quinta-feira, novembro 30, 2023

"MP iliba Siza Vieira, Medina e Duarte Cordeiro no caso dos ajustes diretos" --

E eu pergunto a todos os jornalistas, comentadores e tropa fandanga dos partidos que perseguiram aquelas pessoas a perguntar-lhes, de forma massacrante, se tinham condições para continuarem no Governo e que andaram a perorar contra a fraca qualidade dos ministros que Costa escolheu, o que vão agora fazer?
Nada?
Vão assobiar para o lado e fazer de conta que não se portaram miseravelmente?
E onde o destaque dado a isto? Não deveria ser dado igual destaque ao que, na altura, deram ao lançar lama sobre pessoas contra as quais, afinal, não há quaisquer indícios de práticas ilícitas?
E à tropa fandanga do Ministério Público que tem andado a queimar a reputação de gente séria e digna, lançando difamação sobre difamação, sobre políticos honestos, uma vez mais não vai acontecer nada?
E o Presidente da República que tanto fez para queimar a maioria absoluta, a que, desrespeitosamente, chamou 'requentada', como assiste a isto?
Agora que por duas vezes dissolveu a Assembleia da República, desrespeitando o voto dos Portugueses, e que permitiu e alimentou o reforço do populismo e da justicialização da política, fica calado?
Depois de ter feito o que fez, agora é que acha que deve ficar calado...?
O que Marcelo fez tem tradução directa no aumento das intenções de voto no Chega, na degradação do nível e da qualidade democrática na política portuguesa. E fica calado? Não nos pede desculpa?
Quanto a Lucília Gago, já sabemos: nada disto lhe assiste, segundo ela não é responsável por coisa alguma.
Uma tristeza.

 

Lucília Gago, a senhora que já fez saber, alto e bom som, que, haja o que houver,
ela não é responsável por coisa alguma. Portanto, se alguém tem que responder pela continuada pouca-vergonha, esse alguém não é ela


Uma vergonha, tudo isto.

Nem me apetece dizer mais nada.

Tomo antes a liberdade de passar a palavra a quem sabe bem do que fala, esperando que não leve mal o abuso:

Ai, Portugal (13): A "justiça" à moda do Ministério Público
Vital Moreira 

Ao fim de 7-anos-7, o Ministério Público veio ilibar das suspeitas que tinham sido levantadas contra nada menos de 4-Ministros-4 do então Governo PS, por supostos crimes na adjudicação de contratos públicos, investigação que na altura foi obviamente explorada politicamente pelos media que servem de megafone às operações de legal warfare do Mº Pº contra o mundo político.

Sete anos para concluir pela inocência de políticos cujo bom-nome e reputação - direito constitucionalmente protegidos - foram manchados pela leviandade ou má-fé do Ministério Público? Haverá quem se não revolte contra esta irresponsável prepotência ?

Adenda

Também um ex-secretário de Estado do Desporto e atual deputado soube agora estar sob investigação por factos ocorridos há quatro anos, cujas suspeitas penais o visado considera «delirantes». Independentemente do que se vier a apurar, será tolerável que o Mº Pº demore outros tantos anos a concluir a investigação?!

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Para quem queira ler o artigo do DN:

 MP iliba Siza Vieira, Medina e Duarte Cordeiro no caso dos ajustes diretos

Fernando Medina, Duarte Cordeiro, Pedro Siza Vieira e Graça Fonseca, que fazem ou fizeram parte dos Governos de António Costa, foram ilibados pelo Ministério Público (MP) no caso dos alegados ajustes diretos irregulares e eventual violação das regras da contratação pública, avança o ECO.

Fonte oficial da Procuradoria-Geral da República disse ao portal especializado em economia e confirmou à Lusa que "este inquérito conheceu o despacho final de arquivamento relativamente a todos os investigados", uma vez que o Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa considerou não haver "qualquer indício criminal na matéria em apreço" e considerou que esta investigação, iniciada em 2016, foi dada como terminada porque seria uma perda de recursos e tempo se continuasse.

(...)

quarta-feira, novembro 29, 2023

No balneário das mulheres

 


A ginástica na piscina é, para mim, um dos pontos altos dos meus dias, ultimamente tão cheios de 'baixos'. 

Já quando andei a fazer hidroterapia depois da artroscopia aos joelhos eu tinha adorado. Tinha que conduzir um bom bocado à hora de almoço, agravado pelo facto de ter que usar uma das vias, à época, mais congestionadas e acidentadas do país, a Segunda Circular. Aconteceu-me falhar a sessão por ficar presa no engarrafamento. Praticamente não almoçava mas, ainda assim, fazia todos os esforços para chegar uns minutos antes da hora para poder ter a piscina só para mim e nadar um bocado. Era uma pequena piscina, sempre com pé, mas era um prazer. Espantava-me ao ouvir, no balneário, algumas parceiras a contar as sessões que faltavam para 'se verem livres' daquilo. E eu só queria era que não acabassem. O único senão é que não podia atrasar-me pois dali voltava directamente para o trabalho, geralmente comendo qualquer coisa enquanto conduzia. Sempre à pressa de um lado para o outro.

Depois disso voltei a fazer hidroginástica mas era perto de casa, à noite. E era um stress pois nunca consegui ter horas para sair, havia sempre alguém que me aparecia no gabinete quando eu estava para dar de frosques, depois era o trânsito, um trânsito sempre ensarilhado. Só para sair do parque onde se situava o edifício onde trabalhava era um pesadelo. Um nervoso desgraçado, sempre com receio de chegar muito depois da hora. Não dá para entrar numa piscina a meio de uma sessão. 

Agora é diferente. Chego a horas, não tenho pressa para sair e, maravilha das maravilhas, é uma piscina funda com dois metros e tal de altura de água e, portanto, toda a sessão decorre sem pé, sempre em suspensão. De vez em quando aquilo cansa a valer. Tenho que fazer um esforço para respirar fundo para oxigenar o organismo pois, quando em esforço, a tendência é fazer respirações curtas. 

Quando acaba, o professor diz que podemos relaxar à vontade. Geralmente, aproveito para nadar. Gosto mesmo. Ainda por cima a água é morninha. Um prazer.

Há agora muita gente, muito mais do que antes das férias. Não sei se irão desistindo ao longo do ano ou se este ano as pessoas acordaram para o bom que é fazer exercícios dentro de água. A maioria frequenta a hidroginástica tradicional, com pé. Na classe da ginástica em suspensão somos poucos. 

Dali vamos para o balneário.

Antes das férias de verão, como não éramos muitas no balneário feminino, eu ficava sempre no mesmo canto. Agora, como é muita gente, quando chego, por vezes o 'meu' canto está ocupado e tenho que ir para onde há uma aberta. Hoje calhou ficar ao pé de uma senhora obesa. Íssima. Na maior das descontracções, toda nua, conversando, rindo, dizendo piadas. Antes, teve uma outra que ajudá-la a despir-se. Estava sentada, a rir e a galhofar, e outra a despi-la. Não estão na minha classe pelo que não imagino se consegue fazer os exercícios como deve ser. Sei é que voltei a vê-la, depois das aulas, nos chuveiros. Eu, pudica, de fato-de-banho, só a passar-me por água, ela, na risota, toda nua. Lava-se com gel de banho e faz uma ginástica dos diabos para chegar ao rabo. Mas enquanto se contorce, continua a falar e a rir. 

Despachei-me o mais à pressa possível com medo que ainda me pedisse para eu a vestir. Com uma descontração como nunca vi, parece que nada a atrapalha ou de nada se intimida. Felizmente chegou a que a tinha ajudado a despir.

Em situações assim constato como as pessoas são diferentes umas das outras. 

Hoje também fiquei surpreendida com uma coisa. Uma senhora que deve ter uns quantos anos a mais que eu, também nua nos chuveiros, tinha a pele tisnada das férias. E vi que usa apenas uma tanga minúscula pois tem a respectiva ínfima marquinha branca que se destaca no corpo ainda bronzeado. Também fiquei admirada. 

Poderia fazer-se uma reportagem sobre as vidas das mulheres que frequentam uma coisa assim. 

Claro que os homens também devem ter as suas idiossincrasias mas dentro da piscina não dá para conversar e nos balneários, como é bom de ver, não há 'misturas'. Por isso, só posso falar pelo que observo no balneário feminino.

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Um dia feliz

Saúde. Tranquilidade. Paz.

terça-feira, novembro 28, 2023

Luís Paixão Martins -- o grande comentador da Televisão Portuguesa.
Alô, alô CNN :
Para quando a uma hora menos tardia? Para quando um espaço mais prolongado?

 


Não sei se a CNN repete, ao longo do dia seguinte, o espaço de comentário com Luís Paixão Martins mas, se ainda o não faz, deveria fazê-lo. Eu vejo-o à segunda-feira, depois das 23:30 h. Apenas cerca de 20 minutos.

Receio bem que não haja ainda muita gente a saber que é do melhor que há em televisão. Seria boa ideia que a CNN o convidasse mais do que um dia por semana, para mais tempo e a uma hora a que mais gente esteja a ver televisão. Seria uma aposta ganha, segura. Luís Paixão Martins tem uma característica preciosa em televisão: é cativante. Por isso, gera fidelização. Quem o vê uma vez, não deixa de querer vê-lo (e ouvi-lo, bem entendido).

Inteligente, arguto, factual, sintético, frontal, sem meias palavras, inatacável. Para analisar a política nacional é de longe o melhor comentador. Cada palavra que diz vale a pena. Não apenas é certeiro como envolve o que diz em camadas. O que ele diz tem subtexto e hipertexto associados. Ganha-se em ouvir mais do que uma vez pois se é muito explícito no que diz, há, aqui e ali, semeadas, algumas subtis insinuações ou quase imperceptíveis lamirés.

Acresce que acompanha o que diz de um olhar cortante, de um sorriso ora irónico, ora sarcástico. Um gosto vê-lo. 

Em frente dele, sorridente, rendida, Ana Sofia Cardoso. Vê-se que não perde pitada, que está a aprender, que está a divertir-se. Compreendo-a. Assim devem estar todos os espectadores.

Desta vez, de uma primeira visualização, retenho o que ele disse: que quem escreve os discursos do Montenegro deve trabalhar em time sharing a escrever os discursos do André Ventura. E está bem visto. De facto, o estilo panfletário, ofensivo, populista, baderneiro de Montenegro ao falar de Pedro Nuno Santos não lembram a ninguém. Não perceberá que os portugueses querem um Primeiro-Ministro decente, que revele saber o que é o sentido de Estado e não um bocas, um fulano armado em engraçadinho?

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A fotografia pertence ao artigo da Visão: ENTREVISTA A LUÍS PAIXÃO MARTINS: MEMÓRIAS DE UM SPIN DOCTOR

segunda-feira, novembro 27, 2023

Lavar carpetes de Arraiolos em tempos de humidade a rodos -- coisa esperta.
Que nos valha a Cissa Guimarães que se pôs nua e conseguiu pagar a casa

 

Estes dias andam um bocado atípicos e nem vou explicar porquê porque os contornos variam de dia para dia e são sempre aparatosos, dramáticos. Mas como tenho o marido e os filhos a dizerem que já estou a ficar apanhada da cabeça e que o melhor é começar a tratar-me, já aqui não falo disso senão, daqui a nada, são vocês a dizerem-me o mesmo.

Por isso, direi que dada a grande humidade de hoje, a roupa da máquina de hoje não secou nem um pouco ao ar. Detesto quando a roupa custa a secar e, ao ar, ainda fica mais molhada do que quando é pendurada.

Ando com a cabeça noutro lado pelo que ando tão desmiolada que já nem sei bem de que é que falei ou do que é que ficou em pensamento. Em concreto não me lembro se contei que, no início da semana passada, quando estava sol, me deu para lavar duas grandes carpetes de Arraiolos. Pus-me descalça, calções e top. De mangueira, vassoura de arame e detergente em punho, aí está ela, a lavar a bom lavar os tapetes. Quando, por fim, a água sai limpinha e sem detergente dou o trabalho por concluído. Geralmente, bem esticadinhos, direitos, ao sol, num dia estão secos. Como ao fim do dia não tinham secado, deixei para acabarem de secar no dia seguinte. 

Acontece que, no dia seguinte, quando fui ver, estavam ensopados. A humidade da noite tinha feito regredir o processo. Mas estava sol, pensei que a coisa chegaria a bom porto. 

Só que, com a minha cabeça sempre a ser enfiada debaixo de água, ao fim do dia nem me lembrei de as recolher. No outro dia, ensopadas.

Quando fomos até ao campo, ir num dia e vir no outro, o meu marido levou-as para a cave. Um peso doido, carpetes daquelas ensopadas pesam toneladas.

Hoje quando fui à cave, esquecida delas, estava um cheiro muito estranho no ar. Só quando as vi percebi que eram elas que estavam ali a deixar aquele smell a juta e lã molhada em circuito fechado. Pois bem. Todo o dia esperei por uma aberta. Mas em vão. Uma humidade das piores.

Portanto, não sei se, depois de secas, porque hão de secar, não vão ficar mal cheirosas. 

Esta terça-feira vou ter muito trabalho para frente. Para além dos mil problemas, apareceu-me uma tarefa que tem implicado muito trabalho, muita resiliência e esforço. Se eu conseguir aguentar-me são de corpo e mente é bem capaz de ser milagre. A sorte é que acredito em milagres.

Tirando isso, não tenho escrito, não tenho lido. Uma lástima.

Mas vai começar uma semana nova e, com sorte, pode acontecer que não seja pior que a que passou. E também pode acontecer que passe por mim uma borboleta colorida e me traga paz de espírito. E isto sou eu a falar virada para o meu umbigo. Porque bom, mas bom mesmo, era que ali pelas bandas de Israel e Gaza alguém fizesse magia e os estupores fossem à vida. E, que pelas bandas da Ucrânia, também sucedesse um daqueles milagres que deixam as pessoas de bem com vontade de ir para a rua cantar.

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PERRENGUE! Cissa Guimarães e seu primeiro ENSAIO NU! 🔥 
| Que História É Essa, Porchat? | GNT

E, se é para querer dar a volta e encarar as coisas de uma forma mais racional sem me afundar, então, com vossa licença, vou à procura de alguma coisa que me faça rir.


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Uma boa semana a começar já nesta segunda-feira
Saúde. Força. Paz.

domingo, novembro 26, 2023

O do costume + heaven, oh so beautiful.

Ponto. Parágrafo. Espaço. (para não contaminar o resto do post)

Os passistas, os moedistas, os rangelistas, os cavaquistas, as galinhas histéricas e a múmia que foi abençoar os mencionados mais o risonho Montenegro com o seu pouco saudável bafo

 

Havia um ténue cheirinho bom a queimada. Quase parecia um cheirinho a lareira vindo de longe. Tudo bom, tudo bonito. Adoro lá estar. Adoro, adoro.

Mas tivemos que vir. 

Lanchámos com parte da família. Chegar e abancar soube-me bem. Tínhamos pensado parar algures para não aparecermos de mãozinhas mas recebemos indicações de que era para levar nada, nada. Portanto, foi isso. O meu marido disse: 'Bom, se já lá há lanche, só se formos comprar menus do mcdonalds...'. Informei, não fosse isso causar algum mal-estar. Mas também fomos impedidos. 

Portanto, de mãozinhas mesmo, foi mesmo apenas lanchar. E o lanche bem bom.

O pior foi o telefonema. A crise, o desespero, o alarme, o drama de sempre. Depois, ao tentar perceber o que se passava, já não era bem aquilo, era coisa que, a meus olhos, é menor. Ainda por cima, omite indicações que ajudam a dimensionar o que diz. Reporta as coisas descontextualizadamente, exageradamente. E, na cabeça dela é, como sempre, como todas as vezes, uma situação terminal. Para a equipa clínica deve ter valido zero pois não me ligaram e o médico nem a foi ver. Já devem estar a perceber o que se passa pois nos primeiros dias ligavam-me sempre. 

A verdade é que, apesar de ser o mesmo todos os dias de há bastante tempo a esta parte, fico num stress, preocupada, sem saber o que devo fazer, sempre no receio de que desta vez seja a valer. Bem que a família me diz que agora já não sou eu que tenho que fazer alguma coisa pois por alguma razão ela agora está num sítio com equipa clínica diária. Mas como o médico não a vê todos os dias (porque já deve ter percebido que nada daquilo corresponde ao drama que ela pensa que é), fica ainda mais insegura, exponenciadamente aflita, com medo de estar a ser descurada. E então ainda mais empola e dramatiza, certamente para conseguir que o médico vá lá amanhã de propósito (como já aconteceu no fim de semana passado).

Bem posso tentar relativizar mas é uma pressão tão, tão, permanente, tão, tão, em crescendo, que a minha cabeça não tem tempo para se restabelecer antes do drama que se segue (porque não há um dia, um só dia, em que ela não pense que está em estado gravíssimo, sem retorno, e que aja como se quisesse convencer-me de que devo tomar imediatas providências -- mas quais...? quais, senhores...?).

Mas, enfim, adiante. Adiante. Adiante. Adiante. (Tenho que me puxar da fossa em que parece que estou a enterrar-me). ´

Entretanto, ligou-me há pouco uma amiga que, ao contar-lhe eu esta situação, me perguntou se não seria já uma forma de demência. Os meus filhos e o meu marido acham que é. Eu não. Mais me inclino para depressão, paranoia, coisa assim. O raciocínio dela e todo o discurso bem como a memória estão intactos, tudo funcional, surpreendentemente bem. Dizem-me todos que pode ser algum tipo de demência em que não controle as emoções nem consiga raciocinar para relativizar os medos. 

Contou essa minha amiga que o pai, um dia, do nada, saiu-se com uma conversa desprovida de sentido deixando todos sem perceber o que era aquilo. E que, a seguir, se tornou agressivo, desconfiado, via coisas, imaginava coisas, tornou-se uma ameaça. 

Ora isso corresponde ao tipo de demência que se identifica enquanto tal, ao passo que, no caso da minha mãe, se é demência, nunca de tal tipo ouvi falar.

Mas, pronto, vou parar com isto. Stop. Stop. Stop. Interrompam-me, digam-me que não volte a falar nisto, enfiem-me numa camisa de forças.

Vá, adiante. 

Cá vou.

Já em casa, a jantarmos uma pizza que comprámos pelo caminho, vimos parte das notícias.

E não dava para acreditar no que via. Em Almada, o encontro dos festivaleiros laranjas. Tudo gente datada, fora de prazo. Montenegro, sorrisinho matreiro, a dizer insanidades, disparates atrás de disparates. Depois vi o Rangel a fazer olhinhos e trejeitos enquanto o Montenegro esparvoava. Provavelmente, também falou e imagino bem os trocadilhos, os esgares, a vozinha escaganifada. Ou seja, a barraquinha ainda deve ter sido maior. E, se calhar, enquanto falava, estava o Montenegro com aquele seu sorrisinho de quem não percebe nada do que se passa à sua volta pelo que mais vale sorrir a ver se disfarça.

Ouvi também o Moedas e é outro daqueles esganiçados que não dá para levar a sério. Cantam de galo mas não passam daqueles galinhos da Índia que fazem muito barulho mas a que ninguém, na capoeira, presta qualquer atenção.

Para cúmulo dos cúmulos, vi que apareceu por lá a célebre múmia que, de vez em quando, aparece a dar à mandíbula, parece que quer ganhar balanço para bolsar a azia em forma de palavras, com aquele arzinho ressabiado de quem não consegue conviver com a vida real. Falou, falou e não conseguiu dizer uma que se aproveitasse. Contudo, atrás dele, o Montenegro parecia satisfeito por ter recebido a visita daquela assombração e isso diz muito sobre ele. Se fosse eu corria a sete pés. Foge. 

A seguir, a televisão mostrou o omnipresente Ventura a troçar, de alto, do Montenegro e do PSD no conjunto.  Não sendo nada, o Chega, fruto de ser permanentemente levado ao colo pela comunicação social, consegue parecer que é alguma coisa. Um partido fascistóide, populista, vazio de propostas concretas, constituído por gente desclassificada, vários a contas com a justiça, e aí anda sempre nos écrans das televisões. Uma aberração parida sobretudo pelas televisões.

O IL a desfazer-se, o CDS inexistente, o Chega que não passa de um populista com um bando de saudosistas de outros tempos atrás, e, para ajudar à festa, um PSD que mais parece um conjunto de salvados de um naufrágio qualquer. Até a Marilú dos Swaps eu lá vi naquele circo que montaram em Almada. 

Face a este pindérico panorama, teria o PS que se pôr a dormir na forma para não agarrar uma maioria confortável nas próximas eleições -- e isso não vai acontecer. 

Tomara é que a abstenção, em especial por parte das pessoas que têm neurónios, não dê cabo da lógica. 


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As fotografias, como é bom de ver, foram feitas in heaven. Como poderão reparar, apesar de não serem um luxo, não as quis contaminadas pelo bafo do Cavaco nem pelo dos seus descompensados apoiantes. Por isso, coloquei-as fora dessa parte do texto. 

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Isto está um bocado maçador, não está?

Se estiverem de acordo, vamos mas é dançar. Boa?

Paolo Conte - It's wonderful - Via con me


Desejo-vos um bom dia de domingo

Saúde. Ânimo. Paz.

sábado, novembro 25, 2023

Contra os desmandos do MP, que avancem os cogumelos in heaven, a roupa estendida ao sol, o cãobeludo feliz e notícias sobre a minha nova roupa de cama

 

Provavelmente o Ministério Público acabará por implodir tal a irresponsabilidade que por ali grassa. Os casos de leviandade e estupidez vão-se somando. Os desentendimentos entre procuradores face aos métodos, à descoordenação, ao quase conúbio com a comunicação social, e face à forma como a sociedade, em geral, vai percepcionando e repudiando a sua actuação, começam a ser bem visíveis.

Mas hoje não vou falar nisso. De vez em quando tenho que descansar a cabeça.

Em casa zangam-se comigo por andar tão preocupada com as razões do costume, dizem que ando a consumir-me com uma coisa que me transcende, uma coisa que não está nas minhas mãos resolver. Compreendo, sei que têm razão. Mas depois dos anos de preocupação com o meu pai -- doze anos de declínio progressivo, sempre a temer um desenlace, várias vezes a passar a noite nas urgências, sempre a recear os telefonemas fora de horas -- quando pensava que a minha mãe poderia usufruir de uns anos mais tranquilos, vê-la neste processo auto-destrutivo, irracional, ilógico, custa-me bastante. 

Mas tenho que ensinar a minha cabeça e o meu coração e o resto do meu corpo a assimilar que, apesar de todos os dias haver peripécias de toda a espécie e feitio, há coisas que não posso controlar e que, assim sendo, tenho que aceitar que o que for, haja ou não solução, não sou eu que conseguirei resolver. E, portanto, tenho que reaprender a descontrair-me.

E, descontração por descontração, também não vou pôr-me a falar dos anhucas e dos terroristas do MP que se sentem empoderados [ah... que palavra mais estúpida esta... Só a uso porque estou a falar disto...] e com autonomia para fazer toda a porcaria que lhes passe pela cabeça sem que ninguém os ponha na ordem.

Vou, isso sim, falar de como o campo está lindo, de como o musgo fica lindo quando lhe dá o sol dourado da tarde, de como os cogumelos estão exuberantes, quase escandalosos de tão belos, de como o cãobeludo fica feliz da vida quando aqui está.






O pior é o frio. Mal cá chegámos e entrei em casa senti um frio antártico. Uma coisa... 

Mas depois das portadas abertas, com o sol a bater nos vidros, a temperatura equilibrou-se. Nem tivemos que ligar o ar condicionado nem acender a salamandra. Claro que tenho uma capa de lã sobre os ombros mas nada de mais.

Trouxemos uns lençóis novos, mais largos e de tecido mais encorpado do que os que cá tínhamos. Lavei-os, bem como os que ainda estavam na cama e umas toalhas de mesa que estavam guardadas há muito tempo. 

Como era muita roupa larga, o meu marido esticou arame plástico entre outras árvores para termos mais estendal. Na fotografia não se vê a corda principal, só a nova e outras pequenas que geralmente são usadas para fronhas, panos de cozinha e afins.


Apesar da humidade, a verdade é que a aragem foi suficiente para secar quase tudo. O que não secou foi recolhido na mesma porque, de noite, na rua, a humidade deixa tudo molhado. De manhã, voltamos a estender. 

Há bocado o meu marido disse: 'Fomos burros... podíamos ter usado a máquina de secar...'. De facto. Gosto tanto de secar a roupa ao sol e ao vento que nem me lembrei da máquina.

Também estou com curiosidade para verificar se a manta levezinha que trouxemos é uma boa opção. Acho que vai ser. Aqui ainda tínhamos cobertores normais, ou seja, pesados. Ora já não estou habituada, já não gosto. Na outra casa já só usamos daquelas mantas fininhas, ultraleves. Fica um calorzinho bom mas sem se dar por elas. Claro que há os edredons que são mais leves que os cobertores mas eu sou encalorada, morro assada debaixo deles. Como o meu marido é mais friorento, com as mantinhas põe um reforço (ie, mais uma mantinha leve) apenas do lado dele. Eu com uma fico bem.

Esta que comprámos é aveludada por fora, em bege claro, e, por dentro, parece lã de borreguinho branca, mas muito fininha. A cama fica muito bonita, quase nem precisa de colcha e, espero eu, proporcionando um sono confortável.

E, pronto, por agora nada mais pois, a bem do descanso da minha desmiolada cabeça, pus os neurónios em stand by e, portanto, como pode constatar-se, não dá para mais que isto.

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Chamo, para ver se salva o post, o Anson Seabra com Welcome to Wonderland


Desejo-vos um belo sábado

Saúde. Alegria. Paz.

sexta-feira, novembro 24, 2023

Há com cada uma...
Então a Dita-Cuja assume-se como não responsável por coisíssima alguma...? Ganda pinta.
Que é do Presidente Marcelo, a sombra simétrica da 'Fonte de Belém', para não libertar de vez a Dita-Cuja das coisas que, pelos vistos, não lhe assistem...?

E eu, a despropósito, confesso que com uma planta, por acaso, nunca sensualizei

 

Em mais um diazinho do caneco, para me fazer rir de gosto, só mesmo a Madame Dita-Cuja, sempre soberanamente encasacada, pose de Sua Majestade A-Não-Imputável, ora a entrar ora a sair de respeitável viatura, ora reclinada em vetusta e justiceira poltrona, a dizer, com uma boquinha repleta de batom mas a fazer biquinho para o dito não resvalar para os dentes, que não é responsável nem por uma coisa nem por outra e, a bem dizer, por coisa nenhuma.

E, note-se, a dizê-lo do alto da sua displicente soberba, a olhar de alto, o olho mal aberto para não gastar a luz de seus olhos com explicações ao povo. Anos para abrir a boca e, quando a abre, foi para se assumir como não responsável. 

[Se não-responsável é sinónimo de irresponsável vocês, que sabem da poda, o dirão]

Em tudo o que é coito de magistrados ou agentes que dão tudo e mais cinco tostões para escutar as conversas entre uns e outros, incluindo os mais íntimos e maliciosos ronronares entre amantes, e que, nas transcrições, se esmeram na truncagem do que convém para sustentar a sua narrativa, devem ter esfregado as santas mãozinhas e rebolado de gáudio perante a confirmação de que assim podem continuar, sem controlo, em auto gestão, em roda livre. 

Um santo regabofe descapitaneado pela Madame Dita-Cuja perante o silêncio cúmplice do Supremo Magistrado da Nação... Assim vamos.

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Face a esta paródia, apanho a boleia e desloco-me até às tertúlias do Porchat. Desta vez, Marcela, uma divertida mãe de família, conta como se apaixonou por um vulto que, afinal, era uma planta à janela. 

Marcela se apaixonou por HOMEM MISTERIOSO que na verdade era… 👀 

Que História É Essa, Porchat? | GNT


Para quando a Madame Dita-Cuja a contar as farrinhas lá do seu trabalho aqui com o Porchat?

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quinta-feira, novembro 23, 2023

Impotência

 

No outro dia, ao vermos fotografias do nosso casamento, o meu marido disse: 'O chato disto é que metade da malta já cá não está'. Pois é. Eu, ao ver-nos nas fotografias de grupo, também tinha pensado exactamente isso. Não sei se é metade, se é um terço. Sei que são muitos. Avós, quase todos os meus tios, todos os do meu marido, sogros, o meu pai.

Deve ser o que acontece em todas as famílias ao fim de um período longo. É a tal lei da vida. A malta chega ao fim da passadeira rolante.

No entanto, é também certo que tantos dos que hoje habitam o nosso coração ainda não existiam nessa altura. E isso é uma alegria. De certa forma, a passadeira está sempre cheia. Saem uns, entram outros.

Não têm sido nada fáceis estes tempos para mim. 

Em todos os casos anteriores, quem saía da passadeira estava doente, sabia-se o que se passava. 

No caso que agora me é muito próximo, não se sabe o que se passa. Supostamente, há uma condição física que estará controlada. 

Contudo, antes, o receio exacerbado dos medicamentos sempre a tinha levado a evitá-los (não dizendo a ninguém que o fazia). Sempre zelou em absoluto pela sua independência, estou agora em crer que para garantir que ninguém percebia que não tomava o que devia. E, se se via forçada a tomá-los, imediatamente sentia todos os efeitos secundários que tinha lido na bula. E tão convincente era, tão mal se mostrava, a tantos médicos dizia que ia que, segundo ela, lhe diziam que suspendesse os medicamentos, que não havia como ser eu a questionar o que me era apresentado como decisão dos médicos.

Até que a situação se agravou e passei a acompanhá-la às consultas e a garantir que não falhamos nenhuma e que a medicação é seguida. Contudo, para ela isto foi como uma sentença de morte. É como se estivesse a ser forçada a ser envenenada. Em vez de aceitar que, tratando-se, lhe é garantida uma sobrevida de qualidade, não. Leu todas as bulas e, de imediato, mais uma vez achou que ia morrer dos efeitos secundários.

Tem lutado por todos os meios para trocarem ou retirarem ou reduzirem a medicação. Contudo, para seu desespero, os muitos médicos ouvidos confirmam que a medicação é a correcta e que, sob risco de vida, não pode ser suspensa. Nos últimos dias, um outro médico, mais um, o confirmou. Para ela, foi uma tremenda desilusão. Não sei porquê, pensava que este ia ceder. Ficou para morrer com a indicação dele de que deveria continuar a tomar aqueles medicamentos. A sua condição de saúde parece que se agravou ainda mais ao saber disso.

E, em estado de enorme exaustão, queixa-se de mil sintomas que atribui aos medicamentos e que os médicos juram a pés juntos que não pode ser. Mas a verdade é que está a piorar de dia para dia. Nenhumas análises, nenhuns exames, identificam o que quer que seja. Tudo está normal. Mas o declínio é evidente. De dia para dia, decai mais e mais. Sempre cheia de medo, descontrolada de medo e fatalismo, como se estivesse a morrer e ninguém ligasse, já sem força, exausta, é já uma sombra do que era. 

E queixa-se de tantos sintomas, tantos, que, às tantas, agora que tem enfermeiros e médicos a olharem por ela, está a ser medicada para o que não tem. A mim diz que não se queixou daquilo, que eles é que perceberam mal. Mas a eles não tem coragem de dizer que era a fingir, e toma mesmo. Mas já ninguém percebe o que é que tem de verdade, pois tão depressa sente tudo, de uma forma absoluta, com manifestações exuberantes, como, pouco tempo depois já não é aquilo, é outra coisa. 

Mas, neste processo, desgasta-se, esgota-se, fica exaurida. E eu vejo que, mesmo que tudo o que ela sente seja uma somatização, a verdade é que está a destruí-la. E aparentemente ninguém consegue resolver isto.

De dia para dia a situação agrava-se. Está rodeada de pessoal clínico e todos continuam a dizer que, de físico, concreto, não se percebe o que possa ser, mas a depauperação do estado geral é gritante. E eu sinto-me impotente, sem saber o que fazer. O meu marido e os meus filhos dizem que obviamente não sou eu que posso resolver o que quer que seja, que só o pessoal clínico é que poderá. Só que eu tinha esperança que, entre enfermeiros e médicos, soubessem lidar com uma situação que me ultrapassava, e estou a ver que não.

Creio que é um caso em que fica muito evidente o que a mente pode fazer ao corpo. 

E eu peço-vos desculpa por estar a voltar a este tema. Não queria estar a importunar-vos com o que começa a ser recorrente. Quem por aqui me acompanha sabe que detesto falar dos meus problemas. Tem morrido quem me é próximo, têm estado doentes, eu própria por vezes tenho tido alguns problemas e pouco ou nada falo disso. Não gosto de carpir, não gosto de me lamentar. Só que, desta vez, esta situação está a submergir-me, quase não me permitindo respirar. Bem tenho tentado falar de outros assuntos mais animados ou mais simpáticos mas, lamento, não estou a conseguir.

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PS: Volto a este post para escrever uma nota a posteriori. Quando escrevi o texto que acabaram de ler e que, de vez em quando releio para constatar que aquilo que eu sempre temia -- que um dia houvesse uma situação séria da qual nem eu nem ninguém se apercebesse -- aconteceu. Ao escrever o que acima escrevi jamais poderia supor que dois meses depois a minha mãe estaria morta

quarta-feira, novembro 22, 2023

Lei de Murphy -- casos práticos

 

Outro dia que não foi fácil, sobretudo pelas razões que, infelizmente, estão a ser uma constante. Parece que vai de mal a pior e há cada vez mais coisas que tenho dificuldade em perceber. Dizem os meus filhos e diz o meu marido: é o normal. Que eu relativize. Que a tendência não será para melhorar pelo que tenho que aprender a aceitar a situação. 

Para ajudar à festa, porque nestas coisas os contratempos nunca são acontecimentos isolados, um dos equipamentos críticos cá em casa está com problemas. Não seria dramático pois há um outro que é suposto funcionar na ausência do primeiro. Pois, como parece que sempre acontece nestas situações, também não funcionou.

Chamado um técnico para ver um e outro, concluiu que o primeiro tem que ser substituído mas não vai ser rápido nem fácil nem económico e que o problema do segundo não era dele mesmo mas de outra coisa a montante.

Portanto, cá esteve hoje, outra vez, para reparar essa insuspeita coisa que estaria a causar problemas ao segundo e a ver se este funciona e aguenta os cavalos enquanto o primeiro não é substituído. 

Trouxe peças novas, montou, fez testes e para aqui andou de um lado para o outro. Parece competente. Não quero deitar foguetes antes de tempo mas penso que, para já, o segundo já funciona. Menos mal. Sem nada é que não poderíamos estar.

Tendo sido recomendado por um conhecido, fiquei a saber que tem trabalhado para muita gente que eu conheço, tendo contado episódios engraçados e que encaixam na perfeição no que conheço deles. 

E porque há aquilo de a Lei de Murphy ser para levar mesmo a sério, o meu calcanhar também continua a doer-me bastante, o que me tem impedido de fazer diversas coisas... e tantas que tenho para fazer.

Portanto, com tudo isto, umas a seguir e em cima das outras, continuo a sentir-me um bocado esvaziada. As preocupações puxam-me para baixo, as avarias maçam-me, as muitas solicitações deveriam tirar-me de casa e a dificuldade em andar atrapalha tudo. Claro que, ainda assim, faço o que posso mas chego ao fim do dia sem ânimo para dissertar sobre os acontecimentos do dia ou para me divertir. Não levem a mal que não responda aos vossos comentários. Leio-os atentamente, ouço as músicas... mas parece que não tenho energia para falar convosco. Desculpem-me.😞

Só espero estar melhor amanhã e, sobretudo, que não aconteça de tudo um pouco, pois vou ter que sair para tratar de uma série de assuntos. Raios partam o estupor do Murphy.

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Prefiro, pois, partilhar um vídeo com uma casa que achei com o seu quê de interessante, com objectos meio excêntricos. Gosto de ver casas, não apenas aquelas em que eu não me importaria de viver mas também as que têm coisas insólitas, únicas.

Inside This Curator’s Bohemian L.A. Home Filled with Handcrafted Objects | Vogue


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terça-feira, novembro 21, 2023

Luís Paixão Martins (LPM) e a famosa 'fonte de Belém'

 

No Questionário de Proust e nas suas múltiplas versões costuma pedir-se que se identifique uma pessoa, da actualidade, que se admire.

Se eu estivesse a responder, para restringir o leque cingir-me-ia às que toda a gente pode facilmente observar para poder comprovar as minhas razões.

E, portanto, aqui estou a afirmar que se há alguém que gosto sempre de ouvir pela inteligência aguda, pela frontalidade e coragem que demonstra, pela concisão e clareza das suas afirmações é ele, o Luís Paixão Martins. Para além disso, mesmo fisicamente é impressionante, não apenas pela compleição como pela magnífica cabeça e pelo penetrante olhar.

A sua intervenção desta 2ª feira à noite na CNN, não sei exactamente a hora, mas de certeza entre as 23:30 e as 24:00, é extraordinária, em especial quando fala da 'fonte de Belém', simétrica de Marcelo Rebelo de Sousa, que fala nos dias em que Marcelo não fala, que veicula as palavras de Marcelo, e que encarna em diversas personagens, geralmente personagens sem rosto quando se trata de imprensa escrita. Mas, diz LPM (aqui são as iniciais do seu nome, não a sua empresa), agora que era preciso usar a televisão, a 'fonte de Belém' encarnou no Lobo Xavier.

Os tais heterónimos...

Mas não se ficou pela hilariante rábula em torno da 'fonte de Belém', o LPM. Quem não viu e tenha como, é pôr a 'coisa' a andar para trás. Não darão o tempo por perdito.

Acrescento a nota de que o meu marido leu o livro 'Porque mentem as sondagens' e gostou bastante. Aqui fica também a dica.

Nos tempos que correm em que grande parte das pessoas parece encarneirada, falando a uma só voz, a voz da maledicência, sem sentido crítico, sem a mínima preocupação em respeitar os mais elementares princípios da Lógica (já para não falar nos sãos princípios que devem enformar a democracia e a liberdade) não há muitas vozes assim. Ele alia a argúcia à ironia e a inteligência de dizer o que pensa (usando uma forma em que é inatacável) ao sentido de humor.

Fez bem a CNN em ir buscá-lo. Entre tantas caras que já falam por falar pois estão a vender comentários há anos e anos e já gastaram o reportório, ou as que falam para cumprir uma agenda encoberta ou os que falam sem terem nada que dizer, eis que há uma voz que apetece ouvir.

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Para quem não o conheça:

Que país é este 
- entrevista a Luís Paixão Martins conduzida por Miguel Nabinho


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segunda-feira, novembro 20, 2023

Sem pilhas

 

Por razões cá minha tenho andado a ter muito trabalho, trabalho físico, cansativo. 

Acresce que tenho continuado a atravessar momentos de stress continuado com a mesma situação de sempre. Quando pensei que tínhamos encontrado uma solução que seria benéfica para ambas, solução esta de sua inteira escolha e com a qual concordei, eis que afinal parece que não. 

Dá ideia que entrou numa espiral de medos que a consome a ela e a quem está à sua volta, nomeadamente a mim. Toda a gente me diz que tenho que pôr o coração ao largo até porque agora há pessoal especializado para olhar por ela. Mas não é fácil. Para além da preocupação intrínseca, há, parece que já inscrito no meu adn, esta ansiedade que resulta de não a ver bem e de não perceber se a situação é real, física, ou se é mais uma das infinitas somatizações. Por mil vezes que se conclua que é somatização, as manifestações são sempre tão exuberantes que nunca sei se é caso para relativizar ou para panicar.

A conjunção das duas situações (em especial a que me tem obrigado a significativo esforço físico) hoje traduziu-se em dores num joelho e, novidade, num calcanhar. Nem consegui fazer qualquer caminhada. Tentei poupar-me este domingo pois a semana não vai ser fácil. Felizmente, no sábado estivemos todos juntos. São sempre momentos de ternura e alegria. Oxigénio nestes dias tão cinzentos, tão escuros.

Talvez por tudo isto e pela tristeza de ter sabido, há pouco, que morreu a Sara Tavares, estou sem pilhas para opinar ou divagar.

Portanto, não vou dizer mais nada.

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domingo, novembro 19, 2023

Qual o melhor candidato a líder do PS?

 

Não sou nem nunca fui militante do PS. Nem de qualquer outro partido. Nem de coisa nenhuma. Não padeço de bairrismo, clubite, religião ou afins.

Mas, salvo alguma longínqua excepção, nas legislativas tenho votado no PS. É o partido com o qual mais me identifico. A democracia liberal, a que associa a democracia e a liberdade, o humanismo, o sentido de modernidade e de inclusão, são para mim fundamentais. E nenhum outro partido me dá a mesma garantia de respeitar estes valores. Claro que há, por vezes, desvios, aplicações defeituosas, mas não há, nesta vida, soluções perfeitas. Por isso, tudo sopesado, mesmo que, por vezes, não totalmente convencidos, há que, pelo menos, escolher  menor dos males. Temos que tentar alcançar as utopias mas com os pés na terra, com pragmatismo.

Apenas nas autárquicas,  algumas vezes, votei não-PS mas, quando isso aconteceu, foi por me parecer que o PS não tinha arranjado um candidato à altura enquanto o partido em que votei tinha um bom candidato.

No que se refere ao momento presente, um momento muito absurdo, em que um governo estável suportado numa maioria absoluta cai por uma situação que aparenta não ter pés nem cabeça, há que pensar com a cabeça e não apenas com o coração e, muito menos, com os pés.

Ainda agora a Moody's subiu o rating de Portugal, colocando-o acima do de Espanha. A credibilidade do País subiu consideravelmente e isso é extraordinário e é uma das muitas coisas que devemos ao bom Governo de António Costa.

A seriedade, a inteligência, o equilíbrio e a capacidade de superar obstáculos, internos e externos, alguns tão grandes, a capacidade de apresentar contas certas, de pagar a dívida (reduzindo os encargos com ela, libertando recursos para a economia), a capacidade de lidar com toda a gente, sejam as pessoas na rua sejam as mais altas instâncias internacionais, o profissionalismo e o total conhecimento de todos os dossiers revelados por António Costa colocam-no, certamente, ao nível dos melhores Primeiros-Ministros que Portugal já teve.

Mas as coisas são o que são, a pouca sorte pode bater à porta de qualquer um. Bateu à de António Costa. Só espero que, muito em breve, a sombra negra que paira sobre a sua cabeça desapareça para bem longe e que ele possa voltar a pôr as suas competências ao serviço dos outros.

Entretanto, porque a realidade não se compadece com estados de alma, há que escolher um outro líder para o PS.

Não podendo eu votar nas eleições internas do partido e não conhecendo especialmente bem nenhum dos candidatos, em especial o José Luís Carneiro e, ainda menos, Daniel Adrião, é com alguma hesitação que digo que, entre Pedro Nuno Santos e José Luís Carneiro, me parece que o último será um melhor primeiro-ministro, mais estável, mais sólido, mais credível.

Imagino que Pedro Nuno Santos, ousado e voluntarista, pode precipitar-se mais vezes, como já o vimos fazer várias vezes, dar passos maiores que a perna, atirar-se para fora de pé mesmo não sabendo para onde está a atirar-se e não estando certo de que ali consegue nadar. E pode aliar-se com quem está ao lado de Putin, ao lado dos que gostam de armar baderna, sem sentido de responsabilidade ou de Estado.

José Luís Carneiro não terá a graça, a malícia, o golpe de asa, ie, o carisma do Pedro Nuno Santos. Mas parece-me, no momento em que estamos e nas circunstâncias nacionais e internacionais que atravessamos, que será mais previsível, mais confiável, mais seguro. 

E, apesar de todas as minhas reservas -- grandes, grandes reservas -- a propósito do PSD, esse saco de gatos, esse amontoado de gente grande parte dela desclassificada, aqui o digo: se o PS ganhar as eleições mas sem maioria absoluta, com o que hoje sei, a bem do País, antes prefiro que o PS conte com o apoio do PSD do que com o apoio do PCP (que não consegue descolar de Putin e de vários outros ditadores, mesmo que assassinos) e do BE (que a maior parte do tempo está do lado da baderna, do espalhafato, da inconsistência).

Sendo certo que Pedro Nuno Santos gosta de se bandear para o lado do PCP e, creio que ainda mais, do BE, e acreditando que José Luís Carneiro, se necessário, será capaz de obter o apoio do PSD sem se deixar poluir pelas macacadas dos mais poluidores psd's, seria José Luís Carneiro que eu escolheria.

É isto. É o que é.

sábado, novembro 18, 2023

Explicação aos estúpidos: 'O que significa um Primeiro-Ministro não ter amigos?'

 

Quando eu trabalhava, usava, por vezes, uma expressão idêntica (salvo as devidas distâncias) à que António Costa usou no outro dia.

Em especial, quando fui responsável pelas Exportações e pelas Compras das Empresas para as quais trabalhava e em que tinha por função comprar e vender nas melhores condições possíveis (baixo preço ao comprar, preço alto ao vender), quando me invocavam relações de longo prazo para obter condições de algum favor ou condescendência, eu dizia: 'um director não tem amigos'.

Numa vez em que comprávamos regularmente uma matéria prima (que, de cada vez que era adquirida, custava a preços de hoje, milhões de dólares), decidi não a comprar ao fornecedor mais usual por não estar a fazer as condições que eu queria. O vice-presidente dessa companhia internacional meteu-se num avião para vir tomar-se de razões comigo e, já o contei aqui, foi uma das raras vezes em que, intimamente, me senti vagamente intimidada. Tínhamos tido, de manhã, uma acesa discussão ao telefone em que ele não conseguia aceitar que eu mudasse de fornecedor. De tarde, sem que eu o esperasse, apareceu-me à porta do gabinete. Muito alto, muito bonito, muito charmoso... e furioso. Estava chocado com a minha decisão e tentou dar-me a volta ao vivo e a cores e, se eu não cedesse, já tinha pedido uma reunião de urgência com o presidente da empresa. Não cedi, claro e toda a minha argumentação se baseou em que 'um responsável por fazer negócios não tem amigos'. 

Não teve outro remédio senão encaixar até porque, obviamente, eu estava respaldada. Mantivemo-nos amigos mas, a partir daí, ele passou a tratar-me por 'UJM, la femme infidèle' (claro que, em vez de UJM, dizia o meu nome).

Mais tarde, enquanto membro de uma Comissão Executiva, dizia isso a torto e a direita. Se queriam aumentos ou promoções, aceitação de dilatação de prazos ou o que fosse, e se se posicionavam como sendo nós conhecidos de longa data, tinha que lembrar que a minha função não tinha amigos.

Ou seja, é a função que não tem amigos. No trabalho, temos que ter distanciamento, não podemos tomar decisões com base em afectos ou emoções.

Quando António Costa disse que 'um Primeiro-Ministro não tem amigos' é isso. Enquanto Primeiro-Ministro gere o que tem a gerir com base em critérios racionais, objectivos, e não com base em amizades.

Ele, enquanto pessoa, tal como eu, enquanto pessoa, temos os amigos que temos. Mas não é no patamar da amizade que tratamos de assuntos profissionais.

Contudo, por todo o lado, desde jornalistas descerebrados a comentadores avençados, toda a gente diz que António Costa disse que ele, ele próprio, não tinha amigos. Ora não foi isso que ele disse. Ele não disse: 'Eu não tenho amigos'. Ele disse: 'Um Primeiro-Ministro não tem amigos'.

Creio que apenas sou lida por pessoas inteligentes pelo que terão percebido isso desde que António Costa falou. Mas caso conheçam gente burra, dessa que não consegue perceber a diferença entre uma coisa e outra, peço que façam o favor de encaminhar este meu mail.

Agradecida.

sexta-feira, novembro 17, 2023

E já vão 3 (três!) erros grosseiros e crassos do Ministério Público... Um total fiasco. No entanto, com isto, deitaram abaixo um governo de maioria absoluta.
E... agora Marcelo?
Não manda arrancar os ramos mortos? Vai deixar que toda a Justiça gangrene? Vai deixar que os populistas tenham terreno fértil para medrar?

[E, para desanuviar o ambiente, Fran Lebowitz]

 

Tive mais um dia muito cansativo. Cheguei tarde a casa e sem vontade de ligar o computador ou ver televisão. No telemóvel, espreitei as notícias. 

E, para minha estupefacção, vi que houve mais um erro do Ministério Público: a tão propalada, censurada e debatida/comentada reunião entre Lacerda Machado e Escária com Afonso Salema, então CEO da Start Campus, na sede do PS, no Largo do Rato, em Lisboa... afinal não existiu. O erro denunciado pelos envolvidos já foi assumido pelo Ministério Público. Mais um erro. 

Depois de terem trocado o Ministro da Economia com o Primeiro Ministro, depois de lançarem atoardas e infâmias sobre o envolvimento dos suspeitos através de advogados a redigir uma certa portaria, que afinal nada tinha a ver com o caso -- duas barracadas, amadorismos, incompetências, leviandades (ou má fé) --, eis que aparece mais um impensável erro.

Já parece demais, não é? É assim que o Ministério Público -- destrambelhadamente, irresponsavelmente -- trabalha? É?!

E é com base nestes despautérios sem pés nem cabeça que alguém decide mandar avançar dezenas de polícias para invadir a casa das pessoas, revistar-lhes as gavetas, prendê-los, pespegar tudo nos jornais -- com base em suspeições/acusações que afinal eram infundadas, erradas?

É com base nisto que se deita abaixo um governo (de maioria absoluta)?

E, de cada vez que o Ministério Público manda estas notícias, afinal fake news, para a comunicação social, logo saltam os comentadeiros e as galinhas sem cabeça da oposição, capitaneadas pelo omnipresente Ventura, tudo a saltar em cima a pés juntos, todos dizendo que não se espantam, que era expectável, que é tudo uma cambada -- e... afinal... era mentira. Aquilo que estes descerebrados zés-ninguéns já sabiam, afinal, não existiu.

E, nessas alturas, depois de se saber que foi cometido mais um erro pelos procuradores, onde estão todos os que cuspiram em cima dos que foram visados pelo Ministério Público? Não os vejo. Calados que nem ratos. Cobardes.

E, mais uma vez, pergunto: onde está o murro na mesa que se impõe a Marcelo? Onde está Marcelo a dizer que os ramos mortos da Justiça, nomeadamente a cadeia hierárquica e as maçãs podres do Ministério Público, têm que saltar fora?

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E quando pessoas lúcidas, informadas e inteligentes como Augusto Santos Silva (ASS) vêm pedir explicações aos que fizeram porcaria (porcaria e porcaria a valer), e celeridade a quem tem que desembaraçar o emaranhado que os fora-de-lei teceram, logo aparecem, uma vez mais, as galinhas acéfalas e aos papagaios descerebrados a pedir a demissão de ASS e a lançar confusão. 

E eu, de novo, pergunto: porque não vem Marcelo dizer o mesmo que ASS ou Vital Moreira, porque não vem dar cobertura aos democratas que se insurgem e batem o pé e levantam a voz para defender a democracia, a liberdade e a justiça (a sério)?

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Mas hoje estou cansada, não me apetece continuar a escrever.

Deixo-vos em boa companhia

Fran Lebowitz's 5 Points of Culture with CpULTURED Magazine


quinta-feira, novembro 16, 2023

Quem é que anda a fazer de tudo para que voltemos aos tempos (AC) em que se dizia haver, por aqui, um povo que nem se governava nem se deixava governar?

 

Na sequência da última inventona, no outro dia, no balneário da piscina, uma senhora que, quase de certeza, não paga um cêntimo de IRS e que, do que percebo, também nunca deve ter descontado um cêntimo para a Segurança Social, queixava-se dos governantes, que são todos uns corruptos, uns ladrões, que só lá estão para encher os bolsos enquanto ela e 'nós' (leia-se, as presentes no balneário) não temos direito a nada.

Na sequência desta conversa, e em total incoerência, relatou que há uns três ou quatro anos teve um enfarte e que esteve num hospital público e que foi muito bem tratada e acompanhada, que não tem nada a apontar.

Chamei-lhe a atenção: mas era um hospital público e foi bem tratada... (isto sem nunca ter contribuído com um cêntimo). Portanto, de que se queixa? Disse-me, taxativamente, que se fosse hoje deixavam-na morrer à porta. Respondi-lhe que não, que o nosso SNS até funciona bem, como ela constatou, e que não há notícia da população andar toda a morrer à porta dos hospitais. Falou-me das notícias. Um caso de alguém que teve essa pouca sorte entre centenas de casos (senão milhares) por dia é uma infelicidade mas é uma insignificância estatística.

Dir-me-ão que, se a senhora não pagou impostos, é porque tinha baixos rendimentos ou, mesmo, zero rendimentos. 

E eu responderei que talvez não. Neste caso em concreto, do que nos conta, passeia pela Europa, faz cruzeiros, etc. Não vou entrar em pormenores mas posso dizer que, do que percebo, terá sido mais um daqueles infinitos casos de 'pequena' economia paralela. Agora percebo que o marido já não trabalha mas, do que vou ouvindo, intuo que devem ter vivido à margem das suas reais obrigações.

Uma outra dizia que tinha tido um cancro, que se tinha tratado no IPO e que tinham sido impecáveis, amorosos, atenciosos. Não tinha pago um cêntimo. E, no entanto, fazia coro com a outra, quanto à 'ladroagem que por aí anda nos governos e no parlamento' fazendo com que 'nós' tenhamos que pagar tudo, e tudo cada vez mais caro, e 'eles' nada, só a ficarem ricos. Quando a interpelei: mas os tratamentos no seu caso, com cirurgias, tratamentos, etc, devem ser bem caros e não pagou nada. Ficou a olhar para mim muito admirada como se tudo aquilo tivesse caído do céu, ou seja, como se nunca lhe tivesse ocorrido que usufruiu de dinheiro que outros descontaram e que os ditos governantes (e respectiva máquina administrativa) administraram.

Num outro dia, era uma outra que dizia que não ia levar vacinas, que estava farta de levar vacinas (gripe e covid) e que o que corria nos grupos de facebook de que fazia parte era que isto das vacinas é só para uns quantos se andarem a encher de dinheiro à nossa custa e que já estava farta de dar para aquele peditório. Perguntei-lhe se alguma vez tinha pago alguma coisa e ficou também admirada com a minha pergunta. Que não... E eu disse-lhe que levar vacinas era uma questão de saúde pública e, ao mesmo tempo, de defesa individual e que era um serviço gratuito para todos os utentes, que saía do orçamento do SNS. Vi que estava espantada e quase aposto que concluiu que eu devia estar 'feita' com os que só querem roubar. Isto quando usufrui gratuitamente dos serviços.

Num desses dias, cansada de ouvir tanta alarvidade, falei-lhes nas estradas, nas esquadras, nas escolas, nos hospitais e centros de saúde, por exemplo, em que se usufrui de vias de comunicação,  de saúde e de ensino gratuitos e que temos muita sorte em que assim seja e ainda mais porque mesmo as pessoas que não pagam impostos ou que não descontam para a segurança social, ou descontam muito pouco, tenham todos os seus direitos assegurados.

Ora, o que constato é que muitas pessoas, sendo usufrutuárias líquidas de benefícios não negligenciáveis, em vez de estarem agradecidas, mostram-se revoltadas como se alguém estivesse a roubá-las.

E isto, creio eu, deve-se a esta campanha orquestrada (deliberada ou não) entre o Ministério Público, os populistas como o Chega, as franjas mais ignorantes, embrutecidas e fundamentalistas do BE e do PCP,  alguns trogloditas do PSD e a comunicação social que, de manhã à noite, convocam para o palco da maledicência toda a espécie de jornalistas/comentadores que parece que, para assegurarem a sua avença, apostam no bota-abaixo, no discurso da desgraça e da fatalidade. Isto, exponenciado, pelas redes sociais. Vejo pelos grupos de whatsapp de que agora faço parte como cai lá todo o lixo possível e imaginário. Notícias falsas, truncadas, memes ridicularizando e caluniando políticos e governantes -- em permanência.

Há pouco, uma jornalista falava do 'caso' Data Center de Sines. Tudo o que ela dizia eram banalidades sem um pingo de suspeição. Tudo o que ouvi tinha a ver com aquelas pessoas quererem resolver encalhamentos, entraves, descoordenações, tretas irrelevantes. Contudo, ela lia a notícia com um tal ênfase e com um gesticular de mãos que, quem não conseguisse descodificar o que ela dizia, julgaria que ela estava a destapar uma caldeira de corrupção ou a desvendar uma perigosa teia. 

Sobre a deriva paranoica, persecutória e justicialista do Ministério Público quer o meu marido quer eu já aqui falámos bastamente (post anteriores). Cinjo-me agora à divulgação noticiosa da 'inventona'. Ora, desde quem escreveu a notícia que ouvi, a quem a aprovou e a quem a leu apenas revela que não fazem ideia do que é gerir investimentos. É que é isto mesmo que se espera de quem tem prazos e orçamentos a cumprir: que, dentro do respeito pela lei e pelos bons costumes, não descanse, que escave debaixo dos pés, que levante pedras, que salte muros, que vá atrás de tudo o que permita que se chegue com o projecto a bom porto. 

Tudo o que ouvi neste 'caso' foi gente que lutou pela prossecução de objectivos e não de vantagem pessoal. Ninguém ali, que se tenha ouvido, recebeu um tostão.

Fala-se em almoços ou jantares como se fosse obtenção de vantagem ou lá que treta é que é. Disparate. Toda a minha vida presenciei os meus colegas a tratarem do que calhava durante refeições. Quando se tem uma agenda cheia, por vezes encaixam-se novas reuniões no espaço livre para o almoço ou jantar. Por acaso, eu sempre fugi disso a sete pés mas não foi por achar que alguém me iria corromper ou que eu poderia ser acusada de querer corromper alguém, foi apenas porque não tenho pachorra para tratar de assuntos de trabalho durante o que considero ser um direito meu a um período de descanso. Mas, note-se, eu era vista como uma excêntrica por precisar de intervalar e precisar de descansar a cabeça enquanto como.

Mas pela cabeça de que tarado ou fora-de-lei é que passa que alguém, tendo que tratar de projectos de milhões, se deixa influenciar ao tratar de assuntos de trabalho durante um almoço de vinte ou cem ou duzentos euros? 

Que procuradores, que inspectores, que agentes e que jornalistas temos que não saibam discernir tais evidências e que, para cúmulo dos cúmulos, achem por bem destruir, na praça pública, reputações... por nada?

É absurdo, ridículo.

A que ignorantes e a que gente mal intencionada estamos nós entregues?

O que me chateia é que é isto que está por aí instalado. E não venham dizer-me que estou a exagerar ou que, sendo todos gente tão bronca, são inócuos. Não são. Foi este ambiente e estes agentes -- que medram no clima malsão que criam -- que conseguiram interromper uma legislatura, deitar abaixo um governo de maioria absoluta, insinuar infâmias, atirar lama para cima de pessoas que estavam apenas a zelar pelo bom andamento dos projectos (o que, diga-se, só beneficia o País).

Não falei até este ponto no nosso Presidente. Mas muita da responsabilidade disto tem o cunho de Marcelo. Ao comentar tudo a toda a hora, ao 'mandar bocas', ao estar sempre a insinuar remoques ao Governo, ao ameaçar durante meses com a dissolução da Assembleia, banalizando esse gesto, ao colocar-se frequentemente ao lado dos baderneiros, ao não fazer a pedagogia da análise séria, ao não se demarcar das análises cegas e populistas dos assuntos, alimentou este ambiente.

Tenho pena. 

Aquilo de Portugal ser uma terra em que a gente não se governa nem se deixa governar parece que está outra vez na ordem do dia. E está-o pela mão dos acima referidos.

quarta-feira, novembro 15, 2023

Agora que Marcelo deveria agir e falar é que está tão quieto, tão calado? --
Hoje sou eu que falo

 


O que aconteceu deixa-me doente. Ouvi na televisão que felizmente a Justiça está a funcionar já que o Juiz de Instrução praticamente deitou por terra a macacada que o Ministério Público tinha feito. Não concordo. Tudo estaria bem se as coisas fossem rápidas e se os danos não tivessem sido tão dramáticos, danos para as vítimas da infâmia e danos para todo o País.

Quanto tempo vai passar primeiro que aquelas cinco almas mais as outras que foram salpicadas pela porcaria que o Ministério Público fez se vejam totalmente livres de chatices? E quem lhes vai pagar os advogados? E a interrupção nas suas vidas? Os prejuízos de toda a ordem, nomeadamente os reputacionais e os morais?

E tudo porque quiseram agilizar projectos estratégicos para o país. Não há corrupção nem prevaricação. Nada. Apenas preocupação para que os projectos andem para a frente.

Os portugueses, há cerca de ano e meio, deram a maioria absoluta ao PS.

E o Ministério Público, que parece que tem uma agenda política própria, parece ter resolvido fazer a vontade ao Chega e a uns quantos jornalistas-comentadeiros (e, como se tem visto, também ao Presidente da República), arranjando maneira de lançar o opróbio sobre António Costa que, face à infâmia lançada pelo vil comunicado, não teve outro caminho senão o da demissão.

Estamos onde estamos e ainda não vi a Lucília Gago demitir-se, não vi Marcelo vir a terreiro para correr com ela, não vi que os Procuradores que fizeram a porcaria que fizeram tivessem sido suspensos. 

Nem vi que se tivesse apurado quem passou as escutas ou os resultados das buscas para a comunicação social e se tivesse movido um processo contra esses criminosos.

Nem vi Marcelo vir também a terreiro explicar ao País o que António Costa disse no sábado: que governar um país é, dentro da legalidade, mover todos os esforços, pressionar quem tiver que ser pressionado, articular os intervenientes para que os projectos e os serviços funcionem bem e rapidamente, atrair e reter investimento, criar postos de trabalho interessantes, dinamizar a economia e o país. 

Também não vi Marcelo vir a terreiro explicar que há linhas vermelhas em democracia que jamais devem ser pisadas... e que o foram. Nem o vi vir dizer à Comunicação Social que não é suposto que se porte como oposição, ainda por cima uma oposição populista pois isso mina a confiança nas instituições democráticas.

E o não ter vindo fazer isso, abre espaço a que campeiem as acusações vãs, as confusões, o descrédito nos políticos, nos governantes. Abre espaço a que ninguém com uma vida estabelecida se arrisque a ir para a política ou aceite lugares de responsabilidade governativa.

Faria bem, Marcelo, se fizesse uma comunicação ao País em que mostrasse que é o Presidente de todos os portugueses e que quer, acima de tudo, o bem do País, o seu funcionamento normal, inteligente, coerente, democrático.

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Votarei PS nas próximas eleições, seja qual for o líder. Não morro de amores por nenhum dos que já se chegaram à frente. Mas, seja qual for, estou como António Costa: são muito mais competentes do que qualquer dos líderes da oposição. E como penso, acima de tudo, no progresso, no desenvolvimento, na democracia saudável, na modernidade, no sentido de Estado, e porque quero um País bom para os meus filhos e netos, não tenho qualquer dúvida em votar como votarei.

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Tirando isso, estou um pouco cansada. Por razões que não vêm ao caso, os meus dias não têm sido especialmente fáceis. E o que ainda me tem deitado mais por terra é ver a estupidez do que aconteceu. Tudo evitável. Tudo absurdo demais. Caraças.

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A fotografia que fiz no outro dia à noite vem na companhia de Bach sobre o filme Nostalghia de Tarkovsky 

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Em nome do meu marido, agradeço todos os comentários

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Uma boa quarta-feira.

Saúde. Força. Paz.

terça-feira, novembro 14, 2023

PR + MP + Comunicação Social: a troika que está a dar cabo do País --
uma vez mais, a palavra ao meu marido

 

Foram hoje conhecidas as medidas de coação estabelecidas no processo "Influencer". 

A única acusação que se manteve foi a de tráfico de influências e os arguidos saíram em liberdade (felizmente que não foi o Carlos Alexandre pois era capaz de, mesmo com pseudo provas tão pífias, decretar prisão preventiva). 

Assim, parece não ter qualquer sentido manter o inquérito sobre o PM e fica demostrada a loucura dos comentadores e dos jornalistas que baseados numa mão cheia de nada conseguiram provocar alarme social internamente e denegrir no exterior a imagem de Portugal, contribuindo para desmotivar potenciais investidores estrangeiros.

Quanto a grande parte dos jornalistas e comentadores já sabemos há muito tempo o que a casa gasta. Não valem nada! São acríticos, não têm noção do mundo real, não contextualizam os problemas, são correias de transmissão dos interesses a que estão ligados. São completamente dispensáveis! Julgo que ninguém terá dificuldade em considerar, por exemplo, o José Gomes Ferreira completamente dispensável. Um tipo que só diz barbaridades e até lê tweets falsos em direto não faz falta, é um ativo tóxico, e deve ser dispensado. Obviamente, existem alguns jornalistas e comentadores de grande qualidade que me merecem o melhor apreço  e cujas posições respeito (Pedro Sousa Carvalho ou Anabela Neves, por exemplo, são dois dos que considero bons jornalistas, tal como Luís Paixão Martins é um comentador que ouço sempre com bastante interesse).

Existem outros dois intervenientes neste processo que têm ainda mais responsabilidades que os jornalistas: são o MP e o PR.  

O MP indicia cinco cidadãos de crimes de corrupção, prevaricação e tráfico de influências. Prendem as pessoas durante quase uma semana antes de serem ouvidas. Trocam nomes (propositadamente?) nas escutas e num caso desta gravidade apontam erradamente para o PM, referem Portarias que não têm a ver com o processo em curso, invadem a casa das pessoas pela manhã e devassam a privacidade de cada um e ainda por cima aparecem nos jornais as situações que mais podem denegrir os visados. Depois de tudo isto, os crimes de corrupção e prevaricação caem. 

Que mal terá feito, por exemplo, o autarca de Sines para merecer tudo isto? É demais! É uma falta de respeito para com os portugueses! 

Alguém tem que acabar com este estado de coisas. 

Hoje também veio a público uma notícia em que, numa investigação  a vários autarcas, o MP não fez as inquirições devidas e o processo voltou à estaca a zero. Depois de tudo isto não há sanções para estes senhores?

Em minha opinião, o principal culpado da situação atual é o PR. 

Na aparente ânsia de correr com António Costa e com o PS, não teve o devido discernimento para avaliar a situação. Não ponderou  a melhor solução face ao empate verificado no Conselho de Estado, não esperou o tempo suficiente para ter mais dados sobre a situação e decidiu sem o devido suporte. E que não venham os amigos do PR dizer que ele se preocupa muito com os Portugueses e com Portugal. 

Objetivamente, e tendo em conta a atuação do PR, o que ele fez, mais uma vez, foi desencadear uma situação que em nada contribui para o bem estar dos portugueses e para o desenvolvimento de Portugal. Dissolver a AR na qual existia uma maioria sólida eleita há menos de dois anos com base num 'golpe de estado de três procuradores' (a expressão não é minha) e mergulhar o País num novo período eleitoral é tudo o que não devia acontecer. E aconteceu pela mão do PR.

Respondendo a PGR perante o PR, o mínimo dos mínimos é que o PR, após o que aconteceu,  tivesse a atitude de demitir a PGR. 

Com tudo o que tem feito, se, ainda por cima, permitir a continuação em funções da actual Srª PGR, o Sr. Presidente, que já vai ficar tão mal no julgamento da história, ficará ainda pior.

Como notas finais:

1 - Será que, no que se refere ao "Influencer", em vez da montanha parir um rato, como se antevia, afinal ainda é menos que isso, menos ainda que a formiga de que se fala: a montanha não vai parir coisa alguma?

 2 - Será que o PR teve uma premonição e, quando foi visitar o Beco do Chão Salgado, estava  a pensar no MP atual?

3 - Segundo Luís Paixão Martins, Costa sugeriu ao PR quatro nomes para eventual PM, tendo Marcelo recusado dois, sendo que um dos dois admitidos como viáveis era o de Centeno. Aliás, LPM chamou a atenção para que, quando Costa, no sábado, disse que tinha a aquiescência do PR para sondar Centeno (nota: sondar e não 'convidar' como, talvez por lapsus linguae Centeno tenha referido), Marcelo não desmentiu. O diabo está nos pormenores. 

segunda-feira, novembro 13, 2023

Ainda a comunicação de António Costa ao País e a reacção dos jornalistas-comentadores. E uma pergunta a propósito do passado de Paulo Portas. --
Uma vez mais, a palavra ao meu marido

 

Muito obrigado pelos V. comentários. São sempre pertinentes.

Após da comunicação de ontem de António Costa, a malta do costume, para não variar, encarniçou-se contra o PM. Esta coisa de alguém expor as suas razões e explicar minimamente o que é governar, contrariando o discurso televisivo que entende que governar é estar quieto e não fazer nada,  deixa-os loucos.  

O MP dá cabo da vida do pessoal -- qual é o problema? 

Os jornais utilizando informação em segredo de justiça, criteriosamente selecionada, enxovalham o pessoal que é politico ou tem notoriedade -- qual é o problema? 

Na opinião deles é comer e calar. Vir a público contrariar a verdade jornalística é um sacrilégio. A realidade tem que corresponder àquilo que os jornais escrevem e as televisões dizem. Quem contraria este estado de coisas tem que ser frito em lume mais ou menos brando. 

Para além do discurso dos jornalistas-comentadores encartados promovendo interesses, a impreparação de muitos jornalistas é notória. Estou convencido que quando, por exemplo,  se refere que o processo politico não pode ser criminalizado, a maioria dos jovens jornalistas não fazem ideia do que isto significa. 

No entanto, nas intervenções que fazem, não se coíbem, trocando alhos por bugalhos, de fazer afirmações definitivas sobre coisas que desconhecem. Bom seria dar também uma enorme varridela na comunicação e passarmos a dispor de órgãos de comunicação idóneos e imparciais. A liberdade de informação é um pilar indispensável da democracia mas tem que ser um pilar saudável, bem estruturado, consistente. Um pilar feito de areia colada com cuspo é pior que nada.

Para terminar: vi hoje o Paulo Portas na TVI e achei uma certa piada. Este senhor andou nas bocas do mundo por causa do caso dos submarinos e de outros casos também muito pouco edificantes mas nunca foi incomodado pelo MP nem pelos jornalistas. Porque será?

domingo, novembro 12, 2023

A comunicação de António Costa ao País, o Ministério Público, o Presidente Marcelo e os jornalistas-comentadores -
de novo, a palavra ao meu marido

 

Agradeço os comentários enviados. São muito interessantes. Obrigado.

Já aqui escrevi que, na minha opinião, neste momento, os três maiores problemas do País são: o PR, a Justiça e a maioria dos jornalistas-comentadores dos órgãos de comunicação social.

O inquérito do MP que originou a demissão do  PM e que, pelas notícias conhecidas, só pode resultar de incompetência, desconhecimento do mundo real ou interesses escondidos, também resulta da atuação do Prof. Marcelo e dos jornalistas-comentadores. 

A banalização pelo Prof. Marcelo da possível dissolução do Parlamento, o apoio que deu à luta dos professores, nomeadamente, quando os professores ultrapassaram todos os limites de decoro e decência para com o Primeiro Ministro, a forma como suportou atividades passíveis de inquérito criminal dos jovens ativistas do clima, os constantes "recados" para o governo sobre tudo e nada,... também respaldaram  a atuação do MP, pondo os Procuradores  "à vontade" para atuarem como atuaram e, assim, fazerem um enorme estrago na reputação  e no desenvolvimento do País. 

O discurso  dos jornalistas-comentadores, que transmitem  a ideia de que somos um País de corruptos, condiciona a opinião pública e confortam atuações justicialistas que têm como finalidade criminalizar o processo politico -- o que é inadmíssivel.

Ouvi hoje a comunicação de António Costa ao País que focou aspetos muito importantes, a saber: 

  • o investimento estrangeiro é muito bem vindo, 
  • o governo existe para atuar, optar e gerir a coisa pública 
  • e os funcionários públicos não se devem deixar intimidar e devem continuar a agir e a decidir de acordo com a lei. 

São mensagens importantes nesta altura e podem  ajudar a limpar a porcaria "made in" MP. 

Disse também que nunca falou sobre o projeto de Sines com Lacerda Machado e isso é relevante para o caso em questão.  

Claro que os comentários dos jornalistas-comentadores, imediatamente após, seguiram, como é costume, os interesses defendidos por cada um deles, focando aspetos acessórios. 

Será  que não têm capacidade para perceber  que a atuação do MP destruiu em poucas horas a boa imagem do País que tinha sido construída nos últimos anos, o que nos prejudica a todos? 

De fato, só estão interessados neste momento  em promover  a direita  e denegrir o António Costa e o PS, o que é lamentável.

Resta-nos a esperança de que algum dia esta espécie relativamente recente, a dos jornalistas comentadores, seja varrida dos canais de televisão. Oxalá!