Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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quarta-feira, dezembro 11, 2019

Joacine & Tavares, um deus me Livre de 19 mais 22 horas de lavagem de roupa suja.
Os coelhos em risco de extinção e eu sem saber se ria se chore.
O Super-Judge Alex a mostrar ao mundo que macho mais alfa não há: quer porque quer interrogar o Costa.
E eu, face a isto tudo, começo é já a distribuir presentes pelos Leitores.
Jingle bell, jingle bell.
Oh-oh-oh.


Não vou falar de lavagem de roupa suja ao retardador. Não dá. Se fosse uma simples lavagem, em programa rápido, ainda ia que não ia. Agora 22 horas... Só se eu fosse parva. Ainda por cima com pré-lavagem. 19 horas de pré-lavagem. É certo que de cada vez que a Joacine tem alguma coisa para dizer há que multiplicar o tempo por 10. Mas um partido com meia dúzia de pessoas e uma única deputada (que se passeia com um assessor de saias, escoltada por um GNR de calças) e que, ao fim de um mês, andam todos à trolha e, para resolver a questiúncula, precisam de 19 mais 22 horas... é coisa de doidos. De doidos varridos. Poder-se-ia perguntar: quem nunca? mas eu teria que levantar uma tabuleta a dizer: eu nunca. Eu nunca dei pão para malucos. Eu nunca papei partidos burocrático-experimentais com senhoritas divo-alternativas. Portanto, passo.

Também não vou falar naquilo de os coelhos poderem estar a correr risco de extinção. A questão é que isso desencadeia em mim uns so called mixed feelings. E nem é que goste de comê-los. Não gosto. Em tempos, no meu período bárbaro, não queria cá saber de pruridos: comia-os de gosto, de preferência à caçador, ainda a saberem a ervas do campo. Agora nem pensar. É daqueles casos em que já estou como o outro, associando-os a quando andam, fofinhos, aos saltitos. Mas, por outro, há aquele caso do láparo. Não que deseje a sua extinção física, nem pensar. Mas política, isso, era para já. Extinção de penalti. Ele e mais o outro da carinha sarcástica, o seu homenzinho de mão, aquele que agora anda a moer a paciência ao alpacas. Ou seja, não é tema que me assista em termos blogosféricos.

E depois há aquele tema extraordinário, coisa para ir parar aos casos do Além. O Super-Judge Alex, esse macho alfa da Justicite tuga, resolveu que há-de interrogar António Costa. E se o Super-Judge quer, quem é que tem poder para o impedir? Em Portugal, os malucos mudaram-se em peso para a Justiça e não há quem lhes deite a mão. Parece que a coisa tem a ver com Tancos. Não sei se acha que, apertando-o ao vivo e a cores, o Costa, qual delator premiado, vai entalar o Azeredo ou se é mais do que isso e tem daquelas suspeitas profundas que o costumam assaltar. Por exemplo, não me admira que ande a magicar que o Costa está feito com o Fechaduras ou a intuir que isto está mas é tudo ligado e que, para surpresa geral, foi o Costa que contratou o Fechaduras para arrombar o cofre da mãe do Sócrates para pagar a entrada da casa de campo da Fava, quiçá a troco do namorado dela convencer o Vara a aceitar os robalos em vez de uma casa de campo em Vale de Lobo e, en passant, a convencer o Perna a fazer atrasar os pagamentos das obras do apartamento de Paris sabendo que com isso ia servir para disfarçar que o Salgado, o Bava e o Lena estavam todos feitos com o célebre e saudoso Magalhães, o computador com super-poderes. Mas como o caso está em segredo de justicite não posso aqui falar de nada. Uma pena.

Portanto, impedida de tecer loas a uns e a outros e sem vocação para bababus e papatás, passo já aos presentinhos para os meus queridos Leitores que tanta paciência têm para aturar os meus anti-posts. Não digo para quem são, estão aqui à disposição e cada um que escolha o que quiser. Não há coerência entre eles justamente por isso mesmo: pressinto que entre os meus Leitores também não haja uma coerência por aí além. Portanto, para quem gosta de rir, está um, para quem goste de raining men em trajes menores há outro, para quem goste de orgias, incluindo elas-com-elas -- e pelo menos uma, a filha da Srª Dona Madonna, com trunfa no sovaco -- há outro e, finalmente, para que se perceba que isto é porque é Natal, temos uma christmas song mas comme il fault, com Mr Bob Dylan todo bento e devoto, oh-oh-oh.










E talvez a partir de agora, de vez em quando, volte a distribuir cadeaux para vocês. E reparem os senhores do Porto como isto do vocês é tão de tia, tão de alface em versão beta, tão de quem vive numa concha, tão de quem, na verdade, gosta de uma boa conchinha. Se é que me entendem.

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Como é bom de ver, as fotografias de animais como noses não têm a ver com nada. A menos que tenham, claro. Foram repescadas no Unsplash e no Pexels por Ahmad Habash e por Titas Burinskas e avistei-as no Panda Entediado.

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E queiram agora fazer o favor de descer para verem uma coisa boa de mais: Banksy em registo natalício.

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E um dia bué bom para vocêzes.

sábado, junho 16, 2018

Rescaldo do jogo Ronaldo-Espanha com uma anedota, duas fotografias malucas e um momento musical à laia de tremoços


Estou de volta. Já fomos jantar fora e dar um beijinho e um presente a uma aniversariante e, agora, de novo, na sala. O meu marido, como habitualmente, vê os momentos mais relevantes do jogo.

Não percebendo eu grande coisa de futebol, quando me ponho a ver, nos momentos decisivos, gosto de estar de pé a viver intensamente o momento. Assim foi há bocado, depois do 3º de Espanha, quando vi a coisa mal parada. Sofro com estas coisas. O meu marido nem se mexe, deitado no sofá, vociferando de vez em quando, mas num estado de concentração como se se estivesse a preparar para marcar um penalti. Eu, em contrapartida, de pé, a cantar 'vamos lá cambada, todos à molhada, isto é futebol total' e a vibrar e a sofrer e a saltar.


O que gostei de ver o Ronaldo a concentrar-se para a jogada que deu o 3º... Uma coisa quase sobrenatural. Todos os seus tendões, todos os seus músculos, toda a sua respiração, todo o seu corpo e alma naquele olhar cego de guerreiro que se prepara para vencer mais uma batalha. Uma coisa do além. E a precisão daquele pontapé... Uma coisa extraordinária. É preciso um fabuloso conhecimento empírico do que é o cálculo vectorial cinético e a termodinâmica do binómio pessoa-bola para fazer uma tal proeza. Fiquei vidrada na transcendência daquele momento. Acresce que, com o cabelo bem aparadinho, até perde um bocado aquele ar meio chunga que me obriga a desconcentrar-me dos seus méritos. Assim, normalzinho e bonito como agora está, consigo focar-me, por inteiro, na sua soberba sinergia entre a musculatura, a perícia e a energia instantânea. Penso que é a uma tal capacidade de total e exclusiva entrega ao momento que, por aí, se chama mindfulness.
[Bolas, bolas, bolas: a comentar assim o futebol ainda faço concorrência ao Rogério Casanova, essa intrigante criatura com que eu, não sei bem porquê, secretamente engraço]
Adiante.


Enquanto eu louvo vibrantemente aquele 3º golo do Ronaldo, o meu marido, sempre contido, põe-se a dizer que o 2º foi frango do guarda-redes espanhol. Tenho que mostrar o meu desagrado: se não achou excepcional o 2º, pois que se concentre nos que achou excepcionais. Diz-me que o Ronaldo não faz outra coisa senão jogar futebol. Tive outra vez que dizer que o Ronaldo como todos os outros, só que os outros não têm aquele superlativo grau de perícia. Diz que sim, que Ronaldo é bom. Acrescenta: muito bom. Dito por ele e neste tom de voz, confirmo: Ronaldo é, pois, mesmo muito bom já que elogios fáceis ou adjectivos entusiásticos não abundam aqui deste lado. 

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Entretanto, o meu marido adormeceu e eu para lá caminho. Portanto, se me permitem a preguiça, vou dar uma nova volta a mails transactos. 

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Para começar, uma fotografia enviada pelo querido Eugénio que é de uma simpatia inexcedível.


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E agora uma anedota também enviada pelo Eugénio que, se ele não me levar a mal, vou enfeitar com uma fotografia que descobri da enfermeira Antonieta.
O Maneli, alentejano de gema, adormeceu na praia sob um sol escaldante e sofreu graves queimaduras nas pernas.  Foi transportado para o hospital de Beja, com a pele completamente vermelha, cheio de bolhas, e as dores eram horríveis. Qualquer coisa que lhe tocasse na pele ... era a mais completa agonia!  
O médico, um alentejano de Serpa, foi ver o Maneli e prescreveu que lhe fosse administrado soro, por via intravenosa, um sedativo leve e 3 comprimidos de Viagra de 8 em 8 horas. 
Antonieta, a enfermeira de serviço também ela alentejana, da Vidigueira, completamente boquiaberta perguntou: 
- Oh Doutori, vomecê desculpe ... mas vomecê receitou Viagra ?!!! 
Responde o médico: 
- Si senhora, recetê Viagra e muito bêm. 
A Antonieta volta a perguntar: 
- Mas atão pra que serve ao Maneli o Viagra nas condições em quele tá? 
Ao que o médico respondeu: 
- Atão nã se tá memo a vere ? É prós lençóis nã tocarem nas quêmaduras das pernas !!!
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E, agora, vamos lá cambada, vamos ensaiar para cantarmos, em coro, na próxima jogatana da nossa rapaziada!

Bora lá fazer coro com o José Esteves.


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E agora salut! À vossa!

quinta-feira, agosto 07, 2014

Alô, alô, alguém me informa? Mas que raio de ultra-poderes é que desceram no corpo de Carlos Costa-o-Mau que anda a tratar tudo o que lhe cheire a Espíritos como se fossem os Távoras...? Senhores, que o Caça-Espíritos não poupa nem avós nem netos, vai tudo à frente. As contas de Marcelo Rebelo de Sousa ou Miguel Sousa Tavares também terão ido no arrastão? Pergunto.






Eu devia ter sido benzida à nascença para os neurónios se me terem desenvolvido como deve ser e não me sentir tão burra perante coisas que são tão claras para luminárias como o Gomes Ferreira ou o Henrique Monteiro. 

Aconteceu esta coisa do BES que para mim é estranhíssima e, quando estou para aqui a fazer Ts mentais ou a ver se percebo o racional da coisa - sem perceber que balanço é que engendraram para o BES novo e para o BES velho, e se tudo o que era mau ficou no BES mau, por que raio de carga de água é que é preciso tanto dinheiro fresco no novo (será que há mais porcaria nas contas? crédito à habitação excessivo face ao valor das casas? coisas assim...?) - ouço o Gomes Ferreira ou leio o Henrique Monteiro e ambos, doutos e iluminados, concluem que, uma vez mais, batatinhas, que é como quem diz: TINA

E que isto não foi uma nacionalização e que isto é uma coisa tão boa que a gente até lambe os beiços perante coisa tão bem esgalhada, ou seja, que não apenas TINA como a TINA é do melhor que há. 

E lá me aparece também na televisão a Poiazita a dizer que é bom mas tão bom que a partir de agora tudo se regerá por tão bons parâmetros e depois o Vice-Irrevogável a dizer que foi aceitável e mais uns quantos na televisão, já um bocado a medo, sem perceberem que cena é esta mas, por via das dúvidas, TINA. E agora aparecem-me uns desconhecidos a dizer que o que isto é, é uma valente trapalhada. Bolas. Em que é que ficamos?

NOVO Carlos Costa,  só carne limpa;
o velho Carlos Costa, o Caça-Espíritos, é outro

É que eu, confesso, quanto mais sei disto, mais baralhada me sinto.

Parece que adormeci e que, quando acordei, acordei numa outra era.

Para minha surpresa, um sujeito de cabelinhos brancos que a gente pensava que andava a dormir na forma, a deixar os bandidos actuarem na maior descontracção, afinal é capaz de pintar a manta toda.

Às tantas, se os deputados esta quinta-feira o obrigarem a despir-se, ainda ficam banzados: só músculos e abdominais de aço. Carlos Costas, o novo CR7. E com a D. Inércia ao lado, a Albuquerca fofinha, do narizinho franzido, toda mignonne.

Bem. Adiante.

Hoje só tive conhecimento de coisas bizarras.



O casal do casal da Coelha

Uma delas é que, aparentemente, por ele e o conhecido Láparo, coadjuvados pela Bela Adormecida que jaz em Belém (agora provavelmente também a banhos na Coelha), terem dito que não mexeriam uma palha pelo BES, os chacais dos Fundos ficaram de dente afiado e vieram filar a presa indefesa, apostando forte em como conseguiriam atirar com o banco ao tapete. Já antes, quando foi a crise da dívida, a maltosa que cheira à distância a carniça se fartou de ganhar dinheiro com os CDS à conta da Grécia. Pudera. Gostam de carninha ainda fumegante e têm o caminho livre. E conseguiram, claro.


Portanto, e já Lavoisier tinha desconfiado disso, se uns perdem, outros ganham - e com a bolsa aberta e sem que o BdP ou o Governo se dessem ao trabalho de informar a CMVM de que qualquer coisa se ia passar, o galinheiro continuou alegremente ao dispor enquanto os especuladores se serviam, no maior forrobodó. Ah que bom que é este Portugal, gente mais hospitaleira e mansa.

O arauto do regime passo-cavaquista


Ouvi agora Pedro Silva Pereira na SIC N a dizer que antes do decreto assinado pelo vice-Portas no domingo, no tal Conselho de Ministros virtual, já o Conselho de Ministros de dia 31 tinha aprovado um decreto que abria o caminho para a solução que o porta voz do regime, o conhecido calmeirão de serviço, haveria de anunciar ao País no sábado.


Ora pois. Então já se sabe como é que os 'mercados' adivinharam que a bomba ia rebentar. Já para não falar na PT, esse modelo de excelentíssima governance, que antes teve o cuidado de sacar de lá os depósitos todos.

Ah, meus Caros, os escritórios de advogados já devem andar a esfregar as mãos: ui, ui, tanto material para litigar....

Bem.

Ainda mal eu estava aqui a digerir isto, quando dou uma volta pelos jornais e vejo aquilo de que ontem já tinha ouvido referência. Contas dos Espíritos, dos administradores, dos TOCs, e das famílias para cima e para baixo tudo no banco mau. Tudo a arder. Resta saber até onde chega a sanha persecutória ou, na árvore genealógica, em que ramo Costa dá tolerância.

O namorado de uma Administradora do BES
que, às tantas,
para tomar banho, só se for no alguidar

(mas, mesmo assim,
há-de continuar a dar-nos música)


Claro está que não me vou pôr aqui a chorar por eles (apesar de ser sabido que sou um coração de manteiga). Sei lá se essas pessoas ainda lá tinham alguma coisa nas contas...? Às tantas já estavam todos avisados e já estava tudo rapadinho. Às tantas, para além dessas contazitas, já têm as almofaditas em offshores ou no colchão. Não sei.


Mas a questão não é essa. A questão é ainda a mesma: uma pessoa que tem o seu dinheiro aplicado num depósito de um banco que tem por bom, lá porque é casada, ou namorado, ou nora, ou compadre, ou prima de algum safado, medroso ou ceguinho, pode ver-se, de repente, sem dinheiro nenhum?

Isto não carecerá de decisão judicial prévia? Qualquer um, lá porque tem qualquer coisa a ver com alguma das pessoas da família ou da gestão, pode ver isto acontecer-lhe? Assim? À bruta?

Não percebo nada disto.

De resto, com esta atitude à leão, anda cá que és meu, o que esta gente está  a fazer é que qualquer dia outro banco vá ao tapete, senão mesmo, outra vez, a dívida pública. Quem é o maluco que se arrisca a meter cá dinheiro sabendo que anda por aqui um xerife que, de vez em quando, saca das pistolas e desata aos tiros a quem mexa um dedo? Só se for a malta das apostas, os tais dos CDS. Está bem que isto parece o Far-West mas, caraças, isto é mesmo assim? Já vale tudo? Faz-se um decreto à noite e fica-se com poderes de Super-Homem?

Mas que raio de País de plástico é este? Depois de andarem ao tiro aos velhos, doentes, desempregados e jovens, agora desataram ao tiro aos investidores? Ou ainda não perceberam que é isso que estão a fazer?


Ponho isto no plural mas não sei quem é. É o Carlos Costa, é certo, mas quem são os outros? O Láparo e o Rei das Cagarras estão a banhos, o Bento (o tal que parece que foi promovido no BdP sem lá estar) parece que está perdido no meio dos labirintos do BES. Só se for o Mr. Rato. Ou há mais? [Nomes, quero nomes].


Olhem: não sei.

Acho que preciso que o Gomes Ferreira me dê explicações. Coaching, como se diz.


É que, ainda por cima, volta e meia, vejo pessoas com ar de gente atilada a dizerem coisas que parece fazerem sentido. E fico num estado de estupor catatónico ainda mais profundo.

Transcrevo:

O presidente executivo da MTT Investment Consultants diz que o Banco de Portugal sabia o que se estava a passar e não transmitiu informação atempada aos mercados. Em entrevista à RTP, Marco Silva diz também que a solução encontrada pelo Banco de Portugal foi um negócio feito à margem da lei.



Não consigo colocar o vídeo mas deixo aqui o link para que não vejam, se quiserem. E digam-me se isto não parece estar para aqui uma caldeirada armada.

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As três últimas imagens são do blogue We Have Kaos in the Garden que nunca mais acorda para nos vir animar.

A música é a Canção do Beijinho do Herman.


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domingo, julho 20, 2014

Keira Knightley, Rihanna, Vanessa Paradis e outras celebridades falam da Moda Chanel Pronto a Vestir Outono/Inverno 2014/2015. Nelo e Idália também falam, ele com o Zé Carlos sobre moda e ela, coitada, com a mãe sobre telenovelas ou lá o que é. E isto tudo por culpa do Sabadabadão, das bailarinas da Ágata, da trança no cabelo da Júlia Pinheiro e das perguntas parvas do Palmeirim em plena praia.


Estou in heaven, tranquilamente. Já li o Expresso, já borreguei e agora hesito entre pegar no livro que trouxe ou deixar-me ficar por aqui, a escolher filmes ou músicas. Claro que podia já escrever qualquer coisa para não ir de madrugada para a cama mas parece que a minha cabeça se habituou a funcionar no registo da escrita apenas por volta da meia noite ou depois e ainda é cedo, 22h30m, quase hora é do lanche.

A partir de hoje estamos a fazer baby sitting à Joaquina já que a sua família de criação está a banhos no Algarve. Pois não é que, apesar de tão pequena, já é esperta? Falo com ela, bato nas paredes, e ela toda se arrebita, cabecita espevitada a olhar com atenção, uma gracinha. 

Adiante. 

Agora, como aqui só temos os 4 canais, estou a ver o Palmeirim na praia com conversas apalermadas com uns moços de fato de banho. Não percebo o objectivo da coisa, dá ideia de ser um concurso mas as perguntas são parvas demais. E o pior é que não há alternativa melhor. Será que todos os programadores consomem substâncias alucinogéneas ou é gente que veio do hospício? É que não acredito que seja disto que a população gosta. Se gosta é porque está estupidificada com tanta injecção de porcaria. 

Agora o meu marido fez zapping e está na SIC com a Júlia Pinheiro com um penteado do além, uma trança à volta da cabeça, não sei se isto é na brincadeira ou se faz parte do décor. 


O Baião faz a festa do costume e é uma animação mas a verdade é que olho e não percebo o que é isto. 


Agora vejo o anúncio da Ágata à procura de bailarinas. Uma cena cómica, verdadeira britcom.


Agora estamos no noticiário da RTP 2 com o Alberto João Jardim a dizer umas lérias datadas e que já não têm a graça de antes.

Hoje sou eu que quero que o meu marido faça zapping e é ele que não quer, diz que é tudo a mesma coisa, que não vale a pena andar a cirandar. De facto, uma indigência. Ele diz que já sente a falta do futebol a toda a hora. Eu sinto falta de programas de qualidade em horário nobre nos canais generalistas.

Bem, vou virar-me para o Youtube.


No outro dia mostrei aqui a alta costura Chanel; hoje viro-me para o pronto-a-vestir.

A colecção foi mostrada num supermercado, uma inovação. Mas foco-me nas celebridades que acompanham o desfile. Fiquei com pena por não ouvir Mario Testino que estava ao lado da Keira, uma verdadeira Coco.

Mas há várias caras bem conhecidas, gente elegante e pouco espalhafatosa como é timbre da moda Chanel.








Para os que acham que sou elitista, armada ao pingarelho, metida a besta, sempre com Chanel, Chanel, Chanel, mostro que estão muito enganados: volta e meia sou até muito Massamá (sítio que não tinha antes nada de mal mas que agora tem más conotações - e tudo por causa do casal Coelho). 

É o caso. Num verdadeiro momento Massamá, no seguimento do desfile de celebridades e modelos Chanel, temos o Nelo e a Idália a falarem de moda e, claro, com picardias envolvendo a sexualidade do garanhão. Uma graça. Pena que a gravação não seja grande coisa mas, enfim, não se pode ter tudo.




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quinta-feira, fevereiro 13, 2014

Contra os tempos de miséria moral que atravessamos, que avance o humor de antigamente: Fanny Brice, Irmãos Marx, Benny Hill, Lili Caneças.


No post abaixo já falei de Manuela Ferreira Leite completamente farta, farta, farta até à raiz dos cabelos com a cambada que tomou de assalto o PSD e, acto contínuo, se aboletou no Governo. O Paulo Magalhães já se vê grego a entrevistá-la tal a aversão que ela revela face a tudo aquilo a que se assiste, parece que já faz um esforço imenso para falar de tal situação. 

Percebe-se. Quem não está? Só os da mesma quadrilha que os malfeitores que tudo destroem e que ainda se ficam a rir, os devassos descarados.

Mas isso é no post a seguir a este. 

Agora, aqui, mostro o vídeo que a Leitora JV referiu num comentário. Trata-se do humor de Fanny Brice. 


A seguir mostro três outros momentos que me ocorreram.

Gosto imenso dos Irmãos Marx, uns malucos bem ao meu gosto. depois lembrei-me também do Benny Hill de que eu tanto gostava.


E, finalmente, estando eu a lembrar-me de relíquias do passado, lembrei-me da Lili Caneças, a senhora que, há um bom par de anos, deu uma valente desanda no Herman, em directo, deixando toda a gente de boca aberta.


Momentos de humor para espantar a sacanagem. 

Xô! Xô! Que vão para longe os olharudos, os elementos tóxicos, a tropa fandanga. Que comece a diversão!


Fanny Girls and the Follies Girls






Marx Brothers (especialmente o meu adorado Harpo Marx) em Animal Crackers




Benny Hill




Lili Caneças com Herman José



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terça-feira, julho 17, 2012

Sobre o amor conjugal (palavras de António Lobo Antunes e o exemplo de Nelo e Idália). E, ainda, Adelaide dita pelo autor


Estou casada há vinte e quatro anos e não sei se gosto ou se me habituei. Não morro de entusiasmo com a ideia do meu marido voltar todos os dias para casa às seis e meia sete mas também não é desagradável. Não me apaixona o facto de passar o mês inteiro de férias com ele e os pequenos mas também não me arrependo por aí além. Fazer amor não é a coisa mais apaixonante do mundo mas também não posso dizer que seja um frete.
(...)
Chego a pensar que gosto se o comparo com outros homens, com os maridos das minhas amigas por exemplo, com os meus cunhados, chego a pensar que me habituei quando vejo um filme com o Robert de Niro. Não é que o Robert de Niro seja bonito ou assim: é o sorriso, é a maneira de olhar, é o vazio que fica em mim ao acenderem as luzes e em vez do Robert de Niro, o Zé Tó ao meu lado no automóvel, o Zé Tó a perguntar-me em português se a mulher a dias lhe passou as calças cinzentas, a torneira do quarto de banho a correr, eu deitada, e o Zé Tó, em pijama, quem se estende à minha esquerda com aquelas revistas de jipes todo-o-terreno que ele adora ler, é o Zé Tó quem me dá um beijo, quem apaga a luz, é o calcanhar do Zé Tó que me toca a perna, é o Zé Tó que adormece com uma rapidez que me irrita e me deixa sozinha no escuro a olhar o tecto à espera do sono que não vem, que não há maneira de vir, que demora séculos a chegar. Claro que se o Robert de Niro aqui estivesse não o queria para nada.
(...)
  a ausência de discussões, o bom feitio do Zé Tó, ainda bem que você julga que não me devo questionar sobre se gosto dele ou se me habituei, ainda bem que me convidou para jantar só que eu jantar não posso, doutor, que desculpa ia dar ao Zé Tó diga-me lá, podemos mudar para um almoço sexta-feira num restaurante que não seja perto nem do seu consultório nem da minha casa, de preferência sem pessoas conhecidas, eu até sinto que você tem qualquer coisa do Robert de Niro, o sorriso, a maneira de olhar, mal entrei no seu gabinete pensei logo
  - Este psicólogo tem qualquer coisa do Robert de Niro aposto que nos vamos dar bem
  e agora sou capaz de jurar que nos vamos dar bem, sou capaz de jurar que a seguir ao almoço nos vamos dar lindamente.

*


*

Não sei há quanto tempo estou aqui sentado à tua espera. Um quarto de hora? Meia hora? Mais? Penso: se passarem dez automóveis encarnados e ela não vier, vou-me embora. Penso: conto de uma a trezentos e se, chegando aos trezentos, não apareceres, peço a conta. Passam doze automóveis encarnados e fico. Cheguei aos quatrocentos e vinte e três e continuei à espera. Recuo dos quatrocentos e vinte e três para o zero na certeza que aos cento e cinquenta te vejo chegar, acenando entre as mesas da esplanada, um problema no emprego, um telefonema da tua mãe, o drama de arrumar o jipe no parque de estacionamento. Mas como o baton te escorrega da boca para a bochecha e me dá ideia que, para além do perfume, cheiras a loção de barbear, tenho alguma dificuldade em acreditar em ti. Digo
    - Trazes o baton na bochecha
    os teus olhos mudam sem deixar de olhar-me, tiras o espelhinho da carteira, verificas a bochecha, pedes-me um lenço de papel, limpas o batom, procuras o tubo prateado numa confusão de chaves e agendas, refazes a boca mais devagar do que o costume em busca de uma justificação, guardas tudo na carteira, sorris porque encontraste uma mentira, os teus olhos mudam de novo, a tua mão poisa na minha, pedes não sei quê ao empregado, a mão troca a minha mão pelo teu queixo, explicas que devido à suspensão do jipe o baton errou o alvo (...). A mão abandona-me o queixo, belisca-me a orelha e ao beliscar-me a orelha quase acredito em ti. A parte que ainda não acredita insinua
    - Cheiras a uma loção de barba diferente da minha
    a mão que me esfregava o lóbulo hesita, ofende-se, a tua cadeira afasta-se indignada, reparo que te farejas a pretexto de fungares, que tropeças no cheiro, que te afastas um pouco mais para que eu deixe de sentir a loção, que tentas uma ironia qualquer
    - Estive a rapar o bigode
    que, como de costume, te defendes atacando-me
    - Não é possível viver com um homem que desconfia de tudo
    que tentas resolver o assunto ofendendo-te
     - A tua falta de confiança magoa-me
(...)
Aproximo a cadeira da tua e peço-te perdão. Logo, se estiveres para aí virada
     raramente estás para aí virada
     é possível que a gente tal e coisa, e a seguir tu de nariz no tecto numa espécie de careta
     e eu, sem reparar no teu chupão no braço
     nunca consentes que te chupe o braço
     eu, apesar do teu chupão no braço, a acomodar-me melhor na almofada, sentindo-me
     como direi?
     satisfeito, Fernanda, satisfeito.

*


*

O primeiro excerto pertence à crónica 'O amor conjugal' do Primeiro Livro de Crónicas. O segundo pertence à crónica 'Não ligues às minhas picuinhices' do Segundo Livro de Crónicas. Lembro que António Lobo Antunes, a nível de crónicas, já vai no quarto volume. 

Pessoalmente acho as crónicas de António Lobo Antunes uma excelente leitura (e acho os seus romances, desde há algum tempo, uma seca. Acabo por os deixar de lado ao fim de uns dias de luta).

*

E, vocês, meus Caros Leitores, desculpem esta minha onda de transcrições. Não tenho paciência para falar do Relvas (e, a sério: a bem da consciencialização de quem ainda não percebeu o desastre que é este Governo, acho que Passos Coelho faz mesmo muito bem em aguentá-lo porque aquilo é tudo tão irremediavelmente mau que é bom que haja bem visível, à vista de toda a gente, uma caricatura como o Relvas) e quase tudo o que vejo na televisão me maça.

Hoje ouvi que o Moita Flores suspendeu o exercício da função de presidente do município de Santarém. Invocou razões de saúde e pressões literárias. Como?!?!?!? Fiquei aqui de queixo caído durante um bocado. Isto só visto. Razões literárias...?

Por aqui, pelas televisões, pode ele andar sempre que há um qualquer crime para comentar. Para isso tem saúde e agenda livre (agenda livre face aos compromissos literários). Entretanto, anunciou que está disponível para se candidatar por Oeiras. Ou seja, entre as idas à televisão e os livros e as séries de televisão, faz umas perninhas nas Câmaras. É este o espírito destes fantásticos políticos.

No outro dia tinha visto um rapazola qualquer a dizer que a culpa do Relvas se ter portado como um chico-espero era do Mariano Gago e que mau mesmo era o que Sócrates tinha feito, desculpabilizando de forma bacoca e disparatada o seu correlegionário Relvas. Ora isto seria apenas estúpido se o rapazola fosse um qualquer apanhado à má fila, no meio da rua, por um repórter daqueles que gostam de ouvir opinar quem quer que passe na rua; mas não, parece que é o líder da Jota (JSD, claro), ou seja, um secretário de estado, quiçá directamente ministro, em potência. Deprimente.

Depois vejo a revolta nas ruas de Espanha e vejo a bonomia passiva dos portugueses, muitos ainda a apoiar estas políticas de miséria. Não que eu apoie a violência, claro que não. Mas defendo a indignação, a manifestação da indignação. Esta bovinidade mansa dos portugueses às vezes chateia-me. A empobrecer e a estupidificar... e tanta gente ainda tão conformada.

Por isso, para não vos maçar com a minha chateação, prefiro dar a vez a quem escreve bem.

*

E ainda: gostaria imenso de vos ter lá no meu Ginjal e Lisboa. Hoje as minhas palavras são m´suica em volta de um belo poema de Eugénio de Andrade. E, porque se fala de música, há festa: inicio hoje a semana dedicada a Béla Bartók e a vibração está no ar.

*

E, assim sendo, desejo-vos uma bela terça feira. Alegria e muitas bebidas frescas!