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quinta-feira, janeiro 26, 2012

Jane Fonda e o Terceiro Acto; Criatividade ou boa gestão; Pep Guardiola é eleito o treinador mais sexy e bate José Mourinho: os estranhos homens do Benfica (exemplo: Jorge Jesus e João Malheiro); Passos Coelho fala e os juros disparam para valores aterradores; e Kirí Jilián, Helmut Newton e Luís Pedroso para isto acabar bem



Diz Jane Fonda (e aconselho francamente que a ouçam) que o mais condiciona a vida de uma pessoa não é tanto o que lhe acontece mas a forma como reage ao que lhe acontece. Eu não podia estar mais de acordo.

Há pessoas a quem surgem oportunidades fantásticas e que, por uma série de indecisões ou más decisões, acabam por passar ao lado do que poderia ser uma vida feliz e realizada.

Há outras a quem acontecem insignificantes contratempos e arrelias e que se deixam enredar de tal forma em equívocos, mal entendidos, reacções extemporâneas, que acabam submersas em coisas que poderiam e deveriam ser coisa de nada.

Em contrapartida há pessoas que seguem em frente, dispostas a não desgastar energias com o efémero que pulula no dia a dia, nem a comprometer o rumo do seu caminho a troco de coisa nenhuma.

Diz Jane Fonda, com a autoridade de quem está nos 74 com um aspecto fantástico e uma vida preenchida e realizada, que a vida é melhor, que a longevidade pode ser usufruída com muito maior qualidade se soubermos manter o propósito de sermos felizes. 

Digo eu que a vida faz mais sentido se não nos desviarmos dos nossos propósitos à primeira contrariedade. Tantos exemplos que conheço de pessoas que, por dá cá aquela palha, viram as costas ao destino. Depois, mais tarde, reconhecem que erraram, que exageraram na reacção mas já é tarde demais, o mundo já seguiu a sua trajectória.

...


Discute-se agora nos meios ligados à gestão se para um progresso (ou sucesso) sustentado, é preferível a inovação e a criatividade ou a boa gestão.

Depois de muitos anos a divulgar-se e a incentivar-se a criatividade como o motor de sucesso de tudo, eis que começam a levantar-se vozes em defesa da qualidade da gestão.

E são dados exemplos de ideias de grande criatividade que por lhes faltar as bases mínimas em termos de gestão acabam por soçobrar e, em contrapartida, ideias que apesar de nada terem de inovador, se tornam sucessos fantásticos.

Defende-se e demonstra-se que a criatividade será sempre uma coisa de nichos, uma coisa de pequenos grupos, não massificada; pelo contrário a qualidade da gestão pode advir de se pegar numa dessas ideias, inovadora ou não e implementá-la de forma sustentada, com bons processos internos, com uma boa ligação ao cliente.

Que cada um de nós, na nossa vida quotidiana, não se exaspere se não descobrir aquela fantástica ideia luminosa que acontece uma vez na vida de uns quantos iluminados - a vida pode ser boa na mesma se nos limitarmos a fazer aquilo de que gostamos, com a competência possível, com os meios ao nosso alcance.

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Prosseguindo na senda dos assuntos de interesse geral, faço agora questão de aqui dar conta de um inquérito levado a cabo junto das leitoras da revista Hola relativamente a qual o treinador que consideravam o mais sexy.


Pois venceu Pep Guardiola (3.360 votos), seguido de longe por José Mourinho (apenas 1.226).

Tenho alguma dificuldade em perceber pois, à vista desarmada, o nosso special one é bem mais giro, tem mais malandrice. 


Mas, talvez, no momento de votar, as leitoras tenham avaliado de outra forma. Defensores que são do que é deles, a primeira motivação das leitoras (espanholas na sua maioria) pode muito bem ter sido dessa ordem, ou seja, com algum chauvinismo à mistura elegeram um espanhol. 

Depois, talvez tenham pensado que o José Mourinho tem um bocado de mau feitio, tem talvez alguma malandrice a mais e, daí, talvez tenham preferido o Pep que tem ar de bom rapaz, malandreco mas um malandreco inocente.  Nestas coisas, nenhuma mulher quer um santinho mas um indivíduo um bocado arrogante e quezilento pode ser uma carga de trabalhos. Por isso, por via das dúvidas, devem ter votado no Pep.

Uma outra razão – mas, claro, tudo isto é mera especulação - pode ter a ver com o cabelo. Dizem que é dos carecas que elas gostam e isto tem uma razão de ser e, como sempre, radica no lado mais animal do ser humano em que, como qualquer animal, a fêmea procura o macho que mais garantias dá de ser um bom procriador. Ora deve ter ficado gravado no DNA da espécie que os carecas são melhores reprodutores. Isto deve-se a que a testosterona é uma das principais causas de calvície. Claro que há outras causas para a calvície e claro que o que não falta são homens que desmentem a teoria, cabeludos e viris, mas enfim, são coisas que vêm dos primórdios, nada a fazer.

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E por treinadores. Há pouco estava a ver, na TVI 24, a Constança Cunha e Sá e, nisto, passou para o noticiário e quem é que eu vejo? De repente quase me parecia a própria Constança com uma voz mole mas, depois, vi com atenção - e, imaginem, era o magnífico treinador do Benfica ou melhor, o treinador da magnífica cabeleira. 


Esta fotografia não lhe faz juz. Agora o cabelo está maior, mais escadeado, uma beleza. 


Estava tal e qualzinho o cabelo da Constança. Ia para o jantar de anos do Eusébio. Quanto ao que ele disse não dá para transcrever nem é relevante - estive o tempo todo estarrecida a olhar para a extraordinária cabeleira. Só visto, mesmo.

Mas, nessa reportagem vi outra coisa igualmente perturbante. 


João Malheiro, aquele cavalheiro que tem uma voz estranha, acho que era o relações públicas do Benfica (mas porque será que no Benfica os homens parece que são assim para o estranho...?), dizia que, para ele, o Eusébio era melhor que o Natal, e enfatizava 'Eu há bocado dizia: ó Maior (porque é assim que eu trato o Eusébio), ó Maior tu para mim és mais melhor que o Natal'. E eu fiquei à espera de uma explicação para metáfora tão profunda mas a explicação não veio e eu ainda aqui estou a pensar que aquele João Malheiro deve ter uma grande confusão naquela cabeça ou então sou eu que não entendo a metafísica da coisa.

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E por coisas delirantes: sobre a notícia que dá como certa que Portugal necessita de um segundo programa de resgate, Passos Coelho falou aos jornalistas. Que não, que não precisamos nem de mais dinheiro, nem de dilatação de prazo. Mas que, se por condições externas, acontecer alguma coisa, a Europa não vai deixar de nos valer.

Reacção dos mercados: juros batem record. A conversa titubeante de Passos foi entendida como o reconhecimento de que alguém vai ter que valer a Portugal. Os juros atingem valores assustadores e eu nem os vou escrever aqui para não ter pesadelos porque, saindo daqui, quero ir dormir descansada. Mas podem ver aqui.

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E agora, para isto não acabar excessivamente mal:

Yesterday is history,
tomorrow a mistery
but today is a gift.
That is why they call it
'the present'

Jirí Kylián (um dos meus coreógrafos preferidos)



Jiri Kílián, Petite Mort-Africa guzman, Joeri de Korte
NETHERLAND DANS THEATER


por Helmut Newton

Reuni uma companhia de actores,
um carnaval delirante.
Simulo que poderei escapar a essa negra
matemática.
A essa deposição de flores sinistras.


Sob mantos de musgo, nada resta.
Sob líquenes e séculos
uma rupestre lua,
um pêndulo cristalino.
Uma manhã submersa.



(Cronómetro I, de Luís Pedroso in Criatura)


E tenham, meus Caros, um bom dia!