Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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sexta-feira, julho 28, 2017

Carlos Abreu Amorim, Hugo Soares, Telmo Correia et al.
-- não sei se têm espermatozóides a menos mas carência de neurónios parece mesmo que sim.
[Isto a propósito da fatídica lista das 64 vítimas, do SIRESP e não só;
e com uma sessão de coaching a cargo da Porta dos Fundos especialmente dedicada à trupe da bancada parlamentar capitaneada pelo auto-flagelado Hugalex ]



Parece praga. Não se consegue ver um canal português. Aparece gente doida a toda a hora e tornam-se ainda piores quando acicatados pela comunicação social.

Agora é o SIRESP. Depois de se ter esgotado o tema da lista das vítimas, agora andam agarrados a outro osso. O Siresp. Não conheço o assunto, não sei se o dito cujo foi bem ou mal concebido, nada sei --  mas uma coisa eu sei: é matéria tecnológica e, portanto, não é qualquer badameco (desses para quem mais zero menos zero, vai tudo dar ao mesmo ou para quem milhares ou milhões é tudo igual ao litro) que consegue perceber o que é que está em causa. 



Podem as pífias cabeleireiras ou os decoradores a granel que ocupam os lugares de jornalistas e de deputados pafiosos (e, atenção, nada contra as cabeleireiras e os decoradores) falar com desdém dos problemas do Siresp como se, se fosse com eles, já aquilo estava feito em cacos, os contratos rasgados e um novo sistema já a funcionar no terreno... que o valor do que dizem é nulo. Nulo. 



Há bocado ouvi um -- que presumo que fosse atrasado mental -- a dizer com ar superior que há 40 dias que há problemas e que ainda não estão resolvidos. E abanava a cabeça, com ar arrogante, como se tal fosse incompreensível e imperdoável. 

Em abstracto, e sem conhecer o Siresp, o que posso dizer é que, quando uma grande empresa ou um grupo de empresas muda de operador de comunicações, há dezenas de técnicos a estudar o assunto, há muitas dezenas de técnicos e não técnicos a passar cabo, a montar antenas ou a instalar equipamentos, há investimentos que não são brincadeira, há um projecto de migração que dura meses, há problemas de toda a ordem até que a coisa estabilize e, no fim, especialmente a nível de rede móvel, há deficiências variadas quando comparadas com o que havia com o anterior operador. E estou a falar de umas quantas empresas. Imagine-se o que é assegurar comunicações permanentes em todo o país. Se há operadores que levam meses e meses para assegurar cobertura razoável em lugares urbanos ou junto a vias principais, imagine-se o investimento e os estudos necessários para assegurar cobertura (e cobertura redundante!) em serras, vales, margens de rios perdidos entre desvãos de montanhas.


Portanto, não me admiro nada que o Siresp apresente falhas em situaçao de catástrofe natural como a que se tem vindo a assistir (com serras inteiras a arder e, forçosamente, postes, cabos, antenas e sei lá que mais também arder). E quem diz Siresp diz sistemas da MEO, da NOS, da Vodafone. Se em situações normais há deficiências -- e é natural que as haja, porque instalar infraestrutuas ultra dispendiosas para meia dúzia de utentes não é coisa que nenhuma empresa faça, a menos que a tal seja obrigada e, de alguma forma, ressarcida -- é mais do que natural que, em situações extremas como as que se têm vivido, os problemas de comunicações se verifiquem.

Que há coisas a melhorar, pois admito que sim. Sempre há. Que o Siresp tem que ser analisado, pois admito que sim. Sempre que alguma coisa é posta à prova, mil oportunidades de melhoria sempre surgem. Mas isso é o natural. O que não é natural é transformar qualquer assunto num carnaval, numa deplorável chicana. Seja como for, é matéria do domínio da engenharia e tem pesados investimentos subjacentes. Fazer estudos, obter orçamentos e fontes de financiamento, planear, instalar, testar, etc, é coisa que não é da ordem dos dias mas dos meses. 40 dias...?! Nem 4 meses! E é coisa para especialistas na matéria, não para burros encartados ou estólidas cavalgaduras.


Mas vá lá conseguir falar-se de alguma coisa séria neste país com esta comunicação social descerebrada e com os deputados mentecaptos que andam a dar cabo do inteligência do país. Não sabem nada de coisa alguma, armam-se em polícias, minam a confiança nas instituições, desestabilizam tudo em que tocam.

Estava a ver a pobre Ministra Constança e aquele pobre Secretário de Estado que tem mostrado uma presença de espírito fantástica, na Assembleia da República, a enfrentar uma mesa hostil onde pontuava o exemplar acabado da política de esgoto, Carlos Abreu Amorim de seu nome, secundado por aquele Telmo Correia que gosta de se mostrar como cão de fila dos donos. As perguntas que faziam, as acusações, o quase fazerem birra para que os governantes se demitam, a formam absurda como falavam é de uma pessoa se sentir revoltada. Ou pior que revoltada: envergonhada. Os políticos, como representantes do povo, deveriam ser o que de melhor o país tem. Mas não. Em especial neste PSD e neste CDS parece que é o rebotalho.



Devia ser exigido que, para se exercerem algumas funções como a de deputados, os candidatos fizessem testes de aptidão: QI, cultura geral, bom senso e estabilidade psicológica. Com certeza que, se houvesse um crivozinho e nem precisava de ser muito exigente, não teríamos cenas macacas na AR como aquelas a que assistimos nem o País estaria como estava.

Entretanto, na televisão, a macacada é a mesma. Jornalistas que não fazem ideia do que estão a falar, que fazem trejeitos patéticos, que levam qualquer coisa para o lado do drama, que põem uns contra outros, que incentivam a peixeirada em torno de boatos ou de ignorâncias, que relatam banalidades com mal contida histeria, que dão palco a gente desqualificada, que perseguem a intriga, o esguicho de sangue ou a facada nas costas. Uma vergonha.


O meu marido, há bocado, ouvindo umas alarvidades (do ponto de vista técnico e não só), dizia: 'os jornalistas são dos que mais m.... fazem; dão cabo disto tudo'. E é verdade. Com o seu populismo, a sua ignorância e a sua prepotência os jornalistas (e comentadores) fazem um chavascal, armam confusão, viram a cabeça das pessoas do avesso. Um perigo esta cambada que por aí anda.


Li que em apenas 40 anos, a contagem de espermatozóides de homens no mundo ocidental caiu mais de 50%, revela um estudo publicado na revista Human Reproduction Update. Estamos perante um problema de saúde pública, avisam os investigadores.



Uma maçada isto. Diz que, a continuar assim, não tarda acaba a espécie. Chato. Mas, cá para mim, talvez ainda mais grave que a rarefacção de espermatozóides é a crescente perda de neurónios. Para já isso é muito evidente em alguns partidos e na classe dos jornalistas. Isso é que irá, na verdade, a dar cabo disto tudo.

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Já agora:

A esta hora já o inteligex Hugalex deve estar reunido com o pudim Amorim e outras feras lá da laranja furada a ver como é que agora, depois do papo furado da lista da 'empresária' e do tema meio chato do SIRESP, hão-de captar a atenção do coito dos boateiros do Expresso, da balsemónica SIC, da flausina Judite, do jornal de referência Correio da Manha e de todos os outros que, na iminência da falta de assuntos, também já devem estar a levantar pedras da calçada a ver se descobrem minhocas esfaceladas, baratas violadas pelo tio, formigas implicadas no Caso Marquês, ou mesmo pombos-correio embuchados de milho por culpa da ministra Constança.


E eu, sempre atenta aos desvalidos, especialmente aos desvalidos mentais, aqui estou para ajudar. É só seguir o guião que ideias aqui não faltam.

Deputado -- Porta dos Fundos



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De nada.

Sempre às ordens

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E, a todos quantos aí estão desse lado, desejo uma bela sexta-feira.

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quinta-feira, julho 27, 2017

Hugo Soares = nojo *
Ascensão e queda de um líder parlamentar falhado - ou a fatal entrada em cena do Hugalex.
-- E mais um passo em falso da Cristas da Coxa Grossa --
[Já para não falar em mais um prego no caixão do jornalismo em Portugal que os boateiros do Expresso fizeram o favor de espetar]


Não estou em grande forma. A outra noite, para mim, não foi bem uma noite, foi mais um dia de juízo. Agora, um bocado cansada e muito mal dormida, estava aqui mais numa de assuntos tranquilos, daqueles que não me indispõem. Percebam-me, por favor: nem todos os dias está uma mulher pronta para a guerra. Tem dias em que se está mais numa de, suavemente, deixar correr a pena, o coração nostálgico, a melancolia a tolher-nos as mãos -- e nós sem darmos luta. 
A dor de um filho que perde um dos seus progenitores não é coisa pouca e, tanto pior, se, à altura da perda, for quase criança e as sombras abruptamente invadirem um espaço que antes era de luz e amparo. 
E foi neste estado de espírito que, serenamente, falei da memória que guardo da fatídica noite de 31 de Agosto de 1997 e do tributo que, vinte anos depois, os filhos prestaram à sua mãe Diana que foi Diana de Gales.

E agora, na mesma pacífica modorra, estava aqui a ler blogues alheios, por vezes prova saborosa, enquanto na televisão correm as notícias do dia.

O fogo a devorar tudo o que é verde. Correndo montanhas, atravessando estradas e rios, o fogo avança como um bicho esfaimado, um bicho de grandes patas, de ameaçadoras goelas. Fogo e mais fogo. O fogo é um dos elementos matriciais disto tudo. O ar, a terra, a água, o fogo -- tudo muito para além do que a inteligência e a força humana conseguem dominar. Por vezes, parece que nos esquecemos que a natureza, quando se agiganta, é capaz de devorar quem ousa desafiá-la. A seca, o vento, gestos irracionais (tantos incendiários que há no meu país... alguém já terá estudado seriamente este fenómeno?) e a pouca sorte são uma mistura explosiva.

Mas, logo a seguir, talvez porque, pelo meio, me tenha distraído e perdido o fio à meada, lá me apareceu o desinfeliz Hugo Alexandre, agora já na versão 'derrotado pela evidência dos factos'.


E quais os factos a que me refiro? Não é certamente à lista dos que pereceram na tragédia de Tancos, que eu não tenho por hábito juntar-me aos abutres que não passam sem rondar a carniça nem vou atrás dos boatos que o Expresso lança para a praça pública (mostrando os riscos que a democracia e a liberdade de expressão comportam ao serem usadas para minar a confiança nos seus pilares). Não. Os factos que derrotaram a ambição política do Hugo Alexandre Soares, aka Hugalex, são mais simples que isso. 

Não sou supersticiosa mas acho que não é bom augúrio começar o que quer que seja alicerçando-se sobre aldrabices envolvendo mortos. Os mortos merecem respeito e contenção. Ora o Hugo Alexandre resolveu cavalgar uma trapalhice a que o Expresso, num mais infelizes episódios da sua história, resolveu servir de megafone. Mostrando ter falta de tino, falta de bom senso, falta de sentido de estado e de solidariedade humana para com os familiares das vítimas, o ridículo Hugalex, depois de um desafiador 'dou 24 horas' e de, ao cabo de pouco mais do que isso, ter recebido, através da tão demandada 'lista dos mortos', o atestado público da sua estupidez apareceu perante as câmaras de televisão a mostrar como é patético o exercício público de enfiar o rabo entre as pernas. Contudo, em vez de o fazer de pianinho, low profile, a ver se passava despercebido, não senhor: intelectualmente pouco honesto como é e bastamente desinteligente como tem demonstrado ser, ainda apareceu com o dislate de vir congratular-se pelo fim da polémica sobre a lista dos mortos -- como se fossemos parvos e não estivéssemos todos carecas de constatar que quem mais alimentou a polémica foi ele, justamente ele.

Uma indigência política esta a que chegámos, quando uma função como a que o Hugalex agora desempenha, é entregue a alguém tão incapaz como ele.

E estava eu a antever que aquela pobre e destituída figura não se aguentará muito tempo nestas suas novas funções quando logo a seguir me apareceu outra que tal -- a Cristas, na televisão, também a culpar o Governo de ter criado o furdunço em volta da lista dos mortos e, tal como o outro, a mostrar que em boa hora e muito justamente os portugueses mostraram querer ver-se livres desta seita dos PàFs, gente que dá ânsias a qualquer português bem formado e com dois dedos de testa.

São os salvados dessa gentinha que agora por aqui andam, à babugem dos boatos que as sobras da comunicação social vão espalhando. Julgam os portugueses à sua imagem e semelhança, julgam que papamos toda a porcaria que nos querem impingir. Mas enganam-se: estou em crer que ainda há muita gente inteligente.

Não posso terminar a referência a este fétido capítulo da política e do jornalismo da era lapariana sem referir uns quantos nomes que ficarão bem ao lado do Hugo Soares, da Cristas, do Láparo e desta gentinha-poucachinha que infesta a política nacional. Refiro-me a alguns representantes do jornalismo desclassificado que, por estes dias, campeia em Portugal e que mostraram, uma vez mais, que, a continuarem assim, um dia destes os portugueses vão achar que estão melhor sem eles. E são, a saber: João Miguel Tavares, Pedro Santos Guerreiro (de quem eu, antes dele entrar para o coito dos boateiros, até gostava), Bernardo Ferrão. Populistas, fuxiqueiros, levianos, cheios de uma empáfia que ainda os desvaloriza mais. Falo nestes mas, atenção, não são os únicos, são apenas, pelos piores motivos, três bons exemplos -- até porque seria uma felicidade se fossem só três e não, não temos essa sorte. Upa, upa. 



* nojo = luto, repugnância
(escolham, os meus doutos Leitores, qual o sinónimo que melhor se adequa ao momento político que o líder parlamentar do PSD resolveu criar e nele se enterrar)
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NB: As imagens com que polvilhei o texto não têm muito a ver. Quis ter aqui algum toque de humor já que a conversa era sobre gente que não é boa companhia. Encontrei-as no Bored Panda e gostei. Umas mostram uma mulher dita 'normal' que resolveu mostrar como fica quando reproduz fotos de beldades e outras mostram actos de vandalismo urbano, mas um vandalismo inócuo e divertido.

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Permitam que relembre: caso vos apeteça mudar para um registo, queiram descer até Diana, a nossa mãe (incluo o vídeo completo)

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Diana, a nossa mãe.
[Diana, Our Mother - Her Life and Legacy]



No vídeo que abaixo partilho, pode ver-se o tributo de dois filhos que querem mostrar ao mundo as memórias que guardam (ou que outros guardam) da mãe de quem se viram abruptamente separados quando eram ainda miúdos. Tendo crescido debaixo dos holofotes e vivido uma infância e adolescência muito atípicas, William e Harry são ainda pessoas sobre quem impende um conjunto de obrigações e restrições que não devem ser nada fáceis de suportar.


No dia 31 de Agosto de 1997, e custa-me a acreditar que já passaram quase vinte anos, eu tinha tido um grande jantar em minha casa. Era já bastante tarde, estava calor, tínhamos as janelas da sala abertas e conversávamos animadamente. Os miúdos, os meus e vários primos e amigos deles, deviam estar noutra sala. 


Estes jantares prolongavam-se sempre pela noite adentro. No fim, um ou outro estavam sempre já razoavelmente bebidos e o humor rolava sem condicionantes. Nessa altura, um dos casais mais animados ainda não se tinha separado e éramos um grupo que regularmente se juntava para prolongados e animados repastos. Ele, em especial, era um pândego que, se fosse preciso, fazia sozinho a festa. Contava histórias, ria, pregava partidas, fazia maluquices. Contudo, entre ele e a mulher, havia sempre um equilíbrio à beira do precipício. Por vezes, do nada, nascia um desacato entre eles. Mas já ninguém ligava. Fazia parte do programa. Depois ficava tudo bem.

Essa era uma dessas noites.

Não sei a que propósito, no meio da animação, alguém ligou a televisão. E, de repente, o ambiente gelou. Ficámos mudos a olhar para a televisão. Ninguém chorou mas todos ficámos emocionados. Diana tinha morrido. Custava a acreditar. Quase queríamos que alguém aparecesse a dizer que tinha havido um engano, que afinal estava viva. Só dizíamos: 'Não pode ser'.

Dias depois, num almoço entre colegas que já não trabalhavam juntos e que se tinham reunido para pôr a conversa em dia, veio à baila a morte de Diana. Era eu e mais, salvo erro, onze colegas, todos homens. O almoço tinha sido bem regado e, depois de se ter falado de negócios, de aquisições de empresas, de processos em tribunal e de muita paródia, ali estávamos, comovidos a falar da morte de alguém que parecia que nos era próximo. Um deles, executivo bem sucedido e a quem a bebida costuma dar para o sentimento, confessava que não tinha conseguido sair a frente da televisão enquanto tinha durado a transmissão do funeral. Outro gozou: 'Mas quê, Sr. Engenheiro, chegou mesmo a chorar...?' e ele, verdadeiramente comovido, 'Não, Doutor, chorar não chorei mas só porque consegui conter-me' E estava a falar verdade, ainda emocionado. Certo que, quando quis ir à casa de banho, receou não conseguir ir a direito.


Não sei qual vai ser o futuro dos filhos de Diana mas, apesar de não simpatizar com os regimes monárquicos, a verdade é que simpatizo com estes rapazes que cresceram à nossa vista e que, de crianças brincalhonas e sorridentes, passaram rapidamente para um outro capítulo. A imagem que todos vimos, uns pequenos homenzinhos a caminhar atrás da caixa que levava o corpo da bela mulher que, para eles, era apenas a sua mãe, é uma imagem que não se esquece facilmente.

Diana, se ainda vivesse, seria a super avozinha de George e Charlotte e o mundo gostaria de ver como aquela bela mulher sempre tão maternal, se entregaria à alegria de brincar com os seus netos. 



Diana morreu quando tinha 36 anos (a mesma idade que tinha Marilyn Monroe, outra mulher bela que, igualmente, nunca se sentiu bem amada e que também travou uma luta para ser aceite como uma mulher inteligente, com ideias e vontade próprias). Diz-se que morrem cedo aqueles que os deuses amam mas, como eu não sou dada a crenças, não sei se isso é verdade. O que sei é que aquela mulher de quem diziam ser ingénua ou excessivamente emotiva soube tocar o coração de muita gente e é ainda com uma estranha sensação de proximidade (mesmo de proximidade temporal) que ainda vemos as suas imagens. E estou a falar e, sem querer, a colocar a frase no plural quando apenas devo falar por mim. Mas, vá lá saber porquê, acho que não haverá quem não sinta simpatia por Diana. 

(Ok, talvez a Camilla ainda não goste muito dela)

O vídeo não está legendado mas, ainda assim, aqui o deixo.


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quarta-feira, julho 26, 2017

Uma casa na árvore



Noite algo atribulada. Não sei se vou conseguir escrever muito mais do que isto. Portanto, para o caso de não conseguir, aqui fica informação relativa ao tema sobre o qual hoje gostava de poder escrever. Comprei à hora de almoço um livro que me faz trepidar de imaginação e de vontade de partir para a loucura: 'Tree houses'.


Desde sempre as casas nas árvores me encheram de fascínio. É todo um mundo de fantasia que sempre me atraíu mas que sempre me pareceu inantigível. Até hoje. Vi o livro e não resisti. Agora comecei a folheá-lo e é maravilhoso. As casinhas nas árvores podem ser um ninho, um refúgio, um esconderijo, um cantinho de paraíso.

O vídeo abaixo mostra uma outra dimensão do conceito: modelos exóticos, luxuosos, para todos os gostos. Não me teria ocorrido a possibilidade de fazer uma casa na árvore para ter as mesmas comodidades que uma casa na cidade mas, enfim, havendo dinheiro de sobra pode fazer-se de tudo.


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Até já ou até amanhã.

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terça-feira, julho 25, 2017

Ai Conselheiro Marques Mendes que desta vez V. foi longe demais...
[O garganta-funda do regime agora deu em vender roupa velha como se fosse bacalhau do dia.
Como se o PSD já não andasse pelas ruas da amargura...
Já não basta a necrofilia de que padece o Hugalex, agora também a vizinha cusca deu em dar um passo (atrás) maior que a perninha, deixando o INE à beira de um ataque de nervos
-- e os portugueses a rebolarem agarrados à barriga, gargalhando sem parar]


No post abaixo (Hugalex e a sua fixação necrófila. Nuno Magalhães ou a sapateira oca em versão masculina e oleosa) falo desse grande tribuno que dá pelo nome de Hugo Alexandre e sobre quem o País tem vindo a descobrir que, pelo menos desde que subiu a líder parlamentar, mais do que um cromo, o que ele é é detentor de uma anomalia -- e não uma anomalia qualquer. Esta é daquelas que, ao que vemos, lhe deu com força e relativamente à qual há quem faça filmes e séries de horror.


Mas eis que, depois desse meu exercício, quando na mais pura das boas intenções me preparava para ingressar no sempre atraente mundo da realeza, desta feita para falar do documentário sobre Diana, no qual William e Harry falam da memória da bela e trágica progenitora, caio de novo das nuvens aos trambolhões. 


Então não é que ouço de novo referência à mãe de todas as barraquinhas? Também à hora de almoço tinha ouvido a rabecada do INE no nosso grande Conselheiro de Estado, aquele sobejamente conhecido pela sua alta craveira decorativa (leia-se: dada ao decoro) e pela sua capacidade para se infiltrar em tudo o que é lugar, desde Conselhos de Ministros até reuniões à porta fechada no Banco de Portugal. 

Mesmo que alguém se reúna num submarino ao largo dos Açores para ver se o pet-comentador não consegue captar os segredos aí proferidos, tudo lhe chega aos ouvidos e tudo, ao domingo, o garganta-funda divulga em horário nobre aos balcões do clube dos boateiros.
Mas, dizia, ouvi à hora de almoço falar na big bronca mas, desde logo, resolvi não falar do tema.
Se o Um Jeito Manso é um diário a céu aberto, que imagem do meu país deixo eu para a posteridade se falo de todas as misérias a que, no dia a dia, assistimos...? A de que isto está entregue à bicharada...? A de que Orwell nem sonhou onde é que afinal viria a situar-se a verdadeira Quinta dos Animais, agora que os porcos triunfam em toda a linha desde que a laranja parece ter secado de vez...?
Não. Prefiro dourar a pílula, optar pelo estilo peace and love, e ainda que agastada, passar ao lado (para não sujar os pés), dedicando-me antes à rêverie e às coisas fofas em vez de, qual intrépido Jumento ou Der Terrorist, não deixar passar uma e dar-lhes com força no totiço.

Mas a verdade é que, como dizia o outro (presumo que um comentador de futebol), o que tem que ser tem muita força -- e estando eu aqui na boa, inesmente posta em sossego, uma voz se levanta do sofá ao meu lado para comentar o inédito comunicado do INE.
O Instituto Nacional de Estatística (INE) critica fortemente as declarações de Marques Mendes no domingo na SIC, acusando o político e comentador de "antecipar" um resultado que "já tinha sido publicado". (...)
Ou seja, diz o instituto responsável pelas estatísticas oficiais, "o Senhor Conselheiro de Estado e comentador da SIC, Luís Marques Mendes, não antecipou este resultado. O resultado já tinha sido publicado!" 
O INE vai mais longe e diz que "esta falsa antecipação é grave na medida em que se pode gerar na opinião pública a ideia que Luís Marques Mendes tenha qualquer privilégio de acesso antecipado às estatísticas oficiais do INE, o que não sucede".
E, assim sendo, entendendo eu isto como um chamamento, não tenho outro remédio senão aqui deixar registo de mais esta mancha no comportamento do partido lapariano. Ora é o Láparo, ora o Hugalex, ora o Prof. Dr. Dentista-Ariano Ventura, ora o eterno putativo Rangel, até agora, imagine-se, o célebre Conselheiro Mendes. Todos à uma a darem tiros nos pés. Uma festa.

Mas, no fundo, no fundo, o propósito deste post nem é bem o acima exposto. É mais, tão só, o deixar testemunho de uma funda interrogação que badala no interior da minha mente: que praga de gafanhotos alucinados ou surto de peste parvalhónica se terá abatido sobre o partido de Sá Carneiro para que desde ex-líderes a actuais, seja líderes do partido, seja da bancada, seja de distritais e concelhias, todos não façam senão porcaria de todo o tipo, a toda a hora, em todo o lado? 
[Não acredito! Que nem de propósito... Juro. Então não é que agora, enquanto escrevo isto, até o Cavaco tenho aqui na sala. Imagine-se. Foi receber uma medalha. Não prestei muita atenção. Dá-me ideia que alguns galegos de coração de manteiga se condoeram do ostracismo a que a história o votou e resolveram oferecer-lhe um sorvete. Pois aqui está ele, a jactar-se dos seus feitos. Ele e a sua Maria, ela a olhá-lo como ele, em não-saudosos tempos, olhava para as vacas que riam. Blasona-se ele, dizendo que é um fazedor. Como se a gente não soubesse. Carradas de anos a fazer m... e ainda vem gabar-se disso. Haja paciência.]

Não sei mas alguma explicação há-de haver para este triste fenómeno a que estamos a assistir. Algum sociólogo, antropólogo ou psiquiatra estude o caso, por favor. A continuar assim, e ao ritmo a que a coisa se está a desenrolar, o PSD ainda vira rapidamente um antro de tesourinhos deprimentes, múmias paralíticas, láparos empalhados e pouco mais.

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Aviso

Desaconselho vivamente o post abaixo. 

Avisei.

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Hugalex e a sua fixação necrófila.
Nuno Magalhães ou a sapateira oca em versão masculina e oleosa.


Tinha eu estado aqui a pensar que não ia falar das pouca-vergonhas em que o PSD agora anda metido pela mão do neófito Hugo Alexandre, quando, à hora de almoço, no carro, ouço umas afirmações estonteantes de tão despropositadas. Pensei cá para com os meus inexistentes botões: 'Mas que diabo de conversa mais parva é esta? Mas a gaseada criatura que assim bolseja não saberá que está a chorrilhar asneiras como se não houvesse amanhã?'

E estava ainda eu intrigada por tão despautérica disenteria verbal estar a passar na rádio quando, perplexa, ouço que, afinal de contas, o seu autor não era senão o jovem e provavelmente inimputável Hugo Alexandre -- que usa o nick de Hugo Soares, provavelmente para ver se consegue inspirar algum respeito.


Depois pensei: 'Calma. O país não está perdido... Ainda há jornalistas. Pelo menos alguns. Poucos mas alguns. Os que estão a ouvi-los hão-de interceptar-lhe o desvario perguntando-lhe se não sabe que, dadas as circunstâncias, não é ao Governo que compete apresentar a lista nominal de mortos? Ou perguntando-lhe qual o benefício para o Governo em esconder uma morte? Ou perguntando-lhe que estranha tara é a dele para estar tão fixado na lista dos falecidos?' 

Só que, acto contínuo, tive um pensamento que me deixou incomodada: 'Não... Espera lá... Quem lançou isto foi justamente um jornal, o Expresso, um coito de pseudo-jornalistas, o mediático altifalante dos maiores boateiros do país...' 

E, enquanto me punia por estar a generalizar, pensando que ainda por lá é capaz de subsistir um ou outro verdadeiro jornalista, fiz a única coisa inteligente que estava ao meu dispor: mudei de posto, pus-me na Antena 2 e deslizei para um território ainda não conspuracado pela bandalheira política a que o PSD chegou e pela indigência intelectual para a qual parte significativa da comunicação social portuguesa se deixou arrastar.

Mas agora, aqui em casa, ligo a televisão e, azar, quem é que eu vejo? O Nuno Magalhães. Seguindo a linha ideológica da sua líder, a famosa Madame da Coxa Grossa, que acha que deve adaptar o discurso aos sms que recebe incentivando-a à arruaça verbal, aqui estava ele a querer apanhar o sinistro comboio do seu colega pafiano, Hugalex, exigindo também saber os nomes dos pobres coitados que mereciam algum respeito em vez deste impúdico sapateado em cima da sua memória.


Portanto, mudei também de canal. E fui parar a um apontamento de reportagem no qual os presidentes das Câmaras afectadas mostravam um autêntico desprezo por este sórdido emporcalhamento que a trupe do Passos Coelho e da Madame Cristas anda a fazer e diziam que as pessoas que pereceram no incêndio eram conhecidas e que não dão conta de que mais alguém, para além dessas, bem identificadas, tenha morrido.

Mas nem assim aqueles desqualificados ganham tento na língua e vergonha na cara. Cabeças ocas como são, uma vez que não encontram mais nada sobre o que falar, aqui andam feitos abutres a farejar carniça.

É ao que chegámos.


Apenas disto se alimenta a comunicação social e os restos do que, em tempos, foi o PàF: são uns incompetentes, pouco inteligentes, desrespeitadores e, ainda por cima, necrófagos. Não há verão ou silly season que justifique tamanha perversão.

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Fujamos deles, meus Caros, se queremos gozar um belo dia.

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segunda-feira, julho 24, 2017

Sobre o dia que passou,
enquanto ouço o vento





Este domingo, tal como se previa, foi repleto. Praia de manhã, uma aragem boa, a água fria mas nada de dramático, depois bacalhoada com todos a la maison, preparar petiscos para levar, a seguir superar o trânsito para ver se chegávamos a horas -- indo em carros separados, a maltinha é muita, já não cabe num único carro -- e isto para irmos buscar veraneantes ao aeroporto, o aeroporto mais parecido com dia de feira popular a abarrotar, os veraneantes a chegarem bronzeados e felizes da vida, depois todos para mais uma festa de anos, a última antes de os leões começarem a atacar, o meu caranguejinho mais lindo já um rapazinho, menino mais querido, depois, à noite, de novo em casa, a lida da casa, refeições adiantadas -- uma labuta (mas uma labuta boa). Mas, de facto, de manhã até à noite, uma roda viva. À noite quase me sentia desidratada de canseira. Mas bebi água quando cheguei, dormi uns minutos e reequilibrei a energia.

Estive agora a ver as fotografias que fiz. Todos bronzeados, todos sorridentes. A meio da festa, jogo de futebol lá fora com a rapaziada. Fui com eles, fiz a reportagem. Ouço-os a discutirem, não se põem de acordo quanto a ter sido ou não golo, se estava fora, se foi ou não auto-golo. Um diz que marcou uma tabelinha, outro fala em golo-cueca. Uma linguagem que não acompanho. O mundo do futebol requer, para a sua compreensão, competências que não possuo nem conseguirei, alguma vez, adquirir.


Depois, de novo em casa, os rapazes todos transpirados, uns quantos fazem uma banda. Um toca gaita de beiços, e toca bem, outro guitarra e todo ele inspiração, e duas meninas (no meio de tanto rapaz, hoje, entre os convidados, apareceu uma menina, uma companhia para a minha princesa mais linda que regressou bronzeada, olhos cinzentos ainda mais claros, quase transparentes) ocupam-se da bateria usando caixas de tupperware. O bebé come uma grande papa e mantém-se acordado e ri até que, finalmente, no meio daquele reboliço, adormece. Outro bebé, maior, faz uma ruidosa festa enquanto come e depois desata a gatinhar no meio da confusão dos outros. Os mais crescidos jogam PlayStation. Por fim, cantam-se os Parabéns e come-se o bolo de anos que é, na forma e na decoração, o leão do Sporting. Claro que parte dos convidados diz que se recusa a participar do festejo, que não pode compactuar com a situação, todos em volta da mesa debruçados sobre o símbolo do clube rival mas, enfim, a bem da paz social e familiar, superam a provação e acabam a comer partes da fera.

Agora, aqui em casa, o meu marido dorme depois de se queixar ('um gajo não consegue descansar'). Eu descanso, escrevendo.

Estive a ver as notícias no mundo por esses jornais online e não sei se é do cansaço que tenho em cima ou se é que o mundo anda mesmo desengraçado. Por cá, os onlines apenas dão destaque a palermices que o láparo diz ou a uma estranha atracção pela exumação contabilística de vítimas ou a populismos de trazer por casa. Não tenho paciência. Entre um xenófobo suburbano, uma política com a cabeça mais vazia que uma sapateira cheia de aguadilha e que tenta imitar as peixeiras em gritaria e um partido esvaziado que cavalga cada onda que lhe pareça trazer sangue ou porcaria, não consigo optar por nada.


Desloco-me, então, para outras paragens.

Descubro, perplexa, que os jiadistas cultivam a poesia, são incentivados a dedicar-se à literatura, que aprendem boas maneiras, que são sensíveis à elegância de atitude. Que, pelo meio degolem quem se lhes atravesse pelo caminho, não parece ser, para eles, uma contradição mas um acidente de percurso.
Terei que voltar ao assunto com mais tranquilidade pois temo que precise da cabeça a funcionar a pleno para poder perceber o que vi escrito. O mundo tem tantas surpresas e incompreensões que a minha pobre mente não está suficientemente ginasticada para poder entrar facilmente em todos os labirindos que nos aparecem pela frente, uns mais atraentes outros mais assustadores, esquinados, escondendo monstros elegantes que se dedicam à poesia.
Passo então para os novos palácios, os novos monumentos. Mas não palácios venezianos, não belos edifícios renascentistas, não, nada disso. 

Inward-looking?
A rendering of Apple Park in Cupertino, California,
the company’s global headquarters designed by Norman Foster + Partners.
It’s ‘a 100-year decision’, says Tim Cook, Apple’s CEO.
Os novos príncipes não surgem da aristocracia de antanho. Os novos fidalgos vestem jeans, têm ideias loucas numa garagem, arranjam amigos que os acompanham, vão por aí fora. São outros os mundos. De repente são dos homens mais ricos do mundo, são cortejados, distribuem oferendas, criam fundações. Quando se dá por ela, têm a trabalhar para eles muitos milhares de pessoas a quem eles querem felizes para que melhor produzam. Para isso, os novos senhores do mundo contratam os melhores arquitectos, pedem que lhes desenhem os edifícios mais arrojados, que criem novas formas, que inventem novos materiais, que tragam árvores raras das selvas mais recônditas, que façam nascer água e inventem rios, que no meio dos escritórios haja parques frondosos, ginásios, cinemas, bibliotecas. Leio isto e fico ligeiramente incomodada. Que novos produtos são estes que, do nada, geram tamanha riqueza? Faz isto sentido? Twitter, Facebook. Por exemplo. Como é que eu me enquadro este admirável mundo novo? Eu, que me encanto com a requintada filigrana da folhagem das árvores ao cair da tarde, como posso perceber o poder incomensurável destes novos reinos que comandam o mundo?


Entretanto, na RTP 1, passa A Última Paixão do Sr. Morgan. Já tinha visto mas estou a gostar de rever. Gosto da serenidade que vem das histórias bonitas, bem representadas. 

Não vos maço mais pois, como vêem, não tenho nada de mais para dizer. Nunca tenho nada de mais para dizer.

Hoje recebi vários mails de Leitores mas dois deles tocaram-me mais. Num deles, quem me escreve diz que gosta de me ler e que gosta de mim. Noutro, quem me escreve preocupa-se comigo, acha que há um tom de preocupaçao no que tenho escrito, pergunta-me pela família. Sinto-me tocada. Escreve-se como se se escrevesse sem ninguém aí desse lado, 'meu querido diário', e depois, quando se recebem palavras de afecto e cuidado, percebe-se que o mundo das palavras é afinal parte do mundo de verdade.
Hoje, quando perguntei à minha pequena leoa de olhos transparentes o que gostava de receber pelo aniversário, disse-me que queria um diário. Perguntei-lhe para quê. Disse-me que era para escrever sobre aquilo de que gostava ou não gostava, sobre os amigos, sobre coisas, e que tinha um cadeado com uma chave. Minha menina querida. Vai fazer sete anos, adora ler e agora quer ter um diário. Eu disse que lho oferecia eu. Depois perguntei-lhe se já tinha falado nisso a outras pessoas. Disse que a muitas. A ver se consigo ser eu a dar-lhe. 

Lá fora o vento dança nos ares e eu, que tenho os vidros abertos, sinto a frescura da noite. Gosto de estar assim, na sala quase às escuras, a sentir o ventinho a entrar, a escrever. 

Mas já escrevi demais. Tantas vezes me aconselharam: na internet os textos querem-se curtos, meia dúzia de linhas, se tanto. E eu que não aprendo.

Mas vou acabar. Antes, vou escolher fotografias do campo para povoar estas as minhas palavras. Gostava que a luz que eu vejo pousada sobre as folhas e sobre os muros chegasse intacta até vós. E gostava de vos poder oferecer os figos que começam a ficar carnudos e doces e as amoras que, quando tintas, são doces que só visto. Como não posso, deixo-vos aqui estes pedacinhos do meu paraíso na terra. 


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Desejo-vos a todos, meus queridos Leitores, uma bela semana a começar já por esta segunda-feira.

Sejam felizes.

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domingo, julho 23, 2017

Eu, em palavras e imagens






É verdade: ali acima sou eu. Estava deitada no meu quarto in heaven quando fui fotografada. Há pouco, descobri com a Gina uma aplicação que permite aplicar efeitos às fotografias. Claro que me pus logo a fazer experiências. Peguei numa fotografia minha e escolhi o efeito Gauguin porque gosto de Gauguin e porque não distorceu ou desconfigurou a imagem original. De resto, está até bastante parecida porque as cores da túnica que tinha vestida e da colcha e das almofadas não andam muito longe destas. Mas, claro, na verdade não tenho um braço cor de salmão e outro amarelo.

Na fotografia abaixo, sou eu outra vez mas, agora, com o efeito 'abstracto'. Estava ainda deitada de barriga para baixo e a fotografia quase só apanha o meu cabelo e um pouco do rosto de lado bem como um pouco de uma echarpe que tinha posto pelas costas para me aquecer (quando, antes, tinha estado a dormir).

É a segunda vez que me mostro e, tal como na vez anterior, acho que fica claro que não quero mostrar-me. Aqui, no blog, não tenho nome nem rosto. Aqui sou apenas as minhas palavras, as músicas que gosto de ouvir, as fotografias que faço ou que escolho de outros. Só assim me faz sentido aqui estar. A exposição com cartão de cidadão na mão ou enquanto perfil no facebook não me interessa. Para isso não tinha um blog, tinha outra coisa qualquer. E, com isto, não critico quem se apresenta com nome e fotografia e descreve à minúcia as suas dores. Estou apenas a dizer que esse não é o meu registo -- e, sendo este um espaço de liberdade, que cada um seja como quer ser que está tudo certo.


Durante o dia não tive muito tempo para ler mas, ainda assim, consegui prosseguir a gostosa leitura de Caminhos e Destinos. A escrita diarística agrada-me. Mesmo que fale não de nós mas do que pensamos, ou de outros, ou de memórias ou de sonhos ou de invenções -- acho que somos nós, no dia a dia, deixando um registo nosso que fica inscrito no tempo que passa.

Gosto de aqui escrever e, se calhar, o Um Jeito Manso é mesmo (quase) um diário.

De tarde, estava a ler o que o autor diz da escrita diarística e a pensar que, se eu tivesse paciência, gostava de reler, ao acaso, apontamentos que por aqui vou escrevendo. Será que conseguiria recordar-me de tudo o que escrevi? De tudo o que vivi? Tenho alguma curiosidade em ver o que escrevi quando estava a passar por situações complicadas e o omiti, escrevendo como se estivesse feliz e descontraída. Em alguns casos apenas o referi mais tarde, noutros nunca falei. Não me lembro do que escrevi mas lembro-me (e lembro-me porque ainda hoje isso acontece) que, nesses dias, antes de escrever, penso sempre que não vou conseguir fazê-lo. E, no entanto, por um qualquer mecanismo que desconheço, ao pousar os dedos no teclado é como se um véu descesse sobre os problemas e uma janela luminosa se abrisse para um mundo em que nada de mal se passa comigo ou com os meus. 

Lembro-me dos dias em que recebi a notícia gloriosa de que mais uma criança estava para chegar e que, por ser isso um assunto tão milagroso e me trazer uma felicidade tão íntima, o guardei para mim. E lembro-me da tristeza indescritível quando, por duas vezes, o milagre foi involuntariamente interrompido. Ou da expectativa boa que sempre antecede a chegada de cada criança. E, no entanto, nada disso transparece do que escrevo.

Ou quando há doenças, medos, ou, pior, quando há partidas. Apenas falo quando o susto passou e é quando falo ou, em casos muito especiais, falo em quem partiu mas só depois, quando arranjo forma de honrar a memória de quem partiu sem que a minha emoção se sobreponha.

Ou outros casos. Não sei como consigo eu isso. É como se pusesse na zona de sombra a parte de mim que não quer ser vista ou que não quer revelar os seus espaços de intimidade. Ou como se, sendo eu uma mulher de corpo inteiro, me cobrisse com o tal véu que me oculta tal o faço como na imagem em abaixo em que cobri o rosto com uma echarpe (neste caso, à fotografa dei o efeito 'beleza').


O tempo passa e eu vou mudando. Não tenho dúvidas disso, desde logo a nível físico. Mas sei que há uma linha que se mantém, íntegra. Vislumbro nas minhas memórias ecos do que sempre fui. No mais essencial de mim sou sempre eu e sempre a mesma. Ainda que não me mostre com nome, com rosto, com descrições exactas de quem sou, do que faço, dos problemas que tenho -- sou sempre eu. Mesmo quando ficciono ou falo como se fosse eu, sendo outra, ou mesmo que nada diga e apenas barafunde ou ria ou desdiga, sou sempre eu.

Reler-me talvez me ajudasse a conhecer melhor a mulher de quem tenho uma imagem cadeidoscópica. Talvez percebesse que, com mais ou menos cores, com mais ou menos efeitos, com ou sem filtros, sou, afinal, sempre igual e sempre completamente transparente. Não sei. Sinceramente não sei. Quem sabe se, para vocês que por aqui me acompanham, a minha imagem até não é um pouco mais definida do que é para mim. Se calhar é. 

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Nem eu.
Marie Maurice e Salvador Sobral


Sem palavras minhas, que não fazem falta para nada, apenas as imagens de Marie Maurice e a voz de Salvador Sobral que interpreta Dorival Caymmi



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A todos quantos aí estão desse lado desejo um feliz dia de domingo.

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sábado, julho 22, 2017

Nada de mais





No carro, à noite, dormi. Aqui chegada, enquanto tentava perceber quais as novas, adormeci de novo. Sei que é verão mas, apesar de ver uns a partir e outros já a chegar, bronzeados, e eu estar a precisar tanto de férias e descanso, por uma qualquer convergência astral que os horóscopos têm vindo a revelar com a devida antecedência, o trabalho tomba-me em cima. Também por uma qualquer curiosa coincidência, é o tipo de trabalho de que gosto. Para onde me vire, mais trabalho e trabalho do bom. Também por uma inexplicável coincidência aparecem-me oportunidades para arranjar facilmente quem venha trabalhar comigo. Hoje, chegada a um dos locais, numa mesa, três talentosas meninas que comigo trabalham numa das áreas. Contei-lhes: vai vir mais uma pessoa. A oportunidade existe, aprovada. Só tenho que encontrar de quem eu goste. Se conhecerem alguém... Elas admiradas: mas não tinha dito nada... Pois não. Nem eu sabia. 

Por vezes, tempos a correrem sem nada de novo, uma sensaboria, chega-se ao fim do dia e parece que foi apenas mais do mesmo. E eu sou de coisas novas, desafios malucos. A rotina maça-me. Outras vezes, quero alguém para trabalhar comigo e é um calvário, as empresas em contenção total, nada de admissões. Outras vezes, nem é isso, é não se encontrar alguém com quem eu perceba que se vai encaixar no meu registo. Se é para ser alguém que não me convence, prefiro nem.

Daquelas três meninas, uma trabalha comigo há uns nove anos. Uma autonomia completa, competente. As outras há meses. Impecáveis as duas. A 'crescerem' a cada dia que passa. Dou liberdade de movimentos. Não tenho tempo nem paciência para andar em cima. Peço é que façam mesmo aquilo que pensam que não sabem fazer. Quando está pronto, quero validar. Empurro-as para a frente. Exponho-as mesmo quando sentem insegurança. Eu estarei lá para as amparar se alguma coisa correr mal. 

Não controlo os horários que fazem. Têm que chegar mais tarde ou sair mais cedo ou ficar a trabalhar em casa pois que fiquem. Mas o trabalho tem que aparecer feito a tempo e horas. E aparece. Parecem outras agora. Há uns meses não sabiam aquilo de que seriam capazes tão pouco tempo decorrido. 

Tenho tido mais sorte com mulheres do que com homens. 

Tenho lá um também há pouco tempo. Não ousa, não arrisca como elas. Peço que não seja tão tímido, que fale, que proponha, que se mexa. Sorri, ar apanhado. Chamo-o, peço que me esclareça sobre aquilo que ele não sabe. Digo-lhe que tem que se informar, que não quero que me diga que não sabe como se isso fosse um ponto final no assunto. Procure, informe-se. Sorri, tímido. Não sei se vou conseguir que dê a volta. As outras pessoas dizem-me que sim, que ele se faz, que está mais desinibido e que tem uma boa atitude. A ver vamos.

Mas elas são outra coisa. Lutadoras, resistentes. E divertidas, bem dispostas, simples. 

(Estou a divagar. Isto vinha já nem sei bem a que propósito porque o que eu estava a dizer é que o pior é este volume tão grande de trabalho, numa altura em que estou a precisar tanto de férias. Chego à noite e adormeço, vencida pelo cansaço. Estou a escrever quase a dormir. Só não vou para a cama porque parece que o dia fica coxo se não tiver este bocadinho para mim)

Adiante.


Hoje, quando ia no carro à hora de almoço, ligou-me, de novo, um ex-colega, aquele que tem uma doença degenerativa. Mal se percebe o que diz. Estava num lugar com muito ruído, não sei se seria no hospital. Pedia-me que eu o ajudasse numa certa situação. Mas eu mal percebi o que disse, só percebi a ansiedade. E tive uma tarde de tal forma sobrecarregada que não consegui tempo para pesquisar na internet para tentar localizar ou perceber aquilo que me pareceu que ele disse, para, então, tentar fazer o que me pediu. Estava com receio que me ligasse à noite a ver se tinha conseguido pois, quando está aflito, fica de cabeça perdida e não consegue esperar que eu lhe ligue, liga-me ele consecutivamente. Até tremo quando vejo o nome dele no telemóvel. Precisava era de estar num lugar, acompanhado, bem tratado. Mas não. Quer estar em casa e diz que vai lá uma senhora ajudá-lo. Não sei, naquele estado, como é tal possível e, por isso, compreendo bem o desespero em que fica quando está pior. Gostava de poder ajudá-lo mais mas não sei como. No outro dia estive para aí uma meia hora a falar com ele ao telefone, eu sem perceber mais de metade do que ele dizia mas sem querer dar a entender que não percebia. Quando acabei de falar, estava estourada.

Enfim, situações de doença e solidão.

Voltando ao trabalho.

Ao fim da tarde, vi passar no corredor um homem muito grande, um corpanzil andante. Percebi que ia atrás de alguém mas não vi de quem. Desconhecido, ele. Pensei: mas, a uma hora destas, de onde é que apareceu este urso da montanha? 

Antes de me ir embora, fui ao gabinete de uma outra jovem mulher que também trabalha comigo. Sabia que ela ia de férias, fui despedir-me, saber se o trabalho estava todo em ordem, os pendentes passados aos colegas, desejar-lhe um bom descanso. Estava junto à porta e ela na secretária dela. Depois ela aproximou-se e eu também, para ela me mostrar um papel. Reparei, então, que o big bear estava sentado na secretária em frente dela. Diz-me ela: o meu marido. O urso grande sorriu, acenou com a cabeça, mas não se levantou. Ela sorriu e notei que havia algum embevecimento no seu olhar. Penso que gostou que eu conhecesse o seu homenzarrão. E eu também gostei. Conhece-se melhor uma pessoa quando se conhece de quem ela gosta. Vai de férias quatro semanas e nem ela sabe a falta que me vai fazer. Mas bem merece férias, coitada, que é outra guerreira que ali está.

E, portanto, é isto. Consegui almoçar num lugar agradável mas não tive tempo para passear por lá. E jantei ao pé da praia mas também não houve tempo para passeios à beira-mar. A ver se este sábado consigo tempo para dormir, para caminhar, para fotografar, para jardinar. Mas ao fim do dia já tenho um compromisso e domingo é dia cheio como um ovo. Portanto, restam-me os interstícios. Mas a mim cada minuto de fruição sabe como um dia de spa e, portanto, tudo bem.


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E, com isto tudo, como é bom de ver, a verdade é que nada tenho a declarar e, portanto, tendo estado para aqui a escrever sobre nada de mais, tento salvar o post com uma série de fotografias que acho extraordinárias. São de Lissa Rivera, integram a série Beautiful Boy que explora de forma fantasista ou nostálgica, nem sei bem dizer, questões ligadas à identidade e ao género, e venceram o prémio Magnum na Série de Retratos  


E também aqui tenho comigo Natalie Merchant a interpretar Ophelia -- porque Natalie Merchant é sempre uma boa companhia.

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Desejo-vos a todos, meus Caros Leitores, um sábado muito bom.

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sexta-feira, julho 21, 2017

Hugo Soares e Ferro Rodrigues:
conselhos da Sta UJM a um e a outro


Sobre Hugo Soares pouco tenho a dizer. Na verdade, nada. Eu que, a escrever, sou tão palavrosa, chego a este tema e nada me ocorre. Não sei quem seja. Melhor: não sei o que fez na vida. Não sei se sabe fazer alguma coisa. Para mim é a Kardashian do parlamento português: Hugo Soares é conhecido por ser conhecido. Mas é um conhecimento oco. Se estivéssemos no domínio das álgebras boleanas, a ter que se dizer alguma coisa sobre Hugo Soares, poderíamos dizer que é um conjunto vazio ou cheio de tretas das quais só se conhece o estado zero ou em que, nele, as ocorrências se auto-anulam. Mas palpita-me que o Hugo Alexandre não frequenta propriamente praias boleanas e, portanto, assim sendo, sobre matemáticas e outros temas que envolvam algum rigor, pouco mais tenho a declarar sobre a criatura. 


Com a sua tenra idade e a sua experiência de jota receio que lhe falte algum mundo e que seja do tipo olha para mim a pôr-me a jeito sem perceber que tenrinhos assim são bons para serem comidos ao pequeno-almoço por tudo o que é macaco de rabo pelado. Não que me importe, note-se. Muito pelo contrário: o gáudio está assegurado. Além disso, se a álgebra boleana não é a praia do Huguinho também o deserto laranja não é o meu.

A minha cena é mesmo que acho que faz falta haver oposição. A democracia é mais saudável quando é frequentada por gente inteligente dos vários lados da contenda. Agora assim, é uma pena. 

Por exemplo, ao que consta, o puto Huguelas resolveu meter-se com Ferro Rodrigues. É daquelas coisas que, fosse ele inteligente, media melhor com quem se metia. Podia, por exemplo, meter-se com a Meireles que está mais ao seu nível. Mas da Meireles deve ele ter pavor (e percebe-se; puxa, só de olhar para ela... medoooo...). Podia meter-se com os jovens matulões do PCP ou com o João Galamba que é tudo malta quase da sua idade mas, ora chiça, com eles é que ele não se mete. Pudera, quem tem cu tem medo. Pois bem. Foi pôr-se a ladrar às canelas do Ferro Rodrigues. Claro está que Ferro Rodrigues -- com idade para ser pai dele e com uma rodagem intelectual que nunca o Huguinho alcançará nem que viva mais anos do que o Matusalém -- o enquadrou de imediato. Com bonomia e alguma ironia, perdoou os dislates juvenis do recém empossado líder da bancada do PSD. Fez bem. Mostra grandeza de carácter ao conseguir aguentar-se e não parodiar o pobre coitado do jovem Hugo Alexandre.


Mas com isto não estou a pôr-me fora do assunto. Quando me vejo perante situações destas, o espírito de uma qualquer Madre Superiora que, noutra encarnação, certamente possuíu os genes desta vossa santa que vos escreve, desce em mim e eu fervilho de vontade de ajudar.

E é isso e só isso que aqui me traz.

Vou aqui colocar um vídeo que espero que o juvem Hugo Alexandre veja com atenção. 


Para se destacar por alguma coisa na Assembleia deverá ele, em cada dia, encenar uma nova postura. Em vez de para ali estar sentado na bancada, quiçá na baderna com o larápio, não senhor. À frente da dita bancada faz uma performance. Sozinho ou com alguns amiguinhos da bancada. Diga que é arte. Pode até promover uma votação diária para um certo conjunto de jurados eleger qual a posição mais original. É que assim haverá o que dizer das intervenções parlamentares do Hugalex: hoje estava de escocês sem roupa interior. Ou: hoje apresentou-se de varina com uma cesta de sardinha congelada à cabeça. Ou: imagine-se aquela cabeça do Hugo, um iluminado, que hoje apareceu paramentado de doutor Honoris Causa da ilustre Universidade de Verão da JSD. Estaria garantido: sempre mediático e a suscitar debates esquerda-direita nos canais televisivos -- que é o que verdadeiramente interessa.


Vejamos então:

Exemplo de posições possíveis para o jovem Hugo Alexandre se apresentar nas sessões do Parlamento

[Aquilo do idiota ideal não tem nada a ver. Ideal a que propósito...?]


Quanto a Ferro Rodrigues, o que aconselho é que veja o vídeo abaixo e treine fazer igual: de novo John Bercow, o Speaker do Parlamento do Reino de Sua Majestade. Ensaie as vezes que forem necessárias para nos proporcionar momentos destes, em especial quando a nova estrela do nosso parlamento pedir a palavra para dizer coisas que devem fazer revolver o Sá Carneiro esteja lá ele onde estiver. Order! Order! Ou Senhor Deputado Hugo Alexandre, escreva mil vezes: 'vou fazer ginástica mental a ver se consigo parecer inteligente'.





E sobre a temática parlamentar com Hugo Soares nesta sua nova posição nada mais tenho a acrescentar. Limitação minha, assumo.

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Permitam que vos aconselhe agora um passeio bem diferente: desçam, por favor, até ao post seguinte e penetrem no calendário Pirelli 2018
Uma loucura.

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Pirelli 2018 - going wild



Gosto de fotografia, gosto de beleza, gosto de elegância, gosto de irreverência, gosto de insolência, gosto de boas mensagens, gosto de ser surpreendida. Por isso, há coisas pelas quais sempre aguardo com expectativa. Uma delas refere-se às imagens do calendário Pirelli. Nele, os melhores fotógrafos, costumam fotografar as mulheres mais belas.

Pois bem, para este ano a Pirelli foi buscar um fotógrafo que é muito cá da casa: Tim Walker. Quando soube disso senti aquela reacção infantil de quem acerta no furo que esconde a bolinha que dá o melhor prémio.


Claro que o resultado não haveria de ser convencional e haveria de ter história, magia, inconvencionalismo, graça. Digamos que, para quem vai à procura de mulheres lindas, descascadas, em ambientes paridisíacos, poderá haver uma desilusão. Provavelmente pensará que se enganou no calendário. Mas o mundo já não é o que era. O ideal ficcionado em que apenas mulheres altas, esbeltas e sorridentes têm lugar, já era. Felizmente muito boa gente tem vindo a pugnar pelo fim da ficção da perfeição ideal e começa a ser consensual que em tudo há beleza, desde que tenhamos predisposição para a ver. E há muitas maneiras de defender a inclusão e uma das mais efectivas é praticando-a. Farta de palavras vazias, declarações inflamadas ou mediáticas bolas de efeito, fico toda feliz da vida quando o insólito marcha orgulhosamente rua afora.

E ver estas imagens ainda mais me agrada quanto, justamente, hoje, no meio de um mar de gente vi uma mulher numa cadeira de rodas e a mulher era apenas meia mulher, e vinha a sair, sorridente, de uma Zara, e vi duas crianças sem um cabelo, nem nas sobrancelhas, com gorros, máscara, rostos inchados e ambas sorridentes e felizes, e um homem que devia ser deficiente mental, muito estranho, vestido de uma forma absurda, e todo ele sorria, feliz por estar ali. E, cruzando-me com pessoas de todas as etnias e culturas e de todas as condições, senti-me muito bem porque a maior felicidade é a normal convivência no seio de um ambiente inclusivo, de genuína aceitação e profundo respeito por todas as pessoas.


Generosidade, compaixão, afabilidade, respeito, empatia, aceitação -- são estados de espírito ou predisposições mentais ou emocionais que tornam o mundo um lugar bom para se viver. Tim Walker demonstrou uma vez mais que este é o seu mundo ao encenar desta forma tão surpreendente a Alice no País das Maravilhas. E logo para o Calendário Pirelli.



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Tim Walker, salut!

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E uma feliz sexta-feira a todos quantos por aqui passam.

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quinta-feira, julho 20, 2017

Sócrates, Hugo Soares, Rocha Andrade e os outros Secretários de Estado, António Mexia, Comandantes variados, Miguel Abrantes et al.
-- ou como o Caso Marquês se cruza com o Galp Gate, com o assalto a Tancos, com as rendas da EDP, com o caso Zeus, com o caso dos bloggers da seita socratina e etc. --
(ou como, na verdade, isto anda tudo ligado)


Os três ex-Secretários de Estado foram constituídos arguidos e vão ficar sujeitos a termo de identidade e residência. O suposto crime que os investigadores do DIAP vão tentar comprovar prende-se com terem ido à bola a convite de um dos patrocinadores da Selecção. É daquelas ficções em que se conhece, à partida, o crime. O suspense prende-se com o making of

Como é que receberam os bilhetes? Como é que foram para o avião? A pé ou de taxi? Se de taxi, quem pagou o taxi? E como é que compensaram o ofertante por tão imensa prebenda? Perdoaram dívidas de milhões? Foram passadas concessões de exploração de petróleo em Massamá? Se não foi isso, então o que foi? 
Muitas pistas a seguir, muitas linhas de investigação. Muito agente disfarçado, muito infiltrado, muita escuta, muitas provas a coligir. Volumes e volumes de informação a tratar. Dossiers infinitos. Coisa para Joana Vidal ir perdoando adiamentos e deixar rolar a coisa durante dez anos. Percebe-se: o caso é grave. Devia era ter-lhes posto pulseira electrónica que o caso não era para menos.

Entretanto, a Operação Marquês soma e segue. Mais dois arguidos. Agora é malta das Estradas e nova frente de investigação foi aberta: agora também o TGV. Aquela malta que trabalhava com Sócrates e que o dizia um trabalhador incansável, não dando descanso a ninguém, não devem ter percebido que ele, afinal, tinha um clone que, enquanto o genuíno tinha reuniões e visitas oficiais, o outro andava a tramar esquemas para sacar uns trocos a toda a gente possível e imaginária. E, trocos a trocos, o manganão foi enchendo o papo, alugando, como cofre, a barriga do anafado amigo.


Portanto, certamente, mais uns meses de investigação. Também se percebe. Aquilo é um novelo. Não há cabeça que aguente tanta pista. Nem o algoritmo da google daria conta de tamanho emaranhado.


E eu, com pena de tão diligentes cromos a quem chovem pistas como cães e gatos em dia de enxurrada e a quem, por cada pedra que levantam, lhes saltam minhocas, suspeitos e crimes às mãos cheias, vendo os anos a passarem sem que, pobres, pobres coitados, consigam deslindar coisa alguma, aqui me predisponho a dar uma ajuda. É o meu lado de musa de Tiepolo: santinha, santinha, santinha. Assim, para que não continuem a aparecer aos olhos da opinião pública feitos baratas tontas ou a aparentar que têm tempo de sobra ou severa carência de neurónios, daqui levanto o véu sobre mais uns quantos factos que, cá para mim, têm tudo a ver.


Read my lips:
1 - É ou não verdade que os três ex-Secretários de Estado conhecem Sócrates? E, em caso afirmativo, que tipo de conhecimento é esse? O bíblico penso que está fora de questão mas, então, que expliquem tudo muito bem explicadinho. 
2 - É ou não verdade que, por trás da manobra dos convites para a bola, está, afinal, a mão emboscada do silencioso amigo de Sócrates? 
3 - É ou não verdade que, no avião, como leitura, as hospedeiras distribuíram aos passageiros livros do Sócrates? 
4 - É ou não verdade que no camarote, no célebre dia do fatídico jogo, foi avistada uma mulher que alguns juraram ser a cara chapada da ex-mulher de Sócrates enquanto outros, para disfarçar, disseram ser Marcelo Rebelo de Sousa disfarçado de Nossa Senhora de Fátima? E quem eram esses outros? 
5 - É ou não verdade que o primo de Sócrates foi visto de óculos escuros num carro conduzido por alguém que parecia ser o motorista Perna nos arrebaldes de Tancos? 
6 - É ou não verdade que Lalanda, Bataglia e Salgado foram avistados, em dias diferentes, em lugares diferentes, tentando simular que não se conheciam? 
7 - É ou não verdade que Mexia (o da EDP) costumava mandar sms a Sócrates a perguntar informações sobre o alfaiate como se toda a gente não percebesse que isso era código e que, na verdade, estava a referir-se às caixas de robalos que oferecia à filha do Vara, numa altura em que estava zangado com a Guta? 
8 - É ou não verdade que Zeinal Bava foi avistado a falar com um jardineiro que é compadre de um sargento que geria uma messe da Força Aérea e que, dias depois, o mesmo Bava se cruzou na autoestrada, embora em sentido contrário (para disfarçar) com Sócrates? 
9 - É ou não verdade que o SIRESP foi visto a falar ao telefone com a Fernanda Câncio, ex-namorada de Sócrates? 
10 - É ou não verdade que o Granadeiro foi ouvido um dia a insinuar que a Manuela Moura Guedes merecia que lhe reduzissem o tamanho da boca, tendo depois vindo a descobrir-se que o interlocutor era admirador da Cristina Ferreira e que, através dela, iria minar as audiências da TVI e tudo para agradar ao Sócrates? 
11- É ou não verdade que os mails do Benfica não são inocentes e contêm, subliminarmente, ordens de pagamento a favor da manicura da mulher do amigo de Sócrates? 
12 - É ou não verdade que foram avistadas umas personagens muito suspeitas a jantar numa casa de fados, parecendo estar todos com cabeleiras postiças louras e lentes de contacto demasiado azuis para serem credíveis, falando em voz muito baixa, tendo um espião que por lá pára, conhecido no bas-fond por Lima do Sótão, deixado cair para a imprensa que ouviu referir um filósofo grego e que se tratavam uns aos outros por Miguel Abrantes, Valupi e Jumento?
13 - É ou não verdade que é muito, muito, suspeito que Hugo Soares tenha sido eleito como líder parlamentar do PSD? Não seria de investigar qual a mão que manobrou atrás do arbusto para que tal inverosímil facto tenha acontecido? Não está bom de ver que é coisa deliberada para enxovalhar a honra laranja e que isso só vai servir para lançar a confusão no argumentário político e, dessa forma, baralhar os jornalistas e, por conseguinte, beneficiar a estratégia de defesa de Sócrates?


E podia continuar a dar pistas. Mas vou com calma, fico-me, para já, pelo número da sorte para não fundir a mente do nosso querido Saloio de Mação, o Super-Judge Alex, ou a do Procurador Rosarinho Teixeira, sempre tão eficaz, ou a dos outros que devotam a sua humilde vida a perseguir nobres causas e que, nessa senda, coitados, mal têm tempo para refeiçoar ou para pensar.


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A ver se com esta minha preciosa ajuda conseguimos finalmente chegar ao mega-julgamento pelo qual tão impacientemente aguardamos




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Um dia risonho a todos quantos aí estão desse lado

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