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quarta-feira, novembro 30, 2016

As garotas de rosto nu do Calendário Pirelli 2017
- um grito contra o terror da perfeição e da juventude


O meu prazer em fotografar é inversamente proporcional ao de ser fotografada. 


Nunca me apanham em grupinhos a dizer cheeeeese ou ba-ta-ta. Impossível. E se tenho que ser fotografada por obrigação sou incapaz de me produzir para o momento.

Acho que já o contei. Quando o ano passado foi um fotógrafo à empresa para tirar fotografias a cada um de nós, cheguei lá e fiquei espantada com a produção de cada uma das outras mulheres. Muitas tinham ido ao cabeleireiro, vinham aperaltadas, todas de ponto em fino. Eu fui normal. Aliás, ao arranjar-me em casa, foi coisa que nem me ocorreu. Depois, estava numa reunião quando me foram chamar. Fui num ápice dar uma espreitadela à casa de banho. Achei que menos mal. Quando ia a entrar para a sala, pensei que devia ter passado uma corzinha nos lábios. Tarde demais. Pus-me lá no sítio que o fotógrafo disse e começou a dar-me vontade de rir. Ele, profissional, não ligou. Aproximou-se e pôs-me ligeiramente de lado. E eu com vontade de rir. Fiz um esforço para manter uma pose adequada ao status. E, nisto, pergunta-me ele enquanto me fixava com olho clínico: 'Sô-Tôra, não quer afastar o cabelo?' e fez um gesto com a mão, como que para afastar a franja. Fiquei preocupada: 'Mas está mal?' e ele. meio atrapalhado: 'Não... Mas podia querer afastá-lo mais da cara...' Fiquei apreensiva. Tive vontade de lhe dizer: 'Alto e pára o baile. Tenho que ir ver com os meus próprios olhos!'. Mas não, achei que, se afastasse o cabelo, poderia ficar com ar demasiado despido e e não me dispo perante qualquer um. Ficou assim. Agora olho a fotografia e não consigo formar opinião. Algumas colegas odiaram ver-se, exigiram um remake. Eu fiquei depois a pensar que, se calhar, devia ter aproveitado a oportunidade de tentar segunda chance, talvez ficasse melhor. Mas não. Só passar outra vez por aquilo... Não gosto.

Apenas de vez em quando, quando não estou nem aí, é que não me importo que o meu marido ande à minha volta a apanhar-me tal como estou, sem poses ou sorrisos pasmados. 


Acontece-me também, quando me vejo nas fotografias, achar-me diferente do que era tempos atrás. Como já o contei, tendo, então, a protestar com o fotógrafo: não devia pôr-me com o sol a bater-me na cara, não tem cuidado, não me adoça a pele, mostra-me as rugas junto aos olhos, mostra que o meu rosto já não tem a frescura de quando eu tinha a vida inteira pela frente, bem podia apanhar-me em melhores ângulos, com luz mais esbatida. Etc. Ele não liga, acha que fiquei bem. E está dito. Não lhe arranco nem mais uma palavra.

Depois, se calha eu ver essas fotografias anos depois, olho e já acho que ali ainda era uma jovem, cinquenta mil vezes com mais piada do que na actualidade.

E isto contado assim até parece que dou muita importância a isto. Não dou. São pensamentos ou reacções momentâneas que desaparecem na hora.

O que entretanto aprendi é que somos sempre jovens e bonitos aos olhos de quem é mais velho e acabado que nós.

E aprendi, sobretudo, outra coisa: é que a beleza de uma pessoa é francamente subjectiva. 

Gosto de me maquilhar ao de leve pois acho que sem um toque de cor, fico um bocado descorada, as sobrancelhas claras, a pele clara, parece que está mesmo a pedir uma sombra leve na pálpebra superior, um pouco de blush, coisa leve em tom de pêssego e só mesmo nas maçãs do rosto, e, nos lábios, uma passagem de gloss, cor de romã suave. Mas, ao fim de semana, nada, quanto muito um esfumado ligeiro  na pálpebra superior. E, no entanto, a minha filha diz que fico melhor assim, rosto nu. 


Mas não sei se ela tem razão. O meu marido, por seu lado, não se pronuncia. Não tem paciência para os meus inquéritos. E diz que receia responder o que quer que seja pois acha, que diga o que disser, ficará sempre sujeito a mais perguntas, e, se há coisa que o impacienta, é ter que dar justificações das opiniões que exprime. Por isso, tenho que me fiar na minha opinião. Contudo, nunca me deu para carregar na maquilhagem, usar base para disfarçar imperfeições, carregar no rimel, pintar os lábios de cor compacta e desenhando o contorno. Acho que não suportaria o contraste quando, à noite, retirasse a maquilhagem. Penso que deveria parecer-me com um palhaço no fim do circo, no camarim, a desfazer-me do personagem.

Mas a verdade é que tanto faz. Se nos sentimos bem e confiantes, está sempre tudo bem. E haverá sempre quem goste de nós, quem nos olhe com olhos doces de afecto ou apreço. Nem que seja um velhinho, cinquenta anos mais velho que nós (pitosga, taraulhoco, meio deslembrado).

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Vem isto a propósito do Calendário Pirelli 2017. Transcrevo:


This year, Peter Lindbergh became the first photographer to shoot three Pirelli calendars. His 2017 also marks another first for "The Cal", as the images have not been retouched. Lindbergh tapped 14 of his favorite women in Hollywood: Nicole Kidman, Lupita Nyong'o, Uma Thurman, Lea Seydoux, Rooney Mara, Kate Winslet, Robin Wright, Julianne Moore, Alicia Vikander, Charlotte Rampling, Zhang Ziyi, Penelope Cruz, Jessica Chastain and Helen Mirren. Lindbergh also included Anastasia Ignatova, a political theory professor in Moscow, that he met a dinner last year. All the women featured were tasked with sharing their natural beauty for the black and white calendar which he has titled "Emotional".


"Beauty is just commercial interest, as you see in magazines, women are washed out from every experience. That's just the opposite of what I wanted. These are the most talented women that I admire in the entire world. They are emotional and I wanted to show that," Lindbergh said during the official press conference in Paris today.

All the women in this calendar, we're women of all different facets. The calendar is physical, so what are you building inside? It's about the journey." Lindbergh and his subjects all hope to spark the cultural conversation on what real beauty looks like. "Look at this Pirelli calendar," Mirren said, "the reality is we live, we love, we continue, that's the role of women. It is very difficult, for young girls nowadays, incredibly challenging. The only way we can help them along the way is to say, life goes on a long time. You will be many things in your lifetime."

Pirelli Calendar 2017 by photographer Peter Lindbergh


Captured by legendary photographer Peter Lindbergh and featuring equally as iconic women as Nicole Kidman, Julianne Moore, Lupita Nyong'o, Kate Winslet and more.


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E tenham, meus Caros Leitores, um dia muito feliz. Vocês merecem.

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quarta-feira, fevereiro 11, 2015

Uma Thurman plástica. Ou deverei dizer Uma Thurman transformou-se em mulher de plástico? Ou Uma Thurman quitou-se de tal maneira que desapareceu o modelo original?


Estava eu de manhã a começar uma reunião quando recebo um sms da minha filha. Tinha o telemóvel no silêncio mas aquilo acende-se quando recebe qualquer coisa. Geralmente não atendo nem leio, fica para depois - excepto se for da família ou, em especial, dos meus filhos. Fui logo ver. Mandava-me um link e dizia 'olha, mais outra'. Pela descrição do link percebi que a Uma Thurman teria feito uma plástica. Nessa altura uma colaboradora minha deu-me um toque no braço e vi que estavam todos em suspenso à espera que eu fizesse a introdução da reunião. Bolas. Lá cumpri com o meu dever e todo o santo dia estive ocupada, incluindo ao almoço e só agora, tarde e más horas, chegada ao hotel e ligando o computador, é que vi o disparate a que a minha filha se referia .

De facto, o que é que dá na cabeça destas mulheres para darem cabo da expressão, das feições, para se desfazerem da cara com que nasceram?

Vejo pelas notícias que tem 44 anos. Com 44 anos uma mulher desgosta tanto de si própria que desfaz a cara para fazer outra? Não percebo. Olho para ela e acho que perdeu a graça, perdeu a identidade.

Estive há pouco a retirar o rímel e a sombra ligeira que tinha nas pálpebras superiores. Olhei-me ao espelho. Noto que o tempo e o riso frequente já fizeram alguns estragos mas, benevolente e optimista como sou, não me vejo a precisar de me esticar. Sobretudo, não me vejo a correr o risco de fazer alguma que fizesse ainda mais estragos. Só o medo de me olhar ao espelho e não me conhecer.... deve ser o horror dos horrores.




E, no entanto, parece que cada vez mais mulheres optam por fazer parvoíces destas. Não ficam mais jovens, não ficam mais bonitas nem sequer ficam com um ar mais feliz. Gostava de perceber mas não percebo.

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Demi Moore, 52 anos, com a filha
Gwyneth Paltrow, 42 anos, toda beiçuda
Volto aqui, Já estava eu a preparar-me para outro post quando recebi agora um sms da minha filha a dizer que me enviou um mail para ver mais duas que, segundo ela, também se passaram. 

Cá estão elas, a Demi Moore quase irreconhecível e a Gwyneth Paltrow que não é que esteja feia mas está lisa e preenchida como uma boneca insuflada. 


Botox, plásticas, esticamento, não sei, só sei que ficam muito estranhas.



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terça-feira, dezembro 13, 2011

TINA (There Is No Alternative) - and all the things they say are true and much, much more... (assim diz a Uma)

 
O que esta crise demonstra é que, ao terem querido convencer-nos de que não havia alternativa, ao repetirem até à exaustão que os dinheiros públicos só serviam para engordar alguns funcionários egoístas e incompetentes, que apenas o mercado e as empresas privadas permitiriam criar a dinâmica necessária a uma retoma do crescimento, os liberais montaram uma gigantesca golpada. (...) Contudo, ao primeiro alarme, estes cruzados do capital abandonaram os seus princípios sacrossantos e foram pedir socorro ao Estado. É que agora era o seu património a estar em perigo! Para salvarem os haveres, as poupanças, as stock options, estavam dispostos a tudo, mesmo a ajoelhar perante aquele Estado que tinham rejeitado e que profundamente detestavam. Se fosse ainda necessário demonstrá-lo, isto serviria de prova de que o combate que tinham travado não visava o bem comum, mas fora puramente ideológico e de natureza material e egoísta. Os liberais são raposas em liberdade no galinheiro. A aplicação das sucessivas 'reformas' exigidas pela internacional das classes dirigentes, pelas organizações patronais, pelos economistas e ensaístas liberais, tinha - e continua a ter - por único objectivo a satisfação da sua inesgotável cupidez e da dos seus accionistas. O liberalismo é o 'triunfo da cupidez', para referir o título de uma obra de Joseph Stiglitz.


(excerto de 'Não há alternativa' de Bertrand Rothé e Gérard Mordillat)


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E agora que já tive o meu momento intelectual, deixem-me passar para o meu momento Schweppes (and no personal questions, ok?).





Enjoy, my friends!

!!! Be happy !!!