo.

De facto, a comunicação social está cheia de fazedores de opinião, gente que pouco préstimo tem mas que, pela forma afirmativa como fala, acaba por manipular a opinião alheia. O que é dito na televisão é como se passasse a ser verdade e isso é um perigo dada a falta de qualidade e, tantas vezes, de ética de quem passa pelo palco do comentário público nos meios de comunicação social.

Hoje, ao enviar-me o mail com a autorização para que transcrevesse o mail anterior, disse-me algumas palavras amáveis (por exemplo: Se algum dia se cansar ou não puder escrever tanto, escreva menos mas não deixe de escrever) – e senti essas palavras como o apoio de que algumas vezes me sinto necessitada para continuar a achar que ainda faz sentido aqui continuar. Mas, enfim, esse nem é o tema de hoje.


The Emperor


Passo, então, a transcrever o referido mail:


UJM, 


Estou no estrangeiro e tenho de engolir a pobreza da RTP internacional se quiser ir sabendo do País. Este meu desabafo vai à conta de um programa que vi ontem nesse canal, penso que com uma semana de atraso. Vai-me desculpar usar o seu e-mail para a minha catarse, mas sou seu leitor assíduo, e quando mais nada me alenta tenho-a a si, ao seu blogue.

Viu a miséria do 5 para a meia-noite do Nilton com o Gomes Ferreira? Uma criatura que a Sic-incumbadora deste Governo lá tem, e que de vez em quando finge criticar o Governo para parecer isento aos olhos dos muitos que o ouvem e “emprenham” com a sua autoproclamada sapiência. E que são muitos, devem ser quase tantos como a respectiva audiência. Um que tem cabeça de gnomo e pensa que é economista e dono da verdade? Foi um horror, pior do que ter ácido sulfúrico a corroer-me o estômago.


O homem nem se sentava de tão cheio de si. Parecia um pregador. Diz que o jornalismo é chegar a soluções para oferecer às pessoas, uma coisa do género, dizia que se podia criticar os caminhos que levaram aonde chegámos mas que o que interessa é o resultado, o mesmo que dizer que estamos em franca ascensão, que o Coelho merece uma medalha! Um nojo. A branquear o governo, sempre!

Jornalista é a última coisa que a criatura devia chamar a si próprio (ai, agora também se autodenomina ESCRITOR, imagine-se!). Ele faz política reles, verdadeiramente, e é isso que assume perante o caga-tacos deslumbrado do Nilton… desculpe a expressão, mas não lhe bastava o palanque da SIC, ainda o Niltonzinho o convida para, à conta do erário público, vender o lixo que escreve? E fazer a sua propaganda de direita?! Nem houve mais convidados, tal a imensidão da criatura. À conta de gente como eles que usa a coisa pública para fins particulares e sustento da prole é que a despesa pública cresce…

Enfim, é só um desabafo, uma catarse… Já agora acrescento que a criatura que lá canta “o Martim”- de que nunca tinha ouvido falar antes do grande Nilton o catapultar para a “fama”, acompanhou a última comitiva do Cavaco a Macau. Vale a pena vê-lo de boca aberta enquanto o pregador da Sic papagueia os seus dogmas. Ele de boca aberta e o Nilton com os olhos a faiscar de tanta excitação. Uma coisa…

O País podia lá passar sem aquele exímio músico a representar a Nação... quem devia ser ignorado pelo Cavaco? O Carlos do Carmo, pois. Uma vergonha. Supostamente veio acompanhar a Kátia Guerreiro, outra que não larga o escavacado.

Um pesadelo, mesmo vindo para o outro lado do mundo para manter alguma dignidade, a que não se consegue fugir. Uma afronta. O país está dominado por esses medíocres de campanha encarniçada, o PS que não se cuide, a esquerda que não atine…

Enfim, mais um cantinho fascizóide na TV pública… todas as sextas-feiras, com hora marcada. Raios partam o Nilton:




Cumprimentos cordiais e obrigado por arranjar sempre energia para escrever.


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E muito obrigada eu pelo mail e pela simpatia.

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Para ilustrar o texto usei fotografias que não têm nada a ver, apenas são bonitas. São de  Nadav Bagim (a.k.a AimishBoy) e obtive-as no Bored Panda.

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Relembro: Mais abaixo há dois vídeos da Porta dos Fundos, sempre aquela graça.

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Desejo-vos, a todos vós, meus Caros Leitores, uma boa sexta-feira. 

Felicidades para todos.

sábado, fevereiro 14, 2015

E agora que o Borgen acabou, como vou eu preencher o vazio que vai ficar no seu lugar? Volta Birgitte Nyborg que estarás sempre perdoada!








A RTP despachou a correr uma das melhores séries de sempre: Borgen



Todos os dias úteis da semana tivemos connosco Birgitte Nyborg, o seu modo frontal e limpo de fazer política e forma como tentou conciliar a sua vida pública com a sua vida privada, a leal e determinada Katrine Fønsmark, o puro e atormentado Kasper Juul, o queridíssimo e abnegado amigo Bent Sejrø, a competente e experiente Hanne Holm, Phillip, o simpático ex-marido que tive tanta pena que não aguentasse a pressão e a ausência da mulher, a Pia tão discreta, atenciosa e eficaz, o Torben tão pressionado por cima, por baixo e pelos lados, o Alex tão pseudo-executivo mas tão infantilóide, e os miúdos, tão discretos e queridos que vimos crescer, a Laura e o Magnus.


Em três tempos a RTP despachou, pois, os três tomos da série. Dia após dia eu fiz uma ginástica para aqui conseguir estar a ver Borgen. Se não conseguia, era no dia seguinte ou quase de madrugada que via a gravação.

A forma negociada e adulta de fazer política, a democracia e as vicissitudes que decorrem da pressão mediática, tudo Borgen nos mostrou.

E a o cancro e a relação com os filhos e os amores, a vida da mulher por detrás da política. E Birgitte sempre forte apesar das fragilidades, sempre humana apesar de ser uma máquina.

Um prazer ver esta série. Mas agora acabou. E eu já estou cheia de saudades.

Sidse Babett Knudsen, 46 anos, a brilhante actriz que deu corpo a Birgitte


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terça-feira, agosto 02, 2011

Carla Vasconcelos e Rui Unas no 5 Para a Meia Noite (RTP 2)

Para quem ontem não viu, aqui vos deixo um cheirinho de um grande programa: ontem Carla Vasconcelos estreou-se no 5 para a Meia Noite e foi uma muito agradável surpresa.  O convidado foi Rui Unas.

Inteligente, oportuna, brejeira qb, engraçada, informada, não invasiva, Carla Vasconcelos esteve muito bem. Cinco estrelas para esta nova estrela.

Rui Unas, já se sabe, é sempre uma aposta ganha a priori. Com um sentido de humor certeiro, inteligente, é sem dúvida um homem interessante e uma presença televisiva muito forte.

Por isso, o programa de ontem foi uma coisa boa de se ver.