Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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sábado, outubro 05, 2019

A mulher do meio largou as vírgulas da mão





A semana foi de tal ordem que ainda nem me parece que a semana esteja a acabar. De tarde caí em mim e pensei que uma sexta-feira tem que ser festejada e que talvez uma boa maneira fosse ir ao cinema. Falei ao meu marido. Vita & Virginia. Que não, que devia ser chato. Sugeri-lhe que podia ir para outra sala, ver outro filme. Perante essa perspectiva, que ele sabia ser impossível pois eu não lhe perdoaria se aceitasse a minha sugestão, acabou por aceder. Mas teríamos que sair a horas decentes para dar tempo a jantar antes. Mas os deuses protegem os corta-baratos pois vimo-nos ambos, cada um em seu lado da cidade, ensarilhados no trânsito. Portanto, ao telefone um com o outro, percebemos que cinema já era. Salvou-se de ver em filme a história que conhecemos dos livros. No entanto, acho que iria gostar. Eu iria. A ver se para a semana. Nisto, manda-me o meu filho uma sms a perguntar se não queríamos ir jantar com eles. Não sabíamos se conseguiríamos chegar a tempo, que avançassem que logo veríamos. Quando lá chegámos já lá estavam e já o bebé tinha virado meio prato de sopa com bocados de pão à mistura. 

Logo de início, o menino que sabe tudo de futebol estava entusiasmado, queria que eu visse uma coisa na televisão. Pensei que era alguma jogada espectacular. Mas não: 'Olha, olha agora, o António Costa a zangar-se com um senhor que disse uma mentira'. E era mesmo.

E eu e o meu marido dissemos que, ao fim de muitos dias de cansaço,  é natural que a uma pessoa lhe salte a tampa ao ver-se acusado de uma mentira. Nada de mais. Alguém quer ter governantes que sejam máquinas, indiferentes a calúnias e a acusações injustas e maledicentes? Eu não quero. E também me parece que uma sociedade de censores em que não se admite uma reacção humana aos políticos não será uma sociedade saudável. 
No carro já tinha ouvido 'o caso', mais um 'caso', bem como as reacções do Rio e da Cristas e de vários comentadores que de imediato tinham sido convocados para opinar. Já vinha saturada. Um homem chateia-se por ser acusado de uma coisa grave que não aconteceu -- e cai o carmo e a trindade. Não indignados com a mentira mas com a reacção. Não se aprende nada nestas alturas. Estas gentinhas que vivem de comentar o que os outros fazem e dizem só me parecem vizinhas coscuvilheiras, só acusações, só parvoíces polvilhadas por polígrafos e papagaiadas. Não há pachorra.
E eu, a esta hora, aqui chegada ao meu sofá acolhedor e silencioso, já não estou nem aí. 

Estou aqui a pensar é noutra coisa. Tenho um colega que é muito culto. Cultíssimo. Culto de uma forma invulgar. Junta a isso o ter uma memória como nunca vi. A meio de uma frase minha pode lembrar-se de um verso de um poema e di-lo na língua original. E se eu, desconfiada, à socapa, depois, for googlar, constato, espantada, que aquele verso existe mesmo, que o autor é mesmo aquele. Uma coisa que descrita parece mentira mas que é estranhamente verdadeira. Tenho alguns livros que ele me tem oferecido e são sempre invulgares e surpreendentes. Pois bem. No melhor pano cai a nódoa. Hoje, num mail que me enviou, mail que, como sempre estava muito bem escrito quer na forma quer no conteúdo, as ideias sempre muito bem sistematizadas e apresentadas, quase no fim, um erro ortográfico. Onde deveria estar 'podemos' estava 'pudemos'. Fiquei ali parada a olhar para aquela letra trocada. Doeu-me como uma nódoa. Pensei devolver-lhe o mail e pedir que o revisse e mo enviasse de novo sem o erro. Por pura ironia e por saber que ele perceberia o meu desconforto. Mas depois pensei. Temi que ficasse a sentir-se mal. Se fosse comigo, eu ficaria doente se enviasse um mail com um erro daqueles. Depois pensei em responder-lhe ao tema em questão e, no fim, como uma notinha insignificante, um alerta para o typing mistake. Mas depois não fiz nada disso. Para quê? Para quê ir aborrecê-lo? Quantas vezes já eu troquei letras, deixei restos de frases alteradas no meio das frases novas, quantas vezes mudei de ideia a meio da frase deixando a vírgula onde antes fazia sentido e depois deixou de fazer? Quantas vezes, ao reler o que escrevi, fico perplexa com os erros que encontro? Quantas vezes me auto-recrimino por publicar coisas sem antes as reler, sem antes as editar? E isto já para não falar no corrector automático que, às vezes, de sua lavra, escreve palavras que não queremos e que, se não damos por elas, seguem viagem mesmo assim.

E, depois, quem me diz que o meu sentido de rigor na escrita não está furado, ultrapassado, gatado?

Tanta preocupação que tenho de pôr as vírgulas no sítio em que a conversa inflecte ou que a respiração precisa de pausa e, afinal, na volta, a conversa pode fluir, refluir, estacar, voltar atrás, dar uma volta, abrir um parêntesis, gargalhar, chorar, tudo, sem precisão alguma de vírgulas. 

E não estou a falar de cor, não. Estou a falar porque constatei. Não foi a primeira vez, claro. Mas desta vez eu estava a ler o livro, a ler, a ler, e não dei por isso. Eu lia fazendo as pausas todas sem dar pela falta das vírgulas. Quando dei, voltei atrás para verificar se a ausência vinha desde a primeira página. E vinha. E não me tinham feito falta nenhuma.

Exemplifico.
38. Tenho desde há muito o hábito de em algumas noites acender uma vela dentro de um pequeno castiçal junto à janela. Penso que se verá da rua. Creio que os anjos de grandes asas pesadas se háo-de abeirar ainda que por pouco tempo do lugar onde eu moro. Sei que nada é mais terrível do que a perfeição de um anjo e por isso os espero assim. Perdidos nas rotas da chuva e com um cansaço quase humano no rasto que deixam.
214. A tristeza tem mil e uma formas de ser dita mas a alegria não tem história. Claro que isto já foi escrito e com mais eficácia mas hoje voltei a comprová-lo. Encontrei uma pessoa que me convidou para um café e pensei oh diabo tenho para umas duas horas. Mas não. Disse-me logo não vou maçá-la está tudo a correr bem não tenho nada para contar. Com efeito em meia hora bebemos um café e conversámos sobre platitudes. E eu pensei nos caprichos do acaso mas nada disse.
Não concordam comigo? Percebem a minha dúvida? Para quê incomodar as vírgulas, andar com elas em preparos, com rodeios e mesuras, em bolandas? Porque não deixá-las em paz? Não viveremos, afinal, bem sem elas?

Tenho que tentar. Mas não me vai ser fácil, ainda estou muito apegada às maganas.


Os excertos em itálico pertencem ao belo diário de Ivone Mendes da Silva, 'A mulher do meio'. 

A bela mulher retratada podia ser a Ivone mas não, é Ida Rubinstein

Abaixo, Alessandra Ferri dança enquanto Sting interpreta Bach, suite 1 para cello


Desejo-lhe um belo sábado. Tudo de bom para si.

sábado, julho 14, 2018

Santana Lopes again? Please.... Poupem-me.
Mas não é só ele que estava bem era no museu. São também quase todos os outros.
Contra isso: inovar, inovar, inovar.





As empresas e demais organizações gastam rios de dinheiro com formações e consultores, já para não falar em horas de trabalho consumidas em sessões disto e daquilo, tudo a bem da inovação. E vem um e explica a diferença entre criatividade e inovação e vem outro e fala de exemplos conhecidos de empresas que se reinventaram e de outras que pereceram por não terem sabido fazê-lo e vêm outros e falam de casos inspiradores e vêm mais alguns que são figuras conhecidas -- uns historadores, outros treinadores, outros maestros, outros alpinistas -- e contam as suas experiências e toda a gente bate muitas palmas. Tudo e mais um par de botas para que a malta desate a ter ideias que façam a diferença, que criem novos negócios, novas maneiras de ver a vida.




E toda a gente se esquece de tudo mal vira as costas. E, assim que chegam aos seus locais de trabalho, todos continuam a fazer igual ao que sempre antes fizeram.

E eu, que ando há anos a ouvir a mesma conversa dita de muitas maneiras diferentes, penso que se fosse eu a organizar estas coisas, estes eventos em que se tenta estimular uma nova atitude que leve à inovação, não fazia nada disto. Colocava era vídeos como estes, que mostram como é possível que do clássico se crie o inesperado ou como do nada se pode fazer o que antes nunca se tinha visto e que pelos tempos afora para sempre ficará como inexplicável e belo.

Mas, quando proponho isto, dizem-me que não, que ideia, que não tem nada a ver, que ninguém ia perceber. É verdade. Quando alguém aponta as estrelas, os idiotas ficam sempre a olhar para a ponta do dedo, incapazes de ver para além dele. Por isso, não insisto. Nem estou certa de que a razão esteja comigo. Cada vez sei menos. Vejo que a qualidade vai rareando e que o mundo parece estar em trajectória descendente -- mas, se me reportar a dados conhecidos da história, talvez tenha que concluir que desde sempre se está a andar a caminho do nada. E, se calhar, é mesmo assim e nada a fazer.

Seja como for, talvez ingenuamente, penso que, enquanto não se perceber que é mesmo do incompreensível que nasce o que é novo, não se conseguirá ver para além do óbvio -- e que só o que está para além do esperado e do óbvio é que rasga caminhos. E novos caminhos são precisos antes que se chegue ao fim deste que estamos a percorrer e que, do que se vê, parece ser um beco sem saída.




Leio percentagens a propósito de crentes em Santana Lopes e pasmo por, nestes tempos incréus, haver ainda quem seja tão crente. Mas é verdade. No outro dia, numa outra cidade, vi um amontoado de gente, os passeios a deitar por fora. Não percebi. Depois olhei com atenção e vi que estavam junto a uma moradia onde vi uma cruz e o nome de uma qualquer igreja. Isso ou as dietas milagrosas que proliferam. Eu própria também, volta e meia, jogo no euromilhões acreditando que um dia pode acontecer comigo. Portanto, está certo. Toda a gente precisa de acreditar em qualquer coisa, mesmo no jogo branco ou nas cartas furadas. Haja lugar para todos, até para os malucos que ainda acreditam que alguma solução governativa de jeito pode sair do maluco do Santana Lopes. 

A seguir, olho para a televisão e vejo a cinzenta bancada do PSD. O líder da bancada descolorida laranja dá-me pena.  A sério. Pena. A criatura está notoriamente infeliz naquele seu triste papel. Um tremendo erro de casting. E está rodeado de outros que tais. Olha-se e vê-se ali, ao vivo e a cores, o reino da estupidez. Não atinam. Mas não admira. O PSD não é nada. A cola que os une é o oportunismo. Talvez tenha começado com gente bem intencionada mas logo esses barões se foram perdendo e o que ficou foram uns quantos nostálgicos que não riscam nada (nem o Marcelo, enquanto líder partidário, alguma vez riscou) e uma malta que anda à babugem do poder. Quando longe disso, ficam como as galinhas sem cabeça.




Mesmo as outras bancadas. Falta ali rasgo e inteligência, falta golpe de asa. 

O PS é António Costa e mais uns quantos capazes e depois um bando de líricos, mais uns quantos saudosistas e uns outros que tentam perceber qual o caminho que estão a pisar e mais uma mão cheia de oportunistas.

O PC já era. Gente que tenta agarrar-se a cordas presas ao passado, um passado idealizado. Gente bem intencionada mas geneticamente traumatizada. Podem ser sérios mas a seriedade deles é cinzenta, baça, longe do futuro. A primeira e a segunda derivada da tendência que percorrem traçam-lhe o caminho: o lento mas inexorável fim.

O BE. Gente que quer ser moderna e ousada mas sem capacidade para sê-lo. Zangam-se, fazem cara de maus, acham-se os donos da verdade. Mas são uns maçadores de primeira. E gente maçadora não vai a lado nenhum.

Resta quem? O CDS? Nem falo desses. Não existem. 

O País precisa de outra gente na política. Mas como irá gente capaz para a política sabendo que, por coisas de nada, podem ser perseguidos pelo Correio da Manhã, pela tropa fandanga da SIC ou do Expresso, pelas tias e pelas beatas do Facebook?

Uma coisa triste, isto.




Solução? 

Inovar de verdade. Ousar. Arriscar.
Procurar a beleza e a simplicidade.
Olhar o futuro e, mesmo sem perceber o que se vê, caminhar nessa direcção.

quinta-feira, maio 11, 2017

As pequenas coisas da vida





Depois pôs-se sol, um sol tímido sobre um rio picado e meio esverdeado. Mas, antes, choveu muito -- tal como agora enquanto escrevo. À hora de almoço, atravessei a cidade debaixo de jorros de água. Estava a ouvir uma música que me fazia lembrar o tema principal de África Minha. Pensei que, de uma vez por todas, tinha que instalar o Shazam no telemóvel.

Já o instalei mas ainda não percebi como funciona. Não sou dada a experimentalismos, especialmente quando aquilo me diz: antes de fazermos qualquer coisa, deixe-nos conhecê-la melhor. Não tenho paciência. Era o que faltava dar-me a conhecer. Sei lá a quem e para que fim. Um dia enfio-me no campo, longe do trânsito, de apps, de algoritmos, de tretas.

Enfim. Hei-de descobrir como pôr aquilo a adivinhar-me as músicas mesmo não sabendo nada de mim.  A ver é se depois não me esqueço de o usar quando quiser saber o que estou a ouvir. Não é o conhecimento pelo conhecimento que, neste caso, me motiva mas, sim, a possibilidade de poder voltar a ouvir aquilo de que gosto especialmente quando estou a conduzir.


No outro dia, desci no elevador com uma vizinha, uma das poucas que conheço neste prédio em que parece que está sempre a entrar gente nova. Esta já cá mora há mais tempo que eu. É um bom bocado mais velha que eu e pouco cá pára. Tem uma casa no Algarve e um barco e diz que lá estão melhor, que não há um trânsito como o que há cá, que aquilo lá é calmo e o tempo melhor. O marido teve um problema de vista e penso que uma cirurgia mal sucedida o deixou cego. Foram a Barcelona, correram médicos de norte a sul do país e parece que o problema é irreversível. Então, agora é ela que conduz, que trata de tudo e que o leva pela mão. Não sei se ainda têm o barco. Desde que se tinha reformado, era a grande ocupação dele. Pintava o barco, tratava do motor, saía para o mar, limpava-o, etc., e ela ficava descansada na vida dela enquanto, durante o dia, ele andava naquela fona. Sempre enérgica e bem disposta, no outro dia achei-a mais caída. Dizia-me ela, toda compungida, que estava com dores nas pernas, que à medida que a idade avança, começa a dar-se por ela, que nunca julgou um dia ficar assim, cheia de dores. 

Mas o lamento maior dela foi este: ‘A casa é grande, fui enchendo de tralha, tantas divisões, tanto móvel, tanto livro. E eu sou de guardar, custa-me deitar fora. Mas já me custa tanto, quando cá chego ver que está aqui uma casa destas já sem grande préstimo e que dá tanto trabalho a limpar.’ Percebi, sei o que isso é. Mas acrescentou ela ainda: ‘Penso que um dia que eu morra, o meu filho vai suar as estopinhas para se ver livre disto tudo, tenho a certeza de que vai desfazer-se de tudo. O que é que o rapaz fazia a tanta porcaria? Nem tinha sítio para guardar tanta coisa. E, então,penso eu:  para que é que eu ainda estou a guardar isto tudo?’. 

Também, de vez em quando, penso nisto.


Quando via, o marido era muito falador. Perguntava pelos meus pais e contava proezas da mãe, de quando era viva, bem entendido, já que, entretanto, a senhora morreu. Entretanto herdou a casa da mãe e a mulher ainda há tempos se queixava, ‘Só trabalhos, agora ainda mais esta’.

Ele achava que, no fim, a mãe já não estava boa da cabeça e não queria que ela ficasse sozinha em casa, numa outra cidade; e, então, lá a convencia a vir uns tempos para casa deles. Depois logo se arrependiam porque, como diz a minha vizinha, ‘a mulher ficava diabólica’. Uma vez, às escondidas deles, ligou para a polícia. Estavam eles na sala, à noite, descansados a ver televisão, convencidos que ela estava no quarto a dormir, tocam-lhes à porta. Era a polícia, tinham recebido uma queixa de violência doméstica sobre uma idosa. Ficaram para morrer. Foram chamá-la. Estava mesmo já a dormir. Ficou muito admirada ao ver a polícia mas depois disse que eles lhe davam grandes tareias. Aí a minha vizinha diz que ficou passada e que, em conjunto com o marido, decidiram  recambiá-la antes, que, às tantas, se vissem mesmo metidos em trabalhos. Tenho ideia que a puseram num lar. Às vezes é o melhor.

Mas, agora que está cego, ele parece andar perdido, usa óculos muito escuros, parece desamparado e não diz nada. Uma situação que entristece.


Já não sei a que propósito veio isto.

Ah, sim, já sei. 

Em tempos, tínhamos uma aparelhagem muito boa. Colunas grandes. Era um móvel que tinha amplificador, leitor de cassetes, gira-discos. Devia ter outras coisas porque, de cabeça, tenho ideia que havia mais umas coisas no móvel. E tínhamos imensos discos. Eu tinha os meus desde o tempo do liceu, Tchaikovsky, Chopin, Bob Dylan, Joan Baez, Janis Joplin, Simon & Garfunkel. O primeiro disco que comprei com o meu dinheiro foi um dos Wallace Colection. Deve estar ali. O meu marido trouxe os dele. Todos os do Zeca Afonso, Sérgio Godinho, Luís Cília, Adriano e provavelmente outros nessa base. Entretanto, fomos comprando, comprando. 

Até que tudo aquilo caíu em desuso. Mas eu, que apenas nisto de guardar as coisas sou conservadora, conservo tudo. Nem sei se aquilo ainda funcionaria nem faço ideia do potencial valor histórico de tanto disco. 

Depois passou essa era, vieram os CDs e comprámos um leitor de CD para pôr lá junto à ‘aparelhagem’. O número de CDs é grande, sobretudo de música dita clássica e jazz. No entanto, raramente a ouvimos pois só para ligar aquela aparelhagem toda, no síto em que está, é uma maçada. Volta e meia penso que deveríamos ter um pequeno leitor de CDs -- e se os há baratos. Mas, na verdade, o que se calhar faria mesmo sentido era desfazermo-nos deste elefante. 


Agora, CDs só no carro. E música em casa, no computador. 

As tecnologias vão mudando, os hábitos também. E nós também.

E, no meio disto tudo, o que me tinha ocorrido e que gerou este palavreado todo foi que eu, no carro, ia a pensar: o Shazam era rapaz para me informar, eu chegava a casa e ia procurar, na volta tenho lá e, à noite, enquanto estava na palheta com os meus pacientes Leitores, ia ouvindo de novo. 

O Shazam já cá canta. Falta agora o resto. E eu, por via das dúvidas, fico-me com Haydn que é sempre uma boa escolha.

E usei imagens de Flora Borsi que representam modelos em frente dos quadros que lhes deram origem. Mas, porque nestas coisas nunca nada é verdadeiramente real, é claro que também não são os verdadeiros modelos. De resto, que interessa isso? Sabe-se lá quem é quem, se o objecto representado, se a representação, se a persona filha de seus pais, se a persona pseudónima, filha de si mesma.


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E fico-me por aqui. Contudo, permito-me ainda convidar-vos a descer até ao post seguinte, em que digo umas lérias e escritores falam do seu processo de escrita ou do livro da sua vida.

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